Brasil manteve baixo investimento público
em saúde mesmo durante a pandemia de covid-19
Nem mesmo a pandemia
da covid-19 levou o Brasil a aumentar significativamente os gastos públicos com saúde. Em 2020 e 2021, o país continuou com resultados abaixo do
índice das nações que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE).
No primeiro ano
da emergência sanitária, a participação do governo nas despesas do setor em relação ao
Produto Interno Bruto (PIB) foi de 4,2%. Em 2021, ano mais crítico da crise
global e mais mortal da história do Brasil, esse investimento foi ainda menor,
ficou em 4%.
Os dados fazem parte
da pesquisa Conta-Satélite de Saúde, divulgada nesta sexta-feira (5) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o estudo, o
investimento da OCDE foi de 7,4% no biênio.
Em nações como
Alemanha, França e
Reino Unido, o gasto público com o setor superou 10% no mesmo período. Mas o
Brasil sai perdendo mesmo na comparação com países da América Latina. Colômbia
e Chile, por exemplo, apresentaram índices superiores ou próximos a 6%.
Outra diferença que
chama atenção é a proporção de gastos públicos e privados. No Brasil, a participação do governo é
historicamente menor, uma distorção que não é observada nas outras regiões
citadas na pesquisa. Durante a pandemia, esse cenário se repetiu.
Famílias e
instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFL) gastaram R$ 449,2
bilhões e o poder público R$ 319,8 bilhões, em 2020. No ano seguinte, os
resultados foram, respectivamente, R$ 509,3 bilhões e R$ 363,4 bilhões.
·
Gastos das famílias
As despesas familiares
com serviços privados, que eram superiores a 67% do gasto anual total com saúde
em 2019, caíram para 64,9% em 2020 e 63,7% em 2021. O resultado inclui
pagamentos de planos de saúde.
Por outro lado,
os gastos com remédios aumentaram. Entre 2010 e 2019, corresponderam, aproximadamente, a 1,6% do
PIB. Nos primeiros dois anos da emergência sanitária eles subiram para 1,9%.
O consumo de remédios
representou 32,5% das despesas com saúde das famílias em 2020 e 33,7% em 2021.
Isso significou o total de R$ 143,1 bilhões (2020) e R$ 168,3 bilhões (2021).
O IBGE também inclui
na análise os medicamentos distribuídos gratuitamente
pelo governo, contabilizados como despesas públicas. Em
2021 eles foram 3,4% da despesa de consumo final do governo com saúde ou R$
12,2 bilhões.
Ainda de acordo com o
levantamento, o crescimento médio do consumo das famílias com saúde foi quase
três vezes superior ao observado em outros bens e serviços. A alta foi de 7,1%,
enquanto o resultado geral dos setores foi de 2,6%.
No ano de 2021, o
Brasil gastou um total de R$ 872,7 bilhões em despesas ligadas à saúde, o que
representa 9,7% do PIB. No ano anterior, o valor chegou a R$ 769 bilhões ou 10%
do Produto Interno Bruto.
¨ Pandemia aumenta gastos com bens e serviços de saúde em 2021
Os gastos com a saúde
no Brasil chegaram a quase 10% do PIB no ano de 2021, em um total de R$ 872,7
bilhões, segundo a Conta-Satélite de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Fiocruz, IPEA, ANS e
Ministério da Saúde.
Em 2020, os gastos com
saúde chegaram a R$ 769 bilhões, o equivalente a 10,1% do PIB. Em 2019, antes
da pandemia, esse percentual havia sido de 9,6% (R$ 711,9 bilhões).
“A saúde foi mais um
setor fortemente afetado pela pandemia de Covid-19. Em 2020, observamos uma
queda na quantidade de procedimentos ambulatoriais e hospitalares, como
consultas e cirurgias eletivas”, explica Tassia Holguin, analista da pesquisa.
“No sentido oposto, em
2021 houve um crescimento do consumo de bens e serviços de saúde, o que pode
ser parcialmente atribuído ao início da campanha de vacinação contra a
Covid-19, ao aumento do consumo de medicamentos e à retomada da realização de
consultas, exames e cirurgias eletivas” destaca Tassia.
A maior parcela das
despesas com saúde em 2020 e 2021 tiveram origem nas famílias e instituições
sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFL). Em 2020, elas foram
responsáveis por R$ 449,2 bilhões (5,9% do PIB), enquanto as despesas de
consumo do governo responderam por R$ 319,8 bilhões (4,2% do PIB).
No ano de 2021, os
gastos das famílias e instituições sem fins de lucro a serviço das famílias
atingiram R$ 509,3 bilhões (5,7% do PIB), e os do governo foram de R$ 363,4
bilhões (4,0% do PIB).
Tanto o consumo de
bens e serviços de saúde quanto não saúde tiveram retração de 4,4% em volume em
2021. Em 2021, o consumo de bens e serviços de saúde teve expansão de
10,3%, enquanto o de bens e serviços não saúde aumentou 2,3%.
Segundo a
pesquisadora, a participação das despesas com saúde no PIB subiu de 9,6% para
10,1% em 2020 mesmo com a queda do consumo de bens e serviços de saúde por
conta do aumento de preços de medicamentos e serviços de saúde, em comparação à
média da economia.
Fonte: Brasil de
Fato/Jornal GGN

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