sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Pastor revela que orou 21 dias pedindo a morte de Lula e gera polêmica

O pastor e cantor gospel Douglas Borges provocou forte repercussão nacional após admitir, em entrevista ao Eu Acredito Podcast, apresentado por Fábio Santos, que realizou uma campanha de 21 dias de oração pedindo a morte do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às vésperas da eleição presidencial de 2022. A fala foi feita ao vivo na última terça-feira (23) e rapidamente viralizou nas redes sociais, dividindo opiniões entre fiéis, críticos e lideranças religiosas.

Borges relatou que passava madrugadas em vigília, orando para que Lula não fosse eleito. Segundo ele, a iniciativa partiu de sentimentos pessoais de revolta. “Foi fruto da raiva, da carnalidade. Eu orava pedindo que ele morresse para não assumir a presidência”, confessou.

Apesar da confissão polêmica, Borges afirmou que sua postura mudou ainda durante a campanha. Ele contou que, no vigésimo dia da sequência de orações, foi surpreendido por uma experiência espiritual.

“Estava acordado de madrugada, assistindo à televisão, quando passou uma propaganda do Lula. Meus olhos se encheram de lágrimas. O Espírito Santo falou comigo: ‘Eu não olho ele como você vê. Para mim, ele ainda é uma alma, é um filho. Se ele se arrepender, há um novo começo’”, relatou.

O pastor disse que naquele momento sentiu-se tocado e recuou da intenção inicial. Em sua fala, chegou a dirigir uma mensagem diretamente ao presidente da República: “Lula, se arrependa, aceite Jesus como salvador. Jesus é nosso maior líder e não há salvação em outro ser”, declarou.

Durante o mesmo programa, Douglas Borges também enviou uma mensagem ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O tom foi de alerta, mas envolveu novamente a retórica religiosa.

“Se arrependa, Jesus tem uma obra muito grande na sua vida. Se fosse depender de nós homens, muita coisa teria acontecido com você. Mas ainda bem que nosso coração não é o coração de Deus. Deus ama a sua vida. Mas cuidado, tá? Deus é justiça”, afirmou.

<><> Conservador e ligado ao bolsonarismo

Borges se apresenta publicamente como conservador e simpatizante da direita bolsonarista. No entanto, aproveitou a entrevista para afirmar que não concorda com todas as atitudes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Tem muita coisa que ele fez que eu não concordo. Faltou temperamento, conversava fiado demais”, avaliou, embora reafirmasse sua identificação ideológica com a direita cristã.

A fala do pastor gospel rapidamente viralizou, alcançando milhares de visualizações e gerando uma enxurrada de comentários. Entre críticos, a atitude foi classificada como exemplo perigoso de intolerância política, ainda mais partindo de uma figura religiosa que ocupa espaço de influência entre fiéis. Para outros, a confissão de arrependimento e a mudança de postura demonstrariam honestidade espiritual.

Lideranças religiosas também se manifestaram. Pastores progressistas apontaram a declaração como “sintoma de uma espiritualidade adoecida pelo ódio político”, enquanto aliados mais conservadores minimizaram o episódio e ressaltaram o relato de transformação.

Apesar de discursos como o de Douglas e ataques histriônicos como os de Silas Malafaia, Lula cresce nas pesquisas no meio evangélico e ensaia uma possível virada até a eleição de 2026. Casos como o do pastor/cantor se insere nesse contexto de tensão, expondo as contradições de uma religião que prega amor, mas que em alguns segmentos ainda se vê instrumentalizada pela retórica da guerra espiritual contra adversários políticos.

•        O bolsonarismo é uma seita política, diz pastor Zé Barbosa Jr

Nos últimos anos, o Brasil tem assistido à consolidação de um fenômeno político que extrapola os limites da racionalidade e se aproxima perigosamente das estruturas sectárias: o bolsonarismo. Mais do que um movimento de direita ou de apoio a um ex-presidente, ele se tornou um sistema de crenças fechado, autorreferente e dogmático, no qual a figura de Jair Bolsonaro ocupa o papel central de um líder messiânico, infalível e insubstituível.

Ao aplicar os critérios que a sociologia e a psicologia das religiões utilizam para identificar uma seita, é impossível não reconhecer o bolsonarismo como uma seita política — e, pior ainda, como uma seita profundamente prejudicial ao país, com traços que misturam teocracia e fascismo.

Um primeiro aspecto que salta aos olhos é o autoritarismo na estrutura de poder. Assim como em uma seita, onde o líder tem a palavra final sobre tudo, Bolsonaro se apresenta como a única voz legítima, desqualificando instituições como o Congresso, o Supremo Tribunal Federal, a imprensa e até mesmo aliados que ousam divergir. Qualquer crítica a ele é imediatamente taxada de “perseguição”, “injustiça” ou “traição”, o que gera entre seus seguidores um fechamento total à pluralidade democrática.

Outro traço é o carisma manipulador do líder. Bolsonaro é visto por muitos como um “messias” político, alguém com uma missão divina de salvar a pátria do comunismo, da corrupção ou de inimigos imaginários. Essa aura messiânica, comum em líderes sectários, cria uma blindagem emocional e irracional que impede os adeptos de reconhecerem suas falhas e contradições. Não importa quantos escândalos de corrupção envolvam sua família, quantas vezes se desminta ou quantas promessas descumpridas venham à tona: para seus seguidores, Bolsonaro continua intocável.

O bolsonarismo também centraliza a devoção no líder, e não em valores ou instituições. Enquanto movimentos democráticos verdadeiros orientam seus seguidores para princípios — como a justiça, a igualdade ou a solidariedade —, o bolsonarismo concentra a fé no próprio Bolsonaro. Ao contrário do que eu mesmo já cheguei a pensar, fica evidente pelos últimos acontecimentos que não há “bolsonarismo” sem Bolsonaro, assim como não há seita sem o seu guru.

O desespero do bolsonarismo “raiz” com a prisão de Bolsonaro é fruto dessa concepção centralizadora e messiânica. Figuras políticas bizarras e patéticas como Nikolas Ferreira, Zé Trovão, Sargento Fahur, Helio Lopes, Carol de Toni, Julia Zanatta, Marcos Pollon, Deputado Caveira, entre outros, existem como extensão do próprio Bolsonaro, o líder maior da seita. Caindo o “cabeça”, o corpo até se movimentará por um tempo como uma galinha decapitada, mas a morte estará anunciada.

Outro ponto claro é o controle totalitário do comportamento e da linguagem. Embora não imponha regras sobre vestimenta ou alimentação, o bolsonarismo define rigidamente o que seus adeptos devem acreditar e como devem falar. A “carga da linguagem” é visível: termos como “mito”, “comunista”, “globolixo”, “esquerdopata” ou “cristofóbico” funcionam como gatilhos que inibem o pensamento crítico e criam um mundo em preto e branco, no qual só há espaço para os fiéis e os inimigos. Essa manipulação discursiva impede o diálogo e cria barreiras cognitivas que lembram, em tudo, o vocabulário fechado das seitas.

Além disso, o bolsonarismo adota uma clara dupla moral. Aos de dentro, exige-se fidelidade absoluta, confissão de erros e lealdade irrestrita ao líder. Aos de fora, a mentira, a manipulação e a desinformação são não apenas toleradas, mas incentivadas. As fake news e teorias da conspiração que circularam durante a pandemia de Covid-19 ou nas eleições de 2018 e 2022 são exemplos de como essa seita política instrumentaliza a mentira em nome da causa.

Outro critério típico de seitas é a “ciência sagrada”, ou seja, a ideia de que apenas o grupo detém a verdade absoluta. O bolsonarismo se apresenta como o único capaz de interpretar corretamente a realidade política do Brasil. Instituições de Estado, universidades, veículos de imprensa ou organismos internacionais são desqualificados como “parciais”, “vendidos” ou “comunistas”. Só o líder e seus canais de comunicação — imprensa “própria”, redes sociais e perfis aliados — podem oferecer a “verdade”. Esse fechamento cognitivo é típico de seitas, que substituem a experiência concreta pela doutrina inquestionável.

Também é notório o mecanismo de dispensa da existência. Para os bolsonaristas, quem abandona o grupo ou vota contra o “mito” está automaticamente condenado: é “traidor da pátria”, “inimigo de Deus” ou até mesmo “anticristo”. Essa lógica de exclusão radical divide famílias, destrói amizades e corrói a convivência democrática, porque transforma adversários políticos em inimigos existenciais.

Por fim, o bolsonarismo é marcado por uma obsessão com seus dois objetivos centrais: recrutar e arrecadar. O movimento não visa ao bem comum, mas a perpetuação de si mesmo. Lives de arrecadação, doações “voluntárias” para bancar a defesa de Bolsonaro e fugitivos/golpistas fora do Brasil, redes de influenciadores pagos e a constante busca por novos adeptos mostram que o bolsonarismo funciona como um negócio político-religioso que se retroalimenta do fanatismo.

Diante de tudo isso, não resta dúvida: o bolsonarismo é mais do que uma corrente política — é uma seita. E como toda seita, é perigoso porque se coloca acima da razão, da ética e da própria democracia. Ao transformar um político em objeto de devoção cega, seus seguidores perdem a capacidade de pensar criticamente, e o país perde a possibilidade de debater soluções reais para seus problemas.

Se quisermos salvar o Brasil da degradação democrática e social, precisamos reconhecer esse fenômeno pelo que ele é: uma seita político/religiosa que ameaça nossa convivência e nosso futuro. O antídoto pode estar no fortalecimento das instituições, na educação crítica e na reafirmação dos valores democráticos que colocam princípios acima de pessoas. Porque um país não pode se render a um “mito”: precisa se guiar pela verdade, pela justiça e pelo bem comum. Só assim será verdadeiramente livre e soberano.

•        "Bolsonaro pode ser tudo, menos cristão... É um anticristo, com certeza!", afirma pastor Zé Barbosa Jr

Figura conhecida das redes sociais pelo seu ativismo em prol de um cristianismo que acolha as pessoas, Zé Barbosa Jr é membro da Aliança das Igrejas Batistas do Brasil e atualmente está em Campina Grande, na Paraíba.

Para falar do controverso alinhamento entre grupos ditos cristãos e a corrente política extremista do atual presidente da República, começo questionando Barbosa sobre o estigma que recaiu sobre todos os evangélicos por conta dessa união de alguns.

"Isso é desgastante. E a esquerda deveria abandonar de vez essa assimilação. O mundo evangélico é amplo e diverso, como a sociedade brasileira. Esse estigma só impede o avanço das forças progressistas entre evangélicos que, se fossem coerentes, abraçariam as causas urgentes e necessárias que defendemos. Há pouca coisa mais progressista que o Evangelho e é sempre bom frisar que Malafaia, Macedo, Santiago e outros há muito tempo abandonaram a fé. São empresários religiosos, bandidos que se apropriaram do discurso religioso com vistas apenas aos seus projetos pessoais de poder", diz.

Barbosa diz que, pessoalmente, sente-se incomodado por sempre ter que se justificar ao se apresentar como cristão e pastor, já que associar a imagem dos evangélicos a Bolsonaro e pastores suspeitos de enriquecer com o dinheiro dos fiéis é algo quase automático para a maioria das pessoas.

"Causa incômodo e, como disse anteriormente, é desgastante. Porque antes de falar qualquer proposição, primeiramente tenho que perder tempo explicando por que não sou reacionário e ultraconservador, que Malafaias e Macedos não representam a totalidade dos evangélicos, que Bolsonaro é uma espécie de anticristo, entre outras coisas... Mas entendo quem pensa assim, por incrível que pareça. Se tivesse acesso aos evangélicos apenas pelo que se vê na mídia, provavelmente pensaria o mesmo", reclama.

Já que para o pastor há uma incoerência óbvia entre o cristianismo e as posições defendidas pelo atual presidente, peço então para que Zé explique mais claramente quais seriam essas contradições.

"Eu poderia enumerar várias contradições, mas vou falar de apenas uma que considero a principal. Bolsonaro (e o bolsonarismo) é movido pelo ódio, pelo sentimento de destruição e morte, enquanto a fé cristã tem como sua base principal o amor, que resulta em vida e luta por justiça social."

Menciono a opinião de alguns políticos, lideranças cristãs e acadêmicos que afirmam que Bolsonaro se aproveita do segmento evangélico, por meio de pastores e bispos, para cooptar o grupo. Zé Barbosa diz que concorda com essa visão e fala um pouco sobre a relação entre os dois lados.

"Com certeza concordo! Bolsonaro é um aproveitador barato. Se faz de evangélico para os evangélicos, de católico para os católicos e brinca com a fé cristã. E assim como há dolo por parte do presidente, há também por parte dos líderes que “se deixam” cooptar por ele. Ninguém é inocente nessa história. Tanto um como os outros querem o poder pelo poder e têm como motivação de vida a ganância e a 'destruição do inimigo', digamos assim", explica.

Jair Bolsonaro é conhecido há mais de 30 anos por suas posições abertamente favoráveis à violação dos direitos humanos e mesmo depois de chegar à chefia do Estado permaneceu com um comportamento inapropriado para um político que lidera uma nação. Seu discurso quase sempre descamba para opiniões favoráveis a assassinatos, torturas e à violência. Zé Barbosa se indigna com as lideranças evangélicas que endossam essas insanidades.

"Na verdade, as lideranças ditas evangélicas que apoiam e servem de suporte e palanque para Bolsonaro e suas ideias não têm nenhum compromisso com o Evangelho de Cristo. São pastores de si mesmos, usando uma figura bíblica do apóstolo São Paulo: 'Porquanto, como já vos adverti repetidas vezes, e agora repito com lágrimas nos olhos, que há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo. O fim dessas pessoas é a perdição; o deus deles é o estômago; e o orgulho que eles ostentam fundamenta-se no que é vergonhoso; eles se preocupam apenas com o que é terreno'...", compara o pastor.

Suas críticas também são direcionadas à bancada evangélica, um forte grupo parlamentar que majoritariamente dá suporte políticos e serve de base para Bolsonaro no Congresso.

"Essa bancada é uma representação de parte dos evangélicos, mas não do Evangelho. Ninguém que tenha lido uma página apenas das palavras atribuídas a Jesus seria capaz de defender o que essa bancada defende. Esses homens zombam da fé cristã, são usurpadores do nome de Cristo, inimigos da Palavra de Deus, escarnecedores, são os verdadeiros ímpios (aqueles que negam a piedade que dizem ter). É uma representação vergonhosa e pusilânime, covarde, mentirosa. Representam aquele que a bíblia chama de 'Pai da Mentira': o diabo", se exalta.

Zé Barbosa Jr acredita que só há um caminho para reverter essa tendência de apoio à política de morte de Bolsonaro por parte da maioria dos evangélicos e isso passa pela vertente progressista do grupo. Ele também acha que se a esquerda parasse de atacar quem professa essa fé, já ajudaria bastante, e até cita a melhora neste cenário segundo a última pesquisa Datafolha.

"Há essa possibilidade, sim, e é o que vários movimentos cristãos têm lutado para conseguir. Há muitos evangélicos progressistas e muitas organizações e movimentos na luta por essa disputa de narrativa. Parte da esquerda (os mais radicais) ajudaria muito se não atrapalhasse com alguns discursos pré-moldados e, na verdade, preconceituosos. A fé simples do povo não pode ser confundida com a manipulação deslavada e criminosa de lideranças podres como Valadões, Valandros e Malafaias. Há muita possibilidade de mudança e isso fica nítido na última pesquisa Datafolha que mostra Lula já está empatado com Bolsonaro entre evangélicos", considera.

A consideração final de Barbosa, quando perguntado sobre Bolsonaro ser, ou não, evangélico, é bem direta e não deixa margem para interpretações.

"Bolsonaro pode ser tudo, menos cristão... É um anticristo, com certeza!", encerra.

 

Fonte: Fórum

 

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