2º
dia no STF: Bolsonaristas veem réus recuarem e mudarem discurso sobre urnas em
interrogatório
Antes
verdadeiros espalhadores de suspeitas infundadas e informações falsas sobre as
urnas, políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro mudaram
completamente suas versões sobre o processo eleitoral brasileiro.
Durante
o interrogatório da ação penal sobre tentativa de golpe, réus reelaboraram suas
falas disseminadas por anos, sobretudo durante o governo Bolsonaro.
Anderson Torres – que chegou a
participar de uma live com Bolsonaro sobre a falsa falta de segurança das urnas
– mudou o discurso.
Interrogado,
o ex-ministro de Bolsonaro afirmou que não tem elementos que apontem para
fraudes nas urnas.
E disse
que as falas na transmissão com Bolsonaro foram somente sugestões técnicas,
elaboradas sem que se tivesse provas de irregularidades.
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Anderson Torres confirma que Ministério da Justiça não tinha elementos sobre
fraude nas urnas
O
ex-ministro da Justiça Anderson Torres confirmou à Primeira Turma do Supremo
Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10) que
a pasta não tinha elementos técnicos sobre fraudes nas urnas após o
resultado das eleições de 2022.
"No
âmbito do Ministério da Justiça propriamente dito — sem ser através da Polícia
Federal — não temos setor, nem área nenhuma que trabalhe com essa questão de
urnas eletrônicas [...]. Tecnicamente falando, não temos nada que aponte
fraude nas urnas. Nunca chegou essa notícia até mim", afirmou.
"Eu
passava isso e quando era questionado pelo presidente [Bolsonaro] e por
qualquer autoridade, eu sempre passei isso: não tínhamos tecnicamente nada a
dizer sobre as urnas eletrônicas", prosseguiu. "O material que tive
acesso eram sugestões de melhorias às urnas eletrônicas".
Em
outro momento, Moraes narrou um diálogo de Torres em uma reunião ministerial em
que ele cita indícios de 'hackeamento' do sistema eleitoral.
Ao
passo em que Torres afirmou que a fala, na ocasião, se referiu à implementação
de melhorias no sistema eleitoral propostas em perícia da Polícia Federal.
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Indício
"O
senhor é delegado da Polícia Federal, e o senhor sabe que indício é um termo
técnico para início de provas. O senhor tinha algum indício de fraude às
urnas?", reforçou Moraes no questionamento.
"Exatamente
eu, ministro, eu não tinha [...]. São só colocações pessoais minhas ali na
reunião", justificou.
Torres
foi o quarto dos oito réus do chamado 'núcleo crucial' do golpe a prestar
depoimento.
As
audiências começaram nesta segunda, quando foram ouvidos o ex-ajudante de
ordens de Bolsonaro e delator do caso, coronel Mauro Cid; e o ex-presidente da
Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.
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Torres diz que 'minuta do golpe' é 'minuta do Google' e
tinha erros de concordância: 'Nem me lembrava'
Anderson
Torres afirmou nesta terça-feira (10), em depoimento ao Supremo Tribunal
Federal (STF), que nem se lembrava de ter recebido ou tratado de uma
"minuta golpista".
O nome
foi dado ao rascunho de documento que previa a declaração de
estado de defesa no país e a prisão de autoridades para impedir a
posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo
Torres, a apreensão desse documento durante uma operação de busca e apreensão
da Polícia Federal em sua casa foi uma "surpresa" para ele.
"Na
verdade, ministro, não é 'minuta do golpe', eu brinco que é a 'minuta do
Google' [...] Eu levava duas pastas pra minha residência, uma delas contendo a
agenda do dia seguinte, eventuais minutas de discurso, coisas nesse sentido, e
outra com documentos gerais que vinham no Ministério", disse.
"Eu
realmente nem me lembrava dessa minuta. Me lembrei quando foi apreendido pela
Polícia Federal. Foi uma surpresa. O senhor, não sei se estava acompanhando,
mas isso era voz corrente na Esplanada dos Ministérios. Estava difícil
trabalhar, inclusive a gente recebia minutas, ideias e uma série de coisas pelo
WhatsApp, papel", emendou.
"Eu
nunca tratei isso com ninguém, isso veio até o meu gabinete do Ministério da
Justiça, organizado pela minha assessoria, isso veio num envelope dentro, foi
parar na minha casa, mas eu nunca discuti esse assunto, eu nunca trouxe isso à
tona, isso foi uma fatalidade que aconteceu. Era pra ter sido destruída há
muito tempo, eu nunca trabalhei isso", adicionou Torres.
"O
documento era muito mal escrito, cheio de erros de português, de concordâncias,
até o nome do tribunal que estava escrito lá estava escrito errado. Então não é
da minha lavra, não sei quem fez, não sei quem mandou fazer e nunca discuti
esse tipo de assunto", concluiu.
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Torres nega omissão no 8 de janeiro e diz que ataque foi gerado por falha grave
de forças de segurança
O
ex-ministro da Justiça Anderson Torres negou à Primeira Turma do Supremo
Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (10) que houve
omissão diante dos atos de 8 de janeiro de 2023 — quando as sedes dos Três
Poderes foram destruídas. Segundo ele, o que ocorreu foi uma falha no protocolo
de segurança.
Na
ocasião, Torres ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública do DF, mas,
no dia dos atos, não estava em Brasília. Estava de férias nos Estados Unidos.
"Vejo
que houve falha muito grave no cumprimento do protocolo. Esse Protocolo de
Ações Integradas é considerado gravoso porque impacta muito a vida do
brasiliense. É uma coisa que a gente faz em poucos casos. Houve uma falha grave
no cumprimento desse protocolo. Fui surpreendido por isso no domingo",
afirmou.
"Liguei
diversas vezes para o comandante da PM, perguntei porque houve a falha, liguei
para o governador, para o procurador de Justiça do DF. Fiquei desesperado. Do
jeito que eu deixei o DF, era impensável que acontecesse o que aconteceu. Houve uma falha grave",
prosseguiu.
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Torres nega extravio e diz que perdeu celular nos EUA ao saber de ordem de
prisão
Anderson Torres negou nesta
terça-feira (10) ter extraviado o celular e afirmou que perdeu o aparelho e
dólares, nos Estados Unidos, porque ficou "transtornado" ao
saber da prisão decretada pelo ministro
Alexandre de Moraes após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Torres,
que era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal no início de 2023,
foi o quarto réu do chamado "núcleo crucial" da trama golpista a ser
interrogado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Moraes
perguntou a Torres se ele havia extraviado o celular com o objetivo de impedir
que investigadores da Polícia Federal acessam os dados contidos no aparelho.
O ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL) negou.
"Eu
perdi meu telefone e naquele momento, o mais duro da minha vida, eu com três
crianças pequenas, nos Estados Unidos, e saiu minha prisão no dia 10 de janeiro
de 2023. Isso me deixou transtornado. Eu perdi o equilíbrio, a realização de um
sonho das crianças se tornou um pesadelo pra mim. Perdi o celular, perdi uns
dólares e isso foi muito ruim para a minha defesa. Ali tinha muita coisa que me
ajudaria, as mensagens que mandei desesperado para o meu adjunto", afirmou
Torres.
A
Moraes, Anderson Torres disse que foi à Disney, na Flórida, de férias com familiares e que a viagem
estava programada desde meados de 2022.
Ele
declarou ter adquirido as passagens em novembro de 2022 antes do registro de
eventos violentos em Brasília relacionados à derrota de Bolsonaro nas urnas.
"Eu
me preparei para [a viagem] ser em julho de 2022. Em razão da sobrecarga de
trabalho, não deu. Ia no verão lá. Não consegui fazer em julho e adiei para as
férias das crianças. Comprei as passagens em 21 de novembro de 2022. Não foi
coincidência, foram férias programadas com a minha família", disse.
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Augusto Heleno
Já o
general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI),
disse que os termos “vamos virar a mesa” e “não vai ter VAR”, usados por ele
durante uma reunião ministerial de 2022, não tem relação com as urnas nem com
uma tentativa de ataque a democracia. Heleno optou por não responder às
perguntas de Moraes. Respondeu somente aos questionamentos de seu advogado.
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Advogado dá bronca em Heleno: 'A pergunta é só sim ou não, desculpa'
O
advogado Matheus Milanez, que representa o ex-ministro do Gabinete de Segurança
Institucional general Augusto Heleno — réu na ação que apura a tentativa de
golpe de Estado em 2022 — deu uma bronca no seu cliente durante o
interrogatório na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10).
"A
pergunta é só 'sim' ou 'não', desculpa", advertiu o advogado no momento em
que Heleno respondia a uma pergunta feita por ele.
Na
ocasião, o advogado havia perguntado: "O senhor coordenou uma ação
da Abin [Agência
Brasileira de Inteligência] ou orientou a Abin para que a agência produzisse
relatórios e documentos com informações falsas sobre a eleição de 2022?"
Na
resposta, Heleno afirmou: "De maneira nenhuma. Não havia clima. O clima da
Abin era muito bom". Depois dessa resposta, veio a advertência. Em
seguida, Heleno demonstrou surpresa, sorriu e disse: "Porra,
desculpa".
Diante
da reação de Heleno, o ministro Alexandre de Moraes brincou:
"Não fui eu, general Heleno, que fique nos anais aqui do Supremo, foi o
seu advogado". O advogado, então, agradeceu Moraes e reforçou que as
respostas deveriam ser apenas "sim" ou "não".
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'Era esse o ponto'
O
advogado foi ríspido com Heleno também em outro momento. O ex-ministro foi
questionado sobre ter conhecimento de um plano de golpe.
Quando
Heleno começou a responder, Matheus Milanez interrompeu: "O ponto é só
provar se o senhor tinha conhecimento desse plano. O senhor não tinha.
Participou de alguma reunião sobre esse plano?", questionou.
Em
seguida, Heleno respondeu "não", mas o advogado continuou falando
junto com Heleno: "Pronto, então é esse o ponto. Só queria saber se o
senhor teve envolvimento ou não. Era essa a resposta que eu precisava",
enfatizou Milanez.
No
início do interrogatório, a defesa informou ao ministro Alexandre de Moraes que
Augusto Heleno ficaria parcialmente em silêncio, que só responderia aos
questionamentos da defesa.
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'O horário do almoço ainda está longe', brinca Moraes ao responder defesa de
Augusto Heleno
O
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, brincou com a
defesa do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno
nesta terça-feira (10) durante o interrogatório dos réus na ação penal que
apura a tentativa de golpe de Estado em 2022.
Na
ocasião, o advogado Matheus Milanez pediu a palavra para uma questão de ordem —
mecanismo que permite contestar algum procedimento adotado ou pedir
esclarecimentos — quando Moraes disse: "Doutor, o horário do almoço ainda
está longe".
Em
seguida, Milanez afirmou que, assim como Moraes, ele tinha tomado café
reforçado. "Vossa Excelência fique tranquila que assim como Vossa
Excelência eu tomei um 'brunch' reforçado."
Em
seguida, o advogado informou que Augusto Heleno ficaria em silêncio e só
responderia aos questionamentos da defesa. Moraes afirmou que, mesmo assim,
faria as indagações para que constasse no relatório.
A
brincadeira de Moraes com o advogado tem relação com o pedido feito por Milanez
na noite desta segunda (9): adiar o horário da sessão de terça para mais
tarde, mencionando cansaço, deslocamento e a
falta de jantar.
“O
motivo da minha intervenção é bem pontual, Excelência", disse o advogado
Matheus Milanez na ocasião. "São 20h, a audiência amanhã é às 9h, e nós
viemos em um carro só. Ainda preciso levar o general para casa, e eu mesmo
preciso ir para a minha. Eu minimamente quero jantar... Excelência, eu só tomei
café da manhã hoje, quase nada mais”, disse o advogado, arrancando risos no
plenário", justificou na sequência.
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Ex-comandante da Marinha confirma reuniões com Bolsonaro,
mas nega 'minuta' ou ter colocado tropas 'à disposição' do golpe
O
ex-comandante da Marinha e almirante Almir Garnier Santos confirmou à Primeira
Turma do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira (10), que participou de
reuniões no Palácio da Alvorada, em dezembro de 2022.
Em uma
delas, em 7 de dezembro, Garnier confirmou que foram discutidas medidas de
"garantia da lei e da ordem".
Essa é
a data em que, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o
então presidente Jair Bolsonaro discutiu uma minuta de decreto golpista com os
comandantes do Exército e da Marinha, além do ministro da Defesa, Paulo Sérgio
Nogueira.
"Havia
vários assuntos [na reunião de 7 de dezembro], o principal era a preocupação
que o presidente tinha, que também era nossa, das inúmeras pessoas que estavam,
digamos assim, insatisfeitas e se posicionavam no Brasil todo, em frente aos
quartéis do Exército", afirmou Garnier.
"Houve
uma apresentação de alguns tópicos de considerações que poderiam levar a talvez
– não foi decidido isso naquele dia – à decretação de uma GLO ou necessidades
adicionais, principalmente visando a segurança pública", disse.
Questionado,
Garnier negou ter recebido algum documento que pudesse ser considerado uma
"minuta golpista".
"Eu
não vi minuta, ministro. Eu vi uma apresentação na tela do computador. Havia um
telão onde algumas informações eram apresentadas. Quando o senhor fala minuta,
eu penso em papel, em um documento que lhe é entregue. Não recebi."
Garnier
também negou que tenha colocado as tropas que comandava "à disposição de
Bolsonaro" para uma ruptura democrática.
"Senhor
ministro, como lhe disse, não houve deliberações, o presidente não abriu a
palavra para nós. Ele fez as considerações dele, expressou o que pareciam pra
mim mais preocupações e análises de possibilidades do que propriamente uma
ideia ou intenção de conduzir alguma coisa em em alguma direção", disse
Garnier.
"Eu
era comandante da Marinha, eu não era assessor político do presidente. E eu me
ative ao meu papel institucional", afirmou também o militar.
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Segunda reunião foi 'estranha' e 'terminou sem começar'
Garnier
também confirmou ter participado de uma reunião uma semana depois, em 14 de
dezembro de 2022, com o então então presidente Jair Bolsonaro, o então ministro
da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e os comandantes do Exército e da Aeronáutica.
Novamente,
ele negou ter visto qualquer documento que pudesse ser chamado de "minuta
do golpe".
"A
minha lembrança dessa reunião é que estávamos os três e que não houve
apresentação de nenhum documento durante a reunião. É isso que, se o senhor me
perguntou de uma apresentação, eu não lembro de ter sido apresentado nenhum
documento."
"Essa
reunião foi, para dizer no mínimo, estranha. Ela meio que se encerrou antes de
começar. Eu fiquei com a impressão de que eu tinha chegado um pouquinho depois
dos outros dois colegas. Estavam os três sentados, essa é a minha lembrança.
Quando eu entrei, eu já percebi que tinha havido algum tipo de desentendimento,
ou de alguma discussão que tinha acontecido, e a reunião foi encerrada. O
ministro não abriu nenhuma pauta adicional, parecia estar chateado e a reunião
foi encerrada. Eu não tive nem participação ativa nenhuma dessa reunião, porque
eu não vi assunto."
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Ex-comandante da Marinha nega que desfile de blindados tenha sido para
pressionar a Câmara: 'Coincidência'
O
ex-comandante da Marinha brigadeiro Almir Garnier Santos negou à Primeira Turma
do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira (10), que o desfile de blindados em 10 de agosto
de 2021 tenha
sido para pressionar a Câmara dos Deputados.
O ato,
fora da agenda oficial do então presidente, ocorreu no dia em que parlamentares
decidiriam o destino da PEC do voto impresso. Segundo Garnier,
tratou-se de uma coincidência.
"No
dia que seria votada a emenda constitucional do voto impresso, no dia em que
seria votado, houve uma novidade. O senhor foi à Marinha, foi entregar um
convite ao presidente da República com três blindados [...]. Foi
coincidência?", perguntou Moraes.
"Todos
os anos na cidade de Formosa [Goiás] a Marinha realiza uma operação. Esse
planejamento logístico leva meses de antecedências, porque esses blindados eles
vem do Rio de Janeiro. [...] Ao assumir o comando em abril, eu falei 'olha
vamos fazer uma visitação pública com esses veículos aqui na Esplanada. Todo
mundo pode ver. Contudo, isso não foi programado para o dia da votação no
Congresso", afirmou Garnier.
"O
que eu tenho impressão é de que essa votação seria feita em uma comissão
especial. O presidente da Câmara decidiu levar ao plenário e marcou para a data
em que já estava marcado todo esse deslocamento. A Câmara alternou isso com
cinco dias de antecedência. Neste caso em particular, foi
uma coincidência", prosseguiu o ex-comandante.
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Desfile de blindados
Em 10
de agosto de 2021, o desfile de blindados militares
provocou críticas e gerou constrangimento, tendo repercussão, inclusive, na imprensa internacional. O ato não estava na
agenda.
O
comboio saiu do Grupamento de Fuzileiros Navais rumo à Esplanada dos
Ministérios. Percorreu 4,5 quilômetros. Pelo menos 14 ministros do governo
estavam presentes na ocasião, além de parlamentares.
Um
militar subiu a rampa e entregou ao presidente um convite para assistir à
“Demonstração Operativa da Operação Formosa 2021”, que, na ocasião, estava
programada para 16 de agosto.
Bolsonaro
permaneceu na rampa por cinco minutos, até a entrega do convite, e mais sete
minutos até o fim da passagem do comboio.
Em
frente ao Planalto, alguns apoiadores de Jair Bolsonaro pediam intervenção
militar, numa afronta à Constituição brasileira.
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Em que fase está o julgamento?
Os
depoimentos marcam a reta final da instrução processual — fase em que são
reunidas provas para embasar o julgamento. É nesse momento que os réus têm a
chance de responder às acusações e apresentar suas versões dos fatos.
Segundo
a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo integra o “núcleo crucial” da
organização criminosa que atuou para tentar romper a ordem democrática. Entre
os réus está o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Concluída
a fase de interrogatórios, o processo segue para uma etapa de diligências, caso
sejam solicitadas por defesa ou acusação. Depois, será aberto o prazo de 15
dias para apresentação das alegações finais, antes de o caso ser levado a
julgamento na Primeira Turma do STF.
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Primeiro dia de depoimentos
O
interrogatório começou com Mauro Cid, que fechou acordo de colaboração premiada
com a Polícia Federal. Ele confirmou a veracidade da denúncia da PGR e
declarou: “Presenciei grande parte dos fatos, mas não participei deles”.
Cid
negou ter sido coagido e reafirmou o conteúdo de seus depoimentos anteriores.
Segundo ele, Bolsonaro teve acesso e sugeriu mudanças à chamada “minuta do
golpe” — documento com medidas autoritárias para reverter o resultado das
eleições de 2022.
Ainda
de acordo com o militar, Bolsonaro pediu a retirada do trecho que previa a
prisão de autoridades, mas manteve o item que determinava a detenção do
ministro Alexandre de Moraes. Cid também afirmou que o então presidente
pressionou o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, por um relatório
crítico às urnas eletrônicas.
Questionado
por Moraes, Cid confirmou que Bolsonaro queria um texto “duro” contra o sistema
de votação.
O
segundo a ser ouvido foi o deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin. Ele
disse que o documento em que questiona o resultado das eleições era apenas um
rascunho pessoal e não foi entregue a Bolsonaro. Também negou envolvimento na
disseminação de desinformação e rechaçou ter usado a Abin para monitorar
autoridades: “Decerto que não fiz monitoramento de autoridades”, afirmou.
Fonte:
g1

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