Onde fica a maior reserva de lítio do
Brasil? Saiba como o país deve explorar e ampliar sua produção
Extraído majoritariamente de Minas Gerais, o lítio
brasileiro possui uma característica determinante: o padrão triplo zero, que
consiste em menos emissões de carbono, rejeitos e substâncias químicas nocivas.
Minas espera receber até R$ 30 bilhões em investimentos no mineral até 2030,
enquanto a demanda mundial pode crescer 1.000% até 2050.
"Não tem outro assunto discutido no mundo hoje
que não seja a questão climática. E dentro da questão climática, a questão
energética", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma
cerimônia de assinatura de concessões em junho.
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia,
afirmou em julho, durante a primeira exportação de lítio verde feita pelo
Brasil, que "o mundo precisa da transição energética, e todo o trabalho do
ministério tem se voltado ao tema. E a mineração tem papel fundamental nesse
processo."
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Lítio no Brasil e a transição energética
O Brasil almeja estar entre os líderes da transição
energética, assunto na ordem do dia da Conferência das Nações Unidas sobre as
Mudanças Climáticas de 2023 (COP28), que teve início ontem (30) e vai até o dia
12, em Dubai.
Entre os elementos fundamentais para tornar o
Brasil uma das lideranças na transição energética está o lítio, mineral usado
em diferentes frentes, mas que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado na
utilização em baterias para carros elétricos.
"O lítio é um mineral bastante leve e é um bom
condutor de eletricidade, o que o torna atraente para a produção de baterias de
pequeno, médio e grande porte. Atualmente, o exemplo mais comum de uso do lítio
são as baterias dos smartphones e de alguns veículos elétricos", explica
Gustavo Moura, professor de planejamento energético na Universidade Federal de
Ouro Preto (UFOP).
De acordo com o professor, o lítio vem ganhando
espaço nesse cenário, com mais investimentos do mineral em baterias de pequeno
e grande porte, por "permitir maior flexibilidade à operação de grandes
sistemas elétricos, funcionando como um backup da energia solar e eólica, que
devem ampliar suas participações nas matrizes energéticas de vários países do
mundo".
Assim, as baterias de lítio devem ser cada vez mais
utilizadas, conforme Moura, "a fim de garantir o suprimento de energia de
qualidade e estável" e em um "contexto de smart grids, redes
elétricas com alto nível de automação, mais agentes setoriais envolvidos
(stakeholders) e com maior fluxo de informação".
"Novas rotinas operacionais serão possíveis
considerando a flexibilidade e a resiliência disponibilizadas pelas baterias de
lítio", acrescenta o professor.
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Quanto de lítio existe no Brasil?
Dono da sétima maior reserva de lítio do mundo, de
acordo com o Ministério de Minas e Energia, o Brasil conta com um diferencial
em relação aos países que também detêm o mineral.
O lítio brasileiro possui um padrão triplo zero, ou
seja, sem emissões de carbono, rejeitos e substâncias químicas nocivas, o que o
torna ainda mais atrativo.
A maior reserva nacional do mineral está localizada
nas cidades dos vales do Jequitinhonha e do Mucuri, em Minas Gerais.
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Mapa do lítio no Brasil: conheça o vale do minério
Há 14 cidades que compõem o que o governo de Minas
batizou de "Vale do Lítio": Araçuaí, Capelinha, Coronel Murta,
Itaobim, Itinga, Malacacheta, Medina, Minas Novas, Pedra Azul, Rubelita,
Salinas, Teófilo Otoni, Turmalina e Virgem da Lapa.
A extração do lítio no estado, de acordo com o
Ministério de Minas e Energia (MME), está em uma crescente considerável.
Dados divulgados pelo órgão mostram que de janeiro
a julho deste ano a extração de lítio na região mineira atingiu cerca de R$
1,44 bilhão em valor de comercialização, quase o pouco mais de R$ 1,45 bilhão
arrecadado no ano anterior.
Ainda conforme o ministério, o setor cresceu
436,16% entre 2021 e 2022 e o lítio, entre os minerais extraídos em Minas
Gerais, passou do 11º lugar em faturamento para a 3ª colocação de 2021 a 2023,
ficando atrás somente do minério de ferro e do ouro.
De acordo com a Secretaria de Estado de
Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (SEDE-MG), atualmente os
investimentos confirmados na zona do lítio mineiro somam mais de R$ 5 bilhões e
poderão atingir entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões até 2030, pelas projeções.
"O governo de Minas tem perspectivas sobre o
amplo e positivo potencial do Vale do Lítio no que tange à atração de novos
empreendimentos para toda a região, relacionados a toda a cadeia produtiva do
lítio", disse a secretaria em nota, pontuando o trabalho para atrair
investimentos no setor.
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Quem extrai o lítio no Brasil?
Atualmente, segundo o governo de Minas, as empresas
Sigma Lithium, CBL e Latin Resources já estão com atividades na região.
Há também acordos fechados com outras companhias,
como a Atlas Lithium, que deve investir cerca de R$ 1 bilhão no Vale do Lítio,
e a MG LIT, que pode direcionar para o estado cerca de R$ 750 milhões.
Em julho deste ano, a primeira leva de lítio
extraída de Minas ganhou os mares através do Porto de Vitória, no Espírito
Santo.
Foram transportadas para a China 15 mil toneladas
de lítio verde triplo zero e outras 15 mil toneladas de subprodutos ultrafinos
de alta pureza.
Todo o material foi extraído pela canadense Sigma
Lithium. A expectativa, segundo o Ministério de Minas e Energia, é que até o
fim de 2023 cerca de 130 mil toneladas sejam exportadas.
Como o Estado recebe a compensação do lítio
explorado pelas empresas?
O Ministério de Minas e Energia informou que até o
fim de julho foram recolhidos R$ 29,1 milhões em recursos da Compensação
Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) relativos ao lítio em Minas Gerais.
A CFEM, estabelecida pela Constituição de 1988, é a
contrapartida financeira paga pelas empresas mineradoras à União, aos estados,
ao Distrito Federal e aos municípios pela exploração econômica dos recursos
minerais nos respectivos territórios.
De acordo com a Associação dos Municípios
Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig), "a base de cálculo da CFEM
é a receita bruta nas operações de venda, deduzindo-se apenas os tributos que
incidem sobre a comercialização. Não sendo permitido, portanto, a dedução das
despesas com frete e seguro".
Atualmente a divisão, portanto, se dá desta forma:
10% para a União; 15% para o estado; 15% para os municípios afetados pela
atividade de mineração e cuja produção não ocorra em seus territórios; e 60%
para o município produtor.
Ou seja, "os municípios detêm 75% da
arrecadação da CFEM e possuem autonomia para gerir tais recursos. Os 15% do
estado são utilizados para retornar serviços para a sociedade, como a melhoria
da qualidade de vida da população", explica a SEDE-MG.
A demanda mundial por lítio deve crescer quase
1.000% até 2050, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). Além
das iniciativas e negociações traçadas pelo governo de Minas para trazer para o
estado empresas de diversos setores da cadeia do lítio, o governo federal prevê
um investimento de R$ 307 milhões em pesquisa mineral através do Novo Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC).
Os esforços podem ser fundamentais para o salto
estimado por José Luiz Ubaldino, diretor do Departamento de Geologia e Produção
Mineral (DGPM) da Secretaria Nacional de Geologia, Mineração e Transformação
Mineral (SNGM), que afirmou, durante audiência pública para debater a estrutura
da cadeia produtiva do lítio no Brasil, na Comissão de Indústria, Comércio e
Serviços da Câmara dos Deputados, que o país "possui a quinta maior
produção de lítio do mundo, e com as pesquisas e projetos que estamos desenvolvendo,
vamos rapidamente saltar para o terceiro lugar".
Ø Empresa de
chips da China se esquiva de sanções de Biden e usa tecnologia e dinheiro dos
EUA
A Brite Semiconductor, que está ligada à fabricante
de chips chinesa SMIC, tem ligações às Forças Armadas da China, de acordo com
reportagem da mídia britânica.
Uma empresa de chips chinesa, de propriedade
parcial da principal fabricante de chips da China, está comprando software dos
EUA e tem apoio financeiro americano, revela um artigo de quinta-feira (14) da
agência britânica Reuters.
Os EUA impuseram nos últimos anos sanções a várias
empresas de renome chinesas, em uma tentativa de impedir o desenvolvimento da
China, particularmente de seu ramo militar.
No entanto, segundo a Reuters, que examinou
declarações da empresa, a Brite Semiconductor oferece serviços de design de
chips para pelo menos seis fornecedores militares chineses, registros
regulatórios, licitações e artigos acadêmicos de pesquisadores e instituições
do Exército de Libertação Popular (ELP).
Sua segunda maior acionista e principal
fornecedora, a fabricante de chips chinesa SMIC, foi incluída na chamada lista
de entidades dos EUA que requerem uma licença governamental, devido a supostos
vínculos com o ELP, impedindo que ela receba alguns produtos de fornecedores
norte-americanos.
Apesar disso, a Brite conta com financiamento de
uma empresa de capital de risco dos EUA apoiada pelo banco norte-americano
Wells Fargo e por uma universidade cristã, e tem acesso contínuo à tecnologia
sensível dos EUA de duas empresas de software sediadas no estado da Califórnia,
a Synopsys e a Cadence Design, segundo documentos estudados pela mídia.
Contudo, a Reuters não encontrou evidência de que as relações da Brite com
empresas americanas violam quaisquer regulamentos.
Marco Rubio, um senador republicano, influente
falcão anti-China e membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA,
caracterizou as descobertas da Reuters sobre a Brite como
"preocupantes".
"As empresas ligadas à cadeia de suprimentos
militares da China não deveriam ter acesso à tecnologia e aos investimentos
americanos. A abordagem aleatória do governo [Joe] Biden para controles de
exportação e restrições de investimento claramente não está funcionando",
disse ele.
A Brite Semiconductor, fundada em 2008 como uma
joint venture entre capitalistas de risco dos EUA e empresas chinesas, tem
laços de longa data com a SMIC.
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Cientistas chineses inventam tecnologia para extrair urânio da água do
mar
A criação de um material de fibra de carbono, que extrai
efetivamente urânio da água do mar, oferece uma solução promissora para acessar
as vastas reservas de urânio deste recurso natural. A invenção anuncia um
avanço na tecnologia de extração de urânio e uma nova era para o combustível
nuclear sustentável.
Cientistas da Northeastern University em Changchun,
China, desenvolveram recentemente uma técnica para coletar urânio da água do
oceano, diz a descoberta publicada na revista ACS Central Science.
O urânio é extraído convencionalmente de fontes
rochosas, cujo fornecimento é limitado. Estima-se que os oceanos e mares da
Terra contenham aproximadamente 4,5 bilhões de toneladas de urânio, excedendo
os depósitos terrestres em mais de mil vezes.
Na água do mar, o urânio é encontrado na forma de
minúsculas partículas carregadas, que os cientistas chamam de uranila. A
extração de uranila da água do oceano é um desafio porque os materiais
utilizados não possuem área de superfície suficiente, o que dificulta a captura
eficaz de íons de urânio.
Uma equipe de pesquisa chinesa desenvolveu, no
entanto, um material de fibra de carbono infundido com agentes ligantes
distintos. Após o tratamento químico, o material fibroso desenvolve numerosas
pequenas cavidades capazes de reter partículas de uranila.
Durante os testes experimentais, este tecido de
fibra de carbono demonstrou uma capacidade impressionante de extrair 12,6
miligramas de urânio por grama de água do mar durante 24 dias, superando muitos
materiais testados anteriormente.
O avanço é significativo porque apresenta uma
abordagem viável para explorar as vastas reservas de urânio dos oceanos para a
criação de combustível nuclear. Isto surge na sequência do recente
desenvolvimento, por cientistas russos, de um método para remover contaminantes
radioativos da água.
Fonte: Sputnik Brasil

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