domingo, 31 de dezembro de 2023

Fígado: estrutura, funções e cuidados

O fígado é um órgão em formato de cone, avermelhado e que pesa mais ou menos um quilo. Ele fica localizado na parte superior da cavidade abdominal, um pouco abaixo do diafragma, em cima do estômago, do lado direito dos rins e dos intestinos. Ao todo, o órgão armazena aproximadamente 13% de todo o sangue encontrado no corpo, além de ter diversas funções essenciais.

Existem duas fontes distintas que fornecem sangue para o fígado: a artéria hepática que oferece sangue oxigenado; e a veia porta hepática, por onde passa o sangue rico em nutrientes.

>>> Como o fígado é dividido?

O fígado é formado por dois lóbulos principais. Ambos são constituídos por oito segmentos que consistem em mil lóbulos (pequenos lóbulos). Os lóbulos estão ligados a pequenos ductos (tubos) que se ligam a ductos maiores para formar o ducto hepático comum. Esse é responsável por transportar a bile produzida pelas células hepáticas até a vesícula biliar e duodeno (a primeira parte do intestino delgado).

As outras partes são:

  • Ligamento Falciforme: um ligamento fibroso que separa os dois lóbulos do fígado e os conecta com a parede abdominal;
  • Cápsula de Glisson: uma camada de tecido conectivo que fica ao redor do fígado e está relacionada às artérias e os ductos biliares;
  • Peritônio: uma membrana que cobre o fígado e forma seu exterior;

>>> Quais as funções do fígado?

O fígado é o órgão responsável pela regulação dos níveis de toxinas no sangue. Ele também exerce a função de excretar a bile, que ajuda a eliminar substâncias tóxicas. Todo o sangue que deixa o estômago e os intestinos passa pelo fígado. Ele tem como objetivo o processamento do fluido, para garantir que ele seja rico em nutrientes e não tóxico.

Outras funções do fígado são:

  • Processar alimentos digeridos do intestino;
  • Controlar os níveis de gordura, glicose e aminoácidos no sangue;
  • Combater infecções;
  • Retirar partículas e bactérias do sangue;
  • Neutralizar e destruir drogas e toxinas;
  • Criar bile;
  • Armazenar ferro, vitaminas e outras substâncias essenciais;
  • Transformar carboidratos em energia;
  • Criar, quebrar e regular uma série de hormônios;
  • Produzir enzimas responsáveis pelas reações químicas no corpo;

>>> A regeneração do fígado

Você sabia que o fígado é um órgão que se regenera? Isso mesmo, quando uma parte do tecido hepático é cortado, ele pode crescer de volta. Segundo estudos, esse fator acontece graças ao trabalho das bactérias do intestino.

O processo acontece da seguinte forma: algumas bactérias do sistema digestivo quebram os carboidratos, transformando-os em ácidos graxos de cadeia curta. Os ácidos graxos são essenciais para a reprodução de células hepáticas, que se dividem e fazem a regeneração do órgão.

Os pesquisadores que descobriram essa ligação também apontam que o uso de antibióticos em excesso pode afetar o processo de regeneração. Tal pois os medicamentos alteram a composição de certas bactérias, fazendo com que a produção de ácidos graxos seja consideravelmente reduzida. 

>>> Quais as principais doenças hepáticas?

Quando não se tem cuidado da maneira correta da saúde, o fígado pode sofrer com certas condições. Algumas delas são:

  • Cirrose: cicatrizes que resultam de doenças hepáticas e de outras causas de lesão hepática, como o alcoolismo;
  • Síndrome de Gilbert: doença genética que afeta o metabolismo e atinge uma pequena porcentagem da população, pode causar uma leve icterícia (pele e olhos amarelados);
  • Síndrome hepatorrenal: condição médica fatal que consiste na deterioração rápida da função renal em indivíduos com cirrose ou insuficiência hepática fulminante;
  • Hepatite: inflamação do fígado, é causada por vários vírus e também por algumas toxinas hepáticas e doenças autoimunes;
  • Doença hepática gordurosa (esteatose hepática): uma doença em que se acumula gordura triglicérides nas células do fígado;
  • Cistos hepáticos no fígado: cistos cheios de líquido que raramente causam sintomas e são encontrados em exames de imagem;
  • Câncer de fígado: começa nas células do fígado e é o tipo mais comum de câncer no órgão;
  • Hemocromatose: ou “sobrecarga de ferro”, é uma doença hereditária, em que o corpo absorve e armazena ferro em excesso.

>>> Dicas para cuidar do fígado

A melhor forma de evitar doenças hepáticas é mantendo cuidado com a saúde do fígado. Isso pode ser alcançado por meio de uma rotina saudável. A seguir confira algumas recomendações para evitar as condições citadas acima:

  • Evite o consumo de álcool;
  • Não faça uso de drogas ilícitas;
  • Se exercite regularmente;
  • Tenha uma dieta balanceada rica em frutas, vegetais e grãos integrais;
  • Esteja sempre com a carteira de vacina em dia;
  • Praticar sexo seguro (a hepatite C pode ser contrida por relações sexuais desprotegidas).

 

Ø  Saiba quais os alimentos ruins para o intestino

 

Alimentos ruins para o intestino podem gerar problemas à saúde, de longo ou curto prazo. O intestino é um órgão em formato de tubo, que faz parte do sistema digestivo humano. Ele é rico em bactérias que facilitam o processo de digestão. No entanto, quando não são controladas — com uma boa alimentação — podem resultar em mal-estar.

·        Quais os piores alimentos para o intestino?

Antes de citar os piores alimentos para o intestino, é importante entender que o que beneficia a saúde de alguém, nesse quesito, pode não beneficiar a de outro. Isso porque algumas pessoas têm intolerância ou alergia a certas comidas, que em tese fazem bem ao intestino.

Por isso, antes de sair adotando novos alimentos na sua dieta, certifique-se de que eles não representam nenhum risco à sua saúde. Converse com um médico antes de fazer qualquer mudança drástica na dieta.

·        Proteína animal

A proteína animal tem os seus benefícios, porém, quando consumida em excesso ela pode impactar seriamente a saúde. Estudos de 2017 revelam que pessoas com uma dieta rica em carne vermelha têm maior risco de desenvolverem doença intestinal inflamatória. Uma outra pesquisa, de 2019, também revelou que esse consumo está relacionado a maiores riscos de ataque cardíaco e derrame.

·        Alimentos ricos em antibióticos

Para reduzir os riscos de infecções graves, produtores de carne geralmente usam antibióticos para tratar os animais. O uso desses medicamentos de maneira irresponsável pode resultar na criação de superbactérias.

As superbactérias são microorganismos que ficam mais fortes que os antibióticos, devido ao uso contínuo do remédio, fazendo com que eles percam a sua eficácia. O consumo excessivo de carnes resultantes deste tipo de produção contribui para o surgimento desses organismos. Além disso, o consumo de antibióticos, quando em grandes quantidades, também pode matar as bactérias boas presentes no intestino. 

·        Alimentos fritos

Por serem fritos em óleos ricos em gorduras trans e saturadas, esses alimentos não são digeridos da forma adequada pelo corpo. Por isso, podem causar diarreia, gases e dores no estômago. Outro fator alarmante é que esse tipo de comida causa o crescimento de bactérias ruins que afetam a saúde intestinal. 

·        Comida altamente processada

Alimentos processados contêm aditivos não-saudáveis, como açúcar, conservantes pobres em fibras e sódio. Em um estudo, de 2019,  foi apontado que existe uma relação entre dietas ricas em alimentos processados e a inflamação na microbiota intestinal. 

Sendo assim, uma forma de evitar alimentos ruins para o intestino é cortando o consumo de alimentos ultraprocessados. Você pode investir em refeições mais naturais, ricas em frutas, vegetais, leguminosas e grãos integrais.

·        Álcool e outras bebidas 

A ingestão constante de bebidas alcoólicas pode alterar a microbiota do intestino e promover o crescimento de bactérias ruins, o que gera desequilíbrio no funcionamento do órgão. Esse fator se manifesta principalmente através do aumento da permeabilidade do intestino, que pode resultar em diversos problemas para a saúde, como alergias alimentares.

Além do álcool, o café, o refrigerante e o chocolate aumentam o consumo de cafeína, o que impacta a saúde do intestino. A ingestão excessiva dessas bebidas está comumente relacionada ao surgimento de quadros de diarreia.

·        Derivados do leite 

Derivados do leite que não são fermentados podem desequilibrar a saúde da microbiota intestinal. Por exemplo, o leite não fermentado altera a flora bacteriana, ajudando no crescimento de bactérias ruins, que criam colônias e impactam a existência das bactérias boas. 

Pessoas com intolerância ou alergia à lactose são propensas a desenvolverem problemas intestinais graças ao consumo desses alimentos. Por isso, se você sofre com uma dessas condições, opte por alternativas vegetais do leite.

 

Fonte: eCycle

 

Milei tem primeiro revés no mercado financeiro ao tentar vender US$ 750 milhões em títulos

A primeira oferta de uma nova modalidade de títulos do Banco Central da Argentina, criada para quitar dívidas de importadores do país com fornecedores no exterior, foi um fiasco.

No primeiro revés no mercado financeiro para o recém-empossado presidente do país, o ultraliberal Javier Milei, o BC argentino conseguiu vender apenas US$ 68 milhões de um total de US$ 750 milhões oferecidos. Somente 34 importadores fizeram lances pelos bônus.

O fracasso neste leilão mostra as dificuldades que a Argentina terá para reorganizar seu mercado de importações e ocorre após Milei ter conseguido fazer uma desvalorização relativamente bem-sucedida do peso, emitido um volume recorde de títulos em moeda local e aumentado as reservas internacionais do país.

A primeira derrota do novo presidente argentino nos mercados pode dificultar ainda seus planos para segurar a inflação. A emissão desses títulos ajudaria a absorver o excesso de pesos em circulação no país e, assim, ajudar a controlar a alta de preços, que já supera os 160% em termos anuais.

Os importadores argentinos devem nada menos do que US$ 30 bilhões no exterior e quitar essa dívida é um passo importante para que o país consiga remover os complexos controles sobre o comércio exterior herdados do governo anterior. Liberar a economia foi a principal promessa de campanha de Milei.

Em um comunicado, o BC afirmou confiar que, nos próximos leilões deste tipo, "o volume de participação aumentará", à medida que o banco "continua esclarecendo os processos operacionais e a documentação necessária".

As autoridades monetárias planejam realizar dois leilões por semana até o fim de janeiro de 2024.

·        Javier Milei vai conseguir aprovar suas medidas no congresso argentino?

Depende. Há duas partes. Está o mega DNU — Decreto de Necessidade e Urgência — e a "Lei Ônibus".

Os DNU foram utilizados por todos os presidentes desde 1994, ano em que a forma foi habilitada pela reforma constitucional; o uso foi maiormente cesarista. Consiste em leis criadas pelo Presidente sem necessidade da aprovação do Legislativo; legisladores podem omitir o tratamento, de modo que a aprovação é tácita, ou pode acontecer que uma câmara das duas aprove o DNU e com isso baste — reforma criada por Cristina Fernández —, ou que as duas câmaras rejeitem o DNU. O que se está vendo é uma aprovação tácita, pois há silencio e lentitude no avanço do tratamento. Se fosse tratado, minha impressão é que seria mais fácil aprová-lo no Senado que na câmara de deputados.

Lamentavelmente, os legisladores, como diria Milei, têm um sentimento de "casta" importante, e até poderia ser que deixem passar o DNU escrito por empresários poderosos e dado a Milei. Depois, qualquer cidadão ou instituição pode solicitar a proteção de um juiz, coisa que pode deixar sem efeito artigos pontuais por um período até que a Corte Suprema — o Supremo Tribunal — decida a legalidade. Isso já está acontecendo.

Uma característica peculiar do DNU de Milei e seu tamanho e ecleticismo. Usualmente um DNU e só sobre uns poucos artigos, o de Milei é de mais de 300. O ecleticismo é produto das fontes empresariais de onde se origina.

Sobre a Lei Ônibus, contem 664 artigos. Isso sim deve passar em forma obrigatória pelas duas câmaras e se pode rejeitar em parte. Milei vai procurar desgastar a sociedade para poder someter mais facilmente na negociação, de modo que se possa aprovar suas leis mais extremas.

Se a parte mais danosa fosse aprovada, aquela que dá ao Presidente poderes legislativos em todas as áreas por dois anos e até quatro, sem nenhuma intervenção do Legislativo, se haverá mudado o governo de república a autocracia, sendo seguro que todas suas leis futuras seriam funcionais. Os cidadãos dependeriam da independência do Judiciário, na qual eu não confio.

 

Ø  Milei não rompe vínculos, mas relações China-Argentina começam a mostrar fissuras nas primeiras semanas de governo

 

Quando candidato, o agora presidente argentino, Javier Milei, afirmou que não promoveria a relação com países comunistas, como a China.

Embora tenha moderado o tom nos primeiros dias sobre o gigante asiático, a relação entre os dois países parece ter entrado em terreno movediço.

O governo chinês não confirmou, mas a imprensa argentina repercutiu informações do site REDD sobre uma possível suspensão do acordo de swap cambial no valor de USD 6.5 bilhões (mais de R$ 30 bi) com o banco central chinês. Parte do valor seria destinado ao pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

No dia 21 de dezembro, o governo argentino pagou a última parcela deste ano, no valor US$ 920 milhões, com um empréstimo extraordinário recentemente concedido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina.

O mecanismo de swap cambial é um acordo firmado entre duas partes (neste caso, os bancos centrais dos dois países), para troca de moedas, utilizado principalmente para ter acesso a moedas estrangeiras a uma melhor taxa de juros.

A economista argentina e integrante do coletivo Dongsheng Gisela Cernadas explica que, para a Argentina, o swap com a China tem um custo de 4,5% a 6,5% ao ano. Já a taxa de juros que a Argentina paga ao FMI é de 8,2%.

Antes das eleições, a agência Reuters divulgou que em uma reunião interna em outubro, o conselho de diretores executivos do FMI teria criticado como o governo de Alberto Fernández geriu o programa de crédito com a Argentina. A informação foi divulgada a dez dias do segundo turno das eleições presidenciais.

Esse é o 22° programa do FMI com o país sul-americano. Trata-se de um refinanciamento de uma dívida de US$ 44 bilhões contraída pelo governo de Mauricio Macri em 2018. O empréstimo original era no valor de US$ 57 bi, mas a instituição financeira decidiu suspender uma parte desse montante, após o dólar disparar no dia seguinte às eleições primárias de 2019. Nessa votação, Alberto Fernández havia superado Macri com 15 pontos de vantagem, o que teria gerado uma reação do “mercado” à eminente volta do kirchnerismo ao governo.

Mesmo com a redução, essa se tornou a maior dívida da história do FMI, e também tornou a Argentina o maior devedor da instituição.

Agora em dezembro, a porta-voz do FMI, Julie Kozack, disse que a instituição apoia o primeiro pacote de medidas econômicas do governo de Javier Milei, anunciadas pelo ministro de Economia, Luis Caputo. As medidas de austeridade, que geraram protestos no país, incluem a terceira maior desvalorização do peso argentino na história, de 54% frente ao dólar e a eliminação dos investimentos públicos em cerca de 5% do PIB, o equivalente a R$ 100 bilhões.

Cernadas afirma que o Fundo Monetário Internacional “tem uma longa história de imposição de políticas monetárias e fiscais aos nossos países”.

O crescimento destas economias, sob essas políticas condicionadas, acaba sendo orientado ao pagamento dos juros da dívida, afirma a economista.

“Quando estas economias não conseguem pagá-los, contraem mais dívida com o FMI para pagar os juros da dívida com a instituição. Essa é uma armadilha da dívida, e essa armadilha da dívida vem acompanhada por uma armadilha do subdesenvolvimento porque todas estas políticas de austeridade que o fundo impõe são políticas que acabam por desindustrializar os países”, diz Cernadas.

Em comparação, ele diz, as vantagens do swap com a China para a Argentina estão, não só no menor custo de financiamento (mencionado anteriormente), mas no fato de a China “não impor políticas de austeridade, nem condicionar o desenvolvimento das políticas fiscais e monetárias da Argentina”.

·        O posicionamento da China

Entre os motivos da possível suspensão do instrumento financeiro, estão as incertezas que o governo chinês tem em relação à política econômica de Milei e o que será feito com o Banco Central argentino, instituição com a qual o acordo é feito.

Durante a campanha, Javier Milei chegou a afirmar: “o fechamento do Banco Central não é uma questão negociável”.

Para o professor catedrático da Universidade Soochow, Victor Gao, o swap precisa estar baseado em vários pré-requisitos. “Um deles é a estabilidade geral das moedas envolvidas. Se estamos falando de uma moeda que pode oscilar e flutuar enormemente, isso não é bom, não vai funcionar para o swap de moedas porque destrói a premissa do swap de moedas já logo no começo”, explica Gao, um dos intelectuais chineses muito respeitado dentro e fora de seu país.

“Quando vemos a moeda argentina flutuar em mais de 50%, por exemplo, não só é muito ruim para o governo, a economia e o povo argentino, mas também para os países que precisam negociar com a Argentina e ter acordos de swap cambial com ela”, diz Gao, que também é vice-presidente do laboratório de ideias (think tank) chinês Centro para a China e a Globalização.

Além das incertezas econômicas, a questão de Taiwan também entrou em cena. Durante uma reunião na Casa Rosada justamente para falar sobre o swap, com o enviado especial chinês, Wu Weihua, a chanceler do governo Milei, Diana Mondino, teria feito comentários sobre “direitos soberanos” de Taiwan, segundo o jornal La Nación.

Mondino, economista especializada em “classificação de risco”, não possui experiência diplomática. Se de fato, ela fez um comentário nesse sentido, a delegação chinesa deve ter ficado, no mínimo, perplexa. A mídia argentina especula com que Mondino teria dito que gostaria de comercializar com Taiwan, mas isso de fato já ocorre.

A questão de Taiwan vem sendo reiterada, principalmente aos EUA, como a “primeira linha vermelha” a não ser atravessada. Na recente reunião na Califórnia, Xi Jinping teria dito a Biden que a China se reunificará com Taiwan, mas que não há data definida, ao contrário do que afirmam as agências de inteligência dos EUA, que colocam 2027 como data limite.

·        O futuro das relações China-Argentina

Victor Gao afirma que a eleição no país sul-americano é “completamente um assunto interno da Argentina e a China não tem nada a ver com isso”, mas que algumas ideias “muito extraordinárias” do novo presidente podem ser prejudiciais para as relações entre os dois países. “Isso é altamente lamentável, mas será uma questão que deverá ser abordada”, diz Gao.

Sobre um possível congelamento permanente do swap, Cernadas afirma que isso significaria uma redução no fluxo de moedas estrangeiras para a Argentina, “que o país poderia posteriormente usar, como mencionei anteriormente, para financiar importações da China usando o yuan, ou fazer novos pagamentos ao FMI”.

A questão é especialmente sensível, afirma, levando em conta dois fatores: que o novo governo acaba de liberalizar o comércio internacional e este ano a Argentina passou por uma seca que deve reduzir as exportações do país.

Em relação ao primeiro ponto, a Argentina tinha até o momento uma política de regular as importações para controlar os preços dos produtos locais. A liberalização das importações pode intensificar ainda mais a saída de moedas estrangeiras. Em segundo lugar, com a possível queda de exportações, a entrada de moedas será menor. “A pressão no mercado de câmbio, portanto, será ainda maior”, conclui a economista.

O professor Gao diz que tem esperança em que o país sul-americano se recomponha e possa “se relacionar com o resto do mundo com dignidade, decência e respeito mútuo”. mas que “ninguém terá paciência suficiente para esperar que milagres aconteçam na Argentina”.

 

Ø  Demissões, nota de 50 mil, ensino pago: as primeiras medidas de Milei

 

Desde que tomou posse, no dia 10 de dezembro, o novo presidente da Argentina, Javier Milei, tem buscado implementar propostas polêmicas —e é alvo de protestos. Na quarta-feira (27), ele enviou ao Congresso um projeto com mais de 600 artigos que faz profundas mudanças no Estado.

<<<< Veja quais medidas o novo presidente já implementou ou está tentando implementar nas primeiras semanas de mandato:

·        *Fim do home office e dispensa de funcionários públicos*

Milei editou um decreto dispensando funcionários públicos que foram contratados em 2023. Os acordos de trabalho, que vencem no dia 31 de dezembro, não serão renovados.

A imprensa argentina afirma que 7 mil pessoas devem ser atingidas. Funcionários que têm deficiência ou são trans não serão dispensados.

O governo promete fazer uma avaliação para possíveis novos cortes e redução de salários. Há em torno de 45 mil funcionários públicos com mais de um ano de trabalho.

Diante da medida, sindicatos ameaçam uma greve geral.

Milei também exigiu que os funcionários públicos trabalhem presencialmente em 100% da jornada.

·        *Corte de ministérios e cargo para irmã*

Uma das primeiras medidas de Milei foi cortar o número de ministérios de 18 para 9. As pastas que permaneceram foram as seguintes: Interior, Relações Exteriores e Comércio Internacional, Defesa, Economia, Infraestrutura, Justiça, Segurança, Saúde e Capital Humano.

O presidente argentino também revogou uma lei que não permitia a indicação de familiares para cargos no governo. Com isso, ele nomeou a irmã, Karina Milei, como secretária de governo.

·        *Privatizações e lei trabalhista*

No dia 20 de dezembro, Milei anunciou, em um pronunciamento na TV, um decreto que tem 366 artigos. O texto revoga leis e promove a desregulação da economia.

Entre as medidas está o fim da lei que impede privatizações. Isso abre caminho, por exemplo, para a venda da Aerolíneas Argentinas.

O texto também desregulamenta os serviços de internet via satélite e o setor do turismo. Pelo decreto, clubes de futebol poderão se tornar sociedades anônimas.

Ainda há alterações na lei trabalhista. O decreto reduz a base de remuneração e aumenta o período de experiência dos trabalhadores de três para oito meses.

O decreto revogou o observatório de preços do Ministério da Economia, retirando as restrições dos valores. Como resultado, deve haver uma aceleração da inflação.

As medidas precisam passar pela apreciação do Congresso. Milei não tem maioria, e já ameaçou convocar um plebiscito caso o texto não seja aprovado.

·        *Emissão de notas*

O próprio Milei admitiu que suas primeiras medidas devem gerar estagflação na economia argentina. Ou seja, o país deve passar por uma combinação entre estagnação econômica e alta de preços.

Ele confirmou que o Banco Central vai emitir notas de 20 mil e 50 mil pesos, por causa da alta dos preços. Nos últimos 12 meses, a Argentina teve inflação de 142,7%. A pobreza atinge mais de 40% da população.

·        *Novo pacote*

Em complemento ao megadecreto, Milei enviou ao Congresso mais um pacote, com 664 artigos e 183 páginas. O texto foi batizado de "Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos".

Reforma política, privatizações e o endurecimento de penas contra protestos estão incluídos no texto. Segundo o jornal Página 12, há uma mudança no Código Penal da Argentina para prever pena de dois a cinco anos de prisão para quem liderar protesto que impeça a "circulação de transporte público e privado".

Entre os artigos há um trecho prevendo a possibilidade de cobrança de mensalidades de estrangeiros que estudam em universidades argentinas. Isso pode afetar os mais de 10 mil estudantes brasileiros que vivem no país —a maioria estuda medicina de forma gratuita em Buenos Aires.

O pacote também precisará passar pelo Congresso. O texto estabelece que o presidente teria uma "carta branca" em várias áreas, que poderia valer por até quatro anos.

 

Fonte: Bloomberg/Quora/DCM/FolhaPress

 

Abandonado pelo Ocidente, Zelensky quer 'chamar a atenção' ao atacar cidade russa

Foguetes fabricados pela República Tcheca, sistema de defesa que evitou uma tragédia ainda maior e alvos civis. Um dos maiores ataques ucranianos contra o território russo desde o início da operação militar especial, em fevereiro de 2022, terminou neste sábado (30) com a morte de pelo menos 20 pessoas, sendo duas crianças.

Localizada a cerca de 40 km da fronteira com a Ucrânia, a cidade russa de Belgorod foi alvo de um ataque terrorista que só não foi pior por conta da interceptação de mísseis pelo sistema de defesa do país. Prédios do governo e outras instalações civis foram atingidas pelo atentado, que deixou, além das vítimas fatais, 108 pessoas feridas. Conforme o Ministério da Defesa, foram usados dois mísseis Olkha com ogivas de fragmentação proibidas, além de foguetes Vampire fabricados pela República Tcheca, que é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O governo russo já declarou que o crime não ficará impune e o principal objetivo de Kiev é desviar o foco das constantes derrotas na frente de batalha na Ucrânia. Além disso, culpou os Estados Unidos e o Reino Unido de participação nos atos, por incitarem o regime de Kiev a ações terroristas.

"Na ausência da menor possibilidade de melhorar a situação deplorável das Forças Armadas Ucranianas 'no terreno', os anglo-saxões recorreram à táctica de levar a cabo ataques terroristas contra civis", declarou Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, pouco após o país acionar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, do qual é membro permanente, por conta dos ataques.

O professor titular de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Williams Gonçalves disse à Sputnik Brasil que o uso de armas proibidas contra a população civil da cidade, que tem pouco mais de 370 mil habitantes, torna o crime ainda mais grave. Para o especialista, o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, se sente abandonado pelos países ocidentais, que cada vez mais reduzem o envio de ajuda financeira ao país, e quer "chamar a atenção". Porém, ele acredita que Zelensky não terá sucesso.

"Nos Estados Unidos, já há uma corrente muito forte que considera que ele [Zelensky] jamais ganhará e, por isso, precisa se preparar para negociar [com a Rússia]. Só que o custo político para ele é alto demais e vai tentar reaquecer o conflito", argumentou.

Só nesta semana, foram repelidos 34 ataques em direção à República Popular de Donetsk, com a perda de quase 1,7 mil militares ucranianos, sete tanques e 13 veículos blindados. Já o Exército russo realizou outros 50 contra alvos exclusivamente das Forças Armadas da Ucrânia, como complexos militar-industrial e locais de armazenamento de armas.

·        Negociações pela paz comprometidas

A especialista em segurança e teoria das relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Isabela Gama lembrou à Sputnik Brasil que a Rússia tem buscado um canal de comunicação com a Ucrânia há algum tempo para negociar a paz na região. Porém, o país segue "com seus esforços cada vez mais agressivos" e o atentado terrorista na cidade russa só piora as tensões.

"Essa janela de oportunidade para a paz vem sendo perdida pelo Ocidente em diversos momentos. Já há bastante tempo a Rússia tentou negociar a paz e parece que não está sendo ouvida. Os porta-vozes, ministros e até mesmo o presidente Vladimir Putin vêm a imprensa falar sobre o conflito e a possibilidade de negociações, mas parece que estão falando com paredes", criticou.

Além disso, a especialista enfatiza que a Ucrânia "mente" ao dizer que tinha como alvo apenas instalações militares. "Até porque pré-escolas e estabelecimentos privados não relacionados ao governo foram atingidos por esse ataque ucraniano, com ajuda de equipamento tcheco", disse, acrescentando que o uso de armamentos fornecidos pelo Ocidente no ataque pode levar a uma escalada do conflito para outras partes da Europa.

"A União Europeia está bastante dividida. Isso é um problema, porque é complicado que cheguem a um acordo sobre quem vai apoiar, quem não vai. Muitos não estão mais por ser muito custoso para o bloco. E esse conflito pode, sim, se espraiar para a região em algum momento, porque com mais um ataque indiscriminado à Rússia, ninguém garante que em algum momento ela não retalie", afirma.

·        Repercussões geopolíticas no continente

O professor universitário e cientista político Rodolfo Marques concorda com a possibilidade de as mortes de civis em Belgorod causarem uma série de repercussões geopolíticas para além da Rússia, diante das constantes tentativas do Ocidente em deixar ainda mais tensas as relações do país com a Ucrânia, o que atrasa a chegada de um acordo para o fim da operação especial. Enquanto isso, Kiev recorre até ao alistamento de homens com deficiência física e idosos diante das baixas recorrentes no Exército.

"A região de Belgorod fica próxima da fronteira com a Ucrânia. Então, é um ponto também importante ali de convergência, e, certamente, haverá um desdobramento, não só nas reações russas, mas também nessa discussão que vai ser travada no âmbito das Nações Unidas. É mais um capítulo triste do conflito", declarou.

A Rússia convocou uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir o ataque em Belgorod às 17h, horário de Brasília, neste sábado (30).

 

Ø  Ataques contra civis são inaceitáveis e devem ser condenados, diz ONU sobre investida de Kiev

 

Kiev realizou um ataque brutal contra estruturas residenciais e civis deixando vários mortos e feridos na Rússia. A Organização das Nações Unidas (ONU) se posicionou, dizendo que os "ataques contra civis são inaceitáveis e devem ser condenados".

Ao menos 18 pessoas morreram e 111 ficaram feridas em resultado do bombardeio do centro da cidade russa de Belgorod pelo Exército ucraniano, disseram os serviços de emergência locais.

"Segundo a informação atualizada, 12 adultos e duas crianças foram mortos em Belgorod. 108 pessoas ficaram feridas, incluindo 15 crianças", comunicou o Ministério para Situações de Emergência da Rússia no seu canal Telegram em um primeiro momento, atualizando o total de vítimas para 18 mais tarde.

·        EUA e Reino Unido com sangue civil nas mãos

Por trás do ataque terrorista na cidade russa de Belgorod está o Reino Unido, que, "em coordenação com os Estados Unidos, incita o regime de Kiev a ações terroristas", disse à Sputnik a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

"Na ausência da menor possibilidade de melhorar a situação deplorável das Forças Armadas Ucranianas 'no terreno', os anglo-saxões recorreram à táctica de levar a cabo ataques terroristas contra civis", sublinhou.

A representante oficial acrescentou que os Estados da União Europeia (UE) também são responsáveis ​​pelo ataque, pois continuam a fornecer armas aos "terroristas em Kiev, que usam, entre outras coisas, munições cluster contra a população civil".

Kiev "mostra as suas vísceras nazis desumanas" e é "um crime cínico e sangrento". Todos os organizadores do ataque a Belgorod serão inevitavelmente punidos, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, destacando que o silêncio face ao bombardeio ucraniano de Belgorod equivaleria a apoiar e instigar os atos sangrentos de Kiev.

 

Ø  Reino Unido e EUA estão por trás do ataque terrorista em Belgorod, denuncia MRE russo

 

Por trás do ataque terrorista na cidade russa de Belgorod está o Reino Unido, que, "em coordenação com os Estados Unidos, incita o regime de Kiev a ações terroristas", disse à Sputnik a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, neste sábado (30).

Nas palavras de Zakharova, Londres "proibiu o regime de Kiev de negociar com o lado russo, apostando na vitória no campo de batalha", como declararam recentemente representantes do governo ucraniano.

"Na ausência da menor possibilidade de melhorar a situação deplorável das Forças Armadas ucranianas 'no terreno', os anglo-saxões recorreram à táctica de levar a cabo ataques terroristas contra civis", sublinhou.

A representante oficial acrescentou que os Estados da União Europeia (UE) também são responsáveis ​​pelo ataque, pois continuam a fornecer armas aos "terroristas em Kiev, que usam, entre outras coisas, munições cluster contra a população civil".

Kiev "mostra as suas vísceras nazis desumanas" e esse é "um crime cínico e sangrento". Todos os organizadores do ataque a Belgorod serão inevitavelmente punidos, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. O silêncio face ao bombardeamento ucraniano de Belgorod equivaleria a apoiar e instigar os atos sangrentos de Kiev, destaca a diplomacia russa.

Zakharova confirmou que a Rússia solicitou uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em relação ao ataque militar ucraniano às 20h, GMT [17h no horário de Brasília].

Neste sábado, 30 de dezembro, pelo menos 14 pessoas perderam a vida e 108 ficaram feridas, incluindo 15 crianças, na sequência de um ataque das forças ucranianas contra o centro da cidade russa de Belgorod.

 

Fonte: Sputnik Brasil