Por
que algumas vacinas precisam de reforço e outras não? Entenda
A
vacinação é importante para prevenir e combater doenças. Embora as vacinas
criem uma memória no sistema imunológico, o nível de proteção pode diminuir com
o passar do tempo.
É nessa
hora que as chamadas doses de reforço entram em ação e são recomendadas para
estimular a produção de anticorpos e manter a defesa contra os agentes
infecciosos, como vírus e bactérias, especialmente em crianças, idosos e
pessoas com comorbidades.
"Algumas
vacinas geram uma proteção muito eficaz, mas que diminui com o passar dos anos.
O reforço serve para reativar o sistema imunológico, lembrando-o de como
combater o agente infeccioso", explica Fábio Argenta, sócio-fundador e
diretor médico da Saúde Livre Vacinas, à CNN.
Outro
motivo para a necessidade de doses extras é a mutação. Alguns microrganismos,
como o vírus da gripe ou o da Covid-19, sofrem mutações frequentes. Sendo
assim, o reforço é necessário para atualizar a resposta imunológica contra
novas variantes.
É por
isso que todos os anos o Ministério da Saúde promove campanha de vacinação
contra a gripe, por exemplo. Também é por esse motivo que laboratórios estão
trabalhando para produzir novas vacinas que protejam contra as novas cepas do
coronavírus.
Além
disso, em alguns casos, a primeira dose de uma vacina serve como uma
"introdução" ao sistema imune, e o reforço consolida essa proteção.
"A necessidade de reforço não indica falha da vacina, mas sim, faz parte
da estratégia normal para manter a proteção ao longo do tempo ou adaptá-la a
novas variantes", afirma Argenta.
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Quais vacinas precisam de reforço?
As
vacinas que precisam de reforço são:
• DTP: o reforço é recomendado para
crianças com 15 meses de vida e 4-6 anos;
• dT: adolescentes e adultos precisam
tomar uma dose a cada 10 anos;
• dTpa: gestantes precisam de 1 dose dessa
vacina a cada gravidez;
• Poliomielite (VIP/VOP): reforço é
necessário após os 15 meses de vida e entre 4-6 anos;
• Pneumocócica 10-valente: reforço é feito
com 12 meses de vida;
• Meningocócica C (ou ACWY): reforçar aos
12 meses. Em algumas regiões, o reforço também pode ser exigido aos 11-12 anos;
• Febre amarela: é necessário a aplicação
de reforço se a 1ª dose foi aplicada antes dos 5 anos. Caso contrário, uma dose
única é considerada suficiente pelo Ministério da Saúde;
• HPV: precisa ser tomada entre os 9 e 14
anos. A 2ª dose considerada reforço deve ser feita 6 meses após a primeira
aplicação;
• Covid-19: reforços periódicos,
especialmente para grupos prioritários e idosos (em geral, 6 a 12 meses após a
última dose);
• Influenza (gripe): reforço é anual,
principalmente para os grupos prioritários (crianças, idosos, gestantes,
puérperas, profissionais de saúde, pessoas com comorbidade, etc).
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Quem precisa tomar as doses de reforço?
As
doses de reforço devem ser recebidas por toda a população, mas alguns grupos
devem ser prioritários: crianças, idosos e pessoas com comorbidades são os que
mais precisam se atentar às doses extras. "Todos eles têm sistemas
imunológicos mais vulneráveis ou menos eficientes", explica Argenta.
No caso
das crianças, o sistema imune ainda está em desenvolvimento, o que faz com que
a resposta às vacinas seja mais fraca ou menos duradoura, exigindo reforços
para garantir proteção contínua, segundo o especialista.
"Já
os idosos enfrentam um fenômeno natural chamado imunossenescência, que é o
envelhecimento do sistema imunológico. Isso reduz a capacidade do organismo de
responder a infecções e manter memória imunológica, tornando os reforços
vacinais essenciais para prevenir doenças graves", completa.
Já
pessoas com comorbidades, ou seja, diabetes, doenças cardíacas, pulmonares ou
imunossupressoras, geralmente apresentam maior risco de complicações devido a
infecções.
"Muitas
dessas condições também interferem na eficácia das vacinas, o que torna os
reforços uma forma crítica de garantir que o sistema imune esteja sempre
estimulado a reconhecer e combater os agentes infecciosos", afirma
Argenta.
• Brasil volta ao ranking de países com
mais crianças não vacinadas, diz OMS
O
Brasil voltou para a lista de países com mais crianças não vacinadas no mundo,
de acordo com levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado na segunda-feira
(14).
O país
havia deixado a lista em 2023 após um avanço na imunização infantil. Naquela
época, o número de crianças que não tinham recebido nenhuma dose da vacina
DTP1, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, caiu de 687 mil, em
2021, para 103 mil, em 2023. Já o número de crianças brasileiras que não
receberam a DTP3 caiu de 846 mil em 2021 para 257 mil em 2023.
Em
2021, o país ocupava o 7º lugar no ranking dos 20 países com mais crianças não
imunizadas no mundo. Agora, de acordo com o relatório divulgado neste ano, o
Brasil ocupa o 17º lugar. Em 2024, o cenário foi de 229 mil crianças
brasileiras não vacinadas.
Veja o
ranking completo abaixo:
1. Nigéria (2,078 milhões)
2. Índia (909 mil)
3. Sudão (838 mil)
4. República Democrática do Congo (772 mil)
5. Etiópia (768 mil)
6. Indonésia (748 mil)
7. Iêmen (637 mil)
8. Afeganistão (490 mil)
9. Angola (406 mil)
10. Paquistão (397 mil)
11. México (341 mil)
12. Filipinas (326 mil)
13. Tanzânia (303 mil)
14. Madagascar (293 mil)
15. África do Sul (278 mil)
16. China (263 mil)
17. Brasil (229 mil)
18. Myanmar (209 mil)
19. Costa do Marfim (193 mil)
20. Camarões (168 mil)
Segundo
o relatório, o Brasil representa 16,8% das crianças não vacinadas na região da
América Latina e Caribe. No mundo, essa porcentagem é de 1,6%.
Em
comunicado enviado à CNN, especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde
(Opas) afirmaram que nas Américas, o Brasil, junto com México e Estados Unidos,
apresentam as maiores taxas anuais de nascimentos da região. Países com maiores
populações de crianças menores de um ano tendem a ter números absolutos de
crianças não vacinadas mais altos.
"Isso
não é necessariamente um reflexo de programas de imunização mais fracos, mas,
sim, um resultado de escala. Por exemplo, o Brasil tem uma taxa de cobertura
[vacinal] relativamente alta de 91%, mas, devido à sua grande taxa de
nascimentos, o número absoluto de crianças com 'dose zero' [nenhuma vacina]
permanece significativo", diz o comunicado.
À CNN,
o infectologista pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de
Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, diz que o cenário reflete o acesso limitado
de uma parcela da população ao sistema de saúde. "É fundamental
reconhecermos que o Brasil é um país bastante desigual e, certamente, essas
crianças com 'dose zero' de vacinas não são crianças dos grandes centros, que
têm acesso à saúde, são, provavelmente, crianças ribeirinhas, que vivem nas
tribos indígenas e à margem do serviço de saúde e de maior vulnerabilidade",
afirma.
"Nós
não podemos aceitar crianças à margem do sistema de saúde, sem nenhuma
assistência, sem nenhuma dose de vacina, nós precisamos ter todos os esforços
presentes para que essas populações mais vulneráveis, em localidades mais
remotas, tenham as mesmas oportunidades de serem atendidas e com acesso à saúde
do que qualquer criança nos grandes centros", completa.
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Imunização nas Américas tem progresso, mas mais de 1,4 milhão de crianças segue
sem vacinas
Ainda
de acordo com a OMS/Unicef, a imunização infantil nas Américas mostrou sinais
de recuperação em 2024, mas ainda há mais de 1,4 milhão de crianças que não
receberam uma única dose da vacina DTP, o que representa um aumento no número
de crianças chamadas de "dose zero".
Embora
a cobertura global de vacinação infantil tenha se estabilizado, quase 20
milhões de crianças em todo o mundo perderam pelo menos uma dose da vacina DTP,
e 14,3 milhões de crianças seguem com "dose zero", ou seja, não
receberam nenhuma dose de quaisquer imunizantes. Nas Américas, o número de
crianças com "dose zero" aumentou em 186 mil em comparação com o ano
anterior, chegando a 1,46 milhões.
Segundo
o relatório, a cobertura de imunização nas Américas melhorou para vários
antígenos importantes:
• MMR (sarampo, caxumba, rubéola): a
cobertura da primeira dose aumentou de 86% para 88%, e a da segunda dose de 75%
para 77%;
• Vacina pneumocócica conjugada (PCV3):
aumentou de 76% para 79%;
• Hepatite B no nascimento: aumentou de
64% para 68%, um passo fundamental para a eliminação da hepatite B.
Em
relação à vacina contra o HPV, as Américas apresentam a maior cobertura global,
com 76% das meninas menores de 15 anos recebendo pelo menos uma dose. No
entanto, são necessários mais esforços para atingir a meta de pelo menos 90%.
"As
Américas demonstraram um firme compromisso com a proteção de sua população
infantil, mas as lacunas na cobertura vacinal nos lembram que mais precisa ser
feito", afirma Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana de
Saúde (Opas), escritório regional da OMS para as Américas.
"A
vacinação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para prevenir
doenças e salvar vidas. Não podemos permitir que nenhuma criança fique
desprotegida", completa.
Fonte:
CNN Brasil

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