Qual a relação entre privação do sono e
diabetes tipo 2; especialista esclarece
Um estudo
elaborado por pesquisadores do Departamento de Biociências
Farmacêuticas da Universidade de Uppsala, na Suécia, a partir de informações do banco de
dados UK Biobank, do Reino Unido, revelou dados
importantes sobre diabetes.
O trabalho
relacionou adultos que dormem de três a cinco horas por dia ao risco de
desenvolver diabetes tipo 2, que corresponde à maior parte dos casos de
prevalência da doença no Brasil.
O diabetes tipo 2 é
uma doença crônica que
se caracteriza pela resistência à insulina, hormônio que regula
o nível de açúcar no sangue. É mais comum em adultos. Conforme a Sociedade
Brasileira de Diabetes, existem no país mais de 13 milhões de pessoas
covivendo com a doença, o que representa quase 7% da população nacional.
O trabalho, publicado
na revista científica JAMA Network Open, também concluiu que
a privação do sono não
pode ser compensada somente com uma alimentação saudável na
prevenção da doença crônica.
Os pesquisadores
acompanharam por dez anos os participantes e analisaram respostas de
247.867 homens e mulheres sobre saúde e estilo de vida.
“Eles avaliaram a
duração do sono dessas pessoas, da população em geral, os hábitos alimentares,
obviamente, os exames de sangue e os diagnósticos clínicos desses
participantes”, contou Dalva Poyares, neurologista, professora da
Universidade Federal de São Paulo e membro da Associação Brasileira do Sono.
Ela afirmou que o
resultado do trabalho “é algo que nós sabíamos. Alguns outros estudos já
apontavam que dormir pouco aumenta o risco de diabetes tipo 2”.
Porém, Dalva revela um
dado mais interessante. “O que tem de novo nesse estudo é que, além de
confirmar que dormir pouco, menos de seis horas, na média por dia, eles
avaliaram se uma dieta saudável poderia mitigar, minimizar, esse risco
e não encontraram essa associação”.
Em síntese, segundo a
neurologista, “dormir pouco, independentemente de você ter uma boa dieta, vai
aumentar o risco de ter diabetes tipo 2. A dieta não evitou esse risco”.
·
Influência de atividades físicas
Dalva destacou, ainda,
que falta obter mais informações sobre a influência de exercícios. “Um
estudo antigo do nosso grupo mostrava que a atividade física melhorava algumas
consequências da privação do sono”.
A médica destacou que
o ser humano precisa dimensionar a proporção de estímulos e a proporção de
atividades, sejam elas profissionais ou outras, por dia, em prol do sono.
“O sono é fundamental
para a manutenção do equilíbrio cardiovascular. É fundamental para
o desempenho cognitivo, ou seja, para você desempenhar bem durante o dia
e, também, para a saúde. E, agora, de acordo com esse estudo e alguns outros
anteriores, também é fundamental para manutenção do metabolismo. Então, dormir
muito pouco, por um longo prazo, pode alterar o metabolismo. Além disso, faz
com que o indivíduo fique mais predisposto a diabetes”, ressaltou.
·
Como prevenir diabetes tipo 2
Dalva sugeriu algumas
dicas de prevenção contra a doença. “Manter o peso, ter uma boa dieta, dormir e
fazer atividade física. São os quatro pilares que podem prevenir o aparecimento
do diabetes tipo 2”.
Segundo a
neurologista, existem estudos que sugerem quais seriam as horas ideais de
sono por faixa etária.
“Portanto, para
criança é uma coisa, para adulto é outra e para o idoso é outra. Quando nós
falamos em número de horas, em média, eu me refiro aos adultos. Alguma
coisa entre sete e oito horas e meia parece ser um intervalo de tempo que
as pessoas que têm melhor saúde costumam dormir por noite”, afirmou.
“Contudo, o que a
gente sabe mais é que não devemos ter como hábito de sono dormir pouco no longo
prazo”, finalizou a neurologista.
Ø Reduzir consumo de carne vermelha previne contra diabetes, diz
estudo
Um recente estudo
liderado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan sugere
que consumir apenas duas porções de carne vermelha por semana pode aumentar o
risco de desenvolver diabetes tipo 2. Esse risco aumenta ainda mais com um maior
consumo de carne vermelha. No entanto, o estudo também revela que substituir a
carne vermelha por fontes saudáveis de proteína vegetal, como nozes,
leguminosas ou quantidades moderadas de laticínios, está associado a um risco
reduzido de diabetes tipo 2. As descobertas foram publicadas no The American
Journal of Clinical Nutrition.
·
Associação entre Carne
Vermelha e Risco de Diabetes
O estudo reforça as
diretrizes dietéticas que recomendam limitar o consumo de carne vermelha,
abrangendo tanto as variedades processadas quanto as não processadas. Embora
pesquisas anteriores tenham estabelecido uma conexão entre o consumo de carne
vermelha e o risco de diabetes tipo 2, este novo estudo, caracterizado por sua
análise extensiva de casos de diabetes ao longo de um período prolongado,
acrescenta um nível mais elevado de certeza a essa associação.
A diabetes tipo 2 está
em ascensão nos Estados Unidos e em todo o mundo, levantando preocupações
devido às graves implicações para a saúde da doença. Além disso, ela serve como
um importante fator de risco para condições como doenças cardiovasculares, problemas
renais, câncer e demência.
·
Detalhes da Pesquisa
Para este estudo, os
pesquisadores examinaram dados de saúde de 216.695 participantes do Estudo de
Enfermeiras (NHS), NHS II e do Estudo de Acompanhamento de Profissionais de
Saúde (HPFS). As informações dietéticas foram coletadas por meio de questionários
de frequência alimentar a cada dois a quatro anos, abrangendo até 36 anos.
Durante esse período, mais de 22.000 participantes desenvolveram diabetes tipo
2.
As descobertas sugerem
uma forte ligação entre o consumo de carne vermelha, incluindo ambas as
variedades processadas e não processadas, e um risco aumentado de diabetes tipo
2. Participantes que consumiram mais carne vermelha tiveram um risco 62% maior de
desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aqueles que consumiram menos.
Cada porção adicional diária de carne vermelha processada foi associada a um
risco 46% maior, enquanto cada porção adicional diária de carne vermelha não
processada foi associada a um risco 24% maior.
·
Alternativas Mais
Saudáveis
Os pesquisadores
também avaliaram os possíveis efeitos de substituir uma porção diária de carne
vermelha por outra fonte de proteína. Eles descobriram que substituir uma
porção de nozes e leguminosas estava associado a um risco 30% menor de diabetes
tipo 2, e substituir uma porção de produtos lácteos estava associado a um risco
22% menor.
O autor sênior Walter
Willett, professor de epidemiologia e nutrição, sugere que limitar o consumo de
carne vermelha a cerca de uma porção por semana seria uma diretriz razoável
para pessoas que desejam otimizar sua saúde.
·
Benefícios Ambientais
Além dos benefícios
para a saúde, substituir a carne vermelha por fontes saudáveis de proteína
vegetal pode ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, combater
as mudanças climáticas e proporcionar outras vantagens ambientais, de acordo
com os pesquisadores.
O estudo, intitulado
"Consumo de carne vermelha e risco de diabetes tipo 2 em um estudo de
coorte prospectivo de mulheres e homens nos EUA," foi escrito por Xiao Gu,
Jean-Philippe Drouin-Chartier, Frank M. Sacks, Frank B. Hu, Bernard Rosner e Walter
C. Willett e foi publicado no The American Journal of Clinical Nutrition em 19
de outubro de 2023. A pesquisa foi financiada por bolsas do Instituto Nacional
de Saúde.
Fonte: Fórum

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