Bolsonaro
entrou condenado e saiu condenado do depoimento; foco é em prisão domiciliar
Nos
bastidores, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliam que o destino
jurídico dele já está traçado: "entrou condenado, saiu condenado". A
aposta é que, diante da força das provas reunidas no inquérito da tentativa de
golpe, não há mais caminho para absolvição.
Contudo,
há outro objetivo em curso: preparar terreno para um eventual pedido de prisão
domiciliar.
É por
isso que o tom adotado no depoimento ao ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) Alexandre de Moraes na terça-feira (10) foi mais contido. Nada de ataques
diretos ao Supremo, como nos tempos de Planalto. A orientação era clara:
demonstrar cooperação e evitar confronto com o Judiciário — o oposto do
Bolsonaro presidente.
Além
disso, a fase de interrogatórios no STF revelou uma segunda estratégia: tentar
descredibilizar a delação premiada de Mauro Cid. Réus como Braga Netto, por
exemplo, usaram os depoimentos para questionar trechos da colaboração, como a
história da sacola de vinho com dinheiro que teria sido entregue ao general
para repassar a apoiadores acampados.
Esses
dois movimentos — tom mais cauteloso de Bolsonaro e foco das defesas na delação
de Mauro Cid — mostram que o momento agora é de contenção de danos. O cenário
ainda é de expectativa por condenações, mas a estratégia já mira a próxima
etapa do processo: a definição das penas.
• Bolsonaro 'habilidoso' ou 'excesso de
deferência' a Moraes? Juristas se dividem sobre interrogatório amistoso no STF
A
conhecida tensão entre o campo bolsonarista e o ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Alexandre de Moraes deu lugar a um clima respeitoso e
descontraído durante o esperado interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL), réu em um processo criminal sobre uma suposta tentativa de golpe de
Estado para se manter no poder.
Ouvido
na terça-feira (10/06), o presidente não utilizou seu direito constitucional ao
silêncio e respondeu, em tom amistoso, a todas as perguntas feitas por Moraes
(relator do processo), pelo ministro Luiz Fux, pela Procuradoria-Geral da
República e pelas defesas dos demais réus.
Seus
advogados também fizeram perguntas, dentro da estratégia de tentar evidenciar
as ações adotadas por Bolsonaro para viabilizar a transição de governo para a
gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assim como refutar acusações sobre
minutas golpistas ou envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Juristas
ouvidos pela reportagem se dividem sobre o resultado do interrogatório para
Bolsonaro.
Para o
criminalista Aury Lopes Júnior, professor da Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul, o ex-presidente foi "habilidoso" nas respostas
e se expressou com clareza, ao negar qualquer intensão golpista.
Já
Rafael Mafei, professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), avalia
que o tom amistoso do depoimento pode ser negativo para a imagem de Bolsonaro
junto a seus apoiadores mais fiéis.
Os dois
entrevistados concordam, porém, que o impacto do interrogatório no desfecho do
julgamento deve ser limitado.
Lopes
Júnior ressalta que o réu negar um crime não é suficiente para enfraquecer
acusações, e que os ministros do STF analisarão a versão de Bolsonaro à luz de
outras provas do processo.
"Bolsonaro,
sabidamente, tem uma imensa dificuldade de expressão, de manifestação verbal.
Ele surpreendeu pela comunicação de boa qualidade que teve hoje. Conseguiu
concatenar as suas ideias e linkar os parágrafos para fazer respostas completas",
analisou.
"Ele
buscou afastamento total de qualquer imagem de golpe, e isso ficou muito claro.
Foi muito corajoso ao se dispor a responder às perguntas do relator",
disse ainda.
O
criminalista destaca também a postura do presidente de pedir desculpas a Moraes
por "arroubos" passados.
"Ele
foi habilidoso também em atribuir aquilo que não tinha resposta a rompantes da
sua personalidade verbalmente agressiva e, quando não tinha solução, assumiu
que foi um excesso e até pediu desculpas."
"Então,
nesse ponto, ele foi bastante habilidoso em termos de política, de contornar
uma situação que não tinha muita solução."
Rafael
Mafei, por outro lado, considera que o comportamento contrariou a postura de
enfrentamento ao ministro e ao STF que Bolsonaro sempre estimulou em sua base.
"Todo
mundo o conhece. Pode até prejudicá-lo, se seus apoiadores mais duros
esperassem um enfrentamento dele com o Alexandre de Moraes", notou.
"[Bolsonaro]
está tratando o Alexandre com deferência, pedindo licença para tudo, fazendo
piadinhas banais até. Não parece alguém que está coagido ou sendo submetido a
uma injustiça", prosseguiu.
Ele
comparou a postura de Bolsonaro com a de generais argentinos julgados em 1985
por crimes cometidos pelas três juntas militares que governaram o país após o
golpe de Estado de 1976.
"Os
generais argentinos, em 1985, disseram não reconhecer a legitimidade do
julgamento e ficaram em silêncio. Bolsonaro age como quem deve satisfação ao
Supremo e ao Alexandre de Moraes — que ele deve, é verdade, mas, ao mesmo
tempo, vai contra do comportamento que ele sempre estimulou em relação ao
STF."
Os
efeitos do depoimento junto aos apoiadores de Bolsonaro devem depender de como
isso será replicado nos grupos bolsonaristas. "Com bons cortes, faz-se de
tudo."
O
ex-presidente e outros sete réus são acusados de integrar o chamado
"núcleo crucial" que teria liderado uma suposta tentativa de golpe de
Estado para manter Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições
presidenciais de 2022.
Os oito
foram interrogados pelo STF entre segunda (09/06) e terça-feira (10/06).
Apesar
do nervosismo evidente entre os interrogados, os depoimentos foram marcados por
um clima descontraído e piadas feitas por Moraes, os réus e seus advogados.
Em um
desses momentos, Bolsonaro chegou a convidar Moraes para ser seu candidato a
vice-presidente nas próximas eleições presidenciais.
"Pretendo
na quinta, sexta e sábado estar no Rio Grande do Norte, visitando oito
municípios... Se você me permitir, posso mandar imagens de como o povo trata a
gente na rua", começou Bolsonaro.
"Eu
declino", respondeu Moraes, arrancando risos de quem acompanhava o
depoimento.
"Posso
fazer uma brincadeira?", perguntou o ex-presidente.
"O
senhor que sabe... eu perguntaria aos seus advogados."
"Gostaria
de convidá-lo para ser meu vice em 2026", brincou Bolsonaro.
"Eu
declino novamente", respondeu, em tom ameno, o ministro do STF.
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O que disse Bolsonaro?
O
ex-presidente foi questionado sobre pontos centrais da acusação, como seus
ataques ao sistema eletrônico de votação, reuniões para discutir uma ação
autoritária, como decretação de estado de sítio, e planos para matar
autoridades.
Bolsonaro
negou qualquer envolvimento com os atos de 8 de janeiro de 2023, quando
bolsonaristas radicais depredaram as sedes dos Três Poderes, e disse
desconhecer planos para matar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o
próprio ministro Moraes.
Perguntado
sobre a discussão de minutas para decretar estado de sítio ou defesa, que teria
ocorrido entre o então presidente, integrantes do seu governo e os comandos das
Forças Armadas, Bolsonaro reconheceu que houve reunião para discutir
"alternativas" que, na sua visão, estariam dentro da Constituição.
Segundo
ele, essas medidas foram descartadas e não houve qualquer encaminhamento.
Bolsonaro
afirmou ainda que a busca de "alternativas" ocorreu após o TSE
estabelecer uma multa de R$ 22 milhões ao PL, partido de Bolsonaro, quando a
legenda apresentou uma petição apontando uma suposta fraude na eleição de 2022,
sem apontar provas disso.
Ao
longo das investigações conduzidas pela Polícia Federal, foi encontrada na casa
do ex-ministro da Justiça Anderson Torres um rascunho de documento que ficou
conhecido como "minuta do golpe" — com um texto que determinava, em
linhas gerais, estado de exceção no país.
Após
dizer que a suposta minuta "não tem um cabeçalho nem um fecho",
Bolsonaro disse que "isso foi colocado numa tela de televisão [durante a
reunião para discutir o documento] e mostrado de forma rápida ali".
"Mas
a discussão sobre esse assunto já começou sem força, de modo que nada foi à
frente."
"Como
nós fomos impedidos de recorrer ao TSE, com preocupação de uma penalidade mais
alta do que aquela, se não me engano, de 23 de novembro, nós buscamos uma
alternativa na Constituição, e achamos que não procedia, e foi encerrado."
Bolsonaro
também minimizou as acusações sobre minutas golpistas, argumentando que nunca
convocou o Conselho da República ou o Conselho da Defesa, órgãos que teriam que
aprovar a decretação de estado de sítio ou estado de defesa.
Ele
negou ainda ter "enxugado" a minuta, reduzindo as autoridades que
seriam presas, como acusa o delator Mauro Cid.
Para o
criminalista Aury Lopes Júnior, o argumento de Bolsonaro de que não convocou os
conselhos da República e da Defesa não é eficaz para refutar a acusação de que
havia um plano golpista.
"Quando
ele diz que não convocou os Conselhos da República e da Defesa para decretar o
estado de sítio, isso não contribui em nada, porque, se é golpe, realmente ele
não iria nunca convocar", ressalta.
"É
importante considerar que a confissão não é prova plena de nada, e a negativa
do réu também não é uma prova plena de nada. Tanto quando se confessa, quando
também quando se nega a prática de um crime, essa declaração deve ser analisada
à luz do conjunto probatório", disse ainda.
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Processo se aproxima de reta final
O
professor diz que os interrogatórios não mudaram sua percepção de que há um
conjunto probatório robusto contra os acusados. Ele ressalta, porém, que poderá
haver divergência entre os ministros na "valoração" dessas provas ao
decidir o caso.
"Pela
prova técnica já produzida, incluindo a prova digital, geolocalização,
mensagens, documentos, etc, existem elementos robustos de que houve a tentativa
de abolição da democracia e de golpe de estado, na minha visão."
"Mas
precisamos aguardar o julgamento para ver a valoração que será feita.
Inclusive, não será surpresa se houver divergência por parte do ministro
Fux."
Fux tem
destoado de Moraes em alguns pontos do julgamento, por exemplo, quando fez
questionamentos ao acordo de colaboração do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro,
Mauro Cid, por ele ter prestado vários depoimentos ao longo da investigação,
alterando pontos da sua delação.
Os oito
réus serão julgados pela Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros:
Moraes, Fux, Flavio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Após os
interrogatórios, haverá prazo para que o Ministério Público e as defesas
solicitem novas diligências para a inclusão de provas no processo.
Depois
disso, as partes apresentam suas alegações finais e o caso é encaminhado para o
relator produzir seu voto e o STF marcar o julgamento.
• 'Bolsonaro transformou audiência em
plataforma política': como imprensa internacional noticiou depoimento de
ex-presidente
O
depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo que julga um
suposto golpe de Estado foi destaque em diversos veículos de imprensa
espalhados pelo mundo.
No
Reino Unido, o The Guardian destacou que "o líder da direita radical usou
a transmissão ao vivo para transformar a audiência numa plataforma política e
defender seu governo de 2019 a 2023, além de criticar repetidamente o terceiro
mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)".
A
publicação reportou que o ex-presidente do Brasil negou estar por trás de um
plano de golpe de Estado — embora tenha admitido ter participado de reuniões
para discutir "vias alternativas" para manter-se no poder após a
derrota nas eleições de 2022.
Entre
essas opções, lista o The Guardian, estavam a decretação de um estado de sítio.
Mas Bolsonaro reiterou durante a audiência que não havia "clima" ou
"oportunidade" para isso.
A
publicação britânica também chamou a atenção para a expectativa sobre o
encontro frente a frente de Bolsonaro com o ministro Alexandre de Moraes, do
Supremo Tribunal Federal (STF).
O
jornal lembrou que o ex-presidente já chamou o juiz de "idiota" e
"canalha".
"Mas
Bolsonaro pediu desculpas a Moraes e a outros dois juízes por dizer durante uma
reunião que eles supostamente haviam recebido entre 30 e 50 milhões de dólares
para fraudar as eleições."
Por
fim, o The Guardian reforçou que essa é "a primeira vez que militares de
alta patente enfrentam um julgamento por tentativa de golpe de Estado no
Brasil, um país que enfrentou uma ditatura sangrenta entre 1964 e 1985".
Já o
Financial Times (FT) descreveu Bolsonaro como um "nacionalista cristão
aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump" e destacou que ele
pode "enfrentar décadas atrás das grades se for considerado culpado".
A
reportagem considerou que as alegações sobre o suposto golpe de Estado
planejado pelo ex-presidente e seus apoiadores "abalaram a mais populosa
democracia da América Latina".
O FT
também observou que o interrogatório foi conduzido por Moraes, "ele
próprio um dos supostos alvos de planos de assassinato".
O
jornal também avaliou que Bolsonaro respondeu as perguntas de forma
"bem-educada", "em comentários às vezes confusos" para
"defender a atuação de seu governo e reiterar suas críticas antigas ao
sistema eletrônico de votação do Brasil".
A BBC
News destacou o fato de o ex-presidente ter classificado um golpe de Estado
como algo "abominável" em seu primeiro depoimento diante da corte.
"Bolsonaro
perdeu por pouco o segundo turno das eleições presidenciais em outubro de 2022
para seu rival de esquerda, Lula", diz a reportagem.
A BBC
observou que o ex-presidente "nunca reconheceu publicamente a
derrota".
"Muitos
de seus apoiadores passaram semanas acampados do lado de fora dos quartéis do
Exército na tentativa de convencer os militares a impedir que Lula tomasse
posse como presidente, conforme previsto", complementa o texto.
Uma
matéria publicada pela Al-Jazeera contextualizou o trabalho de investigação da
Polícia Federal que levou a um relatório de 900 páginas, que serviu de base
para a acusação e o julgamento.
"Embora
Bolsonaro, um aliado próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
quando ambos estavam no poder, estivesse nos EUA na época [dos eventos de 8 de
janeiro em Brasília], os promotores argumentam que ele apoiou a violência,
chamando-a de 'última esperança' daqueles que buscam anular a eleição",
aponta a Al-Jazeera.
A
publicação lembrou que essa "é a primeira vez que um presidente brasileiro
enfrenta acusações de golpe de Estado desde o fim da ditadura militar em
1985".
"Bolsonaro,
que sempre expressou admiração por esse período [da ditadura], está impedido de
disputar eleições até 2030."
A
Al-Jazeera acrescentou que o ex-presidente "foi duramente criticado quando
ele liderou o Brasil durante a pandemia de covid-19, quando suas políticas de
desinformação contribuíram para o Brasil ter a maior taxa de mortalidade da
América Latina e a segunda maior do mundo, atrás apenas dos Estados
Unidos".
¨ O que Bolsonaro não
disse para Alexandre de Moraes em depoimento no STF. Por Paulo Motoryn e Thalys
Alcântara
No
banco dos réus do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira, 10, em Brasília,
o ex-presidente Jair Bolsonaro manteve a máscara de sempre: disse que foi
perseguido, que seu governo foi “excepcional”, que inventou o Pix, que levou
água ao Nordeste, que dobrou o Bolsa Família e que tapou “os ralos da
corrupção”. Nenhuma novidade.
O
ex-capitão ainda acusou o STF de impedi-lo de governar, atacou as urnas
eletrônicas, tentou exibir vídeo de Flávio Dino e até pediu desculpas por dizer
que Moraes recebeu R$ 50 milhões. Mas se houve algo que vale notar no
interrogatório que abriu a etapa decisiva do julgamento sobre a tentativa de golpe de estado, foi o que
Bolsonaro não disse.
Não
disse, por exemplo, que já chamou Alexandre de Moraes de canalha diante de
milhares de apoiadores. Que, no 7 de Setembro de 2021, gritou em cima de um trio elétrico: “Sai, Alexandre de
Moraes! Deixa de ser canalha!”
O
ex-presidente também não disse que, naquela mesma ocasião, declarou
publicamente que “qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse
presidente não mais cumprirá”. Nem que completou, ao som de “eu autorizo”
gritado pela multidão: “Acabou o tempo dele”.
Não
disse que já ameaçou de golpe outras vezes, como em março de 2021, quando afirmou que “estão esticando a corda” e que tinha “as
Forças Armadas pela democracia e pela liberdade”, em referência aos militares
como seus aliados pessoais.
Nem que
em julho daquele mesmo ano chamou o então presidente do TSE, Luís Roberto
Barroso, de “idiota” e “imbecil” por defender o sistema eleitoral brasileiro.
“Corremos o risco de não ter eleição ano que vem”, ameaçou Bolsonaro na
ocasião.
Diante
da 1ª Turma do STF, contido, o tom de Bolsonaro foi outro. Entre ataques
enviesados e vitimismo, o ex-presidente fez o que pôde para escapar da posição
de réu: adotou a retórica de sempre, mas embalada numa versão mais cautelosa.
Com a voz menos estridente, tentou dar aula de gestão pública e, ao mesmo
tempo, insinuar perseguição política. O palanque, ainda que improvisado, virou
escudo.
A
diferença agora é que não há mais cercadinho nem plateia de fiéis — há juízes,
provas, delações e histórico. Há responsabilidade. E há, mais do que isso, uma
expectativa histórica.
Como os
tribunais de Nuremberg em 1946 ou o Julgamento das Juntas argentinas em 1985, o
STF tem diante de si uma missão pedagógica: não apenas punir os autores da
tentativa de golpe, mas estabelecer para a história que certos limites não
podem ser ultrapassados. Que a democracia não é uma conveniência — é uma regra.
O
Brasil já falhou uma vez, anistiando torturadores, ditadores e conspiradores
sob o pretexto de pacificação. Se repetir o erro, abre as portas para o próximo
aventureiro que, acenando à ordem e à pátria, tentará se tornar ditador.
O
momento é agora. Bolsonaro não disse isso no Supremo. Mas o país precisa dizer
— em voz alta e com sentença firme — que a democracia brasileira não será
destruída sem consequências.
Fonte:
BBC News Brasil/The Intercept

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