Em mudança brusca, Biden pede cessar-fogo
imediato a Netanyahu ameaçando 'alterar' políticas
Estados Unidos
emitiram sua mais forte repreensão pública a Israel desde o início da guerra
com o Hamas, alertando que a política dos EUA em Gaza será determinada
futuramente pela adoção ou não de medidas para proteção de civis e
trabalhadores por parte do governo Netanyahu.
Nesta quinta-feira
(4), em um telefonema de 30 minutos entre o presidente Joe Biden e o premiê
Benjamin Netanyahu, Biden pediu um cessar-fogo imediato na região e apelou a
Israel "para concluir um acordo sem demora" com o Hamas.
O presidente
"deixou claro que a política dos EUA em relação a Gaza será determinada
pela nossa avaliação da ação imediata de Israel nestas medidas. Sublinhou que
um cessar-fogo imediato é essencial para estabilizar e melhorar a situação
humanitária e proteger civis inocentes, e instou o primeiro-ministro a
capacitar os seus negociadores para concluir sem demora um acordo para trazer
os reféns para casa", afirmou a Casa Branca no seu comunicado sobre o
telefonema.
No entanto, mesmo que
Washington pressione Tel Aviv para acabar com o conflito, os Estados Unidos
concederam nova aprovação esta semana para a transferência de milhares de
bombas adicionais para Israel.
Um funcionário da
administração Biden ouvido pela Reuters disse que a transferência aprovada
inclui 1.000 bombas MK82 de 500 libras, mais de 1.000 bombas de pequeno
diâmetro e fusíveis para bombas MK80, "embora elas não sejam entregues até
pelo menos no próximo ano", afirmou o funcionário nesta quinta-feira (4).
Mesmo com a mudança de
tom da liderança norte-americana, os EUA continuam a fornecer armas ao seu
maior aliado no Oriente Médio em meio ao conflito que já vitimou mais de 33 mil
palestinos e cerca de 1,350 israelenses.
¨
Líder supremo do Irã diz que Israel caminha
para 'declínio e dissolução'
O líder supremo do
Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta quarta-feira (3) que Israel pagará o
preço por ter atacado a embaixada iraniana em Damasco, que resultou na morte de
sete oficiais do Exército de seu país, dois deles generais.
"Esforços
desesperados como o que empreenderam na Síria não os salvarão da derrota. É
claro que também serão esbofeteados por essa ação", disse o líder iraniano
após o ataque israelense.
"A derrota do
regime sionista [israelense] em Gaza continuará, e esse regime está perto do
declínio e da dissolução", acrescentou Khamenei, em discurso público em
Teerã.
O aiatolá também
comentou que espera pelo dia em que "o mundo muçulmano possa celebrar a
destruição de Israel".
Durante a noite da
última segunda-feira (1º), o Ministério da Defesa sírio relatou um ataque aéreo
da Força Aérea israelense contra a seção consular da Embaixada do Irã em
Damasco, que matou pelo menos 11 pessoas.
O número de mortos
inclui sete oficiais do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na
sigla em inglês), incluindo o general Mohammad Reza Zahedi, comandante da Força
Quds (unidade de elite do IRGC) na Síria e no Líbano, bem como o
vice-comandante Mohammad Hadi Hajizadeh.
O Irã sustenta que o
ataque foi realizado com aviões F-35 israelenses, que dispararam seis mísseis
para destruir o edifício.
O presidente iraniano,
Ebrahim Raisi, advertiu anteriormente que "o regime sionista deve ter em
mente que não será capaz de alcançar os seus objetivos com medidas tão
desumanas" e que Teerã responderá "na mesma moeda".
A Liga Árabe também
condenou o ataque, chamando-o de "uma nova e grave violação por parte de
Israel do direito internacional, em particular da Convenção de Viena sobre
Relações Diplomáticas".
Ø Analista: EUA não podem fazer 'nada mais do que criar crises'
para manter a sua hegemonia
Com múltiplas guerras
por procuração em curso, uma dívida de US$ 34 trilhões (cerca de R$ 170,8
trilhões) e um mundo se virando contra ela, muitos começam a ver o que está
escrito na parede: o império e o imperialismo dos EUA estão em declínio. Mas a
forma como os EUA reagem a essa realidade determinará o destino da humanidade
no século XXI.
A política externa
norte-americana se tornou uma prática de "incompetência e tolice",
disse o dr. Anthony Monteiro, ativista e acadêmico, à Sputnik na quarta-feira
(3).
"O mundo está
mudando", explicou Monteiro. "O império dos EUA e o imperialismo dos
EUA estão em declínio. E não podem fazer mais nada além de criar crises onde
não existiam."
Monteiro observou a
política dos EUA em relação a Cuba, por exemplo, que resultou no isolamento dos
EUA – e não de Cuba – do mundo, mas também destacou que isso faz parte de uma
tendência mais ampla das políticas de isolacionismo dos EUA, mencionando Gaza,
a "rápida desdolarização" do mundo e a sua intromissão na África.
"No final das contas", postulou Monteiro, "tudo é uma
manifestação de um império em declínio, do desmantelamento talvez, como disse
Martin Luther King Jr. no seu famoso discurso, do maior fornecedor de violência
no mundo".
"Estamos lidando
com uma classe dominante que perdeu a cabeça, uma classe dominante que se
tornou tão patológica que não [é] apenas um perigo para o resto da humanidade,
mas também um perigo para si próprios e para esta nação", afirmou.
O analista observou
ainda que o aumento da depressão e do suicídio é outro reflexo de um futuro
cada vez mais sombrio para os EUA.
"Os [líderes]
bagunçaram as coisas para o povo deste país porque nós, o povo, não vemos um
futuro, ou uma saída para este dilema e os paradoxos produzidos pelas políticas
internas e externas desta classe dominante", disse. "E temos que usar
essa linguagem: a classe dominante. Temos que chamá-los pelo nome."
A elite é motivada por
"ganhar dinheiro com gastos de guerra", disse Monteiro, acrescentando
que "criar o caos" é a sua única estratégia para manter o que resta
da hegemonia dos EUA, descrevendo a classe dominante como "um grupo de
pessoas tão isoladas da humanidade que eles perderam a cabeça. Estas são
pessoas que, em última análise, devem ser afastadas de qualquer instrumento de
poder social, político e econômico no país. Eles são um perigo para a
humanidade", concluiu.
Ø Irã conseguiria atacar Israel? Saiba o que está em jogo na
ameaça iraniana
O Irã prometeu responder ao ataque aéreo de segunda-feira (1º) ao seu consulado em
Damasco, na Síria – mas que capacidade o
país tem para atacar Israel e como poderia ser essa retaliação?
Treze pessoas foram
mortas, incluindo o brigadeiro-general Mohammad Reza Zahedi, uma figura
importante da força Quds, o ramo estrangeiro
da elite da Guarda Republicana do Irã. Israel não reivindicou o ataque.
O primeiro-ministro
israelense, Benjamin Netanyahu,
"perdeu completamente o equilíbrio mental", disse o ministro das
Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian, citado no site de seu
ministério. Para Fawaz Gerges, professor de Relações Internacionais na London
School of Economics, a escalada de violência foi concebida para mostrar ao
mundo que o Irã é um "tigre de papel".
O ataque também
provocou uma perda significativa para a força Quds, "que na verdade se
destina à coordenação e à transferência de armas e tecnologia para o Hezbollah
no Líbano e na Síria".
O braço militar do
Hamas, as brigadas Qassam, disse que Zahedi teve um "papel
proeminente" nos ataques do Hamas de 7 de outubro ao sul de Israel, que desencadearam a atual guerra em Gaza que ameaça se
alastrar.
O Irã negou ter participado no ataque, mas apoia o Hamas com
financiamento, armas e treino. No entanto, as opções de retaliação
do Irã pelo ataque a Damasco podem ser
limitadas, disseram Gerges e outros especialistas ouvidos pela BBC.
"O Irã não é capaz de um grande confronto com Israel, dadas as suas capacidades militares e a sua situação econômica
e política", disse Ali Sadrzadeh, autor e analista de assuntos do Oriente
Médio. "Mas terá de encontrar uma resposta para o seu público interno e
proteger a sua reputação entre os seus aliados regionais."
Gerges também disse
que é pouco provável que o Irã faça uma retaliação direta contra Israel, "apesar de Israel ter realmente humilhado o Irã".
Em vez disso, o Irã provavelmente terá de exercer "paciência
estratégica" para dar prioridade a um objetivo mais importante: fabricar
uma bomba nuclear.
"O Irã está acumulando poder, enriquecendo urânio e fazendo
progressos. E o grande prêmio para o Irã não é enviar 50 mísseis balísticos e matar 100
israelenses, mas estabelecer uma dissuasão estratégica, não só contra os
israelenses, mas contra os EUA."
·
E o Hezbollah?
Desde que a campanha
de Israel em Gaza começou, os ataques de
mísseis e drones por milícias apoiadas pelo Irã na Síria, no Iraque, no Líbano e no Iêmen contra os
interesses de Israel aumentaram, mas parecem ter limitado
as suas ações para não provocarem Israel em uma guerra em grande escala.
"É difícil
imaginar até mesmo um ataque contra uma missão diplomática israelense por
forças 'por procuração' do Irã", disse Sadrzadeh.
No entanto, ele
acredita que os atuais ataques da milícia Houthi apoiada pelo Irã contra navios no Mar Vermelho e no Golfo de Aden
"muito provavelmente continuarão, especialmente contra navios que estão de
alguma forma ligados a Israel ou aos EUA".
O Hezbollah é uma das forças militares não estatais mais
fortemente armadas do mundo — estimativas independentes
sugerem que o grupo tem entre 20 mil e 50 mil combatentes, e muitos são
bem treinados e experientes por conta de sua participação na guerra civil
síria.
O grupo libanês
apoiado pelo Irã tem um arsenal de cerca de 130
mil foguetes e mísseis, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e
Internacionais.
No entanto, os
especialistas com quem a BBC conversou consideraram improvável que o grupo
lance uma grande ofensiva contra Israel.
"O Hezbollah não
quer cair na armadilha de Israel porque percebe que Benjamin Netanyahu e o
seu gabinete de guerra estão tentando desesperadamente expandir a guerra",
disse Gerges. "O futuro político de Benjamin Netanyahu depende
da continuação da guerra em Gaza e da sua escalada nas frentes do norte com o
Hezbollah e até mesmo com o próprio Irã."
·
Uma reação simbólica?
Sadrzadeh acredita que
o Irã provavelmente terá uma reação
"simbólica" em vez de arriscar uma guerra direta com Israel.
"O Irã é especialista na realização de ataques simbólicos como
aquele em resposta ao assassinato do seu mais importante comandante militar,
Qasem Soleimani", disse Sadrzadeh, referindo-se a um ataque com mísseis
balísticos do Irã contra uma base aérea iraquiana onde
estavam tropas americanas, uma semana depois de os EUA terem assassinado o
general iraniano em Bagdá.
Apesar da promessa do Irã de "vingança severa", nenhum militar dos EUA na base foi morto e houve relatos de
que os militares dos EUA tinham sido avisados com antecedência sobre os
mísseis.
Yousof Azizi, da
Escola de Assuntos Públicos e Internacionais da Virginia Tech, nos EUA,
acredita que haverá uma luta nos bastidores no Irã entre aqueles que argumentam que o país deveria tentar se
estabelecer como uma potência nuclear para impedir a agressão israelense e
figuras mais agressivas que sugerem ataques diretos a Israel e às suas instalações militares.
Mas ele disse à BBC
que uma análise de entrevistas à mídia estatal e de contas importantes nas
redes sociais indica que a política de "paciência estratégica"
provavelmente prevalecerá.
·
Quais outros caminhos estão abertos aos
iranianos?
"Não podemos
excluir que talvez o Irã possa usar o ciberespaço como outra
dimensão para se vingar de Israel, seja para realizar ataques cibernéticos à tecnologia da
informação, para paralisar, para roubar, para vazar informações, ou para tentar
distrair", diz Tal Pavel, do Instituto Israelense de Estudos de Política
Cibernética, à BBC.
"Sabemos que
durante a última década e meia, há uma guerra cibernética clandestina em curso
entre o Irã e Israel. Portanto, neste caso, pode ser apenas mais uma etapa
disso", disse ele.
Caberá ao líder
supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, decidir quais as
medidas que Teerã irá tomar.
Ø
Mundo passou do pós-guerra para o
pré-guerra, afirma secretário de Defesa britânico
O secretário de Defesa
do Reino Unido, Grant Shapps, disse que o mundo passou da era pós-guerra para a
era pré-guerra, instando os aliados da Organização do Tratado do Atlântico
Norte (OTAN) a pensarem sobre o futuro da aliança.
"Hoje temos de
pensar urgentemente mais uma vez no futuro da aliança. Passamos de um mundo
pós-guerra para um mundo pré-guerra", disse ele em uma coluna publicada
pelo jornal The Telegraph.
Shapps listou medidas
para proteger a democracia e a aliança, incluindo redobrar esforços para apoiar
a Ucrânia, aumentar os gastos com defesa dos membros da OTAN e fortalecer o
setor de defesa euroatlântico. A situação em que alguns aliados são incapazes
de gastar 2% do produto interno bruto (PIB) na defesa não pode continuar porque
a OTAN "não pode se dar ao luxo de jogar à roleta russa com o nosso
futuro".
Entre outras coisas, o
secretário de Defesa disse que o enredo do famoso romance distópico
"1984" de George Orwell se passou em um mundo sem OTAN, mas hoje é um
momento ainda mais perigoso.
Shapps disse também
que o Reino Unido "sempre foi um dos principais impulsionadores da
OTAN" e está orgulhoso disso.
Ninguém menos que
Londres se esforçou para atiçar as chamas do conflito ucraniano, e estes
"avisos" hipócritas não são nenhuma surpresa. Estes esforços vão
desde o fracasso das tentativas do ex-primeiro-ministro Boris Johnson para
chegar a um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia na primavera (Hemisfério
Norte) de 2022, até o envio pelo governo britânico de bilhões de dólares em
armas letais e não letais para lá.
Moscou tem afirmado
repetidamente que Londres está privando Kiev da oportunidade de pôr fim ao
conflito através de negociações, utilizando o país como uma "ferramenta
geopolítica contra a Rússia". O cerco à Rússia pelo bloco está em pleno
andamento há décadas.
Depois de uma ampla
expansão pós-Guerra Fria, em violação à promessa do Ocidente de não se
aproximar das fronteiras da Rússia, a aliança absorveu recentemente a Finlândia
e a Suécia em 2023 e 2024, respectivamente. Em março, o Ministério das Relações
Exteriores da Rússia disse à Sputnik que as atividades do bloco no Leste
Europeu e na região do mar Negro faziam parte dos preparativos para um possível
conflito com Moscou.
Fonte: Sputnik Brasil/BBC
News Mundo

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