quarta-feira, 23 de julho de 2025

Asma é a terceira doença crônica mais atendida pelo SUS

A doença, que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros, representa um dos maiores desafios respiratórios no país. Ainda cercada por mitos, a asma é uma condição crônica que, apesar de não ter cura, pode ser controlada com acompanhamento adequado e o uso correto de medicamentos. Segundo dados do Ministério da Saúde, só entre dezembro de 2023 e abril de 2024 foram registradas 1.885 ocorrências de síndromes respiratórias agudas graves, muitas delas associadas à asma, que continua sendo a terceira doença crônica mais atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos cinco anos, mais de 12 mil brasileiros perderam a vida por complicações relacionadas à condição.

Com cerca de 20 milhões de asmáticos no Brasil, o monitoramento da função pulmonar se torna essencial para evitar crises e hospitalizações. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) reforça que a asma pode ser controlada com o uso adequado de medicamentos e acompanhamento frequente. Uma ferramenta essencial para o acompanhamento da asma é o medidor de pico de fluxo expiratório (PFE), um dispositivo portátil que permite monitorar a variabilidade da obstrução das vias aéreas e detectar sinais precoces de crises antes mesmo do agravamento dos sintomas. Estudos publicados no Jornal Brasileiro de Pneumologia destacam que a medição seriada do PFE pode auxiliar na predição da doença, enquanto as orientações da Global Initiative for Asthma (GINA) e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) recomendam seu uso como estratégia para otimizar o tratamento. O monitoramento regular possibilita ajustes mais precisos na medicação e na rotina do paciente, o que pode reduzir significativamente a necessidade de internações hospitalares relacionadas a crises asmáticas.

Pedro Henrique de Abreu, gerente de Marketing e Produtos da G-Tech, empresa referência em soluções de saúde domiciliar e hospitalar, enfatiza o quanto a tecnologia auxilia no controle da doença “O medidor de pico de fluxo expiratório é uma ferramenta não utilizada para a detecção precoce de alterações nas vias aéreas, mas também permite uma abordagem mais personalizada do manejo da doença. Ele oferece aos pacientes e médicos dados precisos, possibilitando o ajude antecipado no tratamento, antes mesmo dos sintomas se manifestarem”, afirma. “Essa capacidade de monitorar e agir de forma proativa pode ser determinante para evitar complicações mais graves”.

Entre os principais desafios no combate à asma, estão a desinformação e os equívocos sobre a doença. Mitos como a ideia de que a asma desaparece com a idade ou que impede a prática de exercícios físicos dificultam o tratamento adequado. No entanto, especialistas reforçam que a asma pode ser controlada e que pacientes bem acompanhados podem levar uma vida ativa sem grandes limitações.

Diante do impacto da asma na saúde pública, médicos e especialistas alertam para a necessidade de reforçar o acompanhamento médico, especialmente durante o outono e inverno, quando os fatores ambientais aumentam o risco de crises. Além do monitoramento respiratório, cuidados como manter os ambientes bem ventilados, evitar acúmulo de poeira e seguir rigorosamente as orientações médicas são fundamentais para prevenir complicações. “Com o uso da tecnologia aliada ao conhecimento médico, é possível reduzir significativamente o impacto da asma na qualidade de vida dos pacientes e no sistema de saúde”, conclui Abreu.

<><> Novo medidor como apoio ao diagnóstico precoce ganha reforço

Para tornar esse acompanhamento mais simples e eficiente, a G-Tech acaba de lançar um novo modelo de medidor de pico de fluxo expiratório que pode ser usado tanto por adultos quanto por crianças. O aparelho mede a força com que o ar é expirado pelos pulmões, ajudando a identificar sinais de obstrução nas vias respiratórias ainda em estágio inicial. Isso permite que pacientes e médicos reajam com mais rapidez e segurança diante de qualquer alteração no quadro. Simples de usar, o dispositivo pode ser utilizado em casa ou em hospitais e consultórios.

Entre os principais benefícios estão a facilidade no controle diário da asma, o acompanhamento da eficácia dos medicamentos e a possibilidade de ajustar o tratamento antes mesmo dos sintomas aparecerem.

“O grande valor desse tipo de tecnologia está em antecipar problemas. Quando o paciente consegue identificar que algo está diferente na respiração antes de sentir falta de ar, ele ganha tempo e qualidade de vida. É um cuidado que traz autonomia e tranquilidade”, afirma Pedro Henrique de Abreu, gerente de Marketing e Produtos da G-Tech.

A indicação é que o uso do medidor seja orientado por profissionais de saúde e incorporado à rotina dos pacientes com histórico de instabilidade respiratória. Ao registrar os valores de pico de fluxo ao longo do tempo, o equipamento contribui para decisões clínicas mais precisas e fortalece estratégias de prevenção. Em períodos mais frios, quando há maior incidência de crises, o monitoramento contínuo pode reduzir internações e melhorar o controle da doença.

•        Asma não tem cura, mas pode ser bem controlada

De acordo com a pesquisa Nacional de Saúde (Ministério da Saúde/IBGE), 6,4 milhões de brasileiros acima de 18 anos têm asma, que é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. “Tosse, falta de ar, chiado no peito e dor para respirar, que é aquela dor que o paciente puxa o ar e tem a sensação de que tem um peso em cima dele, que não o deixa respirar bem”, explica a alergista e imunologista Bárbara Britto, que atende no centro clínico do Órion Complex. Para chamar atenção para a enfermidade, o Dia Mundial da Asma é comemorado na primeira terça-feira de maio, que neste ano será no dia 6.

Em Goiânia, em razão da data, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia – Regional Goiás em conjunto com a Sociedade Goiana de Pneumologia e Tisiologia realizam um dia de esclarecimentos para a população, com participação de ligas acadêmicas. Das 9h às 17h, quem passar pelo hall entre as recepções do centro clínico do Órion Complex, no Setor Marista, receberá panfletos com informações sobre a asma, poderá assistir vídeos educativos e tirar dúvidas sobre o uso de dispositivos inalatórios. O evento é aberto à comunidade em geral e com participação gratuita.

Bárbara Brito explica como é possível identificar a asma. “Nas crianças menores de 2 anos, quando apresentam o primeiro episódio de sibilância na vida, chamamos esse quadro de bronquiolite. Depois disso, se criança continua apresentando episódios de chiar o peito, principalmente quando fica gripada, da-se o nome de sibilante recorrente, comumente chamado de bebê chiador. Até os 4 anos, utilizamos alguns escores para pontuação de fator de risco para se tornar um asmático. Damos o diagnóstico de asma a partir de 4 aninhos, quando é possível fazer exames como a espirometria”.

No evento que acontece na terça-feira no Órion, a médica ressalta que poderá ser feito um teste por aqueles que passarem pelo local. “É um exame que ainda não está amplamente disponível, se chama fração de óxido nítrico exalado e vamos fazer no dia da campanha. Ele mostra a inflamação, mede a possibilidade de estar acontecendo inflamação na via aérea inferior, ou seja, inflamação dentro do pulmão. Um exame que parece um videogame, então a pessoa, inclusive as crianças, que tiverem a destreza de soprar, podemos realizar o teste”.

<><> Sem cura

Vale lembrar que por ser uma enfermidade crônica a asma não tem cura. “Mas tem como entrar em remissão. Pacientes que tratam a sua doença de forma adequada, em algum momento da vida, podem ficar tão bem controlados que se consiga retirar a medicação contínua. Existem alguns estudos que mostram que nós temos fenótipos e genótipos diferentes de asma. Então, alguns pacientes podem ter asma na infância e depois passar. Quando começa um pouco mais velho, depois dos 5, 6 anos, pode ter um período com quadro de asma e melhorar na adolescência. E tem pacientes que vão abrir quadro de asma somente por volta dos 30, 40 anos. O tratamento é feito através dos dispositivos inalatórios, as famosas bombinhas de uso contínuo”, detalha a especialista.

A alergista pontua que a asma pode tanto ser confundida com outras enfermidades como também conviver com elas. “A asma deve sempre ser diagnosticada num contexto de tosse crônica e precisa ter alguns outros diagnósticos diferenciais com outras doenças pulmonares como o enfisema pulmonar e doenças fúngicas do pulmão. Muitos pacientes que possuem, por exemplo, refluxo, podem ter um quadro de tosse crônica e precisam ter diagnóstico diferencial. Contudo, a asma pode estar em conjunto com outras doenças que a fazem ficar pior, como o refluxo, a obesidade e doença obstrutiva do sono”.

Para Bárbara Britto, um dos objetivos do evento no Órion neste Dia da Asma é conscientizar as pessoas de que não falta tratamento para a doença, mas falta tratar adequadamente. “Menos de 50% dos pacientes que têm asma estão com as suas doenças bem controladas. A maioria vai para um pronto-socorro em vez de tratar adequadamente a doença em casa. Na campanha deste ano queremos lembrar que a disponibilidade dos medicamentos é para todos, pelo SUS, desde as bombinhas até medicamentos de alto custo, como os imunobiológicos. A maioria dos pacientes acha que precisam tratar a crise, mas eles devem tratar a doença, porque pacientes com asma bem controladas não precisam ir para o serviço de emergência”, destaca.

 

Fonte: Saúde Debate

 

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