José
Genoino: “Vitória de Lula trará esperança para o mundo”
O
ex-presidente nacional do PT José Genoino afirmou que uma vitória do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras terá repercussões para além
das fronteiras do país e poderá fortalecer, no cenário internacional, forças
políticas que defendem a democracia, a soberania nacional e a solução
diplomática dos conflitos. Para ele, o discurso feito por Lula na 81ª
Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, sintetizou essa dimensão
internacional da disputa política brasileira.
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Em
entrevista ao 247, Genoino classificou a fala do presidente na ONU como uma das
mais importantes de sua trajetória internacional e afirmou que ela apresentou
uma perspectiva de futuro em meio às disputas geopolíticas em curso. “Foi um
dos melhores discursos do presidente Lula”, disse. “O Lula fez um discurso
pontuando qual é a agenda positiva, qual é a agenda democrática, qual é a
agenda da paz, qual é a agenda da soberania nacional.”
No
pronunciamento de 22 de setembro, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no
quintal de ninguém”, condenou a interferência estrangeira em processos
eleitorais e defendeu que os países da América Latina tenham autonomia para
decidir seus próprios caminhos. O presidente também afirmou que a democracia
está novamente sob pressão e declarou que o Brasil não permitirá que atores
internos ou externos atentem contra a vontade popular.
Para
Genoino, a mensagem de Lula deve ser compreendida em um cenário internacional
marcado pelo aumento das disputas entre potências, pelas guerras e pelo
questionamento dos mecanismos multilaterais. Na avaliação do ex-dirigente
petista, o presidente brasileiro procurou apresentar uma alternativa baseada na
soberania dos Estados, na democracia e na negociação política.
“O
discurso do Lula é o coroamento de um clima positivo que surgiu na ONU, surgiu
em Nova York”, afirmou Genoino. Segundo ele, encontros realizados durante a
passagem do presidente pela cidade indicaram uma expectativa em torno da
atuação internacional do Brasil. “O clima com outras delegações era de uma
esperança muito grande com o papel internacional da liderança do Lula.”
O
diagnóstico apresentado por Genoino encontra respaldo em pontos centrais do
pronunciamento presidencial. Lula criticou o enfraquecimento das instituições
multilaterais, defendeu a diplomacia como saída para conflitos internacionais e
afirmou que a divisão do planeta em zonas de influência e a busca por recursos
estratégicos por meio de pressões externas representam práticas que precisam
ser superadas.
É a
partir desse quadro que Genoino relaciona diretamente o resultado da eleição
brasileira ao debate internacional. “Por isso que eu entendo que a eleição dele
despertará no mundo um otimismo, uma perspectiva muito grande”, afirmou.
Na
interpretação do ex-presidente do PT, o significado internacional de uma
eventual vitória de Lula estaria na demonstração de que projetos políticos
baseados no nacionalismo subordinado às grandes potências, na redução de
direitos e na concentração de poder podem ser enfrentados eleitoralmente. “Essa
ordem fascista, neoliberal, imperialista pode ser enfrentada. E a eleição do
Lula desperta esse clima, desperta essa esperança no mundo”, declarou.
Genoino
situou o processo brasileiro ao lado de movimentos políticos de esquerda e
progressistas que, segundo ele, vêm surgindo em diferentes países. Para o
dirigente, esses movimentos não formam necessariamente um bloco homogêneo, mas
expressam respostas políticas às consequências sociais e econômicas das
transformações das últimas décadas.
Nesse
contexto, Genoino destacou particularmente a defesa da soberania feita por
Lula. Na Assembleia Geral, o presidente brasileiro associou o tema à situação
da América Latina e afirmou que a região enfrenta novamente “tentações
hegemônicas”. Lula declarou que os países latino-americanos precisam de
parceiros interessados no desenvolvimento e rejeitou interferências externas
sobre decisões nacionais.
Para
Genoino, essa posição coloca o Brasil diante de uma disputa mais ampla sobre a
organização das relações internacionais. Ele contrapôs a agenda apresentada por
Lula a políticas do governo dos Estados Unidos sob Donald Trump e à ampliação
das tensões militares em diferentes regiões.
“Foi um
belo discurso, um discurso na medida”, afirmou. Na sua avaliação, a fala
colocou no centro do debate temas que ultrapassam a conjuntura eleitoral
brasileira. “Ele colocou a agenda e como deve se criar um movimento de opinião
pública mundial em torno da disputa do futuro da humanidade.”
O
ex-presidente do PT argumentou que questões como guerra, meio ambiente,
migrações, desigualdade e soberania estão interligadas e exigem respostas
internacionais. Por isso, considera que a presença brasileira neste debate não
deve se limitar à defesa de interesses econômicos imediatos, mas envolve uma
concepção sobre a ordem mundial e o papel dos países do Sul Global.
Essa
leitura também aparece na defesa feita por Lula do multilateralismo. Na ONU, o
presidente criticou a paralisia do Conselho de Segurança, declarou que os
pilares do sistema multilateral estão sendo corroídos e voltou a defender a
diplomacia para enfrentar guerras e disputas internacionais.
Genoino
considera que esse posicionamento ajuda a explicar por que atribui à eleição
brasileira um significado internacional. Em sua avaliação, o Brasil reúne peso
econômico, territorial e diplomático suficiente para influenciar debates sobre
desenvolvimento, paz, soberania e relações entre o Norte e o Sul Global.
Para o
ex-dirigente petista, a principal mensagem política do discurso de Lula foi
justamente a necessidade de recuperar uma perspectiva de futuro. “Nós temos que
falar do futuro. Nós temos que falar do que queremos fazer com o país e com o
mundo. Nós temos que falar da esperança. Nós temos que falar de sonho”,
afirmou.
Genoino
avalia que essa ideia estabelece uma ligação entre a política externa defendida
pelo presidente e o debate sobre as condições concretas de vida da população.
Na sua interpretação, apresentar um horizonte de mudanças é necessário diante
da precarização do trabalho e das dificuldades econômicas enfrentadas por
parcelas da sociedade.
“A vida
está muito difícil, muito precarizada por esse modelo neoliberal”, afirmou.
Para ele, a discussão política não pode se restringir a um balanço do que já
foi realizado. “É importante a prestação de contas, mas nós temos que mostrar o
que pode ser melhorado para desprecarizar a vida, para criar esperança, para
criar ânimo.”
É nesse
sentido que Genoino vê o discurso de Nova York como parte de uma mensagem que
combina política interna e atuação internacional. Na sua leitura, a defesa da
soberania brasileira, do multilateralismo e da democracia apresenta ao
eleitorado uma definição sobre o lugar que o Brasil pretende ocupar no mundo.
Para o
ex-presidente do PT, portanto, a eleição presidencial brasileira não estará
circunscrita à definição do governo dos próximos quatro anos. Seu resultado,
sustenta, terá significado para forças políticas e sociais de outros países que
acompanham a disputa entre diferentes projetos para a ordem internacional.
“A
eleição do Lula desperta esse clima, desperta essa esperança no mundo”, resumiu
Genoino.
• “Eleger Flávio Bolsonaro é a certeza do
golpe”, diz Helena Chagas
A
eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República não
representaria apenas um risco à democracia brasileira, mas a garantia de um
retrocesso autoritário no país, segundo avaliação feita pela jornalista e
ex-ministra Helena Chagas neste domingo (27), em publicação na qual aponta o
alinhamento do candidato a interesses estrangeiros.
Em sua
análise, Helena Chagas destacou a importância do momento político e cobrou
reflexão dos eleitores a poucos dias da votação, especialmente considerando a
transição geracional do eleitorado nacional. “Sete dias. Hora de refletir sobre
o que se trata, num país em que a maioria do eleitorado nem era nascida na
ditadura. Eleger Flávio Bolsonaro não é um risco de golpe à democracia. É a
certeza do golpe”, afirmou a ex-ministra.
A
jornalista comparou o cenário de uma eventual vitória do parlamentar aos
períodos mais sombrios da história do Brasil. “É voltar às trevas de um tempo
em que jovens ou pais de família saíam de casa e nunca mais voltavam. É o
retorno à brutalidade”, declarou.
Além do
impacto direto sobre os direitos civis e as garantias democráticas, Helena
Chagas também chamou a atenção para as consequências geopolíticas e econômicas
de um eventual governo comandado pelo filho de Jair Bolsonaro (PL). Segundo
ela, a gestão resultaria na entrega da soberania nacional e dos recursos
naturais brasileiros ao domínio de potências externas.
“Veremos
o país entregue aos EUA, nossos minerais raros drenados para lá e Marco Rubio
com gabinete no Planalto”, alertou a ex-ministra, referindo-se à influência de
setores da política norte-americana sobre a condução dos negócios públicos e
estratégicos do Brasil.
Para a
jornalista, a gravidade dos riscos envolvidos deve se sobrepor a qualquer outro
debate no momento da escolha no pleito. “É isso que vcs querem? Então, não é
preciso nem aprofundar em outras razões — que são muitas — na hora de votar. É
só pensar na certeza do golpe”, concluiu Helena Chagas.
• Haddad adapta oração de São Francisco de
Assis: “onde houver Bolsonaro, que levemos Lula”
A missa
de sétimo dia da ativista Amelinha Teles, realizada na Catedral da Sé, seguida
por um ato em prol das mulheres na praça no centro de São Paulo compôs a agenda
de candidatos de esquerda no estado em uma semana na qual a religião virou
destaque na campanha eleitoral, relata a Folha de São Paulo.
O
candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, afirmou que nem a
mãe de Cristo escapou do bolsonarismo – em alusão à polêmica de que Flávio
Bolsonaro (PL) apoiaria retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de
padroeira do Brasil – e adaptou a oração atribuída por católicos a São
Francisco de Assis para pedir votos. “Onde houver Bolsonaro, que levemos Lula.
Onde houver Tarcísio, que levemos Haddad”, disse.
No
palco montado em frente à catedral, sob o sol forte das 11h deste domingo (27),
discursaram também as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva
(Rede). Tebet recitou, emocionada, a mesma oração pouco antes. “Jamais imaginei
estar viva para ver esse país dividido pela fé”, afirmou. Ao defender o Estado
laico, a candidata disse ser devota de Nossa Senhora Aparecida.
Tebet
também classificou como censura a decisão do ministro André Mendonça, do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de determinar a remoção de postagens que
associavam Flávio Bolsonaro à iniciativa de destituir Nossa Senhora Aparecida
do título de padroeira brasileira. Neste domingo, o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) Flávio Dino derrubou a liminar de Mendonça.
Marina
Silva, que não foi à missa, apresentou a dobradinha com Tebet como a união de
“uma preta, uma branca, uma católica, uma evangélica” e pediu votos para as
duas e para o presidente Lula (PT).
Fernando
Haddad chamou de “nojento” o que, segundo ele, os adversários fazem com a fé
das pessoas, e rebateu críticas de opositores às candidatas por não serem
naturais de São Paulo. Sem citar nomes de André do Prado (PL) e Guilherme
Derrite (PP), candidatos ao Senado, afirmou que os aliados de Tarcísio fizeram
ofensas em debates. “Olha quem está falando”, disse, referindo-se ao fato de o
governador de São Paulo ser carioca.
Na
catedral cheia, com capacidade de 8 mil lugares, Haddad sentou-se na primeira
fileira ao lado da esposa, Ana Estela Haddad, junto a Simone Tebet. Também
estavam presentes a ministra Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Eduardo Suplicy
(PT), candidato a deputado federal, e Lu Alckmin, esposa do vice-presidente
Geraldo Alckmin (PSB).
O
celebrante da missa foi longamente aplaudido ao falar de Amelinha Teles, que
lutou contra a ditadura militar, pelos direitos humanos e, principalmente, em
defesa das mulheres.
Fonte:
Brasil 247

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