segunda-feira, 8 de abril de 2024

Bolsonaro começa a perder prestígio junto ao eleitorado mais radical do país

O ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) tem visto seu prestígio desabar junto ao eleitorado brasileiro, mesmo entre aqueles mais radicais. Na véspera, o ex-presidente visitou o Estado de Goiás para confirmar a pré-candidatura de Gustavo Gayer à Prefeitura da capital Goiânia, mas a sua recepção foi um fiasco. Em um restaurante, o extremista foi recebido por vaias e gritos de “ladrão” por populares que estavam no local.

Na tentativa de mudar o desgaste produzido por um número consistente de ações na Justiça, Bolsonaro planeja um novo ato público, desta vez na capital fluminense. Em fevereiro, na Avenida Paulista, no final de fevereiro, o ex-presidente realizou um evento com apoio dos evangélicos e, agora, está se preparando para realizar uma nova manifestação para se defender de investigações das quais é alvo no Supremo Tribunal Federal (STF).

A capital goiana é reduto bolsonarista. No segundo turno das eleições de 2022, o ex-presidente teve 63,95% do total da cidade, enquanto Lula (PT) ficou com 36,05%.

•                                             8 Denúncias

As vaias e xingamentos a Bolsonaro são reflexos claros da série de denúncias que ele tem sofrido. Nesta semana, por exemplo, o general Mauro Cesar Lourena Cid, que foi chefe da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) em Miami, foi acusado por servidores da entidade de ter escondido por um bom tempo “caixas com presentes” de Bolsonaro na sede do órgão nos EUA.

Mauro Cid é pai do tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente, e está preso por ser uma das principais peças-chave nas investigações dos crimes atribuídos ao líder de extrema direita. A denúncia é da Band, veiculada em primeira-mão na noite desta quarta-feira (3).

De acordo com a reportagem do Jornal da Band, funcionários da Apex em Miami confirmaram que o militar guardava esses “presentes” dados ao ex-presidente em visitas internacionais lá. Mauro Cid, o pai, já é investigado pela Polícia Federal por ter tentado vender objetos valiosos concedidos ao então chefe de Estado, que na verdade pertenceriam ao acervo da Presidência da República, em lojas do ramo em território norte-americano. Ele inclusive aparece no reflexo de uma caixa de vidro fotografando uma obra de arte que foi oferecida a leiloeiros nos EUA.

•                                             Ainda livre, Bolsonaro convoca nova manifestação no Rio de Janeiro

Investigado por uma tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) convocou uma nova manifestação, desta vez no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana, no próximo dia 21 de abril, feriado nacional de Tiradentes.

“Estou te convidando para uma grande manifestação no Rio de Janeiro, na Praia de Copacabana. Estaremos dando continuidade ao que aconteceu em São Paulo, no dia 25 de fevereiro. Estamos discutindo, levando informações para vocês, juntamente com autoridades e o pastor Silas Malafaia, sobre o nosso Estado Democrático de Direito e, também, falarmos sobre a maior fake news da história do Brasil, que está resumida hoje na minuta de golpe”, disse o ex-presidente. “Vamos lutar pela nossa democracia e nossa liberdade”, acrescentou.

Desta vez, o ex-presidente não fez nenhum pedido para que seus apoiadores se recusem a levar cartazes com ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como fez quando convocou o ato na Avenida Paulista, em São Paulo, em fevereiro.

Bolsonaro, generais das Forças Armadas e ex-ministros de Estado são investigados pela Polícia Federal por uma tentativa de golpe. De acordo com as investigações, o grupo planejou anular o resultado das eleições de 2022, evitar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prender ministros da Suprema Corte do País. Ao menos três minutas golpistas foram encontradas em posse do ex-presidente e de aliados.

Em 8 de fevereiro, a Polícia Federal cumpriu 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva na operação que investiga a tentativa de golpe, batizada de Tempus Veriratis. Depois disso, Bolsonaro convocou a manifestação na Paulista.

Em São Paulo, o ex-presidente se disse perseguido e pediu anistia a golpistas que participaram do ataque à Praça dos Três Poderes, no dia 8 de Janeiro. O ex-mandatário também negou liderar uma articulação golpista depois da derrota nas eleições.

“Golpe é tanque na rua, é arma, é conspiração. Nada disso foi feito no Brasil. Por que continuam me acusando de golpe? Porque tem uma minuta de decreto de estado de defesa. Golpe usando a Constituição? Deixo claro que estado de sítio começa com presidente convocando conselho da República. Isso foi feito? não”, disse.

“É o Parlamento quem decide se o presidente pode ou não editar decreto de estado de sítio. O da defesa é semelhante. Ou seja, agora querem entubar em todos os nós um golpe usando dispositivos da Constituição cuja palavra final quem dá é o Parlamento”, prosseguiu.

•                                             Bolsonaro desafia Alexandre de Moraes e chama seu processo de 'maior fake news da história'

Bolsonaro lança mais um desafio à Justiça brasileira com a convocação de um ato público na praia de Copacabana, no Rio, no feriado de 21 de abril, Dia de Tiradentes.

Outra vez o rabo quer balançar o cachorro e inverter a ordem da Justiça: Bolsonaro é o investigado por crimes, no entanto, segundo declarou, sua manifestação tem o intuito de divulgar que seu processo é "a maior fake news da história do Brasil".

Com isso, busca transformar o ministro Alexandre de Moraes, relator de seus casos, de acusador em acusado por perseguição política, já que o golpe não se consumou e a minuta golpista não foi posta em prática.

Não foi, não porque Bolsonaro não o desejasse, mas porque ele não conseguiu o apoio que buscava nas Forças Armadas, que recuaram quando houve a decisão dos Estados Unidos de não apoiarem um possível golpe no Brasil.

Quem afirma que Bolsonaro queria o golpe são seu ex-ajudante de ordens tenente-coronel Mauro Cid e os comandantes do Exército e da Aeronáutica na época.

Sem contar o vídeo da reunião com seus ministros, em que ele mesmo falava abertamente que precisavam fazer algo porque Lula iria vencer as eleições.

Bolsonaro quer aproveitar o feriado, dia em que Copacabana fica lotada de gente, não apenas na areia e no mar, mas passeando por suas calçadas e pela rua na margem da praia (que fica interditada ao trânsito para uso dos pedestres), para dizer que todos estão ali por ele, para apoiá-lo, num desagravo ao que ele considera uma perseguição.

Como já fez algo semelhante na Avenida Paulista, em São Paulo, em 25 de fevereiro, impunemente, quer repetir a dose e agora de modo mais ousado. Em São Paulo, houve apelo para que manifestantes não levassem bandeiras ou faixas com ofensas ao STF, seus ministros e à Justiça. Agora, nem isso.

Como se aproxima o dia de sua prisão pelos inúmeros crimes de que é acusado, com fartas provas, Bolsonaro sobe o tom, na linha do pastor Malafaia, que já disse que se for preso vai mandar soltar um vídeo que diz ter que "abalaria a República".

•                                             A Justiça vai permitir?

Imagina se a moda pega. Antes de se entregar, como o fez no Natal passado, o miliciano Zinho, chefe das milícias na Zona Oeste do Rio, convocaria uma manifestação na região para denunciar que estava sendo perseguido pela Justiça... Ou Fernandinho Beira-Mar uma na favela que lhe deu o nome...

O que Bolsonaro quer é insuflar seus seguidores contra a Justiça e as leis do país, aproveitando-se da indecisão dos poderes, que deveriam mandá-lo para a cadeia em prisão preventiva para não prejudicar o processo.

Ou então mantê-lo em prisão domiciliar até o final do processo, com tornozeleira para não tentar fugir, como já ensaiou com a ida à embaixada da Hungria.

 

                                            General Braga Netto vê o cerco ir se  fechando no caso do golpe de estado

 

Walter Braga Netto tinha 7 anos de idade quando o Exército depôs o então presidente João Goulart e deu início a um dos mais sombrios períodos da história do Brasil. A ditadura sufocou oposicionistas, censurou a imprensa, torturou e matou adversários. Quase seis décadas depois, o ex-presidente Jair Bolsonaro e um grupo de militares de alta patente, segundo a Polícia Federal, se articularam para tentar mais uma vez subverter a democracia.

O plano não deu certo, mas se tivesse avançado as eleições de 2022 teriam sido anuladas, Lula seria impedido de tomar posse, Bolsonaro continuaria no poder e medidas de exceção decretariam, entre outras coisas, a prisão imediata de ministros do Supremo Tribunal Federal e do presidente do Congresso.

O general Braga Netto é apontado como um dos líderes dessa conspiração. Além de incentivar, teria sido encarregado de mobilizar os quartéis para angariar apoio ao que foi descrito pelos investigadores como a fase de preparação para um golpe de Estado.

Ex-ministro da Defesa e candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, o general foi alvo de uma operação de busca em fevereiro. As investigações ainda estão em andamento, mas, para a polícia, há indícios que demonstram a efetiva participação dele na trama.

No dia 27 de dezembro de 2022, por exemplo, Braga Netto trocou mensagens com Sérgio Cordeiro, então assessor do presidente da República. Cordeiro queria saber para quem poderia encaminhar o currículo de uma mulher que pretendia trabalhar no governo. “Se continuarmos, poderia enviar para a Secretaria-Geral”, respondeu o general.

Faltavam quatro dias para a posse de Lula. A PF deduziu que, ao considerar a possibilidade de “continuarmos”, Braga Netto deixou claro que ainda havia a expectativa de uma reviravolta, de Bolsonaro continuar no Palácio do Planalto.

“Os investigados ainda estavam empreendendo esforços para tentar um golpe de Estado e acreditavam na consumação do ato, impedindo a posse do governo legitimamente eleito”, diz o relatório policial.

No papel de mentor do golpe, Braga Netto também teria promovido uma reunião em sua casa, onde teria sido discutida uma maneira de financiar o deslocamento a Brasília dos chamados kids pretos, militares das Forças Especiais do Exército especialistas em guerras não convencionais. Os convivas presentes teriam analisado a logística necessária para custear a tropa que supostamente daria apoio à rebelião.

Foi depois desse encontro que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, teria estimado em 100000 reais os gastos de hospedagem e alimentação dos combatentes.

Conhecido pela discrição e pelo bom trato, o general não poupava os colegas de farda que supostamente estariam se opondo à empreitada golpista. Em uma das mensagens, xingou o então comandante do Exército, Freire Gomes, de “cagão”.

Em outra, o alvo foi o então chefe da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Jr., contra quem recomendou “sentar o pau” por ser um “traidor da pátria”. Ele ainda orientou um interlocutor a “viralizar” uma mensagem que registrava que o atual comandante do Exército, Tomás Paiva, “nunca valeu nada” e que parecia que “ele é PT desde pequenininho”

A PF desconfia que Braga Netto não só atuava em um núcleo organizado para incitar outros militares a aderir ao golpe como tramou intensamente contra a democracia antes, durante e depois das eleições.

Por essa razão, o ministro Alexandre de Moraes expediu uma ordem de busca nos endereços de Braga Netto, apreendeu seu passaporte e o proibiu de manter qualquer contato com outros investigados.

Há quem diga que a decretação de medidas judiciais ainda mais restritivas é questão de tempo. O fato é que o cerco ao general está se fechando — e ele sabe disso.

Intimado a depor, invocou o direito de permanecer calado enquanto não tiver acesso à íntegra do inquérito. Nos últimos dias, Braga Netto tem mantido reuniões intensas com seus advogados e traçado as linhas gerais de sua estratégia de defesa.

Ele vai confirmar que comparecia diariamente ao Palácio da Alvorada depois das eleições, mas apenas para consolar o então presidente, abatido com a derrota, e que, nesse período, participou de nenhuma reunião com militares. Também vai afirmar que nunca houve nenhum encontro em sua casa para tratar sobre kids pretos.

Para a Polícia Federal, não há dúvidas de que ele e o ex-presidente agiram em sintonia. “Nunca ouvi nada sobre golpe, nunca existiu isso. A sensação é que começaram a montar a casa pelo telhado e agora querem achar as paredes”, disse o general a um interlocutor. Difícil acreditar em suas palavras. Para a polícia, a casa foi, sim, toda montada — e agora caiu.

 

                                            Apex investiga “manobras golpistas” do general Lourena, pai de Mauro Cid

 

A comissão interna instaurada na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para apurar supostos desvios de conduta do general da reserva Mauro Lourena Cid chamou três funcionários do órgão em Miami (EUA) para prestar esclarecimentos. A Apex confirmou o convite.

Os três devem ser ouvidos na sede da agência, em Brasília, na próxima semana. Integrantes da agência dizem que a apuração é feita com cautela, dando direito a todos de responder aos questionamentos. Os funcionários convidados para dar explicações são Michael Rinelli, analista de investimentos, Fernando Spohr, representante da Apex-Miami, e Paola Bueno, integrante da área de recursos humanos.

O site UOL publicou, na terça-feira (2), que o general teria usado a estrutura da agência para tratar de planos golpistas. Ele chefiou o escritório da Apex em Miami durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lourena Cid ainda voltou algumas vezes ao escritório em Miami, segundo a reportagem, após ter deixado o cargo. O objetivo teria sido apagar informações do celular corporativo e de computadores da Apex.

Segundo relatos de funcionários e ex-funcionários da agência à CNN, Rinelli teria admitido a integrantes da Apex que apagou celulares e computadores que estavam com o general por uma ordem de Spohr e Paola.

A decisão de sumir com rastros ocorreu depois dos ataques de 8 de janeiro, quando o general já não estava mais como chefe da agência. Lourena Cid é pai do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, peça-chave nas investigações.

Há um desconforto entre os atuais funcionários da Apex em Miami pelo fato de ele continuarem exercendo os cargos, mesmo com a apuração interna em andamento. No Brasil, porém, a diretoria não quer tomar decisões sumárias.

Fernando ficou como chefe-interino do escritório quando o general deixou o cargo e ele e Paola teriam permitido que Lourena Cid visitasse o local. Já Rinelli é descrito como alguém que era próximo ao general, por ter um passado no Exército e alguém que o militar levava para diversas agendas e compromissos.

O site relatou, por exemplo, que Rinelli e o general visitaram, em dezembro de 2022, o acampamento golpista montado em frente ao quartel-general do Exército, na capital federal. A suspeita é que a viagem tenha sido custeada pela agência.

Segundo pessoas próximas a Rinelli, no início de 2023, ele teria buscado se afastar do general e começou a relatar a colegas que o militar era “golpista”.

Em março, um funcionário da agência foi demitido uma semana antes da visita do presidente da Apex Brasil, Jorge Viana. Esse funcionário escreveu uma carta com os relatos dos desvios de conduta dos funcionários e da gestão do general Cid.

A Apex informou por nota que, ao tomar conhecimento da carta, o atual presidente da agência, Jorge Viana, em uma agenda nos Estados Unidos, conversou com os integrantes do escritório e informou que tomaria providências.

Ao retornar a Brasília, Jorge Viana se reuniu com a diretoria-executiva para formar a comissão interna, que tem 60 dias para dar uma conclusão.

A CNN entrou em contato com os três funcionários citados, mas não recebeu retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

 

Fonte: Correio do Brasi/Agencia Estado/Veja/Fórum/CNN Brasil

 

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