Trama
golpista: confira os principais trechos do depoimento de Mauro Cid no STF
Réu no
inquérito da trama golpista, o tenente-coronel Mauro Cid prestou novo
depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, em um trecho de suas
declarações, confirmou que, em 2022, Jair Bolsonaro (PL) pressionou o então
ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira para a elaboração de um documento com
duras críticas às urnas eletrônicas.
“Essa
pressão existia. Sergio tinha uma conclusão nesse documento voltada para o lado
mais técnico e, se tinha a tendência de algo mais político. Mas, ao final,
chegou-se ao meio termo, e o documento foi assinado.
O STF
já tornou 31 réus no inquérito da trama golpista. Entre eles, estão Bolsonaro,
Mauro Cid e alguns ex-ministros do governo bolsonarista. No depoimento ao
Supremo, o tenente-coronel afirmou que o ex-ministro da Justiça Anderson
Torres, o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno
e o ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem
(PL-RJ), atual deputado federal, não faziam parte dos núcleos golpistas. Também
citou o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, como um aliado
“radical” no sentido de implementar o golpe.
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Minuta golpista
Em
resposta a questionamento do ministro Alexandre de Moraes, o tenente-coronel
disse que Bolsonaro recebeu e leu a minuta do golpe. "Sim [Bolsonaro]
recebeu e leu. Ele enxugou o documento. Basicamente, retirando as autoridades
das prisões, somente o senhor [Moraes] ficaria como preso. O resto não",
afirmou.
"Eu
não me ative muito aos detalhes do documento, mas seria para conduzir uma nova
eleição, baseada em uma eleição anulada. Eu presenciei grande parte dos fatos,
mas eu não participei deles”, acrescentou.
O
militar também revelou outra conduta grave: a de que Bolsonaro pediu o
monitoramento da rotina do ministro Moraes. "Somente o senhor ficaria
preso", contou Mauro Cid a Moraes.
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Braga Netto
O
tenente Mauro Cid afirmou também que o general Braga Netto, ex-candidato a vice
de Bolsonaro em 2022, atualizava o ex-mandatário sobre como estavam as
mobilizações bolsonaristas em acampamentos próximos ao Planalto.
“Quem
tinha esse contato externo, para atualizar o presidente (Bolsonaro) sobre o que
estava acontecendo era o general Braga Netto”, disse Mauro Cid.
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Dinheiro em caixa de vinho
O
tenente disse que entregou ao major Rafael de Oliveira uma caixa de vinho com
dinheiro. De acordo com o depoimento, o repasse foi feito a pedido de Braga
Netto.
O major
Rafael de Oliveira faz parte do grupo conhecido como "kids pretos",
que são militares das Forças Especiais do Exército. “Recebi (de Braga Netto) no
Palácio da Alvorada. Numa caixa de vinho”, relatou Cid.
Oliveira
e outros "kids pretos" são suspeitos de integrar um grupo armado que
planejava a morte do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro
Alexandre de Moraes. O plano foi batizado de "Punhal Verde e
Amarelo".
• Cid nega ter sido coagido a delatar e
diz que áudio vazado foi "desabafo"
Mauro
Cid afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (9), que não
sofreu qualquer tipo de coação para firmar o acordo de delação premiada no caso
que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.
Questionado
pelo ministro Alexandre de Moraes sobre os áudios divulgados pela revista Veja
— nos quais dizia ter sido pressionado a fazer a delação —, Cid alegou que se
tratava apenas de um desabafo em conversa privada com um amigo.
“Foi um
vazamento de áudio sem meu consentimento, um desabafo de um momento difícil que
eu e minha família estávamos passando. Eu, vendo minha carreira militar
desabando, minha vida financeira desabando, isso gerou uma crise psicológica
muito grande e me levou a um certo desabafo a amigos — nada de maneira oficial
ou acusatória”, afirmou durante o interrogatório.
• Mauro Cid diz que presenciou “grande
parte dos fatos” da trama golpista
Mauro
Cid afirmou que a acusação de tentativa de golpe de Estado é verdadeira e que
presenciou “grande parte dos fatos” relacionados à trama que visava impedir a
posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. As declarações
foram registradas durante o depoimento do militar, o primeiro dos oito réus
apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrantes do
“núcleo crucial” do plano golpista.
Apesar
de confirmar o enredo apresentado pela acusação, Cid afirmou que não teve
participação ativa nos atos. “Presenciei grande parte dos fatos, mas não
participei deles”, declarou. O militar firmou acordo de delação premiada com a
Polícia Federal, o que lhe garantiu o direito de ser o primeiro a ser ouvido na
atual etapa do processo.
Ex-ajudante
de ordens da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro, Cid é apontado pela
PGR como peça operacional dentro do núcleo central do plano golpista. Apesar
disso, o órgão considera que ele tinha “menor autonomia decisória” e atuava
principalmente como intermediário entre Bolsonaro e os demais envolvidos. Entre
suas funções, estava a transmissão de ordens e a coordenação de contatos com
outros militares e civis ligados à tentativa de deslegitimar o processo
eleitoral de 2022.
Investigações
revelaram que Mauro Cid trocou mensagens com outros integrantes do grupo e
chegou a buscar, com o auxílio de hackers, conteúdos que pudessem questionar a
legitimidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro.
• Bolsonaro nunca me orientou a
desmobilizar manifestantes, diz Cid
Durante
depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (9), o
tenente-coronel Mauro Cid afirmou que o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) não
lhe deu qualquer orientação sobre uma ação para desmobilizar manifestantes que
se concentravam em frente a quartéis após as eleições de 2022.
"O
presidente nunca deu nenhuma orientação para mim com relação aos
manifestantes", declarou Cid, que atuava como ajudante de ordens do então
presidente e, hoje, é delator no processo que investiga uma tentativa de golpe
de Estado.
A
declaração foi feita em resposta a um questionamento do procurador-geral da
República, Paulo Gonet. Segundo Cid, uma eventual ordem de desmobilização
dificilmente passaria por ele, já que não tinha relação com os envolvidos nos
protestos. "Ele (Bolsonaro) sabia que eu não tinha contato com esse
pessoal (manifestantes)", afirmou.
• Cid confirma que Bolsonaro pediu
monitoramento de Alexandre de Moraes
O
tenente-coronel do Exército Mauro Cid confirmou nesta segunda-feira (9) que o
ex-presidente Jair Bolsonaro pediu o monitoramento da rotina do ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo
Cid, o pedido foi feito no final do
mandato de Bolsonaro para verificar se Moraes teria se encontrado com o então
vice-presidente da República, Hamilton Mourão.
Ex-ajudante
de ordens de Jair Bolsonaro, Cid foi primeiro foi o primeiro réu do Núcleo 1 da
trama golpista a ser interrogado por Alexandre de Moraes, relator da ação penal
do golpe. O militar também está na condição de delator nas investigações.
De
acordo com o militar, "era comum" o ex-presidente fazer pedidos de
monitoramento de quem considerava um adversário político. Cid disse que a ordem
foi repassada ao coronel do Exército Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro e
que também é réu nas investigações da trama golpista.
"Por
várias vezes, o presidente recebia algumas informações de que aliados políticos
estariam se encontrando com adversários políticos. Então, foi comum a gente
verificar se isso era verdade ou não. Não tinha nenhuma análise de
inteligência. A gente perguntava para a Força Aérea ou via a agenda do
ministro", afirmou.
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Parlamentares repudiam intenções de Bolsonaro em prender Moraes
Parlamentares
destacaram a gravidade das revelações feitas pelo tenente-coronel Mauro Cid
após o militar afirmar que Jair Bolsonaro (PL) pediu a aliados o monitoramento
do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
"Somente
o senhor ficaria preso", contou Mauro Cid em depoimento ao magistrado,
relator do inquérito do plano golpista no STF, que já tornou 31 réus, entre
eles o tenente e Jair Bolsonaro (PL). Investigadores também haviam apontado que
os participantes da trama ilegal discutiram a possibilidade dos assassinatos do
ministro do Supremo, do presidente Lula (PT) e do vice Geraldo Alckmin (PSB).
O
deputado federal Elvino Bohn Gass (PT-RS) comentou sobre o depoimento do
militar. “9 de junho de 2025, dia histórico! Mauro Cid é tenente-coronel,
militar de alta patente, e está no banco dos réus. Mesmo com Bolsonaro sentado
logo atrás, ele confirma: na minuta do golpe, ex-presidente manteve intenção de
prender o ministro Alexandre de Moraes. Era golpe mesmo!”, escreveu o
parlamentar na rede social X.
O
senador Humberto Costa (PT-PE) demonstrou repúdio às pretensões de Jair
Bolsonaro. “Mauro Cid confirma: o ex-presidente Bolsonaro recebeu e editou a
minuta do golpe! Documento contestava, sem provas, o resultado das urnas e
mandava prender o ministro do STF Alexandre de Moraes”. A deputada federal
Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que a “casa está caindo!”. “O próprio Mauro
Cid confirmou: Bolsonaro leu, editou e manteve em uma minuta golpista que
envolvia a prisão de Alexandre de Moraes! Um documento criminoso que falava em
novo processo eleitoral, estado de sítio e até prisão de autoridades. Isso não
é rascunho e sim um manual do golpe! Não podemos normalizar esse ataque à
democracia. Quem planejou, executou ou se calou precisa pagar. Sem anistia!”.
“Grave”,
escreveu o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). “Bolsonaro pediu espionagem
da rotina de Alexandre de Moraes, confirma Mauro Cid”, complementou.
• Cid: Bolsonaro buscava fraude nas urnas
para justificar intervenção
Mauro
Cid afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro esperava encontrar uma fraude
nas urnas eletrônicas para convencer os comandantes das Forças Armadas a
aderirem à tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.
Durante
o depoimento, Cid disse que Bolsonaro e o general Walter Braga Netto,
ex-ministro do governo e vice na chapa de 2022, esperavam encontrar uma fraude
nas urnas para justificar uma intervenção militar no país.
Por
esse motivo, segundo Mauro Cid, o ex-presidente pressionava o general Paulo
Sergio Nogueira, ex-ministro da Defesa, a insinuar que não era possível
descartar a possibilidade de fraudes na votação eletrônica.
"A
grande expectativa era que fosse encontrada uma fraude nas urnas. O que a gente
sempre viu era uma busca por encontrar fraude na urna. Com a fraude na urna,
poderia convencer os militares, dizendo que a eleição foi fraudada e, talvez, a
situação mudasse", declarou.
Em
2022, Nogueira enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um parecer técnico
para afirmar que não é possível afirmar que o sistema eletrônico de votação
está isento da influência.
Os
militares faziam parte da comissão de transparência criada pelo próprio TSE
para fiscalizar as eleições.
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Cid confirma que Bolsonaro pressionou ministro sobre relatório de urnas
eletrônicas
O
tenente-coronel Mauro Cid, afirmou nesta segunda-feira ao STF que o
ex-mandatário pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, em
2022, para que fosse divulgado um relatório mais duro contra as urnas
eletrônicas.
Segundo
ele, Bolsonaro desejava um documento “duro” contra as urnas eletrônicas, que
colocasse em dúvida a segurança do sistema eleitoral. No entanto, o relatório
entregue por militares das Forças Armadas — que indicaram representantes para
participar da comissão de fiscalização das eleições organizada pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) — não apontou fraudes nas urnas.
Cid
relatou que, após as eleições, Paulo Sérgio já tinha um relatório pronto e
chegou a marcar uma reunião no TSE para apresentá-lo, mas teria desmarcado o
compromisso após sofrer pressão de Bolsonaro.
"Eu
não sei se foi por ligação, por conversa particular, mas essa pressão realmente
existia. O general Paulo Sérgio tinha uma conclusão nesse documento voltado
para um lado mais técnico, e se tinha a tendência de fazer algo voltado mais
para o lado político. E acabou que, no final, chegou-se a um meio-termo, que
foi o documento que foi produzido e assinado", afirmou o tenente-coronel.
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Zambelli agendou reunião entre Bolsonaro e hacker para falar sobre fraudes nas
urnas, diz Cid
Cid
relatou que o ex-mandatário Jair Bolsonaro solicitou ao então ministro da
Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, que recebesse o hacker Walter Delgatti Neto e a
deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para discutir possíveis falhas no
sistema de votação eletrônico.
Segundo
Cid, Zambelli foi responsável por marcar uma reunião no Palácio da Alvorada
entre Bolsonaro e o hacker. O objetivo do encontro era supostamente obter um
parecer técnico sobre as possibilidades de fraude nas urnas e formas de
identificá-las.
Após
essa reunião, Bolsonaro teria pedido a Paulo Sérgio que promovesse um segundo
encontro entre Zambelli e Delgatti para aprofundar as discussões. Esse segundo
encontro teria ocorrido no Ministério da Defesa, embora Cid não soubesse
informar se Paulo Sérgio participou da reunião.
Mais
cedo, o tenente-coronel chegou a enfatizar que levantamentos e estudos não
identificaram qualquer indício de fraude nas urnas.
• Cid alega que Torres, Heleno e Ramagem
não se enquadravam em núcleos golpistas, enquanto Garnier era “radical”
O
tenente-coronel Mauro Cid, classificou, nesta segunda-feira (9), os réus do
processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado entre “radicais” e
“moderados”. O depoimento foi prestado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante
o julgamento, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, citou os nomes
dos seis réus e perguntou a que grupo eles pertenciam, conforme a classificação
feita por Cid em seu acordo de colaboração premiada.
Segundo
o tenente-coronel, o grupo dos “radicais” — favoráveis a uma ruptura
institucional — tinha como único integrante o almirante Almir Garnier,
ex-comandante da Marinha. Os “moderados” incluíam os ex-ministros da Defesa
Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto.
Cid
ainda aliviou para os ex-ministros Augusto Heleno, Anderson Torres e o
ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, afirmando que eles não se enquadravam em
nenhum grupo.
• Ramagem diz que ataques a urnas não
refletem mais seu pensamento real
Ramagem
é o segundo réu do núcleo 1 da trama golpista ocorrida durante o governo de
Jair Bolsonaro a ser interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da
ação penal da trama golpista.
O
ex-diretor é acusado de usar a estrutura do órgão para espionar ilegalmente
desafetos do ex-presidente.
Logo no
início da oitiva, Ramagem disse que vai provar a inocência durante o
depoimento.
"Não
há veracidade na imputação de crimes. Estamos aqui para demonstrar
inocência", afirmou.
Ramagem
também declarou que seus ataques ao sistema de votação não refletem seu
pensamento real. "Houve duas publicações minhas no Twitter que diferem do
meu pensamento sobre as urnas", afirmou Ramagem. "No meu particular,
quando eu coloco um ataque, é uma forma de argumentar. Mas isso não quer dizer
que eu tenho passado, encaminhado esses documentos".
Ele
havia sido questionado pelo ministro Moraes sobre a formação da Abin paralela,
alegações, sem provas, de fraude eleitoral em 2022, e o monitoramento ilegal
durante o governo Bolsonaro.
Ramagem
também negou que a Abin buscasse fraudes nas eleições sob sua gestão. O
deputado foi confrontado pelo magistrado sobre a existência de algum indício de
fraude nas eleições presidenciais. Em resposta, o parlamentar negou que
houvesse qualquer prova ou elemento nesse sentido. Diante da pergunta direta de
Moraes, ele respondeu: "Não. O que eu quero colocar é que eu estava
construindo uma mensagem".
Em um
documento, Ramagem diz que "tem certeza" de que houve fraude na
eleição de 2018, vencida pelo próprio Bolsonaro. "Por tudo que pesquisei,
mantenho certeza de que houve fraude. O argumento da anulação de votos não é
uma boa linha de ataques a urnas, que se encontram em total descrédito perante
a população. A prova da vulnerabilidade já foi feita em 2018, resta apenas
trazê-la novamente", disse Ramagem no documento, segundo foi lido por
Moraes. Ramagem então reconheceu a autoria.
Ele
então admitiu que não há prova de fraudes nas urnas. Ele chamou suas anotações
de "privadas" e "nada novas".
Mais
cedo, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair
Bolsonaro, confirmou que o ex-presidente sabia da minuta do golpe para reverter
o resultado das eleições de 2022.
Fonte:
Brasil 247

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