quinta-feira, 26 de junho de 2025

Pessoas com diabetes grave são curadas em ensaio com novo medicamento

Uma única infusão de um tratamento à base de células-tronco pode ter curado 10 de 12 pessoas com a forma mais grave de diabetes tipo 1, que não precisaram mais de insulina, enquanto os outros dois precisam de doses muito menores.

O tratamento experimental, chamado zimislecel e fabricado pela Vertex Pharmaceuticals de Boston, envolve células-tronco que cientistas produziram para se transformarem em células das ilhotas pancreáticas, que regulam os níveis de glicose no sangue.

As novas células das ilhotas foram infundidas e chegaram ao fígado, onde se estabeleceram.

O estudo foi publicado online pelo The New England Journal of Medicine, mas a estimativa de custo do tratamento ainda não foi anunciada.

Cerca de dois milhões de americanos têm diabetes tipo 1, que é causado quando o sistema imunológico destrói as células das ilhotas. Pacientes com diabetes tipo 1 precisam injetar doses cuidadosamente calibradas do hormônio para substituir a insulina que falta em seu corpo.

Controlar os níveis de insulina é um esforço constante e, muitas vezes, custoso. Níveis elevados de açúcar no sangue podem causar danos ao coração, rins, olhos e nervos. Mas se os níveis caírem muito, as pessoas podem sentir tremores, desmaiar ou ter convulsões.

Os pacientes do estudo estão entre os estimados 30% com uma complicação do diabetes tipo 1 — a falta de percepção da hipoglicemia.

<><> Altos níveis de proteína ADAM10 no sangue podem indicar doença de Alzheimer em fase inicial

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está investigando a relação entre o mal de Alzheimer e outros tipos de demência e a concentração da proteína ADAM10 no sangue.

A partir da análise do genótipo de 500 voluntários com e sem a doença, os pesquisadores constataram que uma alteração genética rara e relacionada à doença de Alzheimer também está associada a níveis elevados de proteína ADAM10 no sangue.

Assim, a proteína pode servir de biomarcador para a doença degenerativa, uma vez que impede a formação de placas no cérebro, um dos marcos do Alzheimer.

“A ADAM10 é uma antiga candidata a biomarcador da doença de Alzheimer que, nos últimos anos, tem ganhado destaque devido ao avanço de equipamentos ultrassensíveis que permitem detectar essas moléculas em concentrações muito baixas no plasma sanguíneo”, afirmou Márcia Regina Cominetti, uma das coordenadoras do projeto.

O estudo tem o apoio da Fapesp e foi publicado na revista Neurobiology of Aging.

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e afeta mais de 35,6 milhões de pessoas. Grande desafio para a medicina, a doença não tem cura e, quanto antes for identificada, maior a possibilidade de adiar o aparecimento dos sintomas.

<><> Parceria entre Brasil e França expande pesquisas de tratamento de câncer com células CAR-T

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e do Instituto Curie, da Universidade de Paris, formalizaram uma parceria para realizar um novo estudo clínico com células CAR-T, desta vez voltado para pacientes com linfoma óculo-cerebral.

De acordo com o professor da FMRP-USP e coordenador do projeto, Diego Clé, a parceria permitirá que os pesquisadores franceses tragam versões aprimoradas de células CAR-T ao país. Em contrapartida, os pesquisadores brasileiros vão desenvolver e realizar as fases finais dos estudos clínicos.

A colaboração prevê ainda a transferência de tecnologia para o Brasil, que será incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Clé afirmou ainda que o tratamento com células CAR-T nacionais equivalem a um terço do custo dos tratamentos disponíveis no país, que atualmente variam entre R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões.

O tratamento a partir de células CAR-T consiste em uma técnica em que as células do próprio paciente são modificadas geneticamente para eliminar células tumorais.

Desde 2022, a FMRP-USP tem a Nutera, a primeira fábrica de produtos celulares da América Latina, dedicada à produção de terapias celulares.

Atualmente, há pesquisas em andamento para o tratamento de leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin. Mas a intenção é expandir a pesquisa para criar novos protocolos para outros tipos de cânceres.

As próximas pesquisas devem se voltar para o combate de cânceres do sistema nervoso central e doenças autoimunes, a exemplo da nefrite lúpica.

A França é o país que mais trata pacientes a partir da terapia celular e já soma mais de 5 mil pessoas submetidas ao tratamento com células CAR-T.

•        O que é o CAR-T Cell, tratamento de câncer que elimina tumores em 30 dias?

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, trouxe ao Brasil o tratamento CAR-T Cell, considerada a mais revolucionária da oncologia e aplicada em poucos países.

Graças a este protocolo, os 14 pacientes tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tiveram, pelo menos, 60% de remissão dos tumores. Um deles, Paulo Pelegrino, de 61 anos, que enfrentava um linfoma há 13 anos e estava prestes a receber cuidados paliativos, teve remissão total da doença.

A terapia contra o câncer retira as células T do sistema de defesa do paciente e as modifica geneticamente para que possam reconhecer as células cancerígenas. Reintroduzidas ao corpo, as células T se multiplicam e são capazes de eliminar os tumores.

<><> Alto custo

A princípio, o método tem como alvo três tipos de cânceres: leucemia linfoblástica B, linfoma não Hodgkin de células B e mieloma múltiplo, este último ainda indisponível no Brasil.

Já a resposta ao tratamento costuma ser rápida. Dos 13 pacientes tratados com a CAR-T Cell, nove tiveram remissão completa da doença em 30 dias. Mas o custo na rede de saúde privada pode ultrapassar o valor de R$ 2 milhões por pessoa.

“Devido ao alto custo, este tratamento não é acessível em grande parte dos países do mundo. O Brasil, por outro lado, encontra-se em uma posição privilegiada e tem a rara oportunidade de introduzir este tratamento no SUS em curto período de tempo”, diz Dimas Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular CEPID-USP e do Núcleo de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto ao G1.

<><> Próximos passos

O tratamento do primeiro grupo exposto à terapia celular foi custeado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Já no segundo semestre, mais 75 pacientes serão submetidos ao tratamento, desta vez bancado com verbas públicas após a autorização da Anvisa para estudos clínicos.

 

Fonte: The New York Times

 

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