Elisabeth
Lopes: A mesquinha conspiração bolsonarista que uniu o Brasil contra Bolsonaro
e Trump
A
conspiração articulada por Eduardo Bolsonaro com setores do governo americano
na tentativa de livrar seu pai do devido processo legal em curso, confirma o
perfil entreguista e covarde da família. Apesar do revés, os integrantes do clã
Bolsonaro seguem obstinados em suas tramas contra os interesses do país e em
prejuízo do povo brasileiro, tudo para defender um réu indefensável. Nesta
semana Michelle Bolsonaro chegou ao cúmulo de endereçar uma carta ao presidente
Lula, apelando para que o governo brasileiro se curve às pressões e chantagens
de Donald Trump. O gesto demonstra o desespero insano dessa família vazia em
ética, moralmente desmoralizada e sem qualquer senso de nacionalismo.
Outro
personagem que caiu em descrédito ao tentar agradar sua base da extrema direita
e, simultaneamente, preservar sua imagem perante o mercado e setores mais
moderados foi o governador da extrema direita Tarcísio de Freitas
(Republicanos). Considerado até então um bolsonarista palatável, Tarcísio
revelou sua verdadeira face ao defender Bolsonaro, reverenciar Trump e, de
forma surreal, solicitar ao STF autorização para que o ex-presidente viajasse
aos Estados Unidos a fim de negociar pessoalmente com Trump, como se este fosse
chefe de Estado. O resultado foi um desastre político.
A Faria
Lima e a mídia corporativa, que até recentemente viam em Tarcísio um nome
viável e competitivo para presidência da República, passaram a questionar seu
preparo para voos maiores. Soma-se a isso a crítica pública de Eduardo
Bolsonaro às atitudes erráticas do governador paulista, evidenciando as tensões
internas que estão ocorrendo no campo bolsonarista.
Em
contraposição à tentativa de ingerência do governo norte-americano por meio da
pressão tarifária, a resposta do governo brasileiro tem sido pautada pela
firmeza e sobriedade, conforme declarou a ministra-chefe da Secretaria de
Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Além disso, o Brasil cultiva um
histórico diplomático exitoso, baseado em negociações sólidas e estratégicas.
Como
parte dessa estratégia, o governo federal vem realizando reuniões com
representantes empresariais de diversos setores. Participaram dos encontros os
presidentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Fiesp e de setores
como siderurgia, papel e celulose, aeronáutica, calçados, têxtil, máquinas e
equipamentos, madeira, autopeças, representantes do agronegócio, entre outros
setores. Os empresários têm avaliado essas reuniões como produtivas e
convergentes, alertando que, caso a tarifa de 50% seja mantida, os prejuízos
serão devastadores, com impacto direto na economia e no emprego.
Em
paralelo, numa tentativa de recompor sua imagem política, Tarcísio de Freitas
promoveu uma reunião com setores produtivos secundários de São Paulo. No
entanto, a competência para negociações no âmbito internacional é do Governo
Federal. As reuniões estaduais, nesse contexto, são meramente figurativas.
Em
carta assinada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria,
Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo ministro de Relações Exteriores,
Mauro Vieira, encaminhada ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e
ao representante de Comércio, Jamieson Greer, o governo brasileiro expressou
sua “indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de
importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados
Unidos, a partir de 1º de agosto”. O documento ainda ressalta os 200 anos de
boas relações comerciais entre os dois países e menciona o envio, em 16 de maio
de 2025, de uma minuta confidencial com propostas de negociação setor por
setor, ainda sem retorno. Ao final, o governo manifesta disposição para
“encontrar uma solução mutuamente aceitável sobre aspectos comerciais”. Esse
documento, sem sombra de dúvida, estabelece de modo polido e assertivo a
intenção do governo brasileiro em resolver os entraves nas relações comerciais
entre os dois países.
No
entanto, mesmo diante dessa iniciativa diplomática, o governo americano optou
por endurecer sua postura. Em 15 de julho, numa nova ofensiva contra o Brasil,
foi anunciada a abertura de uma investigação, determinada por Trump, a ser
conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA. O objetivo é
examinar se as políticas comerciais brasileiras seriam “irracionais ou
discriminatórias” ou se “oneram ou restringem o comércio dos EUA”. A
investigação abrange seis tópicos: desmatamento ilegal, tarifas ao etanol
americano, a proteção de propriedade intelectual, aplicação de medidas
anticorrupção, comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, como Pix e
tarifas injustas e preferenciais.
Essa
investigação poderá durar vários meses para ser concluída, demandando tempo e
desgastes desnecessários, além de ser descabida, pois a menção dos seis tópicos
pelo governo americano não possui comprovações. Na verdade, representa mais um
ingrediente com finalidade de retaliação política ao governo brasileiro.
Como já
expus em outro artigo, as motivações de Trump vão além da tentativa de salvar
Bolsonaro, embora ele tenha reiterado esse argumento nesta semana. Há também
outros motivos coadjuvantes em jogo, como a crescente projeção internacional do
Brasil, especialmente no âmbito dos Brics, e a postura soberana do país diante
das pressões e interesses das Big Techs americanas, que buscam expandir sua
influência sem restrições sobre o mercado digital brasileiro. Quanto a estas
empresas, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, declarou em
entrevista ao jornalista Igor Gadelha (Metrópoles): “As grandes Big Techs hoje
são empresas de capital aberto com controle norte-americano e querem impor sua
agenda aos outros países […] Eles temem que o Brasil avance na sua defesa
democrática e estabeleça marcos civilizatórios para limitar a ação dessas Big
Techs […] Não vai ter interferência externa para achar que big tech vai mandar
aqui”.
Há a
suspeita de que os Estados Unidos pretendam adquirir energia de Itaipu para
atender à demanda de seus projetos de inteligência artificial, que exigem
grande capacidade energética. Essa possível movimentação não apenas revela o
interesse estratégico dos EUA em garantir fontes estáveis e baratas de energia,
como também levanta preocupações sobre uma eventual interferência no acordo
binacional entre Brasil e Paraguai. Tal ingerência poderia comprometer a
soberania energética da região e desequilibrar as bases de cooperação que regem
a gestão compartilhada da usina, construída justamente para beneficiar os dois
países de forma equitativa.
Apesar
dessas questões preocupantes, a carta chantagista de Trump reacendeu, entre os
brasileiros, um sentimento de pertencimento nacional e de defesa da soberania
do país. A reação foi transversal, atingindo todos os extratos sociais. A
imposição da tarifa funcionou como catalisador do desgaste político da extrema
direita bolsonarista, que agora se vê diante de um impasse: defender a
soberania nacional ou persistir na tentativa de salvar Bolsonaro da condenação,
mesmo ao custo de submeter o país a interesses estrangeiros.
Aliadas
a essas condições de temperatura e pressão, as precipitações provocadas a
partir do rechaço pelo Congresso Federal do Decreto de aumento do IOF e na
sequência o repúdio à chantagem de Trump desencadearam importantes reações
populares. As redes sociais foram tomadas por manifestações de indignação,
exigindo justiça tributária e soberania nacional. Essa mobilização somada a
propostas como a isenção de impostos para quem ganha até cinco mil reais em
vias de aprovação, a campanha do fim da escala 6x1 e a postura firme do governo
diante da crise internacional gerou um aumento significativo na aprovação do
governo Lula, conforme demonstram pesquisas divulgadas nesta semana pelos
institutos Atlas e Quaest.
Felipe
Nunes, diretor da Quaest, destacou na GloboNews que 70% dos brasileiros tomaram
conhecimento da tarifa imposta por Trump. Consideram a medida incorreta, veem
negativamente o envolvimento da família Bolsonaro e avaliam positivamente a
condução do presidente Lula diante da ofensiva estadunidense.
Como
era de se esperar, ao perceberem que os ventos passaram a soprar a favor de
Lula, os políticos do centrão, entre estes, os presidentes das duas casas do
Congresso, que estavam se opondo ao governo, passaram a apoiar em parte as
ações do Executivo, em contraste com as recentes insinuações de desembarque. Ao
lado do vice Geraldo Alckimin (PSB), Davi Alcolumbre (União Brasil) e Hugo
Motta (Republicanos) “importaram-se” ao se colocar à disposição do país na
defesa da soberania nacional. No entanto, o centrão oscila a cada instante,
pois a única pauta que defendem de verdade é a que eles possam amealhar
vantagens pecuniárias. Na calada da noite, após o veto do presidente sobre o
indevido aumento do número de parlamentares, em represália bandida foram aprovados
na Câmara, dois projetos prejudiciais ao país: PL da Devastação que libera
agronegócio de licenciamento ambiental e o PL que aprova renegociação de
dívidas de produtores rurais com recursos do Fundo Social, desviando subvenções
da saúde e da educação.
Em meio
a esse cenário sombrio, surgem alguns feixes de luz, a tentativa de sabotar a
soberania nacional por meio de pressões externas e conspirações
antidemocráticas não só fracassou para a turba bolsonarista, como serviu de
catalisador para o fortalecimento do governo e a rearticulação de uma base
social em torno de pautas do governo. O episódio revelou, por contraste, quem
de fato defende o Brasil e quem está disposto a entregá-lo a interesses
estrangeiros para escapar covardemente da justiça.
A
semana foi agitada, como têm sido desde as graves agressões à democracia
iniciada pela turba bolsonarista em 2022. Na segunda-feira (14/07), a
Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou ao relator da Ação Penal nº
2668, ministro Alexandre de Moraes, as alegações finais do processo que
investiga a tentativa de ruptura institucional promovida por Jair Bolsonaro e
os demais integrantes do núcleo crucial.
No
documento de 517 páginas, a PGR solicita a condenação de Bolsonaro e dos demais
réus: Mauro Cid (delator), Walter Braga Netto, Alexandre Ramagem, Almir
Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, com penas
superiores a 30 anos. A partir da apresentação, abre-se prazo de 15 dias para
manifestações das defesas, começando pelo réu delator. O julgamento está
previsto para ocorrer em setembro. Como parte das medidas cautelares
determinadas pela Suprema Corte e executadas nesta sexta-feira (18/07)
Bolsonaro passou a ser monitorado 24 horas por dia por meio de tornozeleira
eletrônica, um sinal claro de que a Justiça brasileira não se curva às
ignomínias de Trump.
Em
retaliação, o infame governo de face alaranjada anunciou, no mesmo dia, a
revogação imediata do visto norte-americano do ministro Alexandre de Moraes, de
seus familiares e de aliados no Supremo Tribunal Federal. Essa retaliação
grotesca é mais uma afronta ao Brasil numa lógica intimidadora e colonialista
promovida por uma figura abjeta, patética, mas muito esperta. Conforme
informação do G1/Jornal Nacional (18/07): “compra e venda de dólares no dia do
anúncio do tarifaço ao Brasil dá sinais sobre uso de informações
privilegiadas”. Quem será o esperto e oculto especulador financeiro que diz?
“eu quero fazer a transação rápido e não quero que ninguém veja”. Eis a
pergunta que não quer calar.
O
Brasil atravessa um momento delicado diante dos ataques de Trump, entretanto, a
resposta do governo brasileiro, em defesa da soberania do país e da economia
nacional, tem demonstrado maturidade, moderação e estratégia. Essa postura
reconfigura o cenário político a favor do governo. A conspiração bolsonarista
provocou sa união de setores antes dispersos e isolou, em certa medida, o
bolsonarismo por desnudar quem de fato defende o Brasil, para além do falso
discurso de que o “Brasil estaria acima de tudo”. Para Tarcísio de Freitas
(Republicanos), Jair Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro
(PL), Michelle Bolsonaro (PL), Sóstenes Cavalcante (PL) e demais asseclas dessa
súcia liberal, a soberania do Brasil pode ser negociada por um preço vil.
• Sorte de Bolsonaro o Brasil não ser uma
ditadura. Só “traição à pátria” dava 15 anos de cadeia. Por Alex Solnik
Se os
atos de Eduardo e Jair Bolsonaro fossem julgados à luz da Lei de Segurança
Nacional, elaborada pela ditadura militar que eles tanto enaltecem, seriam
enquadrados por “traição à Pátria”:
“Colaborar
com governo estrangeiro para provocar guerra ou hostilidade contra o Brasil”
(artigo 12 da Lei nº 7.170/1983).
Mas,
quando ela foi revogada e substituída pela Lei nº 14.197/2021, “traição à
pátria” foi trocada por “atentado à soberania nacional”:
“Negociar
com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de provocar atos
típicos de guerra contra o país ou invadi-lo”.
O que
pai e filho estão cometendo cabe melhor na moldura do artigo 12, que fala em
“hostilidade contra o Brasil”, mas não é fora de propósito admitir que são
“atos típicos de guerra”, como “submeter o STF a um estado estrangeiro”, como
Alexandre de Moraes alega na decisão.
“Traição
à pátria” era punida com reclusão de 3 a 15 anos.
“Atentado
à soberania” pune com 3 a 8.
Com os
três novos crimes de que foi acusado (obstrução e coação de Justiça e atentado
à soberania nacional), Jair pode pegar 63 anos. Se vigorasse a Lei de Segurança
Nacional, seriam 70.
Sorte
dele o Brasil não ser uma ditadura.
<><>
Pena máxima de Bolsonaro sobe para 63 anos
Bolsonaro
está sujeito a 63 anos de prisão. Os 43 a que já estava sujeito pelos cinco
crimes relativos ao 8/1 e agora os 20 a que está sujeito por mais três crimes:
obstrução de justiça (3 a 8 anos), coação (1 a 4 anos) e atentado à soberania
(3 a 8 anos).
O papel
de Trump foi fundamental no aumento da punição. E o de seu filho Eduardo idem -
ele, aliás, está sujeito às mesmas penas do pai.
• Bolsonaro de tornozeleira: 14 mil
dólares foi o que restou do roubo das joias? Por Aquiles Lins
Ao dar
cumprimento à determinação do Supremo Tribunal Federal contra Jair Bolsonaro
(PL), nesta sexta-feira (18), agentes da Polícia Federal encontraram e
apreenderam cerca de US$ 14 mil na casa do ex-presidente, em Brasília. Os
investigadores devem apurar se a quantia em dólares teria ligação com uma
eventual tentativa de fuga por parte de Bolsonaro.
Em seu
acordo de delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Ordens
de Bolsonaro, disse à Polícia Federal que o ex-presidente recebeu em mãos US$
86 mil em dinheiro vivo pela venda de relógios e joias que compunham o acervo
da Presidência da República. Os itens foram recebidos por Bolsonaro como
presentes de autoridades estrangeiras.
Dessa
quantia, Cid confessou que US$ 18 mil foram entregues por ele mesmo a
Bolsonaro, em meados de 2022, após a venda de um kit de joias Chopard que havia
sido presenteado pela Arábia Saudita em 2019. Os itens foram vendidos em Miami,
nos Estados Unidos, revelou o tenente-coronel.
Os
outros US$ 68 mil foram repassados a Bolsonaro de forma fracionada, sempre em
espécie, por intermédio do pai de Mauro Cid, o general Mauro Cesar de Lourena
Cid, que morava nos EUA. Esse valor corresponde à venda de dois relógios, um da
marca Rolex e outro da Patek Philippe.
Perguntado
sobre a origem do dinheiro, Bolsonaro respondeu: “Sempre guardei dólar em
casa”. No entanto, o político da extrema-direita não declara ter dinheiro em
espécie ao TSE pelo menos desde 2006.
Entre
as várias perguntas pertinentes a respeito desta aparente preparação para fuga
de Jair Bolsonaro, escolho a seguinte: esses dólares são o que sobrou das
vendas ilegais de joias feitas por Mauro Cid a mando de Bolsonaro? Se for, é
dinheiro da União, do povo brasileiro, que foi roubado por Bolsonaro e
convertido em moeda do império. Provavelmente o ex-presidente não verá mais a
cor desses dólares, caso se confirme a suspeita.
O
celular do ex-presidente foi apreendido. Por determinação de Moraes, Bolsonaro
já está usando tornozeleira eletrônica e terá que cumprir recolhimento
domiciliar no período noturno e aos fins de semana. Jair Bolsonaro está ainda
proibido de utilizar redes sociais, bem como de se comunicar com embaixadores,
diplomatas estrangeiros, outros réus e investigados no caso.
A
operação da PF foi autorizada após parecer favorável da Procuradoria-Geral da
República (PGR), no âmbito de investigações pelos crimes de coação no curso do
processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional. Bolsonaro é réu
por cinco crimes relacionados à trama golpista que culminou nos atos criminosos
cometidos no 8 de janeiro de 2023, com o intuito de impedir o terceiro mandato
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fonte:
Brasil 247

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