EUA sempre
se consideraram livres para violar qualquer acordo que quisessem, diz
professora
Na semana passada, os EUA se abstiveram na votação de uma
resolução da ONU pedindo um cessar-fogo em Gaza no mês do Ramadã, permitindo
que uma resolução sobre o cessar-fogo fosse aprovada pela primeira vez.
Os EUA alegaram posteriormente que a resolução não era
vinculativa (ou seja, não há uma obrigação legal para sua aplicação), embora as
resoluções do Conselho de Segurança da ONU sejam consideradas parte do direito
internacional.
Os EUA têm sido uma "potência desonesta" desde o final
da Segunda Guerra Mundial, disse à Sputnik Radhika Desai, professora do
Departamento de Estudos Políticos da Universidade de Manitoba e diretora do
Grupo de Pesquisa em Economia Geopolítica.
Desai descreveu os comentários dos EUA no sentido de enfraquecer
a resolução de cessar-fogo como "comportamento típico dos EUA", e que
"os EUA têm sido uma potência desonesta o tempo todo".
"Lembre-se, os EUA na verdade odeiam as Nações Unidas. O
próprio Conselho de Segurança foi algo que eles conseguiram formar com a
cooperação de outras grandes potências como uma espécie de limite para o
reconhecimento da igualdade soberana de todos os países", explicou o
professor. "Os EUA não criaram a ordem pós-guerra mundial, os Estados
Unidos essencialmente usaram tudo o que estava ao seu alcance […] que não era
ilimitado, para evitar que uma ordem mundial verdadeiramente igual nascesse".
Desai observou que os EUA sempre desrespeitaram as regras do
sistema da ONU porque "as regras foram feitas por um órgão maior que"
os EUA.
"Os Estados Unidos sempre se consideraram livres para
violar qualquer acordo que quisessem, e é por isso que são um país desonesto.
Mas, o que estou dizendo é que eles têm sido um Estado desonesto o tempo
todo", explicou ela, acrescentando que o país tem violado a "ordem
mundial" que ajudou a criar após a Segunda Guerra Mundial "muitas
vezes".
"O que os EUA queriam na ordem do pós-guerra era criar um
mundo que se abrisse à entrada de corporações dos EUA para seu próprio
benefício", disse Desai, acrescentando que se fossem poderosos o
suficiente para criar o mundo sem seus aliados "nunca precisariam violar
as regras."
Desai apontou que o mundo unipolar que os EUA reivindicaram
depois da queda da União Soviética não durou nem um pouco daquilo que eles
esperavam.
¨ Casa Branca contraria Câmara e rejeita vincular ajuda à Ucrânia
com pausa na política de gás natural
A administração Biden rejeitou um acordo com o presidente da
Câmara dos Representantes, Mike Johnson, que relaciona a ajuda à Ucrânia ao
cancelamento da pausa para novas licenças de exportação de gás natural
liquefeito (GNL) aprovada pelo presidente em janeiro.
Nas últimas semanas, Johnson manifestou interesse em vincular a
ajuda à Ucrânia e a Israel a uma reversão da pausa, e comentou a questão com o
presidente Joe Biden em uma reunião individual no final do mês passado, de
acordo com uma fonte ouvida pela Bloomberg.
No entanto, a Casa Branca disse na terça-feira (2) que "o
presidente deixou claro que os republicanos da Câmara deveriam aprovar o acordo
bipartidário de segurança nacional que já foi aprovado no Senado o mais rápido
possível para obter à Ucrânia a ajuda de que necessita urgentemente […]".
"O presidente apoia a pausa nas aprovações adicionais
pendentes de licenças de exportação de GNL para avaliar os impactos econômicos
e climáticos nos consumidores e nas comunidades", acrescentou a Casa
Branca, de acordo com a mídia.
Anteriormente, a Reuters informou que as autoridades
norte-americanas estavam "abertas" a talvez levantar a pausa em troca
da aprovação da ajuda na Câmara, mas a Casa Branca afirmou que o relatório
"não é verdade".
Johnson, falando na Fox News no domingo (31), deu a entender que
planejava trazer ao plenário um pacote de ajuda a Kiev que poderia incluir a
reversão da pausa depois que a Câmara retornar do recesso da primavera, em 9 de
abril.
Em janeiro, a administração Biden ordenou a suspensão da
aprovação de novas licenças para exportação de GNL para países europeus,
asiáticos e outros que não sejam parceiros de livre comércio dos EUA, enquanto
o Departamento de Energia examina a forma como os envios afetam as alterações
climáticas, a economia e a segurança nacional, conforme noticiado.
O Senado norte-americano aprovou um projeto de lei de US$ 95
bilhões (R$ 478 bilhões) em fevereiro, dando assistência à Ucrânia, Israel e
Taiwan, após meses de atraso. Contudo, o plano está parado, uma vez que sem ser
aprovado pela Câmara, não pode ser assinado pelo presidente.
Ø Moscou apela à ONU para condenar tentativas do Ocidente de
interferir nas eleições na Rússia
O Conselho da Federação da Rússia (câmara alta do parlamento) na
reunião de quarta-feira (3), aprovou um apelo às Nações Unidas (ONU) e aos
parlamentos mundiais, no qual os senadores russos pedem que sejam condenadas as
ações dos países do Ocidente coletivo para interferir nas recentes eleições
presidenciais na Rússia.
Anteriormente, Valentina Matvienko, presidente da câmara alta do
parlamento russo, deu instruções nesse sentido à Comissão para Assuntos
Internacionais e à Comissão da Proteção da Soberania do Estado.
"O Conselho da Federação da Rússia apela à ONU,
organizações parlamentares internacionais e parlamentos dos Estados
estrangeiros para condenar as ações dos países do Ocidente coletivo,
coordenadas por Washington, para interferir na preparação e condução das
eleições presidenciais da Rússia, para impedir a livre expressão da vontade dos
cidadãos russos, incentivar o terrorismo e o extremismo, bem como para
desestabilizar a situação na Rússia durante a campanha eleitoral", aponta
o texto da nota.
Os senadores da Rússia observam que a Câmara "condena
fortemente" as tentativas de interferência externa nas eleições
presidenciais, que começaram mesmo "antes da marcação" dessas
eleições.
"Os senadores da Federação da Rússia saúdam a posição da
maioria dos Estados do mundo que se recusaram a apoiar a declaração iniciada
pelos EUA e seus satélites condenando a organização da eleição presidencial na
Federação da Rússia", acrescentou a presidente da câmara alta.
O apelo também salienta que as ações para sabotar as eleições
presidenciais da Rússia "também foram tomadas pelo regime de Kiev,
instigado pelos curadores da OTAN".
As eleições presidenciais ocorreram na Rússia de 15 a 17 de
março deste ano. Após o processamento de 100% dos boletins de urna, o
presidente em exercício Vladimir Putin ganhou com 87,28% dos votos.
¨ Ucranianos querem demissão de vereador australiano que exaltou a
transparência das eleições russas
Vereador na cidade de Port Hedland, na Austrália Ocidental,
Adrian McRae integrou uma comissão de observadores internacionais nas eleições
russas e seus elogios à transparência do pleito enfureceram ucranianos na
Austrália.
A Federação Australiana de Organizações Ucranianas (AFUO, na
sigla em inglês) exigiu a demissão do vereador australiano Adrian McRae, por
conta de seus comentários atestando a transparência e abrangência das eleições
presidências russas, ocorridas entre os dias 15 e 17 de março, que resultaram
na vitória do atual presidente russo, Vladimir Putin.
Pouco conhecido, Adrian McRae é vereador na cidade de Port
Hedland, que tem 15 mil habitantes e está localizada na Austrália Ocidental. Em
março, ele viajou para a Rússia como parte de uma delegação internacional
enviada ao país para observar as eleições.
McRae chamou atenção em seu país após aparecer em uma
transmissão na TV russa, parabenizando Putin por sua vitória no pleito, com 87%
dos votos.
"Em minha vida, o mundo nunca viu uma vitória tão
transparente e abrangente como a que vimos aqui [na Rússia] nos últimos três
dias", disse o vereador.
Os comentários enfureceram o co-presidente da AFUO, Stefan
Romanov, que atacou McRae durante uma entrevista à ABC News na terça-feira (2).
"Você fez declarações que ofenderam pessoas, foi contra a
comunidade internacional, está tentando retratar uma imagem de que aqueles na
Rússia votaram em um presidente que agora está brutalizando a Ucrânia. Quer
saber? Vá e faça o seu trabalho com o governo russo, vá e faça o seu trabalho
com a embaixada russa e deixe alguém representar a comunidade [australiana] de
acordo com os valores comunitários", disse Romanov.
Entre 2009 e 2022, Romanov foi chefe da Organização dos
Nacionalistas Ucranianos (OUN-B), da qual Stepan Bandera (1909-1959) foi líder.
Sob a liderança de Bandera, a OUN-B colaborou com o regime da Alemanha Nazista
de Adolf Hitler, participando de assassinatos em massa de poloneses durante a
Segunda Guerra Mundial. Como líder da organização, Romanov falou em comícios
organizados pelo partido neonazista ucraniano 'Svoboda'.
Ø Venezuela destaca luta da Rússia contra o
nazismo promovido na Europa
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, destacou nesta
terça-feira (2) a luta da Rússia contra o nazismo de setores extremistas que
promovem violência e conflitos na Europa.
"Mais uma vez, os movimentos extremistas do fascismo são
usados para intensificar a violência, o
conflito e aniquilar os direitos coletivos e sociais dos povos europeus, e mais
uma vez a Rússia deve ser reconhecida por travar uma
batalha contra o nazismo", disse Rodríguez durante um discurso no Parlamento.
A ex-chanceler venezuelana fez esse comentário no Palácio
Legislativo do país após apresentar o projeto de lei contra o fascismo, o
neofascismo e expressões similares.
Em seu discurso, a vice-presidente recordou o que aconteceu
durante a Segunda Guerra Mundial para "impedir e evitar que o fascismo
volte a assumir os centros do poder político naquele continente [Europa], que
vive nas sombras do governo de Washington", disse ela.
Anteriormente, o governo venezuelano ratificou os seus laços de
amizade e apoio à Rússia, bem como o seu apoio ao presidente russo, Vladimir
Putin.
No dia 13 de março, a Venezuela e a Rússia celebraram os 79 anos
do estabelecimento de suas relações diplomáticas.
¨ Medvedev chama a Ucrânia de 'Estado terrorista' que mata seus
cidadãos e estrangeiros
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry
Medvedev, disse nesta terça-feira (2) que a Ucrânia é um "Estado
terrorista" que mata livremente seus próprios cidadãos e estrangeiros.
Medvedev comentou se a Rússia deve reconhecer a Ucrânia como
Estado terrorista: "A Ucrânia já é um Estado terrorista que mata os seus
próprios cidadãos e cidadãos estrangeiros livremente, sem consequências",
escreveu Medvedev em seu canal do Telegram.
Não serão apresentadas acusações de terrorismo contra o
presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, contra o batalhão nacionalista Azov
[proibido na Rússia como organização terrorista] ou contra o chefe da
Inteligência Militar da Ucrânia, Kirill Budanov, no Ocidente, mesmo que haja
provas suficientes do envolvimento ucraniano no ataque terrorista ao Crocus
City Hall, afirmou Medvedev.
Respondendo o que a Rússia deveria fazer nessas circunstâncias,
o vice-presidente do Conselho de Segurança russo destacou que o ideal seria
"eliminar os seus líderes [da Ucrânia] quando surgir a oportunidade. Em
Kiev ou em outro local adequado", acrescentou Medvedev.
Ø Ataque ao Crocus foi bem organizado e
coberto por mídia pré-orquestrada, afirma Rússia
O ataque terrorista ao Crocus City Hall foi bem organizado e
acompanhado por ampla e pré-orquestrada cobertura da mídia no Ocidente, disse o
secretário do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patrushev, nesta
quarta-feira (3).
"O ataque terrorista foi bem organizado e acompanhado por
uma cobertura extensa e pré-orquestrada pela mídia ocidental no tom certo para
eles", disse Patrushev na 19ª reunião anual dos chefes dos conselhos de
segurança dos Estados-membros da Organização para Cooperação de Xangai (OCX).
No dia 22 de março, vários homens armados invadiram o Crocus
City Hall e começaram a atirar nas pessoas. Os terroristas também provocaram um
incêndio em um dos auditórios, que estava lotado antes de um show de rock. O
ataque deixou 695 vítimas, incluindo 144 mortos, segundo os últimos dados do
Ministério para Situações de Emergência russo.
O Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em diversos
países) assumiu a responsabilidade pelo ataque. Os quatro principais suspeitos
do caso — todos cidadãos do Tajiquistão — tentaram fugir do local em um carro,
mas foram detidos e acusados de terrorismo. As autoridades russas acreditam que
o plano deles era fugir para a Ucrânia, onde os autores intelectuais do ataque
os garantiriam refúgio seguro. Uma investigação sobre o caso ainda está em
andamento.
"É bem sabido que o regime de Kiev não é independente e é
completamente controlado pelos Estados Unidos. Devemos também ter em mente que
o Daesh, a Al-Qaeda [organização terrorista proibida na Rússia e em diversos
países] e outras organizações terroristas foram criadas por Washington",
observou Patrushev, comentando o alegado papel do Daesh no ataque terrorista ao
Crocus em Moscou.
Imediatamente após o ataque terrorista, começaram as chamadas
telefônicas em massa da Ucrânia para os serviços de emergência russos com
relatos falsos de bombas em edifícios, acrescentou o responsável, lembrando que
a reação de Vladimir Zelensky na ocasião foi bastante inadequada, mas
previsível.
Patrushev destacou que cada vez mais grupos terroristas estão
sendo usados para fins geoestratégicos e recebem armas e equipamentos de
inteligência modernos.
O responsável apelou à condenação firme e dura do terrorismo em
todas as suas manifestações e às ações dos países que o apoiam ou toleram.
Fonte: Sputnik Brasil

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