sábado, 6 de abril de 2024

Mais da metade das crianças gostaria de passar mais tempo na natureza, revela levantamento

A instituição de caridade e conservação britânica, National Trust, divulgou os resultados de uma pesquisa destacando o desejo das crianças por mais tempo em contato com a natureza.

Segundo o levantamento conduzido em 1.000 crianças britânicas entre sete e 14 anos, juntamente com outros 1.000 pais, a acessibilidade emerge como a principal barreira, com impressionantes 63% dos pais relatando que conseguem levar seus filhos a ambientes naturais apenas uma vez por semana ou até menos.

A instituição considera como ideal uma caminhada de no máximo 15 minutos de distância de espaços verdes. Esta medida é defendida como essencial para a equidade de acesso à natureza.

Hilary McGrady, diretora geral do National Trust, expressou ao jornal The Guardian: “Os benefícios de garantir acesso à natureza são indiscutíveis, porém, esse acesso permanece desigual. Urge uma melhoria significativa no acesso a espaços verdes urbanos, equiparável ao apogeu visto na era vitoriana.”

Ela adiciona: “A interação precoce com a natureza tem um impacto profundo sobre os jovens, instigando-os a cultivar um cuidado pelo mundo natural e a tomar medidas para preservá-lo. Os formuladores de políticas devem assumir a responsabilidade de criar um plano a longo prazo para garantir que todos tenham acesso a esses espaços vitais.”

A pesquisa revela que 31% dos pais de famílias de baixa renda no Reino Unido citam o custo como a principal barreira para o acesso à natureza. Além disso, 76% das crianças expressaram o desejo de passar mais tempo ao ar livre, enquanto 56% anseiam por um acesso mais facilitado aos espaços verdes.

Apesar de não ser uma pesquisa brasileira, a análise também serve de parâmetro para melhorias em políticas públicas no Brasil.

 

Ø  Brasil  está entre os que mais perdem florestas tropicais primárias

 

Apesar dos avanços significativos, o Brasil continua a ser um dos países com maior perda de florestas tropicais primárias, ao lado da República Democrática do Congo e da Bolívia. Juntos, esses países foram responsáveis ​​por mais da metade da destruição total global, é o que revelou um levantamento de dados publicado pelo World Resources Institute (WRI) e pela Universidade de Maryland.

De acordo com o relatório do WRI, o Brasil testemunhou uma diminuição notável na taxa de perda florestal, marcando um declínio de 36% sob a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o país ainda enfrenta desafios consideráveis, especialmente no que diz respeito à proteção das florestas tropicais primárias.

As florestas primárias desempenham um papel essencial na mitigação das mudanças climáticas e na preservação da biodiversidade. Embora o Brasil tenha feito progressos, ainda é vital intensificar os esforços para conter o desmatamento e proteger esses ecossistemas vitais.

Além disso, o Brasil enfrenta pressões contínuas devido à expansão agrícola e à exploração ilegal de recursos naturais. A eficácia das políticas ambientais e a aplicação das leis de proteção ambiental são questões importantes que precisam ser abordadas de forma mais incisiva.

Para cumprir as metas de desmatamento estabelecidas globalmente, o País precisa continuar investindo em medidas de conservação e em uma governança ambiental robusta. É fundamental que sejam mantidos os compromissos de proteger suas florestas tropicais primárias.

 

Ø  ‘Apartheid climático’ pode empurrar mais de 120 milhões de pessoas para a pobreza

 

O relator especial das Nações Unidas sobre pobreza extrema e direitos humanos destacou que a mudança climática ameaça “desfazer os últimos 50 anos” de desenvolvimento, saúde global e redução da pobreza. Philip Alston fez um alerta sobre o que descreve como o risco de uma nova era de “apartheid climático” e fome. A observação foi feita em relatório apresentado na sessão do Conselho de Direitos Humanos, que acontece em Genebra até 12 de julho.

·        Deslocamento

Para o especialista, mesmo que as atuais metas globais sejam cumpridas, dezenas de milhões de pessoas ficarão mais pobres. Essa situação levará ao deslocamento generalizado e à fome.

Alston destacou ainda que a mudança climática terá o seu maior impacto sobre os mais vulneráveis e pode empurrar mais de 120 milhões de pessoas para a pobreza até 2030. O impacto mais severo será sobre os países pobres, regiões e lugares onde pessoas pobres vivem e trabalham.

Considerando a melhor hipótese de um aumento de temperatura de 1,5° C até 2100, as temperaturas extremas em muitas regiões deixarão as populações desfavorecidas enfrentando insegurança alimentar, com baixos níveis de rendimentos e saúde.

Alston afirmou que além disso, muitas pessoas terão que escolher entre a fome e a migração. Ele apontou para o paradoxo de pessoas na pobreza serem responsáveis ​​por apenas uma fração das emissões globais, e que mesmo assim sofrerão o impacto da mudança climática e terão uma menor capacidade de se proteger.

·        Superaquecimento

Ao argumentar sobre o risco de um cenário de “apartheid climático”, Alston apontou para uma situação em que os ricos pagam para escapar do superaquecimento, da fome e do conflito, enquanto o resto do mundo sofre.”

Quanto às implicações da mudança climática sobre os direitos humanos, Alston destacou impactos desse problema em questões como vida, alimentação, moradia e água.

Ele também aponta para consequências sobre a democracia, quando governos tentam lidar com as consequências das alterações do clima e ao mesmo tempo convencem os eleitores a aceitar as grandes transformações sociais e econômicas necessárias. Segundo ele, essa situação fragiliza ​​os direitos civis e políticos.

·        Indústria

O perito mencionou ainda que Estados deixam de cumprir compromissos de redução de emissões de carbono e de financiamento climático e continuam a subsidiar a indústria de combustíveis fósseis com US$ 5,2 trilhões por ano.

Alston destacou que continuar nesse rumo é uma receita para a catástrofe econômica.

O estudo destaca que “embora a prosperidade econômica e a sustentabilidade ambiental sejam “totalmente compatíveis”, essas questões exigem “desvinculação do bem-estar econômico e redução da pobreza das emissões de combustíveis fósseis”.

O especialista propõe políticas locais para apoiar os trabalhadores deslocados e garantir empregos de qualidade. Outra sugestão é que seja criada uma rede de segurança social robusta como “a melhor resposta aos danos inevitáveis ​​que a mudança climática trará”.

·        Segurança

Para ele, esta iniciativa pode ser um catalisador “para que os Estados cumpram direitos econômicos e sociais ignorados e negligenciados há muito tempo”. Estes incluem a segurança social e o acesso a alimentos, aos cuidados de saúde, ao abrigo e ao trabalho decente.

O especialista disse ainda que “os alarmes sobre a mudança climática soam, e um aumento nos eventos extremos de proporções bíblicas parece estar finalmente atravessando o ruído, a desinformação e a complacência”. No entanto, ele destaca que “esses sinais positivos não são motivo de alegria”.

Alston conclui o relatório destacando que fazer um cálculo sobre a dimensão da mudança necessária é apenas o primeiro passo para a direção certa.

 

Fonte: eCycle

 

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