Breno
Altman: Israel e EUA sofreram derrotas táticas na tentativa de atingir Irã
Israel
e os Estados Unidos sofreram uma tripla derrota tática ao tentar emplacar
sucesso nos ataques contra o Irã, analisou o jornalista Breno Altman.mPara o
fundador de Opera Mundi, o ataque aéreo coordenado com os EUA atingiu
instalações nucleares iranianas e causou danos limitados, mas que o “objetivo
não foi alcançado” — ou seja, destruir as capacidades totais nucleares do Irã.
Apesar
de ter adotado todas as medidas possíveis, inclusive na tentativa de envolver o republicano Donald Trump
em uma coalizão para derrubar o regime iraniano, o governo de
Benjamin Netanyahu não conseguiu atingir esse objetivo estratégico e aprofundou
críticas à gestão do premiê.
“A
escalada verbal de Pequim e Moscou contra as agressões de Israel e dos Estados
Unidos, pode ter sido um elemento dissuasório na escalada impulsionada pelo
regime sionista e, até certo ponto, acompanhada por Washington”, declarou. E
acrescentou: “O presidente norte americano em certo momento falou abertamente
de passar uma estratégia voltada a mudança de regime do irã, incluindo o
assassinato do Khamenei, mas teve que recuar essas pretensões
megalonomaníacas”.
Além
disso, os ataques iranianos mostraram que o
“mito da invulnerabilidade de Israel foi desfeito”. A capacidade de
reação do Irã rompeu a ideia de que Israel dominava militarmente sem riscos. A
população do país persa se manteve coesa em torno do líder supremo, aiatolá Ali
Khamenei — até mesmo entre setores tradicionalmente opositores. “As Forças Armadas
iranianas revelaram capacidade de impor dor e pânico ao Estado de Israel”,
afirmou Altman.
Com as retaliações de de Teerã, a
crise política dentro da coalizão governista liderada por Netanyahu reacendeu, já que partidos
religiosos e extremistas “exigem a continuidade da guerra expansionista para se
manter na aliança”, o que tem intensificado o genocídio palestino após o
cessar-fogo com a República Islâmica.
“O
cessar-fogo é bastante inseguro, a crise está longe de ter sido superada e a
dinâmica do regime sionista conduz as guerras de ocupação e agressão, tanto
para atender seus objetivos expansionistas quanto para Netanyahu se manter no
poder. Algo parecido vale para os Estados Unidos”, complementa o especialista.
O Irã, segundo o jornalista, passou a
receber maior simpatia internacional e, somada à crise política interna
israelense, parte da população já percebe que a estratégia do governo sionista
resultou em “maiores dificuldades econômicas e maior repúdio da opinião pública
internacional”.
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Acusações, desconfiança e vitória dos dois lados: os
movimentos de Israel e Irã após o início do cessar-fogo
O
cessar-fogo entre Irã e Israel entrou em vigor na madrugada desta terça-feira
(24). Nas primeiras 24 horas, não houve novos bombardeios intensos, mas o clima
seguiu tenso, com trocas de acusações e declarações de vitória dos dois lados.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que ambos os países violaram o
acordo momentaneamente.
A
trégua, articulada pelos Estados Unidos com apoio do Catar, foi estabelecida
após 12 dias de confronto. Segundo autoridades dos dois países, cerca de mil
pessoas morreram e mais de 3 mil ficaram feridas.
No fim
de semana, os EUA bombardearam estruturas nucleares do Irã, o que intensificou
o conflito. Em resposta, o regime iraniano lançou mísseis contra uma base
militar americana no Catar, na segunda-feira (23).
Diante
do risco de uma escalada ainda maior, Trump afirmou que entrou em contato com
os governos de Israel e Irã para negociar um cessar-fogo. Ambos anunciaram que
aceitaram a proposta.
Após o
início da trégua, os dois países divulgaram comunicados internos em que se
declararam vitoriosos.
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Trégua mediada por Trump
O
cessar-fogo entre Israel e Irã foi anunciado por Trump e negociado durante uma
ligação do presidente dos Estados Unidos com o primeiro-ministro de
Israel, Benjamin Netanyahu. A trégua se iniciou
à 1h de terça-feira, pelo horário de Brasília.
Um
funcionário da Casa Branca ouvido pela agência Reuters disse que Israel
concordou com o cessar-fogo desde que o Irã não lançasse novos ataques. O
governo iraniano sinalizou que cumpriria o acordo, segundo ele.
Ainda
de acordo com o funcionário, a negociação também envolveu o vice-presidente dos
EUA, J.D. Vance, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o enviado
especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
A
Reuters informou também que Trump e o vice-presidente discutiram a proposta com
o emir do Catar, após o ataque iraniano à base americana no país, na
segunda-feira.
Segundo
uma fonte com conhecimento das negociações, Trump disse ao emir que Israel
havia aceitado o cessar-fogo. Durante o diálogo, ele também pediu ajuda do
Catar para convencer o Irã a fazer o mesmo.
Ainda
segundo a agência, Teerã concordou com a proposta durante uma ligação
telefônica com a participação do primeiro-ministro do Catar.
Em um
primeiro momento, o chanceler iraniano chegou a publicar em uma rede social que
nenhum cessar-fogo havia sido acordado. Horas depois, no entanto, a mídia
estatal do Irã noticiou que a trégua tinha entrado em vigor.
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Israel diz que atingiu seus objetivos
O
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta terça-feira que
o país vai responder fortemente a quaisquer violações do cessar-fogo. Em um
comunicado, ele disse que Israel "atingiu seu objetivo de eliminar a
ameaça nuclear e de mísseis balísticos do Irã".
Depois,
um porta-voz do exército de Israel confirmou que o cessar-fogo havia começado,
mas alertou que "ainda há risco de perigo".
“O
exército permanece em alerta”, declarou. “A força aérea segue pronta para
remover ameaças.”
Pouco
após o início do cessar-fogo, Israel acusou o Irã de ter disparado três
mísseis. Os militares israelenses responderam com um bombardeio a um radar
perto de Teerã, mas se abstiveram de novos ataques após uma conversa entre
Trump e Netanyahu por telefone.
Mais
tarde, em um vídeo à nação, o premiê afirmou que o país obteve uma
"vitória histórica" que será lembrada por gerações. Disse ainda que
Israel precisa completar sua campanha contra o eixo iraniano, derrotando o
Hamas e trazendo de volta os reféns mantidos pelo grupo na Faixa de Gaza.
Enquanto
isso, as Forças de Defesa de Israel indicaram que vão voltar seus esforços para
a Faixa de Gaza a fim de "desmantelar o regime" imposto pelo Hamas no
território palestino.
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Os últimos ataques do Irã
Na
madrugada de terça-feira, a imprensa estatal iraniana informou que o país
lançou mísseis contra Israel minutos antes do início da trégua: "O
cessar-fogo tem início após quatro ondas de ataques em territórios ocupados por
Israel", afirmou a Press TV.
De
acordo com as Forças Armadas israelenses, o Irã realizou ao menos cinco ataques
antes da trégua. Quatro pessoas morreram na região de Beersheva, no sul do
país, e outras 12 ficaram feridas.
Em
Teerã, explosões foram ouvidas por jornalistas da AFP. As detonações ocorreram
por volta das 3h locais (20h30 de segunda-feira no horário de Brasília) e foram
acompanhadas pelo sobrevoo de aviões militares no norte e no centro da cidade.
O Irã
afirmou que o cessar-fogo poderá interrompido caso Israel descumpra o acordo e
realize novos ataques.
Em
comunicado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou Israel de iniciar
a guerra e chamou o país de “terrorista”. Segundo ele, o Irã encerrou o
conflito com “sucesso”, alcançando uma “grande vitória”.
O
Comando Militar do Irã também divulgou uma nota pela imprensa estatal, dizendo
que Israel e os EUA precisam aprender com os “golpes devastadores” conduzidos
contra o território israelense e a base americana no Catar.
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O conflito
A
ofensiva começou no dia 13 de junho, quando Israel lançou uma operação
preventiva para conter o avanço do programa nuclear iraniano. Em 12 dias de
confronto, 974 pessoas morreram no Irã e 28 em Israel, segundo autoridades dos
dois países. A maioria das vítimas é composta por civis.
Desde o
início da guerra, forças israelenses bombardearam alvos militares e nucleares
em território iraniano. Em resposta, o Irã prometeu vingança e lançou mísseis
contra Tel Aviv, Haifa e Jerusalém.
Israel
alega que o regime de Teerã está próximo de obter uma bomba atômica. Por isso,
o governo de Benjamin Netanyahu justificou os ataques como uma tentativa de
neutralizar o que considera uma ameaça à existência do país.
No fim
de semana, os Estados Unidos lançaram um ataque contra instalações nucleares
iranianas. O principal alvo foi a usina de Fordow — uma instalação subterrânea
a 80 metros da superfície, onde funcionavam centrífugas para enriquecimento de
urânio.
Nesta
segunda-feira, o Irã retaliou e lançou mísseis contra uma base militar
americana no Catar. Autoridades norte-americanas e catarianas afirmaram que os
projéteis foram interceptados e que os danos foram mínimos. Não houve registro
de mortes ou feridos.
Segundo
a imprensa americana, o Irã avisou os EUA e o Catar com horas de antecedência.
O objetivo seria realizar uma resposta simbólica, que evitasse uma escalada no
conflito.
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Irã e Israel disputam narrativa da vitória após 12 dias
de confronto
Tanto Irã quanto Israel declararam vitória no conflito que durou 12 dias,
em uma tentativa de demonstrar força diante da população e aliados. A trégua
começou na madrugada desta terça-feira (24), em um cessar-fogo costurado com a ajuda dos
Estados Unidos e do Catar.
Em um
vídeo à nação israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o
país obteve uma "vitória histórica" que será lembrada por gerações.
Ele disse ainda que Israel precisa completar sua campanha contra o eixo
iraniano, derrotando o Hamas e trazendo de volta os reféns mantidos pelo grupo
na Faixa de Gaza.
Enquanto
isso, as Forças de Defesa de Israel também indicaram que vão voltar seus esforços para a Faixa
de Gaza para
"desmantelar o regime" imposto pelo Hamas no território palestino.
Já o
presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou Israel de iniciar a guerra,
chamando o rival de "terrorista". Segundo ele, o conflito foi
encerrado com "sucesso" pelo Irã, que teria alcançado uma "grande
vitória".
Além
disso, o Comando Militar do Irã divulgou um comunicado na imprensa estatal
afirmando que Israel e EUA precisam aprender com os "golpes
devastadores" conduzidos contra o território israelense e a base americana
no Catar.
A
ofensiva entre os dois países começou em 13 de junho, quando Israel bombardeou
estruturas nucleares do Irã. Teerã revidou atacando cidades israelenses.
Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas.
O
conflito escalou com a entrada dos Estados Unidos. No fim de semana, os
norte-americanos bombardearam o Irã e disseram ter "obliterado" o
programa nuclear do país. Na segunda-feira (23), o Irã respondeu com um ataque à base americana de Al Udeid, no Catar.
A
resposta iraniana aos EUA, no entanto, foi considerada fraca pelo governo
americano. Além disso, autoridades do Irã ouvidas pela imprensa internacional
afirmaram que o país havia comunicado o Catar e os Estados Unidos sobre o
ataque com horas de antecedência.
Segundo
essas fontes, o objetivo era realizar uma ofensiva simbólica — uma forma de dar
satisfação ao público interno sem fechar a porta para uma saída diplomática.
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Cessar-fogo sob tensão
O
cessar-fogo entrou em vigor por volta de 1h desta
terça-feira,
pelo horário de Brasília, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump. Mas
relatos de novos ataques em Teerã e declarações cruzadas entre os envolvidos
colocaram o acordo sob incerteza logo nas primeiras horas.
Mais
tarde, em uma rede social, Trump afirmou que tanto Israel quanto o Irã violaram os
termos da trégua e
disse estar "insatisfeito com os dois lados".
"Israel
tem de se acalmar. Tenho de fazer Israel se acalmar", afirmou Trump ao
embarcar para a cúpula da Otan, em Haia. Em uma rede social, o presidente dos
EUA alertou: "Israel, não jogue suas bombas. Se fizer isso, será uma
grande violação."
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Papel dos EUA e do Catar na negociação
O
anúncio do cessar-fogo foi feito por Trump após uma ligação com Netanyahu.
Segundo a Reuters, o Irã também aceitou a trégua após contato mediado pelo
primeiro-ministro do Catar, com envolvimento direto de altos funcionários da
Casa Branca.
De
acordo com uma fonte oficial americana, o Irã sinalizou que cumpriria o acordo
caso não houvesse novos ataques de Israel.
A mesma
fonte confirmou que participaram das negociações o vice-presidente dos EUA,
J.D. Vance, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o enviado especial
para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
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Irã está pronto para ‘resolver os problemas’ com os EUA,
diz Masoud Pezeshkian
O
presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, garantiu nesta
quarta-feira (24/06) que sua nação está pronta para “resolver os problemas” com
o governo dos Estados Unidos, no âmbito de um cessar-fogo alcançado após 12 dias de
uma guerra iniciada pelo regime sionista de Israel sob apoio norte-americano.
“O Irã
está pronto para resolver os problemas com os Estados Unidos, com base no
quadro internacional. Não pedimos nada além de nossos direitos”, disse o
mandatário iraniano durante uma conversa por telefone com o príncipe herdeiro
da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman.
“Esperamos
que as conversas com os Estados Unidos comecem e deem frutos o quanto antes. O
Irã agradece pela ajuda de nossos países amigos e irmãos nesse sentido”,
acrescentou Pezeshkian.
A
autoridade também assegurou que Teerã “não procura confrontos” com as nações
islâmicas e fronteiriças, em uma mensagem direcionada ao Catar, palco do ataque
iraniano contra a principal base militar dos EUA no Oriente Médio. A ofensiva
ocorrida na segunda-feira (23/06) atingiu a base aérea de Al Udeid, além de um
reduto norte-americano no Iraque, entretanto, não deixou vítimas.
“Tivemos
de atacar a base no Catar para responder à direta cumplicidade dos americanos
na agressão israelense contra a integridade territorial do Irã”, reforçou,
acusando a Casa Branca e o regime sionista de “semear discórdia e inimizade
entre países islâmicos”.
Trump
contradiz Pentágono
Por sua
vez, o presidente norte-americano Donald Trump alegou nesta quarta-feira que o
cessar-fogo “caminha muito bem” e que os iranianos “não construirão a bomba
[atômica] por muito tempo”.
No
último fim de semana, aviões liderados pelos EUA bombardearam três centrais
nucleares no Irã –
em Fordow, Isfahan e Natanz. O magnata afirmou que “Fordow foi totalmente
destruída”, entrando em contradição com os relatos da mídia norte-americana
citando uma avaliação do Pentágono de que os ataques apenas atrasaram o
programa nuclear de Teerã em alguns meses. Além disso, a extensão dos danos não
foi confirmada por Teerã.
Trump
seguiu alegando que o ataque às instalações nucleares iranianas “foi a mesma
coisa de Hiroshima e Nagasaki”, em referência às bombas nucleares dos EUA que
devastaram as duas cidades japonesas, em uma das piores catástrofes da
história, e marcaram o fim da Segunda Guerra Mundial.
“Mas
agora estamos muito de acordo com o Irã”, afirmou em declaração à imprensa em
Haia, na Holanda, ao lado do secretário-geral da Organização do Tratado do
Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte.
Uma
avaliação inicial do Pentágono sugeriu que o bombardeio norte-americano não
conseguiu destruir as instalações nucleares subterrâneas do Irã conforme afirma
Trump, segundo os veículos The New York Times, The Washington Post e CNN na
terça-feira (24/06), que citaram autoridades familiarizadas com o relatório de
inteligência militar dos EUA.
À CNN,
fontes declararam que o “urânio enriquecido do Irã não foi destruído” e as
centrífugas estavam “praticamente intactas”. Acrescentaram também que, de
acordo com a avaliação, o urânio enriquecido havia sido movido antes dos
ataques dos EUA.
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Papa condena 'lógica da vingança' no conflito do Oriente
Médio
O Papa
Leão 14 cobrou nesta quarta-feira (25/06) o fim da “lógica da vingança” no
Oriente Médio e disse acompanhar “com atenção e esperança” os desdobramentos da crise que
envolve Irã, Israel e Palestina.
As
declarações foram dadas na audiência geral do pontífice americano na Praça São
Pedro e chegam na esteira do cessar-fogo entre Irã e Israel, após
12 dias de guerra.
“Continuamos
a seguir com atenção os desdobramentos da situação no Irã, em Israel e na
Palestina. As palavras do profeta Isaías são hoje mais urgentes do que nunca:
‘uma nação não levantará mais a espada contra outra nação'”, afirmou Leão 14.
“Que
sejam curadas as feridas causadas pelas ações sangrentas dos últimos dias, se
rejeite qualquer lógica de prepotência e de vingança e se escolha com
determinação o caminho do diálogo, da diplomacia e da paz”, disse o Papa.
Em seu
apelo, o pontífice também cobrou que a comunidade internacional mantenha a
atenção sobre a Síria, onde um atentado terrorista de matriz
islâmica matou pelo menos 30 pessoas em uma igreja greco-ortodoxa em Damasco
no último domingo (22/06).
“Esse
trágico episódio evoca a profunda fragilidade que ainda marca a Síria, após
anos de conflitos e instabilidade. É fundamental que a comunidade internacional
não desvie o olhar deste país e continue a oferecer-lhe apoio por meio de
gestos de solidariedade e com um renovado compromisso com a paz e a
reconciliação”, salientou Robert Prevost.
Fonte: Opera
Mundi/g1/Ansa

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