Obras
paradas, rombo financeiro e R$ 103 milhões em emendas: menor cidade de Roraima
vive caos econômico
Parque
de vaquejada, escola municipal, posto de saúde, praça, conjunto habitacional e
um enorme portal de concreto na entrada da cidade. Essas obras milionárias
estão paradas, com atrasos de mais de 2 anos, na menor cidade de Roraima, São
Luiz, no Sul do estado. As construções começaram no mandato do ex-prefeito
James Batista (SD), que foi cassado pelo TRE, mas recorreu e administrou o
município de 2021 a 2024. Na gestão dele, São Luiz recebeu mais de R$ 103
milhões em emendas parlamentares federais e estaduais em quatro anos, alvos de
investigação.
Atualmente,
de acordo com a atual gestão da prefeitura de São Luiz, o município deve mais
de R$ 38 milhões, com dívidas até com funerária, herdadas da administração
anterior. O valor representa 74% do orçamento sancionado para 2025 na cidade,
de R$ 51,9 milhões.
O g1
procurou o ex-prefeito de São Luiz, James Batista, mas não obteve retorno até a
publicação desta reportagem.
Diante
do rombo nos cofres, o atual prefeito de São Luiz, Chicão (PP), decretou estado
de calamidade pública financeira em janeiro deste ano, por seis meses -- o
decreto é válido até o final de julho.
No
entanto, em meio ao decreto, Chicão contratou e fez pagamentos indevidos a
empresas de fachada e também passou a ser investigado por desvio de verbas do
município. A investigação é do Ministério Público de Contas (MPC). Em julho, o
órgão pediu o afastamento imediato dele da prefeitura por desvios de verbas que
somam mais de R$ 7,4 milhões. O pedido foi encaminhado ao Tribunal de Contas de
Roraima (TCE) e ainda não foi analisado.
🏘️ São Luiz tem 7.315 moradores, segundo
o Censo 2022, e é o menos populoso do estado. Para se ter uma noção do rombo
nos cofres públicos, é como se cada morador da cidade, incluindo idosos,
crianças e bebês recém-nascidos, devesse mais de R$ 5 mil.
💰 O município recebeu cerca de R$ 100
milhões em emendas PIX federais ao longo do último mandato de James, de 2021
até 2024, conforme o portal da transparência da Controladoria-Geral da União
(CGU). Além disso, outros R$ 3,5 milhões vieram de emendas estaduais, de acordo
com a Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR). É como se cada morador de São
Luiz tivesse ganhado mais de R$ 14 mil em quatro anos, considerando todas as
emendas recebidas no período.
Cerca
de seis obras iniciadas a partir de 2021 nunca foram concluídas. A que mais
chama atenção é o portal de 26 metros na entrada da cidade no valor de R$ 2,16
milhões, que deveria ser entregue em outubro de 2022, mas está parada desde
julho de 2024.
Somadas,
as construções paradas custam cerca de R$ 36 milhões aos cofres públicos. O g1
visitou São Luiz e conversou com moradores, que chamam as obras de
"elefantes brancos". São elas:
• Parque de Vaquejada, no valor de R$ 13,7
milhões, atrasada 2 anos e 4 meses;
• Conjunto habitacional com mais de 100
casas, no valor de R$ 12,3 milhões, sem previsão para entrega;
• Praça na entrada da cidade, no valor de
R$ 6 milhões, atrasada em 11 meses;
• Escola municipal, no valor de R$ 2,7
milhões, atrasada em 1 ano e 6 meses;
• Portal na entrada da cidade, no valor de
R$ 2,16 milhões, atrasada 2 anos e 9 meses,
• Unidade Básica de Saúde (UBS), no valor
de R$ 1,3 milhões, atrasada em 2 anos e 11 meses.
Além
disso, a Ale-RR instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para
investigar suspeita de desvios dos R$ 3,5 milhões em duas emendas estaduais no
segundo mandato de James.
Chicão
decretou a emergência no município 22 dias após ele assumir a gestão. No
decreto, citou salários atrasados dos servidores municipais, pendências
tributárias e dívidas com empresas terceirizadas.
Em
entrevista, o prefeito Chicão afirmou que pretende concluir as obras assim que
possível mas que a prioridade é a atual gestão do município. Ele afirmou que o
plano para sanar a dívida de São Luiz é seguir recorrendo às emendas
parlamentares, pois apenas com a receita da cidade "não é possível
continuar". Não há previsão para quando as obras serão retomadas nem novas
datas para entrega.
Quando
questionado se os parlamentares que apoiam a cidade continuarão ajudando após a
suspeita de desvio das emendas, o prefeito respondeu:
"Acredito
que sim. O estado de Roraima é pequeno, todos se conhecem. Espero que confiem
na gente e continuem repassando emendas para que possamos aplicar
corretamente".
💸 Emendas investigadas
Nos
quatro anos do segundo mandato do ex-prefeito James, de 2021 ao fim de 2024,
São Luiz recebeu 41 emendas PIX de deputados federais e senadores. No âmbito
estadual, foram duas emendas levantadas pela CPI na Ale-RR.
De
acordo com o portal da transparência da CGU, entre os parlamentares federais
que mais enviaram dinheiro para São Luiz está o ex-senador Telmário Mota, preso
por estuprar a filha e mandar matar a mãe dela, em 2023. Ele mandou ao
município R$ 26,8 milhões. A defesa do ex-senador não respondeu até a
publicação desta reportagem
🔎 As emendas parlamentares são recursos
do orçamento público que deputados e senadores podem direcionar para projetos e
ações em estados e municípios. Elas não fazem parte do orçamento do município,
portanto, contam como "dinheiro extra".
💰 E as emendas PIX? Esse tipo de
emenda, criado em 2019, ficou conhecido pela dificuldade na fiscalização dos
recursos, uma vez que os valores são transferidos por parlamentares diretamente
para estados ou municípios sem a necessidade de apresentação de projeto,
convênio ou justificativa – por isso, não há como fiscalizar qual função o
dinheiro terá na ponta.
Chico
Rodrigues (União Brasil) é o parlamentar em atividade que mais enviou recurso
ao município no período de tempo que compreende o mandato de James. Foram cinco
emendas desde agosto de 2021 ao final de 2024, totalizando R$ 19,2 milhões em
recursos. A última enviada foi em julho de 2024, no valor de R$ 6,8 milhões.
Chico é o senador flagrado com dinheiro na cueca, em 2020.
Procurado,
o senador Chico Rodrigues informou que as emendas enviadas para São Luiz foram
para compra de cestas básicas, para a construção das moradias no conjunto
habitacional e investimentos em infraestrutura. Disse ainda que a prefeitura de
São Luiz é quem deve responder sobre como esses valores foram gastos.
Entre
os deputados federais, Nicoletti (União) foi quem mais enviou recursos para o
município no período de tempo: um total de R$ 5 milhões em quatro anos.
Por
meio de nota, Nicoletti informou que as quatro emendas foram enviadas para:
infraestrutura urbana (pavimentação, calçamento, sinalização viária), reforma e
ampliação da UBS e para compra de equipamentos de informática, aparelhos
médicos, raio-x odontológico, entre outros equipamentos médicos.
O
senador Mecias de Jesus (Republicanos) enviou duas emendas à cidade,
totalizando R$ 3 milhões em recursos extras. O parlamentar informou que R$ 2,6
milhões foram para o fortalecimento da área social do município, "mas mais
da metade desse valor não foi empenhado".
O
deputado federal Gabriel Mota (Republicanos) enviou uma emenda no valor de R$ 3
milhões. Em nota, informou que foi destinada para "recapeamento
asfáltico".
💸 Emendas estaduais
A CPI
que investiga suspeita de desvios de emendas estaduais em São Luiz encontrou
irregularidades em dois repasses feitos em fevereiro de 2024. De acordo com o
deputado estadual, Jorge Everton (União), relator da comissão, elas foram
sacadas e transferidas para conta de recursos próprios da prefeitura da cidade
sem autorização. São elas:
• R$ 2,6 milhões para compra de
medicamentos pelo, enviada pelo deputado Idazio da Perfil (MDB);
• R$ 900 mil para a construção da UBS,
enviada pelo deputado Isamar Júnior (PSC).
Em
nota, o deputado Isamar afirmou que "não compactua com qualquer ato
ilegal, imoral e, sobretudo, que levem ao descaso no manuseio da verba
pública". O deputado Idazio afirmou que a "responsabilidade pela
execução e gestão dos recursos oriundos dessas emendas é exclusiva do Poder
Executivo Municipal, cabendo aos parlamentares a indicação da destinação dos
valores".
Durante
uma das oitivas da CPI, a servidora pública do município Raimara Andrade
afirmou ter sido obrigada a suspender, de forma irregular, ao menos três
processos licitatórios durante a gestão do ex-prefeito James Batista. Raimara,
que atua como pregoeira desde 2021, disse ter recebido ordens do então
pregoeiro da Secretaria Municipal de Licitação e Contratação e relatou que
precisou buscar justificativas para embasar as suspensões.
A
servidora afirmou que não tinha contato direto com o ex-prefeito, mas que as
orientações vinham do secretário da pasta. Um deles, segundo o relator da CPI,
envolvia a compra de medicamentos com com a emenda do deputado Idazio, mas
acabou sendo interrompido e posteriormente direcionado a outra finalidade.
A CPI
levantou que o dinheiro das licitações foi transferido da conta de recurso
próprio da prefeitura e, no mesmo dia, fizeram um pagamento para a empresa
TechMix. Com isso, foi solicitado a quebra de sigilo da empresa e do dono,
Márcio Muller. A Comissão foi instalada em março deste ano e não tem prazo para
finalizar.
🚧 Portal inacabado
Logo na
entrada da cidade, foi erguido um portal de 26 metros de altura, construído na
lateral de um desvio de uma ponte de madeira. A gestão anterior chegou a
retomar as obras do pórtico, mas parou novamente em julho de 2024. A construção
apresenta avanços significativos, mas ainda longe do projeto inicial.
No alto
do portal, foi escrito o nome "São Luiz do Anauá", logo abaixo as
saudações "bem vindo", e "welcome", em inglês. A construção
começou em julho de 2022. O primeiro prazo para entrega era outubro de 2022,
mas mudou para dezembro de 2023 e, agora, não tem previsão.
A
empresa responsável pela construção é a Techmix. A defesa da empresa afirmou ao
g1 que as obras do portal estão "entregues, no que cabe à Techmix".
Disse ainda que o que falta é a "pavimentação, de responsabilidade da
empresa Atenas", que também é responsável pela construção da UBS - a
reportagem procurou a empresa, mas não recebeu resposta até a última
atualização.
Questionados
sobre o valor recebido pela empresa para concluir o portal, a defesa da Techmix
informou que a prefeitura de São Luiz ainda não pagou "aproximadamente
15%" dos R$ 2,16 milhões contratados.
O
prefeito Chicão informou que não há planos para retomada das obras e que o
orçamento do portal segue o mesmo.
A
estudante Ashley Rodrigues, de 18 anos, mora em uma chácara perto da sede de
São Luiz. Ela faz o trajeto na ponte de madeira diariamente para levar e trazer
a irmã mais nova até a escola na cidade, ir à academia e fazer compras. A jovem
classifica como "complicada" a obra inacabada.
"Tem
perigo dessa ponte [no desvio] cair porque é muito antiga e não recebe
manutenção há muito tempo. Moro em uma chácara ali perto e uso essa passagem
para fazer as coisas na cidade".
"É
perigoso, aqui passa caminhões lotados de carga. Até agora, ninguém deu
qualquer informação. Está tudo parado", disse a jovem ao g1.
🤠 Parque de vaquejada sem previsão para
entrega
Logo
após passar pela construção do portal, quem visita São Luiz passa pela reforma
do Parque de Vaquejada. As obras no local iniciaram em julho de 2022, como
parte do projeto para receber o show de Gusttavo Lima na cidade - à época, a
apresentação foi cancelada pela Justiça pela "grave lesão econômica aos
cofres municipais".
A
Vaquejada de São Luiz é um evento tradicional na cidade que movimenta a
economia, mas não acontece desde 2019. O show de Gusttavo Lima marcaria o
retorno do festejo no município. Em 2024, James chegou a anunciar a volta da
vaquejada com shows da banda de forró Calcinha Preta e as duplas sertanejas
Guilherme e Santiago e César Menotti e Fabiano, mas também foi cancelada.
À
época, o MPC recorreu à Justiça para cancelar a festa em razão da falta de
dinheiro nos cofres públicos municipais. Desde então, as obras no parque estão
paradas e sem previsão para retomada ou entrega.
A
Techmix também é a empresa que está à frente da reforma. A construtora informou
que as obras estão paradas por falta de recursos desde que o Supremo Tribunal
Federal (STF) bloqueou as emendas PIX. Disse ainda que falta concluir 15% do
Parque de Vaquejada.
Na
frente da obra, há uma placa com informativos sobre a construção. No campo
sobre a data de término há um adesivo informando o dia 1º de outubro de 2024 -
9 meses de atraso. O adesivo esconde uma data ainda mais atrasada: 31 de maio
de 2024. A primeira previsão de entrega era 240 dias após o início da reforma
-- o que soma 2 anos e 4 meses de atraso.
Para o
autônomo Paulo Rodrigues, de 50 anos, o que acontece em São Luiz é um descaso e
quem paga "são os moradores". Ele descreve as obras como
"elefantes brancos".
"Precisamos
de estabilidade, de um mínimo de esperança, algo que motive a comunidade a
seguir em frente e acreditar que as coisas podem melhorar. Estamos sem
esperança", disse Paulo ao g1.
"Todo
mundo por aqui comenta que São Luiz deveria estar na África do Sul, já que é lá
que tem elefante. Aqui todas as obras são assim, verdadeiros 'elefantes
brancos', como diz o ditado popular", relatou o autônomo.
👨⚕️ Problemas na UBS
Atualmente,
São Luiz tem duas UBS - uma na sede do município e outra na Vila Moderna, um
vilarejo a poucos quilômetros da cidade. Uma nova unidade começou a ser
construída em dezembro de 2021 - com orçamento milionário e previsão de entrega
para agosto de 2022.
A obra
segue parada desde 2023. Até agora, apenas a estrutura do local foi erguida. O
canteiro de obras, abandonado, é cuidado por moradores que tiram o capim e
limpam o quintal para não acumular lixo. A empresa Atenas Comércios e Serviços
LTDA é a responsável pela construção - a Atenas está cadastrada no mesmo CNPJ
de outra empresa, a Meta Empreendimentos LTDA. O g1 procurou as duas, mas não
recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
O g1
visitou a UBS Regina Ribeiro Paiva — a única na sede do município. Funcionários
revelaram a precariedade da unidade: pessoas sendo atendidas por profissionais
da saúde no estacionamento das motos e até lixo hospitalar acumulado em uma
sala onde pacientes aguardam.
A
reportagem questionou a prefeitura de São Luiz sobre o lixo hospitalar e os
atendimentos no estacionamento, mas não recebeu resposta.
Uma
nova UBS é uma demanda "urgente" para a cidade, segundo uma dona de
casa de 51 anos, que preferiu não se identificar. Enquanto aguardava
atendimento para o neto vítima de queimaduras, ela relatou a preocupação à
reportagem.
Em
2024, ela perdeu um filho com deficiência, aos 22 anos, e relembra os desafios
que enfrentou ao cuidar dele. Segundo conta, buscar atendimento na rede
municipal sempre foi um obstáculo, marcado por longas esperas e falta de
estrutura adequada.
"Tive
uma grande dificuldade para conseguir a receita dele. Uma médica se recusou a
prescrever o remédio, e só depois de recorrer ao Ministério Público e falar com
um promotor, ela finalmente passou a receita. Depois disso, nunca mais voltei
aqui. A estrutura da saúde é muito precária", contou ao g1.
Ela
responsabiliza o ex-prefeito James Batista pelos problemas na Saúde de São
Luiz.
"A
gestão anterior foi extremamente cruel com a população. Moro aqui há seis anos
e, desde que cheguei, percebo o descaso. Muito dinheiro foi desviado. A cidade
ficou abandonada. Ruas sem limpeza, máquinas transferidas para outra cidade,
obras inacabadas e desperdício de recursos".
🏫 Escola em prédio 'emprestado'
São
Luiz tem três escolas municipais. A maior delas, a Senador Hélio Campos, única
na sede da cidade, atende cerca de 700 crianças do ensino fundamental. A
unidade funciona em um prédio "emprestado" do governo de Roraima,
onde antes era a escola estadual Zoraide da Gama Figueiredo. O prédio
"oficial" da escola está sendo construído desde abril de 2023 e está
atrasado há 1 ano e 6 meses.
A
estrutura da escola foi erguida, mas após isso, a obra não avançou. As salas de
aula hoje servem de abrigo para população em vulnerabilidade. Moradores
reclamam do lixo acumulado e dos mosquitos que se propagam no canteiro de
obras.
A
empresa responsável é a Lacerda Construções. O g1 entrou em contato com a
construtora, mas não recebeu resposta até a última atualização.
Por
meio de nota, a Secretaria de Educação (Seed) do governo de Roraima informou
que o prédio onde funcionava anteriormente a escola estadual Zoraide da Gama
Figueiredo foi cedido temporariamente à prefeitura municipal por meio do termo
de cessão de uso de bem público.
A
cessão ocorreu durante a vigência do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do
Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, com o objetivo de fortalecer
o ensino fundamental e ampliar a rede municipal de educação. A Seed não
respondeu por quanto tempo o prédio ficará "emprestado".
🏗️ Outras construções
A praça
corresponde ao espaço de quatro quarteirões em frente à BR-210, que corta o
município. É possível ver quadras de esporte, quiosques e árvores plantadas,
mas ainda longe do término. A obra começou em março de 2023 e deveria ser
concluída em agosto de 2024 - 11 meses de atraso.
Na
placa da obra não consta o nome empresa responsável pela construção. Em março
de 2023, o ex-prefeito James contratou a construtora M L De M Muller, iniciais
de Márcio Luiz de Mattos Muller, para executar a obra. A empresa é registrada
no mesmo CNPJ da Techmix, também responsável pela construção do portal e do
parque de vaquejada cujo Márcio é dono.
Procurada,
a princípio, a defesa da Techmix negou que a empresa fosse a responsável pela
construção da praça. Após ser contestada pela reportagem, afirmou que "a
Techmix não participou de fraude ou qualquer ato ilegal".
Já no
conjunto habitacional, o projeto original prevê 100 casas, mas apenas 40
ficaram prontas, mesmo assim não foram entregues. De acordo com o próprio
James, as casas seriam destinadas à população em vulnerabilidade inscrita no
Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal.
Maria
Iracema Lima, dona de casa de 55 anos e moradora de São Luiz — Foto: Caíque
Rodrigues/g1 RR
Em
dezembro de 2024, as casas prontas chegaram a ser invadidas e as famílias
ficaram cerca de uma semana vivendo no conjunto, até que a Justiça ordenou o
despejo. Não existe placa informativa no local da construção com detalhes sobre
a empresa responsável, data de início e fim da obra.
Para
Maria Iracema Lima, dona de casa de 55 anos, James foi um "excelente
gestor", apesar das obras atrasadas e do rombo econômico deixado no
município. Segundo ela, que votaria nele novamente caso se candidatasse, o que
marcou sua gestão foram as viagens oferecidas aos idosos.
Ela
relembra de uma viagem para Caldas Novas, em Goiás, proporcionada pela
prefeitura, onde reencontrou a família. As viagens oferecidas aos idosos de São
Luiz foram um dos motivos pelo qual o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima
(TRE-RR) cassou James Batista, em setembro de 2023.
"Ele
trabalhou pela cidade e promovia eventos para os idosos. Fazia muitos anos que
eu não via minha família, fomos para Caldas Novas, consegui reencontrar meus
irmãos. Minha família mora quase toda lá, e foi uma experiência incrível poder
almoçar com todos juntos novamente", disse a dona de casa.
Para
ela, James foi um "ótimo gestor" até o último ano do mandato quando,
na visão dela, "as coisas começaram a desandar".
"As
obras paradas realmente, não foi legal, mas foi só no último ano. Antes disso,
todo mundo dizia que ele era um excelente prefeito. Ele nunca atrasava
salários, mas deixou pendente o 13º salário do último ano", finalizou a
dona de casa.
<><>
Outras polêmicas de James Batista (SD)
Em
janeiro deste ano, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São Luiz
denunciou que mais de 600 servidores estavam sem receber o salário de dezembro
de 2024. Em dezembro de 2024, o mesmo sindicato havia denunciado a prefeitura
pelo atraso no pagamento do 13° salário dos servidores públicos municipais.
O
sindicato entrou em acordo com a atual gestão e os salários devidos foram pagos
na totalidade ou em três parcelas até março deste ano.
O não
pagamento do salário foi um dos motivos que o Ministério Público de Contas (MP
de Contas) usou para pedir o cancelamento da 24ª Vaquejada São Luiz.
Em
2022, o James Batista se envolveu em uma polêmica ao contratar um show do
Gusttavo Lima por R$ 800 mil sem que a cidade tivesse estrutura. A apresentação
foi cancelada pela Justiça.
À
época, junto com o show de Gusttavo Lima, obras na cidade também foram
anunciadas. Entre elas, uma estrutura com quase 5 metros de altura na entrada
do município custando mais de R$ 2 milhões de custo aos cofres públicos que
acumula atrasos e adiamentos na entrega.
O
anúncio do show teve destaque nacional ao fazer parte de uma polêmica em todo o
Brasil envolvendo a contratação de cantores por pequenas cidades do país entrou
em discussão após o sertanejo Zé Neto criticar a lei e "alfinetar" a
cantora Anitta em um show que custou R$ 400 mil à prefeitura de Sorriso (MT).
Fonte:
g1

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