terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Obesidade: saiba quando o excesso de peso ameaça a saúde e exige atenção

A obesidade deixou de ser apenas um desafio individual para se tornar uma das maiores questões de saúde do nosso tempo. No Brasil, mais de 60% dos adultos estão acima do peso e cerca de 30% já convivem com o excesso de peso.

Esses números impressionam e reforçam que não se trata de uma questão de aparência, mas sim de uma condição crônica, progressiva e com várias causas, que exige informação de qualidade, acolhimento e políticas públicas eficazes.

<><> Obesidade é doença, não falta de vontade

A ciência reconhece a obesidade como uma doença complexa, influenciada por fatores genéticos, metabólicos, hormonais, ambientais e psicológicos. Ainda assim, muitas vezes ela é reduzida, de forma injusta, a uma suposta “falta de disciplina”.

Essa visão simplista alimenta o preconceito e agrava as dificuldades vividas diariamente por milhões de pessoas. É fundamental compreender: a obesidade não é culpa do indivíduo. Encarar o tema dessa maneira só atrapalha a prevenção e o tratamento.

Além das consequências físicas, o impacto emocional também é enorme. Olhares de julgamento e estigmas sociais afetam a autoestima e a saúde mental. Combater a discriminação é, portanto, parte essencial da prevenção. Em um ambiente acolhedor, as chances de adoção de hábitos saudáveis e acompanhamento médico adequado aumentam consideravelmente.

<><> Prevenção: o caminho mais eficaz

Embora diferentes tratamentos estejam disponíveis, é na prevenção que está o maior poder de combate à obesidade. Pequenas escolhas diárias, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, dormir bem e evitar o consumo excessivo de alimentos industrializados, podem proporcionar grandes benefícios.

Prevenir significa não apenas reduzir o risco de doenças como diabetes, pressão alta, apneia do sono e alguns tipos de câncer, mas também alcançar melhor

qualidade de vida e diminuir a pressão sobre o sistema de saúde.

No entanto, a responsabilidade não pode ser apenas do indivíduo. É fundamental criar ambientes que favoreçam escolhas saudáveis. Medidas públicas consistentes — como regular a publicidade de alimentos industrializados dirigida às crianças, incentivar esportes e ampliar o acesso a alimentos frescos e nutritivos — são indispensáveis.

O combate à obesidade deve acontecer em escolas, empresas, cidades e governos. É uma transformação que deve ser coletiva. Neste Dia Nacional da Prevenção da Obesidade, a mensagem que precisa ser reforçada é clara: obesidade vai muito além da estética, é uma questão de saúde.

Prevenir começa com informação acessível, políticas responsáveis e, acima de tudo, respeito.

•        "Wegovy oral" leva a perda de 16,6% do peso em pessoas com obesidade

O "Wegovy oral" -- uma versão da semaglutida em comprimido -- levou a uma perda de peso de 16,6% em pessoas com obesidade, segundo novo estudo divulgado pela farmacêutica Novo Nordisk na semana passada e publicado no The New England Journal of Medicine.

O ensaio clínico de fase 3 avaliou a eficácia e a segurança da semaglutida oral 25 mg, conhecida popularmente como "Wegovy oral" ou "Wegovy em comprimido" em 307 adultos com obesidade ou sobrepeso que tinham uma ou mais comorbidades relacionadas ao peso, mas que não tinham diabetes.

Os resultados mostraram que, quando os pacientes aderiram bem ao tratamento, a perda de peso média foi de 16,6% para o grupo que tomou o Wegovy oral, em comparação com 2,7% para aqueles que receberam placebo.

Além disso, mais de um terço (34,4%) dos participantes alcançou uma redução de 20% ou mais do peso corporal, contra apenas 2,9% no grupo placebo. Segundo os pesquisadores, esse resultado é comparável aos obtidos em estudos realizados anteriormente com o Wegovy injetável.

De acordo com o estudo, mesmo quando os pacientes não tomaram o medicamente exatamente conforme prescrito, aqueles que receberam Wegovy oral apresentaram uma perda de peso média de 13,6% em comparação a 2,2% com o placebo. Quase um terço (29,7%) alcançou perda de peso de 20% ou mais, versus 3,3% no grupo placebo.

Outro ponto analisado pelo estudo foi o risco cardiovascular: o comprimido reduziu fatores de risco para a saúde do coração e vascular associados à obesidade, além de ter melhorado a capacidade dos pacientes de realizarem atividades no dia a dia.

"A chegada de uma formulação oral de alta eficácia para o tratamento da obesidade é um marco que reflete nosso compromisso em ouvir e atender às necessidades dos pacientes", afirma Marília Fonseca, diretora médica da Novo Nordisk no Brasil, em comunicado à imprensa.

"Sabemos que a preferência por um tratamento oral pode ser um fator decisivo para muitas pessoas, e oferecer uma opção que combina a conveniência de um comprimido diário com a perda de peso robusta de 16,6%, já conhecida da semaglutida, tem o potencial de ampliar o acesso e a adesão ao tratamento", completa.

Em relação a efeitos colaterais, a versão oral do Wegovy apresentou eventos semelhantes aos da versão em caneta: náusea e vômito foram os mais comuns, geralmente com gravidade leve a moderada e transitórios.

Efeitos colaterais que levaram os pacientes a desistirem do tratamento foram de 6,9%. E a incidência de eventos adversos graves foi de 3,9%.

A Novo Nordisk submeteu um Pedido de Novo Medicamento (NDA) para a formulação em comprimido de uso diário do Wegovy para a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. A análise deverá ser concluída até o final de 2025. A empresa deve submeter o medicamento para análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em breve.

<><> Wegovy oral e Rybelsus: qual a diferença?

Essa não é a primeira formulação da semaglutida -- princípio ativo do Ozempic e do Wegovy -- em versão oral. O comprimido Rybelsus também é feito com base na molécula, mas em uma dosagem menor (14 mg) e com indicação para o tratamento de diabetes tipo 2.

Em outras palavras, Rybelsus é a versão "oral" do Ozempic, caneta injetável para o tratamento do diabetes. Já a semaglutida 25 mg em comprimido é a versão "oral" da caneta Wegovy. O nome comercial do medicamento foi submetido à FDA e está pendente de aprovação, segundo a Novo Nordisk.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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