sexta-feira, 5 de abril de 2024

Em mudança brusca, Biden pede cessar-fogo imediato a Netanyahu ameaçando 'alterar' políticas

Estados Unidos emitiram sua mais forte repreensão pública a Israel desde o início da guerra com o Hamas, alertando que a política dos EUA em Gaza será determinada futuramente pela adoção ou não de medidas para proteção de civis e trabalhadores por parte do governo Netanyahu.

Nesta quinta-feira (4), em um telefonema de 30 minutos entre o presidente Joe Biden e o premiê Benjamin Netanyahu, Biden pediu um cessar-fogo imediato na região e apelou a Israel "para concluir um acordo sem demora" com o Hamas.

O presidente "deixou claro que a política dos EUA em relação a Gaza será determinada pela nossa avaliação da ação imediata de Israel nestas medidas. Sublinhou que um cessar-fogo imediato é essencial para estabilizar e melhorar a situação humanitária e proteger civis inocentes, e instou o primeiro-ministro a capacitar os seus negociadores para concluir sem demora um acordo para trazer os reféns para casa", afirmou a Casa Branca no seu comunicado sobre o telefonema.

No entanto, mesmo que Washington pressione Tel Aviv para acabar com o conflito, os Estados Unidos concederam nova aprovação esta semana para a transferência de milhares de bombas adicionais para Israel.

Um funcionário da administração Biden ouvido pela Reuters disse que a transferência aprovada inclui 1.000 bombas MK82 de 500 libras, mais de 1.000 bombas de pequeno diâmetro e fusíveis para bombas MK80, "embora elas não sejam entregues até pelo menos no próximo ano", afirmou o funcionário nesta quinta-feira (4).

Mesmo com a mudança de tom da liderança norte-americana, os EUA continuam a fornecer armas ao seu maior aliado no Oriente Médio em meio ao conflito que já vitimou mais de 33 mil palestinos e cerca de 1,350 israelenses.

¨      Líder supremo do Irã diz que Israel caminha para 'declínio e dissolução'

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta quarta-feira (3) que Israel pagará o preço por ter atacado a embaixada iraniana em Damasco, que resultou na morte de sete oficiais do Exército de seu país, dois deles generais.

"Esforços desesperados como o que empreenderam na Síria não os salvarão da derrota. É claro que também serão esbofeteados por essa ação", disse o líder iraniano após o ataque israelense.

"A derrota do regime sionista [israelense] em Gaza continuará, e esse regime está perto do declínio e da dissolução", acrescentou Khamenei, em discurso público em Teerã.

O aiatolá também comentou que espera pelo dia em que "o mundo muçulmano possa celebrar a destruição de Israel".

Durante a noite da última segunda-feira (1º), o Ministério da Defesa sírio relatou um ataque aéreo da Força Aérea israelense contra a seção consular da Embaixada do Irã em Damasco, que matou pelo menos 11 pessoas.

O número de mortos inclui sete oficiais do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), incluindo o general Mohammad Reza Zahedi, comandante da Força Quds (unidade de elite do IRGC) na Síria e no Líbano, bem como o vice-comandante Mohammad Hadi Hajizadeh.

O Irã sustenta que o ataque foi realizado com aviões F-35 israelenses, que dispararam seis mísseis para destruir o edifício.

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, advertiu anteriormente que "o regime sionista deve ter em mente que não será capaz de alcançar os seus objetivos com medidas tão desumanas" e que Teerã responderá "na mesma moeda".

A Liga Árabe também condenou o ataque, chamando-o de "uma nova e grave violação por parte de Israel do direito internacional, em particular da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas".

Ø  Analista: EUA não podem fazer 'nada mais do que criar crises' para manter a sua hegemonia

Com múltiplas guerras por procuração em curso, uma dívida de US$ 34 trilhões (cerca de R$ 170,8 trilhões) e um mundo se virando contra ela, muitos começam a ver o que está escrito na parede: o império e o imperialismo dos EUA estão em declínio. Mas a forma como os EUA reagem a essa realidade determinará o destino da humanidade no século XXI.

A política externa norte-americana se tornou uma prática de "incompetência e tolice", disse o dr. Anthony Monteiro, ativista e acadêmico, à Sputnik na quarta-feira (3).

"O mundo está mudando", explicou Monteiro. "O império dos EUA e o imperialismo dos EUA estão em declínio. E não podem fazer mais nada além de criar crises onde não existiam."

Monteiro observou a política dos EUA em relação a Cuba, por exemplo, que resultou no isolamento dos EUA – e não de Cuba – do mundo, mas também destacou que isso faz parte de uma tendência mais ampla das políticas de isolacionismo dos EUA, mencionando Gaza, a "rápida desdolarização" do mundo e a sua intromissão na África. "No final das contas", postulou Monteiro, "tudo é uma manifestação de um império em declínio, do desmantelamento talvez, como disse Martin Luther King Jr. no seu famoso discurso, do maior fornecedor de violência no mundo".

"Estamos lidando com uma classe dominante que perdeu a cabeça, uma classe dominante que se tornou tão patológica que não [é] apenas um perigo para o resto da humanidade, mas também um perigo para si próprios e para esta nação", afirmou.

O analista observou ainda que o aumento da depressão e do suicídio é outro reflexo de um futuro cada vez mais sombrio para os EUA.

"Os [líderes] bagunçaram as coisas para o povo deste país porque nós, o povo, não vemos um futuro, ou uma saída para este dilema e os paradoxos produzidos pelas políticas internas e externas desta classe dominante", disse. "E temos que usar essa linguagem: a classe dominante. Temos que chamá-los pelo nome."

A elite é motivada por "ganhar dinheiro com gastos de guerra", disse Monteiro, acrescentando que "criar o caos" é a sua única estratégia para manter o que resta da hegemonia dos EUA, descrevendo a classe dominante como "um grupo de pessoas tão isoladas da humanidade que eles perderam a cabeça. Estas são pessoas que, em última análise, devem ser afastadas de qualquer instrumento de poder social, político e econômico no país. Eles são um perigo para a humanidade", concluiu.

 

Ø  Irã conseguiria atacar Israel? Saiba o que está em jogo na ameaça iraniana

 

Irã prometeu responder ao ataque aéreo de segunda-feira (1º) ao seu consulado em Damasco, na Síria – mas que capacidade o país tem para atacar Israel e como poderia ser essa retaliação?

Treze pessoas foram mortas, incluindo o brigadeiro-general Mohammad Reza Zahedi, uma figura importante da força Quds, o ramo estrangeiro da elite da Guarda Republicana do IrãIsrael não reivindicou o ataque.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "perdeu completamente o equilíbrio mental", disse o ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian, citado no site de seu ministério. Para Fawaz Gerges, professor de Relações Internacionais na London School of Economics, a escalada de violência foi concebida para mostrar ao mundo que o Irã é um "tigre de papel".

O ataque também provocou uma perda significativa para a força Quds, "que na verdade se destina à coordenação e à transferência de armas e tecnologia para o Hezbollah no Líbano e na Síria".

O braço militar do Hamas, as brigadas Qassam, disse que Zahedi teve um "papel proeminente" nos ataques do Hamas de 7 de outubro ao sul de Israel, que desencadearam a atual guerra em Gaza que ameaça se alastrar.

Irã negou ter participado no ataque, mas apoia o Hamas com financiamento, armas e treino. No entanto, as opções de retaliação do Irã pelo ataque a Damasco podem ser limitadas, disseram Gerges e outros especialistas ouvidos pela BBC.

"O Irã não é capaz de um grande confronto com Israel, dadas as suas capacidades militares e a sua situação econômica e política", disse Ali Sadrzadeh, autor e analista de assuntos do Oriente Médio. "Mas terá de encontrar uma resposta para o seu público interno e proteger a sua reputação entre os seus aliados regionais."

Gerges também disse que é pouco provável que o Irã faça uma retaliação direta contra Israel, "apesar de Israel ter realmente humilhado o Irã".

Em vez disso, o Irã provavelmente terá de exercer "paciência estratégica" para dar prioridade a um objetivo mais importante: fabricar uma bomba nuclear.

"O Irã está acumulando poder, enriquecendo urânio e fazendo progressos. E o grande prêmio para o Irã não é enviar 50 mísseis balísticos e matar 100 israelenses, mas estabelecer uma dissuasão estratégica, não só contra os israelenses, mas contra os EUA."

·        E o Hezbollah?

Desde que a campanha de Israel em Gaza começou, os ataques de mísseis e drones por milícias apoiadas pelo Irã na Síria, no Iraque, no Líbano e no Iêmen contra os interesses de Israel aumentaram, mas parecem ter limitado as suas ações para não provocarem Israel em uma guerra em grande escala.

"É difícil imaginar até mesmo um ataque contra uma missão diplomática israelense por forças 'por procuração' do Irã", disse Sadrzadeh.

No entanto, ele acredita que os atuais ataques da milícia Houthi apoiada pelo Irã contra navios no Mar Vermelho e no Golfo de Aden "muito provavelmente continuarão, especialmente contra navios que estão de alguma forma ligados a Israel ou aos EUA".

Hezbollah é uma das forças militares não estatais mais fortemente armadas do mundo — estimativas independentes sugerem que o grupo tem entre 20 mil e 50 mil combatentes, e muitos são bem treinados e experientes por conta de sua participação na guerra civil síria.

O grupo libanês apoiado pelo Irã tem um arsenal de cerca de 130 mil foguetes e mísseis, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

No entanto, os especialistas com quem a BBC conversou consideraram improvável que o grupo lance uma grande ofensiva contra Israel.

"O Hezbollah não quer cair na armadilha de Israel porque percebe que Benjamin Netanyahu e o seu gabinete de guerra estão tentando desesperadamente expandir a guerra", disse Gerges. "O futuro político de Benjamin Netanyahu depende da continuação da guerra em Gaza e da sua escalada nas frentes do norte com o Hezbollah e até mesmo com o próprio Irã."

·        Uma reação simbólica?

Sadrzadeh acredita que o Irã provavelmente terá uma reação "simbólica" em vez de arriscar uma guerra direta com Israel.

"O Irã é especialista na realização de ataques simbólicos como aquele em resposta ao assassinato do seu mais importante comandante militar, Qasem Soleimani", disse Sadrzadeh, referindo-se a um ataque com mísseis balísticos do Irã contra uma base aérea iraquiana onde estavam tropas americanas, uma semana depois de os EUA terem assassinado o general iraniano em Bagdá.

Apesar da promessa do Irã de "vingança severa", nenhum militar dos EUA na base foi morto e houve relatos de que os militares dos EUA tinham sido avisados com antecedência sobre os mísseis.

Yousof Azizi, da Escola de Assuntos Públicos e Internacionais da Virginia Tech, nos EUA, acredita que haverá uma luta nos bastidores no Irã entre aqueles que argumentam que o país deveria tentar se estabelecer como uma potência nuclear para impedir a agressão israelense e figuras mais agressivas que sugerem ataques diretos a Israel e às suas instalações militares.

Mas ele disse à BBC que uma análise de entrevistas à mídia estatal e de contas importantes nas redes sociais indica que a política de "paciência estratégica" provavelmente prevalecerá.

·        Quais outros caminhos estão abertos aos iranianos?

"Não podemos excluir que talvez o Irã possa usar o ciberespaço como outra dimensão para se vingar de Israel, seja para realizar ataques cibernéticos à tecnologia da informação, para paralisar, para roubar, para vazar informações, ou para tentar distrair", diz Tal Pavel, do Instituto Israelense de Estudos de Política Cibernética, à BBC.

"Sabemos que durante a última década e meia, há uma guerra cibernética clandestina em curso entre o Irã e Israel. Portanto, neste caso, pode ser apenas mais uma etapa disso", disse ele.

Caberá ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, decidir quais as medidas que Teerã irá tomar.

 

Ø  Mundo passou do pós-guerra para o pré-guerra, afirma secretário de Defesa britânico

 

O secretário de Defesa do Reino Unido, Grant Shapps, disse que o mundo passou da era pós-guerra para a era pré-guerra, instando os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a pensarem sobre o futuro da aliança.

"Hoje temos de pensar urgentemente mais uma vez no futuro da aliança. Passamos de um mundo pós-guerra para um mundo pré-guerra", disse ele em uma coluna publicada pelo jornal The Telegraph.

Shapps listou medidas para proteger a democracia e a aliança, incluindo redobrar esforços para apoiar a Ucrânia, aumentar os gastos com defesa dos membros da OTAN e fortalecer o setor de defesa euroatlântico. A situação em que alguns aliados são incapazes de gastar 2% do produto interno bruto (PIB) na defesa não pode continuar porque a OTAN "não pode se dar ao luxo de jogar à roleta russa com o nosso futuro".

Entre outras coisas, o secretário de Defesa disse que o enredo do famoso romance distópico "1984" de George Orwell se passou em um mundo sem OTAN, mas hoje é um momento ainda mais perigoso.

Shapps disse também que o Reino Unido "sempre foi um dos principais impulsionadores da OTAN" e está orgulhoso disso.

Ninguém menos que Londres se esforçou para atiçar as chamas do conflito ucraniano, e estes "avisos" hipócritas não são nenhuma surpresa. Estes esforços vão desde o fracasso das tentativas do ex-primeiro-ministro Boris Johnson para chegar a um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia na primavera (Hemisfério Norte) de 2022, até o envio pelo governo britânico de bilhões de dólares em armas letais e não letais para lá.

Moscou tem afirmado repetidamente que Londres está privando Kiev da oportunidade de pôr fim ao conflito através de negociações, utilizando o país como uma "ferramenta geopolítica contra a Rússia". O cerco à Rússia pelo bloco está em pleno andamento há décadas.

Depois de uma ampla expansão pós-Guerra Fria, em violação à promessa do Ocidente de não se aproximar das fronteiras da Rússia, a aliança absorveu recentemente a Finlândia e a Suécia em 2023 e 2024, respectivamente. Em março, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse à Sputnik que as atividades do bloco no Leste Europeu e na região do mar Negro faziam parte dos preparativos para um possível conflito com Moscou.

 

Fonte: Sputnik Brasil/BBC News Mundo

 

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