Irã
reafirma cessar-fogo e suspende colaboração com Agência Internacional de
Energia Atômica
O
presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que Teerã manterá seu
compromisso com o cessar-fogo firmado com Israel, desde que Tel
Aviv respeite os termos do acordo. “Se o regime
sionista não violar o cessar-fogo, o Irã não o fará”, disse Pezeshkian.
A trégua encerrou 12 dias de
hostilidades,
que incluíram ataques israelenses a alvos militares iranianos e mísseis
lançados pelo Irã contra instalações e bases dos EUA e de Israel na região.
Pezeshkian acusou os Estados Unidos de se juntarem diretamente aos ataques,
violando normas internacionais, ao bombardear três das principais instalações
nucleares do país: Fordow, Natanz e Isfahan.
Como
resposta aos bombardeios americanos, o Irã lançou um ataque contra uma base
aérea dos EUA no Catar. “Isso não significa que o Irã esteja em conflito com o
governo e o povo do Catar”, afirmou o líder iraniano, ao garantir o compromisso
do país com a paz na região.
<><>
AIEA
O
Parlamento do Irã aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (25/06), uma
moção que recomenda a suspensão da cooperação do governo com a Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA). A agência é acusada de omissão diante
dos ataques às instalações nucleares.
Dos 223
legisladores presentes, 221 votaram a favor, com uma abstenção e nenhum voto
contrário. “O programa nuclear pacífico do Irã
avançará mais rapidamente”, declarou o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer
Qalibaf, criticando a AIEA por não condenar, “mesmo verbalmente”, a ofensiva
contra centros nucleares iranianos.
O
projeto de lei não representa uma retirada do Tratado de Não Proliferação
(TNP), mas sim uma suspensão das atividades de vigilância e relatórios da AIEA
dentro do Irã. Com a nova lei, nenhuma câmera ou inspetor da AIEA – incluindo
seu diretor-geral Rafael Grossi – terá acesso às instalações iranianas.
americanos
contra suas centrais nucleares nos últimos doze dias.
“A
AIEA, que se recusou a condenar, nem que fosse minimamente, o ataque às
instalações nucleares iranianas, comprometeu sua credibilidade internacional.
(...) A Organização Iraniana de Energia Atômica suspenderá sua cooperação com a
AIEA enquanto a segurança das instalações nucleares não for garantida”,
declarou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, após a
votação dos deputados a favor da suspensão da cooperação com a agência.
A
suspensão da cooperação com a AIEA, que inspeciona programas nucleares ao redor
do mundo, foi aprovada com ampla maioria no Parlamento iraniano, com 221 votos
a favor de um total de 290 cadeiras. Um legislador se absteve, e não houve
nenhum voto contra, segundo a TV estatal iraniana. Até a última atualização
desta reportagem, o governo iraniano ainda não havia divulgado quando a
suspensão entraria em vigor.
Ao
mesmo tempo, o chefe da AIEA, Rafael Grossi, afirmou nesta quarta-feira que a
"prioridade número 1" da agência é garantir o retorno de seus
inspetores às instalações nucleares do Irã para avaliar o impacto dos
ataques militares americanos e israelenses, além de verificar os estoques de
urânio enriquecido do país.
O Irã
acusa a AIEA e Grossi de serem politicamente enviesados para Israel em meio aos
ataques às instalações nucleares do país ocorridos nos 12 dias de conflito
direto. Os locais mais atingidos foram Natanz, Isfahan e Fordow.
Segundo
a TV estatal iraniana, a resolução do Parlamento diz que os inspetores da AIEA
não terão permissão para entrar no Irã a menos que a segurança das instalações
nucleares e das atividades nucleares do país esteja garantida, e estará sujeita
à aprovação do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano. Um dos
legisladores também pediu ao Conselho o banimento de Grossi do país, mas não
teve seu pedido acolhido até o momento.
O
porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a suspensão da cooperação
iraniana é uma consequência direta do que classificou como "ataque não
provocado" ao Irã, e criticou a AIEA por não fazer mais contra os ataques
a instalações nucleares. Segundo Peskov, a agência da ONU sofreu sérios danos à
sua reputação.
A
suspensão da cooperação com a AIEA ocorre dias após um assessor do aiatolá Ali
Khamenei, líder supremo do Irã, ameaçar o chefe da agência da ONU dizendo que
"acertaria as contas" com ele quando o conflito direto contra Israel
acabasse.
Seyed
Mahmoud Nabavian, vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política
Externa iraniana acusou a agência de vazar informações confidenciais para
Israel e declarou que, a partir de então, nenhum dado seria fornecido à
agência.
<><>
Projeto de lei
O
projeto de lei vincula a suspensão à violação da soberania nacional e
integridade territorial do Irã pelas forças dos EUA e de Israel. De acordo com
o Artigo 60 da Convenção de Viena de 1969 sobre o Direito dos Tratados, o
governo iraniano agora é obrigado a suspender toda a cooperação com a AIEA até
que duas condições sejam atendidas:
A
garantia total da soberania iraniana e proteção de seus cientistas e
instalações nucleares, conforme determinado pelo Conselho Supremo de Segurança
Nacional. E o reconhecimento dos plenos direitos do Irã, nos termos do Artigo 4
do TNP, de conduzir o enriquecimento de urânio e o desenvolvimento nuclear
dentro de suas fronteiras.
A
medida é vista pelos parlamentares iranianos como uma resposta proporcional ao
diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, cujo relatório foi considerado por eles
tendencioso e motivador dos ataques contra as instalações nucleares do país.
<><>
Relatório do Pentágono
A
decisão vem à tona no mesmo dia em que a Agência de Inteligência de Defesa, o
braço de inteligência do Pentágono, vazou um relatório afirmando que
componentes-chave do programa nuclear, incluindo centrífugas, poderiam ser
reiniciados em poucos meses.
O
documento afirma que os bombardeios — realizados com bombas “destruidoras de
bunkers” GBU-57 e mísseis Tomahawk — não destruíram completamente as
instalações em Natanz, Fordow e Isfahan, como garantiu Trump.
Segundo
a avaliação preliminar, os ataques “provavelmente só atrasaram o programa
nuclear do Irã em alguns meses”, na medida em que grande parte do estoque
iraniano de urânio enriquecido teria sido movido antes da operação. A
instalação de Fordow — considerada a mais protegida do país e localizada sob as
montanhas Zagros — resistiu melhor aos ataques do que o esperado.
Na sua
rede Truth Social, Trump publicou em maiúsculas: “AS INSTALAÇÕES NUCLEARES NO
IRÃ ESTÃO COMPLETAMENTE DESTRUÍDAS!”. A Casa Branca também rejeitou o relatório
da Agência de Inteligência, classificando os vazamentos sobre a avaliação como
uma tentativa de “rebaixar o presidente Trump e desacreditar os bravos pilotos
de caça” envolvidos na operação.
Rafael
Grossi, diretor-geral da AIEA, declarou em Viena que o país perdeu a capacidade
de contabilizar 400 kg de urânio enriquecido iraniano a 60% e que a prioridade
da agência agora é retornar às instalações nucleares iranianas para uma
inspeção técnica urgente.
<><>
Cortejos
Tanto
Israel quanto o Irã reivindicaram vitória na guerra de 12
dias,
com os iranianos realizando celebrações em Teerã e o primeiro-ministro
israelense Benjamin Netanyahu reivindicando um triunfo que permanecerá por
gerações. O Irã afirma que pelo menos 610 pessoas, incluindo 13 crianças, foram
mortas e 3.056 ficaram feridas desde que Israel lançou seu ataque em 13 de
junho. Em Israel, pelo menos 28 pessoas foram mortas em ataques iranianos.
Um
grande cortejo fúnebre foi realizado para os seis soldados mortos em um ataque
israelense em Yazd, no domingo, conforme relatos relatou a agência estatal
Tasnim. Milhares de pessoas, entre elas autoridades militares e civis,
participaram da cerimônia na Grande Mesquita da cidade. No próximo sábado é
esperada uma grande marcha nacional em homenagem às vítimas do confronto.
<><>
Trump insiste com fake News de que instalações nucleares do Irã foram
destruídas
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta quarta-feira que os
ataques americanos "destruíram totalmente" as capacidades nucleares
do Irã, mesmo após a divulgação de um documento do serviço de Inteligência
americano que questionou a eficácia dos ataques.
Segundo
o relatório confidencial da Defense Intelligence Agency (Agência de
Inteligência de Defesa, em português) do Exército americano, que vazou para a
imprensa nesta terça-feira (24), “o programa nuclear iraniano
teria sido, na melhor das hipóteses, atrasado por alguns meses” após os ataques
de domingo passado a três principais locais nucleares. Segundo o documento, os
danos seriam bem menores do que os anunciados pelo governo americano.
O
relatório revelou que apenas as partes superiores das centrais nucleares de
Fordow e Natanz teriam sido destruídas pelas bombas americanas e mísseis
israelenses.
Os
ataques teriam obstruído as entradas de algumas instalações sem afetar os
edifícios subterrâneos. De acordo com o documento, as principais centrífugas
também continuam intactas, e os 400 quilos de urânio altamente enriquecido, que
supostamente estavam nos locais visados, continuam desaparecidos. Eles teriam
sido deslocados antes dos ataques.
A
porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou a autenticidade do
relatório, mas declarou que ele era “totalmente equivocado”. O vazamento da
informação, disse, “é uma tentativa evidente de diminuir o presidente Trump e
os pilotos corajosos que executaram perfeitamente sua missão de destruir o
programa nuclear iraniano”, escreveu no X.
No
entanto, essas informações, se forem confirmadas, contradizem completamente as
declarações do presidente americano. Dois dias antes da publicação do
relatório, ele anunciou que as instalações nucleares haviam sido completamente
destruídas, informação que ele reiterou nesta quarta-feira.
<><>
Falta de transparência
Nesta
terça-feira, membros da CIA e generais deveriam apresentar elementos
confidenciais sobre os ataques ao Senado e à Câmara. As reuniões acabaram sendo
canceladas, oficialmente por indisponibilidade de alguns responsáveis.
A
situação provocou indignação entre os parlamentares. Hakeem Jeffries, líder dos
democratas na Câmara dos Representantes, disse que nenhum elemento foi
apresentado ao povo americano ou ao Congresso para confirmar que o programa
nuclear do Irã foi “completamente e totalmente destruído”.
A falta
de transparência sobre a operação "Midnight Hammer" ("Martelo da
meia-noite", em português) levou Trump a reagir em sua rede social, Truth
Social. “Todos que dizem que as bombas não destruíram tudo, querem apenas minar
o sucesso do presidente.”
Nesta
terça-feira, o governo iraniano anunciou que "tomou as medidas
necessárias" para garantir a continuidade de seu programa nuclear. Um
conselheiro do aiatolá Khamenei afirmou que o país ainda possui estoques de
urânio enriquecido e que “a partida não terminou”.
Já o
Exército israelense estimou na terça-feira ser "cedo demais" para
avaliar os danos causados ao programa nuclear iraniano.
“Ainda
é cedo para avaliar os resultados da operação. Acredito que demos um golpe duro
ao programa nuclear, e também posso dizer que o atrasamos por vários anos”,
declarou o porta-voz do Exército israelense, Effie Defrin, em coletiva de
imprensa.
<><>
Cessar-fogo
O
cessar-fogo negociado por Trump entre Irã e Israel continua em vigor nesta
quarta-feira. O emissário de Donald Trump, Steve Witkoff, declarou nesta
terça-feira à noite que as discussões entre os Estados Unidos e o Irã eram
“promissoras” e que Washington esperava um acordo de paz de longo prazo.
“Já
estamos conversando, não apenas diretamente, mas também por meio de
intermediários. Acho que essas conversas são promissoras. Esperamos poder
concluir um acordo de paz de longo prazo”, disse ele em entrevista à Fox News.
“Cabe agora a nós sentarmos com os iranianos e chegarmos a um acordo de paz
abrangente, e estou convencido de que conseguiremos”, acrescentou Steve
Witkoff.
O
conflito entre Israel e Irã começou na sexta-feira, 13 de junho, após uma série
de bombardeios israelenses que tinham por objetivo destruir o programa nuclear
iraniano. Os ataques israelenses causaram centenas de mortes no Irã, e os
mísseis disparados pelo Irã em retaliação causaram 28 mortes em Israel.
¨
Ataque dos EUA atrasou programa nuclear do Irã por apenas
alguns meses, diz jornal
O
ataque dos Estados Unidos contra
instalações do Irã no sábado (21) atrasou o programa nuclear do país "em
apenas alguns meses', segundo reportagem do "The New York Times". O
jornal cita um relatório preliminar americano obtido por fontes da inteligência
sob condição de anonimato.
De
acordo com o documento da Agência de Inteligência de Defesa (DIA, na sigla em
inglês), uma agência do Pentágono, obtido pelo jornal, os ataques selaram as
entradas de dois dos três locais atingidos — Fordow, Natanz e Isfahan — mas não
chegaram a colapsar suas estruturas subterrâneas, onde estão parte dos
principais laboratórios do programa nuclear iraniano.
A
eletricidade e parte do maquinário foram danificados, mas a estrutura física
das instalações continua de pé, segundo fontes de defesa dos EUA e de Israel.
Para que os danos fossem mais duradouros, seriam necessárias múltiplas rodadas
de ataques, disseram militares americanos.
Logo
após o bombardeio, o secretário de Defesa dos EUA, Peter Hegseth, disse que
o ataque "foi concluído com
sucesso" e que foi o "último golpe no programa nuclear iraniano". "Ficou claro
que devastamos o programa nuclear iraniano", disse ele.
Segundo
o relatório, diz a reportagem, antes dos bombardeios, as agências de
inteligência estimavam que, caso decidisse produzir uma arma nuclear, o Irã
levaria cerca de três meses para conseguir um "artefato básico". Após
os ataques americanos e israelenses às instalações, essa previsão foi estendida
para "um prazo inferior a seis meses".
A
estimativa considera que o Irã ainda possui controle sobre quase todo o seu
estoque de urânio enriquecido, que foi deslocado antes da ofensiva, aponta o
"The New York Times". Fontes da inteligência americana afirmam que
parte desse material pode ter sido transferida para instalações secretas de
enriquecimento, fora do alcance das bombas.
<><>
Relatório contradiz governo americano
A
reportagem afirma que o relatório indica que o impacto da operação foi menor do
que o anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A porta-voz da Casa
Branca, Karoline Leavitt, disse ao "The New York Times" que a
avaliação “está completamente errada”.
“Todo
mundo sabe o que acontece quando você joga 14 bombas de 30 mil libras
perfeitamente nos alvos: destruição total”, disse Leavitt em comunicado.
Apesar
do discurso oficial, autoridades americanas admitem, nos bastidores, que os
danos foram significativos, mas insuficientes para impedir o Irã de retomar seu
programa nuclear em curto prazo.
<><>
Ataques com avião mais caro do mundo
Na
operação chamada de "Martelo da Meia-Noite, dois EUA usaram aviões B-2
Spirit, um dos veículos militares mais avançados do país, com custo estimado de
US$ 2,1 bilhões por unidade.
Com
tecnologia de ponta, ele é capaz de atravessar sistemas sofisticados de defesa
aérea, além de conseguir atingir com precisão alvos fortificados, como as
instalações nucleares subterrâneas do Irã.
As
aeronaves usaram bombas "bunker buster", feitas para destruir
bunkers, que pesam 13 toneladas, que penetram a uma profundidade de 60 metros
de concreto armado.
<><>
Cessar-fogo sob tensão
O cessar-fogo entrou em vigor nas
primeiras horas desta terça-feira (1h da manhã no horário de Brasília), segundo anúncio
feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
No
entanto, relatos de novos ataques em Teerã e declarações cruzadas entre os
envolvidos colocaram o acordo sob incerteza logo nas primeiras horas.
Trump
afirmou que tanto Israel quanto Irã violaram os termos da trégua,
negociada com participação ativa do Catar, e que estava "insatisfeito com
os dois lados".
Fonte: Opera
Mundi/RFI/g1

Nenhum comentário:
Postar um comentário