Salvador termina 2023 acelerando a preparação para o Carnaval
A decoração natalina ainda domina as ruas, mas
Salvador já se prepara para o Carnaval 2024, que começa oficialmente dia 8 de
fevereiro, há menos de 50 dias.
Estruturas tubulares, tábuas, parafusos e
trabalhadores a todo vapor podem ser vistos em alguns pontos dos circuitos
tradicionais da festa: do Campo Grande à Castro Alves (Osmar) e da Barra até
Ondina (Dodô).
Vendido recentemente, o prédio do antigo Othon Palace continuará
recebendo o camarote Planeta Band em 2024 e estruturas já chamam a atenção de
quem passa na rua. Uns metros adiante, no sentido Ondina/Barra, a movimentação
de trabalhadores e o volume de material disposto na área do Clube Espanhol
destaca a montagem de outro camarote.
Mas é no Campo Grande onde o Carnaval já se faz
mais presente, pois grande parte da estrutura prevista para o largo está
erguida, fazendo um L que acompanha os trios desde a saída do Corredor da
Vitória até a partida para a Avenida Sete de Setembro. Esse clima de quase tudo
pronto, no entanto, convive com retroescavadeiras e obras para reconstrução da
calçada em frente ao Teatro Castro Alves.
Antes que alguém pense que não dará tempo, o
presidente da Saltur (Empresa Salvador Turismo), Isaac Edington, garante estar
tudo dentro do tempo previsto e correndo como planejado. Quando as obras
terminarem, todas as demais estruturas da área devem estar montadas, então o
trabalho será concentrado nos pontos atualmente sob intervenção, a exemplo do
espaço para arquibancadas.
Uma novidade para 2024 é a volta do evento de
abertura oficial do Carnaval para a região do Circuito Osmar, o mais antigo da
folia, após ter sido feito no Farol da Barra este ano. Na semana passada, o
prefeito Bruno Reis anunciou que o evento inaugural do reinado de Momo, dia 8
de fevereiro, será na Praça Castro Alves, com shows de Ivete Sangalo, Carlinhos
Brown, BaianaSystem e Ilê Aiyê.
Marcado pela presença dos camarotes, que aliam a
possibilidade de ver os artistas desfilarem nos seus blocos e trios sem corda a
uma programação interna com ritmos diversos, o Circuito Dodô também tem
mudanças. Em 2024, o Bloco do Nana seguirá na festa e terá Léo Santana como
atração, mas o camarote não será realizado. Quem curte o formato conta com onze
opções de camarote e sete deles já terão programação na quinta de Carnaval (dia
8/2).
Isaac Edington ressalta que embora o início oficial
seja dia 8 de fevereiro, a festa começa antes, tanto para a população quanto
para a Saltur e todos os órgãos municipais e estaduais envolvidos no Carnaval.
O marco sinalizado por ele é o Fuzuê, evento pré-carnavalesco que percorre o
circuito Dodô na direção Ondina/Barra em 3 de fevereiro, um sábado, dia
seguinte à Festa de Iemanjá, no Rio Vermelho.
Os festejos para a rainha do mar inclusive estão
sendo assumidos como ponto de partida por visitantes que já conhecem o Carnaval
e as chamadas festas de largo. Moradora do Rio de Janeiro, a enfermeira Roseane
Corrêa, 50 anos, programou 12 dias para curtir uma temporada com clima
carnavalesco em Salvador, começando pelo 2 de fevereiro.
Roseane conhece a capital baiana desde 1996 e
classifica sua relação com a cidade como ancestral. O desejo de morar aqui
surgiu nesse primeiro contato e foi concretizado em 2000, quando ela saiu pela
primeira vez no Ilê Aiyê. Onze anos depois, ela foi para Angola, e ao retornar
para o Rio passou a desfilar todos os dias em escolas de samba.
“Eu tinha tomado essa decisão: agora não vou mais
trair o meu Rio de Janeiro, vou ficar sempre desfilando nos carnavais do Rio de
Janeiro. Até que eu tenho a notícia que Ilê Aiyê vai fazer 50 anos de avenida
no ano que vem. Quando eu soube desses 50 anos, no mês de março, eu falei:
mudou tudo, eu preciso de Salvador, eu tenho que estar no Ilê Aiyê nessas bodas
de ouro”, conta Roseane.
A foliã ficará hospedada na casa de um irmão. A
passagem aérea está comprada, o carnê do Ilê está quitado, falta apenas
negociar os dias de folga no trabalho, mas ela está confiante em uma solução
boa para todos. A programação geral ainda não está muito definida, exceto banho
de mar de fantasia, o pré-carnaval e o Alerta Geral, um bloco de samba, que ela
considera obrigatório para cariocas.
A festa de Iemanjá também é o ponto de partida no
roteiro da bióloga Luciana Bacaicoa, 50, que atualmente mora no Vale do Capão.
Natural de São Paulo, ela morou em Salvador por 25 anos e mudou para a região
da Chapada Diamantina no início de 2023, ao longo desse período estima ter
perdido, no máximo, cinco carnavais da capital baiana.
Em recente passagem pela cidade Luciana ficou
hospedada na Barra e foi fisgada pela folia momesca. “Senti aquela energia de
Verão, de festa, de Carnaval e decidi: voltarei para passar o Carnaval aqui”.
Depois de jogar flores no Rio Vermelho, sua programação inclui o Furdunço, dia
4, e curtir o circuito Barra/Ondina até o dia 10, sempre acompanhando artistas
que desfilaram em trios sem cordas.
Se mantiver os planos, a foliã vai embora antes de
terminar a folia, que segue oficialmente até o dia 13 de fevereiro, mas ainda
tem o tradicional arrastão da Quarta-feira de Cinzas, dia 14.
·
Setor hoteleiro tem estabelecimentos com 100% da
ocupação reservada
Mais de um milhão de turistas estiveram em Salvador
no Carnaval deste ano, considerando os visitantes estrangeiros, os vindos de
outros estados brasileiros e aqueles de outras cidades baianas. Os dados da
Secretaria de Turismo do Estado evidenciam a importância da festa para a
economia local, especialmente nos segmentos mais relacionados ao turismo.
“Em Salvador, a empolgação para o Carnaval está em
destaque, com as reservas nos hotéis aumentando continuamente”, declara o
presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, regional Bahia
(ABIH-BA), Luciano Lopes. Além dos resultados deste ano, as parciais para 2024
também são animadoras, conforme aponta. Alguns estabelecimentos já têm 100% de
ocupação reservada e a média do setor está entre 50% e 60%.
A expectativa, frisa Lopes, é chegar a 100% no
setor hoteleiro durante os dias do Carnaval, que em 2024 acontece oficialmente
entre os dias 8 e 13 de fevereiro. Sobre os preparativos da rede hoteleira da
cidade, ele garante o empenho em proporcionar uma estadia excepcional aos
hóspedes.
“Cada detalhe está sendo cuidadosamente planejado
para garantir momentos memoráveis aos nossos visitantes. Desde serviços
personalizados até instalações de alto padrão, nosso foco é superar
expectativas”, declara o presidente da ABIH-BA.
O período carnavalesco também é visto como
promissor para o presidente da Associação Brasileira da Agências de Viagem da
Bahia (Abav-BA), Jean Paul Gonze, com a comercialização de diferentes serviços.
Há a venda de pacotes para quem vem, incluindo, além de passagem aérea e
hospedagem, os abadás de camarotes e blocos; e para os moradores da cidade que
preferem viajar.
“Muitos turistas contratam os serviços das agências
de viagem para ficar com mais segurança no translado até o Carnaval, ou até os
blocos, até os camarotes, ida e volta. Muitos pedem guia de turismo para
acompanhar, segurança, essas coisas. Geralmente aumenta a quantidade de pedidos
de serviços, e serviços no Carnaval são mais caros, devido à dificuldade de
circulação e o tempo que se gasta para poder chegar até o circuito ou até o
camarote”, explica Jean Paul.
Fonte: A Tarde

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