sábado, 6 de abril de 2024


Brasil manteve baixo investimento público em saúde mesmo durante a pandemia de covid-19

Nem mesmo a pandemia da covid-19 levou o Brasil a aumentar significativamente os gastos públicos com saúde. Em 2020 e 2021, o país continuou com resultados abaixo do índice das nações que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No primeiro ano da emergência sanitária, a participação do governo nas despesas do setor em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 4,2%. Em 2021, ano mais crítico da crise global e mais mortal da história do Brasil, esse investimento foi ainda menor, ficou em 4%.

Os dados fazem parte da pesquisa Conta-Satélite de Saúde, divulgada nesta sexta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o estudo, o investimento da OCDE foi de 7,4% no biênio.

Em nações como Alemanha, França e Reino Unido, o gasto público com o setor superou 10% no mesmo período. Mas o Brasil sai perdendo mesmo na comparação com países da América Latina. Colômbia e Chile, por exemplo, apresentaram índices superiores ou próximos a 6%.

Outra diferença que chama atenção é a proporção de gastos públicos e privados. No Brasil, a participação do governo é historicamente menor, uma distorção que não é observada nas outras regiões citadas na pesquisa. Durante a pandemia, esse cenário se repetiu. 

Famílias e instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFL) gastaram R$ 449,2 bilhões e o poder público R$ 319,8 bilhões, em 2020. No ano seguinte, os resultados foram, respectivamente, R$ 509,3 bilhões e R$ 363,4 bilhões. 

·        Gastos das famílias 

As despesas familiares com serviços privados, que eram superiores a 67% do gasto anual total com saúde em 2019, caíram para 64,9% em 2020 e 63,7% em 2021. O resultado inclui pagamentos de planos de saúde.

Por outro lado, os gastos com remédios aumentaram. Entre 2010 e 2019, corresponderam, aproximadamente, a 1,6% do PIB. Nos primeiros dois anos da emergência sanitária eles subiram para 1,9%.

O consumo de remédios representou 32,5% das despesas com saúde das famílias em 2020 e 33,7% em 2021. Isso significou o total de R$ 143,1 bilhões (2020) e R$ 168,3 bilhões (2021).  

O IBGE também inclui na análise os medicamentos distribuídos gratuitamente pelo governo, contabilizados como despesas públicas. Em 2021 eles foram 3,4% da despesa de consumo final do governo com saúde ou R$ 12,2 bilhões.

Ainda de acordo com o levantamento, o crescimento médio do consumo das famílias com saúde foi quase três vezes superior ao observado em outros bens e serviços. A alta foi de 7,1%, enquanto o resultado geral dos setores foi de 2,6%. 

No ano de 2021, o Brasil gastou um total de R$ 872,7 bilhões em despesas ligadas à saúde, o que representa 9,7% do PIB. No ano anterior, o valor chegou a R$ 769 bilhões ou 10% do Produto Interno Bruto. 

¨      Pandemia aumenta gastos com bens e serviços de saúde em 2021

Os gastos com a saúde no Brasil chegaram a quase 10% do PIB no ano de 2021, em um total de R$ 872,7 bilhões, segundo a Conta-Satélite de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Fiocruz, IPEA, ANS e Ministério da Saúde.

Em 2020, os gastos com saúde chegaram a R$ 769 bilhões, o equivalente a 10,1% do PIB. Em 2019, antes da pandemia, esse percentual havia sido de 9,6% (R$ 711,9 bilhões).

“A saúde foi mais um setor fortemente afetado pela pandemia de Covid-19. Em 2020, observamos uma queda na quantidade de procedimentos ambulatoriais e hospitalares, como consultas e cirurgias eletivas”, explica Tassia Holguin, analista da pesquisa.

“No sentido oposto, em 2021 houve um crescimento do consumo de bens e serviços de saúde, o que pode ser parcialmente atribuído ao início da campanha de vacinação contra a Covid-19, ao aumento do consumo de medicamentos e à retomada da realização de consultas, exames e cirurgias eletivas” destaca Tassia.

A maior parcela das despesas com saúde em 2020 e 2021 tiveram origem nas famílias e instituições sem fins de lucro a serviço das famílias (ISFL). Em 2020, elas foram responsáveis por R$ 449,2 bilhões (5,9% do PIB), enquanto as despesas de consumo do governo responderam por R$ 319,8 bilhões (4,2% do PIB).

No ano de 2021, os gastos das famílias e instituições sem fins de lucro a serviço das famílias atingiram R$ 509,3 bilhões (5,7% do PIB), e os do governo foram de R$ 363,4 bilhões (4,0% do PIB).

Tanto o consumo de bens e serviços de saúde quanto não saúde tiveram retração de 4,4% em volume em 2021.  Em 2021, o consumo de bens e serviços de saúde teve expansão de 10,3%, enquanto o de bens e serviços não saúde aumentou 2,3%.

Segundo a pesquisadora, a participação das despesas com saúde no PIB subiu de 9,6% para 10,1% em 2020 mesmo com a queda do consumo de bens e serviços de saúde por conta do aumento de preços de medicamentos e serviços de saúde, em comparação à média da economia.

 

Fonte: Brasil de Fato/Jornal GGN


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