Gustavo
Tapioca: A extrema direita brasileira de joelhos aos pés de Trump
Nixon
afundou na guerra às drogas. Bush atolou o mundo na guerra ao terror. Agora
Trump tenta ressuscitar dois cadáveres estratégicos — e a ultradireita
brasileira, sem dignidade, sem projeto, sem soberania, bate continência e se
ajoelha em adoração às vontades do Imperador. O futuro oferecido é um país
submisso diante de Washington, preparado para servir de plataforma a guerras
que não nos pertencem.
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Subserviência mascarada de patriotismo
Os
grandes projetos militarizados dos EUA deixaram cicatrizes profundas. A guerra
às drogas reforçou cartéis e prisões em massa. A guerra ao terror destruiu
países e produziu caos. Agora Trump tenta reciclar esses fracassos com o rótulo
de narcoterrorismo. E a extrema-direita brasileira foi a primeira a importar
integralmente esse pacote antes mesmo de ser testado plenamente pelos EUA.
Governadores
e parlamentares repetem o vocabulário imperial: “narcoterroristas”, “guerra
total”, “inimigo interno”. Nada disso nasceu aqui. É importado, é copiado, é
obedecido. É, em suma, subserviência mascarada de patriotismo.
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São Paulo: o centro operacional da submissão
Sob
Tarcísio e Derrite, São Paulo se tornou o bunker do autoritarismo importado.
Derrite quer reescrever a lei penal conforme as ordens da Casa Branca e o
modelo Bukele. Zucco, Malta, Nikolas, os Bolsonaros Flávio e Eduardo e outros
parlamentares da extrema-direita peregrinam a Bukele como discípulos fervorosos
e estabelecem estreito contato com o presidente de ultradireita de El Salvador.
Enquanto a PM paulista opera sob ethos militar-religioso, São Paulo testa o
modelo autoritário de Bukele. E mata indiscriminadamente culpados e inocentes.
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O Rio como zona de sacrifício
No Rio,
Cláudio Castro elevou a doutrina ao nível de política de Estado. A chacina de
121 mortos no Alemão e na Penha foi justificada com o termo imperial:
“narcoterroristas”. O mesmo usado para bombardear pequenos barcos venezuelanas
e matar pescadores no Caribe.
Aldo
Fornazieri, na CartaCapital, afirma:
“Há
indícios fortes de que a chacina no Alemão e na Penha foi deliberada para
entregar à direita a bandeira da segurança pública. As articulações que Castro
fez com governadores bolsonaristas evidenciam a manobra eleitoral.”
O
alerta de Fornaziere relembra que a chacina ocorreu justamente quando Lula
subia nas pesquisas. A direita precisava de um choque, de um trauma, de um
banho de sangue para reposicionar sua narrativa. E executou.
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O Congresso ajoelhado
Hugo
Motta nomeia Derrite como relator do PL Antifacção na tentativa de inscrever na
legislação brasileira o manual militarizado de Trump. É o Estado policial
permanente sendo arquitetado no Congresso.
Teologia
da guerra santa; messianismo armado; algoritmo do medo. É assim que a
extrema-direita brasileira constrói sua máquina de destruição — e sua conexão
direta com o projeto imperial da ultradireita global.
Enquanto
desloca porta-aviões, submarinos nucleares e navios de guerra para bombardear
barcos de pesca e matar — já circula na mídia o número de 80 pescadores mortos
no Caribe —, a direita brasileira prepara o ambiente político para servir ao
império. É a volta da Doutrina Monroe, agora em português, com operadores
locais.
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A ofensiva global da ultradireita
Há uma
ofensiva coordenada da extrema-direita global. Trump exporta sua doutrina como
franquia ideológica. Bukele vira o cardeal punitivista do império. Milei
converte a Argentina em laboratório ultraliberal e vassalo econômico dos EUA. A
Europa vê neofascismos avançarem. A extrema-direita brasileira se integra a
essa estrutura como colônia ideológica — feliz e voluntariamente.
Enquanto
o BRICS cresce e o Sul Global se reorganiza para romper com a hegemonia dos
EUA, a extrema-direita brasileira faz o contrário: entrega soberania,
território e narrativa ao império.
Há um
movimento internacional em curso — uma ofensiva coordenada, agressiva e bem
financiada da ultradireita global para reorganizar o mundo segundo interesses
de Washington, Wall Street e do complexo industrial-militar norte-americano. O
Brasil não está fora desse tabuleiro. Pelo contrário: é peça decisiva.
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Trump redesenha o tabuleiro e exporta sua doutrina
Desde
que reassumiu protagonismo político, Donald Trump opera abertamente para
construir uma aliança autoritária global, baseada em violência estatal,
demonização de inimigos internos, ataques a imigrantes e adoção de doutrinas
militares para “resolver” problemas sociais.
A
Doutrina Trump de “narcoterrorismo”, fechamento de fronteiras e militarização
está sendo exportada como franquia ideológica para governantes submissos. E
dois presidentes tornam-se peças-chave nessa engrenagem.
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Bukele: o cardeal punitivista do império
Nayib
Bukele é hoje o principal garoto-propaganda de Trump na América Latina. Seu
país virou vitrine de mega-presídios, laboratório de exceção jurídica, zona
livre de direitos humanos. Bukele não governa El Salvador. Administra um
protótipo para exportação.
E a
extrema-direita brasileira vai a San Salvador — com dinheiro público de diárias
gordas, sorridente como turistas em direção à Disneylândia — aprender com um
tutor competente como aprimorar conhecimentos para destruir direitos,
normalizar a barbárie, prender, torturar e matar.
Derrite,
Zucco, Malta, Nikolas, os Bolsonaros Eduardo e Flávio e outros parlamentares da
extrema-direita veem Bukele como inspiração — como se o fracasso humanitário
salvadorenho fosse manual de governo.
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Milei: o vassalo econômico
Na
Argentina, Javier Milei cumpre outro papel: converter uma nação inteira em
experimento ultraliberal radical, colapsando o Estado para entregar o país às
corporações internacionais via destruição acelerada de serviços públicos,
entrega de recursos naturais, submissão irrestrita ao dólar, ataque direto aos
direitos sociais.
A
política externa de Milei é ainda mais explícita. Ele se coloca como súdito
ideológico de Trump, como ponta avançada da ultradireita no Cone sul. E a
extrema-direita brasileira vê em Milei o “modelo econômico” complementar ao
“modelo policial” de Bukele.
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A Europa em chamas: a marcha dos neofascismos
A
ofensiva da extrema-direita não se limita às Américas. Na Itália, Meloni
reabilita teses autoritárias com verniz nacionalista. Na Hungria, Orbán
converte o país em laboratório de democracia iliberal. Na França, a
extrema-direita flerta com o poder. Nos EUA, governadores republicanos desafiam
abertamente direitos civis.
Tudo
isso acontece sob a sombra do trumpismo internacional e de uma doutrina que
combina ódio, militarização, xenofobia e perseguição a adversários políticos. A
extrema-direita brasileira se integra a esse movimento com entusiasmo de
colônia e dedicação sem reservas e sem limites.
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Brasil: peça-chave do imperialismo do século XXI
É neste
contexto global que a extrema-direita brasileira se entrega inteiramente ao
papel de satélite militar, de plataforma de operações, testa de ferro regional
e repetidora ideológica da nova Doutrina Trump.
Enquanto
China, Índia e países do Sul Global se reorganizam para romper com a hegemonia
norte-americana, a extrema-direita brasileira caminha na direção oposta: volta
ao século XX, volta ao colonialismo, volta à lógica de tutela estrangeira.
E tudo
isso ocorre justamente quando o Brasil recupera protagonismo diplomático, no
momento em que Lula recoloca o país no centro do debate climático, o BRICS+ se
expande e novas rotas tecnológicas e energéticas surgem fora do eixo
EUA–Europa.
Trump
sabe que não pode perder o Brasil — nem permitir um segundo mandato forte de
Lula 4.0. Por isso, seu exército ideológico latino-americano em geral — e
brasileiro, em particular — atua sem disfarces.
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A reeleição de Lula e o pânico no gabinete do imperador
As
pesquisas apontam para a reeleição no segundo turno. Trump sabe disso — e não
aceita. Prefere um Milei, um Bukele ou qualquer “brother” brasileiro disposto a
obedecer. A histeria da direita brasileira — que sequer tem candidato indicado
para concorrer contra Lula — é reflexo direto desse pânico geopolítico.
Trump
tenta ressuscitar duas guerras fracassadas. A extrema-direita brasileira aceita
ser seu capataz. O Brasil pode ser arrastado para conflitos que não são nossos.
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Uma escolha muito difícil
Mais
uma vez, surge a célebre frase — “Uma escolha muito difícil” —
título de editorial do jornal O Estado de S. Paulo, publicado em 8 de outubro
de 2018, durante a corrida presidencial entre Bolsonaro e Haddad. Dessa vez,
envolvendo Lula e um candidato que ninguém sabe ainda quem é. O dilema do
Estadão em 2018 pode ressurgir a qualquer momento em forma de pergunta
inquietante:
O
Brasil continuará ajoelhado aos pés do Tio Sam Imperador e Senhor da
Guerra — ou dirá NÃO ao papel de colônia militar do império?
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A ultra-simpatia do governo Milei com Trump. Por Maíra
Vasconcelos
Javier
Milei cumpriu com o que havia dito, em uma reunião do Mercosul, que faria
acordos com os Estados Unidos fora do bloco. E assim foi, ainda que isso
signifique a diminuição do peso da Argentina no Mercosul. Para alguns, um pacto
desequilibrado. Evidentemente, com a balança pendendo com sobra para o lado de
Washington. É histórico, mas não é um acordo de livre comércio, destacam. Em
décadas, é o mais importante e opulento acordo entre os Estados Unidos e a
Argentina.
Em
resumidas linhas, os países darão início a uma relação comercial baseada na
“livre empresa e abertura de mercado”, redução de tarifas aduaneiras,
eliminação de travas comerciais e alinhamento regulatório. O acordo alcança
diversos setores da economia. O agronegócio argentino festeja, ao menos assim
afirmam os jornais locais.
O
interesse de Donald Trump é também bloquear os acordos da Argentina com a
China. Para alguns analistas, esse é o objetivo do governo ultra, muito além
das relações comerciais ditadas pelo acordo. Tal postura abertamente anti-China
do governo Milei é outro modo de se alinhar de modo irrestrito ao governo do
Norte. Esse posicionamento tão radicalmente pró-Estados Unidos é algo inédito
na política nacional, não visto, sequer, nos governos de Carlos Menem e
Mauricio Macri.
O
jornalista Alejandro Rebossio escreveu no jornal “El DiarioAR”, “do texto de
Washington, conclui-se que a Argentina cede em 30 itens específicos, enquanto
os EUA cedem apenas em dois”. Talvez seja esse o preço que a Argentina tenha
que pagar após o resgate econômico vindo do dos Estados Unidos, durante a
campanha eleitoral de outubro.
Naquele
então, Donald Trump surgiu como um novo protagonista da política local. Na
prévia das eleições legislativas, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos,
Scott Bessent, anunciou um swap cambial de 20 bilhões de dólares para a
Argentina e compra de dívida. O presidente estadunidense havia pedido um
resultado concreto para logo após a eleição continuar apoiando o país
financeiramente. A vitória da ultradireita chegou e o mileismo conquistou um
Congresso reconfigurado a favor do governo.
Não é
um dado menor, muito pelo contrário, que com o resultado favorável nas
legislativas o governo passou a ter número suficiente nas duas Câmaras, por
exemplo, para que o presidente não sofra nenhum processo político, como também
para lograr aprovação de decretos e vetos presidenciais. Na Câmara dos
Deputados, os libertários passaram de 39 a 96 cadeiras, e saíram de seis para
19 senadores.
Se era
necessário mostrar apoio nas urnas, o governo de extrema-direita entregou à
Casa Branca uma contundente vitória em nível nacional. A chamada eleição de
meio de mandato teve um peso tão crucial que abriu-se um precedente para se
repensar toda a política nacional. Quer dizer, existe um antes e um depois do
26 de outubro. No entanto, isso não necessariamente assegura uma vitória
presidencial em 2027. Além do mais, uma das interpretações mais difundidas pela
mídia local é que parte da cidadania argentina escolheu dar mais uma chance,
talvez a última, ao mileismo.
Por
isso, também, mesmo que o plano econômico de Milei fracasse, teria ficado
evidente que qualquer alternativa ao peronismo poderia ser uma opção para
suceder os libertários, seja um cozinheiro famoso, um político da direita
tradicional, ou um novo Milei, como dito em um editorial do Le Monde
Diplomatique.
Mesmo
que seja um velho traço conhecido da sociedade argentina, o antiperonismo
mostrou-se mais forte do que se esperava, ou contra todas as previsões pode ter
sido o vencedor. Conseguiu se impor como força social capaz de passar por cima
de supostos casos de corrupção que saíram à luz, envolvendo Karina Milei,
secretária da Presidência, e um candidato-chave da lista de candidatos
deputados do partido “A liberdade avança”, que teria recebido até 200 mil
dólares de um acusado por narcotráfico e lavagem de dinheiro (há provas
contundentes).
O
resgate econômico pré-eleitoral vindo dos cofres de Washington, que pavimentou
a vitória mileista, significou uma exceção dentro dos conhecidos salvamentos
realizados pelo chamado Fundos de Estabilização Cambiária dos Estados Unidos,
ativado historicamente em graves crises financeiras. Como México em 1995,
Coréia do Sul em 1997, Brasil em 1999 ou Turquia em 2001, explicou em artigo o
pesquisador do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas
(CONICET), Bernabé Malacalza.
Após
Milei ter conseguido virar o jogo da política interna, não sem a “ajuda” dos
Estados Unidos, que agora está de olho nos países da América do Sul (Colômbia,
Brasil e Peru têm eleições em 2026), o acordo comercial é usado também como
superexposição da relação carnal entre ambos governos de direita radical.
O
presidente argentino irá viajar novamente aos Estados Unidos para então assinar
o acordo que ainda entrará em vigência. Além do mais, os detalhes e implicações
do chamado Marco para um Acordo sobre Comércio e
Investimentos Recíprocos estão por serem conhecidos. Apenas sobre um
item, cito textual, “A Argentina e os Estados Unidos cooperarão para facilitar
o investimento e o comércio de minerais críticos. Também concordaram em
trabalhar para estabilizar o comércio global de soja”. A questão agora, se é
que há alguma novidade, é como ocorrerá a abertura, principalmente, ao mercado
de minerais, como no caso do tão comentado lítio argentino.
Fonte:
Jornal GGN

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