sábado, 6 de abril de 2024

Casos de artrose disparam no mundo; veja como prevenir a doença

Os casos de artrose, uma doença degenerativa que afeta as cartilagens, têm crescido em todo o mundo. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, aproximadamente 1 bilhão de pessoas sofrerá com a osteoartrite, seu nome científico, em 2050.

O trabalho, que analisou indivíduos de mais de 200 países durante 30 anos e foi publicado na revista científica The Lancet Rheumatology, revelou ainda que atualmente 15% da população a partir dos 30 anos já começou a apresentar os primeiros sinais da enfermidade.

E não é de hoje que os especialistas estão acompanhando o crescimento dos casos. Outro levantamento, feito pelo Colégio Americano de Reumatologia entre 1990 e 2019, evidenciou que houve o salto de 113,25% na incidência no período, passando de 247,51 milhões para 527,81 milhões de casos no mundo.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 15 milhões de brasileiros receberam o diagnóstico de artrose. A enfermidade é responsável por 7,5% de todos os afastamentos do trabalho e é o segundo entre os que justificam o uso do auxílio-doença.

Ainda segundo a pasta, ela é a quarta doença mais comum para determinar a necessidade de aposentadoria. O quadro é tão significativo que o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia lançou no final do ano passado um movimento de conscientização da artrose.

·        O que justifica o aumento de casos?

Especialistas ouvidos pela Agência Einstein dizem que o crescimento dos diagnósticos tem relação com o envelhecimento da população e com outros fatores. “O aumento da obesidade e do sedentarismo e a prática de atividades físicas de impacto também se relacionam com o aumento de casos”, diz o ortopedista Marcos Cortelazo, médico especialista em joelho e traumatologia esportiva e membro da SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia) e da SLARD (Sociedade Latino-americana de Artroscopia, Joelho e Esporte).

Com o desgaste das cartilagens, explicam os especialistas, aumenta o atrito entre os ossos, o que provoca desconforto, dor, inflamações e deformações, dificultando e até impossibilitando os movimentos. Por isso, a dor articular é o principal sintoma da presença da osteoatrite. Pode haver ainda a limitação ou a impossibilidade da movimentação, estalos e o aumento de volume ou deformidade da região atingida.

“No entanto, é frequente encontrarmos sinais radiográficos da doença em pacientes assintomáticos”, diz a reumatologista Flavia Alexandra Guerrero, do Hospital Israelita Albert Einstein. “A artrose ocorre por um desbalanço do processo de degradação e reparação da cartilagem, que tem fatores mecânicos, genéticos, hormonais, ósseos e metabólicos envolvidos”, explica a médica.

Geralmente associada ao envelhecimento, apesar de afetar muitas pessoas jovens, a doença é mais frequente nas articulações que suportam mais peso, como as dos pés, do quadril, da coluna e dos joelhos, o principal alvo. Seu tratamento varia de acordo com a gravidade do caso.

“Nos casos leves e moderados, o principal objetivo é controlar a dor e a inflamação e melhorar a mobilidade. Já nos pacientes com a doença mais avançada, pode ser indicada a cirurgia para a substituição das articulações”, explica o ortopedista Cortelazo. Ele ressalta ainda que o combate ao mal vem evoluindo por meio do desenvolvimento de substâncias que protegem as articulações do atrito, como o ácido hialurônico, e de próteses customizadas.

·        Mudanças no estilo de vida

É muito importante que intervenções não farmacológicas sejam feitas para que o quadro não evolua. “Elas vão desde a conscientização e a educação do paciente em relação aos fatores que desencadeiam e agravam o processo, o que envolve o tratamento da obesidade, a realização de exercícios físicos monitorados, a correção de alterações específicas, como as tendinopatias (um quadro provocado pela degeneração ou lesão dos tendões) e outras lesões estruturais, até medidas de proteção articular e o uso de órteses quando necessário”, explica a reumatologista do Einstein.

Alterações de hábitos também são essenciais para evitar a piora da doença ou mesmo desencadear o seu surgimento. “Apesar de haver fatores hormonais e genéticos envolvidos em sua patologia, muito pode ser feito com medidas preventivas quando promovemos um estilo de vida saudável desde a infância, com alimentação equilibrada, prática regular de esportes e medicina preventiva”, afirma a especialista.

 

Ø  Componente do café contribui para saúde muscular no envelhecimento, diz estudo

 

Um estudo recente descobriu que uma molécula natural presente no café, chamada trigonelina, pode melhorar a saúde e a função muscular, principalmente durante o envelhecimento. Esse componente também é encontrado no feno-grego (planta medicinal da espécie Trigonella foenum-graecum) e é produzido naturalmente no microbioma intestinal de humanos.

O trabalho foi feito por um consórcio de pesquisa liderado pela Nestlé Research, na Suíça, e pela Yong Loo Lin School of Medicine, da Universidade Nacional de Cingapura (NUS Medicine). Também estiveram envolvidas no estudo a Universidade de Southampton, a Universidade de Melbourne, a Universidade de Teerã, a Universidade do Sul do Alabama, a Universidade de Toyama e a Universidade de Copenhague. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Metabolism, em março.

O estudo descobriu que os níveis de trigonelina eram menores em idosos com sarcopenia, uma condição que leva à perda de massa muscular, principalmente durante o envelhecimento. Na sarcopenia, o cofator celular NAD+ diminui, enquanto as mitocôndrias, centros energéticos das células, produzem menos energia.

Os pesquisadores descobriram que o fornecimento de trigonelina em modelos pré-clínicos resultou no aumento dos níveis de NAD+ e no aumento da atividade mitocondrial, contribuindo para a manutenção da função muscular durante o envelhecimento. Além do componente encontrado no café, os níveis de NAD+ podem ser aumentados com aminoácidos, como o L-triptofano, e formas de vitamina B3, como o ácido nicotínico, nicotinamida, ribosídeo de nicotinamida e mononucleotídeo de nicotinamida.

A atual pesquisa foi feita baseada em um estudo colaborativo anterior, publicado na Nature Communications, que descreveu novos mecanismos da sarcopenia humana.

“Nossas descobertas expandem a compreensão atual do metabolismo do NAD+ com a descoberta da trigonelina como um novo precursor do NAD+ e aumentam o potencial de estabelecimento de intervenções com produção de vitaminas para longevidade saudável e aplicações em doenças associadas à idade”, comenta Vincenzo Sorrentino, professor assistente do Programa de Pesquisa Translacional de Longevidade Saudável da NUS Medicine, em comunicado à imprensa.

Além disso, os pesquisadores também reforçam a necessidade de uma boa alimentação e a prática de atividade física para manter os músculos saudáveis ao longo do envelhecimento.

“Ficamos entusiasmados ao descobrir, através de investigação colaborativa, que uma molécula natural dos alimentos interage com as características celulares do envelhecimento. Os benefícios da trigonelina no metabolismo celular e na saúde muscular durante o envelhecimento abrem aplicações translacionais promissoras”, diz Jerome Feige, Chefe do Departamento de Saúde Física da Nestlé Research, também no comunicado.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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