sábado, 6 de abril de 2024

Colin Powell, o homem que enganou o mundo

Em 5 de abril de 1937 nascia Colin Powell, uma das figuras mais polêmicas da política externa americana. Tendo servido como secretário de Estado em Washington entre os anos de 2001 e 2005, durante o governo de George W. Bush, Powell protagonizou um escandaloso episódio no CSNU, às vésperas da invasão americana ao Iraque.

Powell e a administração presidencial de George W. Bush foram os principais responsáveis pela encenação que levou os Estados Unidos da América a invadirem o Iraque de Saddam Hussein em 2003. Naquele período, Washington era comandada pelos chamados "neocons" (um acrônimo para neoconservadores), cujos princípios envolviam o flagrante desrespeito pelos valores culturais e políticos de povos não ocidentais e uma gana por "exportar" a democracia pelo mundo através da força.

Bush, vale lembrar, após os atentados terroristas às Torres Gêmeas em 2001, já havia iniciado sua famigerada "guerra contra o terror", que se converteu em uma quase guerra contra o próprio Islã como modo de vida. Partindo de sua posição de policial do mundo, os Estados Unidos usaram e abusaram de seu poderio militar para interferir em diversas regiões ao mesmo tempo, sob o pretexto de combater o terrorismo internacional e proteger o "mundo livre" da ameaça de Osama bin Laden.

Com relação a países como Afeganistão, Irã, Iraque e até mesmo a Coreia do Norte, a administração Bush optou por negar a legitimidade de seus governos, taxando-os pejorativamente de "o eixo do mal", o que significava, na prática, uma licença para a interferência americana em seus assuntos domésticos.

Qualquer que seja, no entanto, o modelo econômico ou social de determinado governo ou regime, a prática internacional vestfaliana dizia que a intervenção estrangeira não é justificável, ainda que o Estado interventor declare intenções benéficas.

Entretanto, no começo de 2003, os Estados Unidos enfrentaram bastante relutância em conseguir a aprovação internacional para a sua desejada intervenção no Iraque, em especial no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). Washington não estava disposto a reconhecer os limites jurídicos para a defesa de seus interesses nacionais e, mais do que isso, geopolíticos, no Oriente Médio. E para defender esses interesses, nada mais apropriado do que o uso da força.

Em 2003, até mesmo aliados como França e Alemanha não podiam concordar com tal iniciativa americana de desestabilizar o Iraque e toda uma região, prevendo a catástrofe que seria uma invasão militar estadunidense ao Iraque. Esperar tal consentimento de países como China e Rússia então era ainda mais ilusório. Em termos das discussões no CSNU, predominou a falta de consenso a respeito da real periculosidade ou não do regime de Saddam Hussein, dado que o Iraque já havia comprovadamente se livrado de suas armas químicas no decorrer dos anos 1990.

Reconhecidamente, portanto, a maior parte das grandes potências da época tinham o interesse comum em evitar um confronto regional desnecessário e prolongado no Oriente Médio, com exceção dos Estados Unidos de Bush. Sabia-se que um estado de guerra entre os americanos e o exército de Saddam Hussein traria consequências devastadoras não somente para o Iraque, como também para seus vizinhos, afetando cadeias de suprimento e causando uma crise humanitária sem precedentes no Oriente Médio.

Na ausência de um consenso no âmbito do Conselho de Segurança, por sua vez, os Estados Unidos optaram por cometer um erro fatal: agir como um poder incontrolável, capaz de fazer as suas próprias regras, sem a necessidade de agradar nem a adversários nem a aliados. Colin Powell, como secretário de Estado, contribuiu justamente para a realização desse plano, em que Washington não teria a obrigação de se justificar perante ninguém, fossem quais fossem suas reais intenções.

Considerações quanto à moralidade de suas ações não eram importantes para a Casa Branca, que se viu em uma posição de ter de implementar seus objetivos por meio da força e desconsiderando a opinião da comunidade internacional.

Os Estados Unidos, que haviam auxiliado o mesmo Saddam Hussein durante os anos 1980 no âmbito da guerra entre Iraque e Irã, agora estavam determinados a derrubar o líder árabe a todo o custo, arrogando para si o papel de justiceiro global, acima do bem e do mal. O egoísmo nacional demonstrado por Bush e seus adidos políticos, como Colin Powell, derivava do "excepcionalismo" americano e do completo desprezo pelas normas do direito internacional e das Nações Unidas. O intuito era usar a força de uma maneira irrestrita em busca da derrubada de um regime que os Estados Unidos não mais viam como útil, tudo isso à custa de milhares de vidas inocentes.

No plano econômico, o frenesi da chamada "guerra ao terror" era uma oportunidade de ouro para o Complexo Militar Industrial estadunidense, cujas guerras permanentes (ou "guerras eternas") eram altamente benéficas para a economia dos Estados Unidos e para boa parte de sua elite política. Em fevereiro de 2003, por fim, pouco tempo antes da invasão ao Iraque, o CSNU se tornou palco de um dos maiores escândalos políticos da história.

E esse escândalo foi protagonizado por ninguém mais ninguém menos do que Colin Powell. Ele levou para a Organização das Nações Unidas (ONU) um frasco supostamente contendo antraz, um reagente químico altamente perigoso para o organismo humano, argumentando que Saddam Hussein produzia em segredo armas químicas.

A encenação de Powell não foi capaz de convencer os demais membros do Conselho de Segurança, que pleiteavam uma solução diplomática, e não militar, para lidar com o regime de Saddam Hussein e suas alegadas conexões com o grupo terrorista Al-Qaeda (proibido na Rússia).

No entanto, Colin Powell e George W. Bush estavam decididos a forçar uma intervenção americana no Iraque "goela abaixo" seja de quem fosse, mesmo que terminassem desacreditados perante a comunidade internacional.

Após a invasão, no entanto, as tais armas químicas não foram encontradas, centenas de milhares de vidas foram perdidas, e os Estados Unidos quebraram para sempre a confiança nas normas do direito internacional. Tudo isso se deu com a anuência e com a ativa participação de Colin Powell, o fatídico secretário de Estado de Bush e o homem que enganou o mundo.

 

Ø  Acadêmico: diplomacia dos EUA 'falhou totalmente' na Ucrânia, Washington deve buscar negociações

 

A política dos EUA na Ucrânia fracassou e, em vez de encorajar a adesão do país à OTAN, Washington deve buscar negociações de paz com a Rússia, disse à Sputnik Jeffrey Sachs, economista norte-americano e acadêmico da Universidade de Columbia.

Em Bruxelas, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmou que a Ucrânia se tornará membro da OTAN, mas não especificou quando. Ele acrescentou que a cúpula da OTAN de 2024 que será realizada em Washington ajudará a construir uma ponte para a Ucrânia se juntar à aliança.

"A declaração do secretário Blinken é outro desastre para a Ucrânia, […] a diplomacia americana fracassou completamente e de fato entrou em colapso", disse Sachs. "O secretário Blinken deveria estar em negociações com seu homólogo, o ministro das Relações Exteriores [da Rússia, Sergei] Lavrov, em vez de reiterar a política externa totalmente fracassada que provocou esta guerra."

O presidente russo Vladimir Putin havia dito que a expansão da OTAN para incluir a Ucrânia criaria uma ameaça direta à segurança nacional da Rússia e que Moscou considera o status não alinhado da Ucrânia extremamente importante para pôr fim ao conflito de anos.

Por sua vez, o senador norte-americano Mike Lee, reagindo às palavras de Blinken, escreveu na rede social X que "a OTAN pode ter os EUA ou a Ucrânia, mas não ambos".

¨      Em mensagem, Irã diz aos EUA 'para se afastarem' enquanto Teerã prepara ação militar contra Israel

 

A república islâmica pediu aos Estados Unidos que se distanciem "para não serem atingidos" enquanto o país prepara uma resposta ao ataque israelense à sua embaixada na Síria, ocorrido na segunda-feira (1º) e que deixou sete iranianos mortos.

Em uma mensagem a Washington, Teerã "alertou os EUA para não serem arrastados para a armadilha de [Benjamin] Netanyahu", escreveu Mohammad Jamshidi, vice-chefe de gabinete do presidente iraniano para assuntos políticos nesta sexta-feira (5).

"Os EUA deveriam se afastar para não serem atingidos", dizia a mensagem. Em resposta, Washington "pediu ao Irã que não atingisse alvos norte-americanos", disse Jamshidi.

O governo Biden não comentou a mensagem iraniana, mas a Casa Branca tomou a medida incomum de comunicar diretamente ao Irã que não sabia que o ataque de segunda-feira aconteceria, informou a Bloomberg.

Enquanto a movimentação nos bastidores acontece, o Hezbollah avisou ao Estado judeu que está "se preparado para a guerra", afirma a mídia. O ataque aéreo atingiu a seção consular da embaixada iraniana em Damasco, matando pelo menos sete pessoas, incluindo dois generais do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC).

Embora Israel tenha repetidamente visado ativos ligados ao Irã na Síria nos últimos meses, esta foi a primeira vez que um ataque atingiu um edifício diplomático iraniano.

Tel Aviv tem estado em alerta desde então, cancelando a licença das tropas de combate, convocando reservistas e reforçando as defesas aéreas. Na capital, seus militares embaralharam sinais de navegação ontem (4) para interromper possíveis drones ou mísseis navegados por GPS disparados contra o país, conforme relatado pela Reuters.

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse hoje (5) que uma resposta do Irã está, sem dúvida, chegando. Mas acrescentou que o grupo não "interferirá em tais decisões".

"E depois disso, como Israel se comportará, a região entrará em uma nova fase", complementou Nasrallah, citado pela mídia.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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