Colin Powell, o homem que enganou o mundo
Em 5 de abril de 1937
nascia Colin Powell, uma das figuras mais polêmicas da política externa
americana. Tendo servido como secretário de Estado em Washington entre os anos
de 2001 e 2005, durante o governo de George W. Bush, Powell protagonizou um
escandaloso episódio no CSNU, às vésperas da invasão americana ao Iraque.
Powell e a
administração presidencial de George W. Bush foram os principais responsáveis
pela encenação que levou os Estados Unidos da América a invadirem o Iraque de
Saddam Hussein em 2003. Naquele período, Washington era comandada pelos
chamados "neocons" (um acrônimo para neoconservadores), cujos
princípios envolviam o flagrante desrespeito pelos valores culturais e
políticos de povos não ocidentais e uma gana por "exportar" a
democracia pelo mundo através da força.
Bush, vale lembrar,
após os atentados terroristas às Torres Gêmeas em 2001, já havia iniciado sua
famigerada "guerra contra o terror", que se converteu em uma quase
guerra contra o próprio Islã como modo de vida. Partindo de sua posição de policial
do mundo, os Estados Unidos usaram e abusaram de seu poderio militar para
interferir em diversas regiões ao mesmo tempo, sob o pretexto de combater o
terrorismo internacional e proteger o "mundo livre" da ameaça de
Osama bin Laden.
Com relação a países
como Afeganistão, Irã, Iraque e até mesmo a Coreia do Norte, a administração
Bush optou por negar a legitimidade de seus governos, taxando-os
pejorativamente de "o eixo do mal", o que significava, na prática,
uma licença para a interferência americana em seus assuntos domésticos.
Qualquer que seja, no
entanto, o modelo econômico ou social de determinado governo ou regime, a
prática internacional vestfaliana dizia que a intervenção estrangeira não é
justificável, ainda que o Estado interventor declare intenções benéficas.
Entretanto, no começo
de 2003, os Estados Unidos enfrentaram bastante relutância em conseguir a
aprovação internacional para a sua desejada intervenção no Iraque, em especial
no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). Washington não estava disposto
a reconhecer os limites jurídicos para a defesa de seus interesses nacionais e,
mais do que isso, geopolíticos, no Oriente Médio. E para defender esses
interesses, nada mais apropriado do que o uso da força.
Em 2003, até mesmo
aliados como França e Alemanha não podiam concordar com tal iniciativa
americana de desestabilizar o Iraque e toda uma região, prevendo a catástrofe
que seria uma invasão militar estadunidense ao Iraque. Esperar tal
consentimento de países como China e Rússia então era ainda mais ilusório. Em
termos das discussões no CSNU, predominou a falta de consenso a respeito da
real periculosidade ou não do regime de Saddam Hussein, dado que o Iraque já
havia comprovadamente se livrado de suas armas químicas no decorrer dos anos
1990.
Reconhecidamente,
portanto, a maior parte das grandes potências da época tinham o interesse comum
em evitar um confronto regional desnecessário e prolongado no Oriente Médio,
com exceção dos Estados Unidos de Bush. Sabia-se que um estado de guerra entre os
americanos e o exército de Saddam Hussein traria consequências devastadoras não
somente para o Iraque, como também para seus vizinhos, afetando cadeias de
suprimento e causando uma crise humanitária sem precedentes no Oriente Médio.
Na ausência de um
consenso no âmbito do Conselho de Segurança, por sua vez, os Estados Unidos
optaram por cometer um erro fatal: agir como um poder incontrolável, capaz de
fazer as suas próprias regras, sem a necessidade de agradar nem a adversários
nem a aliados. Colin Powell, como secretário de Estado, contribuiu justamente
para a realização desse plano, em que Washington não teria a obrigação de se
justificar perante ninguém, fossem quais fossem suas reais intenções.
Considerações quanto à
moralidade de suas ações não eram importantes para a Casa Branca, que se viu em
uma posição de ter de implementar seus objetivos por meio da força e
desconsiderando a opinião da comunidade internacional.
Os Estados Unidos, que
haviam auxiliado o mesmo Saddam Hussein durante os anos 1980 no âmbito da
guerra entre Iraque e Irã, agora estavam determinados a derrubar o líder árabe
a todo o custo, arrogando para si o papel de justiceiro global, acima do bem e
do mal. O egoísmo nacional demonstrado por Bush e seus adidos políticos, como
Colin Powell, derivava do "excepcionalismo" americano e do completo
desprezo pelas normas do direito internacional e das Nações Unidas. O intuito
era usar a força de uma maneira irrestrita em busca da derrubada de um regime
que os Estados Unidos não mais viam como útil, tudo isso à custa de milhares de
vidas inocentes.
No plano econômico, o
frenesi da chamada "guerra ao terror" era uma oportunidade de ouro
para o Complexo Militar Industrial estadunidense, cujas guerras permanentes (ou
"guerras eternas") eram altamente benéficas para a economia dos Estados
Unidos e para boa parte de sua elite política. Em fevereiro de 2003, por fim,
pouco tempo antes da invasão ao Iraque, o CSNU se tornou palco de um dos
maiores escândalos políticos da história.
E esse escândalo foi
protagonizado por ninguém mais ninguém menos do que Colin Powell. Ele levou
para a Organização das Nações Unidas (ONU) um frasco supostamente contendo
antraz, um reagente químico altamente perigoso para o organismo humano,
argumentando que Saddam Hussein produzia em segredo armas químicas.
A encenação de Powell
não foi capaz de convencer os demais membros do Conselho de Segurança, que
pleiteavam uma solução diplomática, e não militar, para lidar com o regime de
Saddam Hussein e suas alegadas conexões com o grupo terrorista Al-Qaeda
(proibido na Rússia).
No entanto, Colin
Powell e George W. Bush estavam decididos a forçar uma intervenção americana no
Iraque "goela abaixo" seja de quem fosse, mesmo que terminassem
desacreditados perante a comunidade internacional.
Após a invasão, no
entanto, as tais armas químicas não foram encontradas, centenas de milhares de
vidas foram perdidas, e os Estados Unidos quebraram para sempre a confiança nas
normas do direito internacional. Tudo isso se deu com a anuência e com a ativa
participação de Colin Powell, o fatídico secretário de Estado de Bush e o homem
que enganou o mundo.
Ø Acadêmico: diplomacia dos EUA 'falhou totalmente' na Ucrânia,
Washington deve buscar negociações
A política dos EUA na
Ucrânia fracassou e, em vez de encorajar a adesão do país à OTAN, Washington
deve buscar negociações de paz com a Rússia, disse à Sputnik Jeffrey Sachs,
economista norte-americano e acadêmico da Universidade de Columbia.
Em Bruxelas, o
secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmou que a Ucrânia se tornará
membro da OTAN, mas não especificou quando. Ele acrescentou que a cúpula da
OTAN de 2024 que será realizada em Washington ajudará a construir uma ponte
para a Ucrânia se juntar à aliança.
"A declaração do
secretário Blinken é outro desastre para a Ucrânia, […] a diplomacia americana
fracassou completamente e de fato entrou em colapso", disse Sachs. "O
secretário Blinken deveria estar em negociações com seu homólogo, o ministro
das Relações Exteriores [da Rússia, Sergei] Lavrov, em vez de reiterar a
política externa totalmente fracassada que provocou esta guerra."
O presidente russo
Vladimir Putin havia dito que a expansão da OTAN para incluir a Ucrânia criaria
uma ameaça direta à segurança nacional da Rússia e que Moscou considera o
status não alinhado da Ucrânia extremamente importante para pôr fim ao conflito
de anos.
Por sua vez, o senador
norte-americano Mike Lee, reagindo às palavras de Blinken, escreveu na rede
social X que "a OTAN pode ter os EUA ou a Ucrânia, mas não ambos".
¨ Em mensagem, Irã diz aos EUA 'para se afastarem' enquanto Teerã
prepara ação militar contra Israel
A república islâmica
pediu aos Estados Unidos que se distanciem "para não serem atingidos"
enquanto o país prepara uma resposta ao ataque israelense à sua embaixada na
Síria, ocorrido na segunda-feira (1º) e que deixou sete iranianos mortos.
Em uma mensagem a
Washington, Teerã "alertou os EUA para não serem arrastados para a
armadilha de [Benjamin] Netanyahu", escreveu Mohammad Jamshidi, vice-chefe
de gabinete do presidente iraniano para assuntos políticos nesta sexta-feira
(5).
"Os EUA deveriam
se afastar para não serem atingidos", dizia a mensagem. Em resposta,
Washington "pediu ao Irã que não atingisse alvos norte-americanos",
disse Jamshidi.
O governo Biden não
comentou a mensagem iraniana, mas a Casa Branca tomou a medida incomum de
comunicar diretamente ao Irã que não sabia que o ataque de segunda-feira
aconteceria, informou a Bloomberg.
Enquanto a
movimentação nos bastidores acontece, o Hezbollah avisou ao Estado judeu que
está "se preparado para a guerra", afirma a mídia. O ataque aéreo
atingiu a seção consular da embaixada iraniana em Damasco, matando pelo menos
sete pessoas, incluindo dois generais do Corpo de Guardiões da Revolução
Islâmica (IRGC).
Embora Israel tenha
repetidamente visado ativos ligados ao Irã na Síria nos últimos meses, esta foi
a primeira vez que um ataque atingiu um edifício diplomático iraniano.
Tel Aviv tem estado em
alerta desde então, cancelando a licença das tropas de combate, convocando
reservistas e reforçando as defesas aéreas. Na capital, seus militares
embaralharam sinais de navegação ontem (4) para interromper possíveis drones ou
mísseis navegados por GPS disparados contra o país, conforme relatado pela
Reuters.
O líder do Hezbollah,
Hassan Nasrallah, disse hoje (5) que uma resposta do Irã está, sem dúvida,
chegando. Mas acrescentou que o grupo não "interferirá em tais
decisões".
"E depois disso,
como Israel se comportará, a região entrará em uma nova fase",
complementou Nasrallah, citado pela mídia.
Fonte: Sputnik Brasil

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