Conheça os países do Ocidente envolvidos na
'guerra por procuração' na Ucrânia
Nas últimas semanas,
países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) têm discutindo
abertamente a possibilidade de enviar tropas para lutar na Ucrânia. O
presidente francês Emmanuel Macron foi o primeiro a deixar escapar a informação
no final de fevereiro, quando declarou que "nada poderia ser
descartado".
Na época, os líderes
europeus afirmaram que tais planos estavam descartados. O chanceler alemão,
Olaf Scholz, chegou a afirmar que a OTAN não tinha intenção de enviar tropas a
Kiev.
Entretanto, no 75º
aniversário da aliança, o consultor do Departamento de Estado dos EUA, Edward
Luttwak, declarou que os Estados-membros do bloco "em breve terão que
enviar soldados para a Ucrânia ou aceitar uma derrota catastrófica".
A declaração foi feita
no site de notícias UnHerd nesta quinta-feira (4): "Os britânicos e os
franceses, juntamente com os países nórdicos, já estão se preparando
discretamente para enviar tropas — tanto pequenas unidades de elite como
pessoal de logística e apoio — que podem permanecer longe do front",
escreveu ele.
Ele acrescentou que as
unidades da OTAN "também poderiam aliviar os ucranianos atualmente
envolvidos na recuperação e reparação de equipamentos danificados, e poderiam
assumir as partes técnicas dos programas de treinamento existentes para novos
recrutas". A presença de pessoal militar da OTAN na Ucrânia já não é
segredo há muito tempo.
A seguir, a Sputnik
apresenta alguns fatos e números que comprovam isso.
·
Estados Unidos
A administração do
presidente Joe Biden já forneceu aproximadamente US$ 44,2 bilhões (R$ 222
bilhões) em ajuda militar para a Ucrânia desde o início de 2022, juntamente com
suporte de inteligência.
Em novembro de 2022,
Washington anunciou que enviaria "especialistas em armas" militares
para a Ucrânia. A mídia dos EUA revelou em fevereiro de 2023 que o Pentágono
planejava inserir comandos dos EUA na forma de "equipes de controle"
na Ucrânia.
Em abril passado, foi
revelado que pelo menos 97 soldados das forças especiais de cinco países da
OTAN — incluindo 14 militares dos EUA — estavam operando na Ucrânia e que uma
rede de 12 bases secretas da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em
inglês) tem operado na Ucrânia desde 2014.
Além disso, cerca de
1,1 mil mercenários dos EUA se dirigiram para a Ucrânia desde o início do
conflito, afirmou o serviço de imprensa do Ministério da Defesa russo em 14 de
março de 2024. Até o momento do relatório, 491 deles haviam sido mortos.
·
Reino Unido
O primeiro-ministro
britânico, Rishi Sunak, prometeu 2,5 bilhões de libras esterlinas (R$ 16
bilhões) em financiamento militar para Kiev este ano. Com isso, os gastos com
armas de Londres para a Ucrânia passará de 7 bilhões de libras esterlinas
(cerca de R$ 44 bilhões) desde fevereiro de 2022.
Sunak também confirmou
que há um "pequeno número" de pessoal do Exército britânico
"apoiando as Forças Armadas da Ucrânia".
Soldados ucranianos
também estão sendo treinados em um acampamento especialmente construído em uma
localização secreta no leste da Inglaterra.
Mais de 60 mil
militares ucranianos receberam treinamento no Reino Unido desde 2014, disse o
secretário de Defesa do Reino Unido, Grant Shapps, em janeiro.
Estima-se que 822
mercenários britânicos tenham chegado à Ucrânia desde o início do conflito em
2022, com 360 mortos até meados de março, de acordo com o Ministério da Defesa
da Rússia.
·
Canadá
O Canadá contribuiu
para o treinamento de soldados ucranianos por meio de várias iniciativas, como
a operação Unifier desde 2014. A missão foi transferida da Ucrânia para outros
países após fevereiro de 2022.
No entanto, o ministro
da Defesa Nacional, Bill Blair, sugeriu em entrevista ao Toronto Star que
instrutores canadenses podem retornar à Ucrânia sob o recém-assinado acordo de
segurança entre Ottawa e Kiev "quando as condições permitirem".
Além disso, o país já
forneceu mais de 800 drones a Kiev no valor de US$ 95 milhões (cerca de R$ 500
milhões).
Quanto aos mercenários
canadenses, foram identificados mais de mil, com 422 mortos até meados de março
de 2024.
·
França
A França está se
preparando para implantar um contingente de tropas na Ucrânia, sendo que o
primeiro escalão incluirá cerca de 2 mil soldados, de acordo com informações
recebidas pelo Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia.
Quanto aos franceses
que já estão na Ucrânia lutando como mercenários, sofreram enormes perdas. O
Ministério da Defesa russo relata que, entre cerca de 356 soldados franceses,
147 foram eliminados.
Em 17 de janeiro, as
Forças Armadas russas destruíram um ponto de implantação temporária para
combatentes estrangeiros em Kharkov, a maioria dos quais eram mercenários
franceses, com cerca de 60 soldados mortos.
·
Polônia
Varsóvia tem sido um
grande apoiadora da Ucrânia, fornecendo ajuda militar e sediando esforços
internacionais para treinar as forças do regime de Kiev.
A Polônia tem cerca de
3 mil de seus cidadãos lutando pela Ucrânia. O Ministério da Defesa russo diz
que quase 1,5 mil deles foram mortos.
Em 10 de março, o
ministro das Relações Exteriores polonês, Radoslaw Sikorski, revelou que tropas
da OTAN já estavam presentes na Ucrânia, mas não especificou números ou países
de origem.
·
Alemanha
A Alemanha, junto com
a Polônia, assumiu a maior parte da responsabilidade pelo treinamento das
tropas de Kiev.
Foi anunciado no ano
passado que mais de 10 mil soldados ucranianos foram treinados em mais de 260
módulos de treinamento em sistemas de armas como o tanque Leopard A1, o veículo
de combate de infantaria Marder, o sistema de defesa aérea Patriot ou o obuseiro
autopropulsado Panzerhaubitze 2000, fornecidos pela Bundeswehr.
Dos 235 mercenários
que deixaram a Alemanha para a Ucrânia, 88 foram eliminados desde então.
·
Romênia
Mercenários do
grupamento de batalha romeno "Getica" afirmam ter participado da
recente onda de ataques nas regiões fronteiriças russas. De cerca de 784
mercenários romenos, 349 foram mortos até março, segundo o MD russo.
·
Espanha
A Espanha tem sido um
dos principais fornecedores de treinamento para os militares ucranianos em seu
centro de comando de treinamento em Toledo. A instrução faz parte da Missão de
Assistência Militar da UE em apoio à Ucrânia (EUMAM), criada em outubro de
2022.
Quanto aos
mercenários, dos 149 que viajaram para a Ucrânia, 56 foram mortos até meados de
março.
·
Lituânia
Na Lituânia, 1,6 mil
ucranianos foram treinados este ano em 88 programas de curso de um ciclo de
treinamento conduzido na Força Terrestre, Força Aérea e nas Forças de Operações
Especiais, Polícia Militar, Comando de Logística, Comando de Treinamento e Doutrina
e Academia Militar da Lituânia.
Autoridades lituanas
também estão considerando a possibilidade de enviar tropas lituanas para a
Ucrânia para treinar as tropas do país. Dos 147 "mercenários" que
foram para a Ucrânia, 81 foram mortos.
·
Letônia
A Letônia planeja
treinar 2 mil soldados de diferentes patentes das Forças Armadas da Ucrânia
este ano, o que será o dobro do ano passado, informou a agência de notícias
LETA, em 21 de janeiro, citando o Ministério da Defesa. Dos seus 109
mercenários na Ucrânia, 95 foram mortos desde então.
·
Estônia
A Estônia juntou-se à
operação Interflex liderada pelo Reino Unido para fornecer treinamento de
combate a soldados ucranianos.
Segundo o Ministério
da Defesa da Estônia, instrutores estonianos treinarão voluntários ucranianos
em bases militares do Reino Unido, enquanto cooperam com soldados ucranianos
sob a missão de treinamento EUMAM da UE na Estônia.
27 de fevereiro, 14:37
·
Finlândia
A Finlândia também tem
enviado pessoal de serviço para o Reino Unido para participar de um programa de
treinamento para as forças armadas ucranianas. Quanto aos mercenários, dos 135
que foram para a Ucrânia, 44 teriam sido mortos, segundo relatos.
·
Dinamarca
Especialistas
militares dinamarqueses têm treinado técnicos e pilotos ucranianos na Base
Aérea de Skrydstrup, na Dinamarca, para operar os caças F-16 que o regime de
Kiev espera receber ainda este ano.
·
Suécia
Moscou está ciente da
participação do exército sueco em hostilidades ao lado do regime de Kiev,
declarou o Ministério das Relações Exteriores russo em 3 de abril. De acordo
com o Ministério da Defesa russo, até 90 mercenários suecos serviram na
Ucrânia, dos quais 25 foram mortos.
O Ministério da Defesa
russo afirmou em várias ocasiões que o regime de Kiev está usando mercenários
estrangeiros como "carniça", advertindo que as forças armadas russas
continuarão a destruí-los em toda a Ucrânia.
Quanto aos comentários
de Macron, Moscou reiterou que um envio de tropas da OTAN para a Ucrânia
tornaria inevitável um conflito direto entre a aliança e a Rússia.
As palavras de Macron
foram rotuladas de "inaceitáveis" pelo vice-ministro das Relações
Exteriores russo, Alexander Grushko. Ele apontou em uma entrevista à Sputnik
que tais declarações "mostram a disposição de seguir o caminho da escalada
em um momento em que o próprio Ocidente está sofrendo uma derrota estratégica
'no terreno'".
Ø
Em Bruxelas, secretário de Estado dos EUA
diz que 'Ucrânia será membro da OTAN'
O secretário de Estado
dos Estados Unidos, Antony Blinken, afirmou nesta quinta-feira (4) que Kiev
acabará se juntando à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), já que
o apoio ao país permanece "sólido como uma rocha" entre os Estados-membros.
Em uma coletiva de
imprensa ao lado do ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitry Kuleba,
Blinken concedeu a declaração após a comemoração em Bruxelas hoje (4) do
aniversário de 75 anos da Aliança Atlântica.
"[…] acabamos de
chegar de uma sessão com todos os aliados da OTAN e com o chanceler Kuleba, e
penso que é seguro dizer que o apoio à Ucrânia, a determinação de todos os
países representados aqui na OTAN, permanecem sólidos como uma rocha. […] A Ucrânia
se tornará membro da OTAN. O objetivo da cúpula é ajudar a construir uma ponte
para essa adesão e criar um caminho claro para o avanço da Ucrânia",
afirmou o secretário segundo a transcrição do Departamento de Estado
norte-americano.
Em resposta, Kuleba
prestigiou o apoio de Blinken dizendo "obrigado pelas palavras gentis e
fortes que você disse há pouco, mas também na reunião a portas fechadas".
Enquanto a aliança se
movimenta em torno da adesão de Kiev, a Rússia já interpretou tal movimento e o
envio massivo de armas para a Ucrânia demonstrando, de fato, que a OTAN e seus
membros estão envolvidos no conflito no país do Leste Europeu.
Também nesta
quinta-feira (4), o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, disse que as
relações Rússia-OTAN foram rebaixadas para o "confronto direto",
conforme noticiado.
Fonte: Sputnik Brasil

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