segunda-feira, 8 de abril de 2024

Demência: risco cai com hábitos como jogar xadrez

Um estudo publicado na revista científica Jama mostrou que hábitos que estimulem a mente, como escrever cartas, ter aulas, jogar xadrez, palavra cruzada ou montar quebra-cabeças, podem reduzir o risco de demência em até 11% na velhice.

A pesquisa analisou 10.318 australianos saudáveis acima de 70 anos. A seleção considerou que os participantes não apresentassem comprometimento cognitivo no momento em que fizeram a inscrição no estudo, entre março de 2010 e dezembro de 2014.

Os pesquisadores analisaram os dados a partir do fim do ano passado considerando os riscos de demência em dez anos desde o início do estudo. Os cientistas isolaram outras variáveis como educação, nível socioeconômico, e outros aspectos de saúde.

De acordo com a pesquisa da American Medical Association, aqueles idosos que frequentemente escreviam cartas ou escreviam no diário, usavam o computador e assistiam a aulas apresentaram um risco 11% menor de desenvolver demência. Já aqueles que frequentemente jogavam xadrez, baralho, faziam palavra cruzada e montavam quebra-cabeças apresentaram um risco 9% menor de demência.

“Esses resultados sugerem que o engajamento no letramento de adultos, arte criativa e atividades mentais ativas e passivas podem ajudar a reduzir o risco de demência na terceira idade”, diz a pesquisa.

Os pesquisadores citam que, em 2022, 55 milhões de pessoas apresentavam demência em todo o mundo. A estimativa é de que, a cada ano, cerca de 10 milhões de novos casos sejam identificados.

Os responsáveis pela pesquisa indicam que adotar hábitos que estimulem a mente desde a infância contribuem para reduzir a prevalência da doença. Nesse sentido, a educação infantil tem um impacto positivo considerável.

PEQUENOS HÁBITOS

O estudo destaca ainda que a adoção de pequenos hábitos mentalmente estimulantes na velhice é um fator que pode alterar significativamente as perspectivas. “Para os mais velhos, o enriquecimento do estilo de vida pode ser particularmente importante, porque pode ajudar a prevenir a demência por meio de modificações nas rotinas diárias.”

ALTA DE ÓBITOS

Um levantamento inédito feito pelo Estadão com base em dados do portal Datasus, do Ministério da Saúde, revelou em maio que entre 2012 e 2022 o total de óbitos associados a demências aumentou 107% no País, passando de 15,6 mil para 32,4 mil – o equivalente a quase quatro mortes por hora.

 

                                            Estes são os 8 fatores mais associados ao risco de demência, segundo estudo

 

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) projetam uma tendência considerável de aumento casos de demência até 2050. 

Especialistas trabalham com um porcentagem de crescimento de até 150% dos casos e levam em conta, sobretudo, o envelhecimento da população, que pode gerar uma verdadeira epidemia de diagnósticos relacionados ao declínio cognitivo.

Entretanto, estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, nos Reino Unido, indica a possibilidade de um caminho para a prevenção desse cenário através de mudanças em hábitos cotidianos.

Para chegar a esse consenso, o grupo considerou os principais fatores de risco associados à demência, o que levou a crer que 40% dos casos da doença estão ligados a hábitos modificáveis. Os dados para a análise vieram de dois estudos de longa duração, o UK Biobank e o Whitehall II Study, e envolveu mais de 223,7 mil participantes entre 50 e 73 anos.

Apesar de os fatores de risco para demência já serem de conhecimento da ciência, o estudo investigou a relação desses fatores com a incidência de casos da doença.

O resultado mostrou 11 fatores associados a um maior risco para demência nos 14 anos seguintes. Desses, 8 indicadores podem ser mudados, sugerindo que é possível intervir para reduzir o risco.

<<<< Demência: a lista de fatores modificáveis inclui:

•                                             Educação;

•                                             Histórico e diabetes;

•                                             Histórico (ou situação atual) de depressão;

•                                             Histórico de AVC;

•                                             Classe socioeconômica mais baixa;

•                                             Colesterol alto;

•                                             Viver sozinho;

•                                             Pressão alta.

<<< Propensão à demência

Para entender a relação entre os fatores e a demência, o time de pesquisadores de Oxford desenvolveu uma pontuação de risco com base nesses fatores. A medição auxiliou na identificação de indivíduos mais vulneráveis à demência para um acompanhamento médico mais específico.

O principal autor do estudo, Raihaan Patel, enfatiza que essa descoberta pode auxiliar na prevenção da doença em muitos casos. Reconhecer os fatores de risco possibilita aos profissionais de saúde identificarem pessoas com maior vulnerabilidade e desenvolverem estratégias eficazes de intervenção.

Prevenir demência é possível

Embora a pesquisa não sugira que a mudança nesses fatores de risco erradicará a demência, ela reafirma a noção de que a prevenção é possível em muitos casos. O conhecimento desses fatores de risco pode ajudar os profissionais de saúde a identificar pessoas em maior risco e a desenvolver estratégias eficazes de intervenção.

 

                                            Alterações do sono profundo podem aumentar o risco de Alzheimer

 

Um declínio de apenas 1% no sono profundo anualmente, em pessoas com idade superior a 60 anos, pode resultar em um aumento de 27% no risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer. É o que aponta publicação recente divulgada na aclamada revista médica JAMA Neurology.

Em busca de maior compreensão sobre a doença degenerativa, o estudo avaliou a saúde do sono de 346 participantes ao longo de períodos dos anos 1995 a 1998 e 2001 a 2003, com um acompanhamento estendido até 2018.

Os resultados indicaram uma perda gradual na quantidade de sono profundo e a ocorrência de 52 casos de Alzheimer em seguida, evidências que levaram à suspeita de estreita relação entre essas duas condições.

•                                             Qual a relação entre alterações do sono profundo e o Alzheimer?

O sono profundo está relacionado a diversos indicativos sobre a saúde do cérebro e seu constante envelhecimento.  Isso inclui, por exemplo, a maximização da eliminação de subprodutos metabólicos cerebrais e facilita a remoção de proteínas que tendem a se acumular durante o desenvolvimento do Alzheimer. Por isso, esta nova percepção sugere que a deterioração do sono pode ser um dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

Esta, no entanto, não é a primeira vez que a relação entre os dois fatores se torna objeto de estudo científico. Pesquisa publicada na Plos Genetics em 2022 também trouxe evidências de que a má qualidade do sono pode contribuir para o surgimento do Alzheimer.

De acordo com os resultados, pacientes com Alzheimer costumam apresentar distúrbios do sono anos antes do diagnóstico da doença, indicando que a manutenção de bons hábitos de sono pode ser uma estratégia viável de prevenção.

•                                             E os cochilos diurnos…

Por outro lado, um estudo publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia trouxe um alerta inverso: tirar vários cochilos ao longo do dia também pode elevar o risco de Alzheimer. O aumento de tais cochilos ao longo dos anos pode indicar uma progressão silenciosa da doença, ressaltando a importância de estar atento aos padrões de sono dos idosos para manter um monitoramento contínuo de sua saúde.

 

Fonte: IstoÉ/Catraca Livre/Agencia Estado

 

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