domingo, 3 de setembro de 2023

Alex Solnik: Quem pariu Mateus que o embale - Lira tem que demitir Juscelino, não Lula

Se Lira quiser continuar de bem com Lula, tem que evitar que o presidente se desgaste demitindo Juscelino Filho. Foi Lira, afinal, quem o indicou. Quem pariu Mateus que o embale.

O escândalo vai dar um freio de arrumação no apetite do presidente da Câmara, que exigia ministérios a torto e a direito em troca de votos. Agora Lula ganhou um forte argumento para adiar a reforma. Tem que esperar a poeira baixar.

E é claro que o presidente espera que Lira convença o escandaloso ministro a pegar o banquinho e sair de fininho, “para se defender de acusações de seus inimigos”. É o mínimo para retomar as negociações.

 

Ø  Futuro do ministro Juscelino depende de Barroso, diz Lula

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem aos líderes do Centrão, deixando claro que só planeja remover o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, caso a Justiça tome "medidas efetivas" contra ele. Segundo a coluna do jornalista Tales Faria, do UOL, Lula também enfatizou que o destino de Juscelino no governo está nas mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso. 

Nesta sexta-feira (1), a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão envolvendo a irmã do ministro das Comunicações, Luanna Rezende (União Brasil), que é prefeita da cidade de Vitorino Freire, no Maranhão. A investigação da PF apura suspeitas de desvio de verbas de emendas parlamentares destinadas ao município por meio da estatal Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), incluindo a de que a pavimentação de uma estrada vicinal beneficiaria diretamente uma fazenda da família do ministro e da prefeita. 

Ainda segundo a reportagem, “o presidente Lula não deixou claro aos interlocutores o que considerará como ‘medidas efetivas da Justiça’ que poderão levar ao afastamento do ministro. O presidente afirmou que já foi alvo de injustiças e não pretende tomar "medidas açodadas", mas que também não pode deixar o governo exposto”.

 

Ø  Ministro das Comunicações tem bens bloqueados pelo Supremo

 

 O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de recursos do ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil-MA), no contexto de investigações sobre o desvio de verbas envolvendo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Foram bloqueados R$ 835 mil. A situação de Juscelino é delicada e ele pode cair.

A Polícia Federal (PF) havia iniciado pela manhã a Operação Benesse, sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares, por meio da estatal, destinadas à prefeitura de Vitorino Freire (MA). A irmã do ministro, Luanna Rezende (União Brasil), é prefeita da cidade e também é um dos alvos da operação. Luanna foi afastada do cargo por uma medida cautelar em decorrência da ação da PF.

As investigações apuram corrupção supostamente cometida quando Juscelino exercia o mandato de deputado federal. Os agentes cumpriram 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF nas cidades maranhenses de São Luís (capital), Vitorino Freire e Bacabal.

PF diz que a operação tem a “finalidade de desarticular organização criminosa estruturada para promover fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, envolvendo verbas federais da Codevasf”.

·         O que diz a defesa de Juscelino

Segundo a defesa do ministro, ele tem tido uma atuação “pautada pelo interesse público e atendimento da população”. Diz ainda que o inquérito em andamento “servirá justamente para esclarecer os fatos e demonstrar que não houve qualquer irregularidade”.

Os advogados destacam ainda que “emendas parlamentares são instrumentos legítimos e democráticos do Congresso Nacional e Juscelino Filho segue à disposição, como sempre esteve, para prestar esclarecimentos às autoridades”.

·         Nomeação foi considerada um erro

A nomeação de Juscelino por Lula ao poderoso Ministério das Comunicações foi mal recebida por aliados e apoiadores do presidente desde o início. Além de sua completa falta de familiaridade com assuntos relacionados à pasta, ele já era suspeito de direcionar verbas de emendas parlamentares a terras da família.

O ministro também nomeou o advogado Antonio Malva Neto para a diretoria do Departamento de Radiodifusão Privada do ministério. O advogado é sócio do empresário Willer Tomaz, considerado parceiro e amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

ENTENDA O CASO

A deflagração da Operação Benesse, pela Polícia Federal, para apurar desvio de verbas federais da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), fez o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, voltar ao centro das atenções e criar mais um problema para o Palácio do Planalto. Ante indícios de desvio de recursos de emendas parlamentares, ele teve os bens bloqueados por determinação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado, no entanto, negou pedido da corporação para fazer buscas em endereços do integrante do governo.

A investigação foi iniciada em 2021, ainda na gestão Jair Bolsonaro, e mira obras da construtora Construservice contratadas pela Codevasf, que teriam sido bancadas com emendas parlamentares, algumas delas do então deputado federal Juscelino Filho, do União Brasil. À época, ele era da base de apoio do agora ex-presidente. "A presente fase alcança o núcleo público da organização criminosa, após se rastrear a indicação e o desvio de emendas parlamentares destinadas à pavimentação asfáltica de um município maranhense. Se confirmadas as suspeitas, os investigados poderão responder por fraude a licitação, lavagem de capitais, organização criminosa, peculato, corrupção ativa e corrupção passiva", informou a PF em nota.

O município maranhense citado pela PF é Vitorino Freire, comandado pela prefeita Luanna Rezende, irmã do Juscelino. Ela foi alvo, nesta sexta-feira, de 12 mandados de busca e apreensão e afastada do cargo por decisão de Barroso. A suspeita é de que R$ 5 milhões em emenda parlamentar repassados à Codevasf foram usados para asfaltar uma estrada que passa na fazenda da família.

Barroso não autorizou buscas contra Juscelino por entender que não há nada concreto sobre uma atuação direta de Juscelino. Segundo fontes ouvidas pelo Correio, o magistrado teria considerado "muito drástica" a medida a partir dos elementos disponíveis nos autos. Ele, porém, resolveu pelo bloqueio de bens para um eventual ressarcimento ao Erário.

Apesar do entendimento de que os indícios contra Juscelino ainda serem frágeis, a PF avalia que as buscas feitas contra a irmã dele devem trazer novas evidências sobre a participação do ministro no suposto esquema. Barroso reforçou a necessidade do prosseguimento das investigações.

A defesa do ministro se pronunciou dizendo que "Juscelino Filho não foi alvo de buscas, e o inquérito servirá justamente para esclarecer os fatos e demonstrar que não houve qualquer irregularidade". "Emendas parlamentares são instrumentos legítimos e democráticos do Congresso Nacional, e Juscelino Filho segue à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades", enfatizou a nota.

Juscelino pode ser considerado a figura mais complicada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Indicado para o ministério pelo União Brasil, com a articulação do senador Davi Alcolumbre (AP), desde o início da gestão vem sendo alvo de uma série de suspeitas.

•        Outras acusações

Além dessa investigação envolvendo a Codevasf, foi denunciado por uso indevido de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para participar de um leilão de cavalos. Em seguida, foi acusado de possuir cavalos de raça no valor de mais de R$ 2,2 milhões, que não foram declarados à Justiça Eleitoral.

O Palácio do Planalto não comentou o caso, mas uma fonte afirmou que, na próxima semana, o presidente deve encontrar Juscelino para "eles apararem as arestas". Outra comentou que "Juscelino balança, mas não cai, ainda". O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, conterrâneo de Juscelino e chefe da PF, postou em suas redes sociais sobre outras operações da corporação, mas não citou a que envolveu a irmã do colega de governo.

Na avaliação de setores do governo, a operação da PF é uma oportunidade de, com a reforma ministerial, pressionar o União para encontrar um nome que traga menos embaraços à gestão petista. "A decisão do Barroso de bloquear as contas agravou o caso, e tem gente vendo que essa pode ser a oportunidade de fazer uma troca com a reforma ministerial que está sendo terminada por esses dias", disse ao Correio um assessor do Planalto.

<><> União Brasil declara apoio a Juscelino Filho em meio a operação da PF por desvios na Codevasf

O União Brasil divulgou nota em “solidariedade e apoio” a Luanna Rezende, prefeita afastada de Vitorino Freire (MA), e a Juscelino Filho, ministro das Comunicações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos são integrantes do partido e fazem parte do quadro de investigados na Operação Benesse da Polícia Federal, aberta nesta sexta-feira, 1º, para apurar supostas fraudes e desvios na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

A nota assinada por Elmar Nascimento, líder do partido na Câmara dos Deputados, e Efraim Filho, liderança no Senado, afirma que a investigação ainda está em fase de inquérito, “com denúncias e indícios que ainda não foram devidamente apurados, e cuja falta de evidências serviram [sic] de embasamento para que se negasse, por exemplo, mandados de busca e apreensão contra a pessoa do ministro Juscelino”.

De fato, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, negou expedir o mandado de busca e apreensão contra Juscelino. A avaliação foi a de que, apesar dos indícios de desvio de dinheiro de emenda parlamentar direcionada, não haviam elementos concretos sobre uma “atuação direta” do ministro das Comunicações.

No entanto, o próprio Barroso mandou bloquear bens do ministro de Lula para possibilitar o ressarcimento dos cofres públicos, deixando claro, em sua decisão, que há necessidade de continuar as investigações.

Em janeiro deste ano, o Estadão revelou que Juscelino Filho, enquanto deputado federal pelo União Brasil, destinou R$ 5 milhões em verbas do orçamento secreto para a prefeitura de Vitorino Freire asfaltar uma estrada de terra que passa em frente à sua fazenda. Os recursos foram parar na prefeitura da irmã. A Codevasf foi a responsável pela distribuição de verbas do orçamento secreto e, como mostrou o Estadão, ao menos quatro empresas de amigos, ex-assessoras e uma cunhada do ministro ganharam mais de R$ 36 milhões em contratos com a prefeitura de Vitorino Freire.

Segundo a PF, a ofensiva iniciada na sexta-feira, que culminou na busca e apreensão em 12 endereços no Maranhão e em ordens de afastamento de cargos públicos, como o da prefeita, miram o “núcleo público da organização criminosa, após se rastrear a indicação e o desvio de emendas parlamentares destinadas à pavimentação asfáltica de um município maranhense”.

A nota do União Brasil, no entanto, afirma que vivemos “uma situação desfavorável de criminalização da política” e que “existe uma constante tentativa de relacionar atos normais da atividade parlamentar como a simples destinação de recursos para municípios, como atos de corrupção”.

•        O futuro do ministro de Lula

Conforme apresentado na coluna da Vera Rosa, no Estadão, a cadeira de Juscelino no Ministério das Comunicações deve ficar com União Brasil, qualquer que seja seu destino no governo, e a nota dos líderes do partido sinaliza com uma aposta em seu correligionário. “Expressamos solidariedade à prefeita Luanna Bringel (Rezende) e estendemos ao ministro Juscelino Filho, que tem sido alvo de ataques desde que assumiu seu cargo no ministério e tem respondido com muita dedicação e trabalho”, afirma a manifestação.

No entanto, a indicação de verbas não é a única coisa que pesa contra o ministro. O Estadão já mostrou que ele usou avião da FAB e diárias pagas com dinheiro público para ir a leilão de cavalos de raça, além de ceder o gabinete no Ministério para o sogro despachar e receber empresários, embora não esteja nomeado em nenhum cargo público.

Enquanto deputado, Juscelino também contratou um funcionário fantasma na Câmara entre os anos de 2015 a 2022. O profissional diz só ter trabalhado na propriedade rural particular do tio do ministro, mas o salário era pago com dinheiro público.

 

Fonte: Brasil 247/Correio Braziliense

 

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