quarta-feira, 11 de junho de 2025

Menon: Bolsonaristas caminham para o ponto mais baixo da existência - a maldade pura

Carlos Lacerda, golpista de primeira hora em 1964, era conhecido por sua verve e rapidez de raciocínio. Há muitas histórias sobre ele no folclore político. Para saber se verdadeiras, espero por sua definitiva biografia, que está sendo escrita pelo amigo e jornalista Mario Magalhães.

Seleciono duas histórias.

Um deputado gaúcho foi à tribuna e disse "no Rio Grande somos todos machos", ameaçando Lacerda. "Pois no Rio, temos homens e mulheres e estamos felizes assim", respondeu.

Em outra ocasião, um deputado irritado com Lacerda o interrompeu e disse: "Vossa Excelência é um purgante" ao que Lacerda teria respondido: "E Vossa Excelência é o efeito".

Um dos mentores do Golpe de 64, Lacerda acabou cassado pela tal Revolução. Não haveria espaço para civis, os milicos é que tomariam conta do país. Pobre país.

O fato é que havia civilidade na luta entre Esquerda x Direita. O fantasma do comunismo estava presente nas disputas ideológicas, mas o nível da discussão não era rasteiro como hoje.

A direita civilizada foi varrida do Congresso. Culpa de Aécio Neves, que não aceitou a derrota e colocou o PSDB na luta para cassar Dilma. Vitória de Pirro. Hoje, o PSDB nem existe mais.

O vácuo contra a esquerda foi ocupado por uma gente sem escrúpulos, comandada por um ridículo deputado de sete mandatos e nenhum projeto, chamado Jair Messias Bolsonaro.

Foi ele quem disse "não te estupro porque você não merece" à deputada Maria do Rosário, foi ele quem cuspiu em uma placa que homenageava Rubens Paiva. Foi ele quem fez um cartaz escrito: "quem gosta de osso é cachorro", referindo-se a desaparecidos da Ditadura.

Foi aberta a Caixa de Pandora. Quase tudo foi permitido. Nikolas virou Nikole, deputados dizem "coloque-se no seu lugar" para uma ministra preta e outros dois chamam outra ministra de prostituta. E um dos dois diz sonhar com a morte do presidente.

Lacerda, muito culto, teria vergonha de ver os ignorantes que hoje defendem um novo Golpe.

Mas a escalada não tem fim. Depois de instituírem o mau comportamento como norma, a falta de compostura como regra, estão prontos para um novo salto: a maldade pela maldade.

A deputada Roberta Roma, da Bahia, quer eliminar decreto de Lula que instituiu alimentação saudável nas escolas, com no máximo 15% de alimentos industrializados. A deputada Carolina de Toni, de Santa Catarina, quer flexibilizar lei que pune atitudes racistas.

E o governador Zema, de Minas Gerais, comparou moradores de rua a carros abandonados. Guincho é a solução para os dois casos. Extermínio.

Já não estão no campo das ideias. Estão contra as crianças, a favor do racismo e pela limpeza dos pobres.

O que falta?

Sair na rua, atirando em adversários?

Opa, esqueci da fugitiva Zambelli.

•        Daniel Cara: Tarcísio e Nunes podem ser "tão ou mais destrutivos do que Bolsonaro"

O professor e cientista político Daniel Cara esteve no Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (9) e comentou sobre a política de despejo protagonizada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e pelo governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em maio deste ano, Nunes divulgou que cerca de 5 mil famílias serão removidas para a construção de uma estrutura para conter enchentes que assolam o bairro.

O anúncio foi feito logo após reunião com o governador Tarcísio e o CEO da Sabesp, Carlos Piani. A previsão é que a obra tenha início ainda em junho e seja finalizada em 2029. Na época, Nunes afirmou que o objetivo é “delimitar a área e evitar novas ocupações”. “Não permitiremos mais, em hipótese alguma, a ampliação das ocupações, senão daqui a pouco vai chegar lá em Guarulhos”, declarou.

Como resposta à política violenta de remoções, os moradores de Jardim Pantanal e outros quatro bairros vizinhos realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (9). A campanha Despejo Zero também anunciou um ato na quarta (11) para se opor às remoções. Segundo a organização, 34 comunidades estão sob risco de despejo em São Paulo.

Na avaliação de Daniel Cara, que acompanha a situação das famílias de Jardim Pantanal desde 2020, a política de despejo significa, na prática, a "assunção do fracasso de Nunes".

"Só que as pessoas não abordam dessa forma, porque ele [Nunes] disse que tinha resolvido o problema do Jardim Pantanal e boa parte da comunidade acreditou. É importante dizer que a base de vereadores do Nunes tem uma participação muito intensa ali naquela região. Então, a comunidade, as lideranças comunitárias, foram levadas a se convencer de que as coisas estavam funcionando pelos vereadores vinculados ao Nunes. Mas o fato é que eles agora desistiram de tudo que disseram que tinham feito e querem fazer a remoção das famílias", afirmou Cara.

O professor ainda alertou que. se a sociedade não "impuser freios" a Nunes e Tarcísio, "eles vão ser tão ou mais destrutivos do que o Bolsonaro". "Porque o Bolsonaro anunciava a maldade, a gente tinha a capacidade de reagir, e o Nunes e o Tarciso simplesmente vão fazendo", avaliou Cara.

"É algo que a gente precisa observar, porque tudo tende a estabelecer um cenário em 2026 que, mesmo que o Tarciso não apareça na urna presidencial, certamente ele estará na urna do estado de São Paulo, e a grande aposta dele é ser a alternativa ou para 2026 ou para 2030, e trabalhando de maneira totalmente imbricada com o Ricardo Nunes", acrescentou o professor.

<><> Governo Zema

Além de Tarcísio e Nunes, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também promove uma política violenta contra comunidades vulneráveis. Neste domingo (8), o político declarou que pessoas em situação de rua deveriam ser removidas igual carro em local proibido, através de guindastes. Para o educador, a única diferença de Zema para Tarcísio e Nunes é que o governador de Minas não tem "nenhum descomedimento".

"Ele simplesmente fala o que pensa, e o que ele pensa é esse tipo de coisa. É inaceitável ter um governante que atua contra o próprio povo", afirmou o professor. "O Zema tem uma faceta que é muito parecida com a do Bolsonaro; ele não tem receio de expressar o ódio que ele sente pelas pessoas", acrescentou.

Na visão do professor, Zema fez a declaração sobre as pessoas em situação de rua justamente porque, após os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, o número de pessoas nessas condições "explodiu". "Está impossível viver nas cidades. Não tem salário que pague aluguel".

"É uma situação calamitosa e a gente precisa rapidamente recuperar o projeto civilizatório no Brasil e também políticas públicas que deem conta de apoiar pessoas que estão sofrendo fortemente com a especulação imobiliária no Brasil inteiro. E o Zema é uma figura da especulação imobiliária, assim como o Ricardo Nunes e o Tarcísio também são", acrescentou Daniel.

<><> Radicalização do discurso

O educador também analisou a radicalização do discurso de políticos que tentam disputar o espólio de Bolsonaro, como Tarcísio, Zema e Ronaldo Caiado (União Brasil). O professor explicou que, até 2008, uma lei da Ciência Política avaliava que, durante o processo eleitoral, o eleitor tendia ao centro. "No entanto, numa época pautada pela comunicação pública, organizada pelas plataformas sociais e pelo próprio algoritmo, o que gera engajamento é a polarização", afirmou.

Portanto, o que gera engajamento hoje é se apresentar de forma sectária. "Todos eles estão disputando o espólio Bolsonaro. Ou seja, eles precisam trazer para eles o exército que faz barulho, que é minoritário, mas faz barulho", destacou.

Por fim, Cara disse que o que é necessário na política hoje é ter um exército engajado, o que a extrema direita tem de sobra. Apesar de não ter maioria, a extrema direita tem "um grau de dedicação e intensidade assustador", segundo o professor. "Eles têm uma capacidade de mobilização que é inegável. É só ver o que acontece nas manifestações de rua. Então, eles [políticos] estão tentando ganhar esse grupo para depois tentar conquistar os demais eleitores".

•        Meritocracia: Eduardo Bolsonaro fala do "sacrifício" de morar nos EUA com R$ 2 mi dados pelo pai

Nos EUA, onde é financiado pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) protagonizou mais uma cena patética ao descrever, em entrevista à juíza golpista Ludmila Lins Grilo, a "meritocracia" da sua trajetória e relatar o "sacrifício" de viver nos EUA, logo após aparecer ao lado da família em passeio na Disney.

Ao falar que o "bebê está para nascer", sobre as supostas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e outras autoridades brasileiras articuladas por ele junto ao governo Donald Trump, o filho "03" disse que seu "trabalho" é fruto da trajetória e das "oportunidades que Deus lhe deu". Eduardo ainda confessou que já gastou "mais de meio milhão de reais" para bajular líderes da ultradireita neofascista no mundo.

"O fato de eu ter conseguido acionar determinados dispositivos, sim, fazem parte de uma trabalho internacional e eu tirei proveito das oportunidades que Deus vem colocando em minha vida. Fui filho do presidente, consegui ter uma votação histórica por causa do meu pai, me credenciei para ser presidente da Creden (Comissão de Relações Exteriores da Câmara) - e muita gente falou: 'não seja, seu pai é presidente, a esquerda vai ficar na primeira fila para tentar destruir você, etc'", listou.

Eduardo ainda confessou que já gastou "mais de meio milhão de reais" para bajular líderes da ultradireita neofascista no mundo.

"Encarei esse desafio, me dispus a viajar muito para o exterior. Muita gente acha que é glamour. Eu poderia dizer aqui que 98% das vezes foi por conta de financiamento próprio. É difícil você citar um número, mas eu não gastei menos de meio milhão de reais nessa trajetória toda de seis anos para cá entre passagens, hotel, estadia", emendou.

Em seguida, Eduardo passa a falar do salário de deputado, que é "excelente no Brasil, mas "um para seis" para as viagens internacionais.

"Porque meu salário é excelente no Brasil, mas quando você sai e vai para um CPEC da Hungria, um Vox na Espanha, visitar o André Ventura do Chega, ou aqui nos EUA: é uma para seis. Então, meu salário, que é um excelente salário no Brasil, nunca atrasado, a minha vida era sensacional financeira, mas você vem para cá e meu salário passou a ser 5 mil dólares por mês e, depois, pior porque acabou o salário", conta, lamentando por ter que deixar a Câmara após decidir morar nos EUA.

O filho "03" então passa a falar da doação de R$ 2 milhões do papai para que possa brincar de conspirar nos EUA.

"Agora entrou novo escândalo, do pai financiando o filho. Meu pai falou, nessa investigação recentemente aberta, que me mandou 2 milhões de reais e muitas pessoas ficaram escandalizadas: 'financiamento do ato antidemocrático, etc'. E a gente nunca viu nada disso acontecer com a esquerda, sendo que a esquerda sempre fez muito pior", disse, sem citar um exemplo do que seria "pior".

De forma risível, Eduardo ainda se vangloria de sua trajetória "meritocrática" dizendo que hoje garotos pedem para tirar fotos com ele, que já foi "humilhado" com apelidos como "bananinha".

"Olhar para trás, ver que dia 6 de novembro tem um jornal noticiando - depois da eleição de Trump que foi no dia 5 de novembro - juízes do STF fazem piadas de quem vai perder o passaporte primeiro [...], ah chamaram de bananinha, fujão e covarde", disse.

"Se você não foi humilhado, se não fez nenhum sacrifício, você não alcançou o sucesso. Ai você pode pegar qualquer pessoa que você entenda como exemplo de alguma coisa. Essa pessoa ou ela estudou muito, ou trabalhou muito, ou acordou cedo, passou algum sacrifício, alguma situação difícil, para depois ela ser expoente, esse líder que você vê hoje", disse ele, que só trabalhou na iniciativa privada fritando hamburguer na rede de fast-food Popeyes, quando fez intercâmbio nos EUA na juventude.

"Então, a trajetória que estou passando aqui, não reclamo dela. Eu entendo como uma missão. Isso me tira o estresse e me dá o conforto para eu ter a cabeça no lugar e raciocinar para tomar as decisões corretas, de não me assustar quando está passando pelo Vale da Morte. Porque o que o Alexandre de Moraes está pedindo para mim são 12 anos de cadeia [...]. Tudo isso ai está em risco, de não voltar nunca mais para o Brasil, meu pai ser preso. Eu posso não vê-lo nunca mais, mas é parte do sacrifício, tem que arriscar. porque o outro caminho é viver debaixo do que o Moraes disser", emendou Eduardo, que se gaba de ser exemplo de meritocracia.

•        Quadrilha de Bolsonaro no banco dos réus: o temor da prisão e a "guerra" declarada por advogados

"Estou preparado para uma guerra", declarou um dos advogados que acompanhará o depoimentos dos membros do núcleo crucial da organização criminosa golpista comandada por Jair Bolsonaro (PL) que acontece a partir das 14h desta segunda-feira (9) na primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração foi dada, de forma anônima, à coluna de Lauro Jardim, do Jornal O Globo, e reflete a tensão em torno dos depoimentos dos acusados de serem os líderes da tentativa de golpe em 2023, que estarão frente a frente com Alexandre de Moraes e ao lado do delator do esquema, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro na Presidência.

O receio de uma abordagem dura de Moraes e da resposta que pode ser dada por Bolsonaro e seus cúmplices gera ainda o temor da possibilidade de decretação de uma prisão durante a oitiva.

A estratégia de guerrilha desenhada pelos advogados é focada especialmente em Mauro Cid, que será alvo de uma saraivada de perguntas e acusações, na tentativa desesperada dos acusados de desqualificar o delator.

O ataque mais forte contra Cid deve ser disparado pelo advogado de Braga Netto, José Luís de Oliveira Lima, o Juca, que fez uma das sustentações mais duras, chamando o tenente coronel de "mentiroso", na sessão em que o STF transformou os indiciados em réus, em março.

"O colaborador Cid, que mente — e mente muito —, apresentou um vídeo para sugerir um suposto vínculo do general Braga Netto com os manifestantes. No entanto, tratava-se de um encontro no Palácio da Alvorada, sem qualquer relação com os atos nos quartéis", argumentou.

Apenas Braga Netto deve acompanhar as sessões por videoconferência. Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira estarão ao lado de Cid.

Eles serão ouvidos por ordem alfabética após o interrogatório do delator. A previsão é que Bolsonaro preste seu depoimento na quarta-feira (11).

Esta será a primeira vez que o ex-presidente estará fisicamente no mesmo ambiente que Cid, com quem conviveu diariamente nos quatro anos de seu mandato.

Bolsonaro convocou os extremistas para acompanhar as sessões e tumultuarem o chat da transmissão, que será transmitida ao vivo pelo canal do YouTube do STF e replicada por diversos perfis.

Os réus estarão em um banco especialmente preparado para eles, em frente aos ministros da Suprema Corte. O interrogado sentará à frente do grupo em uma mesa.

 

Fonte: Fórum

 

Nenhum comentário: