Brasil sofre ataques cibernéticos todos os
dias, diz secretário executivo do GSI
O secretário executivo
do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), general Ivan de Sousa Corrêa Filho, afirmou nesta quinta-feira (4)
que é "inexorável" que o Brasil sofra ataques cibernéticos diariamente.
Ele exemplificou que o
método "mais eficiente, barato e menos arriscado de atacar uma
infraestrutura" está relacionado com o ataque a redes cibernéticas.
"Outro método seria o ataque direto a infraestruturas, o que é mais
arriscado."
O secretário executivo
destacou a interdependência de diferentes setores como uma das dificuldades
para garantir segurança em solo nacional. Ele citou o apagão de 2020 no Amapá
como exemplo, onde diversos serviços ficaram comprometidos devido a falhas na
infraestrutura energética. "Praticamente, por conta de uma infraestrutura
crítica, praticamente todas pararam de funcionar."
À Sputnik Brasil, ele
destacou que o Brasil "é uma das nações que tem o governo, os serviços
públicos, mais digitalizados do mundo". "O problema é que você tem
que cuidar para que isso continue funcionando. A gente aumenta a nossa superfície
de ataque, para ser atacada, mas é inexorável, não tem como evitar."
"É positivo e nós
temos que continuar trabalhando nesse sentido. Nós estamos indo bem nessa área
de segurança. A gente está conseguindo manter um sistema robusto. Sofremos
ataques todos os dias, não tem dúvida nisso, mas estamos conseguindo ser resilientes
e manter o sistema funcionando, apesar dos ataques. É uma tarefa interessante
até por isso, porque é um desafio novo todo dia."
O militar destacou
também que é importante que haja uma infraestrutura de proteção feita pelo
governo federal, incluindo inteligência artificial e sistemas automatizados,
mas que "a maior parte tem que ser feita pelas empresas". "É
mais barato do que ter todos seus HDs criptografados e pedir resgate num ataque
de ransomware. O prejuízo é maior do que você vai ter que investir para
resolver o problema."
"Outro caminho é
buscar melhorar o acompanhamento dinâmico de riscos. Você vincular uma estiagem
a um problema na hidrelétrica é relativamente fácil. Tem outros riscos
interrelacionados que não são simples. Pensar que se uma estrada estadual, que
chega em Angra dos Reis [RJ], cair uma barreira, pode afetar uma usina, não é
algo tão instintivo de se racionalizar."
Corrêa Filho esteve
nesta quinta-feira (4) em São Paulo (SP), durante a LAAD Security & Defence
2024, maior feira do setor em toda América Latina, onde debateu a importância
da segurança da informação.
Ele também explicou
que o GSI trabalha de forma colaborativa, com outros órgãos e ministérios, de
forma a proteger a segurança cibernética brasileira.
¨ Celso Amorim e 'número 2' do GSI de Lula vão a Rússia para
debater assuntos de segurança
Celso Amorim, assessor
para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o
secretário-executivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Ivan
de Sousa Corrêa Filho, representarão o Brasil em uma reunião sobre assuntos de
segurança na Rússia.
O segundo nome mais
importante do GSI — atrás apenas do ministro-chefe, Marcos Antonio Amaro dos
Santos — estará na XII Reunião Internacional de Altos Funcionários Responsáveis
por Questões de Segurança, em São Petesburgo, entre os dias 20 e 27 de abril,
conforme publicou o governo federal.
Em outra publicação
feita no Diário Oficial da União, foi informado que o assessor para assuntos
internacionais do presidente, Celso Amorim, também visitará a cidade, além de
Moscou, para encontro com autoridades russas, e Berlim, em encontro com autoridades
alemãs.
Questionado pela
Sputnik Brasil sobre as expectativas para o encontro e quais temas devem ser
debatidos, o general Corrêa Filho afirmou que se trata de um "fórum de
discussão".
"Nós vamos lá
para colocar a posição brasileira nos assuntos propostos pelo fórum. Dentro
deles, a segurança da informação."
Segundo ele, a última
edição, realizada em 2023, também em território russo, reuniu quase 200 países,
incluindo o Brasil.
Corrêa Filho esteve
nesta quinta-feira (4) em São Paulo, onde participou da LAAD Security &
Defence 2024, maior feira de segurança e defesa da América Latina. Ele debateu
a importância da segurança da informação.
Ø
Itamaraty revoga política da gestão
Bolsonaro na ONU e apoia texto contra envio de armas a Israel
Em outubro do ano
passado, o Brasil foi novamente eleito para ser um dos membros do Conselho de
Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (CDH), pelo período de 2024 a
2026. Esse será o sexto mandato do país como integrante do órgão.
Em uma de suas
primeiras medidas, o Brasil como membro do conselho no governo Lula vai
reverter o posicionamento que havia sido adotado por Jair Bolsonaro em
resoluções propostas sobre a situação palestina e até aderir a um novo texto
condenando Israel, relata a coluna de Jamil Chade no UOL.
O colunista relembra
que três textos sobre a situação na região são anualmente apresentados e se
referem à ocupação israelense, ao direito à autodeterminação dos palestinos e
ao contexto sobre as colinas de Golã.
No entanto, na votação
que acontece nesta sexta-feira (5), a novidade é uma nova resolução que pede a
governos estrangeiros que deixem de fornecer armas para Israel.
O texto condena
"o uso de armas explosivas com efeitos de área ampla por Israel", o
uso da fome como arma de guerra e exige que Israel "cumpra sua
responsabilidade legal de evitar o genocídio". O projeto de resolução foi
apresentado pelo Paquistão em nome de 55 países da Organização de Cooperação
Islâmica.
No texto, obtido pela
mídia, os governos pedem que todos os Estados "[…] cessem a venda, a
transferência e o desvio de armas, munições e outros equipamentos militares
para Israel, a potência ocupante, a fim de evitar novas violações do direito
humanitário internacional e violações e abusos dos direitos humanos, e a se
absterem […] da exportação, venda ou transferência de bens e tecnologias de
vigilância e armas menos letais, incluindo itens de 'uso duplo' […]".
Ao longo dos anos, o
Itamaraty sempre apoiou essas resoluções, mas isso mudou radicalmente em 2019,
quando começou o governo de Jair Bolsonaro, uma vez que o Brasil passou a votar
contra as propostas ou a se abster.
A ligação do
ex-presidente e aliados com Israel é notória até os dias atuais. Na semana
passada, Bolsonaro pediu seu passaporte ao ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF), Alexandre de Moraes, para atender a um convite feito pelo premiê
Benjamin Netanyahu para uma visita a Tel Aviv.
Agora, segundo fontes
do Itamaraty, o Brasil voltará a votar pela aprovação dos textos, fortemente
apoiado por países em desenvolvimento. A medida deve ampliar ainda a distância
entre os governos brasileiro e israelense, que já vivem um mal-estar por conta
dos posicionamentos do embaixador de Israel em Brasília e dos comentários do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o conflito em Gaza.
Em outra resolução, o
Itamaraty apoiará, segundo a mídia, a "reafirmação ao direito inalienável,
permanente e irrestrito do povo palestino à autodeterminação, incluindo seu
direito de viver em liberdade, justiça e dignidade e o direito ao seu Estado
independente da Palestina".
·
Pressão sobre armas no Reino Unido
Assim como a resolução
da ONU, três ex-juízes da Suprema Corte do Reino Unido se uniram a mais de 600
membros da profissão jurídica britânica para pedir ao governo que suspenda as
vendas de armas a Israel, dizendo que isso poderia tornar Londres cúmplice do
genocídio em Gaza, escreve a Reuters.
"O fornecimento
de assistência militar e material a Israel pode tornar o Reino Unido cúmplice
do genocídio, bem como de graves violações do Direito Internacional
Humanitário. O direito internacional consuetudinário reconhece no conceito de
'ajudar e prestar assistência' um ato ilícito internacional", disseram os
juízes e advogados em uma carta de 17 páginas.
O Reino Unido vende
dispositivos explosivos, fuzis de assalto e aeronaves militares para Israel,
mas é um fornecedor relativamente pequeno quando comparado aos Estados Unidos.
Ø
Integrar estados e forças é vital para
combater crime organizado no país, diz tenente-coronel da PM
Nesta quarta-feira
(3), durante o segundo dia da LAAD Security & Defence 2024, realizada em
São Paulo, o coordenador do Centro Integrado de Inteligência da Região Sudeste
(CIISPR-SE), tenente-coronel Roberto Luís Gonzaga dos Anjos, defendeu a integração
entre estados brasileiros e forças de segurança pública para combater o crime
organizado.
Segundo o agente da
Polícia Militar do Rio de Janeiro, é preciso que haja uma "integração de
dados", de forma a conectar diferentes unidades federativas em um mesmo
objetivo.
Durante o seminário no
evento, Anjos afirmou que facções criminosas já têm uma integração estadual,
com membros baseados em diferentes localidades do território brasileiro, o que
dificulta o combate a tais organizações. "Essa integração é possível e tem
um potencial muito grande. É só as agências de inteligência descobrirem e
usarem."
O CIISPR-SE é
coordenado pelo Ministério da Justiça de Segurança Pública e reúne
representantes das forças de segurança paulista e dos estados do Rio de
Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais para a "realização de trabalho
conjunto no combate a crimes violentos e organizado".
A rede foi uma
parceria criada em 2018, culminando na criação de centros integrados em
diferentes regiões do Brasil. Segundo Anjos, o principal objetivo é integrar
bancos de dados compartilhados para produzir conhecimento de inteligência e
fornecer informações úteis aos gestores de segurança pública.
"A busca é
justamente isto: integrar as instituições de segurança pública, tanto federais
quanto estaduais quanto municipais, dando um retorno, produzindo conhecimento
de inteligência […]. O objetivo principal é integrar bancos de dados,
compartilhados, sendo utilizados em prol da segurança pública, com a
consequência principal que é o bem-estar da sociedade", disse à Sputnik
Brasil.
Questionado sobre o
papel do centro no contexto das fronteiras e do combate às facções criminosas,
ele ressaltou a atuação do Centro Integrado de Operações e Fronteiras (CIOF),
que realiza consultas contínuas em bancos de dados para obter informações sobre
indivíduos, veículos e movimentações na região fronteiriça, incluindo mandados
de prisão.
"Essa célula
trabalha continuamente na busca de informações, por meio dos bancos de dados
disponíveis pela rede, de informações sobre indivíduos, veículos e, em forma
geral, a tramitação na fronteira, entrada e saída nas fronteiras. Essas
consultas são contínuas, principalmente em relação a mandados de prisão de
indivíduos, e já tivemos resultados muito positivos com relação a isso."
Sobre a integração da
Carteira de Identidade Nacional (CIN), que substituirá o Registro Geral (RG) —
e terá um sistema de identificação integrado em todo Brasil —, ele é otimista,
acreditando que a nova forma de identificação poderá facilitar o acesso às
informações dos cidadãos, contribuindo para a segurança pública de forma geral.
Fonte: Sputnik Brasil

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