segunda-feira, 21 de julho de 2025

Cidade do México diz ser ilegal retirada de monumento a Fidel Castro e Che Guevara

O governo da Cidade do México considerou nesta sexta-feira (18/07) que a remoção das estátuas dos revolucionários cubanos Fidel Castro e Che Guevara de um jardim público por ordem de Alessandra Rojo, prefeita de Cuauhtémoc, distrito da capital mexicana, foi ilegal.

“Em 16 de julho de 2025, a Prefeitura de Cuauhtémoc retirou a escultura de sua localização oficial no Jardim Tabacalera sem as autorizações legais correspondentes”, advertiu o governo por meio de um comunicado.

De acordo com o documento oficial, a remoção do monumento denominado “Encuentro” não seguiu as normas do Comitê de Monumentos e Obras Artísticas em Espaços Públicos da Cidade do México (COMAEP).

Além disso, informou que o COMAEP “não recebeu uma solicitação formal para que a remoção fosse analisada”, sendo que “a decisão de instalar a escultura foi submetida” ao órgão, e portanto, estava dentro das normas. 

“A retirada da escultura está fora das normas estabelecidas”, finalizou o governo, informando que continuará acompanhando o caso. 

A resposta oficial rebate a posição da prefeita de Cuauhtémoc, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que faz oposição ao Movimento de Regeneração Nacional (Morena), que comanda a Cidade do México e o governo federal. 

Rojo justificou a remoção da estátua por supostamente não ter as licenças necessárias para estar no local. Também acrescentou que a remoção havia sido feita após reclamações de moradores. 

O monumento feito pelo escultor mexicano Óscar Ponzanelli homenageia o primeiro encontro entre os revolucionários cubanos, realizado em um edifício localizado no bairro de Tabacalera, na Cidade do México, em julho de 1955. 

Popularmente conhecido como o “banco de Che e Fidel”, a obra consistia em um banco de parque com esculturas de corpo inteiro de ambos os líderes. A estátua era feita com bronze fundido e pesava aproximadamente 250 quilos.

<><> Remoção do monumento é “traição à história”

Questionada sobre o assunto na última quinta-feira (17/07), a presidente do México, Claudia Sheinbaum, já havia considerado que a remoção do monumento foi realizada de forma errada. 

“Se a intenção deles é que o monumento não exista mais, conversaremos com o governo da da Cidade do México, porque é um momento histórico, independentemente de concordarmos ou discordarmos de uma figura ou outra”, afirmou.

Já o embaixador de Cuba no México, Marco Rodríguez Costa, declarou que “a verdadeira Revolução não é feita de pedra ou bronze”, mas sim  “uma consciência transformada, a vontade coletiva de lutar e construir um mundo mais justo”.

“Recordemos o conceito de Revolução de Fidel: ‘Não há força no mundo capaz de esmagar o poder da verdade e das ideias’”, escreveu por meio das redes sociais, sem mencionar diretamente a remoção do monumento.

Por sua vez, organizações como a Associação José Martí de Cubanos Residentes no México condenaram a remoção e exigiram a substituição imediata do monumento, que é considerado um símbolo de amizade entre os dois países.

Na visão da associação, o ato não é uma simples mudança ou uma decisão administrativa, mas sim “um gesto covarde de apagamento histórico” e “uma capitulação às pressões de setores reacionários que buscam arrancar todos os vestígios de dignidade, memória e rebelião”.

A organização ainda defendeu que a presença de ambas as figuras em La Tabacalera, que é “um território historicamente ligado a causas operárias, populares e emancipatórias — foi um ato de justiça simbólica e afirmação política” e “removê-las é uma traição à história”.

“Tentar apagar aqueles que deram suas vidas pela causa dos oprimidos apenas demonstra o medo que seu exemplo gera. Não basta mentir sobre Cuba e criminalizar a Revolução; agora querem eliminar seus líderes dos espaços públicos”, acrescenta o documento.

Outras organizações se juntaram ao movimento, incluindo os partidos Popular Socialista e Comunista, a Frente da Juventude Comunista e o Movimento Mexicano de Solidariedade com Cuba, que expressaram sua indignação e alertaram que não tolerariam o rompimento dos laços de irmandade entre os dois países.

“Acreditamos que a remoção da escultura é um ataque aos cidadãos que protegeram este espaço, considerado um marco na história entre México e Cuba”, enfatizou o grupo em um comunicado.

¨      Governo dos EUA volta a culpar cartéis do México por fentanil. O que dizem os dados?

Na última terça-feira (15), a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou: “Muitos imigrantes ilegais estão fazendo o trabalho dos cartéis em nossas comunidades”. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva na qual, junto com o administrador interino da Administração para o Controle de Drogas (DEA, na sigla em inglês), Robert Murphy, anunciou os resultados de uma operação nacional contra o narcotráfico, atribuindo aos cartéis mexicanos a distribuição massiva de drogas sintéticas em várias cidades estadunidenses.

Ambos os funcionários informaram que, durante a “Operação Recuperemos a América”, realizada no fim de semana do 4 de julho, ocorreram rondas simultâneas em pelo menos sete estados, resultando na apreensão de “quantidades recordes” de fentanil, metanfetamina e carfentanil — este último, um opioide originalmente desenvolvido como tranquilizante para elefantes.

Eles enfatizaram que o narcotráfico representa não apenas um problema de saúde pública, mas também uma ameaça direta à segurança nacional. Nesse sentido, Murphy admitiu que “os cartéis operam em todos os cantos deste país”. Mas destacou: “Nós também”, se referindo às autoridades estadunidenses, e enfatizou que combatem “diretamente os cartéis, tanto dentro quanto fora do país”.

No informe, detalharam que a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) apreendeu apenas em Miami 10 milhões de dólares em criptomoedas supostamente ligadas ao Cartel de Sinaloa, além de 40 mil comprimidos de fentanil e armas automáticas em Omaha. Também mencionaram uma operação interestadual em Chicago, Indiana e Arizona, que resultou na detenção de 23 pessoas e na apreensão de 74 armas ilegais, junto com metanfetamina, fentanil e cocaína.

Continua após o anúncio

Durante sua intervenção, Murphy detalhou que agentes da DEA apreenderam 71 kg de fentanil e 20 de metanfetamina em Columbia, Carolina do Sul, a poucas quadras da Universidade da Carolina do Sul, área onde afirmou que “os cartéis estão deliberadamente mirando os estudantes”.

Em Gainesville, Geórgia, as autoridades encontraram 320 kg de metanfetamina escondidos em um carregamento de pepinos supostamente proveniente do México, enquanto em Minneapolis, Minnesota, confiscaram outros 400 kg.

 Assine nossa newsletter e receba este e outros conteúdos direto no seu e-mail.

“Essas operações foram possíveis graças a informações específicas de inteligência. Não é possível inspecionar todos os veículos na fronteira sem saber o que estamos procurando”, sublinhou o funcionário, que também informou que um dos detidos na Geórgia era um migrante previamente deportado duas vezes por tráfico de cocaína.

Uma das apreensões que “mais preocupou” as autoridades foi a realizada em Fresno, Califórnia, onde foram encontrados 11 kg de carfentanil camuflados em comprimidos falsificados de oxicodona. “Isso deveria aterrorizar todos os pais do país. São pílulas letais disfarçadas de remédio”, advertiu Bondi.

A promotora também alertou que esta foi a primeira vez que detectaram metanfetamina distribuída em forma de comprimidos, uma estratégia que ela atribuiu aos cartéis mexicanos “para atrair consumidores jovens”.

Desde o início do ano, a DEA tem retirado “esse veneno” das ruas dos EUA “em um ritmo histórico”, com a apreensão de mais de 44 milhões de comprimidos de fentanil, 2 toneladas em pó e mais de 29 toneladas de metanfetamina — quase o total apreendido em todo o ano de 2024, precisou Bondi.

Segundo o centro de análise Insight Crime, “antes se costumava usar os migrantes para transportar fardos de maconha. Isso já não é o caso, devido ao aumento das drogas mais lucrativas”, como a cocaína e o fentanil, afirmou a fundação em 2022, segundo a AFP.

Continua após o anúncio

Um estudo publicado pelo conservador Instituto Cato aponta que, “em 2021, 86,3% dos traficantes de fentanil condenados eram cidadãos estadunidenses”, os quais “estão sujeitos a menos controles” nas passagens fronteiriças ou no interior dos veículos.

¨      O que está por trás da surpreendente aproximação entre EUA e Venezuela

A notícia pode ter pegado alguns de surpresa: Estados Unidos e Venezuela, dois governos em desacordo retórico e ideológico, trocaram prisioneiros nesta sexta-feira (18/7).

A troca envolve a libertação de 10 americanos detidos na Venezuela e a repatriação de 252 migrantes venezuelanos que os EUA deportaram para El Salvador neste ano, segundo autoridades dos dois últimos países.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o acordo também envolve "a libertação de presos políticos venezuelanos", sem especificar quantos.

Mas a troca também é uma confirmação da capacidade de entendimento mútuo e pragmático que os governos de Donald Trump e Nicolás Maduro desenvolveram, apesar de suas diferenças.

"É exatamente assim que a diplomacia deve funcionar", disse Cynthia Arnson, professora associada da Escola de Relações Internacionais da Universidade Johns Hopkins, em Washington, à BBC Mundo, o serviço da BBC em espanhol.

<><> 'Éramos inimigos'

Quando Trump assumiu seu segundo mandato em janeiro, muitos esperavam que ele endurecesse as políticas dos EUA em relação ao governo socialista da Venezuela.

Essas expectativas decorrem, em parte, do que ocorreu durante seu primeiro mandato (2017-2021), quando Trump buscou, sem sucesso, a queda de Maduro por meio de isolamento diplomático, sanções e declarações sobre uma "possível opção militar" para a Venezuela.

"Éramos inimigos da Venezuela", disse o próprio Trump em agosto, em meio à sua campanha para retornar à Casa Branca, chamando Maduro de "ditador".

No entanto, após seu retorno ao poder, as surpresas começaram.

Richard Grenell, enviado de Trump, viajou a Caracas em 31 de janeiro, encontrou-se com Maduro e retornou ao seu país com seis prisioneiros americanos libertados por seu anfitrião.

Ele também afirmou ter obtido o compromisso de Maduro de acolher em seu país os venezuelanos deportados pelo governo Trump, em troca do "enorme presente" que a "esperança por um futuro diferente" representava para o líder venezuelano.

Em maio, soube-se que a Venezuela havia libertado outro americano que mantinha preso.

Em seguida, surgiram relatos de negociações para uma troca de prisioneiros como a que foi finalizada nesta sexta-feira.

O acordo acabou sendo paralisado devido a desentendimentos internos no governo dos EUA, informou o jornal The New York Times no início deste mês.

O veículo especificou que essas divergências se deviam ao fato de Grenell negociar um acordo mais atraente para Caracas do que o buscado pelo Departamento de Estado, que permitiria à petrolífera americana Chevron manter suas operações na Venezuela.

A Chevron é uma empresa cujas operações na Venezuela se tornaram uma fonte crucial de renda para o governo Maduro, mas Washington anunciou em maio que não renovaria sua licença.

Não está claro neste momento se o acordo de troca de detentos inclui a Chevron ou outras concessões.

"Tanto Rubio quanto os republicanos no Congresso não parecem dispostos a aliviar as sanções ao petróleo ou outras sanções ao regime venezuelano, enquanto Grenell e talvez até mesmo o presidente Trump parecem mais abertos a permitir que a Chevron extraia petróleo da Venezuela", explica Arnson.

Embora este analista suspeite que os EUA manterão uma linha dura em relação à Venezuela, outros acreditam que pelo menos a ala menos ideológica do governo Trump prevaleceu sobre uma ala mais rígida que inclui aqueles com laços com as comunidades cubana e venezuelana nos EUA, como Rubio.

Adam Isacson, especialista em segurança e defesa do Escritório de Washington para a América Latina, organização de direitos humanos conhecida pela sigla WOLA, destaca que, nos EUA, "aqueles dispostos a fechar um acordo com o governo venezuelano e até mesmo lhe dar uma vitória propagandística venceram" nesta sexta-feira.

Entre os governos Trump e Maduro, "não há amor, mas certamente há menos tensão do que durante os anos Biden", disse Isacson à BBC Mundo.

<><> 'Um padrão diferente'

A ideia de uma troca de prisioneiros entre El Salvador e Venezuela surgiu em abril, depois que o governo Trump deportou 252 venezuelanos para a megaprisão no país centro-americano conhecida por abrigar ex-membros de gangues.

O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, disse na época que estava disposto a enviar esses detidos para a Venezuela se o mesmo número de "presos políticos" fosse libertado pelo governo Maduro, que rejeitou a proposta.

Mas a conclusão de uma troca que também envolve cidadãos americanos põe em xeque alegações anteriores da Casa Branca de que não tinha autoridade sobre os migrantes que enviou a El Salvador em troca de pagamentos ao governo Bukele.

"Está claro que El Salvador não teria feito isso sem a participação e aprovação de autoridades americanas. Portanto, isso contradiz o que eles estavam dizendo aos tribunais", argumenta Isacson.

Bukele, que se tornou um aliado-chave de Trump na região e é acusado por críticos de violar as normas democráticas em seu país, afirmou que muitos dos venezuelanos que ele repatriou nesta sexta-feira "enfrentam múltiplas acusações de assassinato, roubo, estupro e outros crimes graves".

O governo Trump tem afirmado repetidamente, sem apresentar provas claras, que os venezuelanos deportados para El Salvador pertenciam ao Tren de Aragua, um grupo que Washington recentemente designou como uma "organização terrorista estrangeira".

Mas essa alegação também parece estar em dúvida agora, já que Washington concorda em permitir que esses mesmos venezuelanos retornem ao seu país de origem, aponta Isacson.

"Você consegue imaginar os EUA concordando em enviar membros da Al-Qaeda de volta ao Paquistão, ou membros do ISIS de volta à Síria?", questiona.

"É um padrão diferente de terrorismo, por assim dizer, especialmente porque sabemos pelas notícias que a maioria desses homens provavelmente não tinha qualquer vínculo com o grupo criminoso."

¨      Venezuela repatria menores de idade que estavam presos nos EUA

O Ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, informou que a Venezuela concretizou nesta sexta-feira (18/07) a repatriação de um grupo de 251 pessoas que estavam presas nos Estados Unidos em função das leis anti migratórias impostas pelo governo norte-americano no início do atual mandato do presidente Donald Trump.

Segundo Cabello, a operação forma parte do Plano Retorno à Pátria, pelo qual mais de 8 mil venezuelanos foram trazidos de volta ao seu país natal desde janeiro deste ano.

“Acolhemos aqueles que retornam neste grupo, como sempre, com o apoio de suas famílias, após eles terem sido mantidos reféns pelas autoridades estadunidenses”, frisou.

O ministro criticou as autoridades dos Estados Unidos por suas políticas de perseguição aos imigrantes. “as autoridades policiais perseguem as pessoas no trabalho, nas escolas e até mesmo em hospitais, sob a falsa alegação de que fazem parte de gangues criminosas, uma mentira enorme que o imperialismo não consegue comprovar”.

Além de Cabello, a primeira-dama Cilia Flores também estava presente no evento de recepção dos repatriados.

<<> Campanha e negociações

Vale lembrar que, em 28 de abril, o governo venezuelano acusou os Estados Unidos de “sequestrar crianças venezuelanas, separadas à força dos seus pais”, e lançou uma campanha pela libertação das mesmas, usando como caso emblemático o da menina Maikelys Espinoza, de apenas dois anos de idade.

No dia 11 de julho, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, confirmou que as autoridades venezuelanas teriam chegado a um acordo para libertar 31 crianças presas no país. As sete resgatadas nesta sexta seriam a primeira leva dos casos incluídos no acordo.

 

Fonte: Opera Mundi/Diálogos do Sul Global/BBC News Brasil

 

Nenhum comentário: