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maneiras simples de melhorar sua saúde mental, de acordo com a ciência
Não
faltam dicas para melhorar sua saúde mental, mas nem todas são realmente boas e
efetivas para equilibrar seu humor, aliviar a ansiedade e o estresse da vida
diária. Algumas estratégias já foram testadas e comprovadas cientificamente,
como exercitar-se regularmente e ter noites de sono de qualidade.
Já
outras abordagens ainda não são bem compreendidas e nem comprovadas, como tomar
suplementos de magnésio ou mergulhar seu corpo em água gelada. Mas, ao longo
dos anos, a National Geographic vem relatando outras dicas de autocuidado que
são respaldadas pela ciência e que são fáceis de incluir na rotina de todo
mundo.
E
talvez você também possa usá-las. É verdade que algumas dessas dicas só o
levarão até certo ponto de equilíbrio. Caso você esteja passando por algo
realmente difícil ou já sofra algum transtorno mental sério, é preciso buscar
ajuda profissional médica.
Porém,
para aliviar as demandas diárias que afetam nossa mente e nos deixam
desgastados, estressados e ansiosos demais, veja uma seleção de dicas simples
para deixar a rotina mais leve e equilibrada:
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1. Passe mais tempo na natureza
Em uma
seleção feita pela National Geographic, claro que este seria o primeiro item
desta lista de maneiras simples para melhorar sua saúde mental. Mas há provas
contundentes de que o contato maior com a natureza realmente pode ajudar a
reduzir o estresse, melhorar seu humor e até mesmo mantê-lo saudável.
Como
isso acontece? Por um lado, pesquisas descobriram que observar padrões
complexos encontrados em árvores, flores, montanhas, ondas do mar e outros
elementos da natureza pode induzir mais ondas alfa em seu cérebro, que estão
associadas ao relaxamento.
Nossos
leitores parecem gostar particularmente do "banho de floresta" – uma
caminhada consciente pela mata – para colher os benefícios da natureza para a
saúde. Mas se não for possível sair ao ar livre, os especialistas dizem que há
coisas úteis que você pode fazer para trazer a natureza até você, como abrir
uma janela para deixar entrar uma brisa fresca, cultivar plantas e flores em
casa ou usar aromas inspirados na natureza.
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2. Ouça o som dos pássaros
Eu
brinquei com minha colega Sarah Gibbens quando ela me disse, no ano passado,
que ouvia o canto dos pássaros para ajudar a se concentrar no trabalho. Mas
quanto mais penso nisso, mais genial me parece. Como a própria Sarah escreveu
em 2022, estudos demonstraram que o simples fato de estar na presença de
pássaros pode deixá-lo de melhor humor.
Obviamente,
a atividade real é provavelmente mais eficaz para melhorar a saúde mental –
afinal, ela envolve estar ao ar livre na natureza. Mas talvez eu possa ouvir
esses sons de pássaros na próxima vez que estiver tendo um dia ruim.
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3. Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados
Sempre
soube que pizza congelada e batatas fritas fazem mal à minha saúde física. Mas
esses alimentos ultraprocessados também poderiam estar alimentando minha
ansiedade.
De
fato, pesquisas mostram que as pessoas cujas dietas são ricas nesses alimentos
– que também incluem refrigerantes, doces, barras energéticas e iogurte com
sabor de frutas – têm um risco 44% maior de depressão e 48% maior de ansiedade.
Felizmente,
Jibrin também pediu conselhos a especialistas sobre como eliminar os alimentos
ultraprocessados de sua dieta. Minha dica favorita veio de Ashley Gearhardt,
professora de psicologia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, que
nos lembra de "tratar a si mesmo com compaixão. Não é sua culpa, você está
em um ambiente projetado para viciar você com esses alimentos". Tente,
pouco a pouco, mudar sua dieta.
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4. Tenha uma dieta mais saudável
Por
outro lado, sua dieta também pode ajudar muito a melhorar sua saúde mental –
tudo depende dos alimentos escolhidos. "Não existem alimentos mágicos que
aliviem o estresse", escreveu Jason Bittel em um artigo da Nat Geo
norte-americana no ano passado.
Mas
você pode aumentar os níveis de hormônios da felicidade, como a serotonina,
obtendo uma mistura saudável de vitaminas, minerais, ácidos graxos, proteínas e
carboidratos em sua alimentação diária.
Ele
pediu aos nutricionistas que recomendassem alguns alimentos que são
particularmente bons para atingir esses hormônios – o que é uma ótima notícia
para quem gosta de chocolate amargo ou bananas.
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5. Ative os hormônios do bem-estar
Além
dos alimentos, há outras maneiras de desencadear a liberação desses hormônios
da felicidade: dopamina, serotonina, endorfinas e ocitocina. Alguns exemplos de
como ficar “chapado” com seus próprios hormônios – desde a descarga de dopamina
que você recebe de algo tão simples como terminar uma tarefa até a liberação de
serotonina que vem com a meditação.
E os
tutores de cachorros estão com sorte: pesquisas mostram que brincar com seu
animal de estimação pode lhe proporcionar uma onda de ocitocina para aliviar o
estresse.
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6. Planeje uma viagem
Tirar
férias é algo óbvio quando se trata de melhorar sua saúde mental. Mas e se você
não tiver os meios ou o tempo? Bem, acontece que até mesmo o simples
planejamento de férias pode fazer a diferença. Conforme relatado por meus
colegas da nossa equipe de viagens da Nat Geo durante a pandemia, pesquisas
mostram que a antecipação de uma viagem "pode aumentar substancialmente a
felicidade de uma pessoa".
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7. Passeie de bicicleta
É claro
que qualquer tipo de exercício será bom para sua saúde mental. Mas andar de
bicicleta é uma das melhores atividades físicas que você pode fazer para se
sentir melhor. "Nossa pesquisa mostra que as crianças que saem para andar
de bicicleta pelo menos uma vez por semana relatam níveis mais altos de
bem-estar mental", disse a cientista cognitiva Esther Walker, gerente do
programa de pesquisa da Outride, uma organização sem fins lucrativos que apoia
programas para jovens.
Ela e
outros cientistas ainda estão trabalhando para descobrir por que andar de
bicicleta é tão bom para você, mas pode ter algo a ver com todas as habilidades
de função executiva que você precisa para coordenar seus movimentos e contornar
os obstáculos que cruzam seu caminho.
• Alimentos ultraprocessados: eles não são
só ruins para a saúde, como afetam a sua mente
Embora
muitos alimentos ultraprocessados – como refrigerantes, balas, iogurte
açucarado com sabor de frutas, pizza congelada e refeições congeladas – possam
satisfazer o desejo por alimentos doces, gordurosos e salgados, pesquisas
emergentes sugerem que esses itens são particularmente ruins para o cérebro –
podendo prejudicar o humor e a cognição.
Dietas
ricas nesses alimentos foram associadas a um risco 44% maior de depressão e 48%
maior de ansiedade, de acordo com uma meta-análise publicada na revista
Nutrients. Em um desses estudos, o risco aumentou com o consumo de apenas 33%
das calorias provenientes de alimentos ultraprocessados.
Já um
estudo separado realizado no Brasil, que acompanhou 10 mil e 775 pessoas,
descobriu que a ingestão de apenas 20% das calorias desses alimentos estava
associada a uma taxa 28% mais rápida de declínio cognitivo em comparação com
pessoas que consumiam menos alimentos processados.
Particularmente
alarmante, um outro estudo que acompanhou cerca de meio milhão de pessoas que
vivem na Inglaterra, Escócia e País de Gales descobriu que, para cada aumento
de 10% na ingestão de alimentos ultraprocessados, o risco de demência aumentou
25%.
"Embora
a relação exata de causa e efeito ainda seja desconhecida, as evidências
observacionais mais fortes de estudos prospectivos inclinam-se para a ideia de
que a ingestão de grandes quantidades de alimentos ultraprocessados aumenta o
risco de início de depressão no futuro", escreveu a pesquisadora principal
do artigo da Nutrients, Melissa M. Lane, em um e-mail. Ela é pesquisadora de
pós-doutorado na Escola de Medicina da Universidade Deakin, em Geelong, na
Austrália.
É de
conhecimento geral que a ingestão excessiva de sal, açúcar e/ou gordura
saturada está associada à inflamação crônica, pressão alta, alto nível de
açúcar no sangue, doenças cardíacas e diabetes tipo 2. O que o público talvez
não perceba, entretanto, é que todas essas condições afetam o cérebro,
aumentando o risco de demência vascular – que é a diminuição do fluxo sanguíneo
para o cérebro.
Aditivos
como certos adoçantes artificiais e o glutamato monossódico também podem
interferir na produção e na liberação de substâncias químicas cerebrais como a
dopamina, a norepinefrina e a serotonina, que podem afetar negativamente o
bem-estar mental e emocional.
Outro
problema com os alimentos ultraprocessados é que eles podem causar dependência.
"Os alimentos ultraprocessados têm mais em comum com um cigarro do que com
os alimentos da Mãe Natureza", afirma Ashley Gearhardt, professora de
psicologia da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, nos Estados Unidos.
Isso é
intencional: "As empresas multibilionárias criam esses alimentos para nos
viciar, de modo que nosso controle sobre os alimentos é baixo. Vejo isso como
uma questão de soberania alimentar", diz Cindy Leung, professora
assistente de nutrição em saúde pública na Harvard T.H. Chan School of Public
Health, em Boston, nos Estados Unidos.
Os
seres humanos evoluíram para responder a alimentos doces, gordurosos e ricos em
calorias. Durante a maior parte da existência humana, isso nos ajudou a
sobreviver. Porém, na natureza, os alimentos são apenas modestamente ricos em
açúcar – como as uvas – ou ricos em gordura, como as nozes.
"Você
não encontra alimentos ricos tanto em açúcar quanto em gordura", diz
Gearhardt. "Essa é a marca registrada dos alimentos ultraprocessados.
Acrescente sal, aromatizantes artificiais e cores brilhantes, e nosso cérebro
simplesmente perde o controle sobre esses alimentos."
Não
processado x processado x ultraprocessado
Os
alimentos processados podem até ser saudáveis, mas são os itens
ultraprocessados que estão ligados à saúde ruim. Qual é a diferença? De modo
geral, os alimentos ultraprocessados usam ingredientes que não são encontrados
em uma cozinha doméstica. Uma descrição mais precisa vem do sistema de
classificação Nova.
Alimentos
não processados ou minimamente processados, como frutas frescas ou congeladas,
legumes, frutos do mar, carnes, farinha e massas, geralmente têm apenas um item
em suas listas de ingredientes.
Os
ingredientes processados, como óleos vegetais, açúcar e amido de milho, são
extraídos diretamente de alimentos não processados. Os alimentos processados,
como pão de padaria sem conservantes, a maioria dos queijos e atum, feijão ou
vegetais enlatados em água e sal, têm listas curtas de ingredientes com termos
reconhecíveis, e o sal é o principal conservante.
Os
alimentos ultraprocessados incluem itens como refrigerantes, doces, biscoitos,
bolos prontos, iogurtes açucarados com sabor de fruta e shakes substitutos de
refeição, salsichas, muitos tipos de pães embalados e refeições congeladas.
Em
geral, eles têm alto teor de gordura, açúcar e/ou sódio e, normalmente, são
enriquecidos com aromatizantes, corantes, adoçantes artificiais e/ou outros
aditivos. As listas de ingredientes podem ser longas, como os 48 itens de uma
barra de café da manhã Nutri-grain Soft Baked Strawberry.
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Como os alimentos ultraprocessados afetam seu cérebro
Uma
dieta rica em alimentos ultraprocessados pode prejudicar seu cérebro por razões
semelhantes às que essas dietas estão ligadas a uma série de outras doenças
crônicas. Em geral, elas são ricas em calorias; por exemplo, um sanduíche com
dois hambúrgueres de uma rede de fast food, com 1.603 calorias, equivale a
quase um dia de vida.
As
dietas com alto teor calórico podem levar à obesidade, que está associada à
depressão. Um dos motivos pode ser o fato de as células de gordura se tornarem
disfuncionais e liberarem moléculas inflamatórias, que são gatilhos para
depressão, ansiedade e demência.
"Os
alimentos ultraprocessados são fáceis de consumir em grandes quantidades porque
geralmente são macios e fáceis de mastigar", explica Lane. Eles também são
hiperpalatáveis – esse é o termo da pesquisa para muito saborosos. "Esses
atributos podem interromper e anular a comunicação normal de 'estou cheio'
entre o intestino e o cérebro."
Essa é
uma explicação para o fato de as pessoas ingerirem espontaneamente 500 calorias
a mais por dia e ganharem, em média, dois quilos durante uma dieta de alimentos
ultraprocessados de duas semanas – por outro lado, elas perdem dois quilos com
uma dieta de alimentos integrais, em um experimento cuidadosamente controlado
do National Institutes of Health.
Como
esses alimentos são normalmente hiperpalatáveis, cerca de 14% a 20% dos adultos
e 12% a 15% das crianças e adolescentes são viciados em comida, com base em
pesquisas que utilizam a Escala de Vício em Comida de Yale, que Gearhardt
ajudou a desenvolver. "Essas são taxas semelhantes de dependência de
álcool e cigarros", afirma ela.
Ao
consumir alimentos ultraprocessados, as pessoas negligenciam as "coisas
boas", como frutas, legumes e grãos integrais preparados de forma simples.
"Isso
significa que você está sendo privado de nutrientes que são bons para o
cérebro, incluindo fitonutrientes – substâncias benéficas presentes nas
plantas", escreveu Lane. Por exemplo, há cerca de 8 mil variedades de
polifenóis que têm propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias; estudos
iniciais indicam que dietas com baixo teor desses compostos estão ligadas à
depressão.
Quem
está comendo os ultraprocessados?
Os
adultos norte-americanos, por exemplo, ingerem cerca de 57% das calorias
provenientes de alimentos ultraprocessados; crianças e adolescentes, 67%, de
acordo com a mais recente Pesquisa de Exame de Saúde e Nutrição do governo dos
Estados Unidos, que é representativa do país. Isso é alto – níveis baixos como
20% já têm sido associados a efeitos nocivos ao cérebro.
Essa
pesquisa também revela que os norte-americanos de todos os níveis de educação e
renda ultrapassam a marca de 50% de calorias provenientes de alimentos
ultraprocessados. "Mas as pessoas com baixa segurança alimentar têm uma
ingestão ainda maior", diz Leung, de Harvard, que realizou essa pesquisa.
Um dos
motivos é que as empresas de alimentos têm como alvo as comunidades de baixa
renda em todo o mundo, usando muita
publicidade de refrigerantes e outros alimentos ultraprocessados. Esses
itens também costumam ser os mais baratos e acessíveis, inundando lojas mais
populares com vários produtos.
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Abandone o hábito
Deseja
reduzir a quantidade de alimentos ultraprocessados em sua dieta? Aqui estão
algumas recomendações de nossos especialistas que podem ajudar.
O
primeiro passo, diz Gearhardt, é "tratar a si mesmo com compaixão. Não é
sua culpa, você está em um ambiente projetado para viciar você".
Esforce-se
para fazer três refeições e um ou dois lanches por dia. Refeições regulares
evitam que você fique com fome excessiva, o que o deixa vulnerável a compras
por impulso de alimentos rápidos, baratos e ultraprocessados que estimulam os
centros de recompensa do cérebro.
Prefira
alimentos menos processados que você ainda gosta, como nozes e frutas maduras
da estação. "Um dos meus almoços preferidos são à base de ovos, uma salada
de folhas verdes temperada com azeite e coberta com queijo parmesão e um
punhado de frutas vermelhas", conta Gearhardt.
Compare
os rótulos e escolha alimentos com menos sódio e açúcar adicionado; e
concentre-se naqueles com uma lista curta de ingredientes reconhecíveis.
Alguns
alimentos ultraprocessados são mais saudáveis do que outros, como o pão
integral de supermercado, que oferece fibras e outros nutrientes. "Para a
maioria das pessoas, não é prático ir a uma padaria para comprar pão que não
contenha conservantes ou outros aditivos", diz Leung.
Leung
também sugere que os pais conscientizem as crianças sobre como os departamentos
de marketing das empresas de alimentos estão tentando induzi-las a comprar
determinados produtos ultraprocessados e as consequências do consumo desses
itens. "Aproveite o senso de indignação justa das crianças", sugere
ela, "dizendo a elas como as empresas de alimentos as manipulam, desde a
forma como os alimentos ultraprocessados são formulados até a embalagem com
personagens de desenhos animados, passando pela colocação na altura dos olhos e
no corredor do caixa".
Fonte:
National Geographic Brasil

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