Cidade
do México diz ser ilegal retirada de monumento a Fidel Castro e Che Guevara
O
governo da Cidade do México considerou nesta sexta-feira (18/07) que a remoção
das estátuas dos revolucionários cubanos Fidel Castro e Che Guevara de um jardim
público por ordem de Alessandra Rojo, prefeita de Cuauhtémoc, distrito da
capital mexicana, foi ilegal.
“Em 16
de julho de 2025, a Prefeitura de Cuauhtémoc retirou a escultura de sua
localização oficial no Jardim Tabacalera sem as autorizações legais
correspondentes”, advertiu o governo por meio de um comunicado.
De
acordo com o documento oficial, a remoção do monumento denominado “Encuentro”
não seguiu as normas do Comitê de Monumentos e Obras Artísticas em Espaços
Públicos da Cidade do México (COMAEP).
Além
disso, informou que o COMAEP “não recebeu uma solicitação formal para que a
remoção fosse analisada”, sendo que “a decisão de instalar a escultura foi
submetida” ao órgão, e portanto, estava dentro das normas.
“A
retirada da escultura está fora das normas estabelecidas”, finalizou o governo,
informando que continuará acompanhando o caso.
A
resposta oficial rebate a posição da prefeita de Cuauhtémoc, do Partido
Revolucionário Institucional (PRI), que faz oposição ao Movimento de
Regeneração Nacional (Morena), que comanda a Cidade do México e o governo
federal.
Rojo
justificou a remoção da estátua por supostamente não ter as licenças
necessárias para estar no local. Também acrescentou que a remoção havia sido
feita após reclamações de moradores.
O
monumento feito pelo escultor mexicano Óscar Ponzanelli homenageia o primeiro
encontro entre os revolucionários cubanos, realizado em um edifício localizado
no bairro de Tabacalera, na Cidade do México, em julho de 1955.
Popularmente
conhecido como o “banco de Che e Fidel”, a obra consistia em um banco de parque
com esculturas de corpo inteiro de ambos os líderes. A estátua era feita com
bronze fundido e pesava aproximadamente 250 quilos.
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Remoção do monumento é “traição à história”
Questionada
sobre o assunto na última quinta-feira (17/07), a presidente do México, Claudia
Sheinbaum, já havia considerado que a remoção do monumento foi realizada de
forma errada.
“Se a
intenção deles é que o monumento não exista mais, conversaremos com o governo
da da Cidade do México, porque é um momento histórico, independentemente de
concordarmos ou discordarmos de uma figura ou outra”, afirmou.
Já o
embaixador de Cuba no México, Marco Rodríguez Costa, declarou que “a verdadeira
Revolução não é feita de pedra ou bronze”, mas sim “uma consciência
transformada, a vontade coletiva de lutar e construir um mundo mais justo”.
“Recordemos
o conceito de Revolução de Fidel: ‘Não há força no mundo capaz de esmagar o
poder da verdade e das ideias’”, escreveu por meio das redes sociais, sem
mencionar diretamente a remoção do monumento.
Por sua
vez, organizações como a Associação José Martí de Cubanos Residentes no México
condenaram a remoção e exigiram a substituição imediata do monumento, que é
considerado um símbolo de amizade entre os dois países.
Na
visão da associação, o ato não é uma simples mudança ou uma decisão
administrativa, mas sim “um gesto covarde de apagamento histórico” e “uma
capitulação às pressões de setores reacionários que buscam arrancar todos os
vestígios de dignidade, memória e rebelião”.
A
organização ainda defendeu que a presença de ambas as figuras em La Tabacalera,
que é “um território historicamente ligado a causas operárias, populares e
emancipatórias — foi um ato de justiça simbólica e afirmação política” e
“removê-las é uma traição à história”.
“Tentar
apagar aqueles que deram suas vidas pela causa dos oprimidos apenas demonstra o
medo que seu exemplo gera. Não basta mentir sobre Cuba e criminalizar a
Revolução; agora querem eliminar seus líderes dos espaços públicos”, acrescenta
o documento.
Outras
organizações se juntaram ao movimento, incluindo os partidos Popular Socialista
e Comunista, a Frente da Juventude Comunista e o Movimento Mexicano de
Solidariedade com Cuba, que expressaram sua indignação e alertaram que não
tolerariam o rompimento dos laços de irmandade entre os dois países.
“Acreditamos
que a remoção da escultura é um ataque aos cidadãos que protegeram este espaço,
considerado um marco na história entre México e Cuba”, enfatizou o grupo em um
comunicado.
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Governo dos EUA volta a culpar cartéis do México por
fentanil. O que dizem os dados?
Na
última terça-feira (15), a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi,
afirmou: “Muitos imigrantes ilegais estão fazendo o trabalho dos cartéis em
nossas comunidades”. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva na
qual, junto com o administrador interino da Administração para o Controle de
Drogas (DEA, na sigla em inglês), Robert Murphy, anunciou os resultados de uma
operação nacional contra o narcotráfico, atribuindo aos cartéis mexicanos a
distribuição massiva de drogas sintéticas em várias cidades estadunidenses.
Ambos
os funcionários informaram que, durante a “Operação Recuperemos a América”,
realizada no fim de semana do 4 de julho, ocorreram rondas simultâneas em pelo
menos sete estados, resultando na apreensão de “quantidades recordes” de fentanil, metanfetamina e
carfentanil — este último, um opioide originalmente desenvolvido como
tranquilizante para elefantes.
Eles
enfatizaram que o narcotráfico representa não apenas um problema de saúde
pública, mas também uma ameaça direta à segurança nacional. Nesse sentido,
Murphy admitiu que “os cartéis operam em todos os cantos deste país”. Mas
destacou: “Nós também”, se referindo às autoridades estadunidenses, e enfatizou
que combatem “diretamente os cartéis, tanto dentro quanto fora do país”.
No
informe, detalharam que a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em
inglês) apreendeu apenas em Miami 10 milhões de dólares em criptomoedas
supostamente ligadas ao Cartel de Sinaloa, além de 40 mil comprimidos de
fentanil e armas automáticas em Omaha. Também mencionaram uma operação
interestadual em Chicago, Indiana e Arizona, que resultou na detenção de 23
pessoas e na apreensão de 74 armas ilegais, junto com metanfetamina, fentanil e
cocaína.
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Durante
sua intervenção, Murphy detalhou que agentes da DEA apreenderam 71 kg de
fentanil e 20 de metanfetamina em Columbia, Carolina do Sul, a poucas quadras
da Universidade da Carolina do Sul, área onde afirmou que “os cartéis estão
deliberadamente mirando os estudantes”.
Em
Gainesville, Geórgia, as autoridades encontraram 320 kg de metanfetamina
escondidos em um carregamento de pepinos supostamente proveniente do México,
enquanto em Minneapolis, Minnesota, confiscaram outros 400 kg.
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“Essas
operações foram possíveis graças a informações específicas de inteligência. Não
é possível inspecionar todos os veículos na fronteira sem saber o que estamos
procurando”, sublinhou o funcionário, que também informou que um dos detidos na
Geórgia era um migrante previamente deportado duas vezes por tráfico de
cocaína.
Uma das
apreensões que “mais preocupou” as autoridades foi a realizada em Fresno,
Califórnia, onde foram encontrados 11 kg de carfentanil camuflados em
comprimidos falsificados de oxicodona. “Isso deveria aterrorizar todos os pais
do país. São pílulas letais disfarçadas de remédio”, advertiu Bondi.
A
promotora também alertou que esta foi a primeira vez que detectaram
metanfetamina distribuída em forma de comprimidos, uma estratégia que ela
atribuiu aos cartéis mexicanos “para atrair consumidores jovens”.
Desde o
início do ano, a DEA tem retirado “esse veneno” das ruas dos EUA “em um ritmo
histórico”, com a apreensão de mais de 44 milhões de comprimidos de fentanil, 2
toneladas em pó e mais de 29 toneladas de metanfetamina — quase o total
apreendido em todo o ano de 2024, precisou Bondi.
Segundo
o centro de análise Insight Crime, “antes se costumava usar os migrantes para
transportar fardos de maconha. Isso já não é o caso, devido ao aumento das
drogas mais lucrativas”, como a cocaína e o fentanil, afirmou a fundação em
2022, segundo a AFP.
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Um estudo publicado
pelo conservador Instituto Cato aponta que, “em 2021, 86,3% dos
traficantes de fentanil condenados eram cidadãos estadunidenses”, os quais
“estão sujeitos a menos controles” nas passagens fronteiriças ou no interior
dos veículos.
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O que está por trás da surpreendente aproximação entre
EUA e Venezuela
A
notícia pode ter pegado alguns de surpresa: Estados Unidos e Venezuela, dois
governos em desacordo retórico e ideológico, trocaram prisioneiros nesta
sexta-feira (18/7).
A troca
envolve a libertação de 10 americanos detidos na Venezuela e a repatriação de
252 migrantes venezuelanos que os EUA deportaram para El Salvador neste ano,
segundo autoridades dos dois últimos países.
O
secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o acordo também
envolve "a libertação de presos políticos venezuelanos", sem
especificar quantos.
Mas a
troca também é uma confirmação da capacidade de entendimento mútuo e pragmático
que os governos de Donald Trump e Nicolás Maduro desenvolveram, apesar de suas
diferenças.
"É
exatamente assim que a diplomacia deve funcionar", disse Cynthia Arnson,
professora associada da Escola de Relações Internacionais da Universidade Johns
Hopkins, em Washington, à BBC Mundo, o serviço da BBC em espanhol.
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'Éramos inimigos'
Quando
Trump assumiu seu segundo mandato em janeiro, muitos esperavam que ele
endurecesse as políticas dos EUA em relação ao governo socialista da Venezuela.
Essas
expectativas decorrem, em parte, do que ocorreu durante seu primeiro mandato
(2017-2021), quando Trump buscou, sem sucesso, a queda de Maduro por meio de
isolamento diplomático, sanções e declarações sobre uma "possível opção
militar" para a Venezuela.
"Éramos
inimigos da Venezuela", disse o próprio Trump em agosto, em meio à sua
campanha para retornar à Casa Branca, chamando Maduro de "ditador".
No
entanto, após seu retorno ao poder, as surpresas começaram.
Richard
Grenell, enviado de Trump, viajou a Caracas em 31 de janeiro, encontrou-se com
Maduro e retornou ao seu país com seis prisioneiros americanos libertados por
seu anfitrião.
Ele
também afirmou ter obtido o compromisso de Maduro de acolher em seu país os
venezuelanos deportados pelo governo Trump, em troca do "enorme
presente" que a "esperança por um futuro diferente" representava
para o líder venezuelano.
Em
maio, soube-se que a Venezuela havia libertado outro americano que mantinha
preso.
Em
seguida, surgiram relatos de negociações para uma troca de prisioneiros como a
que foi finalizada nesta sexta-feira.
O
acordo acabou sendo paralisado devido a desentendimentos internos no governo
dos EUA, informou o jornal The New York Times no início deste mês.
O
veículo especificou que essas divergências se deviam ao fato de Grenell
negociar um acordo mais atraente para Caracas do que o buscado pelo
Departamento de Estado, que permitiria à petrolífera americana Chevron manter
suas operações na Venezuela.
A
Chevron é uma empresa cujas operações na Venezuela se tornaram uma fonte
crucial de renda para o governo Maduro, mas Washington anunciou em maio que não
renovaria sua licença.
Não
está claro neste momento se o acordo de troca de detentos inclui a Chevron ou
outras concessões.
"Tanto
Rubio quanto os republicanos no Congresso não parecem dispostos a aliviar as
sanções ao petróleo ou outras sanções ao regime venezuelano, enquanto Grenell e
talvez até mesmo o presidente Trump parecem mais abertos a permitir que a
Chevron extraia petróleo da Venezuela", explica Arnson.
Embora
este analista suspeite que os EUA manterão uma linha dura em relação à
Venezuela, outros acreditam que pelo menos a ala menos ideológica do governo
Trump prevaleceu sobre uma ala mais rígida que inclui aqueles com laços com as
comunidades cubana e venezuelana nos EUA, como Rubio.
Adam
Isacson, especialista em segurança e defesa do Escritório de Washington para a
América Latina, organização de direitos humanos conhecida pela sigla WOLA,
destaca que, nos EUA, "aqueles dispostos a fechar um acordo com o governo
venezuelano e até mesmo lhe dar uma vitória propagandística venceram"
nesta sexta-feira.
Entre
os governos Trump e Maduro, "não há amor, mas certamente há menos tensão
do que durante os anos Biden", disse Isacson à BBC Mundo.
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'Um padrão diferente'
A ideia
de uma troca de prisioneiros entre El Salvador e Venezuela surgiu em abril,
depois que o governo Trump deportou 252 venezuelanos para a megaprisão no país
centro-americano conhecida por abrigar ex-membros de gangues.
O
presidente salvadorenho, Nayib Bukele, disse na época que estava disposto a
enviar esses detidos para a Venezuela se o mesmo número de "presos
políticos" fosse libertado pelo governo Maduro, que rejeitou a proposta.
Mas a
conclusão de uma troca que também envolve cidadãos americanos põe em xeque
alegações anteriores da Casa Branca de que não tinha autoridade sobre os
migrantes que enviou a El Salvador em troca de pagamentos ao governo Bukele.
"Está
claro que El Salvador não teria feito isso sem a participação e aprovação de
autoridades americanas. Portanto, isso contradiz o que eles estavam dizendo aos
tribunais", argumenta Isacson.
Bukele,
que se tornou um aliado-chave de Trump na região e é acusado por críticos de
violar as normas democráticas em seu país, afirmou que muitos dos venezuelanos
que ele repatriou nesta sexta-feira "enfrentam múltiplas acusações de
assassinato, roubo, estupro e outros crimes graves".
O
governo Trump tem afirmado repetidamente, sem apresentar provas claras, que os
venezuelanos deportados para El Salvador pertenciam ao Tren de Aragua, um grupo
que Washington recentemente designou como uma "organização terrorista
estrangeira".
Mas
essa alegação também parece estar em dúvida agora, já que Washington concorda
em permitir que esses mesmos venezuelanos retornem ao seu país de origem,
aponta Isacson.
"Você
consegue imaginar os EUA concordando em enviar membros da Al-Qaeda de volta ao
Paquistão, ou membros do ISIS de volta à Síria?", questiona.
"É
um padrão diferente de terrorismo, por assim dizer, especialmente porque
sabemos pelas notícias que a maioria desses homens provavelmente não tinha
qualquer vínculo com o grupo criminoso."
¨ Venezuela repatria
menores de idade que estavam presos nos EUA
O
Ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, informou que a Venezuela
concretizou nesta sexta-feira (18/07) a repatriação de um grupo de 251 pessoas
que estavam presas nos Estados Unidos em função das leis anti migratórias impostas pelo
governo norte-americano no início do atual mandato do presidente Donald Trump.
Segundo
Cabello, a operação forma parte do Plano Retorno à Pátria, pelo qual mais de 8
mil venezuelanos foram trazidos de volta ao seu país natal desde janeiro deste
ano.
“Acolhemos
aqueles que retornam neste grupo, como sempre, com o apoio de suas famílias,
após eles terem sido mantidos reféns pelas autoridades estadunidenses”, frisou.
O
ministro criticou as autoridades dos Estados Unidos por suas políticas de
perseguição aos imigrantes. “as autoridades policiais perseguem as pessoas no
trabalho, nas escolas e até mesmo em hospitais, sob a falsa alegação de que
fazem parte de gangues criminosas, uma mentira enorme que o imperialismo não
consegue comprovar”.
Além de
Cabello, a primeira-dama Cilia Flores também estava presente no evento de
recepção dos repatriados.
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Campanha e negociações
Vale
lembrar que, em 28 de abril, o governo venezuelano acusou os Estados Unidos de
“sequestrar crianças venezuelanas, separadas à força dos seus pais”, e lançou
uma campanha pela libertação das mesmas, usando como caso emblemático o da
menina Maikelys Espinoza, de apenas dois anos de idade.
No dia
11 de julho, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, confirmou
que as autoridades venezuelanas teriam chegado a um acordo para libertar 31
crianças presas no país. As sete resgatadas nesta sexta seriam a primeira leva
dos casos incluídos no acordo.
Fonte: Opera
Mundi/Diálogos do Sul Global/BBC News Brasil

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