Ignacio
Álvarez-Ossorio: A vitória eleitoral de Netanyahu condena Israel a um beco sem
saída
Mais
uma vez, Benjamin Netanyahu
desafiou as pesquisas e venceu as eleições parlamentares israelenses, levando o Likud ao
topo com uma ampla vantagem sobre seu principal rival, o partido Yashar do
General Gadi Eisenkot. Embora sua coalizão não tenha alcançado as 61 cadeiras
necessárias para governar, seu desempenho foi significativamente melhor do que
o da frente anti-Netanyahu, condenando Israel a um estado de paralisia
política.
O maior
perdedor, sem dúvida, foi Eisenkot, que, segundo todas as pesquisas, seria o
vencedor incontestável. Seu principal erro foi enquadrar as eleições como um
referendo sobre a gestão de Netanyahu
em relação aos ataques de 7 de outubro, visto que uma esmagadora maioria da
sociedade israelense apoia a destruição sistemática da Faixa de Gaza e a
intensa colonização da Cisjordânia, bem como a guerra total contra o regime
iraniano e seus aliados no Eixo da Resistência: Hamas, Hezbollah e Houthis. Os
resultados demonstram que o eleitorado acreditou na narrativa de que
Israel trava uma guerra existencial em múltiplas frentes, na qual sua própria
sobrevivência está em jogo, o que exigiria dar a Netanyahu carta branca e militarizar a
sociedade para transformá-la em uma nova Esparta.
O
principal sucesso do Likud foi atrair votos estratégicos, o que penalizou os
partidos supremacistas Poder Judaico e Sionismo Religioso, que conquistaram
apenas 13 cadeiras, muito menos do que o previsto pelas pesquisas. Não se trata
de o eleitorado ter decidido punir a retórica genocida e os apelos à limpeza
étnica de seus líderes, Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, mas sim de ter
preferido concentrar seus votos em Netanyahu, que adotou muitas de suas
posições. Com os resultados em mãos, parece claro que existe um amplo consenso
sionista sobre a necessidade de aprofundar a política de fato consumado e a
colonização dos territórios palestinos para impor, pela força das armas, um
Grande Israel entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo.
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A resiliência de Netanyahu
Os
resultados demonstram que o bloco anti-Netanyahu subestimou a resiliência do
líder do Likud, o presidente que há mais tempo governa na história de Israel,
que conseguiu governar contra todas as probabilidades por mais de 20 anos em um
cenário internacional extremamente complexo. As eleições deixaram claro que
nunca se deve cantar vitória antes da hora. A única chance de Eisenkot formar
um governo reside em uma aliança com os partidos árabes, cuja ascensão
meteórica foi a maior surpresa das eleições. A Lista Conjunta — composta por
Hadash, Taal e Balad — tornou-se o terceiro maior partido, depois do Likud e do
Yashar, conquistando 12 das 120 cadeiras no Knesset, enquanto o partido
islâmico Raam garantiu seis cadeiras.
A
mobilização maciça de palestinos em Israel levou os partidos árabes a
alcançarem seus melhores resultados de sempre, tornando-os um elemento-chave
para garantir a governabilidade de Israel. A alta participação eleitoral entre
as comunidades árabes deve ser interpretada não apenas como um protesto contra
o genocídio em Gaza e o apartheid na
Cisjordânia,
mas também como um alerta sobre a negligência com as áreas árabes, onde o crime
organizado prolifera. Embora os palestinos em Israel tenham sido
tradicionalmente considerados cidadãos de segunda classe e excluídos das
coligações governamentais, o fato de ocuparem 18 das 120 cadeiras no Knesset os
torna um ator fundamental, embora ainda seja incerto se Eisenkot estará
disposto a pagar o preço que a adesão ao governo de coligação implicaria.
Embora
o Likud tenha recebido a maioria dos votos e o bloco pró-Netanyahu tenha
prevalecido sobre a oposição, não conseguiu os 61 assentos necessários para a
maioria no Knesset. Portanto, suas remotas chances de manter a coalizão
governista dependem de garantir o apoio de um dos partidos da oposição.
É
importante notar que os partidos árabes têm sido tradicionalmente excluídos das
coligações governamentais, que incluem apenas partidos judeus de orientação
sionista. De fato, durante a campanha eleitoral, o Likud tentou impedir a sua
candidatura, embora o Supremo Tribunal tenha, em última instância, permitido. A
Lei do Estado-Nação de 2018 consagrou Israel como um Estado etnocêntrico judeu,
no qual os dois milhões de palestinos encontraram dificuldades de integração,
dada a sua falta de adesão ao projeto sionista. No dia das eleições, Netanyahu
voltou a atacar a população árabe, afirmando: “Os apoiantes da Irmandade
Muçulmana estão a invadir as assembleias de voto e a roubar as eleições”. Após
a divulgação dos resultados, o primeiro-ministro advertiu Eisenkot de que “é
proibido pôr em risco Israel e formar um governo que dependa de partidos árabes
antissionistas”.
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Bloqueio
Assim,
a atual conjuntura eleitoral torna a formação de uma coligação governamental
uma missão praticamente impossível e condena Israel a um impasse político.
Embora o Likud tenha recebido a maioria dos votos e o bloco pró-Netanyahu tenha
prevalecido sobre a oposição, não alcançou os 61 assentos necessários para a
maioria no Knesset. Portanto, suas remotas chances de manter a coligação
governamental dependem de garantir o apoio de um dos partidos da oposição:
Yisrael Beiteinu, liderado por Avigdor Lieberman, ou Beyahad, liderado por Yair
Lapid e Naftali Bennett. Netanyahu tem 42 dias para conseguir isso.
Se
fracassar, ele ainda pode jogar com a carta de um governo de coalizão entre o
Likud e o Yashar, no qual seus principais líderes se alternariam no cargo de
primeiro-ministro. Essa fórmula permitiria que ele enfrentasse um contexto
internacional adverso, no qual Israel parece cada vez mais isolado devido às
suas políticas genocidas, e também reduziria
sua dependência de grupos supremacistas brancos. Se bem-sucedida, essa
estratégia representaria uma tábua de salvação para Netanyahu, assolado por
seus problemas legais, e seria um golpe duro para Eisenkot, que concorreu às
eleições como um candidato honesto que veio para pôr fim às maquinações do
atual primeiro-ministro.
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Sem maioria necessária para formar um governo
A lenta
contagem dos votos, que ainda está em andamento após 12 horas, confirma a
apertada vitória de Netanyahu. Com mais de 70% dos
votos apurados, o partido Likud de Netanyahu lidera
com 20% dos votos e 27 cadeiras, em comparação com os 16% e 20 cadeiras do
partido Yashar! de Eisenkot. Os partidos de
extrema-direita que formaram a coligação governamental de Netanyahu detêm 54
cadeiras, enquanto o bloco de oposição ou anti-Netanyahu possui 47 cadeiras,
bem aquém da maioria de 61 cadeiras no Parlamento de 120 assentos.
A
grande surpresa das eleições foram os partidos compostos principalmente por
palestinos-israelenses, que conquistaram 19 cadeiras e podem ser fundamentais
para a formação de qualquer governo, mas ambos os blocos de partidos judaicos
prometeram não formar uma coalizão com eles durante a campanha.
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Netanyahu surpreende mais uma vez
Após o
encerramento das urnas às 22h, horário local (21h na Espanha), diversas
pesquisas indicavam que o partido do primeiro-ministro, Likud, obteria 25
cadeiras, enquanto o partido de Eisenkot, Yashar!, ficaria com 23. Mas algumas
horas depois, as principais pesquisas indicavam que o Likud poderia conquistar
27 cadeiras, contra 21 ou 22 para o segundo partido mais votado.
O
Yashar! é o principal partido do chamado bloco anti-Netanyahu, que assumiu a
liderança na noite de terça-feira, mas, na manhã de quarta-feira, as pesquisas
previam um empate entre os dois blocos, com 51 cadeiras cada. Nenhum dos dois
conseguiria maioria no Parlamento (61 cadeiras) e teriam poucas chances de
formar um governo sem o apoio dos partidos palestino-israelenses.
Os dois
partidos, compostos principalmente por cidadãos palestinos de Israel, obteriam
18 ou 19 cadeiras, de acordo com as pesquisas, mas todos os partidos judaicos,
incluindo os da oposição, prometeram durante a campanha que não fariam um pacto
com eles, seja para formar parte de uma coalizão governista ou para obter seu
apoio para um voto de confiança.
Em suas
primeiras declarações após as eleições, Netanyahu afirmou que seria
uma “vergonha” se a oposição cooperasse com esses partidos. Falando da sede do
Likud em Jerusalém, ele também afirmou que o bloco de direita havia conquistado
uma “maioria decisiva” entre o “público sionista” de Israel e, portanto, esperava
formar um “governo de direita forte”.
Por sua
vez, Eisenkot declarou prematuramente no canal X que os resultados preliminares
indicavam “uma total falta de confiança em Netanyahu” por parte da
maioria dos cidadãos israelenses. Na sede de seu partido, por volta da
meia-noite, afirmou que faria “todo o possível para formar um governo sionista”
que representasse “todos os cidadãos de Israel igualmente”. O general
aposentado obteve um bom desempenho com seu partido recém-fundado, conquistando
uma parcela significativa dos votos de protesto contra Netanyahu, mas, com o passar
das horas, suas chances de substituir o primeiro-ministro e pôr fim ao seu
domínio quase absoluto da política israelense nas últimas duas décadas foram
diminuindo.
A Lista
Conjunta (composta por três partidos seculares palestino-israelenses) é um dos
partidos que mais aumentou sua representação parlamentar, conquistando 13
cadeiras, o que a coloca como a terceira força mais votada, atrás do Likud e do
Yashar!, enquanto o Juntos (formado pelos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid) permanece na quarta
posição. O líder da Lista Conjunta afirmou em um comunicado que terça-feira foi
“um dia histórico”. “O povo falou e compareceu em massa às urnas, dando-nos sua
confiança inequívoca. Provamos ser uma força política que não pode ser ignorada
e que é impossível construir um futuro aqui sem a nossa voz”, afirmou Yousef
Jabarin.
O
partido islâmico moderado Ra'am, liderado por Mansour Abbas, deverá conquistar 7
cadeiras, segundo todas as pesquisas, e poderá desempenhar um papel
fundamental, visto que já fez acordos com partidos judaicos no passado — o
segundo colocado na lista é judeu — e não defende posições inaceitáveis para as forças
sionistas, como as defendidas pela Lista Conjunta —
por exemplo, o fim da ocupação israelense dos
territórios palestinos.
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Partidos palestinos em Israel alcançam um resultado
histórico
Benjamin Netanyahu voltou a vencer uma
eleição em Israel, depois de ter sido primeiro-ministro do país por quase 19
anos, à frente de diferentes governos, desde 1996. “Bibi” voltou a ser o líder
político mais votado, à frente de seu partido, o Likud, que obteve mais de 20%
dos votos e 26 cadeiras no Parlamento, segundo os resultados preliminares. O
mandatário não foi duramente castigado depois de três anos de guerras abertas
em várias frentes e de um genocídio em Gaza, e parece que uma
parte do eleitorado quer que Israel continue por esse caminho e o apoia em uma nova rodada de bombardeios contra
o Irã,
uma “missão” que Netanyahu prometeu completar.
No
entanto, tudo indica que ele não poderá reeditar a coalizão com a qual governou
entre 2022 e 2026, a mais à direita da
história do Estado hebreu, que não soma as 61 cadeiras que representam a maioria
simples no Knesset. Seus sócios de governo mais radicais, que impulsionaram a colonização selvagem e a limpeza
étnica na Cisjordânia,
assim como a desumanização absoluta dos palestinos, obtiveram praticamente as
mesmas cadeiras que na eleição anterior.
Com
mais de 85% dos votos apurados, o partido Poder Judaico, do ministro da
Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, conseguiu uma
cadeira a mais (7), embora as pesquisas previssem um crescimento maior nas
semanas anteriores à votação. O partido Sionismo Religioso, do ministro das
Finanças, Bezalel Smotrich, mantém suas 6
cadeiras. Os que mais perderam apoio foram os sócios ultraortodoxos de Netanyahu: o partido Shas
passa de 11 para 7 cadeiras, enquanto o Judaísmo Unido da Torá continua
ocupando 7 cadeiras.
Segundo
o historiador e político argentino-israelense Meir Margalit, houve um voto de
castigo contra Netanyahu, que nas eleições gerais anteriores obteve mais de 23%
dos votos e 32 cadeiras. “Há eleitores do Likud que quiseram castigar Netanyahu
e votaram na extrema direita de Ben Gvir e Smotrich”, afirma ao elDiario.es.
Dessa forma, os votos que o Likud perdeu ficaram no bloco de direita que o
primeiro-ministro interino encabeça e que soma 53 cadeiras, à espera dos
resultados definitivos.
No
entanto, Margalit considera que existe a possibilidade de que membros do bloco
anti-Netanyahu, liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot, possam desertar e
apoiar o bloco pró-Netanyahu, em particular deputados de extrema direita que
concorreram à eleição pelo partido de Eisenkot, o Yashar!, e pelo heterogêneo
partido Juntos, sob a batuta do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, também de
direita.
O bloco
da oposição só tem em comum o desejo de tirar Netanyahu do poder, mas as
legendas que o integram são de diferentes orientações políticas e têm programas
muito diferentes, embora nenhuma apoie um Estado palestino independente ou o fim da ocupação
israelense. As pesquisas de boca de urna alimentaram, na noite de terça-feira,
as esperanças de um governo alternativo ao de Netanyahu, encabeçado por
Eisenkot, mas o bloco conseguiu apenas 48 cadeiras. O Yashar! é o segundo
partido mais votado, com pouco mais de 16% dos votos e 21 cadeiras, seguido de
longe pelo Juntos, com pouco mais de 9% e 12 cadeiras. A legenda mais moderada
do bloco, os Democratas, obteve 6,5% dos votos e 8 cadeiras.
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Um veto “racista”
No meio
dos dois grandes blocos, encontra-se um bloco “dobradiça” que emergiu com força
na eleição geral de terça-feira: os partidos integrados majoritariamente por
palestino-israelenses, que conseguiram 19 cadeiras, aumentando sua
representação parlamentar. A Lista Conjunta (formada pelos partidos Hadash,
Balad e Ta’al) conquistou o quarto lugar, com 9% dos votos e 12 cadeiras, um
recorde para essas legendas de perfil esquerdista, com o programa mais
abertamente pró-palestino. Enquanto isso, o partido islamista moderado Ra’am
conseguiu duas cadeiras a mais que nas eleições passadas.
Tanto a
Lista Conjunta quanto o Ra’am teriam a chave do próximo governo, se não fosse o
boicote de todos os partidos judeus, incluídos os da oposição, que durante a
campanha rejeitaram a possibilidade de fazer acordo com os partidos árabes,
tanto para formar uma coalizão de governo quanto para obter seu apoio numa
votação de investidura. “O fato de nenhum bloco querer esses partidos significa
que Israel é um país racista; estão discriminando mais de 20% da população”,
lamenta Margalit, ativista veterano dos direitos humanos e da paz entre
palestinos e israelenses.
Os
cidadãos palestinos de Israel são cerca de 2 milhões, e sua participação na
eleição do dia 27 bateu recordes. Esse eleitorado habitualmente apático quis
que sua voz fosse ouvida depois de ver seus direitos cortados nos últimos três
anos, desde o ataque do Hamas de 7
de outubro de 2023,
e sob o governo de Netanyahu, que fez suas condições de vida piorarem, tanto
dentro de Israel como nos territórios ocupados. A polícia israelense, sob o
comando de Ben Gvir, permitiu que o crime organizado e a violência
proliferassem nas localidades de população palestina, onde os assassinatos
dispararam desde 2025.
Margalit
acredita que Eisenkot poderia estar aberto a negociar com os partidos
palestinos, mas, se chegasse a fazê-lo, vários membros de direita de seu bloco
iriam para o lado de Netanyahu: “Seria a desculpa definitiva para desertar”.
Por enquanto, só o líder dos Democratas, o centrista Yair Golan, se mostrou
favorável a contar com os partidos palestino-israelenses para tirar o poder de
Netanyahu e instou os demais membros do chamado “bloco da mudança” a se abrirem
para conversar com a Lista Conjunta e o Ra’am.
O líder
da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, disse no X que uma mudança passa por “uma
associação judaico-árabe”, uma associação que deve ser “real e igualitária”.
“Estamos prontos e preparados para abrir caminho para a derrubada do governo de
Netanyahu. Diante de um governo de sangue, diante de uma política de
supremacia, racismo e exclusão, oferecemos uma alternativa completamente
diferente”.
O
movimento Standing Together, que reúne israelenses judeus e palestinos e que
mobilizou o voto a favor dos partidos palestinos, celebrou os resultados e
pediu aos líderes políticos que tomem decisões corajosas. “Há uma vitória
judaico-árabe sobre o governo de extrema direita. A única pergunta é se os
líderes do bloco da mudança têm a coragem de formar um governo judaico-árabe”,
perguntava no X Alon-Lee Green, cofundador do partido Um Lugar para Todos,
surgido do Standing Together, mas que não se apresentou na eleição de 27 de
outubro.
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Instabilidade e incerteza
Por sua
vez, o historiador e professor argentino-israelense não se mostra muito
otimista porque, mesmo que Eisenkot conseguisse formar governo com o apoio
externo dos partidos palestinos, “não duraria muito tempo, porque os palestinos
exigiriam algumas medidas que Eisenkot não poderia cumprir, e o governo cairia
muito rápido”. Nesse caso, se abriria um período de instabilidade política.
Ofer Cassif, candidato judeu
israelense da Lista Conjunta, explicou em uma entrevista ao elDiario.es que
estariam dispostos a apoiar a investidura de Eisenkot, mas poriam condições ao
novo governo, como parar as demolições das casas
palestinas
ou desmantelar os assentamentos que são ilegais também segundo a lei israelense
(os chamados postos avançados, que proliferaram na Cisjordânia ocupada sob o
governo que está saindo, que financiou e apoiou os colonos).
Diante
dos resultados históricos dos partidos palestinos, o Likud pediu nesta
quarta-feira à Polícia e ao Shin Bet (agência de segurança e inteligência
interna de Israel) que investiguem como eles conseguiram esses resultados. “As
eleições em Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e
a eliminação do Estado judeu, mediante crimes graves como o suborno, as
ameaças, a violência, a fraude e o uso de um programa de computador ilegal para
mobilizar os eleitores”, denunciou o partido em um comunicado. Também
apresentou uma queixa ao Comitê Eleitoral Central, o órgão que supervisiona o
processo democrático e certifica os resultados, que disse que vai examiná-la.
Margalit
acredita que, se os palestinos não forem levados em conta pelos demais
partidos, perderão a confiança em um sistema político que os marginaliza.
“Creio que vai ser a última vez que os partidos árabes conseguem atrair tantos
eleitores às urnas, se virem que não vale a pena e que não serve para nada
votar porque, mesmo quando conseguem tantas cadeiras, ninguém os leva em
conta”. Calcula-se que a participação dos eleitores palestino-israelenses ficou
inclusive acima da média nacional de 77%.
O
historiador e pesquisador do Instituto Van Leer de Jerusalém acredita que os
partidos palestinos não poderão mudar o governo e o rumo de Israel, porque
tanto Netanyahu quanto Eisenkot compartilham as mesmas políticas e ideias
belicistas. “De dentro não vai haver mudança. É preciso haver pressão concreta,
não simbólica, contra Israel por parte da Europa e dos Estados
Unidos. Precisamos que façam com Israel o que o mundo fez com a África do Sul
anos atrás”,
na época do apartheid, afirma Margalit.
O
especialista não descarta que Netanyahu lance um novo ataque contra o Irã enquanto permanece
como primeiro-ministro interino, em meio às negociações para a formação de um
novo governo ou ao bloqueio político que poderia ocorrer e que pode se
prolongar por semanas. Ele afirma que o mandatário queria fazê-lo antes da
eleição desta terça-feira, mas o chefe do Estado-Maior do Exército o freou, e
agora ele poderia pensar que recebeu o mandato das urnas para levar a cabo uma
ofensiva contra Teerã, que provavelmente contaria com o apoio de Donald Trump.
Fonte:
El Diário


