terça-feira, 2 de dezembro de 2025


 Dá para tratar flacidez sem cirurgia? Técnicas prometem firmeza à pele

Com o passar dos anos, a pele perde elasticidade e firmeza, processo natural do envelhecimento que está ligado à diminuição da produção de colágeno e elastina. Essa perda de sustentação, conhecida como flacidez, pode afetar o rosto, o pescoço, os braços, o abdômen e outras partes do corpo.

Mas o avançar da idade não é o único fator da flacidez. Outros fatores como o fotoenvelhecimento causado pela radiação solar, o tabagismo, a poluição e os maus hábitos alimentares também contribuem para essa perda de sustentação.

“Fatores genéticos também influenciam bastante. Embora o processo se inicie por volta dos 30 anos, é entre os 40 e 50 que a flacidez tende a se tornar mais visível e incômoda”, explica Maria Roberta Martins, cirurgiã plástica, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – SBCP.

Embora muitas pessoas associem o tratamento para flacidez à apenas cirurgia plástica, hoje existem diversas técnicas não cirúrgicas capazes de atenuar o problema. Segundo especialistas, a flacidez pode ser tratada com tecnologias que estimulam o colágeno, como o ultrassom microfocado e a radiofrequência, por exemplo.

“Os que têm comprovação científica baseiam-se em energia e estímulo celular. Radiofrequência, ultrassom microfocado e os bioestimuladores injetáveis são os principais. Eles atuam em diferentes camadas da pele, provocando retração das fibras já existentes e incentivando a formação de novas”, explica Josué Montedonio, cirurgião plástico membro da SBCP.

Como são os procedimentos

Existem diversas opções de procedimentos que ajudam a provocar a retração da pele:

        A radiofrequência aquece as camadas mais profundas da pele, estimulando a contração imediata das fibras e a produção de novo colágeno pelos fibroblastos;

        O ultrassom microfocado gera pontos de calor em planos mais profundos, provocando retração do tecido e estímulo de colágeno;

        Já os bioestimuladores injetáveis funcionam como um estímulo biológico: suas partículas ativam os fibroblastos, promovendo a formação gradual de colágeno e a remodelação da matriz extracelular, o que melhora a firmeza e a densidade da pele ao longo de meses.

“Os tratamentos com melhores resultados em casos leves a moderados são a radiofrequência (tradicional ou microagulhada), o ultrassom microfocado e os bioestimuladores de colágeno injetáveis, como o ácido polilático, a hidroxiapatita de cálcio e o policaprolactona. Em alguns casos, o microneedling pode ser associado à radiofrequência ou a lasers fracionados para melhorar também a textura e a qualidade da pele”, acrescenta Martins.

Além dos procedimentos em consultório, hábitos de vida também fazem diferença. Alimentação rica em proteínas e antioxidantes, hidratação adequada e proteção solar diária ajudam a preservar a estrutura da pele.

O exercício físico é outro aliado importante, pois tonifica os músculos e melhora o aspecto da flacidez corporal.

“Embora não seja possível impedir totalmente o processo, alguns hábitos ajudam a retardá-lo e a minimizar seus efeitos. A proteção solar diária é essencial, já que a radiação ultravioleta é o principal fator de degradação do colágeno. Manter uma alimentação equilibrada, rica em proteínas e vitaminas, evitar dietas restritivas e reduzir o consumo de açúcares e ultraprocessados também fazem diferença”, finaliza a cirurgiã plástica.

        Como prevenir o "rosto de Ozempic" causado por emagrecimento rápido

O emagrecimento acelerado causado pelo uso de medicamentos, por cirurgia bariátrica ou até mesmo por dietas restritivas pode trazer como risco colateral mudanças na aparência da pele do rosto apelidadas de "derretimento facial" ou "rosto de Ozempic".

Um artigo publicado no Aesthetic Surgery Journal em 2024 mostrou que a perda maciça de peso associada ao uso de canetas emagrecedoras ou intervenções cirúrgicas está relacionada ao envelhecimento facial precoce, sobretudo pela perda de volume de gordura na região malar (área acima das maçãs do rosto). As regiões ao redor da boca, dos olhos e do pescoço são as mais atingidas.

"Quando perdemos peso de forma acelerada, perdemos não apenas gordura subcutânea, mas também volume facial que dá sustentação à pele", explicou a dermatologista Ana Carolina Sumam. "O rosto possui compartimentos de gordura específicos que, quando reduzidos rapidamente, fazem com que a pele perca sua elasticidade natural e pareça mais flácida, criando sulcos mais profundos e uma aparência mais envelhecida."

O efeito costuma ocorrer principalmente em pessoas com mais de 40 anos, quando a produção de colágeno já está naturalmente reduzida e a pele não tem tempo para se adaptar à nova estrutura facial.

“O mais importante é que quem decide passar por uma perda de peso acelerada saiba que o rosto também vai sentir os efeitos. Mas, com acompanhamento adequado e os tratamentos certos, é possível prevenir esse derretimento facial e manter a harmonia da face”, acrescentou o dermatologista e cirurgião plástico Cristopher Cunha.

<><> Como evitar o "rosto de Ozempic"

Produtos preenchedores, biorremodeladores ou bioestimuladores são capazes de redensificar a pele afetada pelo emagrecimento acelerado, devolvendo a sustentação e o volume para o rosto. O ideal, segundo os dermatologistas, é estimular um tratamento regenerativo, de maneira que o próprio corpo volte a produzir elastina e colágeno.

Para definir o protocolo e os produtos a serem usados em cada caso, é indispensável se consultar com seu médico.

<><> Prevenção

"A prevenção é sempre a melhor estratégia. Existem algumas recomendações importantes, como manter uma perda de peso gradual e controlada, idealmente entre 0,5 a 1kg por semana", recomendou Ana Carolina Sumam. "Da mesma forma, é fundamental manter a hidratação adequada, tanto interna quanto externa, e considerar suplementação com colágeno hidrolisado. A massagem facial regular e exercícios faciais também podem ajudar a manter o tônus muscular."

Também é possível realizar procedimentos com bioestimuladores de colágeno, como Sculptra e Radiesse, de maneira preventiva, para estimular a produção da substância. Outra medida é investir em uma rotina de skincare robusta com retinoides, vitamina C e protetor solar diário para estimular a produção de colágeno.

<><> Reversão

Caso o "rosto de Ozempic" já tenha se instalado, também é possível reverter a situação com opções terapêuticas eficazes.

Para casos leves e moderados, há os bioestimuladores de colágeno e os biorremodeladores teciduais à base de ácido hialurônico (como o Profhilo). Além de preenchedores de ácido hialurônico (como os da linha Sofiderm), que podem devolver o volume perdido em áreas específicas do rosto.

“O ácido hialurônico devolve suporte à pele e ainda atrai água para a região, melhorando também a hidratação”, acrescentou Cristopher Cunha.

Para casos mais severos, também é possível realizar procedimentos não-cirúrgicos como radiofrequência, ultrassom microfocado (Ultherapy) e laser fracionado. E procedimentos cirúrgicos como fios de PDO, combinados a bioestimuladores.

"É importante lembrar que o tratamento deve ser personalizado e gradual, sempre respeitando a anatomia facial de cada paciente", reforçou Sumam.

 

Fonte: CNN Brasil

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