Glicose
ideal para exercício físico: qual é o nível seguro para quem tem diabetes?
Especialista explica
Medir a
glicose antes do exercício físico faz parte da rotina de quem convive com
diabetes e usa insulina. A faixa considerada mais segura pode mudar conforme o
tipo de treino, a intensidade da atividade, a alimentação e a presença de
insulina ativa no organismo.
Durante
participação no DiabetesCast, o fisiologista e professor de educação física
William Komatsu explicou que pessoas sem diabetes costumam ter melhor
desempenho com glicemia entre 100 e 110 mg/dL. Para quem tem diabetes, a faixa
sobe um pouco.
Segundo
Komatsu, para pessoas com diabetes, a glicose antes do exercício pode ficar
entre 110 e 130 mg/dL. O objetivo é reduzir o risco de queda durante a
atividade.
“Para
quem tem diabetes a gente sobe um pouquinho mais, de 110 a 130, no máximo ali”,
afirmou.
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Por que a glicose não deve estar muito baixa antes do treino
O
principal cuidado citado por Komatsu é evitar que a pessoa comece o exercício
com glicemia muito próxima da hipoglicemia. Quando o valor já está baixo, a
atividade pode acelerar a queda, principalmente em exercícios que tendem a usar
glicose como fonte de energia.
Ele
explicou que o risco aumenta quando há insulina ativa. Isso pode acontecer
quando a pessoa aplicou insulina pouco tempo antes do treino. Nesse caso, a
glicemia pode cair durante o exercício.
A
insulina ativa é a insulina que ainda está agindo no corpo. Por isso, a
orientação discutida no DiabetesCast é observar se houve aplicação antes da
atividade, quanto tempo passou e qual é a tendência da glicose.
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Exercício em jejum pode reduzir insulina ativa
Komatsu
também explicou que o exercício em jejum pode ter menor risco de hipoglicemia
em algumas situações, porque a pessoa não aplicou insulina para uma refeição
recente.
“Se ele
fizer exercício físico em jejum, não comer nada, ele não vai aplicar nenhum
tipo de insulina, ele vai ter menos insulina ativa, ele tem menos risco de
hipoglicemia”, disse o fisiologista.
Essa
orientação não significa que todo mundo deve treinar em jejum. O ponto central
é entender como a glicemia se comporta antes e durante a atividade. O
planejamento deve considerar horário do treino, alimentação, uso de insulina e
resposta individual.
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Tipo de exercício muda a resposta da glicose
Segundo
Komatsu, não existe um único exercício indicado para diabetes. A resposta
glicêmica depende da intensidade e do tipo de atividade.
Caminhadas
e exercícios aeróbicos de baixa intensidade tendem a reduzir a glicose durante
o treino. Já atividades intensas, como HIIT, crossfit, musculação com carga
alta ou esforço elevado, podem manter ou aumentar a glicose.
Komatsu
explicou que a intensidade pode ser percebida pela fala. Em uma caminhada leve,
a pessoa consegue conversar. Quando fica ofegante e não consegue falar direito,
a intensidade aumentou.
Na
musculação, ele orienta observar a percepção de esforço. Em uma escala de 0 a
10, se a pessoa termina a série sentindo esforço 8, ainda conseguiria fazer
mais algumas repetições. Se chega em 10, atingiu esforço máximo.
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Glicose alta durante o exercício nem sempre exige correção
Quem
usa sensor de glicose pode perceber aumento durante atividades intensas.
Segundo Komatsu, esse aumento pode acontecer por causa do esforço. Nesses
casos, a glicose tende a cair depois do treino, quando o corpo repõe os
estoques de energia.
Ele
alertou que corrigir com insulina durante esse momento pode causar queda
depois. A avaliação deve considerar o tipo de exercício, o valor da glicose, a
tendência no sensor e o histórico da pessoa.
Komatsu
citou um exemplo: se a glicose sobe durante o crossfit, a resposta pode estar
ligada à intensidade. Se ela sobe durante uma caminhada lenta, pode haver outro
fator, como absorção de carboidrato ingerido antes.
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Sensor de glicose ajuda a decidir como começar
Para
quem usa sensor de glicose, a seta de tendência ajuda a orientar a decisão.
Komatsu explicou que uma glicose em 75 mg/dL com seta para cima pode ter uma
leitura diferente de 75 mg/dL com seta para baixo.
Quando
a glicose está baixa e caindo, iniciar o exercício pode trazer risco. Quando
está estável ou subindo, a conduta pode mudar. O acompanhamento em tempo real
permite ajustar intensidade e observar a resposta.
Se a
glicose está alta antes do treino, Komatsu orienta começar com exercício leve e
observar a queda. Se a glicose está mais baixa, uma atividade mais intensa pode
ajudar a manter ou elevar o valor.
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Massa muscular também interfere no controle glicêmico
Durante
o DiabetesCast, Komatsu também destacou o papel da massa muscular. Segundo ele,
mais massa muscular aumenta o gasto energético e pode contribuir para o
controle da glicose.
O
músculo armazena glicogênio, que funciona como combustível durante o exercício.
Quando a pessoa tem mais massa muscular, ela pode ter mais reserva de
glicogênio. Isso pode ajudar no manejo da glicose durante e depois da
atividade.
Ele
também citou a importância do exercício resistido, como musculação, elástico ou
peso corporal. Esse tipo de exercício envolve força contra uma resistência e
pode ser usado em diferentes idades.
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O que observar antes de treinar com diabetes
Antes
do exercício, a pessoa com diabetes deve observar a glicose, a tendência no
sensor, a insulina ativa, o horário da última refeição e o tipo de atividade
planejada.
Komatsu
reforçou que não há uma regra única. A glicose segura antes do exercício
depende da resposta de cada pessoa e da intensidade do treino.
Para
quem usa insulina, o risco de hipoglicemia exige atenção maior. Para quem tem
diabetes tipo 2 e não usa insulina, Komatsu afirmou que o risco de hipoglicemia
durante o exercício costuma ser menor.
Fonte:
Um Diabérico

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