quinta-feira, 19 de junho de 2025

Falta de sono tem nova consequência descoberta em estudo brasileiro

Altos níveis de estresse podem prejudicar a qualidade do sono e, consequentemente, causar dores no corpo. Esta é a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

<><> Estresse aumenta as chances de má qualidade do sono

•        O trabalho acompanhou 125 trabalhadores da área de saúde por um ano.

•        A equipe notou que o estresse e o burnout aumentaram as chances de má qualidade do sono e de relatos de dores no corpo.

•        Os sentimentos mais identificados foram de injustiça, insatisfação, falta de controle, demandas excessivas e falta de tempo.

•        De acordo com os pesquisadores, essas são manifestações de que o equilíbrio entre as demandas e a capacidade do trabalhador foi afetado.

•        Trabalhos anteriores já haviam identificado que 75% dos entrevistados avaliaram negativamente as demandas emocionais ligadas ao trabalho e 61% reclamaram do ritmo de serviço.

•        Os resultados foram descritos em estudo publicado na revista Healthcare.

<><> Pacientes foram acompanhados por um ano

O novo estudo foi realizado durante o período da pandemia de Covid-19. Por isso, a investigação foi conduzida por meio eletrônico, sem contato direto com os participantes.

Todos os pacientes avaliados eram vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e as coletas de dados foram realizadas ao longo de um ano, com envio dos formulários a cada três meses. A amostra abrangia pessoas entre 18 e 60 anos de idade.

A proposta era identificar a presença de dor musculoesquelética nos últimos 12 meses e nos últimos sete dias. Segundo a equipe, o estresse e o burnout já eram comuns nesses trabalhadores antes da pandemia, mas foram agravados pelas dificuldades do período, assim como a piora na qualidade do sono.

A maioria dos entrevistados foi classificada como tendo qualidade do sono ruim (74%), o que é um problema grave, pois sabe-se que o sono não restaurador é responsável por uma série de problemas de saúde. Além disso, sua privação ou interrupções aumentam a sensibilidade e a vulnerabilidade à dor, além de também estarem associadas ao comprometimento cognitivo.

•        Maioria dos brasileiros sofre com algum distúrbio do sono

Você tem alguma dificuldade para dormir? Se a resposta foi sim, saiba que não está sozinho. Muito pelo contrário. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz revela que 72% dos brasileiros sofrem com distúrbios relacionados ao sono.

<><> Ameaça para a saúde pública do país

De acordo com o trabalho, a maioria dos brasileiros relatou situações que impedem a pessoa de adormecer, interrompem ou tornam o sono insuficiente para a recuperação total do corpo. O professor Alan Luiz Eckeli, especialista em neurologia e medicina do sono, afirma que isso revela uma grave ameaça a saúde pública do Brasil.

Ele explica que existem mais de 70 doenças do sono, e para cada uma delas existem peculiaridades relacionadas à suscetibilidade, a sintomas e ao tratamento dessas doenças. Também cita as que possuem maior prevalência: apneia obstrutiva do sono, insônia crônica e síndrome das pernas inquietas.

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio que faz com que a respiração seja muito superficial, e até mesmo interrompida durante o sono. Isso compromete a qualidade do sono, levando à sensação que o descanso não foi o suficiente.

Segundo o Estudo Epidemiológico do Sono (Episono), estima-se que a prevalência da apneia obstrutiva do sono na população paulistana seja de 33%, um terço da população adulta da cidade de São Paulo. O professor Eckeli diz que essa condição possui um fator hereditário, também está associada à obesidade e à idade avançada, além de fatores anatômicos relacionados aos ossos da face.

Já a insônia se manifesta de várias formas: pode ser através da dificuldade de adormecer (insônia inicial), dificuldade de manter o sono, despertando durante a noite (insônia de manutenção) ou a resistência ao sono após despertar antes do tempo de sono necessário (insônia do despertar precoce), afetando diretamente a qualidade e quantidade do sono.

A insônia crônica, por sua vez, é caracterizada quando esses episódios acontecem, pelo menos, três vezes por semana por, no mínimo, três meses. Segundo Eckeli, as origens fatoriais para essa doença possuem um caráter genético, além disso, é um distúrbio que depende do ambiente e do comportamento. Indivíduos que têm menos predisposição ao sono têm mais chance de desenvolverem a insônia crônica, e fatores de saúde mental, como ansiedade e depressão, também influenciam no desenvolvimento dessa condição.

A síndrome das pernas inquietas, ou doença de Willis-Ekbom, por fim, é uma condição neurológica que cria uma necessidade incontrolável de mover as pernas para aliviar o desconforto. Esse distúrbio está ligado a sensações de formigamento e queimação nas pernas e se manifesta, principalmente à noite e nos horários de dormir.

O professor afirma que tal condição tem um forte predisposição genética, mas também é afetada por fatores ambientais. É uma doença que está associada a pessoas que possuem doenças renais crônicas, diabete ou restrições alimentares relacionadas à falta de consumo de carne vermelha, por exemplo. As informações são do Jornal da USP.

<><> Importância do sono e prejuízos de uma noite mal dormida

•        O professor Alan Luiz Eckeli afirma que essa alta prevalência dos distúrbios do sono causa impactos significativos em questões socioeconômicas, uma vez que prejudica diretamente a performance das pessoas nas atividades cotidianas.

•        Ele destaca que estes distúrbios fazem com que as pessoas faltem mais no trabalho ou sejam incapazes de realizarem as suas atividades de forma adequada.

•        Acidentes de trabalho e de trânsito também estão ligados a um sono inadequado.

•        Segundo o professor, a privação do sono gera sintomas como redução da atenção, reflexo e coordenação motora, aumentando as chances de acidentes.

•        Eckeli ressalta que adultos precisam dormir de sete a oito horas ininterruptamente para manter as principais funções reparadoras como reparo de tecidos, crescimento muscular e síntese de proteínas.

•        As recomendações para manter o sono saudável são várias, dentre elas estão a redução do esforço e da exposição a estímulos ambientais duas horas antes do horário de dormir, reduzir o volume da TV, por exemplo, uma hora antes de dormir realizar uma atividade pouco estimulante que auxiliará na percepção dos sintomas de sonolência, como a leitura.

•        Também é recomendada a realização de atividade física durante o dia, além de manter uma alimentação saudável, sendo a última refeição do dia pouco calórica, para que a digestão não comprometa o sono.

•        O ambiente onde se dorme também deve ter algumas características, deve ser quieto, escuro e termicamente agradável.

 

Fonte: Olhar Digital

 

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