Bolsonaro
começa a perder prestígio junto ao eleitorado mais radical do país
O ex-mandatário
neofascista Jair Bolsonaro (PL) tem visto seu prestígio desabar junto ao
eleitorado brasileiro, mesmo entre aqueles mais radicais. Na véspera, o
ex-presidente visitou o Estado de Goiás para confirmar a pré-candidatura de
Gustavo Gayer à Prefeitura da capital Goiânia, mas a sua recepção foi um
fiasco. Em um restaurante, o extremista foi recebido por vaias e gritos de
“ladrão” por populares que estavam no local.
Na
tentativa de mudar o desgaste produzido por um número consistente de ações na
Justiça, Bolsonaro planeja um novo ato público, desta vez na capital
fluminense. Em fevereiro, na Avenida Paulista, no final de fevereiro, o
ex-presidente realizou um evento com apoio dos evangélicos e, agora, está se
preparando para realizar uma nova manifestação para se defender de
investigações das quais é alvo no Supremo Tribunal Federal (STF).
A
capital goiana é reduto bolsonarista. No segundo turno das eleições de 2022, o
ex-presidente teve 63,95% do total da cidade, enquanto Lula (PT) ficou com
36,05%.
• 8
Denúncias
As
vaias e xingamentos a Bolsonaro são reflexos claros da série de denúncias que
ele tem sofrido. Nesta semana, por exemplo, o general Mauro Cesar Lourena Cid,
que foi chefe da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos) em Miami, foi acusado por servidores da entidade de ter
escondido por um bom tempo “caixas com presentes” de Bolsonaro na sede do órgão
nos EUA.
Mauro
Cid é pai do tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens do
ex-presidente, e está preso por ser uma das principais peças-chave nas
investigações dos crimes atribuídos ao líder de extrema direita. A denúncia é
da Band, veiculada em primeira-mão na noite desta quarta-feira (3).
De
acordo com a reportagem do Jornal da Band, funcionários da Apex em Miami
confirmaram que o militar guardava esses “presentes” dados ao ex-presidente em
visitas internacionais lá. Mauro Cid, o pai, já é investigado pela Polícia
Federal por ter tentado vender objetos valiosos concedidos ao então chefe de
Estado, que na verdade pertenceriam ao acervo da Presidência da República, em
lojas do ramo em território norte-americano. Ele inclusive aparece no reflexo
de uma caixa de vidro fotografando uma obra de arte que foi oferecida a
leiloeiros nos EUA.
• Ainda
livre, Bolsonaro convoca nova manifestação no Rio de Janeiro
Investigado
por uma tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
convocou uma nova manifestação, desta vez no Rio de Janeiro, na praia de
Copacabana, no próximo dia 21 de abril, feriado nacional de Tiradentes.
“Estou
te convidando para uma grande manifestação no Rio de Janeiro, na Praia de
Copacabana. Estaremos dando continuidade ao que aconteceu em São Paulo, no dia
25 de fevereiro. Estamos discutindo, levando informações para vocês, juntamente
com autoridades e o pastor Silas Malafaia, sobre o nosso Estado Democrático de
Direito e, também, falarmos sobre a maior fake news da história do Brasil, que
está resumida hoje na minuta de golpe”, disse o ex-presidente. “Vamos lutar
pela nossa democracia e nossa liberdade”, acrescentou.
Desta
vez, o ex-presidente não fez nenhum pedido para que seus apoiadores se recusem
a levar cartazes com ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF),
como fez quando convocou o ato na Avenida Paulista, em São Paulo, em fevereiro.
Bolsonaro,
generais das Forças Armadas e ex-ministros de Estado são investigados pela
Polícia Federal por uma tentativa de golpe. De acordo com as investigações, o
grupo planejou anular o resultado das eleições de 2022, evitar a posse de Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e prender ministros da Suprema Corte do País. Ao
menos três minutas golpistas foram encontradas em posse do ex-presidente e de
aliados.
Em
8 de fevereiro, a Polícia Federal cumpriu 33 mandados de busca e apreensão e
quatro mandados de prisão preventiva na operação que investiga a tentativa de
golpe, batizada de Tempus Veriratis. Depois disso, Bolsonaro convocou a
manifestação na Paulista.
Em
São Paulo, o ex-presidente se disse perseguido e pediu anistia a golpistas que
participaram do ataque à Praça dos Três Poderes, no dia 8 de Janeiro. O
ex-mandatário também negou liderar uma articulação golpista depois da derrota
nas eleições.
“Golpe
é tanque na rua, é arma, é conspiração. Nada disso foi feito no Brasil. Por que
continuam me acusando de golpe? Porque tem uma minuta de decreto de estado de
defesa. Golpe usando a Constituição? Deixo claro que estado de sítio começa com
presidente convocando conselho da República. Isso foi feito? não”, disse.
“É
o Parlamento quem decide se o presidente pode ou não editar decreto de estado
de sítio. O da defesa é semelhante. Ou seja, agora querem entubar em todos os
nós um golpe usando dispositivos da Constituição cuja palavra final quem dá é o
Parlamento”, prosseguiu.
• Bolsonaro
desafia Alexandre de Moraes e chama seu processo de 'maior fake news da
história'
Bolsonaro
lança mais um desafio à Justiça brasileira com a convocação de um ato público
na praia de Copacabana, no Rio, no feriado de 21 de abril, Dia de Tiradentes.
Outra
vez o rabo quer balançar o cachorro e inverter a ordem da Justiça: Bolsonaro é
o investigado por crimes, no entanto, segundo declarou, sua manifestação tem o
intuito de divulgar que seu processo é "a maior fake news da história do
Brasil".
Com
isso, busca transformar o ministro Alexandre de Moraes, relator de seus casos,
de acusador em acusado por perseguição política, já que o golpe não se consumou
e a minuta golpista não foi posta em prática.
Não
foi, não porque Bolsonaro não o desejasse, mas porque ele não conseguiu o apoio
que buscava nas Forças Armadas, que recuaram quando houve a decisão dos Estados
Unidos de não apoiarem um possível golpe no Brasil.
Quem
afirma que Bolsonaro queria o golpe são seu ex-ajudante de ordens
tenente-coronel Mauro Cid e os comandantes do Exército e da Aeronáutica na
época.
Sem
contar o vídeo da reunião com seus ministros, em que ele mesmo falava
abertamente que precisavam fazer algo porque Lula iria vencer as eleições.
Bolsonaro
quer aproveitar o feriado, dia em que Copacabana fica lotada de gente, não
apenas na areia e no mar, mas passeando por suas calçadas e pela rua na margem
da praia (que fica interditada ao trânsito para uso dos pedestres), para dizer
que todos estão ali por ele, para apoiá-lo, num desagravo ao que ele considera
uma perseguição.
Como
já fez algo semelhante na Avenida Paulista, em São Paulo, em 25 de fevereiro,
impunemente, quer repetir a dose e agora de modo mais ousado. Em São Paulo,
houve apelo para que manifestantes não levassem bandeiras ou faixas com ofensas
ao STF, seus ministros e à Justiça. Agora, nem isso.
Como
se aproxima o dia de sua prisão pelos inúmeros crimes de que é acusado, com
fartas provas, Bolsonaro sobe o tom, na linha do pastor Malafaia, que já disse
que se for preso vai mandar soltar um vídeo que diz ter que "abalaria a
República".
• A
Justiça vai permitir?
Imagina
se a moda pega. Antes de se entregar, como o fez no Natal passado, o miliciano
Zinho, chefe das milícias na Zona Oeste do Rio, convocaria uma manifestação na
região para denunciar que estava sendo perseguido pela Justiça... Ou
Fernandinho Beira-Mar uma na favela que lhe deu o nome...
O
que Bolsonaro quer é insuflar seus seguidores contra a Justiça e as leis do
país, aproveitando-se da indecisão dos poderes, que deveriam mandá-lo para a
cadeia em prisão preventiva para não prejudicar o processo.
Ou
então mantê-lo em prisão domiciliar até o final do processo, com tornozeleira
para não tentar fugir, como já ensaiou com a ida à embaixada da Hungria.
General
Braga Netto vê o cerco ir se fechando no
caso do golpe de estado
Walter
Braga Netto tinha 7 anos de idade quando o Exército depôs o então presidente
João Goulart e deu início a um dos mais sombrios períodos da história do
Brasil. A ditadura sufocou oposicionistas, censurou a imprensa, torturou e
matou adversários. Quase seis décadas depois, o ex-presidente Jair Bolsonaro e
um grupo de militares de alta patente, segundo a Polícia Federal, se
articularam para tentar mais uma vez subverter a democracia.
O
plano não deu certo, mas se tivesse avançado as eleições de 2022 teriam sido
anuladas, Lula seria impedido de tomar posse, Bolsonaro continuaria no poder e
medidas de exceção decretariam, entre outras coisas, a prisão imediata de
ministros do Supremo Tribunal Federal e do presidente do Congresso.
O
general Braga Netto é apontado como um dos líderes dessa conspiração. Além de
incentivar, teria sido encarregado de mobilizar os quartéis para angariar apoio
ao que foi descrito pelos investigadores como a fase de preparação para um
golpe de Estado.
Ex-ministro
da Defesa e candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, o general
foi alvo de uma operação de busca em fevereiro. As investigações ainda estão em
andamento, mas, para a polícia, há indícios que demonstram a efetiva
participação dele na trama.
No
dia 27 de dezembro de 2022, por exemplo, Braga Netto trocou mensagens com
Sérgio Cordeiro, então assessor do presidente da República. Cordeiro queria
saber para quem poderia encaminhar o currículo de uma mulher que pretendia
trabalhar no governo. “Se continuarmos, poderia enviar para a
Secretaria-Geral”, respondeu o general.
Faltavam
quatro dias para a posse de Lula. A PF deduziu que, ao considerar a
possibilidade de “continuarmos”, Braga Netto deixou claro que ainda havia a
expectativa de uma reviravolta, de Bolsonaro continuar no Palácio do Planalto.
“Os
investigados ainda estavam empreendendo esforços para tentar um golpe de Estado
e acreditavam na consumação do ato, impedindo a posse do governo legitimamente
eleito”, diz o relatório policial.
No
papel de mentor do golpe, Braga Netto também teria promovido uma reunião em sua
casa, onde teria sido discutida uma maneira de financiar o deslocamento a
Brasília dos chamados kids pretos, militares das Forças Especiais do Exército
especialistas em guerras não convencionais. Os convivas presentes teriam
analisado a logística necessária para custear a tropa que supostamente daria
apoio à rebelião.
Foi
depois desse encontro que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de
Jair Bolsonaro, teria estimado em 100 000 reais
os gastos de hospedagem e alimentação dos combatentes.
Conhecido
pela discrição e pelo bom trato, o general não poupava os colegas de farda que
supostamente estariam se opondo à empreitada golpista. Em uma das mensagens,
xingou o então comandante do Exército, Freire Gomes, de “cagão”.
Em
outra, o alvo foi o então chefe da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Jr., contra
quem recomendou “sentar o pau” por ser um “traidor da pátria”. Ele ainda
orientou um interlocutor a “viralizar” uma mensagem que registrava que o atual
comandante do Exército, Tomás Paiva, “nunca valeu nada” e que parecia que “ele
é PT desde pequenininho”
A
PF desconfia que Braga Netto não só atuava em um núcleo organizado para incitar
outros militares a aderir ao golpe como tramou intensamente contra a democracia
antes, durante e depois das eleições.
Por
essa razão, o ministro Alexandre de Moraes expediu uma ordem de busca nos
endereços de Braga Netto, apreendeu seu passaporte e o proibiu de manter
qualquer contato com outros investigados.
Há
quem diga que a decretação de medidas judiciais ainda mais restritivas é
questão de tempo. O fato é que o cerco ao general está se fechando — e ele sabe
disso.
Intimado
a depor, invocou o direito de permanecer calado enquanto não tiver acesso à
íntegra do inquérito. Nos últimos dias, Braga Netto tem mantido reuniões
intensas com seus advogados e traçado as linhas gerais de sua estratégia de
defesa.
Ele
vai confirmar que comparecia diariamente ao Palácio da Alvorada depois das
eleições, mas apenas para consolar o então presidente, abatido com a derrota, e
que, nesse período, participou de nenhuma reunião com militares. Também vai
afirmar que nunca houve nenhum encontro em sua casa para tratar sobre kids
pretos.
Para
a Polícia Federal, não há dúvidas de que ele e o ex-presidente agiram em
sintonia. “Nunca ouvi nada sobre golpe, nunca existiu isso. A sensação é que
começaram a montar a casa pelo telhado e agora querem achar as paredes”, disse
o general a um interlocutor. Difícil acreditar em suas palavras. Para a
polícia, a casa foi, sim, toda montada — e agora caiu.
Apex
investiga “manobras golpistas” do general Lourena, pai de Mauro Cid
A
comissão interna instaurada na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos (Apex) para apurar supostos desvios de conduta do general da
reserva Mauro Lourena Cid chamou três funcionários do órgão em Miami (EUA) para
prestar esclarecimentos. A Apex confirmou o convite.
Os
três devem ser ouvidos na sede da agência, em Brasília, na próxima semana.
Integrantes da agência dizem que a apuração é feita com cautela, dando direito
a todos de responder aos questionamentos. Os funcionários convidados para dar
explicações são Michael Rinelli, analista de investimentos, Fernando Spohr,
representante da Apex-Miami, e Paola Bueno, integrante da área de recursos
humanos.
O
site UOL publicou, na terça-feira (2), que o general teria usado a estrutura da
agência para tratar de planos golpistas. Ele chefiou o escritório da Apex em
Miami durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lourena
Cid ainda voltou algumas vezes ao escritório em Miami, segundo a reportagem,
após ter deixado o cargo. O objetivo teria sido apagar informações do celular
corporativo e de computadores da Apex.
Segundo
relatos de funcionários e ex-funcionários da agência à CNN, Rinelli teria
admitido a integrantes da Apex que apagou celulares e computadores que estavam
com o general por uma ordem de Spohr e Paola.
A
decisão de sumir com rastros ocorreu depois dos ataques de 8 de janeiro, quando
o general já não estava mais como chefe da agência. Lourena Cid é pai do
ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, peça-chave nas
investigações.
Há
um desconforto entre os atuais funcionários da Apex em Miami pelo fato de ele
continuarem exercendo os cargos, mesmo com a apuração interna em andamento. No
Brasil, porém, a diretoria não quer tomar decisões sumárias.
Fernando
ficou como chefe-interino do escritório quando o general deixou o cargo e ele e
Paola teriam permitido que Lourena Cid visitasse o local. Já Rinelli é descrito
como alguém que era próximo ao general, por ter um passado no Exército e alguém
que o militar levava para diversas agendas e compromissos.
O
site relatou, por exemplo, que Rinelli e o general visitaram, em dezembro de
2022, o acampamento golpista montado em frente ao quartel-general do Exército,
na capital federal. A suspeita é que a viagem tenha sido custeada pela agência.
Segundo
pessoas próximas a Rinelli, no início de 2023, ele teria buscado se afastar do
general e começou a relatar a colegas que o militar era “golpista”.
Em
março, um funcionário da agência foi demitido uma semana antes da visita do
presidente da Apex Brasil, Jorge Viana. Esse funcionário escreveu uma carta com
os relatos dos desvios de conduta dos funcionários e da gestão do general Cid.
A
Apex informou por nota que, ao tomar conhecimento da carta, o atual presidente
da agência, Jorge Viana, em uma agenda nos Estados Unidos, conversou com os
integrantes do escritório e informou que tomaria providências.
Ao
retornar a Brasília, Jorge Viana se reuniu com a diretoria-executiva para
formar a comissão interna, que tem 60 dias para dar uma conclusão.
A
CNN entrou em contato com os três funcionários citados, mas não recebeu
retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Fonte:
Correio do Brasi/Agencia Estado/Veja/Fórum/CNN Brasil

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