Plinio
Teodoro: Os motivos que devem levar Bolsonaro à prisão preventiva - e o único
que pode livrá-lo
Da
Europa, onde curte férias com a família em meio ao caso gerado pelo pai e o
irmão no Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou em publicação nesta
segunda-feira (21) na rede X um dos pilares da articulação que pode levar Jair
Bolsonaro (PL) preso.
"Nas
próximas horas vou protocolar mais um pedido de impeachment de Alexandre de
Moraes no Senado", escreveu o senador, que emenda que "a espinha de
peixe na garganta do Brasil precisa ser retirada".
O golpe
2.0 articulado por Bolsonaro - que está prestes a ser preso como líder da
intentona que resultou no quebra-quebra do 8 de janeiro de 2023 - teve início
após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impor
uma série de medidas restritivas ao ex-presidente, entre elas o uso de
tornozeleira eletrônica, na última sexta-feira (18).
Recluso,
o ex-presidente passou o fim de semana ao telefone com aliados e conversou com
Ciro Nogueira, presidente do PP e articulador da federação com o União que
resultou na maior bancada da Câmara com 104 deputados e 14 senadores, Silas
Malafaia e o pupilo do guru, o líder do PL na casa legislativa, Sóstenes
Cavalcante (PL-RJ).
Ficou
decidido que a bancada bolsonarista aproveitaria o recesso parlamentar para
transformar a Câmara no quartel-general do novo levante golpista. Coube a
Sóstenes recrutar a bancada bolsonarista e receber cada deputado fazendo cena
com a bandeira do Brasil.
Em
peso, deputados do PL e do Novo - além de nomes mais radicais de partidos do
Centrão - desembarcaram na capital e se dirigiram nesta segunda-feira (21) à
Câmara para um encontro com o líder, Jair Bolsonaro.
No
convescote golpista, Bolsonaro teria orientado os senadores que entrassem com
novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Coube a Damares Alves
(Republicanos-DF) o papel de garota de recado para anunciar que "decidimos
que a pauta do Senado será o impeachment do senhor ministro do Supremo Tribunal
Federal Alexandre".
"Será
a pauta que a oposição vai trabalhar nos próximos dias", anunciou Damares
às 17h33 em meio ao recesso do legislativo, prenunciando a saraivada de
requerimentos contra o ministro do Supremo no Senado.
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Comissões do golpe 2.0
Na
reunião em que foi decidido tornar a Câmara o QG do golpe 2.0, Bolsonaro e
aliados formaram três "comissões" para dar início à batalha sangrenta
contra as demais instituições brasileiras e jogar o país no caos - juntamente
com a guerra comercial desencadeada por Donald Trump - para, assim, livrar o
ex-presidente da prisão.
A
primeira comissão, de comunicação, é liderado por Gustavo Gayer. Um dos maiores
propagadores de mentiras da horda nas redes, o deputado goiano é investigado
por um suposto esquema de corrupção com cota parlamentar, enfrenta denúncias de
discriminação racial e discurso de ódio e já foi condenado por assédio
eleitoral e fake News contra Lula.
Gayer
será o responsável por comandar uma reedição de gabinete do ódio, proliferando
mentiras, discursos de ódio e informações distorcidas com o objetivo de criar
pânico na população e incendiar pautas na mídia liberal, tirando o foco da ação
principal. Coube a ele levantar a hashtag Reaja Brasil, que está ganhando corpo
na manhã desta terça-feira na rede X.
Ele
terá auxílio da segunda comissão, comandada pelos deputados Zé Trovão (PL-SC) e
Rodolfo Nogueira (PL-MS), que têm por objetivo voltar a mobilizar extremistas
para irem às ruas, a exemplo do que aconteceu após às eleições de 2022, com
bolsonaristas acampando em frete aos quartéis. A ideia é já formar uma
mobilização que, segundo estimativas deles, deve ser fortalecida caso Bolsonaro
seja preso.
"Por
ele que fez por nós, seguiremos a luta pelo povo que não merece ser
escravizado! Seguimos firmes contra o ditador e o comunista, em defesa do
Brasil", publicou Zé Trovão, que tem uma extensa ficha criminal, ao dar
início à missão nas redes.
Já
Rodolfo Nogueira, que é presidente da Comissão de Agricultura e membro da
bancada ruralista, buscar apoio dos antigos aliados do "agro", um dos
setores mais afetados pela taxação de Trump - que os bolsonaristas tentam
encampar a narrativa de "tarifa-Moraes".
"A
maior injustiça da história! Não nos calaremos", escreveu Nogueira em foto
ao lado da tornozeleira de Bolsonaro nas redes.
A
terceira "comissão", de articulação interna na Câmara e no Senado,
será comandada pelo PM Cabo Gilberto (PL-PB), que deve negociar o apoio e
emparedar parlamentares do Centrão a aderirem ao novo golpe. Ele deve dividir a
missão com o próprio Bolsonaro, que negocia com o comando dos partidos, como a
conversa que teve com Ciro Nogueira.
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QG do Golpe 2.0
Com a
Câmara esvaziada em razão do recesso parlamentar, os bolsonaristas vão ocupar
as Comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública para votarem moções
de "apoio, louvor, solidariedade" ao ex-presidente que foram
protocoladas na sexta-feira (18), logo após as medidas impostas por Moraes.
A
estratégia é levar Bolsonaro novamente à Câmara para receber as homenagens,
mostrar o mais novo artefato do vitimismo - a tornozeleira eletrônica - e
pulverizar as redes sociais com vídeos de lacração e ataques às instituições e
autoridades, em especial a Moraes.
Além da
articulação explícita de um golpe 2.0, há o risco de Bolsonaro voltar a ter um
chilique, como aconteceu na tarde desta segunda-feira, com vídeos se alastrando
pelas redes sociais, o que gerou o pedido de explicações de Moraes aos
advogados e pode levar à decretação da prisão temporária do ex-presidente.
O risco
se dá justamente por Bolsonaro se sentir seguro em meio à horda extremista
recrutada, vestir a pelo de lobo e ter mais um ataque de fúria contra Moraes -
o que causa apreensão entre os advogados do ex-presidente.
Só há
um motivo para que Bolsonaro não seja preso: recuar do novo levante, que tirou
dezenas de deputados a sacrificarem suas "férias" - como a que está
sendo curtida por Flávio na Europa.
Para
isso, Bolsonaro terá que vestir novamente a pele de cordeiro e se acovardar,
como fez diante de Moraes no depoimento à primeira turma do STF. Sob o manto da
covardia, Bolsonaro poderá retardar sua prisão, mas não se livrar dela.
• Como os aliados de Jair Bolsonaro estão
reagindo à iminente prisão de seu líder?
A
prisão iminente de Jair Bolsonaro vem acendido o alerta para formas de reação e
até tentativas de evitar que isso aconteça entre os apoiadores no Congresso e
nas ruas. Em duas frentes, os parlamentares acreditam que o projeto de lei de
anistia aos golpistas de 8 de janeiro poderá salvar Bolsonaro da prisão e,
entre os seguidores, mobilizações nas ruas estão previstas.
Na
primeira frente, parlamentares da base bolsonarista articulam uma ofensiva
legislativa para responder ao avanço das investigações e ao risco da prisão do
ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para
isso, declararam prioridade máxima na votação do projeto de lei que concede
anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Se aprovada, a lei será usada
para perdoar os crimes dos apoiadores acusados de tentativa de golpe e do
próprio líder político.
“Quando
retornar o trabalho legislativo, nós temos como pauta nosso item número 1: não
abriremos mão, na Câmara nem no Senado, de pautarmos anistia dos presos
políticos do 8 de janeiro”, afirmou o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante
(RJ), logo após o ato de manifesto de Bolsonaro com aliados na Câmara, usando
tornozeleira eletrônica.
A volta
dos trabalhos legislativos ocorre no dia 4 de agosto. Mas antes mesmo do
retorno oficial, bolsonaristas do Congresso já pressionam e entram com medidas
para aprovar a anistia. Nesta segunda (21), a deputada Caroline De Toni (PL-SC)
pediu uma sessão virtual extraordinária, em meio às férias, para votar o texto.
A
deputada pediu no requerimento que sejam votados de forma urgente, no meio do
recesso parlamentar, a anistia ao 8 de janeiro e um pedido de impeachment
contra o ministro Alexandre de Moraes.
Moraes,
por sua vez, já ressaltou que a aprovação de uma eventual anistia aos acusados
de tentativa de golpe de Estado é inconstitucional. A afirmação foi feita
publicamente e também na própria decisão de colocar tornozeleira eletrônica em
Bolsonaro, ao argumentar a tentativa de Bolsonaro de impedir as investigações
contra ele.
“[Jair
Bolsonaro] pretende, tanto por declarações e publicações, quanto por meio de
induzimento, instigação e auxílio – inclusive financeiro — a Eduardo Nantes
Bolsonaro — o espúrio término da análise de sua responsabilidade penal, seja
por meio de uma inexistente possibilidade de arquivamento sumário, seja pela
aprovação de uma inconstitucional anistia.”
Além
disso, bolsonaristas articulam atos de rua. O próprio líder da Câmara, Sóstenes
afirmou que o primeiro ato já tem data, caso Jair Bolsonaro não seja preso
antes: o primeiro domingo de agosto, dia 3, véspera da volta da atividade
legislativa.
O ato
funcionaria para pressionar a votação da agenda da extrema-direita na Casa,
incluindo a anistia e impeachment contra Moraes.
• “Moraes não é Moro”: estudantes de
Direito defendem prisão de Bolsonaro e rechaçam comparações com a Lava Jato
Estudantes
de Direito de todo o país aprovaram, por unanimidade, uma moção em defesa da
prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais golpistas, durante o 60º
Congresso da UNE, realizado em Goiânia no último dia 19.
Intitulado
“Sem Anistia, Bolsonaro na cadeia! Por Memória, Verdade e Justiça. Em Defesa da
Democracia!”, o documento destaca que o processo conduzido pelo ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), representa uma resposta
institucional legítima, respeitando o devido processo legal, em contraste com
os abusos cometidos pela operação Lava Jato.
“Moraes
não é Moro”, afirmam os estudantes, numa alusão ao ex-juiz Sérgio Moro, cuja
atuação parcial e alinhada a interesses políticos foi amplamente denunciada
pelo GGN desde os primeiros desdobramentos da operação em Curitiba.
Segundo
a Federação Nacional de Estudantes de Direito (FENED), que assina a moção junto
a centros acadêmicos históricos como XI de Agosto (USP), CADIR (UnB), CAEV
(UFF) e CADEL (UFPA), a responsabilização penal de Bolsonaro pela tentativa de
golpe de 8 de janeiro de 2023 é necessária para garantir a memória, a verdade e
a justiça.
Para os
estudantes, ao contrário daquele período, o julgamento de Bolsonaro é conduzido
com firmeza e responsabilidade histórica. “A democracia exige justiça,
responsabilização e reparação”, afirma o texto da FENED, que rechaça qualquer
possibilidade de anistia aos golpistas.
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Defesa da soberania brasileira
Além de
tratar da responsabilização de Bolsonaro com base na Ação Penal nº 2.668/DF, a
moção também repudia tentativas de interferência estrangeira no sistema de
justiça brasileiro, citando especificamente pressões diplomáticas dos Estados
Unidos em favor do ex-presidente.
“A
soberania nacional e a independência dos nossos Poderes não podem ser
subjugadas aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos ou de seus aliados.
Defender a democracia brasileira é também defender nossa autodeterminação”,
afirma a entidade estudantil.
A FENED
ressalta ainda o papel histórico do movimento estudantil jurídico nas lutas
contra a ditadura militar, na redemocratização do país e na resistência ao
bolsonarismo. “Nossa luta é para que o Brasil nunca mais seja entregue às mãos
do fascismo”.
• Bolsonaristas preparam ofensiva contra
Motta e ela envolve Trump
A
Câmara dos Deputados foi palco de um show patético e de clara demonstração de
como a extrema direita bolsonarista pode ser qualquer coisa, menos patriota,
como adoram afirmar, pois, após tentarem romper com o recesso parlamentar, os
deputados da oposição se reuniram na Comissão de Segurança Pública e penduraram
uma bandeira de Donald Trump, presidente dos EUA.
Porém,
a intentona bolsonarista foi frustrada pelo presidente da Câmara dos Deputados
que, em ato normativo, proibiu sessões das Comissões até o dia 1º de agosto,
quando termina o recesso.
Revoltados,
os deputados bolsonaristas desceram mais um nível no quesito entreguismo e, de
acordo com informações do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, eles
pretendem recorrer ao presidente dos EUA e pedir para que o Departamento de
Estado cancele o visto de Hugo Motta, do mesmo jeito que ocorreu com os
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonarista
próximo ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou o seguinte ao
Metrópoles: "O Hugo não foi subserviente aos acordos com o PL. Agora, quem
sabe será ao Trump? Até porque ele não teve o visto suspenso ainda."
Outro
motivo do azedume entre bolsonaristas e Hugo Motta é o fato de que o presidente
da Câmara ainda não pautou o projeto que concede anistia política a todos os
envolvidos na tentativa de golpe de Estado perpetrada no dia 8 de janeiro de
2023.
Após
interromperem o recesso - enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) curte férias na
Europa - para voltarem à Brasília a mando de Jair Bolsonaro (PL), deputados e
senadores bolsonaristas passaram vergonha na manhã desta terça-feira (22) após
o ex-presidente se acovardar e não ir à casa legislativa por medo de ser preso.
Com 23
deputados marcando presença, a sessão extraordinária da Comissão de Segurança
Pública, convocada para votar moções de apoio a Bolsonaro, foi cancelada após
ato do presidente da Câmara, Hugo Motta, proibindo sessões das comissões até
dia 1º de agosto, quando termina o recesso.
A horda
de parlamentares extremistas já tinha deixado inclusive o cenário armado, com
uma mesa preparada para entrevista coletiva com uma placa de "Jair
Bolsonaro - 38º Presidente do Brasil". Com o cancelamento dos trabalhos,
os bolsonaristas se dirigiram à sede do PL, onde pretendem se reunir com o
ex-presidente.
"A
placa com o nome de Jair Bolsonaro já estava pronta na mesa. O PL queria
transformar a Câmara num palco de provocação e confronto direto com a decisão
do ministro Alexandre de Moraes. Era uma encenação planejada para gerar o
momento da prisão — e depois gritar “ditadura”. Querem transformar a ordem
democrática em espetáculo farsesco. Não passarão. Não é show, é o Parlamento. A
decisão da Presidência da Casa deve ser respeitada. A extrema-direita não fará
da Câmara um comitê da desordem", escreveu Lindbergh Farias, líder do PT,
em publicação na rede X.
Lindbergh
ainda divulgou uma publicação que mostra os boslonaristas segurando uma
bandeira onde se lê "Trump, make américa great again" dentro do
Congresso Nacional. Presidente dos EUA, Donald Trump decretou uma guerra
comercial contra o Brasil.
Vice
líder do partido, Rogério Correia (PT-MG) divulgou foto do painel da Comissão
de Segurança Pública marcando a presença dos bolsonaristas.
"Olha
aí, presidente ?Hugo Motta, manda tudo que é valentão para comissão de ética.
Chegaram a abrir o painel e marcar presença em reunião vedada pela mesa
diretora. A extrema direita não respeita
as regras democráticas, a estratégia é de golpe continuado", escreveu.
Fonte:
Fórum/Jornal GGN

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