domingo, 30 de novembro de 2014

A PERGUNTA CERTA. Por Francklin Sá


Atravessa o País hoje uma crise muito forte de lideranças que consigam dá uma perspectiva de futuro à nossa juventude. Ser chefe é muito fácil. Todos nós temos dentro de cada um esta semente: basta mandar e amedrontar quem não estiver alinhado com suas ideias.
Agora ser Líder, desses capazes de se dirigir ao liderado e solicitar e não ordenar e você, mesmo com outros compromissos assumidos acatar, mesmo que para isto tenha que ficar além do horário, por entender a importância do pedido e por se sentir estimulado a dar sua contribuição, fica, este é bem diferente. O primeiro você obedece por medo já o segundo, você atende por respeito e pelo carisma.
A chefia já vem dentro de todos. Liderança se constrói ao longo da convivência. É claro que há líderes natos, que por intuição sabem como se portar e como conduzir as pessoas, mas a grande maioria dos líderes foi construindo o seu caminhar por meio de práticas desenvolvidas ao longo do tempo.
Existem gestores que acreditam que para comandar uma equipe, é apenas necessário ser chefe dela, dá ordens, gritar e vê-las cumpridas.
Ledo engano, para comandar um time, você tem que ser Líder e aí é onde está a grande diferença.
Para começar, todo chefe gosta e se sente até feliz a se ver rodeado de puxa – saco. Normalmente suas escolhas nunca primam pelo mérito e muito mais pelo subservilismo. Já o líder age de forma totalmente ao contrário, procura sempre se cercar do que há de melhor para assessorá-lo.
Agora dá para entender por que o líder pode ser um excelente chefe, mas dificilmente um chefe chegará a ser líder.
E as diferenças não ficam só por aí, existem algumas outras, que são facilmente visíveis, principalmente nas pessoas autoritárias.
Um chefe, normalmente comanda as pessoas impondo ordens de forma autoritária. Não respeita a individualidade.
Aliado a este lado autoritário, temos outras ‘qualidades’ que é muito comum nos chefes, entre elas a centralização, é  como ele temesse que alguém possa lhe tomar o cargo. Outra característica muito comum é que eles nunca são respeitados, mas temidos.
São pessoas que não qualquer espaço ou abertura para discussão ou questionamentos e nunca estão disponíveis para tirar dúvidas. A sua palavra por si só basta e a sua ordem deve apenas ser cumprida.
O chefe olha para o outro como subordinado que deve apenas obediência, cujas ordens devem ser atendidas cegamente da maneira que ele acha mais eficaz, sem pensar no bem-estar coletivo.
Outra característica muito comum no chefe é que ele nunca é um agente incentivador ou motivador da equipe, muito pelo contrário, já que na concepção dele realizar um trabalho excelente é dever do funcionário e, quando isso não é visto, ele faz questão de apontar os erros, de forma ofensiva quando não agressiva, na presença de todos.
É comum no chefe jogar a responsabilidade em cima de sua equipe quando algo não dá certo e se vangloriar quando um objetivo é alcançado, como só ele tivesse executado. O erro ele socializa e tira o braço da seringa. O acerto é uma vitória exclusiva sua.
A pessoa que conduz as demais e inspira confiança na equipe, não é o chefe. Este é o LÍDER.
Ele normalmente é reconhecido como um agente motivador de sua equipe, sempre mostrando a direção que devem seguir e, caminhando junto, lado a lado. E isto faz ser muito respeitado por seus funcionários, e como se sabe, o respeito é muito mais eficiente do que o temor. O líder é aquele busca não só resultados, mas está sempre aberto e procura a melhor maneira para ele e a equipe conseguir alcançá-los.
O líder não pensa no poder como algo centralizado e sim uma responsabilidade conjunta que deve ser dividida com todo o grupo.
Diferente do chefe, o líder não costuma dizer que têm subordinados, e sim uma equipe, ou um time.
O líder é aquele que ouve a equipe e está sempre disponível para a tirar dúvidas e buscar soluções em conjunto.  
Ele procura valorizar as habilidades individuais e coletivas, respeitando suas dificuldades e trabalhando junto com a pessoa para ajudá-la a superá-las.

O líder se responsabiliza junto com sua equipe quando algo não dá certo e divide a glória quando o objetivo é alcançado. Bem diferente daquele que se acha líder.

“A esquerda que trai o povo e o País”. Por Fernando Gabeira


Passada uma semana do juízo final, ainda me pergunto cadê a Dilma. Ela disse que as contas públicas estavam sob controle e elas aparecem com imenso rombo. Como superar essa traição da aritmética? Uma lei que altere as regras. A partir de hoje, dois e dois são cinco, revogam-se as disposições em contrário.
Os sonhos de hegemonia do PT invadem a matemática, como Lysenko invadiu a biologia nos anos 30 na Rússia, decretando que a genética era uma ciência burguesa. A diferença é que lá matavam os cientistas. Aqui tenho toda a liberdade para dizer que mentem.
Cadê você, Dilma? Disse que o desmatamento na Amazônia estava sob controle e desaba sobre nós o aumento de 122% no mês de outubro. Por mais cética que possa ser, você vai acabar encontrando um elo entre o desmatamento na Amazônia e a seca no Sudeste.
Cadê você, Dilma? Atacou Marina porque sua colaboradora em educação era da família de banqueiros; atacou Aécio porque indicou um homem do mercado, dos mais talentosos, para ministro da Fazenda. E hoje você procura com uma lanterna alguém do mercado que assuma o ministério.
Podia parar por aqui. Mas sua declaração na Austrália sobre a prisão dos empreiteiros foi fantástica. O Brasil vai mudar, não é mais como no passado, quando se fazia vista grossa para a corrupção. Não se lembrou de que seu governo bombardeou a CPI. Nem que a Petrobrás fez um inquérito vazio sobre corrupção na compra de plataformas. A SBM holandesa confessou que gastou US$ 139 milhões em propina.
E Pasadena, companheira?
O PT está aí há 12 anos. Lula vez vista grossa para a corrupção? Se você quer definir uma diferença, não se esqueça de que o homem do PT na Petrobrás foi preso. Ele é amigo do tesoureiro do PT. A cunhada do tesoureiro do PT foi levada a depor porque recebeu grana em seu apartamento em São Paulo.
De que passado você fala, Dilma? Como acha que vai conseguir se desvencilhar dele? A grana de suas campanhas foi um maná que caiu dos céus?
Um dos traços do PT é sempre criar uma versão vitoriosa para suas trapalhadas. José Dirceu ergueu o punho cerrado, entrando na prisão, como se fosse o herói de uma nobre resistência. Se Dilma e Lula, por acaso, um dia forem presos, certamente, dirão: nunca antes neste país um presidente determinou que prendessem a si próprio.
Embora fosse um fruto do movimento de arte moderna no Brasil, Macunaíma é um herói pós-moderno. Ele se move com desenvoltura num universo onde as versões predominam sobre as evidências. Nesta primeira semana do juízo final, pressinto a possibilidade de uma volta ao realismo. É muito aflitivo ver o País nessa situação, enquanto robôs pousam em cometas e EUA e China concordam em reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O realismo precisa chegar rápido para a equação, pelo menos, de dois problemas urgentes: água e energia. Lobão é o ministro da energia e foi citado no escândalo. Com perdão da rima, paira sobre o Lobão a espada do petrolão. Como é que um homem desses pode enfrentar os desafios modernos da energia, sobretudo a autoprodução por fontes renováveis?
Grandes obras ainda são necessárias. Mas enquanto houver gente querendo abarcar o mundo a partir das estatais, empreiteiras pautando os projetos, como foi o caso da Petrobrás, vamos patinar. O mesmo vale para o saneamento, que pode ser feito também por pequenas iniciativas e técnicas, adequadas ao lugar.
Os homens das empreiteiras foram presos no dia do juízo final. Este pode ser um caminho não apenas para mudar a política no Brasil, mas mudar também o planejamento. A crise hídrica mostra como o mundo girou e a gente ficou no mesmo lugar. Existe planejamento, mas baseado em regularidades que estão indo água abaixo com as mudanças climáticas.
O dia do juízo final não foi o último dia da vida. É preciso que isso avance rápido porque um ano de dificuldades nos espera. Não adianta Dilma dizer que toda a sua política foi para manter o emprego. Em outubro, tenho 30.283 razões para desmentir sua fala de campanha: postos de trabalho perdidos no período.
Não será derrubando a aritmética, driblando os fatos que o governo conseguirá sair do seu labirinto. O desejo de controlar a realidade se estende ao controle da própria oposição. O ministro da Justiça(QUE É DO PARTIDO) dá entrevista para dizer como a oposição se deve comportar diante do maior escândalo da História. Se depois de saquear a Petrobrás um governo adversário aconselhasse ao mais ingênuo dos petistas como se comportar, ele riria na cara do interlocutor. Só não rio mais porque ando preocupado. Essa mistura de preocupação e riso me faz sentir personagem de uma tragicomédia.
Em 2003, disse que o PT tinha morrido como símbolo de renovação. Me enganei. O PT morreu muitas vezes mais. Tenho de recorrer ao Livro Tibetano dos Mortos, que aconselha a seguir o caminho depois da morte, sem apego, em busca da reencarnação. Em termos políticos, seria render-se à evidência de que saqueou a Petrobrás, comprou, de novo, a base aliada e mergulhar numa profunda reflexão autocrítica. No momento, negam tudo, mas isso o Livro Tibetano também prevê: o apego à vida passada é muito comum. Certas almas não vão embora fácil.
A crise é um excelente psicodrama: o ceticismo político, a engrenagem que liga governo a empreiteiras, o desprezo pelas evidências, tudo isso vira material didático (LIVROS DIDÁTICO COM ERROS NA LÍNGUA PÁTRIA).
Dizem que Dilma vive uma tempestade perfeita com a conjunção de tantos fatores negativos. Navegar num tempo assim, só com o preciso conhecimento (ESTA TURMA É ANALFABETA  EM TUDO,CONHECIMENTO ZERO) que o velho Zé do Peixe tinha da costa de Aracaju, pedra por pedra, corrente por corrente.
No mar revolto, sob a tempestade, os raios e trovões não obedecem aos marqueteiros. Por que obedeceriam?

O ministro da Justiça vê o incômodo de um terceiro turno. Não haverá terceiro turno, e, sim, terceiro ato. E ato final de uma peça de teatro é, quase sempre, aquele em que os personagens se revelam. Por que esses olhos tão grandes? Por que esse nariz tão grande, as mãos tão grandes, vovozinha?

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Artigo: “Kátia ministra: Traição ou adesão?”. Por Francklin Sá


Afirmam os biógrafos da presidente Dilma ter ela participado na década de 70, da luta armada que visava não só retomar o poder - fazendo retornar ao comando dos civis -, mais também, se inseria nos ideais de todos que dela participaram, defender a democracia, a causa do meio ambiente, reforma agrária, paz no campo, enfim, defendia uma sociedade menos injusta, como ainda vemos em nossa pátria.
Décadas após iniciada essa luta, ascende ao Poder, uma das suas militantes, a atual presidente que foi reeleita, justiça seja feita, graças a luta dos movimentos sociais, que sentindo a ameaça de verem os avanços sociais serem interrompidos, retornaram as ruas em defesa de mais um mandato para o governo petista.
De repente, todos aqueles que lutaram e lutam por um País socialmente menos injusto se vê surpreendido com o convite formulado pela antiga “guerrilheira”, para assumir o Ministério da Agricultura, nada mais nada menos, do que a senadora Kátia Alves, uma das maiores, se não a maior, representante da direita no Congresso Nacional, política que tem como marca em seu currículo a intransigente luta contra todos os ideais defendidos pela esquerda e movimentos sociais brasileiros.
É conhecido por todos que acompanham a política nacional - exceto por Dilma -, as posições radicais defendidas pela senadora Kátia Alves contra a reforma agrária, pelo desmatamento sem controle - a ponto de ser conhecida como “miss motosserra”, título concedido pelo Greenpeace -, pela radical e ferrenha campanha contra o PT e os movimentos sociais, principalmente do campo além de ser envolvida até os dentes com o trabalho escravo e com a agressão ao meio ambiente. Tem ainda no seu currículo, como legado, a marca de envolvimento com grilagem de terras e denúncias de crimes contra trabalhadores rurais. Como Presidente da CNA, a Senadora representa os setores mais duros e resistentes do agronegócio.
Desta forma, a indicação da senadora para qualquer ministério, em um governo que discursa dizendo está em defesa dos postulados defendidos por aqueles que participaram das lutas em defesa da redemocratização do País e pelas esquerdas, além das promessas feitas ainda em campanha de zelar pelo patrimônio público e pela ética nas suas ações, chega a ser uma traição para aqueles que nele acreditaram e um golpe de misericórdia nas lutas até hoje empreendidas pelos movimentos sociais, em busca de menos injustiças, principalmente no campo. É premiar aqueles que sempre defenderam e defendem tudo de podre que aí está.
A nomeação de Kátia Alves será o tiro de misericórdia para aqueles que saíram às ruas em busca da reeleição de Dilma Rousseff, atendendo os apelos do partido quando se viu ameaçado pela direita, representada por Aécio Neves. Será o fim dos sonhos de ver um País mais justo e de se encontrar a paz no campo por aqueles que, diante das ameaças da pregação de golpe pela direita, tem ido às ruas em defesa do mandato da atual presidente.
Kátia no ministério será premiar exatamente aqueles segmentos que hoje financiam os movimentos de direita que pregam a volta dos militares, que defendem o golpe e o impeachment e lutam pelo retorno da extrema direita ao Poder, se contrapondo a tudo que aqueles que na década de 70 estiveram em campo, sofreram e muitos torturados, para poder respirar os ares da democracia.
Portanto, torna-se necessário que os movimentos sociais fiquem atentos a mais este golpe e traição que está sendo maquinado nos porões do Poder e que inclua nas suas bandeiras de luta, mais esta causa a ser defendida, ou seja, de impedir que pessoas que lutaram e ainda lutam contra as causas sociais possam participar de um governo que se utilizam das bandeiras e ideais socialistas para se elegerem, não permitindo ser utilizada apenas como massa de manobra.
O que se espera, e isto caberão aos movimentos sociais começarem a se movimentar para não permitir, é que o governo de Dilma neste segundo mandato, não tome o rumo que se está desenhando de cair nos braços da direita  raivosa, pois não foi esta a opção escolhida pelo eleitor, pois se assim o desejasse, ele teria Aécio Neves, como muito mais traquejo e forjado no berço dos derrotados nas urnas. 
A ameaça já está bastante visível e se executado se transformará no maior estelionato eleitoral de um governo que já recomeça disposto a ceder tudo ou quase-tudo para quase nada  fazer. Pelos sinais apresentados, a lógica da virada à direita na economia já é inevitável, apesar de tudo que prometeu durante a campanha eleitoral e das críticas feitas aos seus adversários. Pelo que tem especulado a imprensa,  a equipe econômica, já está montada, tendo o aval dos mercados financeiros e industrial, com Joaquim Levy , atualmente executivo do Bradesco - mas um Chicago Boy de carteirinha e parceiro de trajetória de Armínio Fraga, comandando a Fazenda.

Para quem não se lembra, quantas notas saíram nas redes sociais colocadas pelos petistas tecendo críticas a Marina por sua aliança com o Itaú e a Aécio, por ter escolhido Armínio Fraga para ministro. Dilma cansou de bater criticando, mais de repente foi buscar um aluno de Armino e ligado ao Bradesco para comandar a Fazenda. O que pode esperar o povão então? De bom nada e com certeza 2015 já prenuncia como um ano de arrocho salarial, desemprego e cortes nas despesas públicas, principalmente naquelas que interessam aos segmentos sociais, pois para o mercado empresarial, como sempre lhes serão dado não só as mãos como os dedos e os anéis, com anúncio de medidas que estavam em processo de elaboração como cortes de despesas com seguro-desemprego;  pensões por morte e com o abono salarial. Tudo isto com um único objetivo: adoçar a boca do segmento industrial.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

“O teorema da lambança”, de Helder Cardeira


Pouco mais de 54 milhões de brasileiros foram levados — espontaneamente ou via terrorismo oficioso — a crer que 'a vida será ainda melhor' que a propaganda política apresentada pelo PT e que a mudança, necessária para tirar o Brasil do mar de lama onde está enfiado, virá através da manutenção do (des)governo da petista Dilma Rousseff. Ah! Essa tal '#change', meme que alimenta a fome das redes sociais desde a primeira eleição do orgástico norte-americano Barack Obama.
Parêntese importante: por falar em meme, dizem as redes que o 'chororô' dos derrotados é livre e gratuito, rogando para que as 'lágrimas' possam melhorar os níveis dos reservatórios de água de São Paulo. Portanto, cá estou a chorar, ainda sem saber se as gotas do meu lamento serão úteis ao Sistema Cantareira. Fecho parênteses.
Se considerarmos apenas as peças publicitárias ilusórias criadas pelo marqueteiro-geral da República, 'nunca antes na história deste país' houve alguém melhor que Dilma para comandar a gigante nau latino-americana.'Governo novo, ideias novas' foi lema da turma que diz defender o brilhantismo do Brasil e o protagonismo dos programas sociais sem 'portas de saída'. Aliás, 'porta de saída' tornou-se termo politicamente incorreto, seja para descrever o precioso curral eleitoral do neocoronelismo estatal, seja para esclarecer que a alternância no salão presidencial do Palácio do Planalto seria saudável ao país.
No entanto, uma semana após sacramentada a reeleição da 'presidenta', ficou difícil compreender quem está (des)governando o país. Em seus discursos de campanha, Dilma Rousseff fez questão de proclamar que Aécio Neves e o PSDB, caso vencessem as eleições, tratariam de aumentar impostos, elevar os preços da gasolina e da tarifa de energia elétrica, promoveriam arrocho salarial e desemprego e, sobretudo, conduziriam o Brasil rumo ao déficit orçamentário e ao descontrole total da inflação. Não mediu agressões e impropérios contra o tucano Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no quarto final da gestão FHC e apontado como provável ministro aecista da Fazenda.
Dilma venceu Aécio, mas, a considerar o discurso plantado pela '(re)presidenta', quem está comandando a (f)Fazenda — não importa se minúscula ou maiúscula, já que o efeito político é o mesmo! — é o demonizado Armínio Fraga.
Tão logo Sua Excelência embarcou no helicóptero presidencial rumo às merecidíssimas férias no litoral da Bahia, o (des)governo sinalizou ao mercado que precisará elevar a carga tributária para sustentar o déficit orçamentário superior a R$ 15 bilhões — o maior desde a vigência do Plano Real —; reajustará fortemente os preços da gasolina e das contas de luz; será obrigado a congelar qualquer aumento do salário mínimo para 2016, já que o fator determinante para o cálculo — o PIB de 2014 — será zero, podendo tender ao negativo; e que o desemprego pode vir bater à porta da nação por conta do elevado grau de desqualificação profissional.
Tudo isso sem contar o tom rancoroso e revanchista da ala mais inescrupulosa do 'aliado-de-chapa' PMDB, que colecionou derrotas robustas em alguns Estados graças à intervenção do 'muy amigo' ex-presidente Lula da Silva, e a avalanche de escândalos de corrupção emergindo das delações premiadas do 'poderoso feiticeiro'Paulo Roberto Costa e do 'doleiro companheiro' Alberto Youssef, ambos colocando a Presidência da República Federativa do Brasil na crista da onda dos mandos malévolos. Noutras palavras, o dedo em riste da 'presidenta-candidata' render-se-á à realidade de um país (des)governado por uma 'presidenta-ré'?
Em termos de matemática política, apresento-lhes o Teorema da Lambança:
x = pt4 + 39m + br.[ ts.( prc + ay ) ] + ba, quando 'x' é o Brasil real; 'pt' é o partido político eleito nos últimos quatro mandatos presidenciais; 'm' é a variável referente ao número de ministérios do atual governo petista;'br' é a assaltada e combalida Petrobras; 'ts' é valor fixo da 'taxa de sucesso' cobrado em forma de propinas para abastecer os cofres das campanhas políticas; 'prc' e 'ay' são, respectivamente, os delatores oficiais Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef; e 'ba' é número variável de políticos que integram a dita 'base aliada'.
Considerando o resultado do segundo turno das eleições no último dia 26 de outubro de 2014, é possível extrair deste teorema bananístico-jabuticabeiro o seguinte resultado:

x = a maioria dos brasileiros elegeu Michel Temer, presidente da República.

Artigo: “ELEIÇÕES 2014”


Mesmo com 61% contrários ao voto obrigatório (no que concordamos!) o POVO brasileiro, democraticamente, deu o seu aval à Presidente Dilma Rousseff para governar o Brasil por mais quatro anos. Foram 51,64% para a Dilma e 48,36% para o Aécio. Compareceram 112.683.879 e abstiveram-se 30.137.479. Em branco foram 1.921.819 e anularam o seu voto 5.219.787 eleitores.
O que se nos apresenta precipitado é que alguns setores, inclusive da nossa competente e atenta Imprensa, já cobram medidas e posicionamentos da Dilma. Uma delas é a difícil Reforma Política que a Presidente se antecipou em prometer como inicial providência do seu governo. Deverá apenas estar ciente de que, em especial quando se trata de enxugar o Congresso, na tentativa de diminuir o número de partidos que servem a vários interesses, sabemos quanto é de difícil consecução, em especial porque as siglas menores (partidos nanicos), às vezes com apenas um representante, não devem concordar. Vai ser um jogo difícil, um “toma lá da cá” ao qual estamos acostumados. Que não incorramos em novos e graves erros dos quais já tomamos conhecimento na história recente e que conturbaram a vida política e social do País. Entre verdades e calúnias que foram ditas, questionadas, desmentidas, todos sobreviveram e fizeram a festa e isto faz parte do jogo político e quanto mais na nossa incipiente Democracia. Os excessos que não se repitam e que o povo ajude a governar, posto que não é apenas alçar ao poder, mas cobrar promessas e contestar improbidades.
 Por outro lado e fazendo uso das mídias sociais alguns já promovem a odiosa guerra de secessão no Brasil, posto que ficou patente a preferência por determinados candidatos e modelo político por regiões, com raras exceções. Norte e Nordeste priorizaram o atual governo enquanto Centro e Sul queriam mudanças. Tivemos tempo e opção para escolher e se fizemos bem ou mal o tempo dirá e, de todas as formas, arcaremos com as consequências do nosso ato de cidadania que é o de votar e escolher quem pode gerir melhor nossos destinos.
A hora é de procurar UNIR e não PUNIR o País. Punamos, e exemplarmente, os que desvirtuarem a sua missão. Não é um partido ou governante que reinará de forma autoritária e contrária aos interesses maiores do Brasil. Se lá os colocamos, temos o direito e dever de cobrar efetiva e sistematicamente. Calar e aceitar eventuais distorções e erros é admitir acovardamento e subserviência a interesses contrários aos da Nação e em benefícios de grupos políticos. Contribuamos no que estiver ao nosso alcance!

Autor: Hildeberto Aquino: hildebertoaquino@yahoo.com.br
Vejam também nos endereços:

http://blogdoaquino.blogspot.com/www.tvrussas.com.br e no jornal Folha do Vale (Limoeiro do Norte) e Jornal Gazeta de Notícias (Cariri).

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Artigo: “Hora de pensar em um Brasil para Todos”

Acabou a eleição. Não tem mais jeito. O resultado está aí. Claro que todos sabem que quando se entra em uma eleição, alguém terá que perder, independente das nossas convicções e ou ideiais.
Passadas as primeiras horas e as dores de cabeça ocasionada pelos efeitos colaterais que uma eleição poderá ocasionar em razão de não termos conseguido os nossos objetivos, passado os seus efeitos, chega o momento que o melhor é refletir e observar que chegou a hora de tolerância e da busca da paz e do equilíbrio emocional, sem querer imputar a ninguém a culpa pelo seu resultado, afinal a vitória obtida foi resultado do uma decisão de uma maioria de brasileiros que se identificaram com suas propostas.
Se o resultado não foi o esperado, que tenhamos a cabeça fria e a coloquemos no lugar. O momento é de reconciliação e de diálogo. Chega de xingamentos e ofensas. Não tem sentido xingar esta ou aquela região, pois o vencedor teve votos em todos os Estados de Brasil, uns mais outros menos, mais foi voltada em todas as regiões, independente se mais pobre ou se mais rica.
É preciso que os derrotados entendam que esta foi mais uma eleição em que o povo brasileiro exerceu seu direito democrático o de optar. Aos vencedores, que compreendam a responsabilidade que a maioria da população brasileira colocou em seus ombros. E, tantos os eleitores vencedores como os perdedores a partir do seu resultado passe a exercer o seu mais sagrado direito: O DE FISCALIZAR E COBRAR para que seus direitos sejam respeitados.
Enfim, que todos entendam que esta foi mais uma eleição ou foi só uma eleição e que como nas anteriores e com certeza nas posteriores a moeda terá dois lados: um vencedor e outro dos derrotados.
O que se espera a partir de hoje, é que a paz seja restabelecida e que o resultado seja respeitado. Que tenhamos um País menos rancoroso, uma sociedade mais tolerante e uma nação politicamente mais equilibrada. Que saibamos exercer e a conviver no regime democrático, pois se não aprendermos a viver e a exercitar a democracia, seus resultados e seus efeitos, continuaremos a ser um povo incapacitado de ser governado em uma.
Passada a ressaca das eleições, caberá a nós, vencedores e vencidos nos unirmos e tentar a acabar com a curta visão que ainda impera em nossa Nação, onde ainda vivemos na ilusão de que está tudo bem como está, sem querer arriscar a mudanças mais radicais e ousadas, mesmo que para isso tenhamos que mexer em interesses políticos e ou econômicos ainda enraizados em muitos, frutos e herança ainda obtidos no período ditatórial.
Caberá a todos nós continuarmos cobrando pelo fim da corrupção em todos os níveis, com punição severa para TODOS os envolvidos, doa em que doer e exigir do judiciário uma isenção maior em relação aos corruptores.
Passou da hora de cobrarmos e exigirmos uma reforma política, onde se diminua o número de partidos e que estes existam por convicções ideológicas, programáticas e políticas, onde possamos ter candidatos mais capazes e preparados, e que se formalize uma oposição mais clara, não fundamentada pelo ódio, mais pelas convicções programáticas e ideológicas.
Passou da hora de ser estabelecidos critérios e meios para que impere a democracia na mídia nacional, até porque muito desse poder vem de concessões governamentais e  ou mantidas por verbas públicas, acabando com este império concedido a meia dúzia de proprietários, que para sobreviverem e continuar com o poder em mãos de poucos, mantem uma relação promíscua com setores e segmentos do ambiente político nacional.
Chegou a hora de exigirmos que seja extinta o É DANDO QUE SE RECEBE entre o Congresso Nacional e o Executivo e que se acabe a troca de cargos por adesões políticas. Que os escolhidos os sejam pelo mérito e não pelo partido a que pertence ou pela influência do político que o indicou. Que a governabilidade se dê no campo das ideias e dos programas de governo e não pelo fisiologismo.
Espera-se que após tantos escândalos protagonizados por falta de critérios na escolha dos indicados e pelo aparelhamento do Estado, principalmente, que novos critérios sejam utilizados para a escolha daqueles que irão assumir os cargos existentes, como também que haja uma redução significativa do número de ministérios e respectivos cargos comissionados .

Chegou a hora de todos, vencidos e vencedores, juntos gritarmos: POR UM BRASIL MELHOR E MAIS DECENTE

Autor: Francklin Sá

DILMA ROUSSEF: COMO GOVERNAR UM PAÍS RACHADO ?

Ungida das Urnas como a Nova President”a” do Brasil por percentual diminuído, não superior a 3% dos Eleitores, a razão de cerca de 51% dos Votos, contra cerca de 49% do seu Opositor, Aécio Neves, encerrando em seu Comício da Vitória um Discurso de Moderação, aludindo aUnião Nacional e a “Construção de Pontes”, dizendo não acreditar que as atuais Eleições criaram um “Fosso” no Brasil, Dilma Roussef tem pela frente, inevitavelmente, a árdua Missão de atar “Bandaidês” nas Feridas Abertas da Campanha Política, uma das mais acirradas nos últimos tempos.
 Eleita President”a” de todos os brasileiros, com acachapante Vitória no Nordeste brasileiro, Reduto Eleitoral Histórico do Coronelismo, e doVoto de Cabresto, rejuvenescido pela Forte Estrutura Governamental na Região, com Programas Sociais e Incentivos Fiscais Oportunistas, sustentados pelo Sul brasileiro, mais rico e independente, em que cerca de 7 de cada 10 Nordestinos votaram em seu Discurso, demonstrando uma inegável Aparelhamento do Estado, ao contrario do resto do País, onde a Vitória de Aécio ocorreu a razão de cerca de 6 de cada 10 votos, contra Dilma Roussef, fato é que a Oposição à Dilma cresceu no Brasil, dando uma menor proporção de Força a maioria folgada que sempre usufruiu Dilma em seu Primeiro Mandato.
Levadas a Radicalização, até mesmo pela Política Oficial de Governo do próprio PT – Partido dos Trabalhadores, quem prioriza estabelecerMinorias, tais como de Raça, Cor, Sexo e Etnia, para dividir a Sociedade brasileira em Castas, e, assim, melhor “Administrar”, Política que confronta Brancos com Negros, Produtores Rurais com Índios, Nordestinos com Sulistas, Pobres com Ricos, numa analise simplista, afora o Plano Físico Nacional, no Congresso Nacional, contudo, tais diferenças tendem a se diluir, dentro do Jogo Fisiológico do Poder, cujo Sol maior, o Governo, tende a confluir os Congressistas, mas afetos ao “Poder pelo Poder”, mergulhados em seus projetos pessoais, e ambições particulares, uma vez passadas as Eleições.
Contudo, já desgastada por cerca de 12 anos de Poder Petista no Palácio do Planalto, e gravíssimas acusações de Corrupção, com asInstituições, em tese, apolíticas, como a Justiça e o Ministério Público em pleno funcionamento, que prosseguem analisando desvios, como na Petrobras, e diante da Política Econômica recessiva do atual Governo, os problemas de sempre, uma vez passadas as Eleições, não se apagarão, evidentemente, após desligarem-se as Urnas Eletrônicas.
Eleita com pequena diferença, como se uma Cidade, como Belo Horizonte, Minas Gerais, apenas, com seus cerca de Três Milhões e Meio de habitantes, decidissem o destino do Brasil, como de fato, com uma diferença de cerca de Três Milhões e Meio de votos, Dilma Roussef governará, seguramente, um Pais mais dividido.
Marcadas por fortíssima Abstenção, de cerca de 20%, quase 40 milhões de pessoas, que autoexcluiram-se do Processo Eleitoral, o resultado das Urnas, certamente, não deixou bem claro, onde, e de que forma, se manifestaram os Milhões de brasileiros, que em Junho de 2013 foram às Ruas, no Movimento “Não Vai Ter Copa” e no Movimento do “Passe Livre”.


Autor: Pettersen Filho

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

“ESTADO É CORRUPÇÃO”. Autor: Nivaldo Cordeiro


O país acompanha estarrecido as revelações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef sobre as estripulias da corrupção de larga escala. Todos já sabem e mesmo sentiram na pele a perene corrupção de pequena escala, aquela do fiscal da prefeitura ou do Trabalho. Se a corrupção é intrínseca ao homem, ela o é mais ainda ao Estado, que defino como o mal potenciado e comprimido, capaz de realizar grande devastação.
Basta rememorar as guerras, pequenas e grandes, para vermos do que o Estado é capaz. E também as crises financeiras, a inflação e toda sorte de trapalhadas que o Estado moderno tem realizado. É possível dizer que o Estado é, desde o Renascimento, o lobo do homem. É para isso que existem Forças Armadas e polícias, para matar gente quando a ocasião se apresenta. Diante de um agente estatal o indivíduo torna-se insignificante, pois não está diante de um semelhante, mas da própria expressão de uma encarnação demoníaca, que é puro poder mundano.
A face mais sinistra do Estado pode ser um avião de caça-bombardeiro em missão de ataque. É ali representada toda a expressão do poder estatal, sua força, seu poderio devastador. Beleza sinistra. Mas a má ação estatal contra o homem está presente nos tempos de paz também. Veja-se a política de controle de natalidade e a permissão legal para permitir o infanticídio que é o aborto. E também as políticas racistas que violentam a natureza das coisas. As prisões são o signo de nosso tempo, cada vez mais abarrotadas, humilhando seus “clientes” e tornando-os incapazes de vida em sociedade. Ser prisioneiro do Estado é como dar um primeiro passo para a morte.
Nunca deixo de frisar que o Estado “é” a sua burocracia. O uso do termo genérico despersonifica o autor da obra maligna. O agente estatal mesmo quando cumpre a lei pode praticar o mal, pois nos últimos quinhentos anos o direito foi desconectado de sua fonte natural. O Estado deixou de ter como fim o bem comum e passou a se mover pela sua própria lógica. Essa é a origem das razões de Estado.
Além de perder toda conexão com o sagrado, o Estado tornou-se um substitutivo das religiões, é a própria expressão de uma religião materialista e ateia. A burocracia estatal é sua classe sacerdotal e os balcões do Estado são os seus altares. São os agentes dessa religião laica que pregam diuturnamente a laicidade do Estado, em ação hipócrita e mentirosa. Os ateus querem ter o monopólio da expressão religiosa, disfarçada de simples ação do Estado.
A propósito dessa realidade, que não é apenas histórica, mas que tem raiz transcendente, quero lembrar uma citação de Ortega y Gasset, que colhi na leitura de sua Biografia, escrita por Jordi Garcia: “A venalidad es parte de la naturaliza del exercício de la política, y aceptarlo es parte del combate contra la hipocrisia y el ‘misticismo ético’”.
Ninguém compreendeu melhor a natureza do Estado do que Ortega y Gasset, ele próprio que foi um sacerdote intelectual do Estado. Enquanto materialista, tudo que propunha Ortega para redimir sua Espanha e a Europa era a ação estatal nos termos que entendia. A questão para ele não era discutir a natureza do Estado, mas apenas encontrar o formato capaz de “melhorar” o homem.
Na frase de Ortega vê-se uma primorosa análise fisiológica do funcionamento estatal, mas também uma falsa justificação moral, uma falsa moral de nietzschiano. Ortega sempre soube que o Estado moderno era apenas a manifestação do poder – que digo maligno –, mas foi incapaz de tirar as conclusões morais de sua descoberta, posto que perdera os parâmetros do cristianismo.
Nenhuma surpresa com as revelações de Paulo Roberto Costa e de Alberto Youssef. Trata-se apenas de mais do mesmo, aqui como em toda parte. O único antídoto é a receita liberal, de reduzir o Estado a suas funções ditas clássicas. Mas, em tempos socialistas, essa meta é cada vez mais uma quimera. Há o risco de todos perecermos vítimas do puro poder.
Talvez por isso que as eloquentes revelações tenham pouco ou nenhum impacto nas eleições que teremos amanhã. No fundo, cada um de nós sabe que, ganhe quem ganhar, todos perderemos.
Quem viver verá!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Artigo: “O que levou a queda de Marina”. Por Francklin Sá


Elevada ao topo da candidatura com a morte de Eduardo Campos, Marina Silva agitou a campanha política pela primeira vez, transformando a calmaria que reinava no mar da campanha eleitoral, diante da ameaça de uma possível derrota do PT, partido que não admite largar a boquinha, já que segundo seus seguidores, o Brasil só foi descoberto a partir de sua ascensão ao Poder.
Antes do PT nada existia, apenas os nativos e nada mais justo que eles que descobriram e construíram tudo que aí se encontra, também sejam eles e apenas eles que devam ter o direito de usufruir.
E foi esta possível ameaça que bagunçou o ambiente, principalmente a partir do momento que as pesquisas passaram a identificar uma ‘forte onda’ que levavam as pessoas a desaguarem suas esperanças e seus sonhos na candidata do PSB, cansados que se encontravam e se encontram, com tantos desmandos e tamanha corrupção e em sua grande maioria envolvendo e ou patrocinada por membros de alta patente dos partidos politicos aliados ao governo Dilma, tendo sempre como partícipe alguém ligado ao PT.
A partir da entrada de Marina no jogo, começou a ser ensaiada a “onda anti-PT”, que ainda é vista em alguns lugares, levada pela desesperança que hoje se abate na população resultante de tantos mal – feitos, como diz a presidente em relação a roubalheira que se instalou no centro do Poder, sem que qualquer atitude dura, rigorosa e punitiva sejam tomadas ou vistas, principalmente, ao saber que a maioria dos envolvidos sempre estiveram sob suspeitas quanto a conduta e o zelo do patrimônio e dos bens públicos e que mesmo assim, jamais estiveram no centro de qualquer faxina ética, ética esta, que o PT ao chegar ao Poder fez e faz questão de jogar no lixo. 
Marina Silva se transformou por um momento, no desaguadouro desses sonhos que, infelizmente, ela e sua equipe não souberam capitalizar, diante dos vacilos e dos constantes recuos das suas afirmativas políticas.
Esperava a população que Marina Silva trouxesse o novo, como pregava Eduardo Campos, que mostrasse firmeza nas tomadas de decisões e que não demonstrasse vacilos nas questões decisivas que a sociedade exigia, que não confudisse ideologia política com ideologia religiosa, até porque vivemos em um País em que a sua Carta Magna afirma ser “laico”.
Infelizmente, antes mesmo que a sua preferência estivesse consolidada junto à população, Marina Silva começou a deixar de ser o sonho esperado e, passou a mostrar para a sociedade uma outra Marina desconhecida ainda pelo eleitor.
Independente das críticas apresentadas pelos seus opositores, da qual ela por ser ex-militante petista tão bem conhecia e deveria está preparada e vacinada, porém, não se esperava tantos vacilos como os apresentados, os quais com certeza fizeram muitos eleitores reavaliarem suas posições e começarem a rever seus conceitos, principalmente a partir do momento que ficou claro ser a sua  candidatura a preferida do sistema financeiro – diante da sua declarada aliança com Neca Setúbal -; dos especuladores internacionais e dos fundamentalistas religiosos – a partir do momento em cedeu a menor pressão recebida do que há de mais execrável no movimento religioso, Silas Malafaia, símbolo maior da homofobia deste país, ao retirar os trechos do programa que o incomodavam e aos fundamentalistas que o seguem -, Marina Silva começou a perder o apoio da juventude e da classe média formadora de opiniões na velocidade da queda de um jato, como se observa pelas últimas pesquisas.
Ao se aliar a políticos cujo passado nada os recomendam, como por exemplo a família Bornhausen, que fizeram toda caminhada política  apoiada pela ditadura militar, homens ligados à linha dura da bancada ruralista, que sempre defenderam  e andaram na contramão daquilo que outrora defendeu Marina Silva, e cuja  trajetória política, como a dos Bornhausens,  marcada pela guerra ao ambientalismo, levaram ao eleitor dá uma parada e repensar sobre o possível apoio e a questionar sobre essas novas alianças e a se perguntar, em que os Bornhausens e Silas Malafaia por exemplo, são melhores que os Sarney, os Renan e os Maluf?
Aliado a esta dúvida, veio acoplada a ela o perigo do fundamentalismo religioso, que já é um perigo hoje, na forna como está sendo difundido por alguns lideres que se passam por religiosos, como o já citado e outros menos voltados, difundindo a intransigência, a homofobia em nome de um líder maior que viveu em uma época muito diferente da atual e que se hoje estivesse entre nós, seria o primeiro a fazer como o fez quando nasceu, a expulsar os vendilhões dos templos, os quais transformaram hoje, onde tudo é feito em nome do dinheiro e do enriquecimento pessoal, imaginem como não se sentirão tendo uma presidente que os apoiam.
Portanto, foram e tem sido os vacilos das suas afirmativas, aliados as alianças nada recomendáveis que fizeram o eleitor a retroceder e a começar a pensar entre o PÉSSIMO (ou rouba mais faz), o RUIM ( rouba e não faz - seria Aécio)e o DUVIDOSO (Marina) mais como o apoio do segmento sanguessuga – os banqueiros – e do fundamentalismo religioso, o eleitor começou a refluir a “onda” e começou a pensar em sua segurança e retornar seu voto para aquele que se apresenta menos perigoso e que poderá pelo menos trazer mais segurança nas relações interpessoais e dos Direitos Humanos, apesar de saberem que as promessas de hoje são as mesmas de 04 anos atrás e com certeza serão as mesmas daqui a 04 anos.


domingo, 14 de setembro de 2014

Artigo: “Por um Banco Central Republicano”


As ideias que se seguem são motivadas pela perplexidade frente ao ataque agressivo, na forma e no conteúdo, desferido contra o Banco Central do Brasil. Por sua história e pela seriedade de sua missão, essa instituição do estado brasileiro jamais poderia ter sua administração adjetivada levianamente como temerária (uma conduta tipificada no código penal brasileiro). Tais ataques não têm legitimidade política para sancionar a terceirização da gestão econômica do Brasil e muito menos encontram amparo técnico que as qualifique; são apenas expressão do apego a concepções anacrônicas, elaboradas quando o Brasil ainda engatinhava em termos de estabilidade monetária.
Desde a virada do século, economistas e dirigentes de bancos centrais em todo o mundo têm debatido o poder conferido às autoridades monetárias e sua missão. Esse debate se acentuou com o complexo quadro econômico mundial pós-crise. E são muitas as manifestações nesse sentido.
Em março deste ano, o Presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney admitiu que a busca exclusiva da estabilidade de preços, típica de um Banco Central Independente, "...tornou-se uma distração perigosa para a economia". Na mesma linha, Christine Lagarde, diretora-chefe do FMI, afirmou ter chegado a hora de se ajustar o controle dos governos sobre os Bancos Centrais; eles não podem ficar presos só ao objetivo da estabilidade de preços. E ela acrescenta que, como a crise ensinou, "a estabilidade de preços não necessariamente leva à estabilidade macroeconômica". Ademais, as evidências revelam: os países que não tem meta de inflação ou banco central independente se saíram tão bem ou foram melhores que aqueles adeptos desse arcabouço na condução da política econômica.
Malcom Sawer (Universidade de Leeds) e Philip Arestis (Universidade de Cambridge) afirmam que, "já passa da hora da política de meta de inflação operada por um banco central independente ser abandonada". Se o período da "Grande Moderação" (fim dos anos 80 até a crise de 2008/9), tal como batizado por Ben Bernanke, deu margem para que uma geração de economistas acreditasse em seu sucesso, reconhece-se agora que naquele período, o crescimento do emprego e a estabilidade de preços não se deveram à política monetária, mas sim a uma mera coincidência.
Com a crise, o véu caiu. Os empregos e os salários ganharam relevância no foco da política monetária. A propósito, os presidentes dos bancos centrais das principais economias, reunidos em Jackson Hole (agosto último), concluíram ser indispensável perseguir o controle da inflação e o estimulo a empregos e salários. Referência que, desde meados dos anos 90, deixou aos poucos de ser considerada uma heresia, que os sabujos daqui insistem em preservar.
Agora, às vésperas das eleições presidenciais, os especialistas econômicos de Marina e Aécio, laureados por nossa mídia, continuam professando a tese do Banco Central Independente. Está subentendido nessa postura que ao Banco Central cabe apenas e tão somente ser o guardião da moeda. Por isso, sentem-se escandalizados quando entram em contato com a idéia de que o Banco Central deveria se preocupar também com empregos e com o equilíbrio macroeconômico como um todo. Reagindo ao que chamam de heresia, batem no peito para dizer que o emprego e o crescimento não dependem das forças monetárias.
Esta "modernidade" dos críticos ao Banco Central do Brasil está, pelo menos, vinte anos atrasada. Hoje em dia, nas economias centrais e emergentes, o consenso que se persegue é outro. A gestão monetária é uma peça essencial na determinação do emprego, do investimento e do crescimento, influenciando a "economia real". O grande desafio é como coordenar a política monetária e a política fiscal para garantir o pleno-emprego e a estabilidade macroeconômica, o que vai muito além da estabilidade inflacionária.
Mas o anacronismo não é o único problema dos defensores do Banco Central Independente. Há, por detrás dessa tese, a ideia autoritária de que as decisões econômicas devem ser independentes do mundo político. Para eles, o Banco Central, tal como um think tank, deveria ser gerido pelos melhores e pairar acima do Estado. Ou seja, ser administrado sem se integrar à formulação da política econômica. Pretendem apenas a coordenação das expectativas manipuladas no espaço estrito do mercado financeiro, "locus" preferencial da seleção dos melhores.
A ideia de que as decisões de política monetária possam ser, em todo ou em parte, terceirizadas para um "board" de experts em um Banco Central Independente, é, na verdade, uma agressão aos princípios da democracia representativa, assim como o é a proposta de um "board" de especialistas para dar a última palavra na política fiscal (tal como se encontra em um dos programas). É esse desejo de submeter a política econômica de uma nação ao controle de "experts" que move ataques tão agressivos e insistentes.
A tese do Banco Central Independente não pode ser apresentada com a leviandade de uma fórmula mágica e salvadora. Precisamos, sim, de um Banco Central republicano; uma instituição de estado com profissionais com capacidade reconhecida, para executar a política monetária, inserida no bojo da política econômica como um todo.
Enfim, parafraseando John C. Williams, presidente do Federal Reserve Bank de São Francisco, a liturgia tão valorizada por aqui é fruto de uma falha em olhar o mundo e da incapacidade de ouvir. Não serão da virulência e da descompostura típicas da pregação do controle particular da política monetária que virão as boas propostas para o desenvolvimento do Brasil.

 

 

Autor: Guilherme Lacerda: Doutor em Economia pela Unicamp, diretor do BNDES e ex-presidente do Funcef, fundo de pensão da Caixa. Com coautoria de Antonio José Alves Jr., doutor em Economia pela UFRJ, assessor do presidente do BNDES e professor da UFRRJ