Inclusão racial em escolas de elite:
desafios e lições
Polêmica sobre
segregação de bolsistas e casos de racismo acendem debate sobre a eficácia de
iniciativas inclusivas e antirracistas em escolas de alto padrão.Iniciativas de
inclusão social e racial em escolas de elite da cidade de São Paulo estiveram
na berlinda do debate público no mês passado. Começou com a controvérsia em
torno do programa de bolsas do colégio Porto Seguro, um dos mais tradicionais
da capital paulista, que foi alvo de ação de ONGs que alegam que a escola
segrega alunos bolsistas em um prédio separado dos alunos pagantes; e seguiu
com a denúncia da atriz Samara Felippo sobre o racismo cometido contra sua
filha por duas alunas do colégio Vera Cruz, que foram suspensas por tempo
indeterminado.
Historicamente
conhecidas pelas altas mensalidades, ensino de alto desempenho e pela quase
absoluta ausência de pretos e pardos entre seus alunos, algumas escolas de alto
padrão têm ampliado esforços, principalmente desde a enorme repercussão mundial
em torno da morte do americano George Floyd em 2020, para ampliar sua
diversidade racial.
De tempos em tempos, à
medida que cresce o interesse de parte da elite em aprender mais sobre práticas
antirracistas e implementá-las nas escolas de seus filhos, tais iniciativas são
confrontadas nas redes sociais com perguntas cada vez mais complexas: separar
fisicamente alunos pagantes e bolsistas é discriminação ou inclusão? Dar aulas
de letramento racial faz diferença quando não há alunos negros na turma? Podem
tais iniciativas das escolas de elite contribuir para reduzir a enorme
desigualdade de oportunidades entre alunos negros e brancos no país?
A reportagem ouviu
diretores de algumas escolas de elite de São Paulo que adotaram políticas e
esforços antirracistas nos últimos anos, além de acadêmicos e ativistas para
tentar responder alguns desses questionamentos e compartilhar aprendizados e
desafios.
Há consensos:
iniciativas bem-sucedidas requerem a contratação de muitos educadores negros em
posições de liderança, além de esforço e treinamento antirracista em todas as
áreas da escola, desde o currículo até a equipe administrativa. É preciso
também integrar pagantes e bolsistas no mesmo ambiente e não tolerar situações
de racismo.
• A mensagem dos ambientes “brancos”
Para ilustrar o
tamanho do problema racial nas escolas de elite brasileiras, dados de estudo do
Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mostram que, em 2020, apenas 10% dos alunos
das escolas privadas de alto desempenho eram pretos ou pardos. Algumas escolas
analisadas não tinham nenhum aluno negro, em um país em que pretos e pardos são
55% da população, segundo o IBGE.
O doutor em sociologia
Luiz Augusto Campos, autor do estudo, diz que tal nível de exclusão de negros é
comparável ao das escolas dos Estados Unidos nos anos 1960, quando havia leis
de segregação racial explícitas. “A grande sub-representação de pessoas pretas
e pardas na educação privada de alto desempenho é um problema grande, crônico e
subestimado no Brasil”, afirma.
O acadêmico destaca
que aulas temáticas não tornam uma escola antirracista se não houver negros nas
turmas. “Esse espaço vai continuar sendo racista, porque ele simplesmente
exclui pessoas diferentes do convívio desses adolescentes”, diz Campos, que
acrescenta que crescer em ambientes exclusivamente brancos também têm impacto
cognitivo. “Cria uma cidadania falsa, em que pessoas negras são apresentadas
como subalternas”.
Para o sociólogo,
iniciativas pontuais de escolas privadas são positivas porque beneficiam o
futuro dos bolsistas, mas têm pouco efeito sobre a desigualdade: pluralizar
racialmente as escolas privadas de alto padrão, que visam o lucro, só seria
possível com uma política pública de cotas raciais e sociais nessas
instituições.
• O racismo estará dentro da escola
Entre as escolas de
alto padrão de São Paulo, o Vera Cruz, tradicional instituição de ensino
privado da Zona Oeste de São Paulo, é um dos pioneiros em iniciativas
antirracistas. Criou seu projeto para aumentar a diversidade em 2019. O
programa envolve bolsas para 60 alunos negros de baixa renda, mudança no
currículo com mais autores negros em todas as áreas de conhecimento, além da
contratação de professores negros, que hoje são 25% da equipe, e a criação de
grupos de discussão e comitês decisórios compostos por negros, brancos e
famílias de bolsistas.
“Ter um projeto de
educação antirracista não significa que na escola não haverá racismo. A
sociedade é muito racista e a sociedade está dentro da escola”, diz Regina
Scarpa, diretora pedagógica do Vera Cruz e doutora em educação pela USP,
citando exemplos que surgem da convivência entre crianças, como críticas à
aparência de colegas negros ou casos de exclusão social, como não convidar
alunos para uma festa de aniversário.
Segundo Sarpa, é
necessário, também, preparar toda a equipe para enfrentar episódios de racismo
no cotidiano da escola, sem tolerar discriminação.
No caso de racismo
denunciado pela atriz Samara Felippo e confirmado pela direção do Vera, a
menina negra de 14 anos teve o caderno rasgado e rasurado com frases racistas
escritas por duas adolescentes.
Em entrevista ao G1, a
atriz Samara Felippo disse que desejava que as alunas que foram racistas com
sua filha sejam reabilitadas, mas pediu a expulsão porque não queria mantê-las
convivendo no mesmo espaço. “Não vejo outra alternativa para um crime previsto
em lei e que a escola insiste relativizar”.
Em entrevista à DW
antes de Samara denunciar o episódio de racismo, a diretora do Vera disse
considerar que é papel da escola não só expulsar, mas educar os alunos em
episódios de discriminação.
“Temos aqui muitos
comitês de governança com paridade metade negros, metade brancos, com a
participação de professores e de famílias que ingressaram via política
afirmativas para serem ouvidas. É muito importante que negros ocupem a posição
de poder também decisório e reflexivo, para pensarmos juntos em sanções para
cada caso. Se a expulsão vira a regra, você está dizendo que a convivência é
impossível”, afirmou. A reportagem voltou a entrar em contato com a escola após
o episódio, mas não obteve retorno.
• Mesmo ambiente para pagantes e bolsistas
Para todas as escolas
ouvidas pela reportagem, a inclusão só ocorre quando bolsistas e pagantes
convivem no mesmo ambiente. Integrar alunos de realidades sociais distintas em
um mesmo ambiente exige preparo por parte da escola, conta Wagner Cafagni Borja,
diretor geral da Escola Nossa Senhora das Graças, o Gracinha, de 650 alunos de
educação infantil a ensino médio no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo.
Em 2022, o Gracinha
criou um programa de bolsas que hoje tem 115 bolsistas integrais. Antes da
chegada dos bolsistas, o Gracinha criou uma comissão de equidade para
acompanhar a transição dos alunos da escola pública para o colégio, além de
investir no letramento racial de toda a comunidade escolar, inclusive para as
famílias.
Borja avalia que a
adesão ao projeto foi bastante positiva e deu relevo a situações de racismo que
antes eram apenas teóricas para os alunos. Mas diz que há resistência, ainda
que velada, por parte de algumas famílias. “Algumas famílias que questionam: por
que mais autores negros? Por que isso, por que não aquilo? A gente responde e
banca nossas escolhas”, diz.
Foi justamente a
decisão de separar fisicamente alunos bolsistas e pagantes – os primeiros
estudam na Vila Andrade e os demais no Morumbi – que motivou o pedido de
conciliação extrajudicial ao colégio Porto Seguro pelas ONGs Educafro e
Ponteduca. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, as entidades alegam
que a escola segrega os alunos bolsistas e pedem a integração de todos os
estudantes em uma mesma unidade.
Em nota, o Porto
Seguro diz que há quase 60 anos acolhe estudantes bolsistas provenientes de
famílias de baixa renda, e reitera que é “contra qualquer tipo de discriminação
e não promovemos nenhuma forma de segregação”. Diz também que criou o Campus
Vila Andrade em 2010, quando dobrou o número de vagas para bolsistas e faltava
espaço no Morumbi. Em 2020, em razão do aumento de atividades no contraturno e
da falta de espaço físico, os alunos bolsistas que estavam no Morumbi passaram
a estudar no Campus Vila Andrade, que “recebeu investimentos significativos”.
Para a maranhense
Antonia Nascimento, coordenadora da Ocupação São João e que também atua na
Frente de Luta por Moradia (FLM), a convivência entre alunos que vivem em
ocupações com os estudantes do Equipe foi a chave do sucesso do programa de
bolsas. Nascimento é parceira do colégio Equipe no programa Proceder, criado em
2022 e que concede bolsas integrais a 22 estudantes negros e negras que vivem
em seis ocupações do Movimento de Moradia na região central da cidade.
Segundo ela, essa
integração funcionou graças ao esforço da escola em, junto com o movimento,
planejar inúmeras estratégias para integrar os alunos e suas famílias à rotina
do colégio, sem constrangimentos. “Me preocupou muito no início. Pensei: como é
que vai ser o tratamento dessas crianças, desses adolescentes de uma realidade
tão diferente de quem está lá dentro?”, conta Nascimento.
Nas redes sociais do
Equipe, alguns alunos bolsistas falam sobre como foi a adaptação. “Foi uma
experiência meio estranha, porque é muito diferente de uma escola pública. Foi
um pouco difícil me adaptar, demorou uns dois meses. Mas está sendo uma experiência
excepcionalmente incrível”, diz Luiz, aluno do Proceder da terceira série do
ensino médio.
A estudante Sara,
bolsista do segundo ano do ensino médio, diz que a entrada dela no Equipe a fez
pensar no futuro pela primeira vez. “Foi difícil sim, estudos, amizades, não
foi fácil chegar aqui. Mas entrar me fez refletir muito sobre o meu futuro, porque
de onde eu vim, eu não pensava nisso”.
Para Nascimento, é por
meio da convivência com o diferente que o preconceito pode ser, enfim,
combatido. “As pessoas têm que se acostumar e aprender a respeitar umas às
outras, e eu acho que é dessa forma que isso pode acontecer, quando elas estão
juntas no mesmo ambiente”, afirma a coordenadora do movimento pró-moradia. “Não
é nosso credo, cor ou condições financeiras que vão dizer que somos diferentes.
E para isso mudar nós temos que estar juntos, frequentando as mesmas escolas,
os mesmos espaços públicos ou privados. Vamos ter que aprender”.
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Professores e famílias devem estar engajados no combate ao racismo
Em abril, casos de
racismo em escolas de elite ganharam espaço na mídia e evidenciaram a
necessidade das instituições de ensino fazerem trabalhos efetivos de combate à
discriminação, o que inclusive está previsto em lei. Especialistas
entrevistadas pela Agência Brasil apontam a necessidade de se envolver as
famílias dos agressores no debate e também de punição que possa mostrar a
gravidade dos atos cometidos, assim como resguardar as vítimas.
“Se os episódios estão
acontecendo e vindo à tona, provavelmente está faltando as escolas fazerem um
trabalho mais efetivo”, analisa a consultora em educação Gina Vieira Ponte,
licenciada em língua portuguesa e especialista em desenvolvimento humano, educação
e inclusão escolar.“Essas situações, elas nos lembram que a escola não é
impermeável ao que acontece na sociedade, né? A gente fica um tanto quanto
surpreso porque a escola deveria ser um lugar de transformação de cultura. E,
infelizmente, nem sempre isso acontece. Muitas vezes a escola se reduz a um
espaço de reprodução da cultura racista. A primeira coisa que a gente tem que
lembrar sempre é que nós somos um país de base histórica, escravocrata, e que o
racismo foi implantado no nosso inconsciente coletivo”, enfatiza, Ponte.
Dois casos recentes
chamaram atenção. Em São Paulo, o episódio de racismo contra a filha, de 14
anos, da atriz Samara Felippo. A agressão aconteceu na Escola Vera Cruz, em
Pinheiros, bairro nobre da capital paulista. Por meio de uma postagem nas redes
sociais, a atriz comentou que tem recebido apoio e que pretende seguir buscando
pela Justiça: “Racismo é crime e vou até o final para que seja aplicada a lei
perante um crime. Precisa uma criança/adolescente preta ser humilhada pra
escola enxergar que suas políticas antirracistas falham miseravelmente?”
O outro caso ocorreu
em Brasília, também envolvendo uma escola de elite. Durante um jogo, alunos do
Colégio Galois, proferiram palavras ofensivas aos estudantes da Escola
Franciscana Nossa Senhora de Fátima, como “macaco”, “filho de empregada” e
“pobrinho”.
De acordo com a escola
Nossa Senhora de Fátima, embora diversos responsáveis da outra escola
estivessem presentes no local, não foi tomada nenhuma providência adequada no
momento. Para Ponte, é necessário que as escolas se posicionem nessas
situações. “A pior resposta que a escola pode dar diante dessas situações é a
permissividade em relação ao ato dessas crianças. Porque indiretamente a gente
vai estar dizendo para o agressor, tudo bem você ser racista, não há nenhum
problema no seu comportamento e a gente vai estar dizendo para a criança ou
adolescente que foi vítima de racismo que o que você sente não importa para
essa escola. Os seus sentimentos, a sua identidade étnico-racial, isso não
interessa a nós, não estamos preocupados com isso. Então, nesse caso, a
impunidade tem um efeito desastroso”.
Os casos não são
isolados. De acordo com a pesquisa Percepções sobre o racismo, encomendada pelo
Instituto de Referência Negra Peregum e Projeto Seta, e realizada pelo IPEC –
Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica, a escola aparece como o ambiente
onde a maioria das pessoas declarou ter sofrido racismo. Mais de um terço dos
respondentes, 38%, afirmou que o racismo foi sofrido em escola, faculdade ou
universidade. O espaço superou o ambiente de trabalho, com 29% dos casos, e os
espaços públicos, com 28%.
• Responsabilização
Segundo a advogada
criminalista especialista em direito antidiscriminatório Aline Santiago, a
primeira orientação é que as famílias das crianças e adolescentes que forem
vítimas de racismo façam um boletim de ocorrência, registrando o que ocorreu. A
partir daí, os casos deverão ser analisados. Santiago é também coordenadora da
Comissão de Igualdade Racial, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) São Paulo.
Ela explica que tanto os responsáveis pelas crianças e adolescentes quanto a
própria escola têm responsabilidade pelo que ocorreu. “Enquanto as crianças
estão naquele ambiente, elas estão sob a tutela da instituição. Então é
necessário que a escola, no seu papel administrativo, entenda e compreenda que
o papel da escola também é supervisionar o comportamento das crianças. Então, é
o papel conjunto, dos pais juntamente com a escola”. A escola deve também, de
acordo com a advogada, fomentar a formação dos professores na desconstrução do
racismo.
Dada a gravidade dos
atos, Santiago explica que cabe a expulsão dos alunos agressores. “É uma medida
cabível e necessária, porque as punições nesse sentido vêm com caráter
educativo”, diz.
É preciso ainda que os
responsáveis busquem um letramento racial. “Para além de qualquer situação,
elas foram vítimas de discriminação. Então, diante dos ataques racistas que
acontecem, os pais das crianças agressoras devem buscar o letramento racial, a educação
para os filhos também serem vigilantes em relação a isso. Porque a gente fala
muito das crianças que são agredidas, das crianças que são agressoras e do
papel da escola. [É preciso] um olhar também para os pais das crianças, que são
as crianças agressoras. Muitas vezes os filhos replicam o comportamento do pai.
Então, é um olhar que também é necessário que tenhamos”.
·
Combate ao racismo
O combate ao racismo
deve ser constante nas escolas, de acordo com Ponte, que chama atenção para a
legislação. Há tanto leis quanto diretrizes que preveem medidas que ajudam no
combate à discriminação no ambiente escolar.
A Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura
afro-brasileira em toda a educação básica, é resultado da luta do movimento
negro, dos movimentos sociais e de muitas pessoas. A lei mudou a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a principal lei da educação no
Brasil, e, no entanto, não é cumprida.
Pesquisa divulgada no
ano passado mostrou que 71% das secretarias municipais de Educação não têm
ações consistentes para atender a legislação. Outro estudo divulgado este ano
mostra que cerca de 90% das turmas de educação de creche e pré-escola ignoram temas
raciais.
“A gente tem pesquisas
que apontam que há uma enorme negligência das escolas em relação a fazer esse
trabalho. As razões são muitas. Uma das mais importantes é que falta uma
política permanente, consistente, uma política com qualidade, tanto para
subsidiar, reportariar profissionais de educação na aplicação dessa lei, quanto
falta uma política para fiscalizar a aplicação dessa lei, para que ela seja
feita de maneira qualificada”, analisa Ponte.
Um levantamento feito
pelo Todos pela Educação, divulgado em 2023, mostra que o total de escolas
públicas com projetos para combater racismo, machismo e homofobia caiu ao menor
patamar em dez anos. Metade das escolas, 50,1%, tiveram ações contra o racismo
em 2021. Em 2015, o índice havia chegado ao maior patamar no período, atingindo
75,6% das unidades de ensino. Desde então, de acordo com a organização, os
números despencaram de maneira contínua. Os dados utilizados foram são dos
questionários contextuais do Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb)
destinados a diretores e diretoras escolares, entre 2011 a 2021.
• Política Nacional
Em meio a repercussão
dos casos, o Ministério da Educação (MEC) informou que vai apresentar
protocolos de prevenção e resposta ao racismo nas escolas. Os editais com as
propostas serão publicados nos próximos meses e poderão ser aplicados em todas
as instituições de ensino do país – públicas e privadas. A medida faz parte do
desenho da Política Nacional de Educação para as Relações Étnico-Raciais, que
deve ser anunciada no próximo dia 14. Ao todo, a política possui sete eixos,
sendo um deles o diagnóstico de monitoramento da implementação da Lei
10.639/2003. Para acelerar a implementação, o MEC deve anunciar um trabalho de
fortalecimento das redes educacionais por meio de um regime de colaboração e
coordenação federativa. Estão previstos incentivos financeiros, técnicos e
simbólicos na implementação da política nacional de educação das relações
étnico-raciais.
Fonte: Revista
Planeta/Agencia Brasil

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