Dom Vicente Ferreira: “Abraçar os pobres é uma questão de fé para os
cristãos”
A partir da
pergunta: “o que estamos fazendo como nossa Casa Comum?”,
Dom Vicente apresenta uma série de questões em torno da ecologia
integral e que ultrapassa, e muito, o percurso conservador da Igreja
Católica em Sergipe. Ele fala de conversão ecológica e aponta um
estilo de vida “extremamente pautado por um sistema que a gente conhece, do
lucro acima de tudo, do extrativismo sem limites,
para poder proteger uma minoria planetária”. E diz mais: “a gente tem que
abraçar mais o que vem desde baixo, os pobres, os atingidos. Isso é uma questão
de fé para nós que somos cristãos. A Páscoa que nós vivemos não acontece se a
gente não tocar as feridas do corpo crucificado de Cristo”.
Ele reforça que
“nosso planeta tem reservas finitas. E não temos planeta B.
A Terra não vai suportar por muito tempo mais esse estilo de vida
global”. Segundo Dom Vicente, o que a Igreja
Católica no Brasil está propondo com a Campanha da
Fraternidade, “a partir de uma leitura da tradição judaico-cristã, é totalmente
dialogável com as tradições religiosas de matriz africana, com os povos
originários, quilombolas. Essa questão que vem para nós, que temos a herança
cristã, vem dessa vocação do ser humano como guardião da criação”.
Dom
Vicente acredita na força transformadora dos territórios, sendo um espaço
fundamental para se falar de ecologia
integral.
“Os territórios dos quilombos, dos povos originários, dos pescadores, dos
moradores de rua, os territórios dos que estão foragidos, refugiados…e estão
invadindo esses espaços sagrados, reservas ambientais, religiosas, de
espiritualidades, de povos, de heranças, de uma forma cínica, ostensiva,
cruel”. E Dom Vicente faz um alerta: “nos escombros de hoje, de
tantas tragédias, não pense que os mártires estão dormindo. Eles têm direito
sobre nós. O direito dos mortos na vida dos vivos. Quem nós já matamos por
injustiça, não deixará a gente seguir em paz se a gente não buscar a justiça.
Não deixará. Mas não é só a gente, a própria natureza. Se nós somos injustos
com ela, ela não vai deixar a gente seguir o nosso curso feliz. Não vai”.
<><> Eis
a entrevista.
·
Em
que momento o senhor, bispo na Igreja Católica, começa a se envolver com a
questão da ecologia?
Quando aconteceu
a tragédia
em Brumadinho [Minas
Gerais, 272 mortos], em 25 de janeiro de 2019, eu estava lá. A partir desse
momento começa mais o meu envolvimento com a temática ecológica, a partir da
fé, a partir da pastoral, do meu envolvimento com as comunidades atingidas.
Isso foi um despertar para alguma coisa que eu chamo de conversão
ecológica. Inclusive, na época, um mês depois da tragédia, fiz uma canção que
se chama “Lamento”. Ou seja, o tema da ecologia integral na minha vida não
nasce apenas como uma conclusão epistemológica, de um professor que pesquisa,
que lê, o que também faço. Nasce, sobretudo, de uma experiência, de um drama e
de um trauma que vem carregado de uma tragédia, de um crime absurdo.
·
Neste
ano, a Igreja Católica no Brasil resolveu escolher como tema da Campanha da Fraternidade
a ecologia integral. O que indica essa escolha?
2025 é um ano muito
importante para a sociedade, para a Igreja. Falando de Igreja Católica,
o papa Francisco proclamou esse ano como o do Jubileu da
Esperança. Também temos os 800 anos do Cântico das Criaturas de São
Francisco de Assis.
Do ponto de vista social, em novembro acontecerá a COP30, que é um tema também
muito importante a ser debatido. Então, é um ano propício para a gente acelerar
nossos debates e também algum tipo de tomada de decisão dos nossos caminhos.
Quando nós falamos de ecologia integral, a primeira pergunta que nós
devemos honestamente fazer é: o que está acontecendo com a nossa Casa
Comum? Isso deve ser tratado com muita honestidade, sem precipitações.
·
O
que está acontecendo com a nossa Casa Comum? Aquecimento global?
O aquecimento
global é
uma imagem que reúne todas as situações dos problemas que acontecem. Mas não é
só o aquecimento. Mas parece que sobre ele confluem todas as nossas indagações.
O aquecimento global é uma pauta que se impõe. Ele é uma resposta do nosso
planeta às nossas ações humanas. Então a primeira coisa a considerar são as
raízes humanas da crise ecológica. Nós não podemos nos isentar enquanto
espécie que pensa, que tem belezas como as tecnologias, as ciências, as
religiões. Não podemos hoje virar as costas para essa questão como se ela não
fosse problema nosso. A crise ecológica não só é problema nosso
porque nos afeta, ela é causada em muitos sentidos por nós. Esse aqui é um dos
pontos do nosso drama, que é um estilo extremamente pautado por um sistema que
a gente conhece, do lucro acima de tudo, do extrativismo sem limites, para
poder proteger uma minoria planetária. Esse é o nosso grande drama hoje: 1% da
população global detém mais de 50% das riquezas do planeta e ainda se acelera
os controles dos territórios, das reservas, do petróleo, das energias, dos
alimentos.
·
E
os reflexos disso estão em toda Casa Comum, não é?
Estão
em Brumadinho, em Sergipe, em Aracaju. Não são problemas
isolados, locais, eles estão interconectados. Tem um jeito de ser nosso que
está produzindo cada vez mais esses desafios e o pior ainda, todos os esforços
maiores que nós temos hoje parecem tapar o sol com a peneira. Em nome de
solucionar um problema ecológico, você acredita na técnica, mas essa técnica
exige mais exploração da terra e os limites das fontes, das reservas que estão
se esgotando. Muita gente, eu sei, não acredita nisso, acha que nosso planeta é
infinito nos seus recursos, mas parece-me que já há provas que não é assim, de
que o nosso planeta tem reservas finitas. E não temos planeta B. Estão falando
aí que vão para Marte, para a Lua, mas
me parece que o planeta que nós temos é só esse. E se tiver outro, talvez vai
uma minoria ainda menor porque não será nosso. Então, a partir da pergunta: o
que está acontecendo com a nossa Casa Comum é que nasce uma proposta
da nossa Igreja, que se chama Ecologia Integral.
·
O
problema é que ecologia virou palavra da moda, tem até mineradora usando.
Aí que está. A
gente precisa defender a ecologia integral no seu ponto certo, porque
é verdade, tudo hoje já virou ecologicamente sustentável, você convive com as
coisas mais contraditórias, por exemplo, o capitalismo
verde,
a mineração verde, essas coisas assim. Tem uma figura de linguagem, o
oxímoro, que é quando você põe duas palavras opostas convivendo como se fosse
uma possível. Ecologia Integral é um pouco mais do que simplesmente
tomar algum tipo de ação. Trata-se da necessidade e da urgência de
uma conversão global. A Terra não vai suportar por muito tempo
mais esse estilo de vida global. Daí vão brigar as nações, os países, têm
algumas propostas que são até terríveis. Vi outro dia uma leitura dos
super-ricos propondo que a humanidade tem que diminuir o número de habitantes
da Terra. Eu perguntei: vai começar diminuindo por vocês?
A ideia de ecologia
integral da campanha dialoga com outras religiões, não é?
Sim. O que nós
propomos enquanto Igreja, a partir de uma leitura da tradição
judaico-cristã, também é totalmente dialogável com as tradições religiosas
de matriz africana, com os povos originários, quilombolas. Essa
questão que vem para nós, que temos a herança cristã, vem dessa vocação do ser
humano como guardião da criação. Guardião é aquele que protege e não promove
destruição. É preciso ter consciência, atitudes, de que nós devemos assumir
nesse universo maravilhoso o nosso papel, a nossa vocação de guardiães, de
protetores da Casa Comum, da biodiversidade. Nós não somos
únicos nesse planeta, nós estamos interligados, nós somos uma sincronia de vida
que pulsa, nós somos átomos, água, rios. Nós não somos um corpo isolado jogado
aí como se a gente vivesse de qualquer maneira, independentemente das outras
espécies do meio ambiente, não, nós somos natureza. Esse é um problema que
talvez tenha que ficar claro e debatido, principalmente no mundo político e nas
nossas religiões ainda mais.
·
Essa
é uma visão fundamental: que se nós somos todo, natureza, e esse todo está
comprometido, como está em Romanos, então “A criação geme em dores de parto”.
Exatamente. Nós
somos natureza, nós não somos uma espécie de ser com uma alma abstrata que está
voando por aí, nós somos corpo, esse corpo é composto de água, de químicas e
tudo isso está interligado com o universo. Então ecologia integral é isso,
tratar a vida como uma ligação, uma interconexão maravilhosa e se você tem fé e
se for pela fé cristã, uma interconexão maravilhosa na qual nós fomos inseridos
por um desígnio amoroso, lindo, especial, mas para cuidar desse jardim, não
para destruir. Nós não temos autorização de fazer muitas coisas que fazemos,
até por um interdito bíblico, “aqui tu não mexes, isso aqui não te pertence’’,
não avances as leis da natureza, não quebre as conexões, as cadeias porque isso
vai gerar problemas. A ecologia integral é uma visão holística da
nossa vida, tudo está interligado em nossa Casa Comum. Então, toda vez que
a gente vê um crime socioambiental grande, a gente se desespera, mas também
toda vez que eu vejo um cidadão jogando uma latinha vazia para fora do carro eu
me pergunto: ele está jogando para dentro da sua própria casa? Destruindo a sua
própria casa? Isso acontece em nós, não tem fora nem dentro, nós somos
habitantes de uma Casa Comum.
·
Ou
seja, a questão ecológica precisa ser integral e interligada.
Nós estamos
tentando ainda construir, porque é uma categoria nova, muito debatida, mas a
gente tem que ter esse ponto: tudo está interligado. Se você faz um gesto de
amor, se você resgata uma fonte, protege uma floresta, um terço da participação
é nossa, o resto a própria natureza conduz. Tu plantas uma roça, apenas planta
e ajuda a cuidar, mas 80% quem faz é a terra. É muito generosa, como
dizia Gandhi, a natureza pode suprir todas as nossas necessidades, menos a
ganância. Isso é ecologia integral.
·
Dom
Vicente, o grande desafio é conciliar questões globais com as locais.
Sim, este é um
outro ponto para essa conversão
ecológica.
Para os problemas globais nós temos que construir diálogos globais, senão não
adianta. O Brasil resolve de cá, o Norte do planeta não resolve de
lá, e a gente vai ficar aí. Se não houver algumas confluências de decisões
globais, as coisas não se resolvem. Então acho que nós temos que, como
cidadãos, pensar localmente, mas agir com efeitos globais. Nós não vamos nos
salvar sozinhos só cuidando de Aracaju. A gente tem que estar antenado
para construir pontes globais. Também não vamos construir pontes
globais se as soluções não nascerem em nosso próprio quintal. Nós temos
que cuidar aqui. Então, essa interconexão entre local e global é muito
importante na hora das ações. Eu até penso que nenhuma ação que defenda a
natureza é só local, porque ela tem reverberações globais. Uma fonte que seja,
um rio que seja, ele tem repercussões globais. A natureza se encarrega de
globalizar isso. Se tu limpas o ar de uma cidade, a natureza vai reverberar
essa ação. Então, primeiro ponto é esse: casar muito bem o local. Ainda mais
hoje que nós temos redes sociais, é fácil socializar. Uma ação aqui, uma
semente crioula descoberta… Você comunica com o mundo inteiro sobre isso, e de
repente muita gente vai passar a aderir a essa prática.
·
Convocar
para a ação de uma ecologia integral é olhar os mais pobres, as maiores vítimas
das doenças dessa Casa Comum, o senhor não acha?
Esse ponto é muito
caro à nossa igreja, principalmente ao magistério do Papa
Francisco,
e que eu acho que é daí que vem as soluções. Eu acho que a gente tem que
abraçar mais o que vem desde baixo, os pobres, os atingidos. Isso é uma questão
de fé para nós que somos cristãos. A Páscoa que nós vivemos não acontece se a
gente não tocar as feridas do corpo crucificado de Cristo. Para nós, o
cosmos é também o corpo de Cristo. É bíblico. Nele, por Ele, para Ele
todas as coisas foram criadas. Então há aí um mistério que transcende a própria
materialidade das coisas. Nós não lidamos com a natureza apenas como objeto, há
uma sacralidade incluída em tudo isso. E aí, quando a gente vê massas e massas
de pessoas descartadas, e vê a palavra de Deus dizendo
que Deus viu o sofrimento do seu povo, que Cristo tocou as
feridas humanas daqueles que eram mais descartados, a gente só pode pensar hoje
também em soluções práticas se a gente incluir os mais frágeis. Eu tenho
traduzido isso como uma vulnerabilidade, como sendo o nosso endereço do
século XXI. A gente lida com vulnerabilidades trágicas. É aí que a gente
também tem que escutar para ver de onde vem as soluções. As feridas são o nosso
endereço pós-moderno, endereço religioso, político, social. Na
exortação Laudate Deum, um documento também ecológico, o papa fala do
multilateralismo desde os debaixo.
·
As
soluções vêm na vida real, dos debaixo e que estão nos territórios.
Sim. Estamos num
tempo em que o virtual é uma grande armadilha, de achar que a nossa vida se faz
num espaço virtual. Mas, e a vida real? Quem está pensando? Quem está dominando
as redes sociais? Estão fazendo em função de quê? Então, eu ponho a palavra
território como o nosso lugar, um espaço afetivo, geográfico, onde nós vivemos.
E aí está acontecendo uma urgência, inclusive do mundo político, de defender os
territórios dos pequenos, porque eles estão sendo invadidos. Isso
é Brumadinho, é Chapada Diamantina, é aonde você for, principalmente
aqui que nós conhecemos mais a realidade brasileira, e se invadem espaços
sagrados, reservas ambientais, religiosas, de espiritualidades, de povos, de
heranças, de uma forma cínica, ostensiva, cruel. E aí nós vamos gerando uma
rede de pessoas foragidas, expulsas, sem espaço. Em nome de quê? Nós temos uma
terra tão grande. Então, a palavra território é fundamental para se falar
de ecologia integral, para a gente não ficar num pensamento abstrato. Os
territórios dos quilombos, dos povos originários, dos pescadores, dos moradores
de rua, os territórios dos que estão foragidos, refugiados. O mundo está
sendo tomado por essas realidades e nós precisamos responder a ecologia
integral a esses grandes desafios que nós temos.
·
É
possível ter esperança diante de um quadro de destruição tão grande?
Penso que nós temos
poder de destruir muita coisa, mas nós não temos poder de destruir o amor. O
amor precisa de nós, concorda? Ele é divino e quis precisar de nós, mas ele,
mesmo quando é morto, ele tem a força de ressurgir. É assim que eu vejo, no
corpo pascal de Cristo, o maior descartado da história. É assim que a
gente vê na força de nossos mártires. Ninguém tem, por maior poder e dinheiro,
capacidade de eliminar de uma vez por todas uma voz que se ergue em favor da
vida. Não tem. Eu venho de uma escuta tão profunda das feridas da terra e dos
pobres que cheguei a pensar assim: quiseram enterrá-los, mas se esqueceram que
são sementes. Quando se tenta, por maior poder que seja, barrar a vida de algum
lugar, ela renascerá. Nós não temos o poder absoluto do fim da história, do fim
da criação. Nós somos apenas contribuidores, parceiros dessa obra. Acho que
isso é um princípio espiritual que talvez una todas as religiões. E não ainda o
desespero, porque ele só serve a quem está dominando. Desespero não é opção.
·
Ou
seja, ainda não é o ponto final.
Há um mistério que
transpõe a nossa capacidade de dizer ponto final. Não somos o ponto final. Nós
somos apenas uma escrita em curso, mas o ponto final não nos pertence.
Portanto, a palavra que mais me vem ao coração é o amor. Amor ninguém tem
capacidade de vivê-lo nem totalmente e nem de destruí-lo totalmente. Ele é como
o escrito poético que a gente também faz. Depois de escrito, ele sai das mãos
da gente e se torna outra coisa, independente. O amor tem uma certa autonomia.
Ele não se prende às nossas fronteiras de credos, de raças, de culturas. Ele é
maior do que nós todos. Precisa de nós, mas ele de fato não se restringe às
nossas cegueiras do momento. Por isso, eu acho que a grande transição que virá
– e tem que vir – é civilizatória, passará por um grande pacto de amor. Para
jogar na cara de todos os ímpios, os guerreiros que destroem, que não vale nada
isso de lutar por fronteiras, levantar muros, porque isso tudo aí pertence não
a nós. Olhe, ainda que seja por um único gesto, por uma única respiração, uma
única ação de amor, eu diria que já terá valido a pena ter nascido gente nessa
terra, nesse universo. Nem que seja por um único fio de amor, vale a pena ter
sido gente. E eu gostaria que esse fio então, se espalhasse, ganhasse raízes,
porque a gente sabe que nós somos essa dinâmica proporcional de vida e morte.
Nós somos pequenos, mas não somos pedaços, eu escutei isso esses dias.
·
O
que mais podemos dizer diante disso?
Primeiro, penso que
se o futuro não for feminino, não haverá futuro. Porque é
de Maria que vem o colo, inclusive a Maria de Jesus, que vem o
colo mesmo quando parece que não tem nenhuma vida a mais. Segundo, mesmo nos
escombros de hoje, de tantas tragédias, não pense que
os mártires estão dormindo. Eles têm direito sobre nós. O direito dos
mortos na vida dos vivos. Quem nós já matamos por injustiça, não deixará a
gente seguir em paz se a gente não buscar a justiça. Não deixará. Mas não é só
a gente, a própria natureza. Se nós somos injustos com ela, ela não vai deixar
a gente seguir o nosso curso feliz. Não vai. Portanto, ecologia também integral
é uma forma da gente buscar justiça socioambiental. Não vale consertar,
maquiar. Vale reparar integralmente aquilo que nós estamos colocando a perder
há séculos ou nós não vamos dormir direito. As 272 vítimas da mineração
em Brumadinho vão incomodar a gente sim. Vão, sempre. Por isso, nós
temos que ser muito lúcidos também para convocar não só os vivos. Eu escutei
vários mortos aqui de Aracaju, o rio que passava, não passa, foi
soterrado. Eu só aviso, ele não está soterrado. Haverá uma hora que ele vai
acordar. Os povos originários sabem muito bem disso. Uma hora esse rio que você
injustamente soterrou, ele vai despertar. Assim como também nossos irmãos que
foram e são mártires se despertam na nossa consciência. Portanto,
a ecologia integral também é feita na memória daqueles que
injustamente foram sacrificados pela ganância e pela nossa injustiça.
Fonte: Entrevista
de Cristian Góes, para Mangue
Jornalismo

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