sexta-feira, 1 de maio de 2026

Lula vê derrota de Messias como parte da democracia, diz Sidônio Palmeira

O presidente Lula avalia como parte do funcionamento democrático a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado. Segundo o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, o chefe do Executivo está tranquilo diante do resultado da votação, que barrou a indicação.

De acordo com informações da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Sidônio afirmou que o presidente entende o episódio como um processo institucional. "Lula acredita que o processo faz parte do sistema democrático. Ele encaminhou um nome ao Senado, que aprova ou não a indicação", declarou o ministro.

<><> Governo descarta crise com o Senado

O ministro também refutou a avaliação de que a rejeição teria abalado a relação entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo ele, não há comprometimento político decorrente da votação, apesar de análises apontarem desgaste.

Ainda conforme a coluna da Folha, Sidônio negou que o Planalto considere prejudicada a interlocução com o Senado, contrariando interpretações de bastidores após o resultado.

•        Florestan: a derrota não foi de Messias nem de Lula, mas da democracia

 O comentarista Florestan Fernandes Júnior afirmou, em vídeo publicado na TV 247, que a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado não deve ser interpretada apenas como uma derrota do presidente Lula, mas como uma derrota da democracia brasileira.

Segundo Florestan, a leitura feita pela mídia corporativa, que classificou o episódio como “derrota histórica do presidente Lula”, reduz a gravidade política do momento. “Eu discordo, não foi uma derrota do presidente, foi uma derrota de todos nós, foi uma derrota da democracia”, afirmou.

<><> Crítica à reação do Senado

Florestan comentou a cena em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, comemorava a rejeição de Messias ao lado de colegas da Mesa Diretora.

Para o jornalista, o episódio se insere em uma sequência de movimentos políticos que ameaçam o Estado democrático de direito.

“Ontem, assim que o Senado rejeitou o nome de Jorge Messias e Davi Alcolumbre comemorava ao lado dos seus colegas de mesa, os sites da mídia corporativa estampavam nas manchetes derrota histórica do presidente Lula”, disse.

<><> Eleição de 2026 e democracia

Na avaliação de Florestan, o cenário reforça a centralidade da eleição presidencial de 2026.

Ele defendeu que a reeleição do presidente Lula será decisiva para a preservação do regime democrático no Brasil.

“A eleição de 2026 é fundamental e é importantíssima a reeleição do presidente Lula no sentido da preservação do estado democrático de direito”, declarou.

•        A reação das lideranças evangélicas à rejeição de Jorge Messias para o STF

Em sua maioria, lideranças evangélicas na política reagiram positivamente à rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), após votação no plenário do Senado nesta quarta-feira (29/4).

O nome de Messias foi rejeitado por 42 senadores e recebeu o apoio de apenas 34 — eram necessários 41 votos favoráveis para que o indicado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fosse referendado.

A exceção aos críticos foi o ministro André Mendonça, que chegou ao STF por indicação de Jair Bolsonaro em 2021, ocasião em que o ex-presidente o chamou de "terrivelmente evangélico". Mendonça afirmou nas redes sociais que respeita a decisão do Senado, mas que "o Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo".

"Messias é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais para ser ministro do STF. E amigo verdadeiro não está presente nas festas, está presente nos momentos difíceis. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate! Deus o abençoe! Deus abençoe nosso Brasil!", escreveu Mendonça no X.

No Senado, parlamentares evangélicos que haviam se posicionado a favor de Messias antes da sabatina, como Eliziane Gama (PT-MA), vinculada à Assembleia de Deus, ainda não se manifestaram após a derrota. Os opositores, por outro lado, fizeram publicações nas redes sociais comentando o resultado do plenário.

Presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Carlos Viana (Podemos-MG) disse que a rejeição era uma "vitória do Brasil". "Clima quase que de festa aqui no Senado federal. Pela primeira vez nesta história recente esta casa rejeitou um nome indicado pela presidência da República", ele afirmou, em vídeo compartilhado no Instagram.

A rejeição, inédita em 132 anos, acontece poucos meses antes da eleição presidencial, marcada para outubro, em um cenário de baixa aprovação popular do presidente Lula, o que o enfraquece as articulações no Congresso.

A vice-presidente da bancada evangélica, Damares Alves (Republicanos-DF), afirmou que o resultado "não diz respeito ao candidato, não é o ministro Messias, diz respeito aos Poderes".

Ela acrescentou que "quem perdeu foi o governo Lula, que provou sua incapacidade de articulação política", e pediu que seja revisto o sistema de indicação de ministros para a Suprema Corte.

"O Senado sai vitorioso, mandando o recado de que, a partir de agora, somos uma casa que precisa ser respeitada, temos independência e temos um grupo de senadores maduros, que querem ver as instituições nos seus devidos lugares. Repito: não foi nada contra a pessoa do ministro Messias, foi apenas um sistema que estamos rejeitando hoje", disse Damares, também em vídeo.

Messias tinha mais apoio de lideranças evangélicas fora do eixo político. O apóstolo Estevam Hernandes, que criou a Igreja Renascer em Cristo e preside a Marcha para Jesus no Brasil, apoiava a indicação, assim como o apóstolo César Augusto, fundador da Igreja Fonte da Vida, que afirma ter mais de 700 templos no país. Ambos, no entanto, não se pronunciaram sobre a derrota.

Outro que se posicionou foi Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e uma das figuras mais vocais entre os evangélicos. "Derrota vergonhosa para Lula! Como disse em várias entrevistas, Messias é um esquerdopata gospel, onde tenho profundas divergências, diametralmente oposto ao que penso. Acabou a indicação dele para o STF. Só o próximo governo!"

<><> 'Servo de Deus'

Antes de ser rejeitado no plenário, Jorge Messias havia sido sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aprovado por 16 votos a 11.

Ao responder a perguntas feitas pelos senadores, ele se declarou "totalmente contra o aborto" ao mesmo tempo em que defendeu sua legalidade nos casos já autorizados pela Constituição e pela jurisprudência do STF (em caso de risco à vida da mãe, estupro ou anencefalia).

Ele também relatou sua origem evangélica e se descreveu como "servo de Deus", mas afirmou que o Estado é laico e que o STF não pode ser omisso nem praticar "ativismo".

Defendeu sua atuação como advogado-geral da União no processo contra os condenados pelo 8 de Janeiro e afirmou que nunca teve vínculos pessoais diretos com o presidente Lula.

Messias foi o terceiro indicado do petista no atual mandato para o STF, que tem hoje quatro ministros nomeados por ele.

Cristiano Zanin e Flávio Dino chegaram à Corte no atual governo; Cármen Lúcia foi indicada no primeiro; e Dias Toffoli no segundo. Outros dois — Luiz Fux e Edson Fachin — foram indicados pela sucessora de Lula, Dilma Rousseff (PT).

O decano do STF, Gilmar Mendes, foi indicação de Fernando Henrique Cardoso, e Alexandre de Moraes, de Michel Temer (MDB). Jair Bolsonaro indicou outros dois: Kássio Nunes Marques e André Mendonça.

•        Planalto abre “caça aos traidores” após derrota de Messias no Senado

A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado levou o Palácio do Planalto a iniciar uma ofensiva interna para identificar parlamentares que votaram contra o nome do governo. A derrota, considerada inédita, acendeu um alerta sobre a coesão da base aliada e levou à revisão das estratégias políticas no Congresso, informa o Metrópoles.

O resultado da votação, realizado de forma secreta, provocou forte desconforto entre aliados do presidente Lula. A apuração interna busca mapear possíveis dissidências e entender como a expectativa de vitória acabou frustrada no plenário.

<><> Reunião com Lula e avaliação de respostas

Após o revés, Lula convocou uma reunião com Jorge Messias para discutir as causas da rejeição e traçar os próximos passos. Também participaram do encontro o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o ministro da Defesa, José Múcio, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Nos bastidores, interlocutores do Planalto indicam que o governo avalia medidas políticas como reação. Entre as possibilidades está a exoneração de indicados ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ocupam cargos na administração federal.

José Guimarães afirmou que o governo respeita a decisão do Senado, mas cobrou esclarecimentos sobre o resultado. “Cabe ao Senado explicar as razões dessa desaprovação”, declarou.

<><> Derrota inédita e impacto na articulação

A rejeição de Jorge Messias marca a primeira vez, em mais de um século, que um nome indicado ao STF é barrado pelo Senado. O episódio representa um revés significativo para o governo, que vinha intensificando a articulação para garantir a aprovação.

Antes da votação, Messias percorreu gabinetes e se reuniu com ao menos 77 senadores, incluindo parlamentares da oposição. A base governista acreditava contar com cerca de 47 votos favoráveis. Paralelamente, o Planalto ampliou a liberação de emendas parlamentares, com R$ 11,6 bilhões empenhados apenas em abril, sendo R$ 2,5 bilhões direcionados a senadores.

Apesar do esforço, o resultado foi adverso. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, reconheceu a surpresa com o desfecho. “Para mim, foi uma surpresa. Estávamos esperando 44 ou 45. Cada um vota com a sua consciência”, afirmou.

<><> Bastidores e disputa política no Senado

No Congresso, parlamentares avaliam que a derrota teve influência da atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo relatos, ele teria se posicionado contra a indicação e defendido outro nome para a vaga no Supremo, o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A tramitação da indicação já indicava dificuldades. Embora Jorge Messias tenha sido indicado em novembro de 2025, o envio formal ao Senado ocorreu apenas em abril, após meses de adiamento motivados pelo receio de rejeição.

Diante do cenário, cresce entre aliados a avaliação de que uma nova indicação ao STF poderá ser adiada para depois das eleições, enquanto o governo busca recompor sua base e evitar novos desgastes políticos.

•        Governo Lula considera relação com Alcolumbre rompida de forma definitiva

O governo Lula passou a considerar rompida de forma definitiva a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após a derrota na tentativa de aprovar o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação, compartilhada por interlocutores do presidente, é de que a atuação do senador comprometeu de maneira irreversível o vínculo político entre o Planalto e a cúpula do Senado.

De acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o sentimento predominante entre aliados do presidente é de frustração e indignação com a postura de Alcolumbre durante o processo de votação. Embora discursos oficiais indiquem que Lula teria recebido o resultado com tranquilidade, bastidores apontam forte insatisfação dentro do governo.

<><> Pressão política e reação do Planalto

Antes mesmo da conclusão da votação, aliados do presidente já indicavam que Alcolumbre poderia enfrentar consequências políticas. A avaliação era de que o senador mobilizou sua influência para barrar a indicação de Messias, provocando constrangimentos ao governo.

Na manhã da quarta-feira (29), antes da sabatina do advogado-geral da União, interlocutores relataram que Alcolumbre afirmou ter cerca de 50 votos contrários à indicação, o que gerou apreensão entre governistas. O cenário reforçou a percepção de que a derrota seria inevitável.

<><> Estratégia para enfraquecer Alcolumbre

Diante do episódio, integrantes do governo defendem uma reação política mais dura. Entre as propostas está o empenho do presidente Lula para derrotar candidatos apoiados por Alcolumbre no Amapá nas eleições de outubro, com o objetivo de reduzir sua influência em Brasília.

Além disso, aliados pressionam por medidas administrativas, como a demissão de indicados do senador em cargos ligados ao governo federal. A iniciativa é vista como forma de consolidar o rompimento político considerado inevitável por setores do Planalto.

<><> Impacto no Senado e agenda legislativa

Mesmo com pautas relevantes em tramitação no Senado, como o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, aliados do presidente avaliam que a manutenção de uma relação institucional com Alcolumbre não deve ser prioridade.

A leitura entre governistas é de que eventuais atrasos na análise dessas propostas poderão ser atribuídos ao próprio presidente do Senado, o que, na visão desses interlocutores, poderia gerar desgaste político para o senador.

 

Fonte: Brasil 247/BBC News Brasil/Brasil 247

 

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