terça-feira, 29 de setembro de 2026

José Genoino: “Vitória de Lula trará esperança para o mundo”

O ex-presidente nacional do PT José Genoino afirmou que uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras terá repercussões para além das fronteiras do país e poderá fortalecer, no cenário internacional, forças políticas que defendem a democracia, a soberania nacional e a solução diplomática dos conflitos. Para ele, o discurso feito por Lula na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, sintetizou essa dimensão internacional da disputa política brasileira.

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Em entrevista ao 247, Genoino classificou a fala do presidente na ONU como uma das mais importantes de sua trajetória internacional e afirmou que ela apresentou uma perspectiva de futuro em meio às disputas geopolíticas em curso. “Foi um dos melhores discursos do presidente Lula”, disse. “O Lula fez um discurso pontuando qual é a agenda positiva, qual é a agenda democrática, qual é a agenda da paz, qual é a agenda da soberania nacional.”

No pronunciamento de 22 de setembro, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, condenou a interferência estrangeira em processos eleitorais e defendeu que os países da América Latina tenham autonomia para decidir seus próprios caminhos. O presidente também afirmou que a democracia está novamente sob pressão e declarou que o Brasil não permitirá que atores internos ou externos atentem contra a vontade popular.

Para Genoino, a mensagem de Lula deve ser compreendida em um cenário internacional marcado pelo aumento das disputas entre potências, pelas guerras e pelo questionamento dos mecanismos multilaterais. Na avaliação do ex-dirigente petista, o presidente brasileiro procurou apresentar uma alternativa baseada na soberania dos Estados, na democracia e na negociação política.

“O discurso do Lula é o coroamento de um clima positivo que surgiu na ONU, surgiu em Nova York”, afirmou Genoino. Segundo ele, encontros realizados durante a passagem do presidente pela cidade indicaram uma expectativa em torno da atuação internacional do Brasil. “O clima com outras delegações era de uma esperança muito grande com o papel internacional da liderança do Lula.”

O diagnóstico apresentado por Genoino encontra respaldo em pontos centrais do pronunciamento presidencial. Lula criticou o enfraquecimento das instituições multilaterais, defendeu a diplomacia como saída para conflitos internacionais e afirmou que a divisão do planeta em zonas de influência e a busca por recursos estratégicos por meio de pressões externas representam práticas que precisam ser superadas.

É a partir desse quadro que Genoino relaciona diretamente o resultado da eleição brasileira ao debate internacional. “Por isso que eu entendo que a eleição dele despertará no mundo um otimismo, uma perspectiva muito grande”, afirmou.

Na interpretação do ex-presidente do PT, o significado internacional de uma eventual vitória de Lula estaria na demonstração de que projetos políticos baseados no nacionalismo subordinado às grandes potências, na redução de direitos e na concentração de poder podem ser enfrentados eleitoralmente. “Essa ordem fascista, neoliberal, imperialista pode ser enfrentada. E a eleição do Lula desperta esse clima, desperta essa esperança no mundo”, declarou.

Genoino situou o processo brasileiro ao lado de movimentos políticos de esquerda e progressistas que, segundo ele, vêm surgindo em diferentes países. Para o dirigente, esses movimentos não formam necessariamente um bloco homogêneo, mas expressam respostas políticas às consequências sociais e econômicas das transformações das últimas décadas.

Nesse contexto, Genoino destacou particularmente a defesa da soberania feita por Lula. Na Assembleia Geral, o presidente brasileiro associou o tema à situação da América Latina e afirmou que a região enfrenta novamente “tentações hegemônicas”. Lula declarou que os países latino-americanos precisam de parceiros interessados no desenvolvimento e rejeitou interferências externas sobre decisões nacionais.

Para Genoino, essa posição coloca o Brasil diante de uma disputa mais ampla sobre a organização das relações internacionais. Ele contrapôs a agenda apresentada por Lula a políticas do governo dos Estados Unidos sob Donald Trump e à ampliação das tensões militares em diferentes regiões.

“Foi um belo discurso, um discurso na medida”, afirmou. Na sua avaliação, a fala colocou no centro do debate temas que ultrapassam a conjuntura eleitoral brasileira. “Ele colocou a agenda e como deve se criar um movimento de opinião pública mundial em torno da disputa do futuro da humanidade.”

O ex-presidente do PT argumentou que questões como guerra, meio ambiente, migrações, desigualdade e soberania estão interligadas e exigem respostas internacionais. Por isso, considera que a presença brasileira neste debate não deve se limitar à defesa de interesses econômicos imediatos, mas envolve uma concepção sobre a ordem mundial e o papel dos países do Sul Global.

Essa leitura também aparece na defesa feita por Lula do multilateralismo. Na ONU, o presidente criticou a paralisia do Conselho de Segurança, declarou que os pilares do sistema multilateral estão sendo corroídos e voltou a defender a diplomacia para enfrentar guerras e disputas internacionais.

Genoino considera que esse posicionamento ajuda a explicar por que atribui à eleição brasileira um significado internacional. Em sua avaliação, o Brasil reúne peso econômico, territorial e diplomático suficiente para influenciar debates sobre desenvolvimento, paz, soberania e relações entre o Norte e o Sul Global.

Para o ex-dirigente petista, a principal mensagem política do discurso de Lula foi justamente a necessidade de recuperar uma perspectiva de futuro. “Nós temos que falar do futuro. Nós temos que falar do que queremos fazer com o país e com o mundo. Nós temos que falar da esperança. Nós temos que falar de sonho”, afirmou.

Genoino avalia que essa ideia estabelece uma ligação entre a política externa defendida pelo presidente e o debate sobre as condições concretas de vida da população. Na sua interpretação, apresentar um horizonte de mudanças é necessário diante da precarização do trabalho e das dificuldades econômicas enfrentadas por parcelas da sociedade.

“A vida está muito difícil, muito precarizada por esse modelo neoliberal”, afirmou. Para ele, a discussão política não pode se restringir a um balanço do que já foi realizado. “É importante a prestação de contas, mas nós temos que mostrar o que pode ser melhorado para desprecarizar a vida, para criar esperança, para criar ânimo.”

É nesse sentido que Genoino vê o discurso de Nova York como parte de uma mensagem que combina política interna e atuação internacional. Na sua leitura, a defesa da soberania brasileira, do multilateralismo e da democracia apresenta ao eleitorado uma definição sobre o lugar que o Brasil pretende ocupar no mundo.

Para o ex-presidente do PT, portanto, a eleição presidencial brasileira não estará circunscrita à definição do governo dos próximos quatro anos. Seu resultado, sustenta, terá significado para forças políticas e sociais de outros países que acompanham a disputa entre diferentes projetos para a ordem internacional.

“A eleição do Lula desperta esse clima, desperta essa esperança no mundo”, resumiu Genoino.

•        “Eleger Flávio Bolsonaro é a certeza do golpe”, diz Helena Chagas

A eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República não representaria apenas um risco à democracia brasileira, mas a garantia de um retrocesso autoritário no país, segundo avaliação feita pela jornalista e ex-ministra Helena Chagas neste domingo (27), em publicação na qual aponta o alinhamento do candidato a interesses estrangeiros.

Em sua análise, Helena Chagas destacou a importância do momento político e cobrou reflexão dos eleitores a poucos dias da votação, especialmente considerando a transição geracional do eleitorado nacional. “Sete dias. Hora de refletir sobre o que se trata, num país em que a maioria do eleitorado nem era nascida na ditadura. Eleger Flávio Bolsonaro não é um risco de golpe à democracia. É a certeza do golpe”, afirmou a ex-ministra.

A jornalista comparou o cenário de uma eventual vitória do parlamentar aos períodos mais sombrios da história do Brasil. “É voltar às trevas de um tempo em que jovens ou pais de família saíam de casa e nunca mais voltavam. É o retorno à brutalidade”, declarou.

Além do impacto direto sobre os direitos civis e as garantias democráticas, Helena Chagas também chamou a atenção para as consequências geopolíticas e econômicas de um eventual governo comandado pelo filho de Jair Bolsonaro (PL). Segundo ela, a gestão resultaria na entrega da soberania nacional e dos recursos naturais brasileiros ao domínio de potências externas.

“Veremos o país entregue aos EUA, nossos minerais raros drenados para lá e Marco Rubio com gabinete no Planalto”, alertou a ex-ministra, referindo-se à influência de setores da política norte-americana sobre a condução dos negócios públicos e estratégicos do Brasil.

Para a jornalista, a gravidade dos riscos envolvidos deve se sobrepor a qualquer outro debate no momento da escolha no pleito. “É isso que vcs querem? Então, não é preciso nem aprofundar em outras razões — que são muitas — na hora de votar. É só pensar na certeza do golpe”, concluiu Helena Chagas.

•        Haddad adapta oração de São Francisco de Assis: “onde houver Bolsonaro, que levemos Lula”

A missa de sétimo dia da ativista Amelinha Teles, realizada na Catedral da Sé, seguida por um ato em prol das mulheres na praça no centro de São Paulo compôs a agenda de candidatos de esquerda no estado em uma semana na qual a religião virou destaque na campanha eleitoral, relata a Folha de São Paulo.

O candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, afirmou que nem a mãe de Cristo escapou do bolsonarismo – em alusão à polêmica de que Flávio Bolsonaro (PL) apoiaria retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil – e adaptou a oração atribuída por católicos a São Francisco de Assis para pedir votos. “Onde houver Bolsonaro, que levemos Lula. Onde houver Tarcísio, que levemos Haddad”, disse.

No palco montado em frente à catedral, sob o sol forte das 11h deste domingo (27), discursaram também as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet recitou, emocionada, a mesma oração pouco antes. “Jamais imaginei estar viva para ver esse país dividido pela fé”, afirmou. Ao defender o Estado laico, a candidata disse ser devota de Nossa Senhora Aparecida.

Tebet também classificou como censura a decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de determinar a remoção de postagens que associavam Flávio Bolsonaro à iniciativa de destituir Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira brasileira. Neste domingo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino derrubou a liminar de Mendonça.

Marina Silva, que não foi à missa, apresentou a dobradinha com Tebet como a união de “uma preta, uma branca, uma católica, uma evangélica” e pediu votos para as duas e para o presidente Lula (PT).

Fernando Haddad chamou de “nojento” o que, segundo ele, os adversários fazem com a fé das pessoas, e rebateu críticas de opositores às candidatas por não serem naturais de São Paulo. Sem citar nomes de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), candidatos ao Senado, afirmou que os aliados de Tarcísio fizeram ofensas em debates. “Olha quem está falando”, disse, referindo-se ao fato de o governador de São Paulo ser carioca.

Na catedral cheia, com capacidade de 8 mil lugares, Haddad sentou-se na primeira fileira ao lado da esposa, Ana Estela Haddad, junto a Simone Tebet. Também estavam presentes a ministra Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Eduardo Suplicy (PT), candidato a deputado federal, e Lu Alckmin, esposa do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O celebrante da missa foi longamente aplaudido ao falar de Amelinha Teles, que lutou contra a ditadura militar, pelos direitos humanos e, principalmente, em defesa das mulheres.

 

Fonte: Brasil 247

 

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