segunda-feira, 8 de abril de 2024

Mesmo com Biden ameaçando Netanyahu, EUA sabem ficar em silêncio sobre violações de Israel, diz analista

Apesar da leve ameaça parecer ser o resultado de uma preocupação com os civis palestinos, para Mehmet Rakipoglu, pesquisador de assuntos internacionais na britânica Dimensions for Strategic Studies, a medida "é uma questão política sobre as próximas eleições presidenciais".

Nesta semana, a Casa Branca fez a maior repreenda ao governo de Benjamin Netanyahu desde o começo do conflito entre Israel e Hamas. Em uma ligação telefônica, o presidente Joe Biden disse ao premiê que o apoio norte-americano só continuará se a estratégia israelense para o enclave for alterada.

"Acho que é tudo uma questão política. O que quero dizer com isto é que haverá eleições nos EUA em novembro e agora o governo americano e a administração Biden estão preocupados em perder as eleições para [Donald] Trump. Muito provavelmente, ele vencerá as eleições por causa dos votos dos democratas muçulmanos. Eles não votarão em Biden. Eles vão boicotar as eleições. Esta é a razão pela qual a administração Biden tenta agora criticar Netanyahu", afirmou o analista em entrevista à Sputnik.

A pressão de Washington sobre Tel Aviv aumentou depois que um ataque aéreo israelense matou sete funcionários humanitários da ONG World Central Kitchen que distribuíam ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

A diretora-executiva da ONG, Erin Gore, afirmou que o ataque "foi dirigido", uma vez que a organização coordenou movimentos com as Forças de Defesa de Israel (FDI) previamente, e que os carros foram atingidos quando os trabalhadores saíam de um armazém em Deir al-Balah após descarregar 100 toneladas de comida.

"Este não é apenas um ataque contra a WCF, é um ataque às organizações humanitárias que avançam nas situações mais precárias onde a comida está a ser usada como arma de guerra. Isto é imperdoável", declarou Gore, citada pelo Euronews.

O Departamento de Estado dos EUA considerou o incidente inaceitável e disse que as FDI devem impor medidas para descartar uma repetição de tal incidente. Pode-se esperar que "mais problemas entre Netanyahu e Biden" aconteçam no futuro, previu o especialista, mesmo reafirmando que descarta qualquer mudança radical entre os EUA e Israel.

"Estou dizendo isso porque não é novidade para nós ver que Israel está violando o direito internacional [...], mas Washington sabe ficar em silêncio sobre essas violações", disse o analista relembrando que não houve qualquer interrupção no fluxo de ajuda letal dos EUA para Israel, incluindo venda de bombas nesta semana, apesar dos apelos tímidos da administração para que Tel Aviv poupe vidas de civis.

"Os EUA e as suas administrações também dependem do governo israelense. Portanto, não vejo quaisquer mudanças radicais da perspectiva dos EUA e da sua política em relação a Israel. E também circula que os Estados Unidos deveriam ou poderiam reconsiderar as suas vendas de armas, mas não acredito que isso aconteceria", complementou Rakipoglu.

Desde que a guerra entre Israel e Hamas começou, em 7 de outubro, mais de 33 mil palestinos foram mortos. Do lado israelense, cerca de 1.350 pessoas morreram e 250 foram sequestradas.

¨      Resistência Islâmica do Iraque atinge refinarias petrolíferas de Israel

O grupo militante anunciou ter atacado "as refinarias de petróleo de Haifa", em Israel, em resposta às suas ações na Faixa de Gaza.

Grupos militantes xiitas afiliados à Resistência Islâmica do Iraque atacaram no sábado (6) alvos no norte de Israel, comunicou o movimento em seu canal no Telegram.

"Os mujahideen da Resistência Islâmica do Iraque atacaram nas primeiras horas desta manhã, sábado, 6 de abril de 2024, usando um drone, as refinarias de petróleo de Haifa em nossos territórios ocupados", detalhou a declaração.

O movimento diz que "continuará destruindo as fortalezas inimigas a fim de completar a segunda fase das operações para resistir à ocupação e apoiar nosso povo em Gaza".

O grupo tem atacado repetidamente alvos militares dos EUA na Síria e no Iraque neste ano. Anteriormente, a mídia norte-americana informou que Washington ameaçou os líderes iraquianos com "graves consequências" se eles não tomassem medidas para interromper os ataques, que ocorrem em resposta às grandes violações de direitos humanos por Israel na sua guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza, que já provocou dezenas de milhares de mortes.

¨      EUA estão em 'alerta máximo' para possível resposta iraniana ao ataque israelense na Síria

As Forças Armadas dos Estados Unidos estão em "alto estado de vigilância" e preparam-se para um possível ataque do Irã contra instalações israelenses ou americanas.

Segundo a mídia ocidental, isso acontece após o ataque de Israel a um edifício consular na Síria.

"Estamos definitivamente em um alto estado de vigilância", reconheceu um funcionário do governo Biden, cuja identidade não foi revelada, segundo uma reportagem da Reuters.

Meios de comunicação como Reuters, CNN e Washington Examiner concordam que o país norte-americano está "em alerta máximo" para um possível ataque do Irã contra infraestruturas vitais dos Estados Unidos ou de Israel no Oriente Médio.

"As nossas equipes estão mantendo contato desde então [desde o ataque em Damasco]. Os Estados Unidos apoiam totalmente a defesa de Israel contra as ameaças do Irã", afirmou o alto funcionário da administração Biden.

¨      Israel pôde atacar o consulado iraniano porque 'os EUA e outros países permitiram', atesta analista

É o que destaca o analista político iraniano-americano Seyed Mohammad Marandi em entrevista à Sputnik.

Segundo ele, dada a forma como os Estados Unidos e os seus aliados permitiram continuamente que Israel "cruzasse todas as linhas vermelhas" no passado, o ataque ao consulado em Damasco "não deveria ser uma surpresa".

"O regime israelense só é capaz de levar a cabo estes ataques porque os Estados Unidos, os europeus, os canadenses, os britânicos e os australianos o permitem cruzar todas as linhas vermelhas [...]", disse Marandi em entrevista à Sputnik.

Além de não estabelecer limites para as ações do governo em Tel Aviv, Washington e os europeus continuam a repetir as mentiras de Israel, segundo o analista.

"Agora, eles ainda tentam repetir as mentiras, embora seja muito mais difícil", explicou Marandi.

¨      Israel acredita estar acima da lei com ataques à embaixada e comboio de ajuda, diz analista

Os recentes ataques israelenses contra a Embaixada iraniana, em Damasco, e os trabalhadores humanitários da ONG World Central Kitchen (WCK), em Gaza, no último 1º de abril, provam que Israel acha que está acima da lei, avaliou o comentarista de assuntos internacionais Scott Ritter, em entrevista à Sputnik nesta sexta-feira (5).

"Em uma semana, o mundo testemunhou duas violações arbitrárias do direito internacional e das normas e dos padrões das nações civilizadas pelo Estado de Israel", disse Ritter, que também é ex-inspetor de armas da Organização das Nações Unidas (ONU).

"O fato de Israel considerar esses oficiais como alvos legítimos não lhes dá permissão para violar as proteções que são garantidas a essas estruturas. A imunidade diplomática é uma realidade, e esses prédios são garantidos pela inviolabilidade, proteção do direito internacional, e Israel optou por violar isso", comentou ele.

As consequências do ataque ainda não foram totalmente reveladas, mas com base na própria reação e antecipação de Israel, podem ser bastante graves, segundo ele.

"isso poderia lançar não apenas a região, mas o mundo todo em caos, tumulto e conflito, tudo porque Israel decidiu que poderia operar acima da lei", advertiu o analista.

Quanto ao ataque à WCK, Ritter alegou que os trabalhadores humanitários foram alvos, porque seu trabalho interfere nos planos israelenses de retirar a população palestina de Gaza.

"As consequências dessa ação foram claras. Quase imediatamente, navios cheios de ajuda humanitária deram meia-volta e se recusaram a descarregar suas cargas vitalícias em Gaza com medo de serem atacados por Israel", disse ele.

Por conta do ataque, a organização suspendeu suas operações no enclave. As vítimas são cidadãos de Austrália, Polônia, Reino Unido e Palestina, além de uma pessoa com dupla cidadania dos Estados Unidos e do Canadá, segundo o comunicado oficial.

A equipe da WCK percorria uma zona livre de hostilidades em dois veículos blindados com o logotipo da organização, além de um terceiro veículo. O comboio, embora coordenasse os seus movimentos com as Forças de Defesa de Israel (FDI), foi atingido na saída do armazém, depois de descarregar mais de 100 toneladas de alimentos enviados a Gaza por via marítima.

Benjamin Netanyahu disse que o ataque foi involuntário e não permitiria que acontecesse novamente, mas fez a observação de que essas situações acontecem "em tempos de guerra".

"Esses crimes continuarão enquanto for permitido que Israel opere sem enfrentar nenhuma consequência - enquanto os Estados Unidos continuarem a fornecer cobertura diplomática para Israel no Conselho de Segurança das Nações Unidas -, enquanto o mundo estiver disposto a fechar os olhos para os crimes cometidos pelo governo de Benjamin Netanyahu", concluiu Ritter.

Já o ataque aéreo israelense à representação iraniana em Damasco matou sete pessoas, entre elas dois generais.

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, classificou anteriormente o ataque como um "crime injusto" cometido pelo Estado judeu, advertindo que tal ação "não ficará sem resposta".

 

Ø  Dezenas de congressistas dos EUA assinam carta que pede a Biden que reduza a ajuda a Israel

 

Dezenas de pessoas, quase todas membros do Congresso dos EUA, exortaram a Casa Branca a mudar sua política relativamente a Israel após o recente ataque israelense que matou trabalhadores humanitários.

Quarenta membros do Congresso dos EUA, incluindo Nancy Pelosi, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos EUA (2019-2022), fizeram um apelo por meio de uma carta conjunta a Joe Biden, presidente dos EUA, e a Antony Blinken, secretário de Estado, para que interrompam a transferência de armas ofensivas para Israel.

Na segunda-feira (1º), sete trabalhadores humanitários da World Central Kitchen (WCK) da Austrália, Polônia, Reino Unido, Palestina e um cidadão com dupla nacionalidade dos EUA e do Canadá foram mortos em um ataque israelense na Faixa de Gaza. A WCK suspendeu suas operações na região após o incidente.

As Forças de Defesa de Israel informaram mais tarde que demitiram dois oficiais e repreenderam outros três após a conclusão da investigação sobre o ataque. O inquérito concluiu que as forças israelenses acreditaram erroneamente que estavam atacando homens armados do Hamas.

"Escrevemos para expressar nossa preocupação e indignação em relação ao recente ataque aéreo israelense que matou sete trabalhadores humanitários da World Central Kitchen, incluindo um cidadão americano. À luz desse incidente, pedimos seriamente que reconsidere sua recente decisão de autorizar a transferência de um novo pacote de armas para Israel e que suspenda essa e quaisquer futuras transferências de armas ofensivas até que seja concluída uma investigação completa sobre o ataque aéreo", diz a carta.

Os membros do Congresso dos EUA também pediram na carta a Washington que garanta que as futuras entregas militares a Israel, incluindo as transferências já autorizadas, estejam "sujeitas a condições para garantir que sejam usadas em conformidade com as leis internacionais e dos EUA".

"Também pedimos que você retenha essas transferências se Israel não mitigar suficientemente os danos a civis inocentes em Gaza, incluindo trabalhadores humanitários, e se não facilitar – ou negar ou restringir arbitrariamente – o transporte e a entrega de ajuda humanitária em Gaza", sugere o texto.

 

Ø  Analista: ataques israelenses em Gaza provam ser parte do esforço para 'industrializar o genocídio'

 

O sistema Lavender teria marcado cerca de 37 mil palestinos como suspeitos de serem militantes, normalmente tendo como alvo as suas casas para possíveis ataques aéreos, e não durante o curso da atividade militar, aponta levantamento.

De acordo com um relatório publicado na +972 Magazine, o Exército israelense marcou milhares de habitantes de Gaza como "suspeitos de assassinato", utilizando sistemas de inteligência artificial (IA) e "pouca supervisão humana".

O sistema utilizado é chamado de Lavender e "desempenhou um papel central no bombardeamento sem precedentes dos palestinos, especialmente durante as fases iniciais da guerra", observa o relatório, sublinhando que as autoridades israelenses trataram os resultados como se fossem "decisões humanas".

Esteban Carrillo, jornalista equatoriano baseado em Beirute e atual editor do The Cradle, participou nesta sexta-feira (5) do Fault Lines da Sputnik para discutir os atuais acontecimentos na Faixa de Gaza.

Questionado sobre o Lavender, que foi concebido para marcar todos os "agentes suspeitos" no Hamas e na Jihad Islâmica Palestina como ameaças potenciais, Carrillo observou que o genocídio é um "empreendimento demorado" e que a tecnologia utilizada provavelmente veio do Ocidente.

"Não são apenas os Lavender. Eles também estão usando câmeras de reconhecimento facial em Gaza para identificar pessoas que consideram ser do Hamas. Porque se você for pelos números fornecidos por Tel Aviv, todo homem, homem adulto em Gaza que foi morto é um terrorista", disse Carrillo.

¨      Comissão da ONU aprova resoluções

A Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas (CNUDH) aprovou, na sexta-feira (5), cinco resoluções envolvendo o conflito na Faixa de Gaza.

Entre eles, há um texto que pede o cessar-fogo imediato e outro que solicita a suspensão de vendas de armas a Israel — sustentada pelo risco de genocídio que o governo de Benjamin Netanyahu mantém a população palestina.

A resolução que trata da proibição de vendas ao poder israelense foi apresentada pelo Paquistão em nome dos Estados-membros da Organização da Cooperação Islâmica, com exceção da Albânia.

Com a inclusão do Brasil, a proposta obteve um parecer favorável de 28 dos 47 membros do Conselho de Direitos Humanos. Seis dos membros votaram contra e outros 13 se abstiveram.

O texto pede que os países "cessem a venda, a transferência e o desvio de armas, munições e outros equipamentos militares para Israel", visando "evitar novas violações do direito humanitário internacional e violações e abusos dos direitos humanos".

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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