sexta-feira, 5 de abril de 2024

Brasil sofre ataques cibernéticos todos os dias, diz secretário executivo do GSI

O secretário executivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), general Ivan de Sousa Corrêa Filho, afirmou nesta quinta-feira (4) que é "inexorável" que o Brasil sofra ataques cibernéticos diariamente.

Ele exemplificou que o método "mais eficiente, barato e menos arriscado de atacar uma infraestrutura" está relacionado com o ataque a redes cibernéticas. "Outro método seria o ataque direto a infraestruturas, o que é mais arriscado."

O secretário executivo destacou a interdependência de diferentes setores como uma das dificuldades para garantir segurança em solo nacional. Ele citou o apagão de 2020 no Amapá como exemplo, onde diversos serviços ficaram comprometidos devido a falhas na infraestrutura energética. "Praticamente, por conta de uma infraestrutura crítica, praticamente todas pararam de funcionar."

À Sputnik Brasil, ele destacou que o Brasil "é uma das nações que tem o governo, os serviços públicos, mais digitalizados do mundo". "O problema é que você tem que cuidar para que isso continue funcionando. A gente aumenta a nossa superfície de ataque, para ser atacada, mas é inexorável, não tem como evitar."

"É positivo e nós temos que continuar trabalhando nesse sentido. Nós estamos indo bem nessa área de segurança. A gente está conseguindo manter um sistema robusto. Sofremos ataques todos os dias, não tem dúvida nisso, mas estamos conseguindo ser resilientes e manter o sistema funcionando, apesar dos ataques. É uma tarefa interessante até por isso, porque é um desafio novo todo dia."

O militar destacou também que é importante que haja uma infraestrutura de proteção feita pelo governo federal, incluindo inteligência artificial e sistemas automatizados, mas que "a maior parte tem que ser feita pelas empresas". "É mais barato do que ter todos seus HDs criptografados e pedir resgate num ataque de ransomware. O prejuízo é maior do que você vai ter que investir para resolver o problema."

"Outro caminho é buscar melhorar o acompanhamento dinâmico de riscos. Você vincular uma estiagem a um problema na hidrelétrica é relativamente fácil. Tem outros riscos interrelacionados que não são simples. Pensar que se uma estrada estadual, que chega em Angra dos Reis [RJ], cair uma barreira, pode afetar uma usina, não é algo tão instintivo de se racionalizar."

Corrêa Filho esteve nesta quinta-feira (4) em São Paulo (SP), durante a LAAD Security & Defence 2024, maior feira do setor em toda América Latina, onde debateu a importância da segurança da informação.

Ele também explicou que o GSI trabalha de forma colaborativa, com outros órgãos e ministérios, de forma a proteger a segurança cibernética brasileira.

¨      Celso Amorim e 'número 2' do GSI de Lula vão a Rússia para debater assuntos de segurança

Celso Amorim, assessor para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o secretário-executivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Ivan de Sousa Corrêa Filho, representarão o Brasil em uma reunião sobre assuntos de segurança na Rússia.

O segundo nome mais importante do GSI — atrás apenas do ministro-chefe, Marcos Antonio Amaro dos Santos — estará na XII Reunião Internacional de Altos Funcionários Responsáveis por Questões de Segurança, em São Petesburgo, entre os dias 20 e 27 de abril, conforme publicou o governo federal.

Em outra publicação feita no Diário Oficial da União, foi informado que o assessor para assuntos internacionais do presidente, Celso Amorim, também visitará a cidade, além de Moscou, para encontro com autoridades russas, e Berlim, em encontro com autoridades alemãs.

Questionado pela Sputnik Brasil sobre as expectativas para o encontro e quais temas devem ser debatidos, o general Corrêa Filho afirmou que se trata de um "fórum de discussão".

"Nós vamos lá para colocar a posição brasileira nos assuntos propostos pelo fórum. Dentro deles, a segurança da informação."

Segundo ele, a última edição, realizada em 2023, também em território russo, reuniu quase 200 países, incluindo o Brasil.

Corrêa Filho esteve nesta quinta-feira (4) em São Paulo, onde participou da LAAD Security & Defence 2024, maior feira de segurança e defesa da América Latina. Ele debateu a importância da segurança da informação.

 

Ø  Itamaraty revoga política da gestão Bolsonaro na ONU e apoia texto contra envio de armas a Israel

 

Em outubro do ano passado, o Brasil foi novamente eleito para ser um dos membros do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (CDH), pelo período de 2024 a 2026. Esse será o sexto mandato do país como integrante do órgão.

Em uma de suas primeiras medidas, o Brasil como membro do conselho no governo Lula vai reverter o posicionamento que havia sido adotado por Jair Bolsonaro em resoluções propostas sobre a situação palestina e até aderir a um novo texto condenando Israel, relata a coluna de Jamil Chade no UOL.

O colunista relembra que três textos sobre a situação na região são anualmente apresentados e se referem à ocupação israelense, ao direito à autodeterminação dos palestinos e ao contexto sobre as colinas de Golã.

No entanto, na votação que acontece nesta sexta-feira (5), a novidade é uma nova resolução que pede a governos estrangeiros que deixem de fornecer armas para Israel.

O texto condena "o uso de armas explosivas com efeitos de área ampla por Israel", o uso da fome como arma de guerra e exige que Israel "cumpra sua responsabilidade legal de evitar o genocídio". O projeto de resolução foi apresentado pelo Paquistão em nome de 55 países da Organização de Cooperação Islâmica.

No texto, obtido pela mídia, os governos pedem que todos os Estados "[…] cessem a venda, a transferência e o desvio de armas, munições e outros equipamentos militares para Israel, a potência ocupante, a fim de evitar novas violações do direito humanitário internacional e violações e abusos dos direitos humanos, e a se absterem […] da exportação, venda ou transferência de bens e tecnologias de vigilância e armas menos letais, incluindo itens de 'uso duplo' […]".

Ao longo dos anos, o Itamaraty sempre apoiou essas resoluções, mas isso mudou radicalmente em 2019, quando começou o governo de Jair Bolsonaro, uma vez que o Brasil passou a votar contra as propostas ou a se abster.

A ligação do ex-presidente e aliados com Israel é notória até os dias atuais. Na semana passada, Bolsonaro pediu seu passaporte ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para atender a um convite feito pelo premiê Benjamin Netanyahu para uma visita a Tel Aviv.

Agora, segundo fontes do Itamaraty, o Brasil voltará a votar pela aprovação dos textos, fortemente apoiado por países em desenvolvimento. A medida deve ampliar ainda a distância entre os governos brasileiro e israelense, que já vivem um mal-estar por conta dos posicionamentos do embaixador de Israel em Brasília e dos comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o conflito em Gaza.

Em outra resolução, o Itamaraty apoiará, segundo a mídia, a "reafirmação ao direito inalienável, permanente e irrestrito do povo palestino à autodeterminação, incluindo seu direito de viver em liberdade, justiça e dignidade e o direito ao seu Estado independente da Palestina".

·        Pressão sobre armas no Reino Unido

Assim como a resolução da ONU, três ex-juízes da Suprema Corte do Reino Unido se uniram a mais de 600 membros da profissão jurídica britânica para pedir ao governo que suspenda as vendas de armas a Israel, dizendo que isso poderia tornar Londres cúmplice do genocídio em Gaza, escreve a Reuters.

"O fornecimento de assistência militar e material a Israel pode tornar o Reino Unido cúmplice do genocídio, bem como de graves violações do Direito Internacional Humanitário. O direito internacional consuetudinário reconhece no conceito de 'ajudar e prestar assistência' um ato ilícito internacional", disseram os juízes e advogados em uma carta de 17 páginas.

O Reino Unido vende dispositivos explosivos, fuzis de assalto e aeronaves militares para Israel, mas é um fornecedor relativamente pequeno quando comparado aos Estados Unidos.

 

Ø  Integrar estados e forças é vital para combater crime organizado no país, diz tenente-coronel da PM

 

Nesta quarta-feira (3), durante o segundo dia da LAAD Security & Defence 2024, realizada em São Paulo, o coordenador do Centro Integrado de Inteligência da Região Sudeste (CIISPR-SE), tenente-coronel Roberto Luís Gonzaga dos Anjos, defendeu a integração entre estados brasileiros e forças de segurança pública para combater o crime organizado.

Segundo o agente da Polícia Militar do Rio de Janeiro, é preciso que haja uma "integração de dados", de forma a conectar diferentes unidades federativas em um mesmo objetivo.

Durante o seminário no evento, Anjos afirmou que facções criminosas já têm uma integração estadual, com membros baseados em diferentes localidades do território brasileiro, o que dificulta o combate a tais organizações. "Essa integração é possível e tem um potencial muito grande. É só as agências de inteligência descobrirem e usarem."

O CIISPR-SE é coordenado pelo Ministério da Justiça de Segurança Pública e reúne representantes das forças de segurança paulista e dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais para a "realização de trabalho conjunto no combate a crimes violentos e organizado".

A rede foi uma parceria criada em 2018, culminando na criação de centros integrados em diferentes regiões do Brasil. Segundo Anjos, o principal objetivo é integrar bancos de dados compartilhados para produzir conhecimento de inteligência e fornecer informações úteis aos gestores de segurança pública.

"A busca é justamente isto: integrar as instituições de segurança pública, tanto federais quanto estaduais quanto municipais, dando um retorno, produzindo conhecimento de inteligência […]. O objetivo principal é integrar bancos de dados, compartilhados, sendo utilizados em prol da segurança pública, com a consequência principal que é o bem-estar da sociedade", disse à Sputnik Brasil.

Questionado sobre o papel do centro no contexto das fronteiras e do combate às facções criminosas, ele ressaltou a atuação do Centro Integrado de Operações e Fronteiras (CIOF), que realiza consultas contínuas em bancos de dados para obter informações sobre indivíduos, veículos e movimentações na região fronteiriça, incluindo mandados de prisão.

"Essa célula trabalha continuamente na busca de informações, por meio dos bancos de dados disponíveis pela rede, de informações sobre indivíduos, veículos e, em forma geral, a tramitação na fronteira, entrada e saída nas fronteiras. Essas consultas são contínuas, principalmente em relação a mandados de prisão de indivíduos, e já tivemos resultados muito positivos com relação a isso."

Sobre a integração da Carteira de Identidade Nacional (CIN), que substituirá o Registro Geral (RG) — e terá um sistema de identificação integrado em todo Brasil —, ele é otimista, acreditando que a nova forma de identificação poderá facilitar o acesso às informações dos cidadãos, contribuindo para a segurança pública de forma geral.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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