sábado, 6 de abril de 2024

Fugitivos de Mossoró tiveram ajuda do Comando Vermelho e queriam ir para o exterior, diz Lewandowski

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse nesta quinta-feira (4) que os dois fugitivos da penitenciária federal de Mossoró (RN) tiveram ajuda externa de organizações criminosas e estavam a caminho do exterior quando foram presos.

"Eles, obviamente, foram coadjuvados por criminosos externos. Tiveram auxílios de seus comparsas e das organizações criminosas às quais eles pertenciam", disse o ministro, ao se pronunciar sobre o caso.

A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal prenderam os dois fugitivos da penitenciária federal de Mossoró (RN). A fuga, inédita no sistema penitenciário federal, completou 50 dias.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que os dois foram presos em Marabá (PA). A ação reuniu as polícias Federal e Rodoviária Federal.

A fuga ocorreu na madrugada do dia 14 de fevereiro e expôs o governo de Lula (PT) a uma crise justamente em um tema explorado por adversários políticos, a segurança pública.

Enquanto eram procurados, Rogério da Silva Mendonça, 36, conhecido como Martelo, e Deibson Cabral Nascimento, 34, chamado de Tatu ou Deisinho, mantiveram uma família como refém, foram avistados em comunidades diversas, se esconderam em uma propriedade rural e agrediram um indivíduo na zona rural de Baraúna.

Os investigadores suspeitavam que os dois detentos tenham sido mantidos por membros do Comando Vermelho do Rio de Janeiro em parte desse tempo.

O Ministério da Justiça afirma que houve falhas em procedimentos, mas descarta corrupção de agentes na fuga de dois presos da penitenciária federal de Mossoró, segundo apontou um relatório da corregedoria-geral da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), órgão ligado ao Ministério.

Sobre as falhas, a corregedora Marlene Rosa afirma que elas se deram nos procedimentos carcerários de segurança. Como mostrou a Folha de S.Paulo, as celas dos dois presos que fugiram ficaram ao menos 30 dias sem revista e, por isso, foram abertas as apurações contra os dez servidores.

A fuga, a primeira registrada nesse sistema desde sua implantação (em 2006), colocou em teste a gestão de Lewandowski.

A administração das penitenciárias federais é de responsabilidade da pasta, que teve a sua primeira crise em 13 dias sob o novo titular (que substituiu Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal).

Mais de 600 policiais foram envolvidos nas operações, incluindo cem integrantes da Força Nacional. Helicópteros e drones foram usados nas buscas.

•        Fugitivos receberam dezenas de chips de celular para despistar, mas aparelhos ‘deduraram’ localização

Os agentes do setor de Inteligência da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal do Rio Grande do Norte identificaram no fim de março passado uma nova célula de apoio da Comando Vermelho aos fugitivos da Penitenciária Federal de Mossoró Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento

Segundo fontes da PF, esta célula tinha a missão de tirá-los da área de buscas e levá-los para muito longe e envolvia criminosos do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Ceará e Pará.

Os dois fugitivos receberam aparelhos de celular e dezenas de chips, pois trocavam todos os dias para dificultar o rastreamento. Os investigadores, no entanto, driblaram essa situação e conseguiram ampliar o monitoramento dos criminosos que estavam dando suporte à fuga.

Quando a investigação descobriu que os dois foram levados para Belém, agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) apertaram ainda mais o cerco tecnológico.

Os agentes de inteligência foram cruzando os sinais de antenas de celular com o sistema de monitoramento de câmeras da PRF. Este sistema, por meio de convênios com governos estaduais e prefeituras, permite capturar informações e imagens de câmeras de rodovias e de trânsito, capazes de fazer a leitura de placas de veículos.

Na tarde da última quarta-feira, por volta das 14h, agentes da FICCO alertaram os investigadores que tinham detectado, por meio das análises, um carro cuja trajetória no Pará batia com os apontamentos das antenas de aparelhos celulares que vinham sendo rastreados. Era o Polo branco, em deslocamento de Belém para Marabá.

Os agentes descobriram, ainda, que outros dois veículos faziam os mesmos, em comboio.

•        PF investiga Pix enviado à dupla em fuga, diz diretor-geral

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (5), em entrevista ao Conexão, da GloboNews, que a corporação segue investigando quem pode ter financiado e auxiliado na fuga de Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento.

Os dois detentos fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró (RN) em 14 de fevereiro, e foram localizados na quinta (4), no Pará, a cerca de 1,6 mil quilômetros da cidade de onde escaparam. As buscas pelos fugitivos duraram 50 dias.

Segundo Andrei Rodrigues, os criminosos receberam auxílio externo. O diretor-geral da PF citou um Pix enviado à dupla e disse que a transferência aponta para possível envolvimento de uma facção criminosa na fuga.

"De fato houve essa transferência de uma pessoa que, em tese, não tem grande capacidade econômica, financeira. E que portanto aponta que pode ser apenas um intermediário de um grupo criminoso que está interessado na fuga dessas duas pessoas. Isso é objeto da investigação, disse.

Andrei Rodrigues também afirmou que novas prisões podem ser feitas se comprovada participação de mais pessoas no caso.

"É possível sim que outras prisões, outras pessoas sejam identificadas nesse processo. Porque nós encerramos uma etapa, que é a central dessa investigação, que é a prisão dos fugitivos. Então isso é uma entrega que a Polícia Federal fez. As pessoas, os dois fugitivos, presos e devolvidos ao Sistema Penitenciário Federal", afirmou.

"Agora, essa investigação nos trouxe conhecimento, nos trouxe informações, nos trouxe dados, que nós estamos – como falei, com quebras de sigilo, com outras informações – sendo trabalhadas pelas nossas equipes que conduzem a investigação, e que podem levar à identificação de outros atores, de pessoas que financiaram, que deram esse apoio logístico, pessoas que permitiram essa cobertura dos presos durante esses 50 dias", continuou.

 

       Governo gastou R$ 6 milhões para recapturar fugitivos do presídio de Mossoró

 

O governo federal gastou R$ 6 milhões ao longo dos 50 dias de buscas aos dois presos que fugiram na penitenciária federal de Mossoró e foram recapturados nesta quinta-feira (4). A caçada custou, em média, R$ 121 mil por dia.

Rogério da Silva Mendonça, 36, conhecido como Martelo, e Deibson Cabral Nascimento, 34, chamado de Tatu ou Deisinho, foram presos com mais quatro pessoas, em três carros, numa ponte sobre o rio Tocantins, nas proximidades da cidade de Marabá (PA), a cerca de 1.600 km do local da fuga pelo trajeto mais rápido de carro entre os dois municípios (1.300 km em linha reta).

A fuga ocorreu na madrugada do dia 14 de fevereiro e expôs o governo de Lula (PT) a uma crise justamente em um tema explorado por adversários políticos, a segurança pública.

Dados fornecidos pelo Ministério da Justiça mostram que somente a Polícia Federal Rodoviária gastou R$ 3,3 milhões durante as buscas. O órgão foi seguido pela Força Nacional (R$ 1,4 milhão), Polícia Federal (R$ 665 mil) e Força Penal Nacional (R$ 625 mil).

Os valores incluem despesas com passagens, diárias, combustíveis, manutenção e operações aéreas.

As buscas aos dois fugitivos envolveram centenas de policiais, drones, helicópteros e equipes especializadas.

A PRF, órgãos que mais gastou nas buscas, participou da abordagem que resultou na prisão na rodovia próxima a Marabá.

Em coletiva após as prisões, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que a abordagem se deu após o mapeamento da localização de veículos suspeitos feitos pela PRF e pelo setor de inteligência da PF, que estavam monitorando os foragidos.

"Estavam num comboio do crime", declarou o ministro. "Eles, obviamente, foram coadjuvados por criminosos externos. Tiveram auxílios de seus comparsas e das organizações criminosas às quais eles pertenciam", disse Lewandowski.

De acordo com as investigações, eles tentavam sair do país.

Com gastos de R$ 665 mil, a Polícia Federal atuou nas buscas e, também, é responsável pelo inquérito aberto para investigar a fuga.

Foi dentro desse inquérito que foram levantadas informações de inteligência sobre o paradeiro dos dois foragidos.

Já a Força Nacional foi acionada pelo Ministério da Justiça logo após a fuga para atuar nas buscas e para reforçar a segurança na penitenciária federal onde ocorreram as fugas.

Na coletiva sobre o caso, Lewandowski e o diretor da PF, Andrei Rodrigues, deram alguns detalhes sobre a recaptura.

Segundo eles, no momento da prisão houve "um esboço de reação". No primeiro veículo abordado, o foragido Rogério Mendonça, o Martelo, estava no banco de carona e portava um fuzil. Ele chegou a colocar a arma para fora do carro e, nessa ocasião, o carro da PF colidiu com o dos fugitivos.

Depois disso, eles saíram do veículo, e Martelo largou a arma. Os outros dois veículos foram abordados na cabeceira da ponte.

Com o grupo foram encontrados oito celulares, além do fuzil com dois carregadores.

Uma apuração do Ministério da Justiça afirma que houve falhas em procedimentos, mas descarta corrupção de agentes na fuga dos presos da penitenciária federal de Mossoró. A conclusão consta em relatório da corregedoria-geral da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O órgão já havia apontado que a fuga foi resultado de diversas falhas internas, sendo a principal a falta de revistas, que deveriam ocorrer diariamente. Sem elas, não foi possível que os servidores detectassem o buraco que os presos estavam fazendo na luminária da parede por onde escaparam.

Os dois presos ficaram ao menos 30 dias sem revista nas celas, segundo a investigação. Para apurar essas e outras falhas, a corregedoria da Senappen abriu investigação contra dez servidores.

 

Fonte: FolhaPress

 

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