quarta-feira, 11 de junho de 2025

Trama golpista: confira os principais trechos do depoimento de Mauro Cid no STF

Réu no inquérito da trama golpista, o tenente-coronel Mauro Cid prestou novo depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, em um trecho de suas declarações, confirmou que, em 2022, Jair Bolsonaro (PL) pressionou o então ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira para a elaboração de um documento com duras críticas às urnas eletrônicas.

“Essa pressão existia. Sergio tinha uma conclusão nesse documento voltada para o lado mais técnico e, se tinha a tendência de algo mais político. Mas, ao final, chegou-se ao meio termo, e o documento foi assinado.

O STF já tornou 31 réus no inquérito da trama golpista. Entre eles, estão Bolsonaro, Mauro Cid e alguns ex-ministros do governo bolsonarista. No depoimento ao Supremo, o tenente-coronel afirmou que o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno e o ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem (PL-RJ), atual deputado federal, não faziam parte dos núcleos golpistas. Também citou o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, como um aliado “radical” no sentido de implementar o golpe.

<><> Minuta golpista

Em resposta a questionamento do ministro Alexandre de Moraes, o tenente-coronel disse que Bolsonaro recebeu e leu a minuta do golpe. "Sim [Bolsonaro] recebeu e leu. Ele enxugou o documento. Basicamente, retirando as autoridades das prisões, somente o senhor [Moraes] ficaria como preso. O resto não", afirmou.

"Eu não me ative muito aos detalhes do documento, mas seria para conduzir uma nova eleição, baseada em uma eleição anulada. Eu presenciei grande parte dos fatos, mas eu não participei deles”, acrescentou.

O militar também revelou outra conduta grave: a de que Bolsonaro pediu o monitoramento da rotina do ministro Moraes. "Somente o senhor ficaria preso", contou Mauro Cid a Moraes.

<><> Braga Netto

O tenente Mauro Cid afirmou também que o general Braga Netto, ex-candidato a vice de Bolsonaro em 2022, atualizava o ex-mandatário sobre como estavam as mobilizações bolsonaristas em acampamentos próximos ao Planalto.

“Quem tinha esse contato externo, para atualizar o presidente (Bolsonaro) sobre o que estava acontecendo era o general Braga Netto”, disse Mauro Cid.

<><> Dinheiro em caixa de vinho

O tenente disse que entregou ao major Rafael de Oliveira uma caixa de vinho com dinheiro. De acordo com o depoimento, o repasse foi feito a pedido de Braga Netto.

O major Rafael de Oliveira faz parte do grupo conhecido como "kids pretos", que são militares das Forças Especiais do Exército. “Recebi (de Braga Netto) no Palácio da Alvorada. Numa caixa de vinho”, relatou Cid.

Oliveira e outros "kids pretos" são suspeitos de integrar um grupo armado que planejava a morte do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. O plano foi batizado de "Punhal Verde e Amarelo".

•        Cid nega ter sido coagido a delatar e diz que áudio vazado foi "desabafo"

Mauro Cid afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (9), que não sofreu qualquer tipo de coação para firmar o acordo de delação premiada no caso que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Questionado pelo ministro Alexandre de Moraes sobre os áudios divulgados pela revista Veja — nos quais dizia ter sido pressionado a fazer a delação —, Cid alegou que se tratava apenas de um desabafo em conversa privada com um amigo.

“Foi um vazamento de áudio sem meu consentimento, um desabafo de um momento difícil que eu e minha família estávamos passando. Eu, vendo minha carreira militar desabando, minha vida financeira desabando, isso gerou uma crise psicológica muito grande e me levou a um certo desabafo a amigos — nada de maneira oficial ou acusatória”, afirmou durante o interrogatório.

•        Mauro Cid diz que presenciou “grande parte dos fatos” da trama golpista

Mauro Cid afirmou que a acusação de tentativa de golpe de Estado é verdadeira e que presenciou “grande parte dos fatos” relacionados à trama que visava impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. As declarações foram registradas durante o depoimento do militar, o primeiro dos oito réus apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrantes do “núcleo crucial” do plano golpista.

Apesar de confirmar o enredo apresentado pela acusação, Cid afirmou que não teve participação ativa nos atos. “Presenciei grande parte dos fatos, mas não participei deles”, declarou. O militar firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal, o que lhe garantiu o direito de ser o primeiro a ser ouvido na atual etapa do processo.

Ex-ajudante de ordens da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro, Cid é apontado pela PGR como peça operacional dentro do núcleo central do plano golpista. Apesar disso, o órgão considera que ele tinha “menor autonomia decisória” e atuava principalmente como intermediário entre Bolsonaro e os demais envolvidos. Entre suas funções, estava a transmissão de ordens e a coordenação de contatos com outros militares e civis ligados à tentativa de deslegitimar o processo eleitoral de 2022.

Investigações revelaram que Mauro Cid trocou mensagens com outros integrantes do grupo e chegou a buscar, com o auxílio de hackers, conteúdos que pudessem questionar a legitimidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro.

•        Bolsonaro nunca me orientou a desmobilizar manifestantes, diz Cid

Durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (9), o tenente-coronel Mauro Cid afirmou que o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) não lhe deu qualquer orientação sobre uma ação para desmobilizar manifestantes que se concentravam em frente a quartéis após as eleições de 2022.

"O presidente nunca deu nenhuma orientação para mim com relação aos manifestantes", declarou Cid, que atuava como ajudante de ordens do então presidente e, hoje, é delator no processo que investiga uma tentativa de golpe de Estado.

A declaração foi feita em resposta a um questionamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo Cid, uma eventual ordem de desmobilização dificilmente passaria por ele, já que não tinha relação com os envolvidos nos protestos. "Ele (Bolsonaro) sabia que eu não tinha contato com esse pessoal (manifestantes)", afirmou.

•        Cid confirma que Bolsonaro pediu monitoramento de Alexandre de Moraes

O tenente-coronel do Exército Mauro Cid confirmou nesta segunda-feira (9) que o ex-presidente Jair Bolsonaro pediu o monitoramento da rotina do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Cid,  o pedido foi feito no final do mandato de Bolsonaro para verificar se Moraes teria se encontrado com o então vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Cid foi primeiro foi o primeiro réu do Núcleo 1 da trama golpista a ser interrogado por Alexandre de Moraes, relator da ação penal do golpe. O militar também está na condição de delator nas investigações.

De acordo com o militar, "era comum" o ex-presidente fazer pedidos de monitoramento de quem considerava um adversário político. Cid disse que a ordem foi repassada ao coronel do Exército Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro e que também é réu nas investigações da trama golpista.

"Por várias vezes, o presidente recebia algumas informações de que aliados políticos estariam se encontrando com adversários políticos. Então, foi comum a gente verificar se isso era verdade ou não. Não tinha nenhuma análise de inteligência. A gente perguntava para a Força Aérea ou via a agenda do ministro", afirmou.

<><> Parlamentares repudiam intenções de Bolsonaro em prender Moraes

Parlamentares destacaram a gravidade das revelações feitas pelo tenente-coronel Mauro Cid após o militar afirmar que Jair Bolsonaro (PL) pediu a aliados o monitoramento do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

"Somente o senhor ficaria preso", contou Mauro Cid em depoimento ao magistrado, relator do inquérito do plano golpista no STF, que já tornou 31 réus, entre eles o tenente e Jair Bolsonaro (PL). Investigadores também haviam apontado que os participantes da trama ilegal discutiram a possibilidade dos assassinatos do ministro do Supremo, do presidente Lula (PT) e do vice Geraldo Alckmin (PSB).

O deputado federal Elvino Bohn Gass (PT-RS) comentou sobre o depoimento do militar. “9 de junho de 2025, dia histórico! Mauro Cid é tenente-coronel, militar de alta patente, e está no banco dos réus. Mesmo com Bolsonaro sentado logo atrás, ele confirma: na minuta do golpe, ex-presidente manteve intenção de prender o ministro Alexandre de Moraes. Era golpe mesmo!”, escreveu o parlamentar na rede social X.

O senador Humberto Costa (PT-PE) demonstrou repúdio às pretensões de Jair Bolsonaro. “Mauro Cid confirma: o ex-presidente Bolsonaro recebeu e editou a minuta do golpe! Documento contestava, sem provas, o resultado das urnas e mandava prender o ministro do STF Alexandre de Moraes”. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que a “casa está caindo!”. “O próprio Mauro Cid confirmou: Bolsonaro leu, editou e manteve em uma minuta golpista que envolvia a prisão de Alexandre de Moraes! Um documento criminoso que falava em novo processo eleitoral, estado de sítio e até prisão de autoridades. Isso não é rascunho e sim um manual do golpe! Não podemos normalizar esse ataque à democracia. Quem planejou, executou ou se calou precisa pagar. Sem anistia!”.

“Grave”, escreveu o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). “Bolsonaro pediu espionagem da rotina de Alexandre de Moraes, confirma Mauro Cid”, complementou.

•        Cid: Bolsonaro buscava fraude nas urnas para justificar intervenção

Mauro Cid afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro esperava encontrar uma fraude nas urnas eletrônicas para convencer os comandantes das Forças Armadas a aderirem à tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.

Durante o depoimento, Cid disse que Bolsonaro e o general Walter Braga Netto, ex-ministro do governo e vice na chapa de 2022, esperavam encontrar uma fraude nas urnas para justificar uma intervenção militar no país.

Por esse motivo, segundo Mauro Cid, o ex-presidente pressionava o general Paulo Sergio Nogueira, ex-ministro da Defesa, a insinuar que não era possível descartar a possibilidade de fraudes na votação eletrônica.

"A grande expectativa era que fosse encontrada uma fraude nas urnas. O que a gente sempre viu era uma busca por encontrar fraude na urna. Com a fraude na urna, poderia convencer os militares, dizendo que a eleição foi fraudada e, talvez, a situação mudasse", declarou.

Em 2022, Nogueira enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um parecer técnico para afirmar que não é possível afirmar que o sistema eletrônico de votação está isento da influência.

Os militares faziam parte da comissão de transparência criada pelo próprio TSE para fiscalizar as eleições.

<><> Cid confirma que Bolsonaro pressionou ministro sobre relatório de urnas eletrônicas

O tenente-coronel Mauro Cid, afirmou nesta segunda-feira ao STF que o ex-mandatário pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, em 2022, para que fosse divulgado um relatório mais duro contra as urnas eletrônicas.

Segundo ele, Bolsonaro desejava um documento “duro” contra as urnas eletrônicas, que colocasse em dúvida a segurança do sistema eleitoral. No entanto, o relatório entregue por militares das Forças Armadas — que indicaram representantes para participar da comissão de fiscalização das eleições organizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — não apontou fraudes nas urnas.

Cid relatou que, após as eleições, Paulo Sérgio já tinha um relatório pronto e chegou a marcar uma reunião no TSE para apresentá-lo, mas teria desmarcado o compromisso após sofrer pressão de Bolsonaro.

"Eu não sei se foi por ligação, por conversa particular, mas essa pressão realmente existia. O general Paulo Sérgio tinha uma conclusão nesse documento voltado para um lado mais técnico, e se tinha a tendência de fazer algo voltado mais para o lado político. E acabou que, no final, chegou-se a um meio-termo, que foi o documento que foi produzido e assinado", afirmou o tenente-coronel.

<><> Zambelli agendou reunião entre Bolsonaro e hacker para falar sobre fraudes nas urnas, diz Cid

Cid relatou que o ex-mandatário Jair Bolsonaro solicitou ao então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, que recebesse o hacker Walter Delgatti Neto e a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para discutir possíveis falhas no sistema de votação eletrônico.

Segundo Cid, Zambelli foi responsável por marcar uma reunião no Palácio da Alvorada entre Bolsonaro e o hacker. O objetivo do encontro era supostamente obter um parecer técnico sobre as possibilidades de fraude nas urnas e formas de identificá-las.

Após essa reunião, Bolsonaro teria pedido a Paulo Sérgio que promovesse um segundo encontro entre Zambelli e Delgatti para aprofundar as discussões. Esse segundo encontro teria ocorrido no Ministério da Defesa, embora Cid não soubesse informar se Paulo Sérgio participou da reunião.

Mais cedo, o tenente-coronel chegou a enfatizar que levantamentos e estudos não identificaram qualquer indício de fraude nas urnas.

•        Cid alega que Torres, Heleno e Ramagem não se enquadravam em núcleos golpistas, enquanto Garnier era “radical”

O tenente-coronel Mauro Cid, classificou, nesta segunda-feira (9), os réus do processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado entre “radicais” e “moderados”. O depoimento foi prestado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o julgamento, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, citou os nomes dos seis réus e perguntou a que grupo eles pertenciam, conforme a classificação feita por Cid em seu acordo de colaboração premiada.

Segundo o tenente-coronel, o grupo dos “radicais” — favoráveis a uma ruptura institucional — tinha como único integrante o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha. Os “moderados” incluíam os ex-ministros da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto.

Cid ainda aliviou para os ex-ministros Augusto Heleno, Anderson Torres e o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, afirmando que eles não se enquadravam em nenhum grupo.

•        Ramagem diz que ataques a urnas não refletem mais seu pensamento real

Ramagem é o segundo réu do núcleo 1 da trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro a ser interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal da trama golpista.

O ex-diretor é acusado de usar a estrutura do órgão para espionar ilegalmente desafetos do ex-presidente.

Logo no início da oitiva, Ramagem disse que vai provar a inocência durante o depoimento.

"Não há veracidade na imputação de crimes. Estamos aqui para demonstrar inocência", afirmou.

Ramagem também declarou que seus ataques ao sistema de votação não refletem seu pensamento real. "Houve duas publicações minhas no Twitter que diferem do meu pensamento sobre as urnas", afirmou Ramagem. "No meu particular, quando eu coloco um ataque, é uma forma de argumentar. Mas isso não quer dizer que eu tenho passado, encaminhado esses documentos".

Ele havia sido questionado pelo ministro Moraes sobre a formação da Abin paralela, alegações, sem provas, de fraude eleitoral em 2022, e o monitoramento ilegal durante o governo Bolsonaro.

Ramagem também negou que a Abin buscasse fraudes nas eleições sob sua gestão. O deputado foi confrontado pelo magistrado sobre a existência de algum indício de fraude nas eleições presidenciais. Em resposta, o parlamentar negou que houvesse qualquer prova ou elemento nesse sentido. Diante da pergunta direta de Moraes, ele respondeu: "Não. O que eu quero colocar é que eu estava construindo uma mensagem".

Em um documento, Ramagem diz que "tem certeza" de que houve fraude na eleição de 2018, vencida pelo próprio Bolsonaro. "Por tudo que pesquisei, mantenho certeza de que houve fraude. O argumento da anulação de votos não é uma boa linha de ataques a urnas, que se encontram em total descrédito perante a população. A prova da vulnerabilidade já foi feita em 2018, resta apenas trazê-la novamente", disse Ramagem no documento, segundo foi lido por Moraes. Ramagem então reconheceu a autoria.

Ele então admitiu que não há prova de fraudes nas urnas. Ele chamou suas anotações de "privadas" e "nada novas".

Mais cedo, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, confirmou que o ex-presidente sabia da minuta do golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.

 

Fonte: Brasil 247

 

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