sexta-feira, 1 de maio de 2026

Conflito no Oriente Médio ameaça 45 milhões de pessoas com fome extrema, diz secretário-geral da ONU

O conflito no Oriente Médio ameaça 45 milhões de pessoas com fome extrema devido à falta de fertilizantes e à redução das colheitas, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, nesta quinta-feira (30).

De acordo com Guterres, caso o conflito no Irã se arraste até meados do ano, 32 milhões de pessoas ficarão abaixo da linha da pobreza, e outros 45 milhões enfrentarão o problema da fome extrema por causa da falta de fertilizantes, que causará uma redução nas colheitas.

"A crise no Oriente Médio já dura três meses. Apesar do frágil cessar-fogo, as consequências tornam-se mais graves a cada hora. Estou profundamente preocupado com a restrição dos direitos e liberdades de navegação na região do estreito de Ormuz", disse Guterres a jornalistas.

Ele afirmou que as graves falhas resultantes das hostilidades no golfo Pérsico persistirão até o final do ano. O mundo começa a sentir os sinais de uma recessão global, que desferirá um golpe devastador para as pessoas, a economia e a estabilidade política e social, acrescentou Guterres.

O secretário-geral explicou que o golpe mais devastador será para os países em desenvolvimento, cuja capacidade de enfrentar a crise está paralisada pelo peso de dívidas insustentáveis. Segundo ele, isso inevitavelmente levará à perda maciça de empregos, a um novo aumento da pobreza e ao agravamento do problema da fome nessas regiões.

"Minha mensagem para todas as partes é muito clara: o direito e a liberdade de navegação devem ser restaurados imediatamente... Abram o estreito. Deixem passar todos os navios. Deixem a economia global respirar novamente", conclamou Guterres.

O chefe da ONU destacou ainda que isso exigirá não apenas a abertura física do estreito, mas também a garantia de uma navegação segura e previsível.

Devido à escalada do conflito no Oriente Médio, a navegação pelo estreito de Ormuz praticamente parou. Esta é uma rota-chave para o fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito dos países do Golfo para o mercado global, representando cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo, derivados e gás natural liquefeito.

¨      'Guerra com o Irã está abalando os alicerces do mercado de petróleo', afirma mídia

De acordo com uma análise publicada pela mídia norte-americana, o mercado global de petróleo está passando por uma profunda transformação estrutural, acelerada pela guerra contra o Irã, iniciada pelos EUA e Israel.

De acordo com um jornal de grande circulação nos EUA, os alicerces que sustentaram essa indústria por décadas estão se fragmentando, dando lugar a um ambiente energético mais fragmentado e volátil, dominado pelo nacionalismo de recursos em vez da eficiência econômica. A publicação afirma que o livre fluxo de petróleo bruto pelos oceanos está sendo substituído por uma dinâmica de confronto político.

"A guerra com o Irã está abalando os alicerces do mercado de petróleo, dando lugar a um mundo energético mais fragmentado e potencialmente mais volátil", afirma o artigo.

A publicação destaca que um dos golpes mais significativos nessa ordem estabelecida é a saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Segundo a mídia, essa decisão enfraquece drasticamente o cartel liderado pela Arábia Saudita, que foi originalmente concebido para estabilizar os ciclos de expansão e recessão do setor. Ao agirem de forma independente, os Emirados Árabes Unidos estão acelerando o fim de um mercado estruturado segundo critérios econômicos, direcionando-o para um modelo moldado pelas prioridades estratégicas de cada nação.

Nesse cenário, o jornal observa que os Estados Unidos adotaram uma postura ambivalente. Embora o fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã tenha elevado os preços dos combustíveis, Washington mantém uma campanha de extrema pressão e bloqueios contra Teerã.

Ainda de acordo com a apuração, os formuladores de políticas dos EUA agora veem o país não apenas como um consumidor, mas também como um produtor dominante, capaz de moldar o mercado a seu favor por meio de sua vasta produção de combustíveis fósseis.

A narrativa do jornal sugere que essa mudança beneficia potencialmente as empresas de perfuração de xisto dos EUA, que podem lucrar com os altos preços resultantes da instabilidade. Enquanto isso, outras nações não pertencentes à OPEP, como Guiana, Brasil e Canadá, estão aumentando sua produção para ganhar participação de mercado. Segundo o jornal, a saída dos Emirados Árabes Unidos da organização deixa o mundo sem um de seus poucos "amortecedores", colocando em xeque a capacidade de qualquer grupo de coordenar o fornecimento de forma ordenada.

Do lado do consumo, o artigo afirma que os principais importadores da Ásia e da Europa já estão competindo para garantir fontes de energia fora das zonas de conflito no Oriente Médio. Essa busca por segurança energética levou os compradores a pagar preços mais altos por petróleo bruto e gás natural liquefeito (GNL) de regiões distantes. A análise destaca que as nações ocidentais estão utilizando suas reservas estratégicas em níveis recordes para tentar conter os preços, levando os estoques a mínimas históricas.

O artigo conclui que o sistema global de comércio de energia, antes considerado seguro, chegou a um ponto de ruptura, e que a situação atual decorrente da guerra com o Irã é um sinal claro de que o mundo entrou em uma era de volatilidade permanente. A transição para a autossuficiência e a redução do comércio internacional de energia podem oferecer benefícios para a segurança nacional, mas, segundo especialistas consultados pelo veículo de comunicação, isso terá um alto custo econômico para os consumidores a longo prazo.

¨      Líder supremo do Irã emite uma declaração desafiadora sobre o Estreito de Ormuz

O líder supremo do Irã quebrou seu recente silêncio com uma declaração desafiadora, exaltando o controle do Irã sobre a navegação no Estreito de Ormuz e prometendo proteger os programas nucleares e de mísseis do país.

“Hoje, dois meses após o maior destacamento militar e agressão perpetrados pelos maiores valentões do mundo na região, e a vergonhosa derrota dos Estados Unidos em seus planos, um novo capítulo se inicia para o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz”, disse Mojtaba Khamenei em um comunicado lido por um apresentador da televisão estatal.

O comunicado afirmou que Teerã garantiria a segurança da região do Golfo e eliminaria o que descreveu como "os abusos do inimigo na hidrovia", e que "a nova gestão do estreito trará conforto e progresso para o benefício de todas as nações da região, e as bênçãos econômicas trarão alegria aos corações do povo".

O Irã tem procurado cobrar um preço por ser atacado, exercendo controle sobre o estreito, a via navegável estreita por onde normalmente transita cerca de um quinto do petróleo mundial.

Em discurso para marcar o Dia do Golfo Pérsico no Irã, Khamenei também prometeu que o Irã "protegerá suas capacidades tecnológicas modernas – da nanotecnologia à biotecnologia, passando pela energia nuclear e de mísseis – como se fossem sua capital nacional, e as protegerá como protege suas fronteiras marítimas, terrestres e aéreas".

Nenhuma gravação ou imagem de Khamenei foi transmitida desde que ele foi nomeado líder supremo no início de março. Há relatos de que ele ficou gravemente ferido no atentado a bomba que matou seu pai e antecessor, de 86 anos, em 28 de fevereiro. Ele estaria hospitalizado recebendo tratamento para seus ferimentos.

Sua nova declaração sugere que o Irã está determinado a implementar um novo regime de tarifas no estreito, que apresentará como benéfico para toda a região, como uma afirmação tardia de soberania regional.

Desde 13 de abril, os EUA montaram um contra-bloqueio destinado a impedir a entrada e saída de petroleiros nos portos iranianos, paralisando a indústria petrolífera do Irã.

Com as negociações mediadas pelo Paquistão em impasse, há poucos indícios de que qualquer um dos bloqueios será suspenso, o que eleva o preço do petróleo acima de US$ 120 por barril. Os níveis de tráfego marítimo ainda estão extremamente baixos, chegando a apenas três navios por dia em alguns casos, em comparação com 120 a 140 em condições normais.

“Os estrangeiros que cobiçam maliciosamente o estreito a milhares de quilômetros de distância não têm lugar ali, exceto no fundo de suas águas”, afirmou Khamenei em comunicado.

O fechamento do estreito pressionou Trump, já que os preços do petróleo e da gasolina dispararam antes das cruciais eleições de meio de mandato, bem como seus aliados no Golfo, que usam a hidrovia para exportar petróleo e gás.

A admissão de Trump na quarta-feira de que não conhecia uma saída fácil para o impasse fez com que os preços do petróleo chegassem perto de US$ 125 por barril – o mesmo patamar das primeiras semanas da invasão russa em grande escala da Ucrânia em 2022.

O site de notícias Axios informou que os militares dos EUA ainda estavam apresentando opções a Trump para retomar os ataques.

O major-general Mohsen Rezaee, conselheiro militar do líder supremo, escreveu em sua conta no Facebook: “O cenário de cerco fracassará e o Irã jamais perderá o Estreito de Ormuz. A história registrará que a nação iraniana derrotou a superpotência americana no Golfo Pérsico e no Mar de Omã. Tanto o campo de batalha quanto a diplomacia estão avançando com a coordenação do líder da revolução e o apoio do povo.”

O mundo considera o estreito uma via navegável internacional, aberta a todos sem pagamento de pedágio, e as nações árabes do Golfo, principalmente os Emirados Árabes Unidos, denunciaram o controle do estreito pelo Irã como algo semelhante à pirataria.

O Irã propôs que as negociações com os EUA sobre seu programa nuclear sejam suspensas enquanto ambos os lados concordam com os termos para permitir que os navios retomem a passagem pelo estreito. No Irã, o Ministério das Relações Exteriores instou o parlamento a reconhecer que os planos que estão sendo elaborados em conjunto com Omã não exigem nova legislação iraniana. Também está instando o Irã a evitar termos como "pedágios" e, em vez disso, a exercer seu direito preexistente de cobrar taxas por serviços prestados.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, realizaram conversas em Washington na quarta-feira sobre o estreito. Um e-mail enviado pelo Departamento de Estado às embaixadas, divulgado pelo Wall Street Journal, sugeriu que os EUA estavam tentando se envolver em planos liderados principalmente pela Europa para a supervisão do estreito após o fim do conflito.

Os EUA estão se oferecendo para coordenar a diplomacia e as comunicações entre os países que utilizam o estreito, revitalizando e ampliando uma estrutura internacional de segurança marítima composta por 12 nações, uma operação naval preexistente criada após ameaças à navegação por parte da marinha iraniana.

¨      Guerra contra Irã expõe limites do poder dos EUA e declínio da sua hegemonia, diz mídia

Os Estados Unidos devem reconhecer que não conseguirão obter uma vitória sobre o Irã, escreve uma mídia estadunidense.

O material aponta que nenhuma das opções para encerrar a guerra contra o Irã será positiva para os Estados Unidos.

"A questão premente não é, na verdade, se os Estados Unidos podem vencer esta guerra. É se eles são capazes de reconhecer que o tipo de vitória que buscam já não é mais viável na prática", ressalta a publicação.

Segundo a matéria, os EUA falham sistematicamente em garantir a supremacia duradoura e redirecionar os resultados nas guerras.

No atual conflito com o Irã, o poder aéreo, as sanções e as ameaças se mostraram impotentes para derrubar o governo em Teerã ou eliminar sua influência regional.

Ataques limitados apenas provocam retaliações intermináveis por meio de forças aliadas do Irã, enquanto a devastação em grande escala permanece política e moralmente fora de questão.

Nesse contexto, lembra-se que a história do Iraque e do Afeganistão mostra que a mudança de regime é uma fantasia e apenas fortalece ainda mais o Irã.

Ao mesmo tempo, é enfatizado que essa guerra provavelmente terminará com a humilhação do status quo, sinalizando o declínio do domínio norte-americano à medida que rivais, como a China, entram em cena.

Portanto, a reportagem conclui que Washington precisa aprender com a história de seus fracassos militares.

No dia 28 de fevereiro, os EUA e Israel iniciaram uma série de ataques contra alvos no território iraniano.

No dia 8 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas. As negociações realizadas posteriormente em Islamabad, porém, terminaram sem resultados.

No dia 21 de abril, o presidente estadunidense, Donald Trump, declarou que prorrogaria o cessar-fogo até que Teerã apresentasse propostas para a resolução do conflito e a conclusão das negociações.

¨      Mídia: custo da guerra no Irã expõe pressão interna nos EUA e dúvidas sobre gastos do Pentágono

O custo da guerra dos EUA no Irã já chega a US$ 25 bilhões, segundo o Pentágono, mas estimativas internas apontam valores muito maiores, enquanto cresce a pressão pública e política contra um conflito que beneficia o complexo militar‑industrial e pesa sobre a população com inflação e alta dos combustíveis.

Pentágono revelou pela primeira vez o custo da guerra dos EUA no Irã: US$ 25 bilhões (cerca de R$ 124,875 bilhões), segundo disse o controlador interino Jules Hurst, em audiência na Câmara. A maior parte do valor foi destinada a munições, cifra comparável ao orçamento anual da NASA. Especialistas citados pela imprensa internacional afirmam que o conflito beneficia sobretudo o complexo militar‑industrial, enquanto a população enfrenta alta nos combustíveis e inflação.

Hurst não detalhou se o cálculo inclui despesas futuras, como reconstrução de bases danificadas no Oriente Médio. Após a divulgação, o democrata Adam Smith afirmou que o Congresso aguardava esses números havia meses, destacando a falta de transparência do Departamento de Defesa.

A imprensa norte-americana, porém, questionou a estimativa. Um dos canais mais tradicionais do país classificou o valor como conservador e citou fontes que estimam custos reais entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões (mais de R$ 199,83 bilhões e R$ 249,78 bilhões, respectivamente), considerando reparos de infraestrutura e reposição de equipamentos destruídos. Outro site de grande circulação afirmou que o montante divulgado está abaixo de projeções externas.

Reportagens indicam que os danos às bases norte-americanas são mais graves do que o governo reconhece publicamente, podendo gerar bilhões em despesas adicionais. Esse cenário reforça críticas de que o conflito se tornou mais caro e complexo do que inicialmente admitido.

Em conversa com o Global Times, o professor chinês Li Haidong sublinha que os ataques dos EUA acabam favorecendo fabricantes de armas, enquanto cidadãos comuns pagam a conta por meio da inflação e da disparada dos combustíveis.

Ele argumenta que a guerra aprofunda divisões internas nos EUA e expõe contradições da política norte-americana, que, segundo ele, atende a interesses específicos.

A insatisfação pública aparece em pesquisas recentes. Um levantamento Reuters/Ipsos mostrou que 43% dos norte-americanos desaprovam os ataques ao Irã, enquanto o Pew Research Center registrou uma maioria considerando a ofensiva um erro. Protestos também ocorreram nos corredores do Congresso durante a audiência.

A mídia britânica, por sua vez, já havia informado que, apenas nos primeiros seis dias de conflito, os custos ultrapassaram US$ 11,3 bilhões (aproximadamente R$ 56,45 bilhões), alimentando o descontentamento popular. Analistas afirmam que o envolvimento dos EUA em guerras prolongadas e dispendiosas reforça críticas sobre prioridades políticas e orçamentárias.

Apesar de um cessar‑fogo de mais de três semanas, o conflito ultrapassa 60 dias e segue sem perspectiva de solução. Segundo outro portal de notícias nos EUA, o presidente Donald Trump deve receber novos planos militares do chefe do Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM), almirante Brad Cooper, indicando que a crise permanece longe de um desfecho.

 

Fonte: Sputnik Brasil/The Guardian

 

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