Mais da metade das crianças gostaria de
passar mais tempo na natureza, revela levantamento
A instituição de
caridade e conservação britânica, National Trust, divulgou os resultados de uma
pesquisa destacando o desejo das crianças por mais tempo em contato com a
natureza.
Segundo o levantamento
conduzido em 1.000 crianças britânicas entre sete e 14 anos, juntamente com
outros 1.000 pais, a acessibilidade emerge como a principal barreira, com
impressionantes 63% dos pais relatando que conseguem levar seus filhos a
ambientes naturais apenas uma vez por semana ou até menos.
A instituição
considera como ideal uma caminhada de no máximo 15 minutos de distância de
espaços verdes. Esta medida é defendida como essencial para a equidade de
acesso à natureza.
Hilary McGrady,
diretora geral do National Trust, expressou ao jornal The Guardian: “Os benefícios de
garantir acesso à natureza são indiscutíveis, porém, esse acesso permanece
desigual. Urge uma melhoria significativa no acesso a espaços verdes urbanos,
equiparável ao apogeu visto na era vitoriana.”
Ela adiciona: “A
interação precoce com a natureza tem um impacto profundo sobre os jovens,
instigando-os a cultivar um cuidado pelo mundo natural e a tomar medidas para
preservá-lo. Os formuladores de políticas devem assumir a responsabilidade de
criar um plano a longo prazo para garantir que todos tenham acesso a esses
espaços vitais.”
A pesquisa revela que
31% dos pais de famílias de baixa renda no Reino Unido citam o custo como a
principal barreira para o acesso à natureza. Além disso, 76% das crianças
expressaram o desejo de passar mais tempo ao ar livre, enquanto 56% anseiam por
um acesso mais facilitado aos espaços verdes.
Apesar de não ser uma
pesquisa brasileira, a análise também serve de parâmetro para melhorias em
políticas públicas no Brasil.
Ø Brasil está entre os que
mais perdem florestas tropicais primárias
Apesar dos avanços
significativos, o Brasil continua a ser um dos países com maior perda de
florestas tropicais primárias, ao lado da República Democrática do Congo e da
Bolívia. Juntos, esses países foram responsáveis por mais
da metade da destruição total
global, é o que revelou um
levantamento de dados publicado pelo World Resources
Institute (WRI) e pela Universidade de
Maryland.
De acordo com o
relatório do WRI, o Brasil testemunhou uma diminuição notável na taxa de perda
florestal, marcando um declínio de 36% sob a administração do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. No entanto, o país ainda enfrenta desafios consideráveis,
especialmente no que diz respeito à proteção das florestas tropicais primárias.
As florestas primárias
desempenham um papel essencial na mitigação das mudanças climáticas e na
preservação da biodiversidade. Embora o Brasil tenha feito progressos, ainda é
vital intensificar os esforços para conter o desmatamento e proteger esses ecossistemas
vitais.
Além disso, o Brasil
enfrenta pressões contínuas devido à expansão agrícola e à exploração ilegal de
recursos naturais. A eficácia das políticas ambientais e a aplicação das leis
de proteção ambiental são questões importantes que precisam ser abordadas de
forma mais incisiva.
Para cumprir as metas
de desmatamento estabelecidas globalmente, o País precisa continuar investindo
em medidas de conservação e em uma governança ambiental robusta. É fundamental
que sejam mantidos os compromissos de proteger suas florestas tropicais primárias.
Ø
‘Apartheid climático’ pode empurrar mais de
120 milhões de pessoas para a pobreza
O relator especial das
Nações Unidas sobre pobreza extrema e direitos humanos destacou que
a mudança climática ameaça “desfazer os últimos 50 anos” de
desenvolvimento, saúde global e redução da pobreza. Philip Alston fez um alerta
sobre o que descreve como o risco de uma nova era de “apartheid climático”
e fome. A observação foi feita em relatório apresentado na sessão do
Conselho de Direitos Humanos, que acontece em Genebra até 12 de julho.
·
Deslocamento
Para o especialista,
mesmo que as atuais metas globais sejam cumpridas, dezenas de milhões de
pessoas ficarão mais pobres. Essa situação levará ao deslocamento
generalizado e à fome.
Alston destacou ainda
que a mudança climática terá o seu maior impacto sobre os mais vulneráveis e pode
empurrar mais de 120 milhões de pessoas para a pobreza até 2030. O impacto mais
severo será sobre os países pobres, regiões e lugares onde pessoas pobres vivem
e trabalham.
Considerando a melhor
hipótese de um aumento de temperatura de 1,5° C até 2100, as temperaturas
extremas em muitas regiões deixarão as populações desfavorecidas enfrentando
insegurança alimentar, com baixos níveis de rendimentos e saúde.
Alston afirmou que
além disso, muitas pessoas terão que escolher entre a fome e a migração. Ele
apontou para o paradoxo de pessoas na pobreza serem responsáveis por apenas uma fração das emissões globais, e que mesmo assim “sofrerão o impacto da mudança climática e terão uma menor capacidade
de se proteger.”
·
Superaquecimento
Ao argumentar sobre o
risco de um cenário de “apartheid climático”, Alston apontou para uma situação
em que os ricos pagam para escapar do superaquecimento, da fome e do conflito,
enquanto o resto do mundo sofre.”
Quanto às implicações
da mudança climática sobre os direitos humanos, Alston destacou impactos desse
problema em questões como vida, alimentação, moradia e água.
Ele também aponta para
consequências sobre a democracia, quando governos tentam lidar com as
consequências das alterações do clima e ao mesmo tempo convencem os eleitores a
aceitar as grandes transformações sociais e econômicas necessárias. Segundo
ele, essa situação fragiliza os direitos civis e políticos.
·
Indústria
O perito mencionou
ainda que Estados deixam de cumprir compromissos de redução de emissões de
carbono e de financiamento climático e continuam a subsidiar a indústria de
combustíveis fósseis com US$ 5,2 trilhões por ano.
Alston destacou que
continuar nesse rumo é uma receita para a catástrofe econômica.
O estudo destaca que
“embora a prosperidade econômica e a sustentabilidade ambiental sejam
“totalmente compatíveis”, essas questões exigem “desvinculação do bem-estar
econômico e redução da pobreza das emissões de combustíveis fósseis”.
O especialista propõe
políticas locais para apoiar os trabalhadores deslocados e garantir empregos de
qualidade. Outra sugestão é que seja criada uma rede de segurança social
robusta como “a melhor resposta aos danos inevitáveis que a mudança climática trará”.
·
Segurança
Para ele, esta
iniciativa pode ser um catalisador “para que os Estados cumpram direitos
econômicos e sociais ignorados e negligenciados há muito tempo”. Estes incluem
a segurança social e o acesso a alimentos, aos cuidados de saúde, ao abrigo e
ao trabalho decente.
O especialista disse
ainda que “os alarmes sobre a mudança climática soam, e um aumento nos eventos
extremos de proporções bíblicas parece estar finalmente atravessando o ruído, a
desinformação e a complacência”. No entanto, ele destaca que “esses sinais
positivos não são motivo de alegria”.
Alston conclui o
relatório destacando que fazer um cálculo sobre a dimensão da mudança
necessária é apenas o primeiro passo para a direção certa.
Fonte: eCycle

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