quinta-feira, 31 de maio de 2012

PORQUE É TÃO DIFICIL CUMPRIR O PROMETIDO

Inicio este nosso diálogo com uma questão, que sempre é discutida em qualquer roda de conversa que você se encontre: porque será que os políticos brasileiros não cumprem as promessas de campanha? Essa é sem dúvida uma pergunta que mereceria uma resposta, até para demonstrar o mínimo de consideração à pessoa humana. 
Da mesma forma que sempre ficamos estarrecidos quando ouvimos discursos inflamados de políticos de oposição ao denunciar daqueles que estão no poder, de utilizar órgãos públicos e programas, principalmente sociais, como forma de aliciamento de votos, como se ele quando se encontra na situação não fizesse o mesmo. 
Apenas para ilustrar o fato, vou narrar o ocorrido em uma Casa Legislativa (omitirei os nomes para não criar algum dissabor), quando o político foi a Tribuna e em um discurso bem elaborado fazia críticas a políticos que estavam utilizando do Programa Minha Casa Minha Vida para fins eleitores, e bradou ameaças que estaria se documentando para denunciar ao Ministério Público, dá os nomes aos bois, que iria criar um disque denúncia e por aí foi. Aí, alguém ao meu lado lembrou o quanto de incoerência estava ouvindo e sendo falado, pois, segundo o eleitor, enquanto o político tecia aquelas críticas, ele mesmo estaria apoiando um pré – candidato que como aqueles que ele estava acusando, estaria se utilizando de um órgão público, do qual foi chefe por algum tempo, com cerca de 600 cargos de livre indicação e todos passíveis de demissão a qualquer hora, pois não são concursados, para ter a sua candidatura alavancada. 
Logo nos veio à mente, tudo isso faz parte da encenação e do jogo político. 
Mas, voltando a pergunta inicial, tal qual aquela denuncia da tribuna, todos sabem que não há interesse do político em cumprir as promessas, pois se assim o fizer, não terá o que prometer nas próximas campanhas. 
Observe que as promessas são sempre as mesmas, quer esteja na oposição ou com o Poder na mão, sempre repetidas exaustivamente, em sua grande maioria as mesmas feitas no passado e ele no Poder ou fora dele, nunca as cumpriu e não será agora que cumprirá. 
E porque não as cumpre? Porque são promessas difíceis de serem realizada já que em sua grande maioria não dependem única e exclusivamente da sua vontade. É como dizia um antigo cacique político, nada é mais trabalhoso do que inventar uma promessa, por isso a sua repetição, fica menos cansativa. 
Vamos entrar em um novo período eleitoral e já antecipo as promessas principais de todos os nossos candidatos: POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE: SAUDE PÚBLICA PARA TODOS; MAIS SEGURANÇA PÚBLICA; GERAÇÃO DE MILHARES DE EMPREGOS; ACABAR COM A MISÉRIA E A FOME; CUIDAR DO DINHEIRO PÚBLICO E NÃO DEIXAR ROUBAR (esta é a primeira promessa que esquecem), entre outras. 
Agora pare e pense, estas promessas para se concretizarem dependem unicamente deles, ou exigirá envolvimento de diversos outros segmentos e da própria sociedade que deveria está organizada? 
Ora, seria bom que nós os eleitores deixássemos de sofrer da conhecida amnésia pós – eleitoral, já que esta doença é típica e faz parte do caráter de nossos políticos e, que as promessas feitas fossem cobradas diuturnamente, e não aceitássemos passivamente que ela só dure o tempo da campanha, permitindo que passada as eleições suma feito fumaça, levando-nos ao esquecimento. 
Poderíamos até querer entender que os “coitadinhos de nossos políticos” fossem tomados de uma amnésia repentina, tendo em vista, a forte pressão porque passam para ser eleitos ou reeleitos, e diante disso, os sintomas da doença se façam aparecer após as eleições. 
Poderíamos até entender que os efeitos da doença lhe acometa após a campanha e siga até a véspera da reeleição, onde eles humildemente nos relembrem as promessas feitas, quando justificam que 04 anos foram poucos para poder cumprir o prometido. 
Mas não dá para entender é porque nenhuma promessa ele pode cumprir. 
Não dá para compreender é porque ao assumir o mandato faz exatamente tudo o contrário do prometido. 
Será que só sobrou tempo para cumprir aquilo que estava fora do seu caderno de promessas? 
Aliás, o mais comum é executar as promessas a pedidos daqueles que nada contribuíram para o sua eleição, muito pelo contrário, tudo fizeram para derrota-lo. 
Como não dá para entender o discurso moralizante feito na Tribuna, criticando os adversários, quando está convivendo com correligionários que estão utilizando as mesmas práticas dos acusados, se locupletando nos cargos assumidos e fazendo dos órgãos públicos a muleta de amparo de suas candidaturas. Ou o pau que dá em Chico não dá em Francisco? 
Aí é que ninguém consegue entender. 
Mas para acabar com este mal que grassa na política nacional, só nós eleitores temos o antídoto para a cura dessa doença: o VOTO. 
Se soubermos prescrever o remédio na dosagem certa, se votarmos com consciência e passarmos a exigir que o paciente de tempos em tempos realize os exames periódicos de praxe, se cobrar regularmente que preste conta dos seus atos e o que tem feito para concretizar as promessas, estará fiscalizando com rigor este nosso paciente, exigindo respeito e que sejamos tratados com a mesma atenção que era dedicada no período eleitoral.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A ESQUERDA ACUADA – CENA Nº 2

A continuidade do modelo neoliberal, desvinculando o Estado de qualquer papel social, sem compromisso com as questões populares, ocasionando a desintegração da sociedade, impondo o seu ideário, desvinculando a dimensão social da cidadania que é o que caracteriza o Estado do bem-estar, se dá mesmo com o PT no Poder. 
O prato que tem sido colocado à mesa do brasileiro, é o da manutenção dos pressupostos básicos que orientam e estruturam as políticas neoliberais, ou seja, a desregulamentação da economia, a livre circulação do capital e que os recursos gerados pela economia sejam repartidos através de regras estabelecidas pelo do próprio mercado,que como é sabido, nunca se mostrou competente ou capaz de repartir de maneira equilibrada, beneficiando igualitariamente a todos. 
É preciso que os formuladores das politicas econômicas petistas entendam, que a economia brasileira é formada de grandes monopólios, oligopólios, cartéis, além de ser dominada pelo capital privado internacional, logo, a desregulamentação da economia traz como consequência, tornar a competição e o mercado ainda mais desigual e mais excludente do que já é, produzindo ainda maiores desequilíbrios econômicos. 
Por mais críticas e falhas que o Estado defendido pelas esquerdas possa apresentar,com certeza ele irá trazer uma melhoria da qualidade de vida e aumento nos níveis de conforto material dos trabalhadores, possibilitando grandes avanços na área social. 
Este enfrentamento a gestão do PT não teve coragem de fazer. 
Três pilares sustentam os argumentos dos neoliberais, de cuja cartilha tão criticada pela esquerda, os governos petistas tem feito a sua bíblia administrativa, que são: a desregulamentação da economia, a privatização e o corte do déficit público. 
Quanto a desregulamentação até pode ser fator gerador de desenvolvimento. Mas nos moldes que aí está, será este modelo de desenvolvimento que a sociedade clama? O desenvolvimento econômico gerado estaria trazendo realmente progresso e benefícios aos diversos setores da sociedade a ponto de ser transformado em vetor de distribuição de renda, contribuindo para reduzir a desigualdade social, ou estamos gerando um desenvolvimento restritivo, desigual, que só tem trazido benefícios para as camadas sociais e que se tem mantida graças e com base na concentração de renda?
Esta são questões que deveriam ser respondidas por aqueles que se dizem esquerdistas, mas que no governo do PT, não passam de executores das ordens emanadas da direita. 
Os programas de privatização têm como meta reduzir a presença do Estado na economia. Faz parte do receituário neoliberal como forma de garantir a expansão do setor privado, mesmo em áreas como o social. 
Ela complementa o pilar de sustentação da desregulamentação da economia. 
Esse processo perverso de substituição da presença do Estado em setores prioritários e estratégicos serve unicamente para o avanço do setor privado, de forma gradual, em áreas que tradicionalmente tinha uma atuação significativa do setor público. 
Áreas de educação, saúde, habitação, telecomunicações, hoje chegamos ao extremo de permitir o controle do capital privado sobre as mesmas, trazendo graves consequências em relação aos direitos sociais, já que os mesmos, direta ou indiretamente, dependem da presença do Estado e de um setor público eficiente e fortalecido. 
Quanto ao corte do déficit público, tem como consequência direta a redução significativa dos investimentos públicos, através da execução de uma política de contenção das despesas. E quando se trata de contenção de despesa, os mais afetados são os gastos com pessoal e as políticas públicas sociais,trazendo significativo prejuízos para as camadas mais pobres, as quais dependem, em grande parte dessas políticas. 
Para os neoliberais esses gastos são geradores de inflação além de responsáveis pelo descontrole das contas públicas, devendo ser eliminados ou reduzidos drasticamente. 
Ao estabelecer uma política de contenção, fica claro quem serão os prejudicados, a população pobre. Importante esclarecer da necessidade de um setor público forte e com investimentos maciços nas áreas sociais, como forma de atender às demandas dos setores mais carentes, garantindo as conquistas preconizadas na Declaração dos Direitos Humanos. 
Além do mais, é sabido por todos, que uma política rígida de contenção dos gastos públicos, traz no seu conteúdo claro ameaça ao conjunto de garantias e direitos trabalhistas, já que em sua maioria são prerrogativas que dependem da intermediação do Estado, principalmente no que se refere à questão da Previdência Social. Com isto, mais uma vez a classe mais pobre e os trabalhadores certamente serão os mais prejudicados, além de afetar diretamente os funcionários públicos, já que todos os benefícios e garantias conquistados dependem do tesouro estatal. 
O que tem caracterizado hoje, não é a luta pela destruição do sistema capitalista, e sim, criar mecanismos para a construção de uma nova sociedade, onde impere a justiça social e que sejam estabelecidas políticas públicas de transformações estruturais abrangentes, de forma que sejam definidas diretrizes para a completa reformulação do atual modelo, oferecendo vias alternativas de modernização e desenvolvimento, sem que esteja apegada ao modelo neoliberal aplicado hoje, e cujos caminhos estejam norteados pelo ideal de construir uma sociedade mais humana e menos desigual. 
Este talvez seja o maior sonho das esquerdas hoje, diante da atual conjuntura, ou seja, construir um país democrático através de um processo de humanização de forma que esta via de modernização se confronte as alternativas propostas pelo neoliberalismo. 
Desta forma, a esquerda brasileira propõe uma reforma transformadora, adotando os ideais de justiça social que se efetivadas, na prática, ocasionará profunda mudanças da visão social. 
Seriam reformas que passariam pela consolidação e redefinição do papel do Estado, através da destinação de investimentos maciços nas áreas sociais, transformando-o e capacitando-o para atender as grandes demandas desta área e que se fazem necessárias, através da ampliação das políticas sociais, aliado a sua participação na economia de forma que tenha o papel de agente regulador. Defende como alternativa ao neoliberalismo, um projeto democrático/popular com ampla dimensão social de modernização, ou seja, consolidar os direitos sociais e o conjunto de benefícios e garantias e direitos trabalhistas já conquistados, ampliar a dimensão coletiva da cidadania e fortalecer o aparato social do Estado, de forma a ratificar o seu papel social, efetivadas através de políticas públicas como meio de reafirmar os avanços e progressos obtidos no que se refere a justiça social, cujas conquistas favorecerá o aumento significativo da qualidade de vida e dos níveis de bem estar material das classes trabalhadoras e das camadas humildes.

sábado, 19 de maio de 2012

EDUCAÇÃO DO CAMPO: quem assumirá esta tarefa?

A educação disponibilizada para os jovens que vivem na zona rural brasileira, não possui uma proposta pedagógica adequada à sua realidade. O currículo não observa as suas necessidades e não tem como referencia as peculiaridades de cada localidade e da região onde está situada, tratando os alunos que vivem na zona rural, como se tivessem os mesmos anseios dos alunos da cidade.
Com isso, não estamos afirmando que a educação do campo deve ter um currículo diferenciado dos alunos das cidades em razão da sua baixa capacidade ou por serem inferiores. Não. O que defendemos é que o currículo para os alunos da zona rural seja elaborado tendo como fundamento o seu ambiente, se fazendo necessário que seja contextualizado com base nas necessidades e a situação vivida por esses alunos, sem que lhes seja colocado sonhos inatingíveis ou só obtidos por aqueles que moram nos grandes centros urbanos.
Logo, ao pensar no currículo escolar, este deve ter como pressuposto o cotidiano daqueles que residem na zona rural, incluindo toda uma dinâmica de relações existentes.
Ou seja, a realidade dos alunos que moram nas fazendas, nos assentamentos, nas comunidades ribeirinhas, etc, cada uma com suas peculariedades e que devem ser levadas em consideração quando se pensar em construir a grade currícular escolar voltada para estes usuários.
Devem ser levadas em consideração que são modos e modelos de vida bem diferentes daqueles vivenciados entre eles e principalmente nas cidades.
Senão vejamos: as dificuldades enfrentadas pelo aluno que vive na roça ou de um aluno ribeirinho para se deslocar até a sua escola é a mesma dos alunos de um assentamento? E se compararmos com os alunos da cidade as dificuldades serão as mesmas? Lógico que são situações diferentes, por isso, a importância que o currículo seja adaptado, adequado e apropriado para cada localidade e para cada tipo de aluno.
Sabem os educadores existir exemplos exitosos de experiências pedagógicas aplicada em diversos países, principalmente na Europa, cujos currículos escolares são baseados na realidade dos alunos que vivem na zona rural, inclusive com a utilização das novas técnicas agrícolas, de forma que valorize os esforços do seu trabalho.
Independente da adaptação curricular, não impede no entanto, que os alunos aprendam conteúdos regulares e iguais aos alunos da zona urbana. Porém, ao seu currículo deve ser acrescido disciplinas específicas para o meio em que vive, como por exemplo, zootecnia e agropecuária, já que este é o seu dia a dia.
Aliado a um currículo adaptado, deve ser observado e também ajustado o seu calendário escolar, permitindo que no período de plantio e de colheita os educandos estejam de férias escolares possibilitando que as crianças participem juntamente com seus pais da colheita. Bem diferente do que ocorre hoje, já que as suas férias segue o mesmo roteiros das crianças das cidades.
Devemos, pois, transformar a escola da zona rural em um ambiente que possibilite as populações ribeirinhas, extrativista, dos movimentos sociais, etc., em uma satisfação de ali está, estimulando alunos e professores a conviver e aplicar os seus ensinamentos devidamente conectados à cultura local.
Se assim procedermos, unindo a novas formas de gestão, com certeza estaremos dando um significativo passo não só para a manutenção do homem no seu meio, mas estaremos caminhando para obter significativo sucesso da escola rural.
Deve entender o Gestor Público, que a ele não é dado o direito de privar as pessoas da zona rural de atender aos seus anseios, simplesmente porque achamos que eles por não residerem nas cidades, não têm acesso à chamada “sociedade moderna” ou as tecnologias ditas avançadas; pelo simples fato de residirem no campo e optarem por não terem a vida igual a das cidades não significa que elas não têm desejos e anseios de realizar seus sonhos, de ver seus filhos cursando uma faculdade, de forma que no futuro tenham uma qualidade de vida melhor e diferente da sua.
Muito pelo contrário, o homem do campo também sonha com seus filhos “doutores”.
O que falta são os nossos dirigentes políticos assumirem compromissos com o seu povo e oferecer uma educação de qualidade para todos, independente onde resida, não deixando principalmente os moradores da zona rural a mercê das chamadas organizações não-governamentais, muitas delas montadas para serem centros de picaretagem.
Não devemos negar o direito dos moradores das fazendas, dos assentamentos, os ribeirinhos, quilombolas, etc., de frequentar a escola.
Não devemos permitir que este direito lhes seja negado pelo simples fato de não querer se submeter aos ditames da lei do mercado.
Não podemos continuar a assistir e ficar calados, o funcionamento de escolas, principalmente na zona rural do norte e nordeste brasileiro em precárias condições e com turmas multisseriadas, em que um único professor ensina para alunos de diferentes séries numa mesma sala.
A educação rural deve ser vista e ter como principal critério a valorização do aluno e do professor, das suas experiências e da realidade social, familiar e econômica de cada educando, e diante desta realidade é que então irá se formar uma classe escolar.
Se estes critérios forem observados, com certeza a instituição escola rural estará se capacitando para oferecer uma educação de qualidade e ao aluno estará dando oportunidade de um verdadeiro aprendizado baseado na parceria, escola/professor/aluno/comunidade tendo a consciência de que o que está sendo transmitido representa o dia a dia e a vida de cada aluno ali presente.
Só assim, a qualidade da educação do campo sairá das estatísticas apenas pela quantidade de programas oferecidos pelos governantes, e se apresentará no quadro da qualidade e da sua adequação e aplicação à realidade dos alunos.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A ESQUERDA ACUADA – CENA Nº 1

A ascensão do PT ao Poder, trouxe não só aos partidos aliados de primeiro momento, aqueles que tinham um histórico de ideologia à esquerda, mas também aos Movimentos Sociais e a população em geral, uma esperança de que mudanças significativas ocorreriam, não só em relação ao método de administrar, mas e principalmente, na política econômica, de forma que a concentração de renda reduzisse significativamente, não pela queda do poder aquisitivo daqueles que se encontram no topo da pirâmide, mas pela ascensão daqueles que se encontram na sua base e pela melhoria das condições de vida daqueles chamados classe média. 
Vivemos em um País onde predomina o modelo econômico que não possibilita maiores alterações da ordem sócia - política, cujas chances de mudanças se apresentam bastante reduzidas para a grande maioria da população, que não vê meios para operar qualquer transformação. 
Assim, o capitalismo é apresentado para a população como a única alternativa, servindo como base e fundamento para qualquer sociedade que pense ou queira progredir economicamente, e só através dele, podem ser efetivados os ideais democráticos e as liberdades civis. 
Diante disso, para a sociedade o termo Capitalismo passa a ser sinônimo de desenvolvimento, progresso, democracia e liberdade, e que para alguns, só ele pode fazer tudo girar de forma eficiente. Porém, o que temos visto é que diante da hegemonia capitalista, estamos enfrentando um mundo cheio de contradições, conflitos e contrastes, em sua grande maioria ocasionada pelos problemas de natureza social, ficando cada dia mais visível a divisão do planeta entre desenvolvidos e subdesenvolvidos, e o Brasil em poucos ricos e muitos pobres. 
Devemos reconhecer os avanços tecnológicos, o progresso científico e a modernização alcançada por grande parte dos países e em especial do Brasil, porém, por outro lado, não temos como esconder e negar a gritante desigualdade social, o crescimento da miséria, da fome, da injustiça e o aumento do fosso do subdesenvolvimento presente na outra parte do mundo, que não obteve os mesmos avanços, cujos problemas são muito maiores do que o sucesso da primeira. 
É desta forma que o mundo capitalista se apresenta, de um lado países que alcançaram o ápice,  do outro o império da miséria, da desigualdade e do subdesenvolvimento. E o preocupante, é que é deste lado onde se concentra a maioria da população. 
Foi dentro desse contexto sócio-político que o PT assumiu o Poder e a partir dessa ascensão a “Esquerda” passou a sonhar nas transformações da ordem social e política, transformações essas que resultassem na instauração de uma nova ordem social e na reformulação da ordem econômica vigente. Mesmo que o grau das mudanças não tivesse a marca do radicalismo que apregoavam. Porém, o que se tem visto, é a manutenção da ordem política social implantada a séculos pela “direita”, sob o comando das elites econômicas, mais preocupadas em conservar a ordem que aí está e não alterar o sistema imposto, amplamente favorável aos seus interesses - econômicos, sociais e políticos -, mantido pelas forças conservadoras, já que eles não veem qualquer vantagem em alterar o modelo, e sim preservá-lo. 
Na queda de braço braço entre a direita e a esquerda do governo petista, o que estamos a assistir é que quem tem levado vantagem são as forças políticas mais conservadoras e retrógradas vigente, derrotando aqueles que se contrapõem e propõem lutar por mudanças do sistema capitalista, não só contestando-o, mas reformulando-o e indo mais fundo, ou seja, superando-o e instituindo um novo sistema ou modelo econômico. 
Com o PT no Poder, o que não só a esquerda esperava, mas também aqueles que nele depositaram suas esperanças acreditavam, que seriam criados caminhos alternativos para a construção de uma nova sociedade e que novas ideias seriam apresentadas para a superação do capitalismo, e o surgimento de uma nova ordem de justiça social a ser implantada no País. 
Esperava-se que, com a sua ascensão, seria cumprido o que reza o seu Estatuto e o que seus líderes  apregoavam e, que o neoliberalismo, sistema econômico responsável pelas crises sociais, políticas e econômicas, fomentador da exploração do trabalhador e alimentador das injustiças sociais, da pobreza, da fome e da miséria, estaria com seus dias contados, transformando a sua gestão no grande divisor de águas, encerrando ciclo de uma doutrina econômica que privilegia o mercado em detrimento do social, acenando para um futuro e um caminho de desenvolvimento e modernização econômica com justiça social e redução significativa das desigualdades. 
Não é necessário que comungue dos ideais da esquerda, para que se compreenda que o neoliberalismo é o pensamento, o figurino e a bandeira que a direita e os segmentos mais conservadores desfraldam, cujos segmentos compõem uma parcela minoritária, mas que é composta da elite econômica e política da sociedade brasileira e com esta bandeira tentam, cada vez mais maximizar seus interesses econômicos, pouco se importando se com isso acarretam ainda mais o aumento das desigualdades sociais no país. 
Não entendeu os ideólogos petistas que o neoliberalismo é um modelo econômico de modernização e de desenvolvimento que tem como característica a hegemonia e o predomínio do mercado e que em seus fundamentos desconsideram o termo justiça social. Que é um modelo exclusivista e discriminatório e que as vantagens a serem obtidas serão exclusivas de parcelas da sociedade, principalmente dos segmentos ligados ao capital privado, financeiro e monopolista. 
Como se vê, é um modelo que para se concretizar o faz à custa do aumento das desigualdades sociais e que se contrapõe frontalmente a qualquer proposta de inclusão social. 
Além do mais, traz em sua concepção a constante ameaça da supressão dos direitos sociais e as conquistas coletivas duramente obtidas e efetivadas e a eliminação dos avanços e os progressos em termos de justiça social. 
É um sistema político e econômico que impossibilita qualquer tentativa de implementação de reformas sociais, visando o bem estar das camadas mais pobres da sociedade. 
Com a visão clara dessa situação, os ideólogos da esquerda brasileira têm lutado e demonstrado com clareza por que se opõem ao modelo neoliberal, expressando para a sociedade o seu caráter antipopular e antissocial, além de vários outros motivos, que somados traziam a esperança de que, ao assumir o Poder, o PT apresentaria alternativas à crise verificada no chamado Estado do bem-estar social, com uma consistente intervenção na economia visando obter um crescimento prolongado, através de grandes investimentos estatais, pela concessão de créditos e subvenções fiscais estimulando o desenvolvimento e, pela execução de políticas sociais reparadoras. 
Sonhou a esquerda brasileira com um Estado que em suas ações minimizasse as desigualdades sociais, consolidando um conjunto de direitos sociais que amenizasse as graves sequelas sociais provocadas pelo neoliberalismo. 
Porém, o que se pode concluir, é que tudo não passou de um sonho que logo se transformou em pesadelo, já que o progresso propiciado em termos de justiça social tem deixado falhas e lacunas, movidas por uma política voltada apenas por atos e ações compensatórias, sem procurar atingir o centro nervoso do problema, perpetuando a situação. 
Diante da continuidade do modelo recebido, a esquerda está acuada e sem argumentos para se contrapor àqueles que insistem em defender a ideologia neoliberal como modelo ideal para a solução dos problemas, já que estes não entendem ser o capitalismo o mal maior e gerador de todos os problemas enfrentados pela sociedade.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O NORDESTE MUDOU.

Mais uma vez a população nordestina localizada no semiárido enfrenta uma das suas piores secas, e novamente os governos estaduais e federais se mostraram omissos e nada fizeram para evitar e com certeza nada irão fazer para prevenir que no futuro volte a ocorrer. Enquanto o nordeste levou cerca de 12 meses para ser visto e atendido no seu sofrimento, no sul maravilha quando o fato ocorre, a situação é minorada em apenas dois meses. São dois pesos e duas medidas, ou então as lideranças de lá são mais competentes do que as nordestinas. 
Mais uma vez a população baiana localizada no polígono da seca foi enganada pela propaganda oficial que invadia os lares da região afirmando que o Programa Agua Para Todos teria resolvido o problema. Enquanto o governo do Estado gastava rios de dinheiro para mentir, a seca rapidamente se instalava. A situação foi tão vexatória, que tiraram a Propaganda do ar, na tentativa de fazer as pessoas esquecerem. Substituíram por outras mentiras. 
Agora criaram o Programa Água para o Sertão. Dá vontade de rir, porque para chorar as lágrimas já secaram. 
Porém, mesmo enfrentando um longo período de estiagem, parece que já se foi o tempo em que acordávamos ouvindo notícias que nada dignificava o homem nordestino, resultado de ações de grupos de pessoas famintas ocasionada pela seca, que lhes tirava a esperança, incentivando saques ou outras ações correlatas. Lembram-se? 
Será que o tempo mudou ou mudou o nosso sertanejo? 
Na verdade, o que será que vem ocorrendo no semiárido nordestino, onde o cenário de caos que normalmente se abate em um longo período de estiagem, aliado a uma serie enorme de problemas e tragédias que faziam parte do cenário do campo no Nordeste, durante os períodos de seca, a qual ocorre anualmente, deixamos de ouvir? 
O que mudou realmente? Mudou o clima, que pelo que sabemos este continua até pior, ou o sertanejo aprendeu a viver e conviver com esta realidade, já que nada espera dos governantes? 
Bom, em relação ao clima como se sabe não mudou, alíás mudou para pior, em razão da desertificação, cujo processo só tem aumentado principalmente se considerarmos que nossos governantes tem se omitido, já que não tem procurado tomar medidas eficazes e sérias para evitar, pois todos sabem que este processo de desertificação é controlável, desde que ações sejam tomadas, através de políticas públicas adequadas e voltadas para o seu combate. 
O semiárido a cada ano está ficando mais quente, logicamente que com a elevação da temperatura, o calor acelera a evaporação das suas poucas águas, com isto, o resultado deveria ser bem pior do que antigamente. 
Observe ainda que as chuvas que tem ocorrido, elas estão cada vez mais concentradas, caindo de forma diluviana e sempre nas mesmas áreas, trazendo, no seu bojo, também, grandes prejuízos. 
O mais triste é ainda ter que ouvir técnicos ou representantes governamentais a cada seca ou catástrofe, utilizar os mesmos argumentos. Entra e sai ano a desculpa é a mesma “esse ano choveu menos que no ano passado ou comparar com algum período seco”. Já observaram? 
Mas ninguém ouve destes mesmos, qualquer tipo de sugestão voltadas para a solução do problema e que a médio e longo prazo não volte a se repetir. 
Vou mais longe e pergunto: que medidas práticas os nossos governantes tem tomado para enfrentar e resolver a situação? Eu falo em medidas práticas e eficazes, não propagandas e programas mentirosos, que nunca saem do papel e só existe com o único objetivo captar recursos, mas seus resultados não chegam a quem interessa: o sertanejo que mora no semiárido. 
Esta tem sido a pura realidade. 
Respondendo a pergunta sobre o que está ocorrendo, podemos concluir que as mudanças observadas são frutos da conscientização da sociedade, principalmente do homem do campo, que diante da omissão do Poder Público, passou a desenvolver ações e adaptar tecnologias que permitam conviver harmoniosamente com o problema. 
Ao adaptar cisternas para captar água de chuva para beber, já lhes deu uma sobrevida para produzir; ao respeitarem ao meio ambiente, tem procurado minimizar os efeitos da desertificação; ao procurarem utilizar animais e plantação de forrageiras mais adaptados ao clima do semiárido, estão conseguindo criar alternativas de adaptabilidade; ao introduzir a criação de abelhas, por exemplo, estão buscando outros meios de produção e renda; ao buscarem cultivares de colheita precoce e resistente a seca, estão criando alternativas de permanência no meio rural; entre outras. 
Portanto são técnicas utilizadas que levaram o sertanejo a uma melhor convivência e até aceitar a seca como mais um componente do seu dia a dia. 
Outro fator fundamental tem sido a conquista da terra, que apesar de ainda não estarmos no ponto ideal, mas pelo menos passou a lhes dá a segurança mínima, aliado ao incentivo ao desenvolvimento da agricultura familiar, tem contribuído para que o homem do campo fosse se adaptando. 
Devemos reconhecer ainda que algumas políticas sociais implantadas pelo governo federal têm dado sua contribuição. Políticas como o estabelecimento do salário mínimo aos aposentados conquista esta alcançada fruto da luta social; Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, até mesmo o Bolsa Família, tem sido fundamental para que o homem do campo fique firme e insista em permanecer na zona rural apesar das dificuldades climáticas. O acesso a energia elétrica e a novas tecnologias, como o celular e a internet, por exemplo, tem sido políticas que tem dado significativa contribuição. 
Porém, devemos reconhecer que outras políticas públicas deverão ser acopladas, para que definitivamente possamos deixar para o passado, a fome, a sede e a miséria, mesmo que as mudanças climáticas continuem a piorar. 
Deve os organismos públicos procurar pesquisar e disseminar tecnologias simples e eficazes de convivência com a seca, amplamente aplicada em outros países e que são perfeitamente adaptáveis ao semiárido. Criar um programa de captação das águas através de barragens e açudes, visando atender as necessidades da região, e não de alguns produtores, como ocorreu no passado. Estabelecer metas para perfuração de poços artesianos para ser utilizados em projetos de pequenas irrigações são soluções simples e perfeitamente possível, falta apenas vontade política. Realizar uma reforma agrária séria, eficiente e adequada à região, oferecendo não apenas a terra, mas a assistência técnica, financiamento da produção garantia da sua comercialização, seriam medidas que complementariam. Assim, se queremos ser um país desenvolvido, não podemos abandonar o produtor do semiárido a sua própria sorte. 
O que podemos avaliar é que de tudo que foi feito no passado nada contribuiu para mudar ou melhorar a situação do nordestino. 
O que ocasionou mudanças foram situações e políticas simples que o fizeram se adaptar e aprender a conviver com a situação, se assim não o fosse, estaríamos assistindo como em todos os anos, levas de pessoas famintas saqueando cargas de caminhões e invadindo armazéns e supermercados nas cidades nordestinas, haja vista que, os problemas com o clima continuam, aliás, está piorando.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

GOVERNO BAIANO ACABOU, ANTES DE COMEÇAR

Se alguém ousar perguntar aos políticos, independente da ideologia a que pertença, qual a sua prioridade ao chegar ao Poder, logo obterá como resposta a defesa intransigente da educação, quase sempre citada como prioridade número um e a qual receberia especial atenção. Junto com a educação vem a saúde pública, a segurança e a valorização dos servidores, entre outras. Isto aparentemente seriam uma unanimidade e uma unidade de pensamento. 
No entanto, ao assumir o Poder, seus atos, ações e a gestão governamental empreendida, veremos que não passou de retórica em relação às prioridades apresentadas. Acrescido aos problemas dos diversos setores da administração pública, tanto no âmbito da manutenção e reforma das unidades existentes, como na construção de novas unidades e nos serviços prestado, e a valorização das carreiras dos trabalhadores do serviço público, logo irá se perceber exatamente o contrário. Tudo que foi prometido deixa de ser prioridade, a não ser gestar ações que visam cooptar o maior número possível de políticos, de forma que lhes dê sustentabilidade e garantia da manutenção do Poder pelo Poder. 
Desde a campanha para o primeiro mandato, que o atual governador da Bahia já fazia promessas megalomaníacas e irrealizáveis e, para que essa farsa não fique mais visível ele tem utilizado da propaganda institucional para acobertar os fatos e os números da sua fracassada administração. Apropria-se das obras do governo federal como sendo sua, enquanto aquelas que lhes caberia executar não passa de completo fracasso, como exemplo, o Programa Agua Para Todos, que invadia os lares baianos propagando como solução para os problemas da seca, e o resultado está aí a olho visto, a seca flagelando todo o semiárido baiano, disseminando a miséria em uma região onde habitam cerca de seis milhões de baianos, boa parte deles abaixo da linha de pobreza absoluta. Ninguém sabe ou conhece uma obra ou prestação de serviço executado pela atual administração estadual, de qualidade. É um governo que fracassou desde o seu início. Que pecou na escolha de assessores e que não teve a coragem nem a ousadia para efetuar as mudanças que se faziam necessárias. Muito pelo contrário não passa de um continuísmo piorado do negro período do carlismo. 
Quando candidato a governador pelo PT se apresentou para sociedade, nas duas campanhas eleitorais, conclamando os baianos com o seu Programa de Governo, prometendo dar a volta por cima e transformar o Estado em um canteiro de obras, tendo como aliado o Governo Federal, acenando para a sociedade com mudanças significativas no modelo de governar e prometendo melhores dias para os seus servidores. 
Não iremos aqui discutir o tal Programa de Governo, pois este foi literalmente jogado no lixo após a sua vitória, cujas promessas foram esquecidas nesses quase seis anos de governo. Aliás, o que se tem visto são atitudes tomadas pelo governador que tem ido de encontro ao que fora prometido. O servidor público que nele acreditou e apostou as suas fichas, hoje está arrependido e jamais esperava ser tão maltratado como o é no atual governo. Nada foi honrado. 
As manifestações são imediatamente reprimidas e consideradas ilegais. É um governo que está indo na contramão da história do surgimento do seu partido e ao ir à contramão, está asfaltando caminho para o retorno da direita, de cujo governo os seus dirigentes jamais largou o osso. 
Tem sido um governo, com graves deficiências nas áreas de saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, agricultura, no combate a seca, administração de pessoal e das finanças públicas, entre outras. Tem sido uma administração claudicante, omissa, confusa e marcada pela lentidão das ações e dos rumos. É um governo que apenas promete e pouco ou quase nada cumpre, e com isso, está levando para o fundo do poço o seu governo e consigo o seu partido no Estado. 
Como atravessamos um período em que a ética é a última palavra conjugada pela classe política, diante do enorme fosso que os separam, o que vemos é o exercício do mandato na busca da autopromoção, deturpando as reais funções do homem publico, procurando manipular a sociedade utilizando-se da mentira como forma de esconder a sua incompetência. 
Assim, após a ascensão, os agrupamentos políticos que fizeram parte da sua coligação, adotaram medidas pragmáticas em relação a administração e ao orçamento público, tendo como elemento norteador apenas e unicamente a Lei de Responsabilidade Fiscal, que todos sabem ser um instrumento de limitação de gestores irresponsáveis. Com isto, não se criou alternativas ou iniciativas para operar mudanças e melhorar a arrecadação, como resultado, a queda da receita e o empobrecimento do Estado. 
Diante dos compromissos não honrados,as greves se sequenciam em um processo assustador gerando desconforto para o público em geral. 
Hoje estamos a assistir um total desrespeito as Constituições Federal e Estadual em relação ao acesso ao serviço público, gerando consequentemente, uma profunda transformação das condições de trabalho, precarizando-o, onde os trabalhadores deixaram de ter acesso através do concurso público, passando a condição de servidores públicos de segunda categoria, contratados através de “seleções simplificada” sob uma nova condição - PST, REDA, Contrato temporário, etc -, cujos efeitos tem repercutido negativamente na qualidade dos serviços públicos oferecidos a sociedade. 
Foi se contrapondo a esta política pública implantada pelos governos do passado, que o PT se apresentou como alternativa e que ganhou força junto a população passando a ser um caminho real e instrumento de defesa dos interesses da sociedade. 
Foi através de suas bandeiras políticas e dos seus propósitos originais que o povo colocou o PT na administração de dezenas de municípios e do Estado da Bahia, acreditando que assim começaria a construção de um sonho, e foi com esse propósito que a Bahia optou pelo PT, já que suas bandeiras programáticas e políticas traziam de forma direta um diálogo e uma proximidade com os sonhos, esperanças e expectativas da maioria da população. Infelizmente após a sua ascensão tudo virou pesadelo. 
Para alcançar os seus objetivos, diversas forças e movimentos se associaram ao PT, contribuindo para a vitória histórica. Diversos Movimentos Sindicais e Sociais e os servidores públicos foram os maiores aliados e os primeiros a se unirem.Também foram os primeiros a serem pisoteados. 
Hoje, aquele PT que outrora se posicionava contra qualquer tentativa de criminalizar os movimentos sociais, inclusive dos servidores públicos, se transformou em um partido omisso, quando não opressor, mesmo tendo a consciência que os movimentos são legítimos no que se refere a defesa dos interesses coletivos. 
Infelizmente, na prática temos hoje um Estado que não dialoga com as diversas representações, inclusive a dos servidores públicos baianos, que não cumpre os acordos assinados. Seria este o “jeito petista de governar”; cujos pilares estão sedimentados no modelo carlista e fez deste modelo o continuísmo? 
Diante do modelo implantado, o Governo da Bahia acabou antes mesmo de a sociedade sentir que começou. Já nasceu velho. 
Porém, como ainda há tempo, acreditamos que ainda pode ser construído um novo modelo democrático de governo na Bahia, e para que para isto possa ocorrer se faz necessário uma virada na gestão da coisa pública baiana. Ée necessário que seja revisto o tratamento dispensado aos servidores públicos, cumprindo tudo que foi prometido e acordado, para que sonho não morra definitivamente para esta categoria, e caberá aos gestores do atual governo realizar ações para que se mantenha acesa a chama da esperança na transformação. 
É fundamental que a coerência seja resgatada para que o sonho de construção de uma nova Bahia possa vingar. 

O ALERTA ESTÁ DADO.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

INVEJA, UM SENTIMENTO QUE NÃO ORGULHA

A inveja é um dos sentimentos mais torpes utilizado pelo homem e difícil de ser extirpado por quem têm nesta arma o meio para se dá bem e prejudicar o outro. Tem origem no apego pelos bens materiais, transformando-o em ato de cobiça a fim de alcançar seus objetivos a qualquer custo, sem respeitar ninguém.
A partir desse objetivo, a inveja se sobressai, e como urubu na carniça, transforma os pensamentos e o caráter daquele que traz este sentimento dentre de si. A cobiça passa ser a sua meta e o objetivo a ser alcançado.
O invejoso, tal qual um cão de guarda, está sempre alerta, pronto para atacar. Basta alguém se destacar em qualquer área de atuação, que um invejoso estará sempre por perto, tentando minimizar o seu feito através de críticas e ações destrutivas, sempre traiçoeiras, procurando diminuí-lo e menosprezá-lo.
Nada há de errado a pessoa trabalhar honestamente para ao final alcançar o conforto e às condições materiais que lhes propicie a oportunidade para que possa se aprimorar em busca de melhorar a sua eficiência na atividade exercida, desde que estes objetivos alcançados não causem prejuízo ao próximo.
Nada é mais gratificante o indivíduo traçar objetivos claros e ir à luta em busca do bem-estar ou de mais conforto para sua vida. Em contrapartida, nada é mais vergonhoso ao ser humano, obter através da inveja e da traição algo que não fez juz em prejuízo do próximo.
É triste ver objetivos alcançados ou obtidos movido por ações e atos mesquinhos e destrutivos, através de uma formulação mental elaborada de forma doentia, onde o invejoso se considera mais digno do que aquele que alcançou os seus objetivos de forma honesta e ética. Mais triste ainda é observar que para alcançar o que planejou, destruiu relações de amizade e respeito entre pessoas. Aquele que tem a INVEJA como prática traz sempre dois outros grandes sentimentos, imorais e de falta de ética: a VAIDADE e o ORGULHO. Juntos, formam um trio que transforma o homem em ser mesquinho, de cujos atos e ações aqueles que os conhecem passam a não dá a mínima credibilidade. Em razão desses sentimentos mesquinhos, é comum vermos no ambiente de trabalho a formação de grupos e subgrupos - as chamadas “panelinhas”-, organizadas por aqueles que nada de útil praticaram, exceto puxar o saco dos superiores. São grupelhos que vivem a promover fofocas e semeiam mentiras. Aproveitam da ausência prara criticar as pessoas, malhando-as, desmerecendo o trabalho realizado, promovendo intrigas, tudo por causa da inveja que traz dentro de si.
Como normalmente é incompetente, o invejoso se utiliza de todas as armas que dispõe a fim de prejudicar aqueles que ocuparam o espaço que ele considerava como sua propriedade. Assim, passa a boicotar e através de fofocas, mentiras e com atitudes de servilismo estrategicamente montado, busca desmerecer o trabalho dos demais realizados honestamente, procurando enaltecer as “atividades” por elas realizadas, de forma a ludibriar aquele que considera seu superior. Este é o princípio que norteia o Invejoso e esta é uma das facetas que o conduz ao extermínio, ao transtorno mental e a destruição de si mesmo.
Um dos locais mais propícios à propagação da inveja e dos invejosos é no ambiente de trabalho, onde as pessoas estão mais expostas e mais vulneráveis.
 Lá que deveria ser o ambiente propício para que os mais competentes fossem reconhecidos e valorizados pela sua atuação, muitas vezes ocorre o inverso, onde as pessoas são abatidas fruto da inveja.
É neste ambiente onde o invejoso encontra o local propício para disseminar o seu veneno incitando a injustiça. Principalmente se ele sente que o seu superior é afeito e gosta deste tipo de atitude, valorizando as pessoas que fazem desta pratica o seu modo de viver.
Não devemos nos enganar. Sempre irá existir em qualquer ambiente colegas invejosos.
Porém, a inveja por ser um sentimento medíocre e nojento, se torna difícil das pessoas “digeri-lo”, principalmente quando alimentado pela desigualdade e falsidade.
O pior é saber que este ser humano abjeto semeia este sentimento com tanto fervor, que não percebe o tamanho da destruição que está causando em sua vida. Quando acordar já será tarde, não mais será aceito.
Não sabe o invejoso que este é um sentimento tão perverso, que obscurece a sua própria vida, impedindo-o de se desenvolver ou crescer não só profissionalmente, mas como gente, como ser humano. Ele, em função de viver mais preocupado com o próximo, em criar maledicências, esquece-se da sua vida. Passa a viver como um verme. As vantagens obtidas serão transitórias e pouco confiáveis.
É triste perceber que ainda existem pessoas que transformam a sua vida num celeiro de preocupação com a vida do próximo, apenas de olho no sucesso do outro. Funcionam como verdadeiros “cães de guardas”, da vida alheia.
Não sabem aqueles que cultivam dentro de si a inveja, cujo sentimento anda lado a lado e de braços dados com a traição, que enquanto eles estão a se preocupar com o outro, a sua própria vida por falta de capacidade e competência tende a ficar estagnada, cujo caminho e destino em médio prazo serão transformados em um caos, pois assim está sendo conduzida.
O que é lamentável em tudo isto, é que há quem a alimente e que normalmente convivemos com este tipo de pessoa. Estão sempre bem perto de nós e, por não comungarmos deste mesmo sentimento, muitas vezes não o percebemos e, quando descobertos ou quando a máscara cai, o mal já está consumado, até porque, se apresentam de forma humilde, buscando adquirir a confiança, chegando a comungar da nossa vida e participar das nossas confidencias, partilhando de tudo. De repente, vem à decepção.
E o que dói é saber que o invejoso não luta para melhorar, desenvolver ou crescer a si próprio, mas a ele o que importa é está em permanente “plantão” preocupado com o que o outro tem ou possui, visando construir caminhos que o leve a destruição, motivado por um sentimento que tudo deseja mesmo aquilo que não tem.
Mas uma coisa o INVEJOSO jamais irá conseguir obter, que é o conhecimento técnico e intelectual. Este é um patrimônio que ele por mais e maiores intrigas que trame, jamais obterá, já que dentro do seu egoísmo, ele faz da sua vida um aprendizado de angústias, deixando de viver e ou de se preparar para que possa conviver em sociedade.
O invejoso é um ser intragável, onde ninguém o suporta mesmo em seu meio de convivência, uma vez que ele não consegue transmitir confiança e ou conspirar o bem para o outro. É um indivíduo que não sabe compartilhar e nem se alegrar com os demais.
Por fim, o invejoso, essa triste figura digna de pena, não passa de um medíocre, transformando a sua vida em atos e sentimentos estéreis, como se fosse um ator e o mundo o seu palco, cuja peça representada é vazia de conteúdo, sem qualquer brilho, e como ser humano tende a ficar estagnado, correndo o risco de não se desenvolver vindo no futuro a morrer bebendo do próprio veneno.

terça-feira, 24 de abril de 2012

PORQUE NOSSOS PARLAMENTARES SE APEQUENAM TANTO


Nestes anos de convívio com a classe política, seja vereador, ex-vereador, deputados e ex-deputados, cheguei à conclusão que os mesmos, com raríssimas exceções, conseguem entender a importância e a relevância de exercer um mandato de PARLAMENTAR, seja como vereador no município de Feira de Santana ou como deputado de um Estado da importância como a Bahia. São parlamentares que se encantam com o canto da vitória obtida, porém, não conseguem dignificar o mandato recebido, por não compreenderem a importância do cargo popular conquistado.
Não conseguem entender que o voto recebido tem o mesmo valor e significado do voto dado ao executivo e, diante desta incompreensão se APEQUENAM, rastejam, não conseguem dar dignidade no parlamento à honraria obtida.
Apequenam-se quando aliados, por não terem coragem de exercer o mandato conforme estabelece a Constituição, que estabelece ser o parlamentar “fiscal” do executivo. Abrem mão das suas prerrogativas para se venderem em troca de cargos para familiares, parentes e cabos eleitorais. Apequena-se quanto minoria, porque escondidos por trás da cortina de oposição, tal quais os aliados, não exercem de forma eficiente, eficaz e com competência a fiscalização do executivo, se apegando em detalhes irrelevantes ou  em coisas menores e mesquinhas.
Apequena-se, quando utilizam o fato de ser e possuir a maioria no parlamento e como forma de subserviência ao executivo pelos cargos ocupados, impedem que a minoria e ou oposição exerçam o papel fiscalizador, como determina a Constituição Federal, Estadual e a Lei Orgânica Municipal, utilizando do rolo compressor de forma a impedir o trâmite de matérias neste sentido, ou que por algum motivo não seja de interesse do “chefe”, como muito deles denomina o gestor municipal, independente da sua importância para a sociedade. Apequena-se, quando com a eterna desculpa de ser minoria, não demonstram capacidade, competência a prerrogativa concedida pelo mandato popular, e não trazem para pauta do legislativo, temas importantes e fundamentais para a sociedade.
Apequenam-se todos quando não tem coragem de optar entre o executivo e as necessidades da população e de ficar do lado deste último.
Apenas para comprovar o que afirmamos, cito um exemplo, entre milhares que poderiam ser relacionados: a Bahia e o município de Feira de Santana atravessam um período de seca, um dos maiores nas últimas décadas. Apesar de ser um problema que atinge milhares de pessoas a nível municipal e milhões a nível estadual, você abre os jornais e não vê nada discutido e colocado como preocupação prioritária por nossos políticos, apesar de ser um tema de tão significativa importância. Exceto uma discussão vazia aqui outra ali, que não chega a despertar o interesse da imprensa.
Ninguém vê a constituição de grupos de trabalhos, críticas a propaganda enganosa realizada pelo executivo ou a criação de fatos políticos, com o objetivo de buscar soluções. De um lado os aliados, que não tem interesse porque se apegam a ação que pretensamente vem tomando e que ninguém vê o resultado. Vide o tal Programa baiano de Água Para Todos, que passou 04 anos enchendo as casas dos baianos através de propaganda institucional, apresentado como um programa modelo, que inclusive estaria sendo copiado por outras unidades da federação, cuja eficiência não suportou o primeiro período de seca. De tão mentirosa e enganosa, que o executivo rapidamente tirou-a do ar, por outro lado a oposição se cala, porque sabe que já esteve lá e como o atual, também nada fez.
Ninguém viu ou vê qualquer debate ou crítica, em relação aos gastos exorbitantes realizados pelo município para financiar uma micareta, quando a seca está a assolar a região, onde se assiste hospitais públicos e postos de saúde sem medicamentos e equipamentos básicos, as crianças até a presente data sem a merenda escolar. Todos se calam, tanto da situação como oposição, estão preocupados é com a reeleição. Que o povo e o homem do campo se explodam.
Não se observa na Câmara Municipal, qualquer discussão sobre temas de interesse da sociedade e de enfrentamento ao executivo, parecendo que os problemas não existem. Não se vê a geração de fatos políticos, que tratem de assuntos de interesse da comunidade, como no caso da seca, se transformando em pauta a ser tratada diariamente até que seja apresentada uma solução.
Aqueles que compõem a situação não têm moral e nem competência para trazer temas polêmicos à baila, porque o tempo disponível é usado para bajular o chefe do executivo, e a oposição da mesma forma, porque já estiveram no poder e nada fizeram. Ninguém tem coragem e interesse de expor as feridas do seu chefe maior.
São políticos comprometidos com os desmandos e a falta de responsabilidade na gestão pública. Uns porque já estiveram no Poder e nada fizeram, e os outros que hoje se encontram com o Poder, continuam sem nada fazer, acreditando nos discursos, nas promessas e na propaganda institucional. E o povo, este até a próxima eleição quando novas promessas serão apresentadas.
A situação porque passa o parlamento nos dias atuais são exemplares, e demonstra o grau de desprestígio e de desvalorização que têm enfrentado a classe política, por culpa única e exclusiva daqueles que foram eleitos para ser representantes do povo nas Casas Legislativas, por não conseguirem entender a importância do mandato obtido e se apequenam.
Diante desta falta de entendimento quanto a sua importância como autoridade constituída, estabelece situações inusitadas que apenas servem para desprestigiar o mandato que exercem. Não se assumem como verdadeiros fiscais das ações do executivo, conforme determina a Constituição e a Lei Orgânica Municipal. Evitam tomar posições que possam ferir ou magoar o executivo, não se antecipam aos problemas e nem criam grupos de trabalhos para enfrentar qualquer situação, se primeiro não receber o aval do paço municipal ou estadual. É uma situação ridícula e em função desta subserviência, se apequenam.
Não vemos temas relevantes, do ponto de vista do interesse da sociedade ser tratados ou pautados, com raríssimas exceções. Ficam mais discutindo picuinhas e problemas secundários, passando a impressão que nada de errado tem acontecido em sua cidade ou no Estado. Em lugar de tratarem de temas relevantes, de cuidarem da boa e correta aplicação dos parcos recursos públicos, de forma a criar uma situação de constrangimento visando dar um freio e acabar com o  sorvedouro do dinheiro público, o que fazem é discutirem assuntos periféricos afim de desviar a atenção dos reais problemas existentes e que não são poucos.  
Sente-se que estão mais preocupados em blindar o seu “chefe”, e não estão nem aí para o contribuinte.
São comportamentos que ninguém entende: quando há um movimento reivindicatório dos servidores do Poder em que é oposição, defende, discursa, vão às assembléias, ajudam material e financeiramente, etc. Quando a mesma situação ocorre com o aliado, se omite, não defende, cala e às vezes até tece críticas, demonstrando incoerência e falta de respeito como os movimentos e com o eleitor.
E uma pergunta vem à mente: quando será que os nossos parlamentares irão entender a sua real função e que a tripartição do Poder não significa que apenas o Executivo seja o seu dono e tutor e sim que deve ser exercido em perfeita harmonia entre o Estado e o Município que legislam, administram e julgam, através do Legislativo, Executivo e Judiciário?
Será que um dia eles irão entender e terão coragem de se impor diante do Poder Executivo, a partir da premissa que os Poderes são independentes e harmônicos entre si, conforme estabelece a Constituição Federal, Estadual e a Lei Orgânica Municipal, impondo aos Três Poderes uma efetiva divisão de responsabilidade pelo exercício de função típica do Estado?
Apesar de a nossa Constituição estabelecer a independência e harmonia entre os três poderes, o que a realidade nos tem mostrado é o domínio e o império do Executivo sobre o Legislativo, movido pelo apequenamento dos parlamentares, que abrem mão das suas prerrogativas (uns por incompetência, outros por ignorância e por não estarem preparados para o cargo), aliado a outros fatores, alguns já relatados acima, tem permitido o avanço sobre as suas prerrogativas prejudicando o fundamento maior da prática democrática.
Quando se tem um Executivo dominador e forte em excesso e um Legislativo que se agacha e se apequena, assiste-se a usurpação das funções de um Poder sobre o outro, que por certo irá repercutir no Judiciário, porque este depende do Executivo para montar  estrutura adequada à prestação dos serviços jurisdicionais.
Diante da situação que hoje a sociedade está a assistir, a relação entre o povo e os governantes, principalmente com os parlamentares tem sido sempre conflituosa e tumultuada, já que os parlamentares ao se apequenarem, permitem que aos cidadãos seja dispensado tratamento de subordinados, violando desta forma os seus direitos.
Estudiosos afirmam que todas Nações tem passado por altos e baixos em relação à credibilidade e em matéria de ética e valores morais. Existem períodos de maior ou menor otimismo e de credibilidade no que concernem as suas instituições e, em especial nas lideranças políticas. Hoje em nosso País, principalmente na Bahia e em especial em Feira de Santana, estamos passando por uma fase de descrença generalizada da classe política, por culpa única e exclusiva deles próprios, que a cada dia tem se apequenado, na sua relação principalmente com o Executivo, se desgastando ante a opinião pública, como evidenciam as opiniões que se colhem, diante das práticas adotadas como Parlamentares.
Na falta de homens que busquem se valorizar e honrar o voto recebido, o que se assiste em nossas Casas Legislativas, são discursos populistas, buscando dá efeitos especiais em temas supérfluos, sem atingirem o cerne dos problemas. A sua grande maioria ocupam a tribuna e bradam demagogicamente: "Esta Casa e este parlamentar que aqui está, está unicamente a serviço e faz o que o povo quer!", quando seria mais correto e sincero se afirmassem: "Esta Casa e nós parlamentares temos feito, sim, o que o governo quer, para isso sempre nos rebaixamos”. Pois é assim, que tratam o mandato recebido do povo, pois o que eles mais temem é a caneta do Executivo.
Desta forma, o nosso Parlamento se apequena, em sua maioria, não por imposição do Executivo, mas porque os seus membros se deixa apequenar, porque não se respeitam. Afinal, a ninguém é permitido agir em desacordo com a ética, se assim o fazem, é porque são pequenos por fora e por dentro.
Diante disso, a maioria dos cidadãos já não se sente representada no Parlamento, chegando ao extremo de dias após a eleição nem se lembrarem em quem votaram, ou desconhecerem qualquer ação ou atividade executada por aquele que dirigiu seu voto. Esta é a realidade. Os eleitos conhecedores deste fato se sentem livres para prometer muito, nunca dar satisfação aos eleitores e, nas eleições seguintes, procurar votos onde lhes for mais conveniente.
Esta infelizmente é a nossa realidade, pois ninguém cobra de ninguém, quanto mais coerência de nossos parlamentares, que a cada dia que passa se apequenam mais ainda.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

RELATO DA EXPERIÊNCIA VIVIDA COMO ASSESSOR PARLAMENTAR


Neste comentário relatarei a experiência vivida como assessor parlamentar em Feira de Santana, cuja função assumida a convite de um vereador e relacionamento pessoal  a partir dia em que fui contatado. Antes só o conhecia de nome.
Não é nosso objetivo relatar ou detalhar fatos que mostram como a arte de fazer política hoje em dia é literalmente jogada no lixo, através do jogo sujo dos conchavos e acordos suspeitos e mal intencionados. Não temos como objetivo citar nomes dos que fazem do trampolim político a arte da falcatrua e dos cargos públicos o elevador para obter status social e ou financeiro, fazendo todas as artimanhas para desviar os minguados recursos públicos, cujos autores deveriam está algemados ou residindo em qualquer presídio estadual e não se apresentando como candidatos nas próximas eleições, pintando de bom moço e de bem intencionado.
Pretendo aproveitar do espaço, para com a experiência adquirida analisar o papel de um gabinete e sua assessoria no desenvolvimento e crescimento do mandato parlamentar, consciente das injunções e indicações que não tem como objetivo transformar o serviço público em atividade voltada para o bem estar da população, mas sim, em uma relação incestuosa, onde o ego político fala mais alto, através de indicações ou seleção de pessoas que não primam pela honradez e decência. São, em alguns casos, nomeações de homens que não suportariam uma mínima investigação policial. São pessoas (é claro que é uma minoria) que tem no trambique o seu modus operandi e até falsificadores são acobertados pelos ditos políticos de plantão. A tudo isto, as pessoas honradas e éticas são submetidas ao aceitarem contribuir com a aquele “líder”, sendo assim obrigada a viver, conviver e assistir. com todo tipo de pessoas.  E o pior, ter que engolir sem condições mudar a situação, pois este é o comportamento da grande maioria dos homens público. Infelizmente.
Parece que foi ontem, no entanto, já se passaram 03 anos.
De início relutei em aceitar o convite, movido por fatores que ate hoje considero fundamentais: 1) a remuneração que não faz jus a tarefa que deveria ser assumida, para quem quer exercer bem a função  e com qualidade; 2) a formação da equipe, através de critérios no mínimo suspeitos, por que entendia que uma assessoria deveria ser composta não apenas por aqueles que participaram da campanha ou puxa sacos e sim por pessoas que tivessem compromisso com o mandato e competência técnica para exercê-la; 3) por não acreditar na seriedade das propostas e dos ideais defendidos pelo partido que o edil é filiado e; 4) por ultimo, por entender que em todas as funções que exerci, sempre primei por fazer o melhor e vestir a camisa da atividade exercida, e acreditava como ainda acredito que o ambiente político não permite isto, pois neste meio as pessoas são promovidas e reconhecidas não pela competência ou pelo mérito, mas pelo grau de puxa-saquismo e aquele que mais sabe mentir e enganar tanto aos colegas como aos eleitores.
Apesar destas relutâncias, influenciado por familiares e amigos terminei aceitando a viver esta experiência, que me trouxe mais dissabores que alegrias, mais decepções do que realizações, mais desgaste do que vitórias. Porém, reconheço que foi uma experiência que serviu, não para engrandecer meu currículo, muito pelo contrário, mas para conhecer o quanto é podre o ambiente político pelo lado de dentro, o quanto existe de mentira e falsidade neste meio. Foi uma experiência que me levou a entender o comportamento do homem político no seu dia a dia e me deixou ainda mais cético em relação a esta classe e compreender o quanto o homem é capaz de transformar um ambiente que deveria está voltado para realizar o bem estar da população, em um local onde o império da mentira e falsidade é quem norteia o seu dia a dia.
Ao aceitar viver a experiência, acreditava que por serem representantes do povo em uma cidade com mais de 600.000 habitantes, lá encontraria um ambiente onde o respeito ao próximo reinasse e que o setor de trabalho fosse um local onde imperava os conceitos mínimos organizacionais e cada pessoa tivesse as suas funções bem definidas e delineadas, até porque pela importância do município no cenário nacional, entendia como ainda entendo que ali seria a Casa e o local propício para que o homem político comece a se preparar para no futuro, quem sabe, vir a sonhar mais alto, como inclusive, assumir os destinos da administração da cidade.
Ledo engano.
Os gabinetes são formados sem exigir daqueles que vão exercer os cargos, a mínima qualificação técnica, apenas são nomeados para servirem de Office boys de luxo ou moleques de recado do vereador. Não se vê a mínima organização em relação ao seu funcionamento.
E não adianta exigir, pois ao parlamentar ou não interessa ou são tão incompetentes e despreparados que não entendem a importância de um trabalho em equipe e um mínimo de organização.
Fico a imaginar a nossa cidade governada por um desses homens.
Não se observa em qualquer gabinete reuniões de equipe e desta com o parlamentar buscando fazer uma avaliação dos trabalhos realizados e do desempenho do vereador em plenário e ou nas visitas as comunidades. Tudo é feito na base do improviso ou contando com o envolvimento e esforço pessoal de um ou outro.
E isto ocorre na 33ª cidade do País. Imagine nos municípios menores? E este mal não é só em Feira de Santana, em contatos com assessores de outras cidades do porte similar, inclusive da própria Assembléia Legislativa, sentimos que as dificuldades são as mesmas, que o desrespeito é igual para se exercer bem a função de assessor parlamentar.
Em Feira de Santana cada Gabinete tem 09 assessores, em um espaço que mal cabe 02, porém na realidade você só vê freqüentando o ambiente de trabalho no máximo 03, sem que haja um revezamento. Ninguém da notícia dos outros seis. São sempre os mesmos a carregar as pedras, entra ano e sai ano, passando uma imagem para a sociedade que o vereador só tem aquelas pessoas. O restante da equipe nunca aparece ou quando aparece é em busca de algum serviço disponível no gabinete para ser utilizado em proveito próprio. Alguns são até desconhecidos daqueles que estão lá todos os dias. Quando se identificam os encarregados de carregar as pedras chegam a tomar susto.
É dinheiro público jogado fora, pois se não há necessidade porque então nomeá-los? Não seria melhor ter uma equipe pequena, porém qualificada e melhor remunerada? Alíás, a experiência me faz concluir, que em Feira de Santana, para que o Gabinete Parlamentar funcione bem bastaria 04 assessores (um de comunicação, dois políticos e um técnico), com funções estabelecidas e critérios técnicos exigidos para o cargo, com uma remuneração justa. Os demais são dispensáveis.
Outro fator grave observado nestes 03 anos de convivência, é que as pessoas, principalmente as assessorias de comunicação e política, não conseguem entender que o produto final do trabalho do político não é o seu nome, não é a sua imagem física, esta não é a sua marca. Não conseguem estes profissionais entender que a MARCA do político é o trabalho desenvolvido, são os projetos e principalmente os requerimentos apresentados. Aí é onde reside o diferencial e é isto que o eleitor espera após eleito. O fruto do seu trabalho. Se bem explorado a população irá ligar e enaltecer o político, caso contrário enecerrará o mandato e passará despercebido. Será mais um entre tantos que ali passaram.
Você não vê de parte destes assesores e profissionais, o empenho e a competência de transformar o resultado final do trabalho executado em fatos políticos que façam com que a sociedade tome conhecimento do exato papel do legislador. Para que ele está ali.
Não conseguem convencer aos jornalistas das diversas mídias ou criar situações e fatos políticos que os sensibilizem levar o tema para discussão da sociedade.
A população nunca está bem informada e alimentada sobre a relevância do projeto que virou lei e ou do requerimento que foi rejeitado, de forma a cobrar ou constranger o Executivo para cumprir e fazer sem cumprido.
Pelo contrário, estas assessorias procuram apenas massagear o ego do homem político, como se este continuasse ainda em campanha para se eleger. Não entendem que o político encontra-se em outro estágio. O de produzir, e esta é que a matéria prima que a sociedade quer conhecer.
É preciso que se entenda que a sociedade irá reconhecê-lo pelo que fez não pelo nome que carrega.
Esta falha observada não se dá pela incompetência profissional, principalmente dos assessores de comunicação, pelo contrário, os profissionais com quem convivi são pessoas de alto nível, mas isto ocorre por falta de integração nas equipes, por falta de reuniões, por falta de planejamento, de discussão, debates internos e do não estabelecimento de rumos e metas.
São gabinetes onde ocorre tudo, menos reuniões de trabalho.
Diante desta gritante falha, passei a entender porque muitas pessoas que não costumam freqüentar as galerias chamam os vereadores de sangues sugas da sociedade. A comunicação é falha, cheia de ruídos.
Em relação a nossa experiência específica, vivida ao longo destes três anos, posso dizer que busquei ter uma convivência respeitosa com os demais colegas e que freqüentavam o mesmo ambiente. Procurei dentro das limitações de todo ser humano, dá minha contribuição para o crescimento do grupo ou daqueles que demonstraram interesse e compromisso com o mandato.
Exerci o cargo como técnico, dando a minha colaboração na criação, elaboração e adaptação de projetos de leis, dos quais quase uma centena virou leis e foram sancionadas ou promulgadas. Contribui com a elaboração de centenas de requerimentos e indicações. Estes últimos por solicitação das comunidades muitos frutos de reuniões que me vi obrigado a participar, pois assim exigia o cargo se queríamos exercê-lo bem e fazer com que o vereador pudesse se sobressair entre os demais pares.
Pois acreditava como ainda acredito. que este é o papel de um assessor, está sempre presente nos locais que o vereador não possa está. Aliás, e quem deveria executar a função seria o assessor político, hoje intitulado Chefe de Gabinete.
Posso afirmar que ao longo destes três anos tive mais decepções do que alegrias.
Primeiro porque apesar do gabinete ter em seu quadro nove assessores, com a exceção de um ou dois, jamais os demais apresentaram qualquer demanda da sociedade. Ou corria atrás ou não existia projetos ou requerimentos a ser apresentado. Dos mais de duzentos projetos de leis elaborados e apresentados, contei com a sugestão, solicitação e ou participação de menos de 10% dos demais membros, aí incluindo o próprio vereador. Da mesma forma podemos contabilizar a participação dos demais nos requerimentos e indicações. O mesmo percentual.
Segundo que, apesar de leis pioneiras aprovadas e diversos requerimentos importantes apresentados, alguns aprovados outros rejeitados, jamais vimos o resultado final repercutir junto a sociedade, em função da falha de comunicação entre o gabinete e a imprensa, que não teve a capacidade técnica de transformar os projetos e requerimentos em fatos políticos importantes de forma que viéssemos pautar as empresas jornalísticas e estas dá o devido destaque, mostrando assim para a sociedade a importância do parlamentar e da sua equipe para a comunidade.
Depois, por não termos sido competentes e eficientes o suficiente para transformar o resultado final do trabalho parlamentar em assunto do dia a ser tratado pela imprensa. Muito pelo contrário, nenhum projeto, requerimento ou indicação foi capitalizado politicamente.
Pioneiramente foram aprovadas diversas Leis, apenas como exemplo citarei duas, que hoje são aplicadas em centenas de municípios do Brasil, e em nossa cidade a sociedade desconhece o autor, que foram: a que “pune pessoas que mantém criadouros dos mosquitos da dengue” e a que “proíbe o acesso de pessoas portando capacetes em locais públicos e privados". São leis importantes e fundamentais, que não tiveram a mínima repercussão junto à imprensa e a sociedade. Que nunca foram capitalizadas politicamente e que a sociedade desconhece. Não houve uma articulação política e um trabalho junto aos órgãos de comunicação visando captar politicamente este feito.
Como estas,dezenas de outras Leis e principalmente de Requerimentos que é a maior razão de ser da atividade parlamentar, ficaram na vala comum. Se aprovados saiam como nota de rodapé, quando rejeitados sequer era discutido o mérito, para que a sociedade tomasse conhecimento e viesse constranger a maioria.
E olha que é através do Requerimento que o vereador exerce a sua maior função como parlamentar o de fiscalizar o executivo. Nada repercutiu, exceto quando o jornalista presente às sessões e por iniciativa própria definia o tema como interessante e dava a repercussão que considerava que devia ser dada, em seu jornal, no seu programa de rádio ou em seu blog.
Nada era ou foi utilizado de forma a mostrar para a sociedade a eficiência do trabalho.
Foram exercícios de cidadania jogados fora, por falta de uma melhor articulação entre a assessoria de comunicação e assessoria política e a imprensa local. Nada a ver quanto qualidade técnica dos profissionais dessas assessorias, mas talvez por desconhecerem o jogo e a técnica política, não entenderam que a marca do político é o seu trabalho e não seu nome.
Portanto, se perdeu tempo sem que fosse dado conhecimento a sociedade das constantes cobranças e do papel fiscalizador exercido.
Como estas há um sem número de falhas que se não corrigidas, a tendência é o nível a cada dia cair. As vantagens e alegrias foram tão poucas que não vale a pena ser citada, é preciso apenas serem vividas e lembradas interiormente.
Não digo que em razão da decepção jamais me disporei a exercer novamente esta atividade. Claro que não. Estarei mais que nunca disponível para colaborar, certo que é através da política que poderemos um dia efetuar mudanças significativas em benefício da sociedade, principalmente para os mais pobres.
Mas ao aceitar no futuro novos convites, será necessário que muitos dos erros observados hoje não sejam repetidos, sob pena de termos mais uma decepção.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

NADA MELHOR QUE O VOTO PARA O ADEUS ÀS FICHAS - SUJAS

Devemos reconhecer e ser gratos a contribuição que os movimentos sociais têm dado para que ocorram mudanças qualitativas em nosso País.
Uma destas contribuições dada pelos movimentos sociais em conjunto com a população brasileira, cansados de tantos escândalos e falcatruas envolvendo a classe política brasileira, foi a proposta aprovada sob pressão popular pelo Congresso Nacional de iniciativa popular, a chamada Ficha Limpa, estabelecendo critérios bem claros, para que nossos homens públicos sejam pessoas ilibadas e sem condenação por crimes que atentam contra ao patrimônio público.
Foi um projeto de lei que contou com mais de um milhão e quinhentas mil assinaturas, sendo apresentado por membros da sociedade organizada, tendo a frente à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, Associação dos Magistrados do Brasil-AMB, ONG Transparência Brasil e demais organizações.
É preciso entender, que este é mais um processo dentre outros, visando estabelecer a ÉTICA na política nacional, demonstrando toda insatisfação reinante no seio da sociedade, diante dos fatos escabrosos que envolvem a grande maioria dos nossos políticos, que tem início desde o candidato a vereador no mais longínquo rincão do interior brasileiro e refletindo diretamente no Congresso Nacional, Ministérios e demais Órgãos Públicos dos três Poderes.
Devemos deixar bem claro, que todo este movimento foi ocasionado por culpa exclusiva dos nossos representantes, que se utilizam da representatividade a eles conferida pelos eleitores, para em lugar de atuarem em defesa da sociedade, começam a legislar em causa própria, cometer crimes contra a administração pública através do desvio de dinheiro público e por último, se utilizam da imunidade parlamentar para assim ficarem impunes dos crimes cometidos, com a conivência do judiciário brasileiro.
Sabe-se que da proposta inicial apresentada a respeito da Ficha Limpa, impedia a candidatura daquele que tivesse qualquer tipo de condenação, mesmo se a condenação fosse em decisão monocrática, ou seja pelo magistrado de primeiro grau. Entenderam os nossos legisladores, que poderia ocorrer uma perseguição política de parte do magistrado de primeiro grau, o que poderia ocasionar injustiças com aqueles que não eram bem vistos por algum juiz e assim, procederam alteração neste artigo. Claro que assim o fizeram, mais uma vez legislando em causa própria, pois grande parte deles tem rabo de palha com justiça.
Desta forma, chegou-se a um meio termo, que a proibição ocorreria se o candidato já tivesse sido julgado por um colegiado, que objetivando ver o projeto aprovado a coordenação do movimento aquiesceu.
Outro artigo importante e cuja prática é muito comum principalmente nas cidades interioranas e ou na zona rural, é a compra de votos. No corpo do texto está mencionado que se o candidato for pego comprando voto, terá seu registro cassado e se for eleito será cassado seu diploma eleitoral. Pena que a nossa justiça seja tão lenta, que muitos casos quando julgados o mandato já expirou, ou está próximo a terminar. Assim, sendo flagrados e ou comprovada a compra de votos, não será preciso esperar que ação seja transitado e julgado, apenas o simples fato da comprovação será motivo de cassação.
No entanto, é preciso que a sociedade esteja consciente que a Lei da Ficha Limpa, por si só, não encerra a depuração da classe política e a implantação da ética na política nacional. Muito pelo contrário o Projeto Ficha Limpa é apenas o primeiro passo de muitos outros que a sociedade deve dá, entre eles, o de eleger verdadeiros representantes políticos, compromissados com os princípios elementares da nossa Constituição, que todos eles juram cumpri-las, mas assim que assume o mandato são os primeiro a rasgá-la. Ela é uma Lei que deverá se somar a outras lutas em prol da ética na política e não se devem temer os obstáculos que surgirão pela frente, já que muitos surgirão e tantos outros serão criados, principalmente pela classe política, se assim não o fosse, muitos não teriam recorrido a STJ reclamando da sua constitucionalidade.
É preciso que entenda, tanto o eleitor como a classe política, que a ÉTICA em qualquer atividade humana e, principalmente na política, deve ser a regra e não exceção como estamos habituados e acostumados a presenciar no dia a dia dos nossos homens públicos e no seu cotidiano.
Assim sendo, aplique a Ficha - Limpa, não apenas para aqueles que já estão eleitos ou no exercício do mandato cometeram faltas, mas através do seu voto não permita que candidatos neófitos, que exerceram cargos públicos e deles se locupletaram ou fizeram do cargo um trampolim político ao extremo de colocarem sucessores “laranjas”, não permitindo a sua eleição. Aí sim, você estará sendo um verdadeiro cidadão.
Portanto, é dever de todo cidadão fiscalizar, acompanhar e cobrar dos seus representantes uma conduta ilibada e ética, assim, estará dando sua contribuição e sendo mais um guardião da democracia em nosso País, que custou muito sacrifício para alguns e foi tão cara e penosa para o nosso povo.
Devemos sim, todos juntos não só cobrar, mas exigir que tanto o Poder Legislativo como o Judiciário, façam com que os nossos direitos sejam atendidos e respeitados.
É preciso que todos saibam distinguir quem faz política daqueles que se utilizam desta milenar arte para fazer politicagem. É importante que separemos o joio do trigo, antes que seja tarde.
O homem político é aqueles que faz valer os seus direitos mesmo sem mandato ou cargo público, é aquele que faz de sua vida um exemplo de correção e ética, bem diferente daquele que faz politicagem, que desconhece os limites do respeito e da responsabilidade.
É importante que entendamos que uma democracia não se impõe nem se afirma com o poderio de um único partido político e que apenas uma vontade impere. Muito pelo contrário a democracia se afirma quando tem uma oposição vigilante e sua população está atenta e consciente dos seus direitos e, sendo a lei da Ficha-limpa uma conquista da população brasileira, ela não pode nem deve ser jogada na lata de lixo, principalmente por nós que demos a nossa contribuição para vê-la efetivada.
Sabemos que grande número de nossos políticos está envolvido em algum tipo de falcatruas e maracutaias com o dinheiro público. Basta acompanhar os noticiários diários.
Hoje ser político no Brasil passou a ser sinônimo de ladrão, muitos acobertados pelo Judiciário, com os eternos argumentos de que o ocorrido foi realizado antes do mandato. Assim o vereador rouba, mas se eleito deputado está sem pecado. O prefeito rouba mais eleito deputado federal está imune. E assim por diante. Este é o País que os nossos juristas estão legando para as futuras gerações.
Foi com o objetivo de acabar com esta prática que já estava virando jurisprudência em nossos tribunais que a Lei da Ficha Limpa foi criada, como uma defesa republicana da representação coletiva, que objetiva ir de encontro ao sentimento de vale-tudo e de que tudo pode materializado na prática política que viceja nos Três Poderes brasileiros.
E nada mais justo que nós, de posse da única arma que possuimos, o voto, possamos dá a nossa contribuição para uma limpeza ética na forma de fazer política, rejeitando nas urnas aqueles que tem feito de sua vida apenas a arte do trambique e da maracutaia. Assim, só depende de nós, não elegendo candidatos que tem feito dos outros otário.