sexta-feira, 5 de abril de 2024

Qual a relação entre privação do sono e diabetes tipo 2; especialista esclarece

Um estudo elaborado por pesquisadores do Departamento de Biociências Farmacêuticas da Universidade de Uppsala, na Suécia, a partir de informações do banco de dados UK Biobank, do Reino Unido, revelou dados importantes sobre diabetes.

O trabalho relacionou adultos que dormem de três a cinco horas por dia ao risco de desenvolver diabetes tipo 2, que corresponde à maior parte dos casos de prevalência da doença no Brasil.

O diabetes tipo 2 é uma doença crônica que se caracteriza pela resistência à insulina, hormônio que regula o nível de açúcar no sangue. É mais comum em adultos. Conforme a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem no país mais de 13 milhões de pessoas covivendo com a doença, o que representa quase 7% da população nacional.

O trabalho, publicado na revista científica JAMA Network Open, também concluiu que a privação do sono não pode ser compensada somente com uma alimentação saudável na prevenção da doença crônica.

Os pesquisadores acompanharam por dez anos os participantes e analisaram respostas de 247.867 homens e mulheres sobre saúde e estilo de vida.

“Eles avaliaram a duração do sono dessas pessoas, da população em geral, os hábitos alimentares, obviamente, os exames de sangue e os diagnósticos clínicos desses participantes”, contou Dalva Poyares, neurologista, professora da Universidade Federal de São Paulo e membro da Associação Brasileira do Sono.

Ela afirmou que o resultado do trabalho “é algo que nós sabíamos. Alguns outros estudos já apontavam que dormir pouco aumenta o risco de diabetes tipo 2”.

Porém, Dalva revela um dado mais interessante. “O que tem de novo nesse estudo é que, além de confirmar que dormir pouco, menos de seis horas, na média por dia, eles avaliaram se uma dieta saudável poderia mitigar, minimizar, esse risco e não encontraram essa associação”.

Em síntese, segundo a neurologista, “dormir pouco, independentemente de você ter uma boa dieta, vai aumentar o risco de ter diabetes tipo 2. A dieta não evitou esse risco”.

·        Influência de atividades físicas

Dalva destacou, ainda, que falta obter mais informações sobre a influência de exercícios. “Um estudo antigo do nosso grupo mostrava que a atividade física melhorava algumas consequências da privação do sono”.

A médica destacou que o ser humano precisa dimensionar a proporção de estímulos e a proporção de atividades, sejam elas profissionais ou outras, por dia, em prol do sono.

“O sono é fundamental para a manutenção do equilíbrio cardiovascular. É fundamental para o desempenho cognitivo, ou seja, para você desempenhar bem durante o dia e, também, para a saúde. E, agora, de acordo com esse estudo e alguns outros anteriores, também é fundamental para manutenção do metabolismo. Então, dormir muito pouco, por um longo prazo, pode alterar o metabolismo. Além disso, faz com que o indivíduo fique mais predisposto a diabetes”, ressaltou.

·        Como prevenir diabetes tipo 2

Dalva sugeriu algumas dicas de prevenção contra a doença. “Manter o peso, ter uma boa dieta, dormir e fazer atividade física. São os quatro pilares que podem prevenir o aparecimento do diabetes tipo 2”.

Segundo a neurologista, existem estudos que sugerem quais seriam as horas ideais de sono por faixa etária.

“Portanto, para criança é uma coisa, para adulto é outra e para o idoso é outra. Quando nós falamos em número de horas, em média, eu me refiro aos adultos. Alguma coisa entre sete e oito horas e meia parece ser um intervalo de tempo que as pessoas que têm melhor saúde costumam dormir por noite”, afirmou.

“Contudo, o que a gente sabe mais é que não devemos ter como hábito de sono dormir pouco no longo prazo”, finalizou a neurologista.

 

Ø  Reduzir consumo de carne vermelha previne contra diabetes, diz estudo

 

Um recente estudo liderado por pesquisadores da Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan sugere que consumir apenas duas porções de carne vermelha por semana pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Esse risco aumenta ainda mais com um maior consumo de carne vermelha. No entanto, o estudo também revela que substituir a carne vermelha por fontes saudáveis de proteína vegetal, como nozes, leguminosas ou quantidades moderadas de laticínios, está associado a um risco reduzido de diabetes tipo 2. As descobertas foram publicadas no The American Journal of Clinical Nutrition.

·        Associação entre Carne Vermelha e Risco de Diabetes

O estudo reforça as diretrizes dietéticas que recomendam limitar o consumo de carne vermelha, abrangendo tanto as variedades processadas quanto as não processadas. Embora pesquisas anteriores tenham estabelecido uma conexão entre o consumo de carne vermelha e o risco de diabetes tipo 2, este novo estudo, caracterizado por sua análise extensiva de casos de diabetes ao longo de um período prolongado, acrescenta um nível mais elevado de certeza a essa associação.

A diabetes tipo 2 está em ascensão nos Estados Unidos e em todo o mundo, levantando preocupações devido às graves implicações para a saúde da doença. Além disso, ela serve como um importante fator de risco para condições como doenças cardiovasculares, problemas renais, câncer e demência.

·        Detalhes da Pesquisa

Para este estudo, os pesquisadores examinaram dados de saúde de 216.695 participantes do Estudo de Enfermeiras (NHS), NHS II e do Estudo de Acompanhamento de Profissionais de Saúde (HPFS). As informações dietéticas foram coletadas por meio de questionários de frequência alimentar a cada dois a quatro anos, abrangendo até 36 anos. Durante esse período, mais de 22.000 participantes desenvolveram diabetes tipo 2.

As descobertas sugerem uma forte ligação entre o consumo de carne vermelha, incluindo ambas as variedades processadas e não processadas, e um risco aumentado de diabetes tipo 2. Participantes que consumiram mais carne vermelha tiveram um risco 62% maior de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aqueles que consumiram menos. Cada porção adicional diária de carne vermelha processada foi associada a um risco 46% maior, enquanto cada porção adicional diária de carne vermelha não processada foi associada a um risco 24% maior.

·        Alternativas Mais Saudáveis

Os pesquisadores também avaliaram os possíveis efeitos de substituir uma porção diária de carne vermelha por outra fonte de proteína. Eles descobriram que substituir uma porção de nozes e leguminosas estava associado a um risco 30% menor de diabetes tipo 2, e substituir uma porção de produtos lácteos estava associado a um risco 22% menor.

O autor sênior Walter Willett, professor de epidemiologia e nutrição, sugere que limitar o consumo de carne vermelha a cerca de uma porção por semana seria uma diretriz razoável para pessoas que desejam otimizar sua saúde.

·        Benefícios Ambientais

Além dos benefícios para a saúde, substituir a carne vermelha por fontes saudáveis de proteína vegetal pode ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, combater as mudanças climáticas e proporcionar outras vantagens ambientais, de acordo com os pesquisadores.

O estudo, intitulado "Consumo de carne vermelha e risco de diabetes tipo 2 em um estudo de coorte prospectivo de mulheres e homens nos EUA," foi escrito por Xiao Gu, Jean-Philippe Drouin-Chartier, Frank M. Sacks, Frank B. Hu, Bernard Rosner e Walter C. Willett e foi publicado no The American Journal of Clinical Nutrition em 19 de outubro de 2023. A pesquisa foi financiada por bolsas do Instituto Nacional de Saúde.

 

Fonte: Fórum

 

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