Ricardo
Q. Pinheiro: Rio de Janeiro e a engrenagem da morte
Foi
anteontem. O Rio de Janeiro, mais uma vez, serviu de palco habitual das mazelas
da República. Helicópteros rasgaram o céu da favela; rajadas, correria, corpos
rolando no chão. Mães se agarraram às portas, celulares trêmulos tentando
registrar o que restava de luz. Horas depois, o governador Cláudio Castro
surgiu em cadeia nacional para converter o sangue em manchete: “operação
concluída, a inteligência atuou”. Estava inaugurada a campanha de 2026.
O
sociólogo Loïc Wacquant, em uma frase, há décadas deu o quadro: quando o Estado
social se retrai, o Estado penal se impõe. No Rio (não só), essa retração é
programada. A austeridade corta horizontes, desmonta escolas, precariza vidas;
em seguida, o aparelho punitivo toma seu lugar, disciplinando corpos sem
futuro. A violência é a ferramenta de regulação. A política econômica e a
política da bala são faces do mesmo projeto.
É
oportuno olhar o Atlas da Violência 2025, produzido pelo IPEA. Ali, se
formaliza o que a rua já conhece: enquanto o país vê uma pequena queda nas
taxas gerais, o Rio caminhou na direção oposta, com aumento de 13,6% nos
homicídios. Esses números têm endereço: são jovens negros sem empregos, sem
escola, sem perspectiva. Onde faltam políticas públicas, cresce a justificativa
punitiva – e, com ela, o aplauso de uma parte significativa do eleitorado que
aprendeu a ver ordem na bala.
A
juventude é o alvo. As estatísticas mostram aumento nas mortes entre 15 e 29
anos; entre adolescentes, a explosão é ainda mais brutal. E quando a
contabilidade alcança crianças – 50% de aumento nas mortes entre 5 e 14 anos –,
fica claro que não se tratam de “efeitos colaterais”: é desenho político. A
execução aparece como resposta ao vazio social que a própria política de
austeridade ajudou a produzir.
A
pesquisadora Alba Zaluar vem insistindo numa leitura que hoje é central: a
violência do Rio é um ecossistema, sustentado por circulação de armas,
cumplicidade institucional e abandono social. O que era economia ilegal
encontrou tradução na gestão pública — e o Estado passou a operar como parceiro
e restaurador de uma “ordem” que sacrifica vidas. No governo atual, essa
simbiose se institucionalizou: as operações são mensagens, as mortes, métricas;
o aparelho repressivo se consolida, bloco por bloco.
Houve
um momento de interrupção possível. A ADPF 635 mostrou que limitar
procedimentos letais produz efeitos reais: mortes por intervenção policial
caíram drasticamente – de 1.814 em 2019 para 699 em 2024 – e, com isso, também
diminuíram os homicídios dolosos e roubos. Mas a contenção foi interpretada
pelo governo como perda simbólica, não como ganho civilizatório. Assim, a
estratégia foi reverter limites e reafirmar a estética do choque: liberar
helicópteros, permitir operações perto de escolas, normalizar a artilharia
urbana.
Esse
movimento é um processo – a construção deliberada do nosso aparelho repressivo.
É um projeto com roteiro eleitoral, pois parte da população o legitima como
única solução possível. A violência funciona como espetáculo para uma plateia
que, empobrecida e esmagada pela Bíblia neoliberal da eficiência, recebe no
massacre a sensação imediata de “ordem”. O bordão – “bandido bom é bandido
morto” – é pedagogia política que convence porque promete simplicidade onde
faltam políticas públicas complexas.
O
austericídio transformou a privação econômica em argumento moral. A austeridade
prepara o terreno: corta futuro, elimina alternativas, cria inimigos; depois o
aparelho punitivo executa a lição. O resultado é um círculo perfeito: quem
perde tudo passa a ser identificado como ameaça; quem cruza esse limiar é
punido com morte e exposto como exemplo. O Estado, assim, não só permite a
violência – ele a modela, a racionaliza e a capitaliza politicamente.
A mesma
mão que afaga as fintechs – vitrines reluzentes da austeridade – é a que
customiza a lavagem de dinheiro das grandes redes do tráfico, arma a polícia e
derruba o moleque-avião. O garoto que largou a escola para virar vapor,
buscando uma grana pra sobreviver, é abatido pela mesma máquina que financia o
seu patrão invisível. O circuito é perfeito: o capital se legitima no alto, a
bala fecha a conta embaixo.
Ainda
assim, a engrenagem encontra resistência – ruidosa e concreta. A mãe que não
permite o silêncio, moradores que filmam e denunciam, defensores públicos que
acumulam processos, jornalistas que persistem em nomear o que se tenta apagar.
Esses gestos não são românticos: são a última barreira contra a normalização
completa do extermínio. Na medida em que o aparelho repressivo se organiza,
cada denúncia retém um pouco da liquidação moral que o poder busca.
O
massacre de ontem funciona como demonstração de continuidade e recado. Ele
disse o que o capital, vocalizado pela extrema-direita, quer que o país saiba:
que a ordem se restabelece com medo, que a pobreza é punida com letalidade, que
o ódio rende voto e garante o abismo social. Reconhecer isso é o primeiro passo
para desmontar o aparelho que transforma a política em matança.
<><>
Morro do Alemão: de zona rural a palco de guerra no Rio
Houve
um tempo, no início do século 20, em que a Serra da Misericórdia, na Zona Norte
do Rio de Janeiro, era uma mata de formações rochosas e pouco habitada, cortada
por alguns pomares, nascentes e casebres, inclusive de pau-a-pique. Cem anos
mais tarde, seria o cenário da operação policial mais letal da história recente
do Brasil, ocorrida na terça-feira (27/10) nas favelas do Complexo do Alemão e
da Penha.
No dia
seguinte, o governo estadual, comandado por Claudio Castro (PL), confirmou pelo
menos 121 mortes, cifra que supera matanças como o massacre do Carandiru de
1992.
A longa
história da área rural transformada no complexo de 15 comunidades, onde residem
hoje 54 mil pessoas, começa com o polonês Leonard Kacsmarkiewcz. Radicado no
Brasil, ele adquiriu cerca de sete hectares nos anos 1910, segundo registros
históricos citados pelas pesquisadoras Patrícia Brandão Couto e Rute Imanishi
Rodrigues em relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Conta-se
que o imigrante, que teria chegado ao Brasil na esteira da Primeira Guerra
Mundial, ganhou o apelido de "o Alemão", por conta da aparência que
evocava ares europeus. O seu pedaço de terra se tornaria o Morro do Alemão, que
separa o complexo homônimo do Complexo da Penha — esta, com 13 comunidades. Com
mais de 50 mil habitantes, o Complexo do Alemão supera a população de 90% dos
municípios brasileiros.
<><>
"Aluguel de chão"
Nas
três décadas seguintes às aquisições de Kacsmarkiewcz, algumas fazendas seriam
registradas na região. Assim como em outras partes do Rio de Janeiro onde se
formariam favelas, proprietários recorriam ao "aluguel de chão" — ou
seja, o arrendamento de terras sem registro em cartório para pequenos
produtores rurais.
Mas o
polonês popularmente transformado em "alemão" apostou numa estratégia
diferente. O marceneiro de profissão criou um precário loteamento urbano, sem
infraestrutura, e passou a alugar os terrenos para moradias improvisadas.
"Os
primeiros focos de ocupação do atual Complexo do Alemão foram incentivados pelo
setor privado, posto que os proprietários locais se beneficiavam",
escrevem as autoras do relatório do Ipea.
Kacsmarkiewcz
se tornaria figura conhecida entre os locais por observar com uma luneta a
movimentação na sua propriedade, conta o jornalista e historiador Thiago
Gomide. "O chamado 'muro do Bope' (a estratégia da polícia para cercar os
alvos da megaoperação desta semana) aconteceu exatamente onde ficavam as terras
dele."
A
partir da virada para os anos 1940, o Morro do Alemão e seus entornos
receberiam milhares de pessoas, a contragosto de autoridades locais. Os novos
moradores chegavam, em grande parte, para se juntar a parentes ou atraídos
pelas ofertas de trabalho no polo industrial que emergia, facilitado pela
inauguração da Avenida Brasil em 1946.
As
primeiras ocupações irregulares do território aconteceriam nos anos 1950,
quando a família Kacsmarkiewcz passou a vender os lotes mais altos.
<><>
Boom depois dos anos 1980
Não
seria até os anos 1970 e 1980, entretanto, que o fenômeno ganharia magnitude.
Depois de um boom populacional, o censo de 2000 pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou 65 mil moradores.
"Logo
a família começou a perder tudo por causa das invasões, e não tivemos mais
controle de nada", relata o vereador Vitor Hugo (MDB), que é bisneto do
"alemão" e se apresenta como cria de Olaria, um dos bairros do
entorno.
Quase
nenhum Kacsmarkiewcz ficou na região por causa da rampante violência do último
século. Mas as terras continuam no nome da família, segundo o bisneto do
pioneiro.
O
gabinete do vereador fica perto do Morro do Alemão, onde recebe demandas da
população sobre riscos associado às moradias em encostas, buracos nas ruas e
problemas de iluminação.
"Foram
muitos anos de abandono", diz. Neste ano, ele virou alvo de falatório na
internet ao propor um dia para homenagear as artesãs que fabricam os
"bebês reborn". A Prefeitura vetou.
O nome
Complexo do Alemão seria oficialmente adotado em 1993. Naquele ano, o Exército
e a Polícia Federal chegaram a montar uma operação para tentar retomar o
território do CV, nascido em 1979 no antigo presídio Cândido Mendes, na Ilha
Grande.
Mas o
plano foi abortado na última hora a mando de Leonel Brizola, então no seu
segundo mandato como governador estadual, conforme reportou o Correio
Braziliense. Nos dois anos seguintes, pelo menos duas outras operações
deixariam 27 mortos no Alemão.
<><>
Penha, refúgio de escravizados
Já o
Complexo da Penha tem no centro da sua história um quilombo num ponto de
difícil acesso da Serra da Misericórdia. Era o refúgio de pessoas escravizadas
no século 19, sob a proteção do abolicionista Padre Ricardo, da Igreja da
Penha.
Lá
nasceria o Quilombo da Penha e, nas primeiras décadas do século 20, se
consolidaria como um dos berços da cultura afro-brasileira no Rio de Janeiro,
com lendas e tradições próprias.
"Havia
espaços onde o samba era apresentado nas ruas, antes do rádio, por figuras como
Noel Rosa e Pixinguinha. Era também um lugar marcado pelo encontro de
intelectuais e pelo cruzamento de festas. Mais tarde, a Vila Cruzeiro (uma das
comunidades da Penha) seria marcada pelo desenvolvimento do funk," afirma
Gomide. "Tudo isso marcou o Rio de Janeiro e o Brasil. Ali existe um
universo de saberes."
Foi na
Vila Cruzeiro que, em 2002, o jornalista Tim Lopes, da TV Globo, foi capturado
e, depois, assassinado durante uma investigação sobre o abuso de menores num
baile funk.
<><>
Falência do Estado
A
geografia do Alemão e da Penha, cercados de área verde e estradas de terra, é
um dos fatores que torna a localização estratégica para o crime organizado. Os
complexos tornaram-se uma espécie de bastião do CV, inclusive com estruturas
sofisticadas.
Em
2010, quando três mil policiais e membros das Forças Armadas ocuparam os dois
complexos, rodou o Brasil a imagem de supostos membros do CV fugindo, pelos
corredores na mata, da Vila Cruzeiro ao Alemão. Mais tarde, a operação seria
considerada um sucesso por garantir a entrada das forças de segurança no
território, com o hasteamento de uma bandeira do Brasil.
Mas ao
longo dos anos 2000 nem a ocupação policial, nem a participação do Exército,
tampouco a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) se provariam
eficientes em manter paz duradoura nas comunidades.
"Há
uma relação de pouquíssimo contato entre Estado e favelas", prossegue
Gomide. "O resultado disso costuma ser uma guerra que vai se repetir em
duas semanas ou dois anos. É uma guerra sem fim," diz.
Em 2015
e 2019, as favelas do Alemão foram o cenário das mortes do menino Eduardo
Ferreira Calei, de 10 anos, e da menina Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos,
respectivamente. Ambos foram atingidos por tiros de fuzil durante confrontos
entre policiais militares e o crime organizado.
A Vila
Cruzeiro seria, em 2022, alvo de mais uma operação policial que ganhou
manchetes país adentro ao deixar 23 mortos. Até então, era a segunda mais letal
do estado do Rio de Janeiro, sendo apenas superada pelo massacre do
Jacarezinho, quando 28 pessoas foram mortas.
• Uso de drones por facções pode
transformar conflito urbano em batalha aérea, diz pesquisador
O uso
por integrantes do Comando Vermelho (CV) de drones armados para atacar as
forças de segurança durante a Operação Contenção no Rio de Janeiro na
terça-feira (28/10) indica um ponto de inflexão no tipo de confronto urbano
travado entre o Estado e o crime organizado, aponta o ex-policial e pesquisador
do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Roberto Uchôa.
"O
que aconteceu ontem no Brasil deixou evidente que o campo de batalha mudou,
agora vai se disputar o céu", afirma Uchôa, que também é membro do Fórum
Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo
o especialista, o Estado não tem mais a supremacia do espaço aéreo urbano como
no passado, com organizações criminosas com amplo acesso a drones e ao
conhecimento técnico necessário para transformá-los em armas.
Ainda
de acordo com Uchôa, os traficantes estão próximos de dominar a tecnologia dos
drones de primeira pessoa (First Person View – FPV), que permite ataques mais
precisos e mortíferos.
"Já
trabalhei na Polícia Civil e na Polícia Federal, mas não queria estar na rua
nesse momento", diz o pesquisador. "Tenho preocupações sérias com
essa nova realidade."
"Esses
equipamentos são fabricados majoritariamente na China e vendidos livremente. É
muito fácil comprar ou importar. Mesmo que se tente restringir, há manuais
online para fabricá-los com impressoras 3D", afirma.
Imagens
divulgadas pela Polícia Civil mostram os veículos aéreos não tripulados
sobrevoando os policiais e lançando granadas durante a ação nos complexos do
Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio.
A
operação, que envolveu cerca de 2,5 mil policiais, deixou mais de 121 pessoas
mortas, incluindo 4 policiais, e 113 presos, segundo os números oficiais das
Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. A ação da terça-feira foi a
operação policial mais letal já registrada no país.
Movimentos
de direitos humanos classificam a operação como chacina e questionam sua
eficácia como política de segurança.
O
grande número de vítimas também foi criticado pelo Alto Comissariado dos
Direitos Humanos das Nações Unidas, que se disse "horrorizado" com a
operação nas favelas.
"É
assim que a polícia do Rio de Janeiro é recebida por criminosos: com bombas
lançadas por drones", declarou Cláudio Castro. Não há informações sobre
feridos após os lançamentos.
<><>
De ferramenta de espionagem a arma letal
O uso
de drones pelo CV já era monitorado pela polícia. Há registros de traficantes
da organização criminosa usando o equipamento para monitorar e planejar um
ataque à milícia do Jardim Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em julho.
Antes
disso, as autoridades já haviam identificado a utilização de drone para lançar
uma granada por integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), organização rival
do CV, na comunidade da Congonha, em Turiaçu (RJ).
Mas
segundo Uchôa, essa foi a primeira vez que drones armados foram usados para
atacar as forças de segurança. O pesquisador relaciona o ato com uma rápida e
perigosa curva de aprendizado sobre técnicas de conflito.
O
processo começou há anos, mas atingiu um novo patamar com o uso de explosivos e
passou por três grandes fases de evolução: primeiro, os drones eram usados para
transporte de drogas ou objetos em presídios, ou através de fronteiras.
Depois,
para monitoramento de rivais e forças policiais; e agora, chegam à fase em que
se tornam armas capazes de lançar granadas e bombas.
A
inspiração, explica o pesquisador, vem diretamente da guerra na Ucrânia.
"Os
ucranianos precisaram criar drones baratos e em larga escala para enfrentar o
poder militar russo", afirma. "Mas hoje a tecnologia não demora mais
para passar de um país a outro. Todo o conhecimento está disponível
online."
E o
Brasil não é o único país da América Latina onde os equipamentos estão sendo
aproveitados pelo crime. No México, cartéis como o Jalisco Nueva Generación
(CJNG) e o de Sinaloa, escalaram rapidamente seu uso.
O CJNG
tornou-se pioneiro ao armar drones com explosivo plástico C4 e estilhaços
improvisados para atacar rivais, chegando a institucionalizar essa capacidade
com a criação de uma unidade especializada, os "Operadores Droneros".
Uchôa
ressalta, porém, que o uso de drones na Ucrânia já entrou em uma quarta e nova
fase com o uso de drones "suicidas", de primeira pessoa guiados por
óculos especiais.
E,
segundo ele, essa tecnologia deve chegar às organizações criminosas no Brasil
em um futuro próximo.
"Esses
drones são guiados diretamente até o alvo e explodem no impacto. O medo é que
passem a ser usados para derrubar helicópteros ou atacar bases policiais",
alerta.
Ele
afirma que o avanço é preocupante porque rompe a superioridade aérea que o
Estado mantinha.
"Antes,
o domínio era dos helicópteros da polícia. Agora, as facções entenderam que
também podem usar o espaço aéreo como campo de ataque", diz.
<><>
Combate difícil e riscos
Segundo
Uchôa, as forças de segurança ainda não têm respostas eficazes para lidar com
esse tipo de ameaça. Existem tecnologias que interferem no sinal ou tomam o
controle dos drones, mas todas apresentam riscos.
"Se
você derruba um drone carregado com granada, ele pode cair sobre uma casa e
matar uma família. É muito diferente de um campo de guerra, que você pode
derrubar e não se preocupar com o efeito colateral."
Além
disso, diz, já existem tecnologias que utilizam fibra ótica para barrar
tentativas de interferência nos drones.
O
ex-policial defende que o Estado deve investir mais em inteligência e
investigação, e não apenas em confronto direto.
"Não
adianta esperar a hora do confronto. É preciso monitorar o mercado, identificar
se há pessoas comprando em grande escala", propõe.
<><>
Ciclo de violência
Uchôa
vê ainda nas operações policiais de grande escala um retrato de um ciclo que se
repete há décadas: confrontos que produzem dezenas de mortos, mas não alteram a
estrutura do crime.
"É
o mesmo filme de 30 anos atrás, só que em uma escala maior", critica,
afirmando que sempre que é necessário repetir uma operação como essa, é emitido
um sinal de que a estratégia não está funcionando.
Para
ele, o verdadeiro motor do crime organizado continua sendo o armamento pesado e
o controle de territórios, que permite às facções dominar serviços e até
influenciar eleições locais.
"O
problema central do Brasil é a proliferação de armas de fogo. São elas que
garantem o poder do crime e o terror nas comunidades", diz.
Fonte:
Opera Mundi/Dw Brasil/BBC News Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário