Pessoas
com diabetes grave são curadas em ensaio com novo medicamento
Uma
única infusão de um tratamento à base de células-tronco pode ter curado 10 de
12 pessoas com a forma mais grave de diabetes tipo 1, que não precisaram mais
de insulina, enquanto os outros dois precisam de doses muito menores.
O
tratamento experimental, chamado zimislecel e fabricado pela Vertex
Pharmaceuticals de Boston, envolve células-tronco que cientistas produziram
para se transformarem em células das ilhotas pancreáticas, que regulam os
níveis de glicose no sangue.
As
novas células das ilhotas foram infundidas e chegaram ao fígado, onde se
estabeleceram.
O
estudo foi publicado online pelo The New England Journal of Medicine, mas a
estimativa de custo do tratamento ainda não foi anunciada.
Cerca
de dois milhões de americanos têm diabetes tipo 1, que é causado quando o
sistema imunológico destrói as células das ilhotas. Pacientes com diabetes tipo
1 precisam injetar doses cuidadosamente calibradas do hormônio para substituir
a insulina que falta em seu corpo.
Controlar
os níveis de insulina é um esforço constante e, muitas vezes, custoso. Níveis
elevados de açúcar no sangue podem causar danos ao coração, rins, olhos e
nervos. Mas se os níveis caírem muito, as pessoas podem sentir tremores,
desmaiar ou ter convulsões.
Os
pacientes do estudo estão entre os estimados 30% com uma complicação do
diabetes tipo 1 — a falta de percepção da hipoglicemia.
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Altos níveis de proteína ADAM10 no sangue podem indicar doença de Alzheimer em
fase inicial
Um
grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está
investigando a relação entre o mal de Alzheimer e outros tipos de demência e a
concentração da proteína ADAM10 no sangue.
A
partir da análise do genótipo de 500 voluntários com e sem a doença, os
pesquisadores constataram que uma alteração genética rara e relacionada à
doença de Alzheimer também está associada a níveis elevados de proteína ADAM10
no sangue.
Assim,
a proteína pode servir de biomarcador para a doença degenerativa, uma vez que
impede a formação de placas no cérebro, um dos marcos do Alzheimer.
“A
ADAM10 é uma antiga candidata a biomarcador da doença de Alzheimer que, nos
últimos anos, tem ganhado destaque devido ao avanço de equipamentos
ultrassensíveis que permitem detectar essas moléculas em concentrações muito
baixas no plasma sanguíneo”, afirmou Márcia Regina Cominetti, uma das
coordenadoras do projeto.
O
estudo tem o apoio da Fapesp e foi publicado na revista Neurobiology of Aging.
A
doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e afeta mais de
35,6 milhões de pessoas. Grande desafio para a medicina, a doença não tem cura
e, quanto antes for identificada, maior a possibilidade de adiar o aparecimento
dos sintomas.
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Parceria entre Brasil e França expande pesquisas de tratamento de câncer com
células CAR-T
Pesquisadores
da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e do Instituto Curie, da
Universidade de Paris, formalizaram uma parceria para realizar um novo estudo
clínico com células CAR-T, desta vez voltado para pacientes com linfoma óculo-cerebral.
De
acordo com o professor da FMRP-USP e coordenador do projeto, Diego Clé, a
parceria permitirá que os pesquisadores franceses tragam versões aprimoradas de
células CAR-T ao país. Em contrapartida, os pesquisadores brasileiros vão
desenvolver e realizar as fases finais dos estudos clínicos.
A
colaboração prevê ainda a transferência de tecnologia para o Brasil, que será
incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Clé
afirmou ainda que o tratamento com células CAR-T nacionais equivalem a um terço
do custo dos tratamentos disponíveis no país, que atualmente variam entre R$
2,5 milhões a R$ 3 milhões.
O
tratamento a partir de células CAR-T consiste em uma técnica em que as células
do próprio paciente são modificadas geneticamente para eliminar células
tumorais.
Desde
2022, a FMRP-USP tem a Nutera, a primeira fábrica de produtos celulares da
América Latina, dedicada à produção de terapias celulares.
Atualmente,
há pesquisas em andamento para o tratamento de leucemia linfoide aguda de
células B e linfoma não Hodgkin. Mas a intenção é expandir a pesquisa para
criar novos protocolos para outros tipos de cânceres.
As
próximas pesquisas devem se voltar para o combate de cânceres do sistema
nervoso central e doenças autoimunes, a exemplo da nefrite lúpica.
A
França é o país que mais trata pacientes a partir da terapia celular e já soma
mais de 5 mil pessoas submetidas ao tratamento com células CAR-T.
• O que é o CAR-T Cell, tratamento de
câncer que elimina tumores em 30 dias?
Um
estudo da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan
e o Hemocentro de Ribeirão Preto, trouxe ao Brasil o tratamento CAR-T Cell,
considerada a mais revolucionária da oncologia e aplicada em poucos países.
Graças
a este protocolo, os 14 pacientes tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
tiveram, pelo menos, 60% de remissão dos tumores. Um deles, Paulo Pelegrino, de
61 anos, que enfrentava um linfoma há 13 anos e estava prestes a receber
cuidados paliativos, teve remissão total da doença.
A
terapia contra o câncer retira as células T do sistema de defesa do paciente e
as modifica geneticamente para que possam reconhecer as células cancerígenas.
Reintroduzidas ao corpo, as células T se multiplicam e são capazes de eliminar
os tumores.
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Alto custo
A
princípio, o método tem como alvo três tipos de cânceres: leucemia
linfoblástica B, linfoma não Hodgkin de células B e mieloma múltiplo, este
último ainda indisponível no Brasil.
Já a
resposta ao tratamento costuma ser rápida. Dos 13 pacientes tratados com a
CAR-T Cell, nove tiveram remissão completa da doença em 30 dias. Mas o custo na
rede de saúde privada pode ultrapassar o valor de R$ 2 milhões por pessoa.
“Devido
ao alto custo, este tratamento não é acessível em grande parte dos países do
mundo. O Brasil, por outro lado, encontra-se em uma posição privilegiada e tem
a rara oportunidade de introduzir este tratamento no SUS em curto período de
tempo”, diz Dimas Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular CEPID-USP e
do Núcleo de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto ao G1.
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Próximos passos
O
tratamento do primeiro grupo exposto à terapia celular foi custeado pela
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Já no
segundo semestre, mais 75 pacientes serão submetidos ao tratamento, desta vez
bancado com verbas públicas após a autorização da Anvisa para estudos clínicos.
Fonte:
The New York Times

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