Jair
de Souza: Traição à pátria está no DNA do bolsonarismo
As
recentes ofensas contra o povo brasileiro proferidas pelo Chanceler alemão,
Friederich Merz, logo após seu retorno da COP-30 em Belém, tiveram repercussões
diferenciadas em nosso país.
Se, por
um lado, a imensa maioria de nosso povo se sentiu indignada com as ultrajantes
palavras do serviçal-maior dos Estados Unidos na Alemanha, a extrema direita
bolsonarista se regozijou com as mesmas.
Como
entender a existência de brasileiros que se identificam com uma atitude tão
deplorável e cheia de preconceitos racistas, como a exibida pelo supremacista
germânico?
Lamentavelmente,
a aquiescência com esta injúria a nossa nação é tão somente um detalhe menor do
real instinto entreguista que caracteriza o bolsonarismo. Na verdade, a
subserviência aos poderes e culturas dos centros capitalistas hegemônicos vai
muitíssimo além deste episódio envolvendo o Chanceler alemão.
Os
bolsonaristas são todos, vou repetir para que não haja mal-entendidos,
absolutamente todos, sem exceção, adeptos da ideia de que nosso país é composto
por gente de categoria inferior, que, por isso, precisa e deve ser sempre
tutelada por quem tem mais inteligência, juízo e capacidade, como, por exemplo,
os Estados Unidos.
O
entreguismo bolsonarista coloca sempre em primeiro lugar aquilo que é
considerado prioritário pelos que comandam os Estados Unidos. Por isso, a linha
política do bolsonarismo é traçada a partir dos centros estadunidenses, e não
de nossas próprias especificidades.
Tendo
isto em mente, vamos poder compreender as razões que impulsam os bolsonaristas
a admitirem, e desejarem, até mesmo uma intervenção armada direta de forças
militares gringas em nosso país. Isto ocorre porque as pretensões da grande
potência norte-americano no momento vão por este caminho.
Então,
como o governo de Donald Trump estabeleceu o pretexto do combate aos cartéis do
narcotráfico como sua estratégia principal para a justificação de sua
intervenção nos países latino-americanos, seus subordinados tupiniquins se
puseram imediatamente em ação para incluir o Brasil como seu alvo potencial.
Então,
ao mesmo tempo em que vários dos próceres bolsonaristas se instalaram nos
Estados Unidos para, de lá, coordenarem com as autoridades gringas ações e
medidas que pudessem desestabilizar o Brasil, tanto na economia como na
política, no interior de nosso país, os bolsonaristas se puseram a agir de modo
a gerar condições para justificar a intrusão militar estrangeira em nosso
território.
Assim,
embora todos os indícios revelem que a coluna vertebral do tráfico de drogas, e
do crime organizado em geral, está amparada nas grandes instituições
financeiras (quase todas de propriedade de simpatizantes e apoiadores do
bolsonarismo), as forças bolsonaristas estão empenhadas na campanha que visa
oficializar a inclusão das quadrilhas narcotraficantes no rol das organizações
terroristas.
Evidentemente,
não há neste encaminhamento nenhum propósito real de combater aquilo que de
fato viabiliza o tráfico de drogas. Nenhuma das grandes corporações financeiras
(quase todas de bolsonaristas) que financiam as operações do narcotráfico
seriam atingidas por essa medida. Mas, de todas maneiras, as portas estariam
abertas para que os Estados Unidos possam desfechar ataques armados contra
nosso país, sempre que julgarem oportuno fazê-lo.
Com o
intuito de criar um clima político que favorecesse a aprovação do projeto que
busca legitimar a intervenção dos Estados Unidos no Brasil, o governo do Rio de
Janeiro levou a cabo um massacre de enormes proporções em regiões da periferia
pobre da capital do estado. Na matança por atacado que se sucedeu, puderam ser
contabilizados mais de 130 mortos, nenhum deles do alto escalão dessas
organizações, nenhum deles integrante das milícias que infernizam a vida dos
moradores com apoio policial, e vários deles sem nenhuma prova de envolvimento
real com o crime organizado.
No
entanto, os objetivos bolsonaristas foram plenamente atingidos, pois o que se
almejava era pintar um quadro que propiciasse a volta à tona da questão da
repressão policial como tema de maior preocupação da população. Porém, longe de
representar um verdadeiro desejo de erradicar o narcotráfico de nosso país, o
mais provável é que a operação tinha por meta gerar os pré-requisitos para que
os Estados Unidos recebessem carta branca para atuar no Brasil.
Pelo
que vimos mais acima, e por várias outras razões não mencionadas, está mais do
que evidente que a simpatia externada pelos bolsonaristas aos impropérios do
chefe de governo da Alemanha não é para nada uma exceção à regra, pois o DNA do
entreguismo faz parte da essência do bolsonarismo.
Eduardo
Bolsonaro entra na lista de devedores da União; entenda
Depois
de ser considerado réu por coação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal
Federal (STF), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que continua nos Estados
Unidos tentando conspirar contra o Brasil, recebeu mais uma notícia
desagradável.
A
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) atendeu pedido da Câmara dos
Deputados e incluiu o nome do filho do ex-presidente condenado na lista da
Dívida Ativa da União.
Eduardo
está nos Estados Unidos desde fevereiro e, com isso, acumulou dívida de R$
13.941,40 por ausências sem justificativas nas sessões.
A
inclusão do nome na dívida ativa autoriza a adoção de medidas de cobrança. O
devedor, Eduardo Bolsonaro, no caso, pode sofrer restrição de crédito
(protesto, nome no Serasa, entre outras), no próprio patrimônio e pode, até
mesmo, perder seus bens por leilão judicial, conforme informações da PGFN.
O nome
de Eduardo também foi incluído no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados
do Setor Público Federal (Cadin), no mês de outubro.
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Acabou a licença parlamentar
A
licença parlamentar de Eduardo acabou no dia 4 de agosto. A partir daí, as
faltas nas sessões voltaram a ser contabilizadas. Por enquanto, ele acumula 47
ausências não justificadas, uma justificada e 13 presenças, segundo dados da
Câmara.
A
situação do conspirador ainda pode piorar, pois ele corre o risco, inclusive,
ter o mandato cassado por excesso de faltas. De acordo com as regras, o
deputado que não tiver dois terços de presença perde o cargo. Porém, a Câmara,
só vai contabilizar a frequência de 2025 no próximo ano.
• É preciso barrar a extrema-direita para
a paz e a segurança voltarem ao Brasil. Por Professora Francisca
Acontecimentos
desta semana reforçam a urgência de uma ampla unidade dos setores progressistas
da sociedade para barrar o desrespeito da extrema-direita à Constituição e aos
direitos humanos. Com aval do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a
extrema-direita e o centrão aprovaram nesta terça-feira (18), o desmonte do
Projeto de Lei Antifacção enviado ao Congresso pelo presidente Lula para
combater com inteligência e unidade nacional o crime organizado.
O texto
do relator, deputado Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de
Tarcísio, que jogou pesado para limitar os poderes da Polícia Federal, que só
poderia investigar os crimes com autorização dos governadores. Estranho porque
a PF tem descoberto diversos crimes de colarinho branco com fortes indícios de
ligação com o crime organizado inclusive de políticos.
Por
isso, precisamos continuar a pressão pelas redes sociais e convocar chamadas
para as ruas em defesa da Polícia e da Receita Federal para sufocar
financeiramente o crime organizado e prender aqueles que verdadeiramente ganham
dinheiro com o crime e que não moram em nenhuma favela, muito pelo contrário.
É por
causa de políticos que agem para blindar o crime como o governador do estado e
o prefeito do município de São Paulo, que além de tudo defendem a truculência
policial e acabam incitando ações policiais como a invasão armada ocorrida à
Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Bento, da Zona Oeste da capital
paulista.
Os
policias entraram na escola sem mandado da Justiça porque um pai racista
denunciou que sua filha era obrigada a ter aula de religião de matriz africana.
E a escola apenas cumpria o projeto da Secretaria Municipal de Educação. Os
policiais inclusive constrangeram a diretora questionando o trabalho pedagógico
da escola.
Aí
pergunto: Quem eles pensam que são para entrar num prédio público de uma escola
infantil e questionar o trabalho feito nessa escola? Além de intimidarem a
todos os presentes de armas em punho. Fazem isso certos da impunidade e da
autorização de seus chefes.
Por
isso, é preciso barrar a extrema-direita para a paz e a segurança voltarem ao
Brasil
• Estadão, o poço de cinismo que quer
Bolsonaro em casa e Lula na cadeia. Por Henrique Rodrigues
Quem
leu o editorial do Estadão nesta terça-feira (18) deve ter ficado muito
embasbacado com a visão “humana” do jornalão ao clamar por tratamento especial
para Jair Bolsonaro no cumprimento de sua pena, algo diametralmente oposto ao
que publicou na mesma página de editoriais quando o preso era o então
ex-presidente Lula. A diferença de tom, de argumentos e até de vocabulário é
tão gritante que seria cômico se não fosse a prova cabal de que o jornal que se
apresenta como “o mais antigo defensor da democracia brasileira” pratica, há
anos, o mais descarado “dois pesos, duas medidas”, conforme a coloração
política do condenado.
Em
janeiro de 2019, o Estadão espremeu toda a sua indignação moral para gritar que
Lula já tinha “favorecimento demais” por estar numa sala especial da PF, que
“lugar de preso é na cadeia” e que era uma “afronta à igualdade perante a lei”
sequer cogitar levar o corpo do irmão morto até uma unidade militar ou permitir
um encontro fora do presídio comum. A Lei de Execução Penal, segundo o jornal
de então, não dava “direito irrestrito”, e conceder qualquer regalia seria
“criar direitos exclusivos” para o “líder petista”. O tom era de escândalo:
como ousam tratar um ex-presidente de esquerda com humanidade?
Seis
anos depois, o mesmo jornal, na mesma página, com o mesmo estatuto de “defensor
do Estado de Direito”, defende exatamente o oposto para Jair Bolsonaro. De
repente, “ex-presidente não é um preso qualquer”, a saúde precária (agora sim)
deve ser levada em conta, a Papuda é “degradada demais” para um ex-chefe de
Estado, e prisão domiciliar não seria indulgência, mas “magnanimidade” que
“fortalece a democracia”. O precedente de Lula em cela especial, que em 2019
era prova de escândalo, vira agora argumento de autoridade para justificar
tratamento privilegiado ao ex-capitão. A decisão de Toffoli que era
“arbitrária” e “criativa” em 2019 torna-se, em 2025, modelo de “prerrogativa
inerente ao cargo” quando o beneficiário troca de lado ideológico.
O
cinismo atinge níveis estratosféricos quando o jornal de 2025 reconhece que
“milhares de presos vulneráveis não recebem cuidado remotamente semelhante” e,
em vez de concluir que Bolsonaro deve ter o mesmo tratamento que qualquer outro
doente no sistema (ou seja, nenhum cuidado), conclui que a solução é justamente
dar a ele o que se nega aos milhares. Em 2019, a desigualdade era motivo para
endurecer com Lula; em 2025, a mesma desigualdade vira motivo para abrandar com
Bolsonaro. A lógica é cristalina: quando o preso é de esquerda, a desigualdade
do sistema justifica igualar por baixo; quando é de extrema-direita, justifica
igualar por cima.
E ainda
tem a cereja do bolo: em 2019 o Estadão ironizava a possibilidade de o velório
virar “comício político” caso Lula saísse da cadeia; em 2025, nem uma linha
sobre o risco óbvio de Bolsonaro transformar a prisão domiciliar em QG de
campanha permanente, com público na porta, lives diárias e articulação golpista
com tornozeleira. O silêncio é ensurdecedor. Aliás, é enlouquecedor.
Não há
como ler os dois editoriais lado a lado sem chegar à conclusão inescapável: o
Estadão não tem linha editorial, tem lado. Quando o condenado ameaça a ordem
liberal-conservadora que o jornal defende, é “preso comum” e deve apodrecer na
cela; quando o condenado é aliado histórico da casa, da família Mesquita e do
golpismo de 1964 em diante, de repente brotam “prerrogativas”, “magnanimidade”
e “civilidade republicana”. A isenção que o jornal tanto ostenta é apenas a
máscara que cai toda vez que o interesse de classe fala mais alto que a
coerência.
Dois
editoriais, seis anos de diferença, um único padrão: Lula deve ser tratado como
o pior dos bandidos comuns; Bolsonaro, como vítima de saúde precária que merece
conforto humanitário. A hipocrisia tem nome, endereço e CNPJ: O Estado de S.
Paulo.
Fonte:
Brasil 247/ Fórum

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