Milei retoma controle de preços após planos
de saúde dispararem na Argentina
Após a disparada de
preços de planos de saúde na Argentina nos últimos meses, o governo de Javier
Milei determinou, nesta quinta-feira (2), que as empresas que oferecem o
serviço de medicina pré-paga não poderão aumentar o valor da mensalidade acima do índice de inflação oficial do país.
Os preços dos planos
de saúde dispararam no país sul-americano desde a publicação, em dezembro de
2023, do Decreto de Necessidade e Urgência de Milei, que eliminava controles
dos valores dos planos, entre centenas de medidas para desregular a economia.
No dia seguinte à
publicação do decreto, pelo menos dois importantes planos de saúde anunciaram
aumentos em suas mensalidades de cerca de 40% para janeiro.
Nos meses seguintes,
os aumentos continuaram: em uma das empresas, o reajuste foi de 27,5% em
fevereiro, 21,3% em março, e 16,9% em abril, totalizando mais de 105% em avisos
de atualizações dos preços desde dezembro.
“Os planos de saúde
estão declarando guerra à classe média. Nós, do governo, vamos fazer tudo o que
estiver ao nosso alcance para defender a classe média”, escreveu, no começo de
abril, o ministro argentino da Economia Luis Caputo, na rede social X, antigo
Twitter.
Nesta quinta, a
secretaria de Indústria e Comércio da Argentina informou que os valores das
mensalidades dos planos não poderão ultrapassar o valor que era cobrado em
dezembro somado à variação porcentual do Índice de Preços ao Consumidor desde
então, o que corresponderia a 93,3% até abril e 114,6% até maio.
O mecanismo, segundo a
secretaria, estará vigente até o mês de setembro. A secretaria afirmou ainda
que, caso as empresas se neguem a limitar o ajuste, os clientes podem
denunciá-las à Defesa do Consumidor.
“Se for comprovado o
descumprimento por parte das empresas de planos de saúde, será aplicada uma
multa diária equivalente a 0,1% da faturação do grupo econômico”, advertiu.
·
Empresas citam
defasagem dos preços
As empresas, por sua
vez, alegam que estavam com os preços defasados devido a controles do governo
anterior.
Mesmo assim, tiveram
que retroceder, aplicando uma diminuição de 20% a 25% nas mensalidades de maio,
em relação ao cobrado em março, por determinação da secretaria.
“Os aumentos
realizados nestes meses são resultantes de reduzir, em parte, a grande
defasagem gerada entre o aumento de nossa estrutura de custos e as mensalidades
autorizadas pela autoridade competente até 2023”, escreveu uma das prestadoras
aos seus clientes.
O setor reclama da
defasagem entre a inflação, a desvalorização do peso (a moeda oficial da
Argentina) e o aumento dos preços dos remédios em relação aos aumentos de
mensalidades permitidos pelo governo entre 2020 e 2023.
·
Suspeita de
cartelização
Em meados de abril,
uma investigação da Comissão Nacional de Defesa da Concorrência, a secretaria
da Indústria e do Comércio determinou que havia indícios sólidos de um acordo
entre prestadoras de planos de saúde para um aumento quase uniforme dos preços
dos planos.
O órgão havia
determinado, então, que este grupo de empresas, que reúne 75% dos consumidores
deste tipo de serviço, deveria diminuir o valor das mensalidades para que o
máximo dos aumentos correspondesse ao índice de inflação.
O governo de Javier Milei também ordenou o fim de qualquer troca de informação entre as companhias
sobre preços, serviços oferecidos, custos e qualquer outra informação
comercial.
Além disso, determinou
a apresentação mensal à Comissão Nacional de Defesa da Concorrência de
informações sobre os preços de cada plano oferecido, renda obtida e quantidade
de consumidores de cada plano de saúde.
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Milei ataca premiê da Espanha após acusação sobre uso de drogas
Espanha e Argentina
trocaram farpas após o ministro dos Transportes espanhol, Oscar Puente, sugerir
que o presidente argentino, Javier Milei, era usuário de drogas.
Durante um evento em
Salamanca na sexta-feira (3), Puente sugeriu que Milei havia ingerido
“substâncias” durante a campanha eleitoral no ano passado.
O escritório do
presidente argentino divulgou uma declaração neste sábado (4) condenando as
declarações e atacando também o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.
Milei acusa Sánchez de
“colocar em risco as mulheres espanholas ao permitir a imigração ilegal” e
prejudicar a integridade da Espanha ao fazer acordos com separatistas, enquanto suas políticas de esquerda trouxeram “morte e
pobreza”.
Isso provocou uma
reprovação do Ministério das Relações Exteriores da Espanha, que disse que os
termos usados na declaração argentina “não correspondem às relações entre os
dois países e povos irmãos”.
Após a eleição de
Milei, um populista de direita que assumiu o comando o país em
dezembro, as relações entre a Argentina e a
Espanha, que é governada por uma coalizão de esquerda liderada pelo Partido
Socialista de Sánchez, esfriaram significativamente.
Milei apoiou
publicamente o partido espanhol Vox, de extrema direita e anti-imigração.
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Chanceler da Argentina diz que chineses “são todos iguais” e gera polêmica
A ministra das Relações Exteriores da Argentina, Diana Mondino, gerou polêmica ao dizer que uma inspeção que o
governo realizou na base espacial que a China tem na província argentina de
Neuquén não conseguiu apontar se ela incluía militares, uma vez que “eles são
chineses, são todos iguais”.
A fala aconteceu na
quinta-feira (2). Posteriormente, ela negou que houvesse qualquer intenção
discriminatória em suas palavras.
Mondino fez a
declaração em entrevista ao jornal Clarín, poucos dias depois de ter feito uma
visita oficial ao país asiático, onde se encontrou com o chanceler Wang Yi.
A ministra argentina
afirmou que ambos concordaram em “fortalecer e expandir a cooperação”. Antes da
viagem, Wang havia destacado a Argentina como um “parceiro estratégico”.
Em Paris, onde estava
para uma reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
(OCDE), a ministra foi consultada sobre a fiscalização, uma vez que o governo
tinha indicado que ia garantir que as atividades na base são civis, e não militares,
conforme indicado no acordo assinado entre os países.
“Ninguém detectou que
havia militares lá […], quem investigou não identificou que havia militares.
São chineses, são todos iguais”, respondeu ao Clarín.
·
Oposição critica fala
de Mondino
Pouco depois, a
oposição criticou publicamente suas declarações e as classificou como
discriminatórias.
“Suas falas seriam
repugnantes se ela fosse uma simples cidadã, mas como chanceler adquirem uma
gravidade incomum”, avaliou o líder social Juan Grabois, que foi candidato
presidencial em 2023 pela Unión por la Patria, no X.
O ex-embaixador para a
França Eric Calcagno escreveu na mesma rede social que Mondino “insulta a
China” e que a sua frase “despreza uma civilização com 5 mil anos”.
Por sua vez, a
deputada da Frente de Esquerda Myriam Bregman comentou ironicamente: “Graças a
Deus ela é a diplomata…”.
O governo chinês não
se pronunciou sobre o assunto e a CNN entrou em contato com a
embaixada chinesa, mas não teve resposta.
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Esclarecimento de
Mondino
Mondino concedeu
entrevista à Rádio Mitre e garantiu que “de forma alguma” houve intenção ou
conteúdo discriminatório nas suas declarações.
“Os que participaram
são todos iguais, são todos civis. Estamos falando da visita à estação espacial
chinesa de Neuquén, que aconteceu há poucos dias e destaquei o caráter civil do
pessoal, que não havia uniforme. Os argentinos também eram todos iguais, nenhum
deles estava uniformizado”, pontuou.
“Estávamos todos na
mesma qualidade que os civis. O argumento me surpreende, mas não importa”,
acrescentou, ressaltando que a frase poderia ter sido tirada do contexto.
Por sua vez, o
porta-voz presidencial Manuel Adorni afirmou em coletiva de imprensa que “foi
uma interpretação errada, ou uma expressão que talvez não tenha sido entendida
como deveria”. Além disso, disse que “a discriminação não está na alma” de
Mondino.
A chanceler argentina
possui vasta experiência no setor privado em avaliação de riscos e análise de
mercado. O cargo de ministra é o primeiro no setor público.
A passagem de Mondino
pela China foi seguida de perto, entre outros temas, por uma possível
negociação sobre os próximos vencimentos que a Argentina deverá enfrentar para
o swap cambial, empréstimo decorrente de acordo entre os
bancos centrais dos dois países em 2009.
Embora Milei, após
tomar posse como presidente, tenha moderado seu discurso feito na campanha em
relação à China, já há um declínio nos laços comerciais.
A China deixou de ser o segundo
parceiro comercial da Argentina, de
acordo com o último relatório comercial argentino divulgado pelo Instituto
Nacional de Estatística e Censos (Indec), lista liderada pelo Brasil.
Agora, o segundo lugar
pertence à União Europeia, enquanto a China é o terceiro.
Ø EUA recorrem a sanções diante do 'franco declínio' hegemônico,
diz deputado venezuelano
Os Estados Unidos
recorrem à imposição de sanções à Venezuela e a outros países devido ao
"declínio" de sua hegemonia e governabilidade global, disse à Sputnik
nesta sexta-feira (3) Tony Boza, economista e deputado do país sul-americano.
"É uma reação de
um império que está em franco declínio, que, por um lado, internamente enfrenta
uma série de problemas ingovernáveis e, em nível internacional, também tem
perdido governabilidade, restando-lhe apenas um aliado muito enfraquecido, que
é a União Europeia, com pouca capacidade de autonomia, pois não toma suas
próprias decisões políticas", afirmou Boza.
Na última quarta-feira
(1º), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou que o
restabelecimento das sanções dos Estados Unidos contra a empresa estatal
Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA) causou perdas parciais de mais de US$ 2
bilhões (R$ 10,1 bilhões) ao país caribenho somente entre janeiro e abril.
Integrante do
governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o deputado destacou
que Washington quer controlar as eleições presidenciais no país.
"É claramente um
erro dos Estados Unidos, porque se eles pretendem condicionar a realização de
eleições livres na Venezuela, o simples fato de um país tão poderoso como os
Estados Unidos intervir de forma tão grotesca em uma economia e tentar influenciar
as decisões dos eleitores é uma interferência absurda e desajeitada que não
contribui", comentou.
O governo do
presidente Joe Biden decidiu em abril retomar as sanções ao setor de petróleo e
gás da Venezuela, relacionando a medida a questões eleitorais no país
latino-americano.
Além disso, no fim de
janeiro o governo Biden revogou uma licença que permitia transações com a
empresa de mineração venezuelana Minerven, concedida em outubro de 2023 em
resposta a um acordo sobre as eleições presidenciais.
Na ocasião, o governo
venezuelano e a oposição assinaram dois acordos parciais em Barbados, que
incluíam o respeito ao direito de cada ator político do país de selecionar
livremente seu candidato para as eleições presidenciais de 2024. Boza afirmou
que as medidas dos Estados Unidos afetam principalmente os cidadãos, não os
governantes.
"É um país
intervencionista acostumado a se envolver à força nas políticas internas dos
países, e está fazendo isso mais uma vez de forma desajeitada e criminosa,
porque isso não prejudica os altos funcionários do governo nem aqueles em
cargos públicos de alto nível; prejudica o funcionamento das instituições a
nível municipal, como hospitais, [e seus] medicamentos de alto custo para
pessoas com doenças terminais, e o desenvolvimento de planos para serviços
públicos", destacou.
·
Assinatura de contratos mesmo com sanções
Também na última
quarta (1º), o presidente Maduro anunciou a assinatura de 20 contratos na área
de petróleo e gás com investidores internacionais, apesar das sanções. Além
disso, o venezuelano garantiu que "nada nem ninguém" impedirá o
crescimento da economia da nação sul-americana. Nesse contexto, o deputado
disse à Sputnik que a Venezuela busca se integrar ao novo modelo das economias
emergentes.
"Com muita
dificuldade, mas está sendo conseguido, principalmente porque a Venezuela
entendeu que precisa se alinhar ao lado certo, e o lado certo é a nova relação
de forças que está surgindo no planeta […]. A Venezuela não só está fazendo a
coisa certa ao estabelecer contratos, como isso também dá espaço para que,
sempre que possível, avance rumo a uma nova estrutura financeira internacional
e de relações monetárias", indicou.
Além disso, o
economista e deputado destacou o crescimento do BRICS, diante do declínio do
dólar. "Isso não vai mudar o movimento mundial e não vai fazer com que nem
China, nem Rússia, nem os países emergentes do BRICS mudem o caminho que já
traçaram e que, além disso, está aprofundando o peso da economia. Não se pode
evitar o que está acontecendo, o que os Estados Unidos estão fazendo é uma
espécie de pressão tardia, uma vez que o próprio sistema do dólar está entrando
em colapso", acrescentou.
Por sua vez, a
Venezuela espera poder se juntar ao grupo neste ano, na cúpula que será
realizada em outubro, na Rússia.
Desde 2015, mais de
900 sanções foram impostas à Venezuela, causando uma diminuição de 99% na
receita, de acordo com a administração Maduro. Além disso, o governo afirmou
que as penalizações afetaram a economia, causando perdas de mais de US$ 232
bilhões (R$ 1,1 trilhão) na última década.
Fonte: CNN Brasil/Sputnik
Brasil

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