OEA é
'organização funesta' e não resolverá crise entre México e Equador, diz
ministro de Honduras
A
intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA) no mais recente
conflito diplomático entre o México e o Equador é má ideia, porque a entidade
tem servido como "agente golpista por excelência dos Estados Unidos",
declarou neste sábado (6) o ministro da Secretaria de Planejamento Estratégico
de Honduras, Ricardo Salgado, à Sputnik.
"Todos
sabemos que a OEA é um organismo funesto que só serve aos interesses obscuros
das pessoas mais perversas deste continente, que, aliás, ainda estão em
silêncio neste momento após a monstruosidade perpetrada pelo governo
[equatoriano] do senhor Noboa", criticou Salgado.
O
funcionário hondurenho considerou que não sugeriu que a Comunidade de Estados
Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) seria mais apropriada, já que é composta
exclusivamente por países da região e poderia abordar a situação de forma mais
imparcial.
Salgado
também criticou a falta de ação da OEA em relação à situação no Equador e
sugerindo que a organização foi usada como um "agente golpista" pelos
Estados Unidos no passado.
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Invasão à embaixada mexicana
A
crise diplomática entre o México e a Colômbia chegou ao seu ápice depois que
forças policiais equatorianas invadiram a embaixada mexicana em Quito, onde
estava o ex-vice-presidente Jorge Glas, acusado de corrupção no caso Odebrecht.
A ação que levou ao anunciou da suspensão das relações diplomáticas do México
com Equador.
O
Itamaraty emitiu uma nota condenando "nos mais firmes termos" a ação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma postagem neste sábado (6) no X
(antigo Twitter), replicou a nota do Itamaraty e escreveu "toda minha
solidariedade ao presidente e amigo Andrés Manuel López Obrador".
O
Equador, por sua vez, alegou que o México conceder asilo a Glas é ilegal e
exigiu a extradição do político, informou o Ministério das Relações Exteriores
do Equador em um comunicado.
¨
Após ter embaixada invadida
pela polícia equatoriana, México
suspende relações diplomáticas com Equador
Um
grupo de policiais equatorianos entrou na embaixada mexicana em Quito e prendeu
o ex-vice-presidente do país Jorge Glas nesta sexta-feira (5/4), levando
o México a suspender as relações diplomáticas
com o governo do Equador, em uma crise
diplomática bilateral inédita.
É
uma "violação flagrante do direito internacional e da soberania do México
(...) instruí nosso chanceler a (...) proceder de forma legal e declarar
imediatamente a suspensão das relações diplomáticas com o governo do
Equador", escreveu o presidente Andrés Manuel López Obrador na rede social
X.
O
Equador defendeu a medida alegando que houve um "abuso das imunidades e
privilégios" concedidos à missão diplomática, segundo comunicado da
Secretaria de Comunicação da presidência (Segcom).
Glas,
que ocupou a vice-presidência do Equador entre 2013 e 2018, foi condenado pela
Justiça equatoriana por corrupção e estava refugiado na embaixada mexicana
desde dezembro.
Após
a operação policial, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador,
ordenou a suspensão das relações diplomáticas com o Equador. "Se trata de
uma violação flagrante ao direito internacional e à soberania do México",
disse o líder mexicano.
Embaixadas
estrangeiras estão protegidas pela "inviolabilidade" prevista na
Convenção de Viena, o que significa que as autoridades locais não podem entrar
nas instalações diplomáticas sem o consentimento do país responsável por elas.
Já
o governo equatoriano, de Daniel Noboa, acusou o México de exceder suas
prerrogativas diplomáticas.
O
governo brasileiro condenou "nos mais firmes termos" ação dos agentes
equatorianos na embaixada do México e chamou o incidente de "grave
precedente".
·
"Defendi a honra e a soberania do meu
país"
O
encarregado de negócios da embaixada do México no Equador, Roberto Canseco,
estava na sede diplomática quando a operação policial começou e confrontou os
agentes.
"Pondo
em risco minha própria vida, defendi a honra e a soberania do meu país. Isso
não pode acontecer, é incrível que tenha acontecido algo assim", disse ele
à imprensa.
"Estou
muito preocupado porque podem matá-lo. Não há nenhum fundamento para fazer
isso. Estávamos prestes a sair e de repente nos encontramos com policiais, com
ladrões que entraram na embaixada à noite", acrescentou.
De
acordo com a chanceler mexicana, Alicia Bárcena, vários trabalhadores da
embaixada foram agredidos durante o incidente.
Um
comunicado da presidência do Equador confirmou a prisão de Glas e disse que o
ex-vice-presidente tinha sido colocado "à disposição das autoridades
competentes".
O
texto também acusou a embaixada mexicana de ter "abusado das imunidades e
privilégios" e denunciou que o asilo diplomático concedido a Glas era
"contrário ao marco jurídico convencional".
"O
Equador é um país soberano e não vamos permitir que nenhum delinquente fique
impune", disse o comunicado.
A
invasão à embaixada do México em Quito aconteceu horas depois de o governo de
López Obrador informar que havia concedido asilo político a Jorge Glas.
"O
direito de asilo é sagrado e estamos agindo em plena conformidade com as
convenções internacionais", escreveu a chanceler Alicia Bárcena no X, o
antigo Twitter.
"Ao
conceder asilo a Jorge Glas, confio que o governo do Equador disponha do
salvo-conduto (autorização para que Glas viajasse para o México) o mais rápido
possível."
No
entanto, o governo do presidente Daniel Noboa se negou a entregar o
salvo-conduto e horas depois a polícia entrou na sede diplomática do México em
Quito.
·
Reações
Xiomara
Castro de Zelaya, presidente de Honduras, escreveu em sua conta no X que a
invasão da embaixada do México "com o objetivo de sequestrar" Glas
"constitui um ato intolerável para a comunidade internacional, dado que
ignora o histórico e fundamental direito ao asilo".
Castro
repudiou o que considera uma "violação da soberania do Estado mexicano e
do direito internacional".
De
sua parte, o ex-presidente equatoriano Rafael Correa afirmou que "o que o
governo de Noboa fez não tem precedentes na história da América Latina".
"Nem
nas piores ditaduras se violou a embaixada de um país. Não vivemos em um Estado
de Direito, mas sim em um Estado de barbárie, com um improvisado que confunde a
pátria com uma de suas fazendas de banana", acrescentou ele no X.
Correa
também responsabilizou Daniel Noboa pela segurança e integridade física e
psicológica de Glas.
O
prefeito de Quito, Pabel Muñoz, qualificou o episódio como
"inaceitável" e uma "vergonha mundial".
Mas
o governo do Equador afirma que defende a soberania nacional ao não permitir
que ninguém interfira nos assuntos internos do país.
A
operação policial na embaixada mexicana em Quito acontece dias depois de o
jornal New York Times revelar que o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro passou duas noites na embaixada da Hungria em Brasília depois de ter seu passaporte retido pelas
autoridades brasileiras em meio a investigações contra ele.
A
estadia levou a especulações de que Bolsonaro estaria cogitando a possibilidade
de pedir asilo político à Hungria, o que a defesa do ex-presidente negou. Os
representantes diplomáticos húngaros foram chamados ao Itamaraty para prestar
esclarecimentos.
·
"Perseguição política desde 2017"
Jorge
Glas foi sentenciado em 2017 a seis anos de prisão por associação ilícita em um
caso de corrupção envolvendo subornos da empreiteira
brasileira Odebrecht, na esteira da operação Lava Jato.
Em
2020, a justiça equatoriana o considerou culpado de ser instigador do crime de
suborno passivo agravado, pelo qual foi condenado a oito anos de prisão.
Em
novembro de 2022, Glas obteve liberdade provisória após cumprir parcialmente
sua sentença de quatro anos e meio, depois que seu advogado apresentou um
recurso de habeas corpus.
Segundo
a Secretaria de Relações Exteriores do México, Glas pediu ajuda à embaixada
mexicana em 17 de dezembro expressando "temor por sua segurança e
liberdade pessoal".
As
autoridades judiciais do Equador haviam convocado o ex-vice-presidente a depor
em um caso relacionado a fundos públicos arrecadados para ajudar na
reconstrução da província costeira de Manabí após um terremoto de 2016.
Seu
advogado, Eduardo Franco Loor, denunciou então uma perseguição política.
"Há
uma perseguição política desde o ano de 2017, escalada ultimamente pela
Procuradora-Geral do Estado, que arbitrariamente pretende processar e deter
Jorge Glas, sendo ele uma pessoa inocente", disse o advogado à agência de
notícias Reuters.
Após
a prisão na embaixada do México em Quito, o ex-presidente Rafael Correa, aliado
de Glas, se manifestou criticando ação contra o aliado.
Além
de ser vice-presidente durante os governos de Rafael Correa e Lenin Moreno,
Glas ocupou vários cargos durante o governo de Correa - que, segundo analistas,
chegou a considerá-lo como sua "mão direita".
No
caso conhecido como "subornos 2012-2016", a Justiça equatoriana
também considerou Correa culpado do crime de corrupção e o condenou, em
primeira instância, a oito anos de prisão.
O
ex-presidente equatoriano vive na Bélgica sob asilo político. Ele se mudou para
o país depois de deixar a presidência em 2017.
Ø Nicarágua corta relações com Equador e oposição pede renúncia do
governo após invasão a embaixada
O
governo da Nicarágua cortou relações diplomáticas com o Equador na sequência da
invasão à Embaixada do México em Quito. Em resposta ao incidente diplomático, a
Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos convocou uma reunião de
emergência para deliberar sobre o assunto.
Na
noite de 5 de abril, a polícia equatoriana entrou à força na embaixada do
México em Quito e levou embora o ex-vice-presidente Jorge Glas, condenado por
corrupção. Glas estava escondido no edifício diplomático desde dezembro do ano
passado.
"Após
as ações impensáveis e repreensíveis levadas a cabo nesta noite em Quito por
forças que deveriam proteger a ordem e a segurança dos cidadãos equatorianos e
as suas vidas, a nossa condenação forte e irrevogável traduz-se numa decisão
soberana de cortar todas as relações diplomáticas com o governo do
Equador", disse o governo da Nicarágua.
O
país já havia retirado sua embaixada do país em setembro de 2020 e, com esse
movimento, formalizou o rompimento de todas as relações diplomáticas.
México
confirma que seu pessoal diplomático em Quito está retornando em voos
comerciais.
"Por
instruções do presidente López Obrador, nosso pessoal diplomático está
retornando ao México de Quito via voos comerciais, com o apoio de embaixadas
amigas", escreveu a ministra mexicana das Relações Exteriores, Alicia
Bárcena, em suas redes sociais.
"Família,
amigos e compatriotas: o México sempre zelará pela sua segurança e pelo
respeito aos seus direitos!", acrescentou.
Horas
antes, o encarregado da missão diplomática mexicana no Equador, Roberto
Canseco, foi agredido pela polícia equatoriana que invadiu a embaixada mexicana
em Quito para deter o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, que havia
solicitado asilo ao governo de López Obrador devido a possível
"perseguição política".
O
movimento de esquerda Revolução Cidadã, que faz oposição ao governo
equatoriano, pediu a renúncia do presidente do país.
"Dados
os fatos que demonstraram a incapacidade do presidente Daniel Noboa para
governar o país, exigimos que apresente a sua demissão do cargo de Presidente
da República", disse Luisa González, presidente do Movimento Revolução
Cidadã, em coletiva de imprensa.
As
críticas ao governo de Noboa não vêm somente de campos ideológicos contrários
ao seu. Neste sábado (6), a Organização dos Estados Americanos (OEA) manifestou
seu repúdio pela violação dos preceitos diplomáticos pela administração de
Noboa.
·
Argentina condena invasão
A
Argentina, governada por Javier Milei, também condenou a invasão à Embaixada do
México. "A Argentina se junta aos países da região na condenação do que
aconteceu ontem à noite na Embaixada do México no Equador", disse o
Ministério das Relações Exteriores em comunicado.
O
governo argentino exigiu também que sejam preservadas "as obrigações
decorrentes da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas" de 1961,
que consagra a inviolabilidade das embaixadas.
·
CELAC convoca reunião emergencial
A
Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), assim como
diversos Estados e organizações, também expressou sua condenação ao incidente
na Embaixada mexicana e convocou uma reunião emergencial nos dias 8 e 9 de
abril para discutir a crise diplomática deflagrada pelo Equador.
"Dada
a evidente violação da Convenção Americana sobre Asilo e da Convenção de Viena
sobre Relações Diplomáticas por parte do Governo do Equador, ao assumir à força
a Embaixada mexicana em Quito, convoco com urgência a Troika da CELAC",
disse a presidente hondurenha, Xiomara Castro.
Ø Governos latino-americanos apoiam México após prisão na
embaixada no Equador
Os
governos latino-americanos, incluindo o Brasil, solidarizaram-se com o México
neste sábado, depois de a sua embaixada no Equador ter sido invadida para
prender, sob indícios de corrupção, um polêmico político a quem foi
concedido asilo pelas autoridades mexicanas.
A
prisão de Jorge Glas, ex-vice-presidente do Equador, na noite de sexta-feira,
desencadeou uma rápida suspensão das relações com Quito pela Cidade do México,
com o governo do presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador classificando
a incursão diplomática incomum e a prisão como um ato
"autoritário" e uma violação do direito internacional e da
soberania do México.
Neste
sábado, quatro governos de esquerda da América Latina – Brasil, Colômbia,
Venezuela e Cuba – criticaram a prisão de Glas, que procurava refúgio na
embaixada desde dezembro.
Ele
pôde ser visto em vídeos que circulam nas redes sociais sendo levado por um
comboio policial ao aeroporto da capital Quito, acompanhado por soldados
fortemente armados. Ele então embarcou em um avião a caminho de um centro de
detenção em Guayaquil, a maior cidade do país andino.
O
governo do Brasil condenou a ação do Equador como uma "clara
violação" das normas internacionais que proíbem tal ataque a uma embaixada
estrangeira, em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do país.
·
México suspende relações
A
ação do Equador contra a embaixada deve “ser objeto de enérgico repúdio,
qualquer que seja a justificativa para sua realização”, segundo o comunicado,
que enfatizou a solidariedade de Brasília com o México.
Enquanto
isso, o presidente colombiano, Gustavo Petro, argumentou em um post no X que a
América Latina “deve manter vivos os preceitos do direito internacional em meio
à barbárie que avança no mundo”.
Glas,
condenado duas vezes por corrupção, estava escondido na embaixada em Quito
desde que pediu asilo político em dezembro, pedido que o México atendeu na
sexta-feira.
As
autoridades equatorianas solicitaram, sem sucesso, permissão do México para
entrar na embaixada e prender Glas.
Em
2017, Glas, o ex-segundo em comando do ex-presidente Rafael Correa, também de
esquerda, foi condenado a seis anos de prisão depois de ser considerado culpado
de aceitar subornos da construtora brasileira Odebrecht em troca de lhe
conceder contratos governamentais.
Ao
enfrentar um novo mandado de prisão por acusações distintas de corrupção, Glas
alegou ser vítima de perseguição política, o que o governo do Equador
negou.
Fonte:
BBC News Brasil/Sputnik Brasil/Reuters

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