segunda-feira, 21 de julho de 2025

Elisabeth Lopes: A mesquinha conspiração bolsonarista que uniu o Brasil contra Bolsonaro e Trump

A conspiração articulada por Eduardo Bolsonaro com setores do governo americano na tentativa de livrar seu pai do devido processo legal em curso, confirma o perfil entreguista e covarde da família. Apesar do revés, os integrantes do clã Bolsonaro seguem obstinados em suas tramas contra os interesses do país e em prejuízo do povo brasileiro, tudo para defender um réu indefensável. Nesta semana Michelle Bolsonaro chegou ao cúmulo de endereçar uma carta ao presidente Lula, apelando para que o governo brasileiro se curve às pressões e chantagens de Donald Trump. O gesto demonstra o desespero insano dessa família vazia em ética, moralmente desmoralizada e sem qualquer senso de nacionalismo.

Outro personagem que caiu em descrédito ao tentar agradar sua base da extrema direita e, simultaneamente, preservar sua imagem perante o mercado e setores mais moderados foi o governador da extrema direita Tarcísio de Freitas (Republicanos). Considerado até então um bolsonarista palatável, Tarcísio revelou sua verdadeira face ao defender Bolsonaro, reverenciar Trump e, de forma surreal, solicitar ao STF autorização para que o ex-presidente viajasse aos Estados Unidos a fim de negociar pessoalmente com Trump, como se este fosse chefe de Estado. O resultado foi um desastre político.

A Faria Lima e a mídia corporativa, que até recentemente viam em Tarcísio um nome viável e competitivo para presidência da República, passaram a questionar seu preparo para voos maiores. Soma-se a isso a crítica pública de Eduardo Bolsonaro às atitudes erráticas do governador paulista, evidenciando as tensões internas que estão ocorrendo no campo bolsonarista.

Em contraposição à tentativa de ingerência do governo norte-americano por meio da pressão tarifária, a resposta do governo brasileiro tem sido pautada pela firmeza e sobriedade, conforme declarou a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Além disso, o Brasil cultiva um histórico diplomático exitoso, baseado em negociações sólidas e estratégicas.

Como parte dessa estratégia, o governo federal vem realizando reuniões com representantes empresariais de diversos setores. Participaram dos encontros os presidentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Fiesp e de setores como siderurgia, papel e celulose, aeronáutica, calçados, têxtil, máquinas e equipamentos, madeira, autopeças, representantes do agronegócio, entre outros setores. Os empresários têm avaliado essas reuniões como produtivas e convergentes, alertando que, caso a tarifa de 50% seja mantida, os prejuízos serão devastadores, com impacto direto na economia e no emprego.

Em paralelo, numa tentativa de recompor sua imagem política, Tarcísio de Freitas promoveu uma reunião com setores produtivos secundários de São Paulo. No entanto, a competência para negociações no âmbito internacional é do Governo Federal. As reuniões estaduais, nesse contexto, são meramente figurativas.

Em carta assinada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhada ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio, Jamieson Greer, o governo brasileiro expressou sua “indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, a partir de 1º de agosto”. O documento ainda ressalta os 200 anos de boas relações comerciais entre os dois países e menciona o envio, em 16 de maio de 2025, de uma minuta confidencial com propostas de negociação setor por setor, ainda sem retorno. Ao final, o governo manifesta disposição para “encontrar uma solução mutuamente aceitável sobre aspectos comerciais”. Esse documento, sem sombra de dúvida, estabelece de modo polido e assertivo a intenção do governo brasileiro em resolver os entraves nas relações comerciais entre os dois países.

No entanto, mesmo diante dessa iniciativa diplomática, o governo americano optou por endurecer sua postura. Em 15 de julho, numa nova ofensiva contra o Brasil, foi anunciada a abertura de uma investigação, determinada por Trump, a ser conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA. O objetivo é examinar se as políticas comerciais brasileiras seriam “irracionais ou discriminatórias” ou se “oneram ou restringem o comércio dos EUA”. A investigação abrange seis tópicos: desmatamento ilegal, tarifas ao etanol americano, a proteção de propriedade intelectual, aplicação de medidas anticorrupção, comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, como Pix e tarifas injustas e preferenciais.

Essa investigação poderá durar vários meses para ser concluída, demandando tempo e desgastes desnecessários, além de ser descabida, pois a menção dos seis tópicos pelo governo americano não possui comprovações. Na verdade, representa mais um ingrediente com finalidade de retaliação política ao governo brasileiro.

Como já expus em outro artigo, as motivações de Trump vão além da tentativa de salvar Bolsonaro, embora ele tenha reiterado esse argumento nesta semana. Há também outros motivos coadjuvantes em jogo, como a crescente projeção internacional do Brasil, especialmente no âmbito dos Brics, e a postura soberana do país diante das pressões e interesses das Big Techs americanas, que buscam expandir sua influência sem restrições sobre o mercado digital brasileiro. Quanto a estas empresas, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, declarou em entrevista ao jornalista Igor Gadelha (Metrópoles): “As grandes Big Techs hoje são empresas de capital aberto com controle norte-americano e querem impor sua agenda aos outros países […] Eles temem que o Brasil avance na sua defesa democrática e estabeleça marcos civilizatórios para limitar a ação dessas Big Techs […] Não vai ter interferência externa para achar que big tech vai mandar aqui”.

Há a suspeita de que os Estados Unidos pretendam adquirir energia de Itaipu para atender à demanda de seus projetos de inteligência artificial, que exigem grande capacidade energética. Essa possível movimentação não apenas revela o interesse estratégico dos EUA em garantir fontes estáveis e baratas de energia, como também levanta preocupações sobre uma eventual interferência no acordo binacional entre Brasil e Paraguai. Tal ingerência poderia comprometer a soberania energética da região e desequilibrar as bases de cooperação que regem a gestão compartilhada da usina, construída justamente para beneficiar os dois países de forma equitativa.

Apesar dessas questões preocupantes, a carta chantagista de Trump reacendeu, entre os brasileiros, um sentimento de pertencimento nacional e de defesa da soberania do país. A reação foi transversal, atingindo todos os extratos sociais. A imposição da tarifa funcionou como catalisador do desgaste político da extrema direita bolsonarista, que agora se vê diante de um impasse: defender a soberania nacional ou persistir na tentativa de salvar Bolsonaro da condenação, mesmo ao custo de submeter o país a interesses estrangeiros.

Aliadas a essas condições de temperatura e pressão, as precipitações provocadas a partir do rechaço pelo Congresso Federal do Decreto de aumento do IOF e na sequência o repúdio à chantagem de Trump desencadearam importantes reações populares. As redes sociais foram tomadas por manifestações de indignação, exigindo justiça tributária e soberania nacional. Essa mobilização somada a propostas como a isenção de impostos para quem ganha até cinco mil reais em vias de aprovação, a campanha do fim da escala 6x1 e a postura firme do governo diante da crise internacional gerou um aumento significativo na aprovação do governo Lula, conforme demonstram pesquisas divulgadas nesta semana pelos institutos Atlas e Quaest.

Felipe Nunes, diretor da Quaest, destacou na GloboNews que 70% dos brasileiros tomaram conhecimento da tarifa imposta por Trump. Consideram a medida incorreta, veem negativamente o envolvimento da família Bolsonaro e avaliam positivamente a condução do presidente Lula diante da ofensiva estadunidense.

Como era de se esperar, ao perceberem que os ventos passaram a soprar a favor de Lula, os políticos do centrão, entre estes, os presidentes das duas casas do Congresso, que estavam se opondo ao governo, passaram a apoiar em parte as ações do Executivo, em contraste com as recentes insinuações de desembarque. Ao lado do vice Geraldo Alckimin (PSB), Davi Alcolumbre (União Brasil) e Hugo Motta (Republicanos) “importaram-se” ao se colocar à disposição do país na defesa da soberania nacional. No entanto, o centrão oscila a cada instante, pois a única pauta que defendem de verdade é a que eles possam amealhar vantagens pecuniárias. Na calada da noite, após o veto do presidente sobre o indevido aumento do número de parlamentares, em represália bandida foram aprovados na Câmara, dois projetos prejudiciais ao país: PL da Devastação que libera agronegócio de licenciamento ambiental e o PL que aprova renegociação de dívidas de produtores rurais com recursos do Fundo Social, desviando subvenções da saúde e da educação.

Em meio a esse cenário sombrio, surgem alguns feixes de luz, a tentativa de sabotar a soberania nacional por meio de pressões externas e conspirações antidemocráticas não só fracassou para a turba bolsonarista, como serviu de catalisador para o fortalecimento do governo e a rearticulação de uma base social em torno de pautas do governo. O episódio revelou, por contraste, quem de fato defende o Brasil e quem está disposto a entregá-lo a interesses estrangeiros para escapar covardemente da justiça.

A semana foi agitada, como têm sido desde as graves agressões à democracia iniciada pela turba bolsonarista em 2022. Na segunda-feira (14/07), a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou ao relator da Ação Penal nº 2668, ministro Alexandre de Moraes, as alegações finais do processo que investiga a tentativa de ruptura institucional promovida por Jair Bolsonaro e os demais integrantes do núcleo crucial.

No documento de 517 páginas, a PGR solicita a condenação de Bolsonaro e dos demais réus: Mauro Cid (delator), Walter Braga Netto, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, com penas superiores a 30 anos. A partir da apresentação, abre-se prazo de 15 dias para manifestações das defesas, começando pelo réu delator. O julgamento está previsto para ocorrer em setembro. Como parte das medidas cautelares determinadas pela Suprema Corte e executadas nesta sexta-feira (18/07) Bolsonaro passou a ser monitorado 24 horas por dia por meio de tornozeleira eletrônica, um sinal claro de que a Justiça brasileira não se curva às ignomínias de Trump.

Em retaliação, o infame governo de face alaranjada anunciou, no mesmo dia, a revogação imediata do visto norte-americano do ministro Alexandre de Moraes, de seus familiares e de aliados no Supremo Tribunal Federal. Essa retaliação grotesca é mais uma afronta ao Brasil numa lógica intimidadora e colonialista promovida por uma figura abjeta, patética, mas muito esperta. Conforme informação do G1/Jornal Nacional (18/07): “compra e venda de dólares no dia do anúncio do tarifaço ao Brasil dá sinais sobre uso de informações privilegiadas”. Quem será o esperto e oculto especulador financeiro que diz? “eu quero fazer a transação rápido e não quero que ninguém veja”. Eis a pergunta que não quer calar.

O Brasil atravessa um momento delicado diante dos ataques de Trump, entretanto, a resposta do governo brasileiro, em defesa da soberania do país e da economia nacional, tem demonstrado maturidade, moderação e estratégia. Essa postura reconfigura o cenário político a favor do governo. A conspiração bolsonarista provocou sa união de setores antes dispersos e isolou, em certa medida, o bolsonarismo por desnudar quem de fato defende o Brasil, para além do falso discurso de que o “Brasil estaria acima de tudo”. Para Tarcísio de Freitas (Republicanos), Jair Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro (PL), Michelle Bolsonaro (PL), Sóstenes Cavalcante (PL) e demais asseclas dessa súcia liberal, a soberania do Brasil pode ser negociada por um preço vil.

•        Sorte de Bolsonaro o Brasil não ser uma ditadura. Só “traição à pátria” dava 15 anos de cadeia. Por Alex Solnik

Se os atos de Eduardo e Jair Bolsonaro fossem julgados à luz da Lei de Segurança Nacional, elaborada pela ditadura militar que eles tanto enaltecem, seriam enquadrados por “traição à Pátria”:

“Colaborar com governo estrangeiro para provocar guerra ou hostilidade contra o Brasil” (artigo 12 da Lei  nº 7.170/1983).

Mas, quando ela foi revogada e substituída pela Lei nº 14.197/2021, “traição à pátria” foi trocada por “atentado à soberania nacional”:

“Negociar com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de provocar atos típicos de guerra contra o país ou invadi-lo”.

O que pai e filho estão cometendo cabe melhor na moldura do artigo 12, que fala em “hostilidade contra o Brasil”, mas não é fora de propósito admitir que são “atos típicos de guerra”, como “submeter o STF a um estado estrangeiro”, como Alexandre de Moraes alega na decisão.

“Traição à pátria” era punida com reclusão de 3 a 15 anos.

“Atentado à soberania” pune com 3 a 8.

Com os três novos crimes de que foi acusado (obstrução e coação de Justiça e atentado à soberania nacional), Jair pode pegar 63 anos. Se vigorasse a Lei de Segurança Nacional, seriam 70.

Sorte dele o Brasil não ser uma ditadura.

<><> Pena máxima de Bolsonaro sobe para 63 anos

Bolsonaro está sujeito a 63 anos de prisão. Os 43 a que já estava sujeito pelos cinco crimes relativos ao 8/1 e agora os 20 a que está sujeito por mais três crimes: obstrução de justiça (3 a 8 anos), coação (1 a 4 anos) e atentado à soberania (3 a 8 anos).

O papel de Trump foi fundamental no aumento da punição. E o de seu filho Eduardo idem - ele, aliás, está sujeito às mesmas penas do pai.

•        Bolsonaro de tornozeleira: 14 mil dólares foi o que restou do roubo das joias? Por Aquiles Lins

Ao dar cumprimento à determinação do Supremo Tribunal Federal contra Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (18), agentes da Polícia Federal encontraram e apreenderam cerca de US$ 14 mil na casa do ex-presidente, em Brasília. Os investigadores devem apurar se a quantia em dólares teria ligação com uma eventual tentativa de fuga por parte de Bolsonaro.

Em seu acordo de delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Ordens de Bolsonaro, disse à Polícia Federal que o ex-presidente recebeu em mãos US$ 86 mil em dinheiro vivo pela venda de relógios e joias que compunham o acervo da Presidência da República. Os itens foram recebidos por Bolsonaro como presentes de autoridades estrangeiras.

Dessa quantia, Cid confessou que US$ 18 mil foram entregues por ele mesmo a Bolsonaro, em meados de 2022, após a venda de um kit de joias Chopard que havia sido presenteado pela Arábia Saudita em 2019. Os itens foram vendidos em Miami, nos Estados Unidos, revelou o tenente-coronel.

Os outros US$ 68 mil foram repassados a Bolsonaro de forma fracionada, sempre em espécie, por intermédio do pai de Mauro Cid, o general Mauro Cesar de Lourena Cid, que morava nos EUA. Esse valor corresponde à venda de dois relógios, um da marca Rolex e outro da Patek Philippe.

Perguntado sobre a origem do dinheiro, Bolsonaro respondeu: “Sempre guardei dólar em casa”. No entanto, o político da extrema-direita não declara ter dinheiro em espécie ao TSE pelo menos desde 2006.

Entre as várias perguntas pertinentes a respeito desta aparente preparação para fuga de Jair Bolsonaro, escolho a seguinte: esses dólares são o que sobrou das vendas ilegais de joias feitas por Mauro Cid a mando de Bolsonaro? Se for, é dinheiro da União, do povo brasileiro, que foi roubado por Bolsonaro e convertido em moeda do império. Provavelmente o ex-presidente não verá mais a cor desses dólares, caso se confirme a suspeita.

O celular do ex-presidente foi apreendido. Por determinação de Moraes, Bolsonaro já está usando tornozeleira eletrônica e terá que cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana. Jair Bolsonaro está ainda proibido de utilizar redes sociais, bem como de se comunicar com embaixadores, diplomatas estrangeiros, outros réus e investigados no caso.

A operação da PF foi autorizada após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), no âmbito de investigações pelos crimes de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional. Bolsonaro é réu por cinco crimes relacionados à trama golpista que culminou nos atos criminosos cometidos no 8 de janeiro de 2023, com o intuito de impedir o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Fonte: Brasil 247

 

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